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Poder Criativo: Golems, homúnculos, alraunes e egrégoras

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Por Peter-R. Koenig — 2011 / 2017 — versão inglesa

O misticismo judaico, particularmente a Cabala, foi a fonte do golem, muitas vezes produzido por meio do uso mágico do Salmo 139:16 e de Gênesis 2:7. Desde os primeiros comentários místicos e mágicos sobre o uso do Sepher Yetzirah (Livro da Criação), estudiosos judeus mantiveram projetos de golems rondando a cabeça. [1] Em seu comentário sobre o Yetzirah, o autor medieval Eleazar de Worms (c. 1160–1230) apresenta uma fórmula para criar um homem artificial combinando as letras sagradas do alfabeto hebraico durante um transe: somente quando o criador do golem se encontra em estado extático a criatura ganha vida.

Naturalmente, entre cabalistas existem muitas formas possíveis de interpretação e apresentação das Escrituras, embora o golem tenha sido por muito tempo um tema central do misticismo judaico e da Cabala, em que a criação de um golem era vista como análoga à criação do mundo e do homem por Deus. Reduzir a criação de seres humanos artificiais a um processo inteiramente técnico, voltado a fins puramente práticos, porém, despertou pouquíssimo interesse continuado. Uma justificativa era que tais estudos das Escrituras deveriam ser realizados apenas para compreender a dinâmica e o poder de Deus ao criar o mundo, e não para tentar imitar Deus criando de fato um golem. [2]

Nesse contexto, a possibilidade de destruir um ser artificial tem enorme importância: a possível destituição de Deus pelo homem, mediante o uso de seu próprio poder de criação, era matéria explosiva — e não apenas nos círculos religiosos ultraortodoxos. Para os gnósticos modernos, o ponto decisivo é justamente esse: tornar-se Deus.

Do Homunculo

Paracelso (1493–1541) escreveu sobre o esperma em seu De origin morborum invisibilium, Lit. III:

“O íncubo e o súcubo são formados pelo esperma, o sêmen daqueles que praticam o ato antinatural, imaginário e simulado de masturbação, em pensamentos ou desejos. Isso procede apenas da imaginação; não é esperma genuíno, material, mas um sal corrompido. Somente o esperma proveniente de um órgão destinado pela Natureza ao seu desenvolvimento pode germinar e tornar-se um corpo. Quando o esperma não procede de uma base material adequada, nutritiva, nada de bom produzirá; em vez disso, gerará algo inútil. Por essa razão, o íncubo e o súcubo, que procedem de esperma corrompido, são nocivos e inúteis segundo a ordem natural das coisas. Esses germes, formados na imaginação, nascem de Amore Heress: o tipo de amor em que um homem imagina uma mulher, ou vice-versa, copulando com uma imagem criada na esfera dos pensamentos. O resultado de uma evacuação tão desnecessária do fluido etéreo não produzirá uma criatura, mas é capaz de trazê-la ao mundo das larvas. Tais fantasias são a mãe de uma lascívia exuberante que, se persistir, pode tornar um homem impotente e uma mulher estéril, pois a prática frequente de alimentar uma imaginação doentia e insalubre faz perder muito do autêntico poder criativo.” [3]

Paracelso também teria dado uma receita que usava sangue e sêmen para fabricar um homúnculo: “… o esperma de um homem em uma cucúrbita fechada [alambique ou destilador], enterrada na mais elevada putrefação, ventre equino [‘do estômago de um cavalo’: esterco], depois de putrefazer por quarenta dias ou mais, tornar-se-á vivo, movendo-se e deslocando-se por si mesmo, o que será facilmente percebido. Depois desse tempo, passará a se parecer muito com um homem, porém com um corpo transparente. Se, a partir daí, for alimentado constante e sabiamente com arcano sanguinis humani [‘o segredo do sangue humano’] durante 40 semanas, sempre no mesmo calor de ventris equini [‘estômago de cavalo’], tornar-se-á uma criança humana genuína e viva, com todas as partes de qualquer outra criança nascida do parto de uma mulher, porém muito menor: é isso que chamamos de Homúnculo, que deve ser criado como qualquer outra criança autêntica, com grande diligência e cuidado, até chegar aos dias da sabedoria. Este é um dos maiores segredos que Deus revelou ao homem mortal e fraco.” [4]

A crença de Paracelso de que embriões humanos se formam de esperma e sangue remonta às ideias de Aristóteles (384–322 a.C.) e Plínio, o Velho (c. 23–79 d.C.). Ideias desse tipo também aparecem em antigos textos védicos e hindus [5], que afirmam que os fetos se formam do esperma combinado com o sangue menstrual — crença aparentemente confirmada pelo fato de a menstruação cessar durante a gravidez. Aristóteles ensinava que não existia “semente feminina”, acreditando que apenas o sêmen masculino dava o impulso para o embrião crescer e também determinava seu sexo. Se a natureza masculina da semente não fosse forte o bastante, acreditava Paracelso, “então necessariamente nasce o oposto, e o oposto do homem é a mulher”.

