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Bruxaria e Paganismo

Locais Sagrados na Bruxaria

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por Patricia Crowther
(excerto de “Lid off the Couldron”, 1981)

Pode ser sua intenção trabalhar ao ar livre em algumas ocasiões quando o tempo permitir! Se for assim, seria bem bobo ficar “nu”, especialmente no clima britânico. A maioria das bruxas usa um robe quente, com capuz, por cima da roupa nessas reuniões, que é a forma mais sensata de lidar com a questão.

O robe geralmente é amarrado na cintura com um cordão ou cinturão, o que impede que o ar frio penetre e também mantém a peça no lugar. Uma capa não serviria ao mesmo propósito, por ter tendência a esvoaçar durante qualquer movimento, e poderia ser perigosa se houver fogo de qualquer tipo. Falando em fogo, um excelente recurso para viabilizar o uso de velas ao ar livre é a lanterna de campista. Ela tem quatro painéis de vidro para proteger a chama e pode ser usada para marcar os quatro quadrantes.

Um rito desse tipo costuma dar um trabalho considerável para organizar; mas, acredite, vale muito a pena. Uma noite de verão sob lua cheia, com toda a natureza à sua volta e a terra sob os seus pés, é difícil de superar, para um Sabbat ou Esbat.

A primeira coisa é encontrar o seu próprio lugar específico. Um mapa do Ordnance Survey vai lhe dar a localização de sítios sagrados e círculos de pedra na sua região. Uma visita ao local escolhido à luz do dia é essencial para ver se é um lugar adequado, para encontrar o melhor caminho para chegar lá à noite, para descobrir quanto tempo levaria para chegar com segurança no escuro e para observar a superfície do terreno. Se houver desníveis e pedras estranhas por perto, isso pode resultar em um tornozelo torcido, ou algum outro acidente. Portanto, tenha certeza dessas coisas antes de decidir por um local. E há também o “sentir” do lugar; as vibrações que vão dizer a você se ele foi ou não visitado por gente com intenções menos nobres.

Pode haver um bosque local com uma clareira ou um espaço aberto no centro; não precisa ser um círculo. Você pode estar “em sintonia” com os poderes da natureza em qualquer lugar do interior. Colinas e lugares altos eram considerados sagrados, em parte por causa da subida, que era encenada fisicamente e também mentalmente! Certamente, há muitas figuras em colinas que confirmam essa ideia. E muitas delas têm, acima, uma depressão arredondada do terreno que, em alguns lugares, as pessoas do campo consideram assombrada ou, de algum modo, estranha. Isso provavelmente ocorre porque foram usadas antigamente e ainda preservam o poder. Radiestesistas tocaram certas pedras e receberam uma espécie de choque elétrico delas. E sabemos que as pedras carregam memória e armazenam energia, como testemunham os trabalhos de T. C. Lethbridge e outros.

Procure lugares com nomes antigos; lugares com nomes que se liguem aos Deuses Antigos. A memória popular é teimosa no campo, e muitas vezes um nome vai conduzir você na direção certa.

Diz-se que a maioria das figuras em colinas foi feita sobre Linhas Ley, ou onde certas energias da terra se encontram. Entre elas estão o Cavalo Branco de Uffington, em Berkshire; o Gigante de Cerne, em Cerne Abbas, Dorset, e o Homem Longo de Wilmington, em Sussex.
É óbvio que perdemos muitas dessas figuras ao longo dos anos. Lethbridge nos conta como ajudou a escavar algumas figuras em colinas em Wandlebury, perto de Cambridge. Encontraram pelo menos três; uma, da Deusa Mãe — Ma Gog — aparentemente sentada sobre um cavalo branco. A senhora tem mais de dois seios, ecoando Diana de Éfeso, a de muitos seios. As colinas em torno de Wandlebury são lisas e arredondadas, como aquelas conhecidas como os Seios de Anu na Irlanda, e os seios da Cailleach em Jura.

Há uma situação semelhante no topo do Homem Longo de Wilmington. É uma subida dura até o topo, mas é ideal como local de trabalho. Uma concavidade de chão plano, com dois pequenos montículos atrás, sugere que foi feita pelo homem à imagem da Mãe Terra.

