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por Aaron Piccirillo
Dez álbuns que vão alterar profundamente sua realidade e trazer um senso de magia e do outro mundo para sua vida (e não, não são os de sempre!).
Música e magia são, de muitas maneiras, a mesma coisa. Música, como a magia, pode alterar a consciência e pode ser uma porta fantástica para estados alterados. Consequentemente, inúmeros músicos foram influenciados pela magia, misticismo e o ocultismo. De tudo — da linguagem visual do oculto (símbolos, artes, etc.) às técnicas de êxtase e transformação da consciência (meditação, repetição, canto, ritual, teatralidade, etc.) — já foi usado por músicos ao longo do tempo para proporcionar experiências transformadoras.
Os álbuns a seguir foram influenciados ou pela linguagem visual e imagética do oculto, ou informados por práticas mágicas/ocultistas, ou ainda são altamente propícios à indução de estados alterados de consciência. Mas, qualquer que seja o método ou a intenção por trás deles, todos esses álbuns têm o poder de criar uma atmosfera mágica inconfundível na qual você pode se perder.
Com o objetivo de evitar os caminhos já muito trilhados quando o assunto é músicos e ocultismo (Coil, Current 93, Bowie, etc.), este artigo vai se concentrar em figuras menos comentadas, mas igualmente essenciais às tendências místico-mágicas das últimas décadas.
1. Mort Garson — The Unexplained: Musical Impressions of the Occult (1975)
Mort Garson foi um pioneiro da música eletrônica, e seus álbuns nas décadas de 60 e 70 estão entre os primeiros a incorporar pesadamente os sintetizadores Moog. Embora tenha tido uma carreira variada, que incluiu trabalhos para televisão, cinema e música pop, ele começou a lançar álbuns solo sob vários pseudônimos no final dos anos 60. Alguns de seus discos mais cultuados têm forte temática ocultista, sendo The Unexplained concebido como trilha sonora para meditação.
2. Diamanda Galás — The Litanies of Satan (1982)
Diamanda Galás é uma artista contemporânea, vocalista e performer, atuante tanto na música quanto no cinema. The Litanies of Satan foi seu álbum de estreia, incluído aqui tanto por sua performance ao vivo arrebatadora quanto pelo conteúdo gravado. Embora o álbum funcione muito bem como uma trilha sonora ritualística para práticas mágicas, tente assistir a uma apresentação ao vivo de Galás interpretando esse material e não sentir que algo está de fato sendo invocado no palco.
3. Popol Vuh — Nosferatu (1979)
O grupo alemão de vanguarda Popol Vuh surgiu em 1969, e embora sempre tenha habitado um lado mais “luminoso” do zeitgeist místico dos anos 70, também teve seus momentos sombrios. Eles compuseram trilhas para muitos dos filmes mais conhecidos de Werner Herzog, sendo Nosferatu a trilha sonora para o filme homônimo de 1979. Como muitos dos álbuns do Popol Vuh, há aqui uma sensação etérea e espiritual, com foco naquilo que Brian Eno chamaria de “repetição como forma de mudança”. Perfeito para criar uma atmosfera mágica ou para estados meditativos.
4. Cabaret Voltaire — Drinking Gasoline (1985)
A dança pode ser uma excelente ferramenta de alteração da consciência, e nos anos 80, os lendários Cabaret Voltaire fundiram magistralmente música eletrônica dançante com influências mais obscuras: dadaísmo, William Burroughs, técnica do recorte, gravações de notícias, mensagens subliminares, manipulação de vídeo e um senso geral de caos sonoro. O clipe abaixo é de Drinking Gasoline (1985) e se destaca pelo uso intenso da técnica do recorte tanto nos elementos sonoros quanto na estética visual.
5. The Division — Mantras (2009)
The Division é o projeto de Matthew Schultz, artista, escultor e veterano das cenas industrial e dark ambient. Percussão e ritmo estão no centro de muitas faixas de Mantras, e, como vários dos álbuns desta lista, Schultz cria uma atmosfera etérea sustentada por muita repetição. Perfeito para induzir estados meditativos ou de transe.
6. Lustmord — The Word as Power (2013)
Lustmord é o projeto do pioneiro do dark ambient Brian Williams, e The Word as Power é um exercício impressionante de minimalismo ambiente com 75 minutos de duração. Assim como em The Litanies of Satan de Galás, os vocais aqui são o foco principal — mas, diferente daquele álbum, a atmosfera opressora e ameaçadora não é evocada por uma explosão de paixão, mas pelo gotejar calmo e constante da água em sua testa por milênios. Com títulos como Goetia, Abbadon e Chorazin, fica claro que Williams está tentando evocar um mundo espiritual por meio dessas paisagens sonoras — e o resultado é um álbum que parece transformar qualquer lugar em um ambiente mágico.
7. Earth — Hibernaculum (2007)
Originários de Olympia, Washington, o Earth são pioneiros do drone metal e figuras centrais no som ocultista do noroeste dos EUA. Foram uma grande influência para bandas como Sunn O))), Wolves in the Throne Room e até Nirvana. Com o tempo, o som do Earth se afastou do drone metal puro e passou a incorporar elementos de country, psicodelia e música tradicional americana — sempre filtrados pelo drone e pela repetição. Earth, assim como Popol Vuh, cria vastas paisagens sonoras enraizadas em um espírito de lugar específico e, como eles, são perfeitos para meditação e criação de espaços sagrados.
Hibernaculum é uma boa porta de entrada para a segunda fase da carreira do Earth, quando passaram a explorar um som mais limpo, psicodélico e expansivo.
8. Miranda Sex Garden — Suspiria (1993)
Começando como um grupo a cappella que cantava versos tradicionais ingleses, o Miranda Sex Garden depois migrou para o rock, mantendo sempre uma identidade muito própria. Nunca se encaixando em um único gênero, seu som misturava rock gótico, industrial, darkwave e música clássica, com toda a potência e ferocidade do heavy metal. Suspiria é ideal para noites à meia-luz, carregadas de incenso e iluminadas por luzes vermelhas.
9. Dead Can Dance — Dead Can Dance (1984)
Um álbum que encapsula perfeitamente o som do selo 4AD nos anos 80, o debut autointitulado do Dead Can Dance é uma obra-prima de atmosfera gótica e etérea. A capa do álbum, com uma máscara ritualística, é uma representação visual do nome da banda: um objeto que antes fazia parte de uma árvore viva, agora matéria morta, e que ganha nova força vital por meio da arte de seu criador. As associações com a magia são evidentes.
10. Stereolab & Nurse With Wound — Simple Headphone Mind (1997)
Uma gravação perfeita para colocar os fones de ouvido e se deixar levar pelo éter. Simple Headphone Mind é uma colaboração entre o experimentalista Stephen Stapleton e os ícones do pós-rock Stereolab; Stapleton trazendo seu estilo surrealista/dadaísta com recortes para os ritmos krautrock/motorik característicos do Stereolab. Um exemplo perfeito do poder da repetição hipnótica — e, quando os ritmos se unem à manipulação sonora bizarra de Stapleton, o resultado deixa você com mais do que material suficiente para expandir sua mente rumo ao outro mundo.
Fonte: Here’s 10 Epic Albums That Will Awaken You to Magick & the Occult
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