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Excertos de Evangelho Segundo Marcos
Comentado por Ya’aqov, seguidor de Ya’aqov
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Todos os livros que compõe a Bíblia abordam dois temas que se entrelaçam e se confundem: o processo de criação do universo manifesto e o processo de apoteose humana realizando o tikun olam (תיקון עולם), a “reparação do mundo”[1].
Essa grande ação criativa-criadora é apresentada nas escrituras de maneira didática e dentro das infinitas camadas de existenciais por intermédio das datações. No Gênesis, encontramos a divisão dos dias simbolizando a criação do tempo como figura de apontar um sentido no qual as coisas aparentemente se desenvolvem. Aparentemente porque, ao analisarmos os dois primeiros versículos do Gênesis, verificamos que o texto não apresenta uma ordem cronológica de criação, deixando subentendido que todo o processo cosmogônico ocorre ao mesmo tempo, posto que, no final do segundo versículo, encontramos a existência das águas, que, apesar de não terem sido apresentadas anteriormente no texto, quando são referenciadas, o são como se já existissem desde o princípio:
Gênesis 1 : 1-2
“No princípio criou Elohim dos céus e a terra. E a terra era vã e vazia, e havia escuridão sobre a face do abismo, e o espírito de Elohim se movia sobre a face das águas.”
Em face desta questão atemporal, alguns sábios indicam que a melhor tradução para a expressão bara (ברא) no texto não seja “criou”, mas “ao criar”, fazendo com que o processo de cosmogênesis tenha ocorrido ao mesmo tempo. Deste modo, o tempo é uma ilusão decorrente dos véus existenciais (Nephesch, Paroketh e Abismo) e que aquele que consegue ver para além dos véus, compreende que Elohim é Ehyeh Asher Ehyeh (אהיה אשר אהיה), conforme dito a Moshé (Êxodo 3:14)[2].
Apocalipse 1 : 8
“Eu sou o Alfa e o Ômega, Diz o Supremo [kýrios (Κύριος)], “Aquele-que-é, Aquele-que-era e Aquele-que-vem”, o Todo-poderoso”[3].
Assim como os dias do Gênesis revelam a ilusão do tempo para aqueles que se encontram encobertos pelos véus, o mesmo ocorre com os demais indicativos temporais, a exemplo das semanas, dos meses, dos anos etc, que são sempre subdivisões de algo único. E essas medidas temporais possuem escalas diferentes de acordo com o mundo (Atziluth, Briah, Yetzirah e Assiah) no qual se apresentam.
2 Pedro 3 : 8
“Há, contudo, uma coisa, amados, que não deveis ignorar: É que para o Senhor um dia é como mil anos e mil anos como um dia.”
(13) E sobe o monte e chama os que ele queria e foram a ele.
O versículo se inicia com a indicação de uma movimentação feita por Jesus, a de subir ao monte [óros (ὄρος)[4]]. Esta elevação indica mais do que o deslocamento geográfico para um espaço superior, mas representa a elevação para um local no qual se é possível ver todo o panorama com clareza e servir de ponte entre este local mais alto (Briah) e o plano no qual os acontecimentos estão desenrolando (Yetzirah).
Deste modo, ao se elevar, Jesus entra em contato com as energias criadoras de Briah e, dirigindo-se ao Mundo Formativo (Yetzirah), consegue identificar as formas que irá fazer uso para se colocar em perfeita sintonia com a força criativa, com a Thelema (θέλημα)[5]. E, uma vez identificados os elementos que irá utilizar, Jesus os convoca e estes, por estarem sob a influência de Ruach, atendem ao chamado sem relutância.
(14) E fez doze, aos que também deu nome expedicionários, a fim de que estivessem com ele
Logo no início do versículo encontramos a indicação do que Jesus estava criando ao se elevar e reunir elementos formativos da sua criação, o tempo. Esta descoberta está vinculada ao número 12 (doze).
O 12 (doze) tornou-se a base da contagem na Babilônia e serviu de paradigma para outras culturas, como a judaica, além de ser utilizada até os dias de hoje. O dia é dividido em 2 (dois) ciclos de 12 (doze) horas cada. As horas e os minutos são subdivididos em 5 (cinco) grupos de 12 (doze). A escolha do número 12 (doze) pelos babilônicos decorre de este ser o número de falanges dos 4 (quatro) dedos da mão, sem contar o polegar. Deste modo, usando o polegar como indicador, ele percorria as falanges dos demais dedos em contagem, estabelecendo ciclos de 12 (doze).
Em hebraico, o numeral 12 (doze) é escrito pela junção da letra yod (י), que tem valor numérico igual a 10 (dez), e a letra bet (ב), que tem valor numérico igual a 2 (dois). Assim, este número (יב) indica a potência criativa-criadora do yod (י)[6] contido dentro de uma morada, o bet (ב), estabelecendo com sistema fechado capaz de nutrir o que está em seu interior até o amadurecer, decorrente do simbolismo da letra guimel (ג), que tem valor numérico igual a 3 (três) e é encontrada pela redução do 12 (doze), no qual 1+2=3.
Por se tratarem de indicativos temporais, compreendemos que cada uma dessas fases integrantes deste tempo que Jesus está formando, tem uma função específica.
Eclesiastes 3 : 1-11
“Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu. Tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar a planta. Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de destruir, e tempo de construir. Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de gemer, e tempo de bailar. Tempo de atirar pedras, e tempo de recolher pedras; tempo de abraçar, e tempo de se separar. Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora. Tempo de rasgar, e tempo de costurar; tempo de calar, e tempo de falar. Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. Que proveito o trabalhador tira de sua fadiga? Observo a tarefa que Deus deu aos homens para que dela se ocupem: tudo o que ele fez é apropriado em seu tempo. Também colocou no coração do homem o conjunto do tempo, sem que o homem possa atinar com a obra que Deus realiza desde o princípio até o fim.”