Em todos os casos, o sangue menstrual servia apenas de alimento e contribuía para o crescimento. O sangue menstrual continuado da mulher alimentaria uma alma passiva, mas não originaria uma alma racional e sensível. Assim, a função da mulher era dar ao feto seu corpo, enquanto a do homem era dar-lhe energia, caráter e ser: em suma, torná-lo uma alma humana completa. Como Aristóteles, Plínio acreditava que o esperma funcionava como um agente coagulante que fermentava o sangue menstrual, afirmando que o esperma, caso continuasse vivo, fazia o sangue assumir forma corpórea. Paracelso considerava que, para a formação do homúnculo, a deformação era essencial à vida; nisso seguia a tradição alquímica, que via a pré-criação como símbolo da busca pela Pedra Filosofal. O sêmen, argentum vivum ou mercúrio-vivo, o Mercúrio vivo dos alquimistas, devia ser colocado em esterco, que simboliza a mãe-terra. Depois da deformação vem a maré alta ou o rio, de sêmen.

A cena da segunda parte do Fausto, de Goethe (1749–1832), escrita em 1808, na qual um homúnculo surge de um alambique, segue as ideias de Paracelso:

Parte II, Ato II, Cena II: Um laboratório

Wagner:
Mas contenha a respiração e o poder das palavras,
Uma obra nobre também está sendo pesada.
… Um Homem está sendo feito.

Mefistófeles:
Um Homem? E que casal amoroso
Você escondeu dentro da chaminé?

Wagner:
Deus nos livre! Que coisa fora de moda!
Estamos livres de toda essa tolice ociosa.
…
Clareia! Veja! — Agora há uma chance real,
De que, da substância multiplicada por cem,
Por mistura — já que a mistura faz acontecer —
Se componha a matéria da vida humana,
E, destilada num frasco, bem assentada,
E em combinação correta, fundamentada,
Então a obra silenciosa estará concluída.
…

Mefistófeles:
Em anos de viagem,
e diante de mim,
já vi a humanidade cristalizada.

Wagner:
Até agora atento ao frasco,
Ele sobe: há lampejos, há expansão;
Em mais um instante estará pronto.
Grandes metas parecem tolas no início:
Mas ainda riremos do próprio Acaso,
E cérebros, com pensamentos para celebrar,
No futuro um Pensador há de criar.

E de fato ele sobe, ferve e borbulha; o brilho aumenta, o frasco de vidro ressoa e vibra, um pequeno ser se desenvolve no líquido espesso e esbranquiçado, emerge e ganha voz. O Homúnculo em seu frasco saúda seu pai científico e se alegra por estar vivo, temendo apenas que o pai quebre cedo demais seu invólucro de cristal ao beijá-lo: essa é a lei das coisas. O que é natural se estende por toda a Natureza; uma obra de arte, porém, só pode ocupar um espaço limitado. O homúnculo também saúda o diabo Mefistófeles, a quem chama de primo, e pede sua proteção para viver no mundo. O diabo manda a criatura dar imediatamente uma prova de vitalidade; então o homúnculo escapa das mãos de Wagner e flutua até a testa de Fausto adormecido. Ali, parece participar dos sonhos de antiguidade do doutor; sonha com o nascimento de Helena de Troia.

A ideia do homúnculo como um pequeno homem alquímico produzido dentro de uma garrafa era familiar a Theodor Reuss, fundador da O.T.O., embora esse conceito muito orgânico difira do golem. A lista de leitura prescrita aos membros da O.T.O. incluía uma obra chamada Genesis — das Gesetz der Zeugung (Gênesis — a Lei da Procriação), do Prof. Herman, pseudônimo de Max Ferdinand / Max Ferdinand Sebaldt, também ativo nos círculos de Theodor Reuss e Leopold Engel. A obra descreve a produção de um ser “que se realiza por meio do poder ódico da materialização e que, como névoa ódica, flui das vulvas e, sob a influência uterina tradicional, forma facilmente almas infantis”. [6]

Os cinco volumes de Herman parecem ter sido a principal fonte de Reuss para os Bausteine zum O.T.O.-Tempel. Com referências a Blavatsky, Stanislaw Przybyszewski, Schrenck-Notzing e outros ocultistas, Herman empreende um bem informado tour de force pelas atividades e publicações ocultistas-científicas até 1900.

Em 20 de setembro de 1914, Crowley promulgou seu texto instrucional da O.T.O., De Homunculo Epistola: sob o selo das Obrigações do IX°, que incluía suas objeções particulares ao aborto: “Assim, supondo que o Ego reencarnante entre no feto no terceiro mês de gestação, de nada serviria remover tal feto da mãe e fazê-lo viver, pois ele já é humano. Um feto de dois meses, porém, poderia tornar-se Homúnculo.”

