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Antes de qualquer outra coisa, devemos compreender o que é o mago, em primeiro lugar. O mago é aquele sujeito que busca o conhecimento de forma constante. Essa busca não se limita às ciências que estudam a natureza física, embora o mago também deva conhecê-las. O conhecimento que ele procura vai além do mundo visível e alcança o que chamamos de saber gnóstico e metafísico. Sem essa base de pensamento, a prática da magia é apenas um sistema mecânico do tipo “receita de bolo”.
Na sua trajetória, o praticante encontrará muitas regras que podem parecer transformar a magia em uma religião dogmática. Mas aqui enchemos o peito e vibramos em coro o que outrora foi afirmado por Hipátia de Alexandria: toda religião baseada em dogmas é falaciosa e deve ser evitada. A filosofia serve aqui como uma ferramenta para questionar essas imposições e garantir que o mago mantenha sua liberdade de pensar.
Aproveitando que citei um nome histórico da filosofia (Hipátia de Alexandria), vamos entender em segundo lugar o que quero dizer quando digo que a filosofia é importante para o mago. E ao contrário do que pode parecer, não estou falando sobre ler a história dos filósofos. É claro que ler Plotino, Aristóteles e Nietzsche é indispensável, assim como ler autores como Agrippa, Crowley e Blavatsky. Mas apenas estudar o que os outros escreveram não é suficiente. O que se recomenda é a adoção da atitude filosófica. Ter uma atitude filosófica significa não aceitar as coisas como óbvias e perguntar sobre a razão de cada ensinamento.
Vejamos um exemplo de como aplicar essa análise. Ao estudar os elementos, o praticante aprende que o fogo, a água, o ar e a terra possuem ligações com coisas como as emoções ou o dinheiro. Em vez de apenas aceitar, o mago pergunta: “por que isso é assim? Qual é a finalidade disso?”. Diante das respostas certeiras no tarot ele se pergunta “quem me trouxe essas respostas?”. Ele recusa o argumento de que algo é verdade só porque “está escrito no grimório” e “sempre foi assim”, ele tentar entender o motivo de sempre ser assim. A ciência moderna, incluindo a descoberta das ondas eletromagnéticas por James Clerk Maxwell, é herdeira direta da coragem intelectual de Empédocles. Ele se recusou a aceitar o “sempre foi assim” e propôs que a luz tinha uma velocidade finita e leis físicas, e assim, Empédocles plantou a semente do método científico. Sem esse primeiro passo de questionar a natureza da percepção, a longa cadeia de descobertas que nos deu o Wi-Fi nunca teria saído da obscuridade do dogma.
O ato de filosofar é, portanto, uma recusa ao saber pronto. O mago recebe o conhecimento e vai atrás de suas origens, ele investiga quem escreveu o livro, em qual momento da história isso foi feito e se aquela conclusão ainda faz sentido hoje. Esse hábito de buscar o entendimento profundo evita que o praticante fique preso em ideias coletivas sem lógica. Com isso, ele alcança uma evolução espiritual real e produz conhecimentos que poderá deixar para os futuros estudantes que brigarão ao interpretar seu conhecimento em fóruns ocultistas online daqui a alguns anos.
Portanto, a filosofia é fundamental porque o mago é aquele que busca, aprende, entende e faz. Aprender significa saber como algo funciona; entender significa saber por que algo é como é, como chegou a tal e se tal conhecimento permanece válido. A busca pelo conhecimento envolve a metafísica, a magia e o universo. O pensamento filosófico é justamente o que mantém o mago ativo, pois faz com que ele sinta dúvida sempre que descobre algo novo.
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