E essa designação temporária é ratificada pelo uso da expressão em koiné apóstolos (ἀπόστολος), que apresentamos no versículo como “expedicionários”. Diferentemente do significado atual, a expressão apóstolos (ἀπόστολος) no pensamento helênico era utilizada para designar um “enviado”, um representante militar para cumprir uma função temporária em um determinado local estrangeiro e regressar. Esta mesma expressão era utilizada por judeus helenísticos para designar uma pessoa que era enviada do templo ou de uma sinagoga a uma comunidade judaica localizada fora das terras judaicas, o que, em hebraico, seria escrito como shalah (שליח)[7]. Assim, tanto o cargo militar grego, quanto o espiritual hebraico designam uma função temporária, tal qual as subdivisões do tempo.
Outrossim, nos cabe destacar que, mesmo se levássemos em consideração a possibilidade de uma interpretação literal do versículo, verificaremos que Jesus está fornecendo novos nomes aos seus “expedicionários”. Ou seja, as nomenclaturas que serão apresentadas nos versículos seguintes, não correspondem, necessariamente, aos nomes comuns destas pessoas, mas atendem a função de “nomes iniciáticos”[8].
(15) e a fim de que os expedisse a apregoar e ter permissão de pôr para fora os demônios.
Jesus forma os ciclos temporais que ele fará uso em sua atuação em Assiah (Mundo da Ação) e, neste versículo, estabelece o ethos (ήθος) do ciclo temporal: tornar o Evangelho público e, consequentemente, fazer visível o poder divino.
Importante destacarmos que, embora traduzida como demônios, interpretação que foi incorporada com o passar do tempo, a expressão contida no versículo em koiné é daimónia (δαιμόνια), plural de daímôn (δαίμων). Apesar de, atualmente, a tradução como “demônio” ser aceita, a palavra daimónia (δαιμόνια) significa originalmente “enviados pelos deuses”, “inspirações por uma divindade” ou, simplesmente, “divindades”.
Deste modo, constatamos que o uso do tempo por Jesus tem a finalidade de fazer com que todos tenham conhecimento do Evangelho[9] e, assim, possam manifestar a sua porção divina[10].
Efésios 2 : 10
“Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.”
(16) E fez os doze. E apôs o nome, a Simão, Pedro.
O estabelecimento do padrão temporário de 12 (doze), incluindo a designação da nomeação deste, nos indica que, de maneira macro, Jesus está determinando o seu calendário. Isto é, fazendo uso da segmentação em 12 (doze) meses, Jesus está determinando o que cada etapa dentro do ano deve executar para determinar quais nomes se encontrarão escritos no Livro da Vida [Sefer HaChaim (ספר החיים)] quando ele for selado no Yom Kippur (יום כיפור)[11].
E o primeiro que recebe o nome é Simão [Shimon (שמעון)], que passa a receber a alcunha de Pedro [Pétros (Πέτρος)]. O nome Simão [Shimon (שמעון)], em hebraico, significa “o que escuta” ou “que cumpre um pedido”, ao passo que Pedro é um nome helênico e que significa “pedra”. Esta pedra faz uma referência a materialidade existente em Assiah (Mundo da Ação), a qual serve de base para todas as ações e que é, a partir dela, que atuamos em outros mundos[12]. Porém, esta não é a única referência, posto que, dentro da Tradição, a Selah (סלע), a Pedra, é o axis mundi.
Este axis mundi é a pedra que serviu de altar para Abraão [Avraham (אברהם)] oferecer o seu filho Isaac [Yitshak (יעחק)] em holocausto para Yahweh (Gênesis 22). É a mesma pedra que Jacó [Yaʿaqov (יעקב)] deitou a sua cabeça e sonhou (Gênesis 28:10-19). Da mesma maneira com que é no local no qual se encontra a Pedra [Selah (סלע)], onde foi construído o Santo dos Santos [Qodes HaqQodasim (קדש הקדשים)], local, dentro do Templo, designado para ficar a Arca da Aliança [Aron HaBerith (ארון הברית)] (Êxodo 26:33). A Selah (סלע), também é chamada de Pedra da Fundação [´Even Hasetiyya (אבן השתייה)], é a Pedra da qual todo o mundo foi erigido. Ela é a base na qual a criação se sustenta.
Mateus 16 : 17-19
“Jesus respondeu-lhe: ‘Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isso, e sim meu Pai que estás no céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha assembleia de chamados, e as portas do Hades [Mundo dos Mortos] nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus’.”
Com base nessas informações e na passagem transcrita, verificamos que Pedro simboliza, dentre outras coisas, o momento da reunião, da assembleia dos chamados [ekklésia (ἐκκλησία)][13], na qual a palavra de Yahweh começa a ser ouvida. Este ato corresponde ao descrito em 1 Reis 8, que, em seus primeiros versículos, estabelece o mês indicativo deste ato:
1 Reis 8 : 1-2
“Então Salomão convocou em Jerusalém os anciãos de Israel, todos os chefes das tribos e os chefes de família israelitas diante do rei Salomão, para transladar da Cidade de Davi, que é Sião, a Arca da Aliança de Yahweh. Todos os homens de Israel reuniram-se junto ao rei Salomão, no mês de Etanim, que é o sétimo mês, durante a festa.”
Etanim (אתנ’ם) é o nome utilizado na Torá para designar o mês conhecido como Tishrei (תשרי)[14]. Ele é o mês que marca o início do outono, quando acontecem as festas de Rosh Hashanah (ראש השנה), a “cabeça do ano”[15], que indica que um novo ciclo está por se iniciar (Levítico 23:24); do Yom Kippur (יום כיפור); Sucot (סוכות); Shemini Atzeret (שמיני עצרת); e Simchat Torá (שמחת תורה).
Importante destacarmos que, pela ordem apresentada no texto evangélico, o ciclo anual estabelecido por Jesus segue o que se considera, comumente, como sendo o calendário civil, com o nao começando em Tishrei (תשרי) e não em Nissan (ניסן), como estabelecido na Torá. Isso não significa que Jesus está realizando um rompimento com a Torá. Na verdade, ele faz uso desse calendário pelo simbolismo presente neste modelo e a representatividade com a sua obra.
