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Guilherme P.
Inspirado pelo conceito de agathodaimon (bom espírito) e kakodaimon (mau espírito), bem como no Esoterismo Cristão e em muitas vivências de pessoas que viviam arquétipos demoníacos (ou seriam “kakodaemônicos”?); desenvolvi uma mentalidade de que os demônios são seres sem dignidade moral e ética.
Porém, após experimentos de Compreensão e análise de operações mágicas feitas no passado, bem como contatos no presente, estou realinhando as percepções desses fatos cósmicos.
Demônios são seres com visão própria de certo e errado, mas não interferem na nossa visão de certo ou errado, pois realizam simplesmente a nossa Vontade. E tudo isso tem a ver com a lógica deles diante da estrutura desse cosmos.
Numerologia Oculta:
Certa vez, disseram para Aleister Crowley que as Sephiroth representam o Universo. Crowley ficou chocado e estarrecido. Ele disse que: uma sephira representa o universo tão bem como a palavra gato representa um gato.
Na minha visão, a Árvore da Vida é uma abstração da Numerologia Oculta, que lida atentamente sugeriria que o Universo, ou melhor ainda, o Cosmos, tem suas bases com essa essência a seguir:
0: potencial puro e não-manifesto. Tudo e Nada indiferenciado.
1: pensamento. Unidade.
2: dualidade, opostos complementares. Polaridade.
3: manifestação.
4: os quatro elementos: Terra, Fogo, Água e Ar.
5: o microcosmo: os quatro elementos anteriores juntamente do Éter. Simbolizado pelo pentagrama.
6: o macrocosmo. Os cinco elementos microcósmicos juntamente com o pensamento ou unidade (número 1), que carrega junto a dualidade, a manifestação e os quatro elementos.
7: o elo mágico que une o microcosmo ao macrocosmo.
8: a expansão (o número 8 deitado é o símbolo do infinito).
9: o ego (9+9 dá sempre em um número que leva ao 9).
10: completude, todas as coisas concluídas na Ordem Cósmica.
11: excesso. Ruptura, o reino das cascas e do demoníaco.
A Causalidade e a Acausalidade:
Existem apenas duas forças em relação à realidade (mais sobre ela a seguir): as causais, que obedecem a lógica macrocósmica e as acausais, que a transcende, mas não a anula. Forças de Luz são normalmente causais e forças de Trevas são normalmente acausais.
Nesse contexto acima, não me referi à mesma coisa sobre Luz como impessoal e Trevas como pessoal, como em meu texto “Evolução Espiritual… Sem Lágrimas”. No contexto desse texto atual, estou me atentando à Luz e Trevas num contexto mágico (abaixo do Abismo), não místico (acima deste).
Níveis de Experiência:
Podemos experimentar a realidade de três formas e fazemos todas todos os dias:
Objetivamente: aquilo que queremos dizer como “o mundo real”. É o nível de experiência da realidade que obedece às assim chamadas “leis científicas” ou “leis naturais”.
Subjetivamente: o nível do indivíduo enquanto ser senciente. A nossa vida e experiências interiores.
Coletivamente: quando dois ou mais indivíduos, ou mesmo a civilização, entram em um acordo mútuo que, de uma forma escrita ou não, deve ser respeitado “para permanecer em comunhão com o grupo”. O coletivo é simplesmente o nível de concordância entre duas ou mais realidades subjetivas.
Caminho da Mão Direita? Caminho da Mão Esquerda? E as Sephiroth?
Set é a Consciência Volitiva, ou seja, é você sempre que quer algo. A diferença primária entre desejo e Vontade, desejar e querer, é que a mesma Vontade é a escolha entre dois ou mais desejos, enquanto o desejo é simplesmente um impulso.
A Vontade não faz parte da Consciência, pois Ela é Absoluta em Si mesma, mas a Consciência direcionada por uma intenção escolhida é Set. Esse é o sentido de, em última instância, sermos Deus.
