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por Tixolinha
A existência como conhecemos, pelo menos aos que ainda estão restritos pelos sentidos e limitações convencionais se desenrola conforme o fluxo do tempo, porém ao contrario do que muitos pensam o tempo não é linear, é cíclico.
Os antigos tinham noção dessa força autorenovável, constante e perpétua.
Pense no tempo não como uma linha reta mas como um círculo onde não há fim ou começo.
Como uma serpente que devora a própria cauda assim perpetuando a si mesma.
Sim, eu me refiro a Ouroboros, um dos simbolos mais antigos da humanidade, surgindo de forma independente em diferentes culturas.
O mais antigo registro conhecido do nosso amigão está num texto funerário egipcio chamado “Livro de Amduat” encontrada na tumba do faraó Tutmés III (1.600 a.c), ali Ouroboros rodeia uma divindade solar e simboliza o ciclo diário do sol que “morre” no oeste e “renasce” no leste.
É também símbolo de proteção mágica e eternidade
Ouroboros é o tempo devorando a si mesmo.
O começo que ja é o fim.
A dança do universo com sua própria sombra.
O relógio sem ponteiros que pulsa no coração de tudo.
A ideia é ver o tempo não como uma constante imutável e sólida mas sim como uma força motriz que impulsiona o holograma, que rege o Kenoma
Porém ao que tudo indica o mesmo não significa tanto fora daqui, tanto que em estados alterados de consciencia é muito fácil se perder na dilatação temporal.
Eu mesmo já passei 72 anos na sala branca em uma trip de ácido.
Um fato interessante é que os egipcios não tinham uma perspectiva tão linear a respeito de vida e morte, veja bem:
Os mesmo acreditavam que durante o sono a Ba (parte da alma que contém a individualidade) deixava o corpo e viajava no mundo invisível, especialmente no reino dos mortos.
O corpo adormecido era cosiderado em estado de “morte temporária”.
Ao amanhecer a Ba retornava ao corpo físico, isto era visto como um renascimento diário.
Assim como o deus Rá morria ao por do sol (viajando pelo submundo a bordo da barca solar) e renascia a cada amanhecer, os humanos também “morriam” ao dormir e “renasciam” ao acordar.
A cosmologia egipcia reforça a ideia de tempo ciclico e renovável.
Cada dia é uma vida inteira em miniatura.
Mas vamos desmistificar um pouco essa bagaça.
Indo agora pros campos da neurociencia, você já ouviu falar de ciclos do sono?
Pois é meu amigo, ao contrário da ideia comum de que “apagamos” ao dormir, o cérebro entra num ciclo estruturado de fases, altamente organizado.
A ciência moderna descreve o sono em ciclos de 90 a 120 minutos, compostos por:
*Fase N1*
Esta dura apenas alguns minutos sendo responsável pela produção de ondas Teta.
Há alucinações visuais leves, espasmos musculares, sensação de flutuar ou cair.
*Fase N2*
Nesse estágio as ondas cerebrais diminuem ainda mais, o corpo relaxa, batimentos, respiração e temperatura caem.
Aparecem os fusos do sono.
(Explosões de atividade elétrica que ajudam na consolidação da memória)
É o estágio mais longo do sono total.
Aqui o cérebro está processando informações do dia a dia, se reorganizando, protegendo-se de estimulos externos.
*Fase N3*
Aqui ondas Delta dominam.
O corpo entra em estado de reparo fisico intenso: algo como crescimento celular, liberação de hormônios, regeneração.
É consideravelmente dificil acordar alguem nesse estado.
Esta fase é essencial para a vitalidade.
Sem ela surgem problemas de imunidade, memória e instabilidade emocional.
*Fase R.E.M*
É caracterizada por atividade cerebral intensa.
(Quase igual ao estado de vigilia)
Olhos se movem rapidamente sob as pálpebras, por isso REM.
(Rapid Eye Movement)
A maioria dos sonhos vividos ocorre aqui.
Nesse estágio o cérebro integra memórias emocionais, resolve problemas inconscientemente, simula situações.
E se a gente for um pouco mais longe?
Num belo dia um amiguinho do outro lado me deixou uma pérola de sabedoria.
“Uma parte de você morre toda vez que você muda”
Parece profundo e simbólico certo? Se não fosse pelo fato de que somos 3,4 trilhões de células em constante decaimento e replicação alucinando um senso de identidade.
Seu corpo não é um templo, é um navio.
E não existe um “eu” o qual possa morrer.
Caso você ainda tema a morte, um dia tudo se repete, as possibilidades são infinitas e mesmo quando seus ossos se tornarem poeira sua existência continuará impressa no continuum do espaço-tempo.
Então te digo, não temas o fim pois nunca sequer houve um começo.
Tixolinha é um: Guru de merda Palhaço gnóstico Psychopompo de mentirinha Goeteiro de charlie charlie Honorável mestre de porra nenhuma Ingratitrevas Anti-filósofo Trambiqueiro astral Bruxo do piru murcho
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