Se levarmos em consideração que ação criativa-criadora (bara) desempenhada por Jesus visa santificar o Shabat, verificamos certa similaridade com o preparo para a Shemitá (שמיטה), que tem a sua contagem no mês de Tishrei (תשרי). Shemitá (שמיטה) significa “libertação”, é o período sabático da terra, no qual, no sétimo ano, a terra irá descansar as atividades agrícolas são proibidas. E, também é com base no mês de Tishrei (תשרי) que é feita a contagem de 50 (cinquenta) anos do jubileu [Iovêl (יובל)][16]:
Levítico 24 :1-13
“E falou o Eterno a Moshé no monte Sinai, dizendo: ‘Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando vierdes à terra que vou dou, descansará a terra, descanso em nome do Eterno. Seis anos semearás teu campo e seis anos podarás tua vinha, e recolherás o seu produto. E, o sétimo ano, sábado de descanso será para a terra, sábado em nome do Eterno; teu campo não semearás e tua vinha não podarás. O que nascer por si mesmo depois da ceifa, não segarás, e as uvas separadas para ti, da tua vinha, não colherás; ano de descanso será para a terra. E serão os produtos do descanso da terra livres para comer, para vós e para todos, igualmente; para ti, para teu servo, para tua serva, para teu empregado e para teu hóspede que habitar contigo. E para teu quadrúpede e para o animal selvagem que houver em tua terra, será todo o seu produto para comer. E contarás para ti sete semanas de anos, quarenta e nove anos. E farás soar a voz do Shofar aos dez dias do sétimo mês; no dia das expiações fareis soar o Shofar em toda a vossa terra. E santificareis o ano quinquagésimo e proclamareis liberdade para os escravos em toda a terra, para todos os seus moradores; ano de jubileu será para vós, e tornareis cada um à sua possessão, e cada um à sua família voltareis. Ele é jubileu; somente o ano quinquagésimo será jubileu para vós; não semeareis, não segareis o que nascer por si mesmo e não colhereis as uvas da vinha separadas para vós. Porque ele é jubileu, santidade será para vós; do campo comereis seu produto. Neste ano do jubileu, voltareis cada um à sua possessão[17].
Além de ser aquele que inicia o ano, servindo-o de base, e ser um mês festivo, Tishrei (תשרי) está associado[18] a letra lamed (ל)[19]. Lamed (למד) significa aprender e ensinar, numa referência ao fato de que a todos os instantes estamos aprendendo sobre os ensinamentos de Yahweh e, mesmo aquele que já trilha o caminho há mais tempo, ainda tem o que aprender.
Deuteronômio 6 : 4-7
“Escuta, Israel! Yahweh é nosso Deus, Yahweh é um! E amará ao Yahweh, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas posses. E estarão estas palavras que eu te ordeno hoje, no teu coração, e as inculcarás a teus filhos, e delas falarão sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.”
(17) E Jacó do Zebedeu e João, irmão de Jacó, e apôs a eles o nome Boanerges, que é “filhos do trovão”.
Dando prosseguimento ao ano, verificamos que Jacó representa o mês de Cheshvan (חשוון), que também é grafado como Marcheshvan (מרחשוון), e é referenciado na Torá como Bul (בול)[20], enquanto o seu irmão, João, seria o mês de Kislev (כסלו). Os dois recebem a alcunha de Boanerges (βοανεργες), filhos do trovão. Este epíteto indica tanto a conexão com o clima da região, pois é nesses meses que se inicia a época das chuvas que foram pedidas em Tishrei (תשרי); quanto a dádiva de Yahweh, posto que o trovão é a sua voz (Salmo 29).
Cheshvan (חשוון) é o mês no qual teve início o dilúvio [mabul (מאבול)] (Gênesis 7:11), que finaliza em Kislev (כסלו). Cheshvan (חשוון) é o único mês que não possui dia festivo e entende-se que ele é reservado ao Mashiach (משיח) e, por isso, a sua letra associada é nun (ן ou נ)[21].
A letra nun (נ) com o aspecto curvado é a que é utilizada em palavras em geral, enquanto a nun (ן) ereto é usada no final de palavras. Na condição de curvada, ela indica a pessoa humilde, que se curva aos desígnios de Yahweh e, por isso, se ergue em direção aos céus, simbolizado no num ereto. Nun (נון) ou (נון סופית) possui valor numérico igual a 50 (cinquenta), que é justamente o número de portões (ou níveis) de Biná (בינה), o entendimento. É por isso que, apesar de a Torá determinar que se deve contar 50 (cinquenta) dias após a Pessach (פסח) para celebrar Shavuot (שבועות), logo após, ela determina que devem ser contadas 7 (sete) semanas, isto é, 49 (quarenta e nove) dias. Isso significa que os 49 (quarenta e nove) portões ou níveis podem ser alcançados pelo entendimento humano, porém, o último portão, o da transcendência, somente é fornecido por Yahweh.
Além de ser o mês do fim do dilúvio, é em Kislev (כסלו) que tem o início da celebração do Chanuca (חנכה), conhecido como a “Festa das Luzes”. Também é neste mês que a palavra de Yahweh foi dirigida a Zacarias (Zacarias 7:1).
A letra associada ao mês de Kislev (כסלו) é samech (ס)[22], que, por ser um círculo, representa aquilo o que não tem começo, nem fim, como projeção de Ain Sof (אין סוף) e, por isso, representa a aliança. O valor numérico de samech (סמן) é igual a 60 (sessenta) e está ligada a Bênção Sacerdotal que é recitada toda manhã (Números 6:23-27), que possui 15 (quinze palavras) e 60 (sessenta) letras. Este número também é o somatório dos ossos da mão, onde cada mão tem 30 (trinta) e se unem no gesto que o cohen faz quando abençoa o povo.
(18) E André e Filipe e Bartolomeu e Mateus e Tomás e Jacó do Alfeu e Tadeu e Simão, o cananeu
Dando continuidade a formação do ano, Jesus continua nomeando os meses. Desta forma, encontramos André simbolizando Tevet (טבת); Filipe, Shevat (שבט); Bartolomeu, Adar (אדר); Mateus, Nissan (ניסן) ou Abibe (אביב); Tomás, Iyar (אייר) ou Zive (זיו); Jacó do Alfeu, Sivan (סיוון); Tadeu, Tammuz (תמוז); e Simão, o cananeu (כנענים), Av (אב).