As próprias instruções do IX° são bastante simples. Era preciso adquirir “uma mulher adequada, disposta a ajudar você nesta Obra” e depois “um homem adequado; se for conveniente, você mesmo ou algum outro Irmão Iniciado da Gnose; e, tanto quanto possível, que o horóscopo dele também harmonize com a natureza da obra”. Em seguida: “Que o homem e a mulher copulem continuamente, sobretudo em momentos astrologicamente favoráveis ao seu trabalho, e que o façam de modo cerimonial, em um templo preparado, cuja disposição e decoração particulares também sejam adequadas à obra.” A criança nascida de toda essa cópula seria “de perfeita forma humana, com todos os poderes e privilégios da humanidade, porém com a essência de uma força particular escolhida e com todo o conhecimento e poder de sua esfera; e esse ser é sua criação e seu dependente; para ele você é o único Deus e Senhor, e ele deve servi-lo”. [7]

O aborto era um tema constante para Crowley: “O aborto deve ser punido como atitude egoísta e covarde, um vício de escravo” [8]; “Todas as mulheres grávidas são especialmente sagradas para os membros da Ordem, e nenhum esforço deve ser poupado para levá-las a aceitar a Lei da Liberdade, para que o nascituro se beneficie dessa impressão. Elas devem ser induzidas a tornar-se membros da Ordem, para que a criança possa nascer sob sua égide.” [9]

Em 1917, Crowley escreveu seu romance Moonchild [10], no qual volta a falar da produção astrológica e sexo-mágica de um homúnculo. [11] Ali encontramos sua objeção ao aborto reiterada: “O aborto é a operação de magia negra que está no coração da intriga dos ‘Irmãos Negros’.” [12]

Alguns intérpretes acreditam que o homúnculo tenha um sentido inteiramente simbólico e deva ser compreendido dessa forma. Devemos vê-lo, antes, como um “embrião metálico” ou como a Pedra Filosofal: o objetivo dos ocultistas na China, na Índia, no Egito, na Pérsia e na Europa ao longo dos séculos. A busca pela Pedra teria sido, por exemplo, aquilo que estava por trás do sacrifício sangrento de centenas de crianças pequenas pelo célebre herói das guerras francesas de libertação do século XV, o marechal Gilles de Rais (1405–1440); alegava-se que essa também era a verdadeira razão da busca pelo Graal. A Pedra Filosofal tomou o lugar do Graal pela primeira vez nas obras de Wolfram von Eschenbach, como consequência das influências islâmicas sobre a Europa no século XIII.

Na literatura

Na Índia, existe entre certos cultos tântricos a tradição de ungir suas imagens fálicas de lingam com óleo, leite e, às vezes, sêmen. Uma tradição semelhante envolvendo estátuas e imagens vivas existe na cultura ocidental — pelo menos na literatura. E.T.A. Hoffmann (1776–1822) [13], Edgar A. Poe (1809–1849), Ambrose Bierce (1842–1914), Jules Verne (1828–1905), Prosper Mérimée (1803–1870) e George Bernard Shaw (1856–1950), entre outros, reinterpretaram o mito original de Pigmaleão, de Ovídio; um pálido reflexo dele pode ser percebido até no musical My Fair Lady [14]: a produção de vida artificial com a ajuda dos deuses ou da magia [15], ou a ressurreição dos mortos. Inspirada pelos experimentos de reanimação feitos com vermes cortados por Erasmus Darwin (1731–1802; avô de Charles Darwin), Mary W. Shelley (1797–1851) escreveu seu romance Frankenstein or The Modern Prometheus (1818) quando tinha apenas 19 anos.

Este pequeno ensaio não comporta uma exposição literária detalhada do tema, mas lançarei um breve olhar sobre as atividades relevantes de alguns ocultistas dentro da cultura predominante da Europa anterior à Primeira Guerra Mundial.

O autor alemão de romances populares ocultistas e eróticos Hanns Heinz Ewers (1871–1943) acrescentou um desvio sexual à lenda com seu romance Alraune, de 1911. Ewers era conhecido de Crowley e, em 1906, possivelmente estava em contato com Theodor Reuss e a O.T.O. [16] Em 1915, Gustav Meyrink (1868–1932) escreveu o romance The Golem. No mesmo ano, Paul Wegener (1874–1948) dirigiu uma adaptação cinematográfica de The Golem, enquanto filmes alemães posteriores como Nosferatu, The Cabinet of Doctor Caligari e Dr. Mabuse evocavam um fascínio pelo mal. [17] Em 1926, o prolífico compositor Eugen d’Albert (1864–1932) produziu uma ópera também intitulada The Golem. [18]

Alraune

Há incontáveis histórias relacionadas à origem da Alraune, ou mandrágora (Mandragora officinarum), planta de raiz bifurcada que pode lembrar uma pequena figura humana. Os gregos chamavam Afrodite, a deusa do amor, de “A Deusa da Mandrágora”. Herboristas afirmavam que as mandrágoras masculinas eram brancas e as femininas, negras: distinção que persiste no folclore inglês, onde raízes escuras de mandrágora às vezes recebem o nome de womandrakes.

Shakespeare (1564–1616) menciona em várias passagens pessoas afetadas por mandrágoras, enlouquecidas pelo grito sobrenatural e mortal que se dizia que a raiz emitia ao ser arrancada do solo: “E gritos como os de mandrágoras arrancadas da terra, que fazem enlouquecer os mortais vivos que os escutam” (Romeu e Julieta, IV,3); também se afirmava que o grito da mandrágora podia ser fatal (Henrique IV, Parte 2, III,2) ou que ela era um forte narcótico: “Dê-me mandrágora para beber… para que eu durma durante este grande intervalo de tempo…” (Antônio e Cleópatra, I,5).

