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Técnica de observação de imagens mentais (mãos sobre os olhos)

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por Shirlei Massapust

Por volta de 1992 ou 1993 eu descobri que colocar as mãos sobre os olhos e esperar de olhos fechados durante algum tempo faz com que vejamos imagens mentais aleatórias. As mais comuns são redemoinhos verdes, chuviscos coloridos e formas simples, mas muitas vezes acontece de aparecerem rostos mutantes, estradas, etc. Essas imagens também aparecem de olhos abertos, principalmente se estivermos em um quarto bastante escuro antes de dormir (imagens hipnagógicas) e, mais raramente, ao acordar (hipnopômpicas), quando as imagens mentais, de caráter rápido, fantasmagórico e involuntário, desafiam a percepção.

Desenhos de uma sucessão de imagens mentais obtidas mediante a técnica das mãos sobre os olhos e conjunto de moscas volantes (miodopsias) no último quadro.

Essa experiência de sonhar acordado, quando voluntária, não funciona sempre, mas sempre que funciona produz uma profusão de imagens mentais. Com algum treino eu aprendi a ordenar essas imagens durante breves momentos. Ao invés de vagar à deriva, guiava sobre as estradas e casas hipnagógicas como em um jogo de videogame de curta duração.

Ensinei isso a todos os meus colegas de colégio, sendo que alguns se interessaram pela experiência. Quem obtinha sucesso na visualização ditava para os outros tudo o que via. Depois de submetermo-nos a cerca de dez minutos de espera as imagens mais ricas começavam a aparecer. Então visitamos florestas, castelos e os mundos mais fantásticos. Assim, pelo simples fato de colocar as mãos sobre os olhos e esperar pelo sonho lúcido, acabávamos promovendo experiências psicodélicas sem o uso de psicotrópicos.

Hoje existe até artigo na Wikipédia explicando o que é a imagem mental.[1] Naquela época eu pensava que isto era similar ao que os espiritualistas chamam de projeção astral.  Testei várias vezes, por exemplo, na tarde de 24/11/1993, quando observei imagens surgirem a partir do nada, mantendo meus olhos fechados e uma mão sobre cada olho. Fiz desenhos dos lugares explorados onde entrei e me movi como se eu dirigisse um corpo invisível pouco interativo com o ambiente em constante mudança:

Acumulei vários testemunhos da época do colégio. Enquanto um estudante realizava a experiência ele ditava para outro escrever tudo o que via (escrever de olhos fechados era mais difícil, mas tinha gente que conseguia). Certa vez Mércia testou a metodologia sozinha e me enviou um bilhete relatando o resultado de duas sessões. Sobre a primeira experiência, escreveu: “Estou vendo um túnel… clarão… hospital… defuntos… pessoa conduzindo uma maca… pessoa na maca… pessoa operada… entrei na pessoa… clarão… túneis… só”. Sobre a segunda experiência, escreveu: “estou vendo de novo: uma porta clara com pisca-pisca branco… uma cadeira sem uma das pernas… uma arma com uma lua embaixo… uma janela e um montão de cruzes”.

Em outubro de 1994 eu pedi a um amigo, Pedro, que tentasse visitar um topônimo onírico onde eu estive (sonhando) anos atrás. Meu sonho lhe foi previamente narrado em detalhes para que reconhecesse o cenário. Ele conseguiu, viu a curva, passou por toda a estrada, viu uma coruja, animais olhudos e fantasmas. Entrou numa residência, passeou um pouco até chegar numa adega contendo barris e viu quando um homem vestindo roupas pretas estendeu a mão para uma garota. Ele não chegou a ver o rosto do homem de preto. Sendo assim ele observou as cenas do meu sonho exatamente conforme descritas. (Eu mesma tentei retornar ao sonho diversas vezes obtendo apenas aleatoriedades, com uma excessão).

[1] IMAGEM MENTAL. Em: Wikipédia. URL: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem_mental>. Acessado em 27/02/2021.

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