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por Marco Vinicius
Considero que uma das partes fundamentais para um legítimo desenvolvimento pessoal e Magicko é o desenvolvimento ético e moral; a elaboração do indivíduo entre suas posturas internas e o impacto que suas ações têm em um Universo que é absolutamente interdependente.
Vivemos uma crise de esvaziamento ético e, por mais que a objetividade destas questões seja, em boa parte, passada geracionalmente, tanto em âmbito social quanto em âmbito familiar, um trabalho sólido de desenvolvimento pessoal sempre passará pela formulação de seus próprios valores e posturas no Mundo.
O pensamento mitológico é parte fundamental da construção lúdica e da elaboração subjetiva da condição humana.
Não é de se espantar que os povos mais proeminentes da história humana também sejam lembrados pelos seus Mitos e Deuses, como a cultura Egípcia e a Grega.
Há séculos o Positivismo e o método científico da “hard science” vêm estancando a influência do mito na sociedade. Eles falham em entender com precisão que a perspectiva lúdica transcende a esfera pessoal e tem um impacto direto nas políticas sociais.
Quando olho para esse esvaziamento ético da modernidade, tendo a pensar em dois motivos principais: a iconoclastia da geração atual e a descontextualização simbólica dos mitos.
No primeiro caso, penso ser um movimento natural e necessário das gerações. De certa forma, é importante “matar os deuses” de nossos pais.
Mas todo movimento entrópico necessita do balanço de um movimento sintrópico, para que estruturas basilares não sejam destruídas por mera birra infantil.
Porém, de uma forma mais pragmática, entendo que o verdadeiro problema encontra-se na segunda questão: a absoluta falha da estrutura simbólica moderna, conduzida principalmente pelas religiões semíticas.
Símbolos são muito mais que a representação concisa de aspectos abrangentes; eles também carregam a energia do momento em que foram formulados e ditam a estrutura psicológica do Consciente & Inconsciente Coletivo daquele povo.
Algumas estruturas mitológicas prosperam na integralidade da existência humana, como a mitologia Grega, que, seja por uma abordagem exotérica ou esotérica, sedimenta sua dinâmica narrativa e Cosmologia nos arquétipos, estereótipos e instintos humanos absolutos e transcendentais a qualquer período de tempo.
Esse tipo de estrutura simbólica perpetua-se pelo largo escopo de seus significados, que gera um corpo simbólico no ponto ideal entre a objetividade de sua aplicação em uma cultura e em um tempo específico, e uma fluidez capaz de adaptar-se a qualquer outra cultura em épocas diferentes.
Por isso, grande parte da morte ética da sociedade atual se dá pela absoluta falha do tradicionalismo enrijecido da simbologia desatualizada e descontextualizada da parte exotérica das maiores religiões do mundo.
O impacto desses símbolos, formulados há centenas de anos, na psique moderna gera um anacronismo na percepção dos valores essenciais para o desenvolvimento do momento atual.
Por mais que já vivamos o Aeon de Hórus, onde o indivíduo deve identificar-se com a figura Divina, ainda somos bombardeados por símbolos criados na formatação da estrutura psicológica e emocional dos povos antigos, onde era essencial o distanciamento entre Deus e o Humano para a mínima manutenção das estruturas sociais.
Podemos observar o resultado disso na absoluta polarização ideológica da atual geração, onde alguns estão retornando para um tradicionalismo estanque e danoso, enquanto outros adotam uma postura de absoluta destruição ética, como um movimento contracultural.
É justamente uma das funções do mito regular o movimento brusco deste pêndulo social.
Deus está morto, e enquanto não O ressuscitarmos com uma identidade nova, pessoal e contextualizada com as necessidades atuais em âmbito geral, sofreremos com a absoluta miséria lúdica de mitos e símbolos que encaixotam nossos movimentos em um formato que já não nos serve.
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