A obtenção do pequeno manequim de mandrágora, chamado alraune na Alemanha, é descrita com frequência nos contos populares europeus; de fato, as superstições a seu respeito remontam a Flávio Josefo (37/38–100 d.C.) e Eliano (175–235 d.C.), que aconselham derramar urina e sangue menstrual sobre a raiz para torná-la segura durante a extração. Segundo a magia popular, para obter da raiz o maior poder mágico seria preciso desenterrar uma mandrágora à meia-noite; dizia-se que os melhores exemplares cresciam sob forcas e patíbulos, gerados espontaneamente pela urina, pelas lágrimas ou pelo esperma que caíam dos enforcados. Durante a extração, a mandrágora gritava de modo tão terrível que qualquer pessoa que a ouvisse morreria. Para impedir isso, era preciso tapar os ouvidos com lã, cera ou ervilhas, soltar delicadamente a terra em torno da raiz e então traçar três cruzes sobre ela. Depois, supostamente, devia-se amarrar o rabo de um cão preto faminto à mandrágora e agitar um pedaço de pão diante dele: ao se esforçar para alcançar a comida, o cão voraz arrancava a raiz do solo, mas caía morto ao ouvir o grito.

Durante um julgamento por bruxaria em Rottenburg, perto de Württemberg, por volta de 1650, o acusado afirmou que, para obter dinheiro por meios mágicos, foi nu até uma floresta e ali se masturbou, ejaculando em um pequeno recipiente antes de fechá-lo hermeticamente e enterrá-lo. Depois de um intervalo adequado, isso teria feito nascer uma alraune dentro do recipiente, a qual, segundo ele, lhe proporcionava dinheiro o tempo todo. [19]

Em 1911, Hanns Heinz Ewers publicou seu romance Alraune. A história descreve como um ser feminino é criado, primeiro em pensamento e depois fisicamente, pela fertilização artificial de uma prostituta com o esperma de um criminoso enforcado. A garota de sexualidade desenfreada assim criada passa depois a arruinar todos os homens que encontra, até ser finalmente enganada por seu criador arrependido e cair do alto de um telhado para a morte. [20]

Ewers ganhou notoriedade internacional com o romance, mas também atraiu muitas críticas pessoais por causa de seu conteúdo sexual explícito. Na Alemanha, alguns críticos também consideraram o livro politicamente questionável, alegando que estrangeiros poderiam ser levados a acreditar que os homens alemães já não eram viris o bastante para gerar filhos por meios normais e estavam recorrendo à fertilização artificial para procriar. [21]

Em 1915–16, Ewers escreveu uma continuação chamada Vampyr, cujo conteúdo devia muito a temas ocultistas: cada capítulo do romance é atribuído a uma constelação, uma pedra preciosa e uma letra hebraica; as pedras preciosas também representam uma das 12 Tribos de Israel e uma das joias do éfode, ou peitoral, usado pelo Sumo Sacerdote do Templo Judaico em Jerusalém no Antigo Testamento. A história é inteiramente sangrenta, cheia de seios retalhados, sede sobrenatural de sangue e ingestão de sangue por ordem de uma divindade sanguinária. [22]

Nesse ambiente de golems, homúnculos e seres fecundos artificiais, os neognósticos e adeptos de sociedades secretas anteriores à Primeira Guerra Mundial encontraram material mais do que suficiente para enriquecer os “segredos” de suas ordens.

Três anos depois do aparecimento do romance de Ewers, Eugen Grosche deu à filha, nascida em 1914, o nome “Alraune”, inspirado na anti-heroína. Crowley ficou tão impressionado com Ewers que o considerou como possível tradutor da versão alemã de sua Missa Gnóstica; [23] os dois haviam publicado artigos na revista de propaganda alemã em língua inglesa The International, sediada em Nova York. [24]

Fraternitas Saturni e a Alraune: Philter, Zaubertränke, Räuchermittel, Hexensalben und Lebenselixiere.

Você é meu Criador, mas eu sou seu Mestre — Obedeça! [25]

Uma das características mais marcantes de certas lojas da Ordo Saturni, sediada na Alemanha, é o tema da egrégora da loja, ou espírito de grupo, sendo trazida à vida. Representadas por um busto-estátua em cada loja, essas egrégoras recordam a longa tradição literária de estátuas vivas, ou a lenda de Salomé usando a cabeça decepada de João Batista para obter seus poderes visionários.

O protótipo clássico dessas ideias é “Baphomet”, o suposto ídolo dos Cavaleiros Templários, que também era venerado na forma de uma cabeça ou busto, como ocorria com imperadores romanos divinizados. [26] Nos estatutos secretos dos Cavaleiros Templários [27], dizia-se que Baphomet era invocado pela recitação da primeira sura, ou capítulo, do Alcorão, e dispensado com o capítulo 24 do apócrifo Livro de Sirácida. [28]

Todos os grupos da O.T.O. fizeram uso da ideia de Baphomet — mas, nas lojas saturnianas, ela recebeu muito mais ênfase e foi valorizada muito mais do que em outras ramificações da O.T.O. [29] Assim, embora Baphomet também apareça nos rituais de iniciação da Fraternitas Rosicruciana Antiqua (F.R.A.), parece que eles nunca se envolveram nas peripécias saturnianas. [30]