Meu marido e eu, junto com alguns amigos bruxos, tivemos vários Esbats bem agradáveis lá em cima. Na última ocasião, alguns anos atrás, a cerimônia resultou no poema a seguir, que escrevi imediatamente ao acordar no dia seguinte. Daí o título:

Despertar

Talvez você e eu, em eras distantes,
Caminhássemos juntos com canto oculto,
E adorássemos o Um, o Um de Três,
Sob Carvalho e Freixo e Sorveira.
Talvez dançássemos até o romper da aurora,
E todas as aves acordassem em alegria;
Talvez soubéssemos segredos sábios,
Para agitar o sangue e alcançar os céus.
Será verdade que nos encontramos
De novo na rede dourada de Nêmesis;
Para frustrar mais uma vez o poço escurecido,
E nos dar sentido para vencê-lo?

Quando alguém comunga com as forças da vida, especialmente em um sítio sagrado, isso muitas vezes tem o efeito de evocar alguma forma de arte criativa. Um amigo meu pintou um belíssimo quadro psíquico depois de um desses encontros.

É lamentável que a maioria dos lugares mais conhecidos hoje esteja fora de alcance para atividades assim. Stonehenge, Arbor Low e o Círculo de Rollright agora são inacessíveis, pois o Ministério de Obras precisou erguer cercas e barreiras ao redor deles por causa do vandalismo dos últimos anos.

O Círculo de Rollright foi um lugar regular de encontro para bruxas até os dias atuais, até que um grupo de adolescentes pôs fogo em uma das pedras. Agora a entrada fica restrita a certos horários diurnos.
Falando nos Rollrights, aprendi pela experiência que o grupo de pedras conhecido como os Cavaleiros Sussurrantes muitas vezes dá respostas às suas perguntas. Elas são recebidas psiquicamente, é claro, mas “falam” sim, e em termos bem pé no chão, enquanto a atmosfera delas é bastante única.

Foi sugerido que originalmente havia ali uma pedra de cobertura, e que a estrutura era usada pelo vidente local, o que explicaria sua receptividade. É claro que a aproximação dessas pedras deve ser feita com completa fé e reverência, qualquer oferta sendo dada em confiança e amor.

Foi durante um passeio de carro no mesmo distrito que um amigo me levou para ver um túmulo alongado. A câmara funerária havia cedido há muito tempo e era cercada por arbustos e uma giesta amarelo-vivo. Caminhamos ao redor e de repente vi uma figura que tinha sido desenhada no solo claro e arenoso. Era de proporções humanas, com algo que parecia um chapéu de aba larga na cabeça. O rosto estava gravado em um sorriso, e ficamos surpresos ao ver que era um hermafrodita, com falo e seios femininos. Perto dali, encontramos algumas espigas de milho torcidas, que tinham sido dobradas em direção à figura e enfiadas entre pedras para mantê-las firmes.
Concluímos que era algum tipo de magia de fertilidade, pois a figura tinha atributos masculinos e femininos. Isso se conecta com algumas estátuas dos Deuses Antigos, retratados do mesmo modo para representar a dualidade da Divindade. Havia também o chapéu, parecido com o usado pelo Mago, no Tarô. Entre outras coisas, essa carta se relaciona com Áries, o início da Maré de Ativação (ver Marés). Nossa suposição pode ou não ter sido a correta, mas essa descoberta mostra a continuidade da magia no coração da Inglaterra rural!
No topo de Trendle Hill, em Dorset, está a enorme figura do Gigante de Cerne. Com cerca de 180 pés de altura e 45 pés de largura, ele aparece de forma desafiadora, sem vergonha, com o porrete e o pênis erguidos. E ainda assim a figura transmite uma aura de paz e bem-estar, com a mão esquerda estendida aberta e acolhedora.

É um dito local que casais que têm dificuldade para ter filhos devem subir a colina à noite e fazer amor sobre o falo dele, e eu já ouvi vários casos de esse ato ter sido eficaz!

Há uma história contada por aquelas bandas sobre duas freiras que perguntaram a um fazendeiro local o caminho para subir até o Gigante. A resposta dele foi: “Não adianta tentar por bairns antes da primavera!”

