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por Dion Fortune
A ciência esotérica é considerada por muitos de seus adeptos uma forma de ginástica mental. A aplicação de suas amplas verdades fundamentais à vida cotidiana tem sido muito pouco desenvolvida. Conhecendo, como conhecemos, a realidade das formas invisíveis de existência e compreendendo, como compreendemos, as leis cósmicas, é surpreendente o pouco uso que fazemos de nosso conhecimento em relação à vida diária no mundo. Para cada dez ocultistas que lutam em busca da iluminação superior, dificilmente se encontrará um que aplique à própria vida cotidiana aquilo que já sabe.
O movimento do Novo Pensamento é, na verdade, um ocultismo empírico. Seus estudantes descobriram pela experiência aquilo que o esoterista conhece em teoria. A diferença entre os seguidores dessas ciências irmãs é que o esoterista apreende os princípios envolvidos em sua relação com o macrocosmo como um todo, mas não faz uso deles em relação ao microcosmo de sua própria personalidade; ao passo que o estudante do Novo Pensamento tem pouca compreensão dessas verdades em seus aspectos científico e filosófico, mas faz bom uso delas na vida diária. Se pudéssemos combinar os dois pontos de vista e os dois métodos, acrescentaríamos uma arma muito poderosa ao arsenal destinado a combater o mal e o sofrimento e a apressar o advento do Reino de Deus na Terra.
O sábio está disposto a aprender com qualquer pessoa que possa lhe ensinar algo; é o tolo que insiste em fechar os olhos para o óbvio. Aquele que trabalha com a mente obtém resultados. Por que não deveríamos estudar seus métodos à luz de nosso conhecimento das leis dos planos suprafísicos da existência e das forças que atuam nesses planos?
O sábio está disposto a aprender com qualquer pessoa que possa lhe ensinar algo; é o tolo que insiste em fechar os olhos para o óbvio.
O estudante do Novo Pensamento disciplina a própria mente; não permite que ela se detenha, pela imaginação, naquilo que já se provou venenoso para ela. Dizem-lhe, e ele logo comprova por si mesmo, que a mente é tão passível de treinamento quanto um cão inteligente, para não elevar demais a comparação. Ele, portanto, a disciplina e a treina para que trabalhe a serviço de seu eu superior, em vez de se desviar ao sabor dos impulsos emocionais e fazer muitas coisas que seu melhor juízo não desejaria aprovar.
Ele sabe que um sentimento não deixa de agir apenas porque sua expressão foi reprimida. Sabe que um pensamento não proferido exerce uma influência tão poderosa quanto uma palavra falada ou escrita. Por isso, primeiro proíbe sua mente de alimentar pensamentos indesejáveis e, em seguida, ordena-lhe de modo definido que cultive pensamentos desejáveis. Dessa maneira, põe em movimento forças que atuam para realizar aquilo que planejou.
Traduzamos esse processo para a linguagem da ciência esotérica e vejamos como ele se relaciona com as leis com as quais nossas pesquisas nos tornaram familiarizados.
Trata-se, evidentemente, de uma aplicação dos poderes da forma-pensamento. Sabemos que a substância astral pode ser moldada pela imaginação visual em uma forma distinta e que essa forma persistirá por um período mais curto ou mais longo, conforme a clareza e a constância com que for visualizada. Se essa forma-pensamento for animada pela emoção, torna-se uma entidade distinta por direito próprio, dotada de uma vida vaga e refletida, capaz de considerável inteligência e persistência na direção de sua própria natureza, mas em nenhuma outra.
Criamos incessantemente essas projeções de nossa própria vida, esses filhos de nossa imaginação; não há nada de oculto ou anormal nesse processo. Ele ocorre o tempo todo, apenas não percebemos. Emitimos formas-pensamento de nossa mente com a mesma naturalidade com que expelimos dióxido de carbono de nossos pulmões.