Em várias lojas da Ordo Saturni estabeleceu-se uma ligação definida entre o tema dos seres astrais artificiais e o vampirismo. A egrégora e seu “ocupante encarnado”, o detentor do grau mais alto da loja, eram fortalecidos pela vitalidade sexual combinada de todos os membros. Eles tentavam criar uma forma de “vampiro astral”, que esperavam ver um dia encarnado como um ser de carne e osso. Era uma inversão da eucaristia cristã, na qual a congregação consome a carne e o sangue transubstanciados de Deus sob a forma de pão e vinho. [31]

Se alguém acredita que os deuses são criados pelo homem, segue-se que a egrégora de uma ordem ocultista também é um deus. Criar com êxito um golem poderia, portanto, significar que até mesmo um deus poderia ser destruído vicariamente por esse golem: um sonho de onipotência realizado. Nas lojas de Saturno, pressupõe-se que o cargo mais elevado permita que a personalidade de seu ocupante se funda ao espírito de grupo, ou egrégora. Do mesmo modo, na O.T.O., o Chefe Externo da Ordem (O.H.O.) também se torna o Chefe Interno da Ordem (I.H.O.). Deus est Homo — Homo est Deus, como foi formulado de modo semelhante, embora em outra conexão, no Liber Agapé de Reuss e Crowley. Outra transformação da união pessoal entre I.H.O. e O.T.O. é atribuída por algumas O.T.O.s crowleyanas ao grau mais elevado e secreto, o XI°.

Visto psicologicamente, no sistema mágico dessas lojas de Saturno a libido podia ser transferida dos parceiros sexuais para a egrégora no plano astral durante a relação sexual. Na prática, isso significava que toda atividade heterossexual e homossexual era mantida em segredo, velada por diversas palavras-código e eufemismos, como Santo, Logos, Saturno etc., para alimentar a vitalidade da egrégora.

Os esforços dessas lojas de Saturno para se identificar com um golem astral, no mínimo, ou então com um homúnculo, uma imagem ou uma estátua trazida à vida para acumular poder, são muito diferentes das práticas de outros grupos da O.T.O. Estes últimos se dedicam, na prática, à busca do “Elixir da Vida” — na forma de secreções psicossexuais — para obter poder pessoal ou entrar em contato com espíritos. [32] Alguns saturnianos, ainda assim, também são membros da O.T.O. do “Califado”, os expoentes mais conhecidos da busca pelo elixir, talvez para manter a maior variedade possível de compras em cada corredor do supermercado ocultista.

Baphomet e a O.T.O.

A egrégora nunca foi uma questão importante para outros grupos da O.T.O. Como escreveu Marcelo Ramos Motta: “a Egrégora [sic] existe, sim, no chamado ‘plano astral’; e é um demônio, isto é, uma entidade ilusória. e não é um verdadeiro Microcosmo, mas uma gestalt de cascas vitalizadas, um foco de tudo aquilo que é negativo, derrotista, sentimentalóide, intolerante e introvertido na natureza humana — um pântano completamente hostil ao progresso e à evolução espiritual da humanidade.” [33]

A publicação de uma versão anterior das seções precedentes deste ensaio [34] despertou algum interesse entre membros da O.T.O. “Tifoniana”, sediada no Reino Unido. Seguindo o exemplo saturniano, eles conceberam então aquilo que chamaram de “Mapa de Egrégoras”, povoado por várias entidades mais ou menos crowleyanas: Lam, Olun, Aiwass, Maat, Babalon e a Besta: “Pode ser definido como o espírito de grupo, a superconsciência, de todos os membros de uma determinada Ordem […] É análogo à execução de programas mágicos de computador em uma rede de adeptos ou membros, a fim de acessar a gnose e a orientação necessárias dos Chefes Secretos. Isso pode ser feito com esses mapas de egrégoras porque eles expressam, por meio de seu simbolismo, as leis da Criação e da Queda. Eles permitem que as pessoas se libertem da ânsia pelo resultado por meio da externalização do Santo Anjo Guardião na egrégora.” [35]

A egrégora é, por definição, uma alma criada, um psicógono; segundo Crowley, serve sobretudo para realizar desejos e, consequentemente, é uma espécie de “espírito auxiliar” que obedece ao Santo Anjo Guardião, como no sistema de Abramelin. O Livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago descreve um método para alcançar a comunicação com o próprio anjo da guarda; todo ser humano possui um poder espiritual individual, uma imagem-espelho divina chamada Santo Anjo Guardião, que restaura o vínculo com o divino para seres humanos mergulhados na matéria. Uma vez estabelecido o contato com o Anjo Guardião — após seis meses lunares de ascetismo e oração devocional constante — o mago pode então, se ousar, invocar exércitos de demônios e espíritos servis para cumprir sua vontade.

O Anjo chega a impregnar o êxtase do orgasmo, a visão do universo como fenômeno contínuo, sem borrões nem emendas; nisso há uma diferença em relação à simples união do homem com Deus. O próprio Anjo também encontra perfeição em seu homem. [36]

Da mesma forma, durante certas práticas de magia sexual em algumas lojas de Saturno e em grupos crowleyanos da O.T.O., a libido dos parceiros físicos reais durante o sexo é transferida do parceiro para a egrégora astral, mas depois é transmitida pelo próprio ego da pessoa e por seus “destacamentos”, como desejos mágicos projetados em talismãs.