No início do mês de Tevet (טבת), representando por André, encerram-se às celebrações do Chanucá (חנוכה), a “Festa das Luzes”. Chanucá (חנוכה) significa em hebraico “dedicação” ou “inauguração”, “consagração”, numa alusão ao esforço empreendido para se rededicar o Templo Sagrado, em Jerusalém, a Yahweh, após a expulsão dos selêucidas[23].
Um ponto de interesse é que o mês de Tevet (טבת) também é o 10º mês, valor numérico da letra yod (י), que representa a cabeça de Yahweh (יהוה). Apesar disso, a letra que simboliza o mês é ayin (ע)[24], que é a décima letra do alfabeto hebraico. Ayin (ע) significa “olho” e, ao associar-se ao radical do nome do mês, tov (טוב), que significa “bom”, indica que o mês é o “olho bom”, numa alusão ao bom olho que abençoa (Provérbios 22:9).
O valor numérico da letra ayin (עין) é de 70 (setenta) e representa alguém que se encontra em pleno controle de seus atributos emocionais. Isto decorre de que, na Tradição, existem 7 (sete) características emocionais gerais e, cada uma delas, contém 10 (dez) níveis, sendo 3 (três) do intelecto e 7 (sete) das emoções. Por isso, estipula-se que apenas um indivíduo, que tenha refinado os 70 (setenta) níveis, encontra-se apto a liderar e ensinar aos outros.
No mês de Shevat (שבט), representado por Filipe, é que ocorre o “Ano Novo das Árvores” [Tu Bishvat (ט”ו בשבט)], período no qual a maioria das chuvas já caiu, o frio do inverno começa a diminuir e os frutos das árvores começam a se formar. Dentre outras coisas, essa “festividade” está vinculada aos segredos da Árvore da Vida [etz chaim (עץ חחיים)].
Ademais, a letra vinculada ao mês de Shevat (שבט) é tsadic (צ ou ץ), que significa “o justo”, simbolizando o “alicerce do mundo”, aquele que se curva em face de Yahweh, representado pela primeira figura do tsadic (צ) e, por isso, cresce em direção ao alto, gerando frutos, tal qual uma árvore, representada pelo tsadic final (ץ). Esse simbolismo de humildade e sabedoria faz com que vários tsadikim sejam chamados de Rebe (רבי), que é um acrônimo de Rosh Bnei Yisrael (ראש בני ישראל), o “cabeça do povo judeu”. A Tradição diz que Yahweh coloca os tsadikim no mundo para atestar a Sua existência e é por isso que um tsadic é o alicerce do mundo, pois ele não vive para si, mas para servir como uma extensão de Yahweh. Todo este simbolismo também está associado ao valor numérico do tsadic (צדיק) ou (צדיק סופית), que é igual a 90 (noventa)[25].
Bartolomeu representa o mês de Adar (אדר). Adar (אדר) é uma palavra cognata de Adir (אדר), que significa “força”, representando o júbilo que quebra todas as barreiras celebrado na festa de Purim (פורים). No Purim (פורים), celebra-se a salvação dos judeus persas do plano de extermínio de Hamã, conforme consta no Livro de Ester. Nesta celebração, existem algumas mitzvot que se deve observar: ouvir a leitura pública do Livro de Ester; mandar comida de presente para os amigos; realizar caridade aos pobres; e comer uma refeição festiva, a seudá (סעודת).
A letra vinculada ao mês de Adar (אדר) é kuf (ק), o “macaco”[26] (קוף) e que tem valor numérico igual a 100 (cem). O número 100 (cem) está vinculado ao conceito da morte, porém, também está associado a capacidade transformadora decorrente da repetição[27] das ações determinadas por Yahweh (Deuteronômio 10:12-14). Assim, em seus atos, o indivíduo pode transformar a morte em vida, transformando a sheker (שקר), “falsidade”, na keresh (קרש), “tábua”, utilizada para construir a morada de Yahweh.
Mateus ou Levi[28] representa o mês de Nissan (ניסן), que também é chamado de Abibe (אביב) na Torá. A primavera tem início neste mês, assim como os 6 (seis) meses de verão, que correspondem aos 6 (seis) níveis de “luz direta”. Nissan (ניסן) também é chamado de “o mês da redenção”, pois foi neste mês que se iniciou a saída do Egito (Êxodo 13:4) e se comemora a Pessach (פסח), os Ázimos e a Oferta das Primícias.
O mês de Nissan (ניסן) é associado a letra he (ה). Além de representar 2 (dois) dos 4 (quatro) mundos existenciais[29] contidos no tetragrammaton (יהוה), he (ה) é uma letra que possui 3 (três) significados. O primeiro deles está vinculado à expressão “aqui está” [hei lachem zera (הן)] contida em Gênesis 47:23. O segundo é encontrado em Daniel 8:27, no sentido de “ser perturbado” [mihyeti (היה)]. Enquanto o terceiro se encontra em Isaías 25:9, com o significado de “contemplem” Elohim [hine (הנה)], no sentido de contemplar uma revelação. Esses significados interagem demonstrando um fluxo existencial que, no início, as pessoas recebem “sementes” de Yahweh para executarem o seu plantio. Entretanto, é normal se sentir confuso e perturbado, desviando-se do caminho, mas, essa perturbação desaparece quando se contempla a revelação de Yahweh por intermédio do teshuvá (תשובה).
O valor numérico da letra he (הא) é 5 (cinco)[30], representando, dentre outras coisas, as vestes de pensamento, fala e ação, posto que elas possuem, ao todo, 5 (cinco) elementos, sendo 2 (dois) no nível do pensamento, que são o imaginativo e o meditativo; 2 (dois) na fala, as palavras do coração e as dos lábios; e 1 (um) no nível da ação, que é a ação em si. 5 (cinco) também é a subdivisão do espírito: nephesh, ruach, neshama, chiah e yechidah, que podem ser representadas como “alma animal”, intelecto, intuição, força vital e o Eu, respectivamente.