Essas formas-pensamento podem ser boas, belas e verdadeiras, formando ao nosso redor uma atmosfera mental benéfica, que não apenas influencia aqueles que entram em sua esfera, mas também exerce profunda influência sobre nós mesmos. “Ria, e o mundo rirá com você; chore, e você chorará sozinho”: essa é uma declaração das consequências do poder da aura mental com a qual todo ser humano se cerca. Quaisquer sentimentos que permitamos desenvolver reagem sobre nós e reforçam suas próprias vibrações. Podemos nos cercar de uma aura de depressão ao nos entregarmos a pensamentos melancólicos. É por essa razão que se recomenda uma “mudança de ares” após um período de sofrimento. Não é apenas a mudança de ar que nos faz bem, mas a mudança da atmosfera mental, pois saímos dos cômodos impregnados de tristeza. Mudar-se para uma casa do outro lado da rua seria quase igualmente benéfico, e até mesmo mudar para outro cômodo da mesma casa não deixaria de produzir algum efeito.
Criamos incessantemente essas projeções de nossa própria vida…
Essa atmosfera mental é algo muito real, como demonstrará o incidente a seguir. Uma amiga minha, estudante de arte dramática, estava recebendo algumas aulas extras de dicção. Ela chegou para sua aula habitual, mas teve de esperar enquanto se concluía um exame de dicção para a obtenção de um diploma. Assim que a última estudante foi dispensada, sua professora a chamou para subir ao palco e iniciar a aula. Ela era uma declamadora experiente, na verdade uma professora em formação, e aquela aula não tinha nenhuma importância especial para ela; no entanto, assim que tomou posição exatamente no lugar que acabara de ser desocupado pelas infelizes examinandas, foi tomada por tamanho pânico que mal conseguia falar.
Essa experiência inesperada de medo de palco a alarmou, e ela me perguntou qual seria, em minha opinião, a causa. Não foi difícil esclarecê-la. Lembrei-lhe de que havia se colocado exatamente no ponto onde cerca de vinte moças nervosas tinham permanecido, uma após a outra, tremendo de ansiedade. Ela entrara na atmosfera mental de nervosismo que elas haviam deixado para trás e fora contagiada por ela.
Essa experiência revela um fato psíquico muito importante. Mostra o poder do pensamento de impregnar um lugar. Sendo assim, não se segue que o pensamento deve ser tão poderoso para abençoar quanto para amaldiçoar? Se empregássemos em nossa gratidão, alegria e contentamento a mesma concentração intensa que dedicamos às nossas ansiedades e ressentimentos, nossos cômodos seriam inundados pela luz do sol espiritual.
Se tivermos o cuidado de proteger a atmosfera dos cômodos em que vivemos, eles poderão tornar-se santuários para nós, nos quais a alma se banha em paz e recupera a saúde. Tudo depende de nós. Se ali nos entregarmos a pensamentos malignos, transformaremos nossos cômodos em pântanos de desespero, que nos arrastarão para uma escuridão ainda maior sempre que entrarmos neles.
Devemos nos decidir a escolher nossos pensamentos, em vez de permitir que eles corram desenfreados. Precisamos proteger nossa atmosfera mental com o mesmo cuidado com que protegemos nossas casas. Se insistirmos em permitir que ideias malignas ou pensamentos deprimentes preencham nossa mente, se nos detivermos neles com uma indulgência mórbida para conosco mesmos, não devemos nos surpreender caso contaminem nossa atmosfera mental a ponto de desejarmos “fugir de nós mesmos” e de as outras pessoas nos evitarem. Podemos, se assim escolhermos, construir deliberadamente ao nosso redor uma atmosfera de alegria, paz e amor, que fará com que sejamos bem recebidos onde quer que estejamos. Podemos criar em nossos cômodos uma atmosfera capaz de proporcionar repouso e consolo a toda alma cansada que ali entrar. Em suma, podemos abençoar ou amaldiçoar por meio de nossos pensamentos.
NOTAS
[1] O movimento do Novo Pensamento é um movimento filosófico que se desenvolveu nos Estados Unidos no século XIX, seguindo os ensinamentos de Phineas Quimby. O conceito de Novo Pensamento, por vezes conhecido como “Pensamento Superior”, promove as ideias de que a Inteligência Infinita, ou Deus, está em toda parte; de que o espírito constitui a totalidade das coisas reais; de que a verdadeira identidade humana é divina; de que o pensamento divino é uma força voltada para o bem; de que a doença tem origem na mente; e de que o “pensamento correto” produz um efeito curativo.
Fonte: https://innerlight.org.uk/articles
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