Na maioria das vezes, a O.T.O. atua como a mãe da invenção, enquanto Crowley é seu pai. Isso já havia começado com Carl Kellner, que carregava em um medalhão fotografias de integrantes mulheres de seu grupo Memphis–Mizraim. [37]

Kellner via a si mesmo, em termos visionários, como um Sacerdote Babilônico. [38] Ele seguia as crenças de Richard Payne, segundo as quais o Baphomet andrógino une polaridades passivas e ativas, embora Kellner não aceitasse a interpretação de Eliphas Lévi que identificava Baphomet com o Diabo — a mesma figura que Crowley mais tarde usou em sua carta de tarô “O Diabo”.

De fato, Crowley sempre se descreveu como Baphomet em relação à O.T.O. e afirmou que isso reunia nele próprio as chefias Interna e Externa da Ordem — ambos os cargos ligados pelo décimo primeiro grau homossexual da O.T.O. [Isso talvez explique por que William Breeze, chefe ostensivamente heterossexual do “Califado”, assumiu de repente o XI° grau.] Não se sabe se Crowley chegou a tentar dar vida a uma imagem, com a possível exceção do esqueleto que alimentava com sangue em seu “Templo Negro” de Chancery Lane, ou se tentou usar Baphomet como egrégora no sentido saturniano. [39] Quando seu seguidor Jack Parsons tentou criar um homúnculo com a ajuda da magia sexual e de L. Ron Hubbard, fundador da Cientologia, Crowley reagiu com irritação e chamou o caso de “absurdo”. [40] Em 1914, Aleister Crowley havia escrito sua instrução de X°, De Homunculo Epistola, na qual descrevia como uma mulher era magicamente preparada para conceber um homúnculo, embora demonstrasse pouco entusiasmo pela ideia. Talvez tivesse recebido alguma inspiração de Somerset Maugham, cujo romance The Magician, de 1907, trazia um vilão chamado Oliver Haddo, baseado diretamente em Crowley; na história, Haddo fabrica um homúnculo por artes diabólicas. [41]

Nos estatutos originais da O.T.O., o O.H.O. deveria ser eleito por votação de todos os membros de X°, uma regra suficientemente lógica que foi desrespeitada por Hermann Joseph Metzger, da O.T.O. suíça, e por William Breeze, do atual “Califado”, pois ambos foram eleitos apenas por certo número de membros de IX°. Tentando parecer mais legítimo, Breeze recorreu ao artifício explícito de selecionar alguns seguidores leais e transformá-los em X°s temporários e honorários, que então prontamente “elegeram” Breeze como líder.

De um ponto de vista freudiano, Crowley, também conhecido como “Baphomet XI°” [42], ocupa o papel de uma figura paterna idealizada em sua recensão da O.T.O., embora ele próprio tenha permanecido eternamente à procura do “grande Pai ausente”. Ao idolatrar Crowley/Baphomet dessa maneira, seus seguidores posteriores frequentemente alimentam atitudes sádicas e anais precocemente regressivas, que tendem a se manifestar como agressão oral — consequência de uma perturbação significativa do equilíbrio entre fantasia e realidade. [43]

Como ídolo central da O.T.O. crowleyana ergue-se um falo dourado, com o qual o mago sexual deve identificar-se, sob a forma de um pênis ejaculando. Nas O.T.O.s dessa escola há pouca possibilidade de usar esse comportamento falocêntrico e narcisista como meio de obter comunhão com uma egrégora. As energias liberadas desse modo gerariam desordem nos praticantes, pelo menos nos graus superiores, com a imitação direta de Crowley estimulando relacionamentos problemáticos e dependência de drogas. Aqui não há Gnose, mesmo quando o sentimento gnóstico de uma existência intolerável se reflete em várias versões diferentes da O.T.O., todas em guerra umas com as outras; elas apenas mostram que existe um abismo escancarado entre os lugares apodrecidos da gnose e o Pleroma.

Nessas O.T.O.s, a luz no fim do túnel para os buscadores é um brilho cadavérico produzido por esquemas cuidadosamente arquitetados e por estímulos à sensualidade e à autoindulgência; ele ilumina uma boca cheia de sêmen e nada além de imagens prontas, imitadas, regurgitadas e inteiramente fabricadas sem fim. [44]

Os Neurosicrucianos

Arriscando uma pequena interpretação mágico-psicológica, é razoável supor que as lojas de Saturno que examinamos jamais conseguiram realizar a união do ocupante humano de seu cargo mais elevado com a egrégora. Aparentemente, essa é a razão pela qual a O.T.O. se dividiu em cismas durante a época de Crowley; as lojas de Saturno ainda não conseguiram [45] invocar os espíritos de Plutão necessários à união, e isso significa que o golem saturniano, ou melhor, o Golem O.T.O. Fraternitas Saturni, fragmentou-se nas ramificações narcisistas de Eugen Grosche e seus aliados.