Tomás, também chamado de Tomé, representa o mês de Iyar (אייר), também denominado de Zive (זיו). Este mês é referenciado como um tempo propício para o processo de cura e fortalecimento, posto que se encontra associado ao fornecimento do maná, que curou e sustentou Israel em sua peregrinação pelo deserto após a saída do Egito, bem como provou a capacidade de Yahweh de fornecer o sustento ao seu povo (Êxodo 16:1-18).
A letra vinculada ao mês de Iyar (אייר) é o vav (ו). Vav (וו) significa “gancho”, é o elo que une os dois he (ה) no tetragrammaton (יהוה), assim como une o mês de Nissan (ניסן) ao de Sivan (סיוון) pela contagem do ômer [Sefirat Haômer (ספירת העומר)], que são os 49 (quarenta e nove) dias que unem a Pessach (פסח) a Shavuot (שבועות) (Levítico 23:15-16 e Deuteronômio 16:8-10). Essa ideia de conexão faz parte do significado atribuído ao número 6 (seis), que é o valor numérico da letra vav (ו)[31]. Outro significado vinculado ao número 6 (seis) é o da compleição, posto que existem 6 (seis) lados: norte, sul, leste, oeste, acima e abaixo; bem como o número de dias da criação (Gênesis 1)[32], que também é o número de letras de bereshit (בראשית).
Jacó do Alfeu representa o mês de Sivan (סיוון). Importante destacarmos que o nome Alfeu, tanto em grego [Alphaios (Αλφαιος)[33]], quanto em hebraico (חלפי), significa “mudança” e não está necessariamente vinculada a uma filiação parental[34]. Desta forma, ao se determinar que Jacó é “filho” da mudança, há a necessidade de entendê-lo como um fruto desta mudança. Do ponto de vista climático, Sivan (סיוון) é uma estação ensolarada, sem chuva e com um clima agradável, no qual ocorre a festa da colheita[35], Shavuot (שבועות) (Êxodo 23:14-17; Êxodo 34:18-23; Números 28:26; Deuteronômio 16:10; e Deuteronômio 34:22), um mês que se comporta climaticamente no sentido “oposto” ao de Cheshvan (חשוון), que é o mês atribuído ao outro Jacó, o filho do Zebedeu[36].
A letra associada ao mês de Sivan (סיוון) é zayin (ז), que possui valor numérico igual a 7 (sete)[37]. Zayin (זין) significa tanto “coroa”, quanto “arma” ou “espada”. O 7 (sete) é associado ao Shabat, o sétimo dia, no qual, após um período de trabalho, há a santificação das obras em honra a Yahweh. Essa santificação envolve a colheita (corte) do que está pronto, tal qual a ação dos querubins e a espada flamejante que guarda o caminho da Árvore da Vida [etz chaim (עץ חחיים)] (Gênesis 3:24). A santificação do 7 (sete) se encontra presente na guematria do pão [chalá (חלה)] e do vinho [yayin (ײן)], alimentos associados à Kidush (קידוש), “santificação”, do Shabat, que valem 43 (quarenta e três) e 70 (setenta), respectivamente, que, na “redução”, revelam o 7 (sete).
O mês de Tammuz (תמוז) é representado por Tadeu, e está vinculado ao início do verão[38]. O mês também é referenciado em Ezequiel, quando este aborda os pecados de Jerusalém (Ezequiel 8:14). De maneira similar, é atribuída, ao mês, a ocorrência da situação do bezerro de ouro que culminou com a quebra das Tábuas da Lei (Êxodo 32; Deuteronômio 9:7-29). Outrossim, também é neste mês que Moshé envia os espiões para contemplar a terra prometida (Números 13).
Ao mês de Tammuz (תמוז) é atribuída a letra het (חא), que tem valor numérico igual a 8 (oito)[39]. O significado da letra het (ח) é chayut, “vida” e a “vida” só é verdadeira quando se está infundida por Yahweh. Por isso ao 8 (oito) é atribuído o simbolismo do brit (ברית), do “pacto” ou da “aliança”, como no brit milá, que gera a transcendência do corpo material em algo divino.
Simão, o cananeu (כנענים), representa o último mês referenciado no versículo é o mês de Av (אב), que também pode ser grafado como Ab. A grafia do mês significa “pai”, de maneira similar a expressão em aramaico Abba, que também significa “pai” ou “papai”. Assim, o mês de Ab (אב) é atribuído a Yahweh, o que, em um primeiro momento, pode parecer estranho em função do fato de que a destruição do primeiro Templo ocorreu neste mês. Contudo, é neste mês que ocorrem as destruições correlacionadas com o processo de purificação, tal qual a separação entre os espiões que renegaram a Terra Prometida, daqueles que se dedicaram a conquistá-la. Assim como é no dia 15 de Ab que ocorre o Tu B’av (ט״ו באב).
Tu B’av (ט״ו באב) é considerada uma das duas datas mais felizes dentro da Tradição[40], posto que foi nela que a geração do deserto parou de morrer (Números 14:29); o matrimônio entre integrantes de diferentes tribos passou a ser permitido; a proibição de se casar com qualquer pessoa da tribo de Benjamim foi rescindida (Juízes 21:20-23); foram removidos os bloqueios que impediam a subida a Jerusalém nas festas de peregrinação (2 Reis 23:1-4); encerrou o corte anual de madeira para o Altar do Templo; e houve o sepultamento dos mártires de Betar.
Ponto que podemos destacar é que, apesar da destruição do Templo, “os preceitos de Yahweh são retos, alegram o coração; o mandamento de Yahweh é claro, ilumina os olhos” (Salmos 19:9), indicando que, mesmo com a queda do Templo, as Leis de Yahweh permanecem, assim como existiam antes dela. O ensinamento extraído do versículo 9 do Salmo 19, vinculado ao entendimento do mês de Av (אב), nos ensina que as Leis de Yahweh existiam antes de manifestação e continuarão a existir para depois do fim da manifestação.