Um vigário de Cerne Abbas, certa vez, ficou ofendido com a franqueza sexual do Gigante e tentou mandar arar aquela parte de sua anatomia. Mas recebeu tanta oposição do povo dos distritos ao redor que desistiu da tentativa. “Se você fizer isso, nossas colheitas vão fracassar”, disseram a ele.

Sempre houve um festival popular a cada primavera no topo do Gigante, com as tradicionais danças do mastro de maio, até que o clero local conseguiu proibi-lo. Eles eram da opinião de que havia comportamento licencioso demais na celebração!
A raspagem dessas figuras nas colinas ocorria a cada sete anos. Sete é o número das coisas espirituais. No Cavalo Branco perto de Uffington, cantava-se uma velha balada de Berkshire enquanto o trabalho estava em andamento:

O velho Cavalo Branco quer ser posto em ordem,
E o Squire prometeu boa alegria;
Então vamos dar-lhe uma raspada pra mantê-lo em forma,
E ele vai durar muitos anos.

Era um grande acontecimento, pois depois da limpeza o senhor do solar oferecia um banquete e entretinha os trabalhadores; de fato, era dever dele fazer isso. Também havia uma feira e todo tipo de atividades esportivas que duravam quase uma semana.

Cavalos brancos sempre foram sagrados para a Deusa Mãe, também conhecida como a Deusa Égua. As pessoas descrevem sonhos ruins como pesadelos; eles ocorrem quando os aspectos escuros e ocultos da mente, armazenados no subconsciente, são liberados, às vezes durante o sono. O subconsciente se liga à Anciã, ou Bruxa, da Lua Negra e guarda nossos pensamentos mais profundos, às vezes sinistros.
Passando para coisas mais agradáveis, ferraduras são consideradas de sorte desde os tempos antigos, especialmente por causa do formato, simbólico da lua crescente e dos cravos com que são presas.

Moedas da Idade do Ferro retratam um cavalo com uma lua crescente acima dele, e na caverna Pin Hole, em Derbyshire, foi encontrado um pedaço de osso que mostra um homem usando uma máscara de cavalo.
A cavaleira de Godiva, uma jovem virgem, montaria um cavalo branco no festival da primavera. O branco, sendo símbolo de pureza, pode ser um motivo para a sacralidade desse animal. Mas o fato curioso é que o povo britânico sempre se recusou a comer carne de cavalo, mesmo quando a comida era escassa.

O contorno soberbo do cavalo de Uffington é feito com apenas cinco linhas, com uma precisão de estêncil. O efeito é de beleza enquanto ele salta sobre as colinas baixas. Pura poesia!

O Cavalo Branco tem cerca de 3.000 anos, e a coisa estranha sobre ele — e, na verdade, sobre algumas outras figuras em colinas — é que ele só pode ser visto, na perspectiva correta, do ar!

Toda a área está impregnada de lugares estranhos e lendas. Diz-se que ficar de pé sobre o olho do Cavalo (uma grande pedra plana) e girar três vezes enquanto se faz um pedido traz boa sorte. Agora, é bem evidente que as superstições locais são restos de algum conhecimento antigo. Guy Underwood diz que todas essas figuras foram erguidas em lugares onde as linhas geodésicas de energia da terra, ou Linhas Ley, convergiam. E ele também diz que o olho do Cavalo está colocado exatamente acima de uma nascente cega!

Atrás do desenho há um grande forte em colina e, não muito longe, no vale, há um grande monte artificial chamado Colina do Dragão. A atmosfera da área é expressa de modo ideal na “Balada do Cavalo Branco” de G. K. Chesterton, que começa:

Antes que os deuses que fizeram os deuses
Vissem passar seu nascer do sol,
O Cavalo Branco do Vale do Cavalo Branco
Foi recortado da relva.
Antes que os deuses que fizeram os deuses
Bebessem na aurora à vontade,
O Cavalo Branco do Vale do Cavalo Branco
Já era grisalho na colina.
Era além de era em terra britânica,
Éons sobre éons passados,
Houve paz e guerra nas colinas do Oeste,
E o Cavalo Branco observou…

É bem possível que as bruxas de antigamente soubessem sobre essa energia da terra e seus efeitos, porque muitos sítios antigos são associados a elas: lugares como a famosa Pendle Hill, palco das bruxas de Lancashire, e Chanctonbury Ring em Sussex, um conhecido ponto de encontro de bruxas do passado e do presente. Bredon Hill perto de Tewkesbury é outro. Essas colinas eram sagradas e muito provavelmente eram os centros esotéricos da Antiga Religião.