Se esse líder humano saturniano carece de carisma, os esforços de seus seguidores só podem ser dedicados ao serviço da egrégora, carregando-a como uma bateria; se esse líder deixa de permanecer em segundo plano, as energias mágicas podem refluir em vez de se dissipar. Essa última possibilidade talvez só funcione se o líder evitar a armadilha da insensatez narcisista causada por dependência excessiva da egrégora — desde que se separe daqueles membros da loja que exercem influência sobre a transmissão psicológica. Essa prática só foi tentada na O.T.O. do “Califado”, em contraste com o grupo de H.J. Metzger, onde o chefe da Ordem, o “Califa”, permanece oficialmente incomunicável, salvo por pronunciamentos ex cathedra; [46] paradoxalmente, o Califa precisa ser considerado magicamente impotente. [47]

Uma identificação reprimida [48] com Crowley como figura paterna universal, bissexual ou homossexual, demonstrou ser uma barreira particular ao desenvolvimento pessoal de muitos seguidores do Califado. O resultado foi uma “saída do armário” fanática e supostamente engajada socialmente do Califado como comunidade religiosa publicamente reconhecida [49], acompanhada pelo ocultamento de quase todas as suas doutrinas mágicas [50] e sexuais. [51] Assim, muitas de suas publicações doutrinárias são classificadas como provenientes da outra ordem ocultista de Crowley, a Argenteum Astrum [A.·. A.·.], sempre que deixam de mencionar diretamente a O.T.O. [52]

Recentemente, esse grupo instruiu seus membros a separar a figura “problemática” de Aleister Crowley de sua doutrina de Thelema, embora Thelema ainda deva ser considerada “a Verdade Mais Elevada deste Æon”. Isso substituiu efetivamente o pensamento crítico por todos os adornos da crença em um culto, com ênfase na importância do ritual por si mesmo e com a adição de novos mitos irrelevantes. Qualquer informação capaz de estimular dissidência é suprimida [53], e medidas para censurar os que saem da linha agora fazem parte dos estatutos do grupo. [54] A Espermo-Gnose é tratada como segredo comercial, protegido por ameaças jurídicas em grande parte vazias e usadas regularmente para intimidar pessoas de fora. Assim, o Califado — que agora afirma ser a única O.T.O. “verdadeira” — proclama sua incapacidade de errar, ao mesmo tempo que continua recorrendo aos tribunais para combater toda crítica vinda de críticos, da “maioria” moral, da imprensa ou da polícia. Foi introduzida uma estratégia ativa de gerenciamento de notícias e, como sempre, a verdade costuma ser a primeira vítima.

De modo geral, quanto menos proeminente for um líder saturniano ou O.H.O., maior será a importância da magick dos Membros. Evidentemente, uma loja ou ordem desse tipo ficaria completamente fora do contexto da sociedade dominante. Talvez essa seja uma das razões pelas quais William Breeze permitiu tão graciosamente que seu nome completo, como Califa do Califado, aparecesse como editor de várias reimpressões “oficiais” de Crowley.

Os homens são terrivelmente deformados pela Luz [55]

No fim, todos os sistemas de magia sexual parecem fracassar quando suas técnicas perturbam o equilíbrio psicológico, sem falar no metabolismo do corpo; quaisquer lacunas, como um vazio na imagem de si, são preenchidas com substitutos sintéticos, como o falo, a egrégora, Crowley etc. Apesar de uma regulamentação rígida da vida cotidiana, as relações interpessoais fora da realidade artificial dos grupos da O.T.O. ou das lojas de Saturno encolhem até o nível de atribuir aos outros as próprias falhas. Isso produz dependência, medo de perseguição, confiança em maldições ou rituais de destruição e evocação da ajuda de demônios. Por exemplo, durante a Páscoa de 1992, Gertrude Zellhuber, também conhecida como “Lara” e mãe de uma suposta futura reencarnação do fundador da Fraternitas Saturni, Eugen Grosche, convenceu-se de que estava sob ameaça mágica de um antigo Grão-Mestre da F.S. chamado Walter Jantschik. Embora a egrégora e os necessários espíritos de Plutão [56] tenham sido devidamente evocados, Jantschik não percebeu absolutamente nada, o que presumivelmente deixou essas intenções hostis livres para sair por aí e causar estragos entre outros supostos inimigos de Lara & Cia., como o Temple of Set. [57]

Uma desaceleração do autodesenvolvimento pode induzir diretamente ao pensamento mágico, enquanto a ênfase excessiva no instinto e no impulso pode enfraquecer o controle sobre o comportamento sexual e agressivo. Esse estado particularmente polarizado se caracteriza por uma ênfase exagerada em atividades autoeróticas e autocentradas — em outras palavras, “faça o que é da sua vontade” vulgarizado em “faça o que quiser”. Isso pode alterar a autoestima, a identidade e os papéis sexuais e sociais de uma pessoa. Distorcer deliberadamente a libido pode tornar-se um jogo perigoso na magia sexual.

Crowley identificou-se claramente com sua própria religião/filosofia chamada Thelema. [58] Teria Thelema, portanto, se revelado um defeito na fase edipiana [59] do Novo Æon, favorecendo tendências à neurose [60] e à psicose? [61]

Aqui também se poderia citar Sigmund Freud, que opinava que a neurose chamada religião se origina “do complexo de Édipo, da relação com o pai”. [62]

Notas finais

[1] Pesquisa do historiador judeu Gershom Scholem (1897–1982). Uma visão extremamente informativa dos golems é apresentada por Moshe Idel em sua monografia Golem, Jewish Magical and Mystical Tradition on the Artificial Anthropoid, Nova York, 1990. A mesma obra em alemão: Der Golem. Jüdische magische und mystische Traditionen des künstlichen Anthropoiden, Frankfurt am Main, 2007.