Porém, há deuses. Muitos deuses. Um desses é El: inicialmente uma divindade local, dos povos do deserto e da busca incessante pela sobrevivência. Agora, “Deus Soberano e Excelso”. Ele deseja uma coisa simples: ser adorado. Ou, mais profundamente, que nos fundamos nele.
O Caminho da Mão Direita busca essa união, que pode ser obtida inclusive pela Árvore da Morte. Você desfaz cada vez mais a sua individualidade para se tornar um reflexo perfeito da “individualidade” de El. Como ficou claro, isso pode ser conseguido por muitos meios e caminhos, desde que a intenção seja simples: refletir.
Já o Caminho da Mão Esquerda busca diferenciar o iniciado, de forma que este seja completamente ele mesmo, e, por estar conceitualmente apartado de todos, ele se torna o Deus de seu universo subjetivo. Isso pode ser conseguido também por muitos meios e também perspectivas, inclusive através da Árvore da Vida. A intenção também é simples: diferenciar-se.
Logo, não é uma questão de método, mas de objetivo, ou melhor, resolução.
Onde os demônios entram nessa história?
As forças acausais estão especialmente ligadas ao décimo primeiro nível da realidade, o excesso, mas se manifestam em seus demais níveis. Já as forças causais estão especialmente ligadas ao décimo nível de realidade, a completude, embora se manifestem também em seus demais níveis.
Os demônios são o lado obscuro da realidade, então normalmente se conectam ao nível acausal. O acausal, quando aplicado, afeta a realidade objetiva, enquanto o causal afeta a realidade subjetiva para que surja um reflexo, nunca perfeito mas às vezes próximo disso, na realidade objetiva – ou afeta apenas a realidade subjetiva, no caso do místico.
O elo que une os espíritos à realidade objetiva ou à subjetiva é o sétimo nível da realidade, que permite que o acausal toque o causal, subjetivo e objetivo se influenciem e que a reflexão ou diferenciação sejam possíveis. A substância de tal Elo é a Luz Astral, sendo o astral um Sonho da Consciência e o plano material um reflexo desse Sonho.
Pois bem: Jeová, Allah e a Trindade cristã. São todos manifestações na realidade subjetiva bem como na realidade coletiva, de El, que é alguém que existe plenamente na realidade objetiva – e como possuem essências, e essências não mudam nem são destruídas, estarão sempre por aí, ou aqui, mesmo que mudem de máscaras.
El atua no segundo nível de realidade, então vem o maniqueísmo da batalha entre bem e mal, e assim é com suas manifestações subjetivas e coletivas.
No entanto, há apenas um Deus, com “D” maiúsculo: o Observador, que é a Consciência. Tanto El como Satã são, num contexto iniciático, metáforas para subir (ou descer) até a reflexão ou diferenciação.
Os demônios são manifestações da mesma forma, dos demais deuses antigos. E sempre estarão aqui, da mesma forma, em múltiplas formas.
E a dignidade desses demônios está justamente em cumprir a Vontade do magista na realidade objetiva, mas também na subjetiva se for solicitado. Assim como a dignidade dos anjos está em cumprir a Vontade do magista na realidade subjetiva, mas também na objetiva se for solicitado.
Não é uma questão de Bem (impessoalidade) ou de Mal (pessoalidade), necessariamente: mas de ângulos diferentes de espíritos que em última instância são como gêneros diferentes da mesma espécie. Também é uma questão de, independente do meio utilizado: focando no objetivo ou subjetivo, no causal ou acausal, Árvore da Vida ou Árvore da Morte (ou algum outro modelo, como os Oito Circuitos de Consciência) você querer refletir ou diferenciar-se.
E, nessa escolha, quase independente dos meios, você decidir viver pelo impessoal ou pelo pessoal. Anjos e demônios serão apenas ferramentas para a sua Vontade, ou escolha.
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