Michael Dames fez uma contribuição inestimável para este assunto, exposta em seus dois livros The Avebury Cycle e The Silbury Treasure. Aqui temos alguém que olhou para esses dois monumentos com olhos diferentes dos dos arqueólogos e examinadores anteriores. Silbury Hill é o maior monte artificial da Europa Ocidental e foi escavado em vários períodos da história na esperança de encontrar uma tumba real!
Em 1723, o antiquário William Stukeley empregou um trabalhador local para manter os olhos abertos para qualquer coisa de interesse enquanto algumas árvores eram plantadas na colina. Eles se depararam com um enterro logo abaixo da superfície, mas Stukeley o descartou como sendo o lendário corpo do rei Sil, cuja tumba Silbury supostamente seria. Escavações posteriores foram feitas pelo Duque de Northumberland em 1776; por John Merewether, Decano de Hereford, em 1849; por Sir W. M. Flinders-Petrie em 1922; pelo Dr. F. R. McKim em 1959; e, por último mas não menos importante, pelo Professor R. J. C. Atkinson e pela BBC 2 em 1967.

Como comenta Michael Dames, todo o interesse por Silbury estava confinado a uma síndrome patriarcal de herói/tesouro. Ninguém jamais concebeu a possibilidade de a colina ser outra coisa que não o túmulo de um rei guerreiro com sua pilha de ouro e tesouros. Mas Dames mostra Silbury Hill como uma representação exata da Grande Deusa, tendo toda a área sido erguida e organizada para retratar esse fenômeno. A colina em si é a gravidez dela, enquanto o fosso ao redor descreve seu corpo! Seu livro sobre Silbury inclui fotografias que comprovam essa descoberta de maneira inequívoca. E a figura completa se expressa exatamente da mesma forma que as estátuas de pedra da deusa nas formas de arte neolíticas, isto é, como uma mulher agachada prestes a dar à luz. A deusa de Silbury tem cerca de 4.000 anos e pode ser ainda mais antiga.

Dames sugere que as pessoas se reuniam para assistir à deusa dando à luz. Isso ocorria na época de Lammas, quando se diz que a terra está em trabalho de parto, com a Lua como indicador do processo sagrado, seus movimentos cobrindo toda a encenação com precisão geométrica.
A colina foi feita como uma grande teia, subindo até um topo plano e uma depressão no alto, que Dames associa ao simbolismo útero/olho dos povos neolíticos, refletindo o olho da inteligência e o olho do nascimento.

A “criança” nasce quando a Lua indica a vala do istmo interno, o disco lunar aparecendo como a “cabeça” na água. Há também uma ligação astronômica e geométrica com Avebury, intrigante em suas implicações.

A lua de Lammas é a primeira lua cheia após o quarto-dia solar e provavelmente foi o momento em que a construção da colina começou. Essa teoria é sustentada pelo fato de que formigas aladas, que voam em agosto, foram encontradas em seu núcleo.
Você vai notar a repetição do nome Nove Donzelas, ou Nove Damas, dado a círculos de pedra por toda a terra. De novo, o número de pedras se liga ao número da Lua e aos três aspectos da Deusa, cada aspecto presidido por três mulheres. Uma teoria proposta sugere que três mulheres cuidavam do fogo sagrado no Círculo; três buscavam combustível, enquanto as três restantes descansavam. O fogo nunca era deixado apagar, pois fornecia calor, mantinha animais selvagens afastados e era um meio de cozinhar comida. Deuses e homens viviam muito próximos nos tempos antigos, e não havia ideia de manter religião e vida cotidiana separadas. É por isso que símbolos da bruxaria muitas vezes incorporam um uso prático, além de um uso religioso: artefatos como o forcado, a ferradura, o caldeirão e a vassoura.
Lugares como encruzilhadas, ou onde três caminhos se encontram, sempre foram conectados a bruxas e seus ritos. A deusa como Dea-Triformis das encruzilhadas, Hécate Triformis, ou as Três Damas da Bretanha, muitas vezes recebia presentes ou oferendas deixadas nesses lugares. Os atenienses tinham uma ceia pública todo mês, colocada onde três caminhos se encontravam.

