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Agares: a presença na fumaça e no espelho

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Por A Morte

“Oh Grandioso Duque do Leste,

eu humildemente solicito a Sua

presença diante de mim, Senhor que

irrompe os laços de espaço e tempo, eu

O conclamo!” ¹

Era madrugada de domingo para segunda. Uma percepção sutil e uma posterior realização revelaram uma série de acontecimentos estranhos que indicavam que eu havia sido alvo de uma tentativa de ataque astral. Quando digo tentativa, me refiro ao fato de que, conforme acordos passados, tenho um meio específico de saber se houve a tentativa e de onde veio. 

A noite avançava e os sinais no plano denso se intensificaram, tornando a suspeita inevitável. O ar mudou, meu humor também e o sono tranquilo deu lugar a um fato único quando acordei por volta das 2:00 da madrugada com a sensação de acordar de um pesadelo. Estava sendo observada e era nítido. A confirmação se deu ali.

Através de uma leitura do meu oráculo, as lâminas revelaram não apenas a presença do ataque e a natureza da magia negativa direcionada a mim, mas também apontaram com clareza sua origem. O erro sempre é subestimar e pensar que existe o “crime perfeito” que não deixa rastros. Podemos ser bons feiticeiros, mas sempre existem outros bons feiticeiros! Respeitar o trabalho um do outro, essa é a chave.

Diante dessa confirmação decidi por uma ação imediata e é claro que o Grão-Duque Agares seria meu melhor parceiro nessa ocasião. Acordos cumpridos geram lealdade e eu jamais deixaria de cumprir o que prometo a Ele. Responsável dentre muitas outras funções pela dissolução de influências nocivas, quebra de magias não afins e proteção, sua ação costuma gerar uma ação tão grandiosa que costumo comparar a explosão de bombas astrais (vide outro texto de minha autoria “O Retorno ao Trabalho da Goetia: Estourando Bombas Astrais Através de Agares.”).

Iniciei a operação por volta das 22:30 daquela terça e, como de costume, começo a entoar um mantra de uma forma muito específica até que eu perceba a presença Dele e ele se mostre no espelho negro como de costume. Ao longo do tempo de prática com Agares ficou nítido que sua comunicação se estabelece através de múltiplos canais sensitivos. Desde as últimas evocações tenho percebido sua presença externa ao espelho negro, através da capnomancia² no incenso utilizado na operação. 

Realizo a operação em ambiente fechado, longe de correntes de ar. No entanto, quando chamo por Ele e, especialmente quando firmo o acordo de troca e pagamento pelos préstimos, Ele se comunica através da fumaça, que dança até mim e costuma me envolver por completo. Me lembro até hoje da primeira evocação que fiz a Ele em que estive com uma espada em punho a todo momento. Hoje percebo o quanto isso é desnecessário e o quanto Sua energia é sublime e sutil. 

A fumaça me envolve como que num abraço nos momentos ápices da ritualística. Sob a regência do Duque, ela se torna um corpo sutil em movimento, um vetor de linguagem oracular. Filamentos densos que se trançam ou se expandem rapidamente indicam a absorção da intenção e o isolamento das energias intrusas. Quando nos direcionamos a Agares, o incenso deixa de subir em linha reta e passa a envolver o espaço e o magista, estabelecendo um pacto silencioso de escuta e atuação.

Durante a evocação desta operação a manifestação atingiu um nível mais profundo através da scrying no espelho negro. Dentro de sua superfície escura surgiram “os olhos de Agares” que é como consigo expressar em palavras o ocorrido. Era uma imagem fluida e se movia com uma dinâmica própria e impressionante. 

Os olhos se deslocavam rapidamente em múltiplos ângulos, varrendo não apenas a minha figura, mas cada canto do ambiente. Era o olhar de uma entidade que vigia, mapeia, analisa, calcula… Uma percepção extremamente rápida, capaz de escanear o ambiente em segundos, identificar o que invadiu o espaço e decretar exatamente o que deve ser anulado e destruído.

A sentença foi dada diante dessa presença vigilante. Estabeleci meu intento com firmeza na operação. Pedi a Agares a neutralização e quebra daquela carga energética não afim e sua reversão até sua fonte criadora. Pedi a clareza de enxergar, com meus próprios olhos, o emissor do ataque colhendo o retorno de suas ações.

Finalizei a evocação com a mesma devoção e respeito com a qual o iniciei. Ainda no altar, diante da brasa e do incenso que continuava a queimar, no exato instante em que estruturei este relato, a fumaça voltou a se mover em minha direção, envolvendo-me mais uma vez. Uma assinatura final de Sua presença e custódia.

NOTAS

1: Texto extraído de uma das minhas evocações ao Grão-Duque Agares em minhas operações de Goetia.

2: Trata-se de um método antigo de adivinhação que utiliza o fumo e a fumaça. 


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