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Lord Ahriman (Ensaios do Maleficience)
Sem namorar os quesitos históricos, anteriores ao advento da Cristandade, é interessante notar que o Diabo, no Gênesis, tentou o casal humano sob a forma de uma serpente. O signo da serpente é importante, porque, dentre outros aspectos, enraizou-se completamente no inconsciente coletivo. Queira ou não, está completamente plugado também na psique individual.
É curial observar que os símbolos se repetem em todas as culturas, em todas as épocas, derramando-se pelas experiências, estilos de vida, histórias, costumes etc. etc. Em miúdos, o arquétipo é sempre o mesmo: muda-se a aparência externa, o fundo permanece o mesmo. Como exemplo, os deuses cornudos, em todas as sociedades, tornaram-se símbolo da rebeldia e contestação. Não seria diferente no Cristianismo.
Mas… o que representa a serpente? A serpente possui inúmeros significados, daria para encher um livro volumoso. Entre os vários significados citarei alguns para dar a verdadeira transparência da serpente inserida na Bíblia.
Inicialmente, a serpente é um signo de conhecimento, na realidade a serpente foi o primeiro portador do conhecimento, antes Adão e Eva não sabiam nada de nada, eram apenas dois animais pastando no jardim do Éden. Daí ser o famoso archote.
Depois, a serpente também pode ser associada à energia, nesse sentido convém lembrar a famosa kundalini, não foi à toa que o sexo se tornou veementemente negado e condenado. O sexo sempre foi visto como algo diabólico e apenas tolerável com fins exclusivos de reprodução humana. Por que? Porque através do ato sexual o ser humano também se torna um criador.
No entanto, a serpente expressa também o próprio universo, o oroboro (observe que esse vocábulo, curiosamente, pode ser lido também de trás para diante), que morde sua própria cauda, formando um todo, um ciclo completo. Nesse sentido, cabeça e cauda, opostos entre si, encontram-se em harmonia perfeita. Nesse sentido, lembro a ambivalência satânica em oposição ao maniqueísmo cristão. Perscrute também o Tei Gi taoísta.
Por fim, a ascensão da serpente no próprio Éden como completa rebeldia a um demiurgo prepotente e irascível, desvelou-se na primordial coragem de andar com seus próprios pés, ao invés de prestar adoração a entes externos. Assim, o homem, pela primeira vez, assume responsabilidade por Si-mesmo e passa a ser o único responsável pela sua evolução.
Acima, quatro significados para o signo da serpente. Muito mais pode e deve ser desvelado. Quer fazer uma singela metáfora, apenas por brincadeira? Já imaginou a serpente ser um falo e a maçã ser uma vulva?
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