Essa ideia de continuidade das Leis, amparada na dualidade das datas “felizes” [Tu B’av (ט״ו באב), que acontece em Ab (אב) e Yom Kippur (יום כיפור), que acontece em Tishrei (תשרי)], combinada ao fato de que, tanto aquele que representa o mês de Tishrei (תשרי), quanto o que representa o mês de Ab (אב) se chamam Simão ou Shimon (שמעון), mesmo nome da Tribo correspondente ao mês de Ab (אב), transmite-nos a ideia de que o mês de Ab (אב) é uma espécie de evolução do mês de Tishrei (תשרי). Isto é, aquilo o que começou em Tishrei (תשרי), passou por transformações, mas continuou verdadeiro apesar de perder o seu corpo material (destruição do Templo). Soma-se a isso o fato de que a letra associada ao mês de Av (אב) é tet (ט), que possui valor numérico igual a 9 (nove)[41]. Tet (טית) significa “bom” (tov) ou “melhor” e o seu significado gemátrico o estabelece como sendo o número “verdadeiro”, pois a verdade [emet (אמת)] possui este valor (1+40+400=441 ∴ 4+4+1=9). Ademais, a verdade [emet (אמת)] é composta por 3 (três) letras, a primeira, a do meio e a última do alfabeto hebraico, simbolizando que a Verdade é eterna, existindo no princípio, no meio e no fim.
Apocalipse 1 : 8
“Eu sou o Alfa e o Ômega, Diz o Supremo [kýrios (Κύριος)], “Aquele-que-é, Aquele-que-era e Aquele-que-vem”, o Todo-poderoso”[42].
(19) e Judas Iscariotes, o que também o entregou.
Por fim, o ano se encerra no mês de Elul (אלול), um mês vinculado ao luto, pois é o mês que marca o fim do ciclo existencial iniciado em Tishrei (תשרי), com a inscrição do nome no Livro da Vida [Sefer HaChaim (ספר החיים)][43]. Elul (אלול) é dedicado à introspecção, quando cada pessoa deve voltar para o seu íntimo a fim de analisar que erros cometeu e o que pode ser modificado antes do término do ano.
Apesar de ser um momento de fim, ele também indica a chegada do novo ciclo e da necessidade de se estar preparado para esse novo momento. A fim de auxiliar nesse processo de teshuvá (תשובה)[44], todas as manhãs há o toque do Shofar (שופר)[45], a verificação da integridade do Tefilin (תפילין) no braço esquerdo (Deuteronômio 6:8), e Mezuzá (מזוזה).
Esse momento de buscar entrar em contato com Yahweh e realizar a teshuvá (תשובה) também se encontra presente no próprio nome do mês. Elul (אלול) é um acrônimo para as letras iniciais da frase que se encontra em uma passagem (6:3) do Shir HaShirim (Cântico dos Cânticos), que diz “Sou do meu amado e meu amado é meu” (אני לדודי ודודי לי). Isso demonstra que, assim os casamentos que ocorreram em Tu B’av (ט״ו באב) no mês de Ab (אב), a união com Yahweh foi consumada e a teshuvá (תשובה) do mês de Elul (אלול) tornou a congregação una com Yahweh.
Ademais, o mês de Elul (אלול) é o mês que “entrega” o ano para a sua análise, julgamento e inscrição para o próximo ciclo, que se inicia em Tishrei (תשרי), feitos por Yahweh. Com isso em mente, entendemos a natureza simbólica da referência feita a Judas Iscariotes no final do versículo (o que também o entregou), indicando que, tal qual Elul (אלול) entrega o ano para o julgamento de suas obras, Judas Iscariotes entregará Jesus para ser julgado por suas obras.
Outro ponto que merece destaque é o próprio nome fornecido àquele que representa o mês de Elul (אלול): Judas Iscariotes [Ioúdas Ískarióth (Ίούδαν Ίσκαριώθ)]. Em hebraico, o seu nome é Yehudah (יהודה), uma derivação da palavra Judá, que significa “abençoado” ou “louvador”; e Ish (איש) Kriyit (קריות), que significa “homem” e “cidade”, respectivamente. Desta forma, o nome que Jesus lhe atribuiu significa “abençoado homem da cidade”.
Sabendo que dentre as cidades, a mais importante é a de Jerusalém, que simboliza o coração de Israel, Judas Iscariotes é o representante sagrado que habita esta cidade, que, na Árvore da Vida, é representada por Tipheret [Beleza (תפארת)]. E, ao entendermos o processo de “subida” na Árvore da Vida, no qual, após alcançarmos Tipheret [Beleza (תפארת)], temos de entregar o que existe de mais sagrado em nós para ser cortado pelo Querubim com a espada flamejante e podermos cruzar o Véu do Abismo em direção a Atziluth (O Mundo da Emanação), compreendemos a função atribuída à Judas Iscariotes. Não a função de um vilão, como normalmente se interpreta do ponto de vista literal das escrituras, mas a função daquele que, uma vez realizada a semeadura e a colheita, oferece os frutos da obra em oferenda a Yahweh.
Dentro das associações com o mês de Elul (אלול), a letra do alfabeto hebraico que se vincula a ele é yod (י), a primeira que compõe o Tetragrammaton (יהוה)[46], e que tem valor numérico igual a 10 (dez). A letra yod (י) significa “judeu”, a “mão (de Yahweh)”. Yod é a “centelha divina” que torna tudo constante[47] e carrega em si toda a potencialidade de Yahweh[48]. Nos simbolismos relacionados a yod (י) verificamos, mais uma vez, a função a ser desempenhada por Judas Iscariotes. Ele é o “Judeu”, aquela parcela de nós que, após imitar as ações criativas-criadoras de Yahweh, santifica as suas obras no Shabat, oferecendo-as a Yahweh, dando fim a um ciclo e entregando o que foi santificado para que Yahweh possa usar no próximo ciclo.
NOTAS
[1] A ideia de reparação dentro do conceito de tikun olam (תיקון עולם), está vinculada a ideia de que o Universo foi devidamente criado e, quando Yahweh cessa a sua atividade, Ele está determinando que a Sua obra deve continuar a ser feita por intermédio da ação dos seus filhos. Então, o conceito não significa que existe algo errado que precisa ser consertado, mas que existe algo que ainda se encontra incompleto e que isso deve ser reparado, para que a obra deixe de estar incompleta.