Se você encontrar um lugar assim no campo, tenha muito cuidado para que um motorista que passe não atropele você. O trânsito de hoje é muito diferente dos cavalos e carroças e carruagens de antigamente.
Falar de encruzilhadas me leva à famosa bruxa irlandesa, Lady Alice Le Kyteler, porque os registros do julgamento dela em 1324 mostram que ela realizou certos rituais nesses lugares.

Diz-se que ela sacrificou nove galos vermelhos e nove olhos de pavão a um espírito chamado Robin Filius Artis (Robin, Filho da Arte), que ela espalhou numa encruzilhada. Lady Alice e seu coven também tinham uma “viga de madeira chamada coulter”, que, depois que ela a esfregava com um unguento mágico, podia ser usada para voar para qualquer lugar que escolhessem!

Ela também teria se envolvido em atos de magia simpática. Um deles era varrer as ruas de Kilkenny entre a completa e o crepúsculo, juntando toda a sujeira e o lixo até a porta do filho dela, murmurando secretamente para si mesma:

Para a casa de William, meu filho,
Venha toda a riqueza da cidade de Kilkenny.

 

A completa era o último serviço religioso do dia, mas repare no número nove de novo no ritual acima. Os olhos de pavão provavelmente eram as penas da cauda dessas aves, há muito associadas à magia e consideradas por alguns como de mau agouro.

Certamente parecem olhos e têm uma beleza estranha que lhes conferiu influências inquietantes. Ora, Robin Artisson é dito ter sido o amante de Dame Alice, então ele dificilmente teria sido um espírito, no sentido real da palavra. O coven inteiro tinha treze pessoas, o que de novo mostra a autenticidade e a antiguidade das cerimônias de bruxaria.

Esse foi o primeiro grande julgamento de bruxaria da Irlanda, e eu o menciono aqui por causa de uma curiosa informação que encontrei alguns anos atrás.

Lady Alice era uma mulher de alto status social, com muitos apoiadores influentes, e conseguiu, com a ajuda deles, fugir para a Inglaterra, onde nada mais se ouviu dela. Mas num livro de lendas de Yorkshire, publicado pela Dalesman, eu li que em Clapdale Hall (antes Clapdale Castle) vivia um certo John de Clapham e, ali perto, ao pé de Trow Gill, havia uma pequena cabana onde vivia uma Dame Alice Ketyll, sua ama de criação. Por causa da má sorte de John de Clapham, ela teria invocado o Diabo, que chamou um Robin Artisson para ser seu espírito familiar. Ela então prometeu varrer a velha ponte de Clapham entre a completa e o toque de recolher e passou a juntar toda a poeira em direção ao castelo com as palavras:

Para dentro da casa de John, meu filho,
Venha toda a riqueza da cidade de Clapham.

Além disso, a lenda conta como ela pegou nove galos vermelhos, recém-mortos, e os colocou em um círculo ao redor dela na ponte!
Depois de ler esse relato, escrevi aos editores do livro e me disseram que era uma coleção de lendas e histórias do condado reunidas de muitas fontes. Então coloquei um anúncio na revista Dalesman pedindo informações sobre Clapham em Craven. Em tempo recebi uma carta de um descendente da família Clapham, que me contou sobre um Thomas Clapham que se casou com Elizabeth More, de Otterburn. A mãe dela, Thomasine, era filha de Sir Peter Mauleverer, e Elizabeth herdou a fortuna da família. Houve quatro filhos desse casamento, o mais velho dos quais era John de Clapham. A data de nascimento dele foi por volta de 1327, então, se de fato a Dame Alice Ketyll de Clapdale e a Lady Alice Le Kyteler que fugiu para a Inglaterra são uma só e a mesma pessoa, resolvemos o mistério do desaparecimento dela!

