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Por que a numerologia importa

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por Johann Heyss

Há décadas me dedico ao estudo e à prática da numerologia e ainda hoje me impressiona o quão subestimada ela é, apesar de os números estarem em todas as partes de todos os simbolismos de todas as culturas. Sim, estou sendo superlativo e talvez apareça algum especialista para me informar que houve ou teria havido povos que não contavam e não faziam diferença entre um, dois e três. Mas o que quero dizer é que conceitos de unidade, dualidade, trindade e multiplicidade não pertencem apenas à matemática. E por isso me intriga o porquê de a numerologia ser relegada a um papel secundário em relação a linguagens como as diferentes formas de astrologia e  cartomancia.

Alguns diriam que a numerologia ficou contaminada pela pecha de superstição barata do tipo “mude uma letra do seu nome e tenha sorte fama fortuna e sucesso”, ou por patifarias do tipo “número de sorte da loteria”, e que essa imagem folclórica ficou cristalizada no inconsciente coletivo. Mas e as colunas de horóscopo de jornal escritas aleatoriamente por qualquer assistente dando sopa na redação do jornal, por que isso não comprometeu a seriedade da astrologia enquanto sistema e linguagem? E as caricaturas de infames cartomantes truqueiras e ladras, por que isso não impediu o tarô de ser estudado por Jung? Ah, sim, tarô é cartomancia, caso você esteja se perguntando. E quando surgiu era carta de jogatina pura, não tinha nadinha de espiritual. Mas estou divagando.

Um das possíveis explicações para essa desatenção para com a numerologia é a falta de estudos aprofundados sobre o assunto. A grande maioria dos livros dá voltas sobre os mesmos temas básicos, o que de fato desanima quem se interessa por esse sistema esotérico. Outro problema é que os autores de livros e praticantes de numerologia parecem não chegar a um acordo sobre como montar e interpretar um mapa numerológico.

Esse era o cenário em meados dos anos 1980, quando eu era adolescente e comecei a me interessar pelo estudo do ocultismo como um todo. Aprendendo um pouquinho de (quase) tudo, logo ficou evidente minha atração pela numerologia e pelo tarô. No caso do tarô, nenhuma dificuldade para estudar, havia ampla oferta de livros diferentes sobre o tema, com abordagens distintas, isso mesmo ainda naquela época. Mas no caso da numerologia, não sei o que me irritava mais, se o tédio da repetição de todo livro sobre o assunto ou a sensação de que havia alguma coisa debaixo daquilo tudo que não estavam me contando.

Comecei a praticar, comparando métodos e procurando atentar para dicas nas entrelinhas (como as que encontrei no livro Numerologia – A importância do nome em seu destino, de Monique Cissay, Ed. Pensamento). Uma coisa que ela dá a entender ligeiramente e que me chamou a atenção foi a importância da origem do número para definir seu caráter e atuação. Ou seja, um número 6 tem traços muito específicos a depender se vem de 15, 24 ou 33, por exemplo. Todos esses exemplos somam 6, mas tipos diferentes de 6, assim como água do filtro de barro, água com gás e água destilada sejam água, mas não são a mesma coisa.

Após comprovar essa “pequena” diferença com quatro anos de prática gratuita, não profissional, lendo mapas de pessoas conhecidas, familiares e celebridades, organizei a minha visão da numerologia em meu primeiro livro. Mas não é sobre ele esse texto. O ponto que eu quero chegar é o seguinte.

A numerologia nada mais é do que gematria adaptada para o alfabeto romano. Sem tirar nem pôr. E é por isso que são absurdos conceitos como “numerologia cabalística”, que seria o equivalente a bananada de banana, ou “numerologia pitagórica”, como se Pitágoras pudesse ter algum conhecimento de cabala ou do alfabeto romano, considerando-se os momentos históricos de cada evento.

E sendo a numerologia nada mais do que gematria adaptada para o alfabeto romano, o que está impedindo as pessoas de tratarem este alfabeto vulgar e corriqueiro com o enfoque sagrado que é dado ao alfabeto hebraico e ao alfabeto grego (a cabala grega é uma realidade, e Thelema é um termo grego que está aí e não me deixa mentir, com todas as suas conotações cabalísticas apesar de não ser um termo em hebraico).

Os números não são apenas excelentes ferramentas organizacionais. Os números são símbolos, são arquétipos. Os números são uma linguagem que comunica sentimentos, sensações, características, cores, percepções.

Um número que lhe aparece de modo recorrente e significativo pode estar querendo lhe dizer uma mensagem, e isso independe de você fazer seu mapa numerológico ou não. Por exemplo, o trevo de quatro folhas é símbolo de sorte sobretudo por ser raro, já que a maioria dos trevos têm três folhas. Mas o quatro é símbolo de estabilidade, firmeza, estrutura. Os quatro cantos da casa. Experimente se sentar em uma cadeira de três pernas e logo entenderá por que elas funcionam como peça de decoração, mas não são confiáveis nem confortáveis de usar.

Entender o significado dos números conforme o alfabeto que usamos no cotidiano é reconhecer a magia desse alfabeto, a magia do cotidiano que é ao mesmo tempo o objetivo, o método e o caminho do praticante. Até porque praticar magia é muito diferente de estudar magia. Uma coisa não está necessariamente ligada à outra. É bom estudar magia para praticar, isso evita quebrar a cara à toa. Mas quebrar a cara é preciso, e quem não quiser passar por isso, vá fazer cosplay, mas não brinque com magia, e não digo isso como uma ameaça, mas como quem avisa: você vai perder seu tempo. E se você não estiver disposto a fazer do seu cotidiano um cotidiano mágico, de magia, você pratica magia para quê?

E com isso eu concluo, reforçando o tema deste artigo: se concordamos que nosso cotidiano deve ser mágico, que a magia tem que ser parte do todo e de tudo, por que caralhinhos voadores o alfabeto que estamos usando o tempo todo, em diversos idiomas, inclusive agora, eu enquanto escrevo e você enquanto lê, não é decifrado através do instrumento disponível para isso, que é a gematria do alfabeto romano que chamamos de numerologia?

Tenho procurado fazer minha parte, não só publicando livros sobre o assunto, mas também disponibilizando no YouTube um curso completo, gratuito, de leitura do mapa numerológico. (ver abaixo) Os cálculos chatos de fazer? Não tema, tem um link para um site onde informa os dados e o mapa é calculado em 1 segundo. Não tem pegadinha nem precisa pagar nada, é só assistir, acessar o site para fazer seus cálculos e pronto.

O conhecimento do simbolismo dos números é um novo mundo de significados e percepções a desbravar, e um sistema que precisa ser mais praticado e desenvolvido. Espero que as sementes que estou lançando deem frutos.

Curso Completo de Numerologia

 


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