[2] “Disse Elohim a Moshé: “Eu sou aquele que é” (Serei O que serei). E disse: “assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU (Serei) enviou-me a vós.”
[3] ἐγώ εἰμί α καί Ω λέγω κύριος ὁ ὅ ὤν ὁ ἦν ὅ ὤν καί ὁ ὅ ὤν ἔρχομαι ὅ ὤν παντοκράτωρ.
[4] A expressão grega óros (ὄρος) tem a indicação de lugar alto, sendo utilizada para indicar “colina”, “monte”, “montanha”, “elevação”, e que, provavelmente, deriva da expressão arcaica óro (ὄρο), que significa “erigir”.
[5] Vide comentários sobre o versículo 40 do capítulo 1.
[6] O yod (י) é a letra que corresponde ao Atziluth (Mundo Arquetípico ou Mundo da Emanação), a cabeça do Adam, de Yahweh. O 10 (dez) é o tijolo no qual toda a Criação se estrutura. Foram com 10 (dez) pronunciamentos que Elohim criou o Universo; é o número de gerações entre Adam e Nôach (Noé); o número de pragas e de milagres para salvar o Seu povo das pragas; o número de desafios que Yahweh estabeleceu no deserto; o número de mandamentos; etc. O 10 (dez) também representa a santidade e a Divindade. Assim como o yod (י) é um yid, um judeu, além de representar um yad, a mão.
[7] Podemos destacar que a expressão shalah (שליח) também é utilizada para designar o que, popularmente, convencionou-se a chamar de “anjo”, a exemplo do contido em Êxodos 23:20 “Eis que vou enviar (שלח) um anjo (מלאך) diante de ti para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que tenho preparado para ti”.
[8] Vide o tópico “O Evangelho de Jesus”, composto pelos versículos de 1 a 3 do capítulo 1.
[9] Vide comentários sobre o tópico “O Evangelho de Jesus”, composto pelos versículos de 1 a 3 do capítulo 1.
[10] Vide comentários sobre o versículo 3 do capítulo 2.
[11] Vide comentários ao tópico “O Yom Kippur”, composto pelos versículos de 18 a 22 do capítulo 2.
[12] Vide comentários ao tópico “Um Novo Gênesis”, composto pelos versículos de 16 a 20 do capítulo 1.
[13] A expressão ekklésia (ἐκκλησία) deriva da káleo (καλέω), que significa “chamar”. Assim, ekklésia (ἐκκλησία) designava uma assembleia que foi convocada, diferentemente, de uma que se forma de maneira improvisada ou sem a convocação formal.
[14] Importante destacarmos que, tal qual Etanim (אתנ’ם), que também recebe o nome de Tishrei (תשרי), Simão também é chamado de Pedro.
[15] Necessário indicarmos que, na época da outorga da Torá, o ano se iniciava no mês de Nissan (ניסן), com a primavera. Nesta época, o mês de Tishrei (תשרי) era “o mês do toque do Shofar”. Contudo, com o passar do tempo e da tradição, chega-se a falar que o ano judaico tem 4 (quatro) anos novos. Porém, normalmente, costuma-se convencionar que existem 2 (dois), um religioso, seguindo a antiga contagem, com o ano começando em Nissan (ניסן); e um “civil”, com início em Tishrei (תשרי). Apesar de o ano iniciado em Tishrei (תשרי) ser considerado “civil”, ele é usado para a contagem numérica dos anos da shemitá (שמיטה), que é o ano sabático de descanso da terra; dos jubileus, que são os ciclos de 50 (cinquenta) anos que as terras voltavam para os seus donos originais e havia a libertação de escravos; para a plantação de árvores frutíferas; para o cálculo do dízimo e da colheita de vegetais e de grãos.
[16] O número 50 (cinquenta) é indicado com os níveis para se acessar Binah (בינה), o “Entendimento”. Porém, ensina-se que os primeiros 49 (quarenta e nove) níveis podem ser alcançados pela inteligência humana, enquanto o último é uma graça concedida por Yahweh.
[17] Além da identificação com a libertação da terra na shemitá (שמיטה), no jubileu [Iovêl (יובל)], verificamos a libertação de todos e o regresso à sua terra, que, simbolicamente, podemos compreender com o retorno ao paraíso, a Atziluth (אצילות).
[18] Segundo a Tradição, todo mês é associado a uma letra, a uma constelação zodiacal, a uma tribo, a um sentido e a um membro do corpo. No caso de Tishrei (תשרי) seria, respectivamente, lamed (ל); moznayim (מאזניים), a constalação de libra; Efraim (אפרים); o tato; e a vesícula biliar.
[19] Apesar de ter valor numérico igual a 30 (trinta), o lamed (ל) também é associado ao número 26 (vinte e seis). Isso ocorre pelo fato de que a letra lamed é formada pela junção da letra kaf (כ) e vav (ו), que tem valor de 20 (vinte) e de 6 (seis), respectivamente. Importante lembrarmos que 26 (vinte e seis) é o número correspondente ao Tetragrammaton YHWH (יהוה).
[20] Da mesma maneira que acontece com Simão-Pedro, no versículo anterior, Jacó também é referenciado como Tiago. Essa dupla referência também é encontrada na nomenclatura do mês que ele simboliza, Cheshvan (חשוון) ou Bul (בול).
[21] Também são associados ao mês de Cheshvan (חשוון) o signo de akrav (עקרב), escorpião; a tribo de Menashe (מנשה); o sentido do olfato; e os intestinos.
[22] Também são associados ao mês de Kislev (כסלו) o signo de keshet (קשת), sagitário; a tribo de Benjamim (בנימין); o sentido do sono; e a barriga.
[23] Ao mesmo tempo em que o mês faz uma referência ao ato de reconsagrar o Templo a Yahweh, no seu décimo dia, é realizado um jejum a fim de recordar o dia em que os exércitos de Nabucodonosor II sitiaram Jerusalém em 588 AEC.
[24] Também são associados ao mês de Tevet (טבת) o signo de gedi (גדי), capricórnio; a tribo de Dan (דן); o sentido da ira; e o fígado.