Clapham em Craven fica a apenas vinte milhas da costa oeste e do Mar da Irlanda e está enterrada profundamente em região arborizada. Se a lenda de Clapdale for verdadeira, Dame Alice pode ter chegado lá na época do nascimento de John e, no devido tempo, tornou-se sua ama de criação. Repare que ela não vivia no Hall, mas numa pequena cabana na mata, onde poderia ficar longe de olhos curiosos.

Em Brigantia, de Guy Ragland Phillips, é mencionado o Priorado de Bolton, onde a família Clapham foi enterrada de pé! Phillips também escreve sobre a época em que a BBC estava fazendo um filme na área. Dois membros da equipe ficaram em Clapdale Hall, que então estava em ruínas, e ouviram uma tradição sobre alguns cavaleiros dos Claphams. A história era que eles tinham sido enterrados de pé, em armadura completa, sob o próprio Hall. Usando um detector de metais, descobriram que ele reagia definitivamente em uma seção do chão. O operador, um Sr. Wooding, foi subitamente tomado por uma sensação de terror, como a presença de algo maligno, e fugiu da casa para cair exausto a vários metros de distância. Phillips diz que as pessoas locais têm medo do Hall, o que tudo parece apontar para algum tipo de atividade mágica ligada à família Clapham no passado. Talvez Lady Alice tenha sido ajudada e protegida pelos seus! (Para um relato completo do julgamento de Kyteler, ver An ABC of Witchcraft, de Doreen Valiente.)

No livro dele, Phillips descreve a área de Brigantia, nos tempos antigos, como se estendendo do Wash até Dumfries. Toda “Brigantia” é coberta por incontáveis sítios sagrados que, literalmente, salpicam a vasta extensão de terra.

O livro também dá os alinhamentos das Linhas Ley, uma das quais termina em Whitby Abbey. O Homem Verde é muito evidente no Norte da Inglaterra: uma das representações mais bonitas é a cabeça de pedra em Fountains Abbey, com ramos saindo da boca, enquanto em Hutton-in-the-Forest, perto de Penrith, há um entalhe semelhante acima de um poço antigo. Figuras de deusas também abundam, e algumas pouco conhecidas foram desenterradas por Phillips.
Outras expressões do homem primitivo no Norte da Inglaterra incluem a Pedra Suástica, em Ilkley Moor; a Pedra da Árvore da Vida, em Snowden Carr; Brimham Rocks, em Nidderdale; Jenny Twigg e sua Filha Tib; e os imensos menires fálicos em Boroughbridge e Rudston.
Brimham Rocks são formas fantásticas, seus grandes volumes equilibrando-se sobre pedestais bem pequenos e afunilados, com marcas estranhas em suas bases. Elas repousam sobre Linhas Ley e a mística do lugar o marca como um sítio antigo. As pessoas locais as consideram com reverência há muito tempo; acredita-se que as rochas abriguem um espírito amistoso, conhecido como o Filho das Rochas.
Em Fountains Moor, dois grandes monólitos, que parecem gigantesas de chapéus largos, reinam absolutos. Essas rochas se chamam Jenny Twigg e sua Filha Tib — com muita propriedade, eu acho. O nome “Jenny” tem muitas associações com lugares pagãos em Yorkshire e, muito provavelmente, era um antigo sinônimo da Deusa por aquelas bandas.

Gerald Gardner teve a solução ideal para o problema de encontrar um local adequado. Ele comprou uma velha cabana em Buckinghamshire e a mandou transportar para um bosque particular perto de St Albans, do qual ele era coproprietário. Gerald a usava apenas como covenstead, e a atmosfera, em meio às árvores ao redor, não poderia ter sido melhor. Eu uma vez participei de uma reunião lá e frequentemente me pergunto se ela ainda é utilizada pelo coven local.
Desejo a você sorte para encontrar o seu próprio lugar especial; mas lembre-se de deixá-lo intacto; e, se você precisar acender um fogo, use o caldeirão por segurança.

Alimente sua alma com mais:


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