[25] Também são associados ao mês de Shevat (שבט) o signo de deli (דלי), aquário; a tribo de Asher (אשר); o sentido do paladar; e o estômago.
[26] Também são associados ao mês de Adar (אדר) o signo de daquim (דגים), peixes; a tribo de Naftali (נפתלי); o sentido do riso; e o baço.
[27] O macaco é considerado um mímico, pois ele imita o agir daquilo que ele vê.
[28] Vide tópico “O Escriba de Jesus”, composto pelos versículos 13 e 14 do capítulo 2.
[29] Briah (בריאה) e Yetzirah (יצירה).
[30] Também são associados ao mês de Nissan (ניסן) o signo de tale (טלה), áries; a tribo de Yehuda (יהודה); o sentido da fala; e o pé direito.
[31] Também são associados ao mês de Iyar (אייר) o signo de shor (שור), touro; a tribo de Issachar (יששכר); o sentido do pensamento; e o rim direito.
[32] Neste processo criativo-criador, atribui-se um atributo emocional específico para cada dia da criação e que representaria também um ciclo de 1.000 (mil) anos. Assim, o primeiro dia é vinculado a Chesed (חסד), a bondade, representada pela criação da luz infinita que concede a vitalidade ao homem. O segundo dia é atribuído a Guevurá (גבורה), que é a contração e o julgamento (severidade) representado na separação das águas. O terceiro dia da criação foi Tipheret (תפארת), a beleza, pois foi neste dia que as flores e gramas foram criadas, assim como todas as cores, posto que a beleza não é monocromática, mas obtida da mescla e harmonia de diferentes cores e sons. O quarto dia é Netzach (נצח), a vitória e resistência, dia da criação dos dois luminares, simbolizados pelos dois templos. O quinto dia é Hod (הוד), o reconhecimento, que também pode significar devastação, representado pela criação das criaturas que habitam o mar. Enquanto o sexto dia representa Yesod (יסד), a fundação, o alicerce capaz de conectar toda a criação, o Adam (aqui entendido como a Humanidade). Adam (אדם) possui 3 (três) letras, a primeira, aleph (א), representa o intelecto divino, o 1 (um); a segunda letra, dalet (ד), é vinculada a fala (dibur); enquanto a última letra, mem (מ), vincula-se à maasê, a ação, fazendo com que Adam seja perfeito em pensamento, palavra e ação.
[33] Na mitologia grega, Alfeu também é o nome dado a um importante rio. Dentre outros acontecimentos associados ao rio, podemos destacar a participação nos chamados trabalhos de Héracles (Hércules), uma vez que ele é o rio utilizado pelo herói para lavar os estábulos do rei Augias. Outrossim, ele é um rio que, em um de seus trechos, tem um caminho subterrâneo, o que, no mito grego, o leva ao Hades, o mundo dos mortos.
[34] Vide versículo 14 do capítulo 2.
[35] Atualmente, em Shavuot (שבועות) também se comemora a outorga da Torá, mas este costume foi introduzido em momento posterior ao relacionado ao objeto do nosso estudo.
[36] Vide versículo 17 deste capítulo.
[37] Também são associados ao mês de Sivan (סיוון) o signo de teumim (תאומים), gêmeos; a tribo de Zebulun (זבולון); o sentido do caminhar; e o pé esquerdo.
[38] Costuma-se atribuir a Tadeu o prenome de Judas, em decorrência de um paralelismo que se faz entre a descrição contida no versículo em análise com situação similar encontrada naquele evangelho (Lucas 6:16). Em Lucas, Tadeu é referenciado como sendo filho de Jacó (Tiago), o que pode ser entendido como o verão sendo o filho da primavera, isto é, o verão tem início em Tammuz (תמוז), dando continuidade ao mês de Sivan (סיוון), que encerra a primavera.
[39] Também são associados ao mês de Tammuz (תמוז) o signo de sartan (סרטן), câncer; a tribo de Reuvan (ראובן) ou Rubem; o sentido da visão; e a mão direita.
[40] A outra é o Yom Kippur (יום כיפור).
[41] Também são associados ao mês de Av (אב) o signo de aryê (ארי ה), leão; a tribo de Shimon (שמעון); o sentido da audição; e o rim esquerdo.
[42] ἐγώ εἰμί α καί Ω λέγω κύριος ὁ ὅ ὤν ὁ ἦν ὅ ὤν καί ὁ ὅ ὤν ἔρχομαι ὅ ὤν παντοκράτωρ.
[43] Vide tópico “Selando o Livro da Vida”, composto pelos versículos de 23 a 28 do capítulo 2.
[44] Teshuvá (תשובה) costuma ser traduzida para o português como “arrependimento”, contudo o seu significado é muito mais profundo do que isso. Teshuvá é uma mudança de comportamento. Vide comentário sobre o versículo 16 deste capítulo. Ela se assemelha à expressão grega metanoia (μετανοεῖν).
[45] O Shofar é um instrumento de sopro feito com o chifre curvo de um carneiro casher e utilizado em ocasiões específicas dentro da tradição judaica. O carneiro é uma referência ao sacrifício que Abraão fez à Yahweh no lugar de seu filho Isaac, história que, inclusive, é lida no Rosh Hashanah, época na qual a Torá determina o toque do Shofar. O Shofar é o instrumento utilizado para derrubar as muralhas de Jericó.
[46] Também são associados ao mês de Elul (אלול) o signo de betulá (בתול), virgem; a tribo de Gad (גד); o sentido da ação; e a mão esquerda.
[47] Quando a letra yod (י) é colocada no início de uma palavra, entra transforma algo que é transitório em constante, como ocorre com o verbo assá (עשה), “fazer”, contido em Jó 1:5 “ Assim costumava Jó fazer todas as vezes” (ככה יעשה איוב כל הימים) , que a presença do yod, formando yaase (יעשה), o transforma em um ato constante, no qual Jó [Yiov (איוב)] não fez as oferendas para seus filhos apenas uma vez, mas todos os anos, na mesma época.
[48] Yod (י) é a primeira letra do tetragrammaton (יהוה) e corresponde a Atziluth (אצילות).
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