[2] Provavelmente é por isso que não existem instruções explícitas para a produção de um golem. Há diversas indicações, como quais letras hebraicas devem ser combinadas e se os nomes mágicos resultantes são escritos na poeira ou com água, porém faltam regras claras e específicas.

[3] Citado em Charles Waldemar: Magie der Geschlechter, Munique, 1958, p. 277. Waldemar havia publicado um livro de referência sobre cultos sob o pseudônimo Gerhard Zacharias: Satanskult und Schwarze Messe, Wiesbaden, 1964. Em 12 de outubro de 1955, fez seu primeiro contato com “Frater” [sic] Anita Borgert, da Ordo Templi Orientis suíça, usando seus “nomes no Mundo de Maya”. Possuía alguns manuscritos raros de Crowley, pelos quais manifestou entusiasmo. Assinou pelo menos uma de suas cartas para mim, o presente autor, como 5°=6° Argenteum Astrum, e escreveu livros contendo suas fórmulas “para o amor sem a preocupação do coito”, bem como para autoconfiança, potência, atração amorosa e ioga. Naquela época também estavam à venda o Aparelho de Eletroacupuntura de Waldemar, massageadores dorsais folheados a ouro, lençóis à prova de sol, equipamento ionizador de oxigênio e aparelhos para reflexologia dos pés.

[4] Paracelso: De generatione rerum, em Werke, Leipzig, 1921. Citado em Charles Waldemar: Magie der Geschlechter, Munique, 1958.

[5] A.W. Meyer: The Rise of Embryology, Stanford, 1939.

[6] Volume IV, Leipzig, 1906, p. 207. Logo depois da seção seguinte, o autor passa subitamente a expor as razões da existência da homossexualidade, um “problema” que seria resolvido “apenas de modo psicométrico”.

[7] Francis King: The Secret Rituals of the OTO, Londres, 1973, p. 231; manuscrito autógrafo de Crowley em P.R. Koenig: How to make your own McOTO, Munique, 1996, p. 162; Anthony Naylor & P.R. Koenig: O.T.O. Rituals and Sex–Magick, Thames, 1999, p. 475.

[8] Consideration of an Open Letter to Labour.

[9] Liber CI. Ordo Templi Orientis. An Open Letter to Those Who May Wish to Join the Order, Enumerating the Duties and Privileges, Detroit, 1919, blueequnox.org/html /documents/ class_bliber101.html.

[10] Publicado apenas 12 anos depois. Moonchild (Liber LXXXI — 81), Mandrake Press, Londres, 1929.

[11] É possível que William Somerset Maugham tenha inspirado Crowley com seu romance de 1907, The Magician, no qual o vilão de Maugham, Oliver Haddo, claramente baseado em Crowley, que Maugham conhecera em Paris, fabrica vários homúnculos monstruosos.

[12] p. 274.

[13] Em Sandmann (1817), E.T.A. Hoffmann conta a história de um autômato que também é vampiro.

[14] Adaptado para o musical My Fair Lady e filmado em 1964.

[15] Hoje, com a ajuda da engenharia genética, da cibernética etc. Trechos dessas histórias aparecem em Künstliche Menschen. Dichtungen und Dokumente über Golems, Homunculi, Lebende Statuen und Androiden, organizado por Klaus Völker, Munique, 1971. Um breve ensaio que trata dos robôs sob esse aspecto aparece em John Cohen: Golem und Roboter, Frankfurt am Main, 1968.

[16] Wilfried Kugel: Der Unverbesserliche, Düsseldorf, 1992, p. 411.

[17] Albin Grau, protagonista da Fraternitas Saturni, desenhou os cenários de todos esses filmes.

[18] Mais recentemente, o tema apareceu em autores como Philip K. Dick, como no filme Blade Runner, adaptação do romance de 1968 Do Androids Dream Of Electric Sheep?; Alfred Bester, Golem 1000, 1980; Stanislaw Lem, Golem XIV, 1967/1987; Karel Capek, que criou a palavra “Robot” para os trabalhadores artificiais de sua peça de 1921 R.U.R.; e os simulacros de Gilles Deleuze, Paul Virilio, Jean Baudrillard e Pierre Klossowski. Uma peça teatral baseada no mito clássico de Galateia estreou na Suíça em 1972, expressando o sonho eterno de um homem por uma mulher inteiramente devotada a ele. Na peça, uma reelaboração de uma Alpensaga, conto de fadas das montanhas suíças, alguns camponeses criam uma Sennentuntschi, mulher artificial cultivada dentro de uma garrafa a partir de uma mistura de esterco e queijo. Como seria de esperar, a Sennentuntschi logo se liberta das investidas deles. A peça foi exibida na televisão suíça em 1981 e provocou um processo por blasfêmia. O tema da Sennentuntschi retornou em um filme de terror de 2010 com o mesmo título. Alguns camponeses gananciosos, bêbados de absinto numa cabana alpina, dão vida a uma boneca de palha e a estupram. A voluptuosa boneca de prazer, porém, mata impiedosamente um de seus algozes, arrancando-lhe a pele por cima das orelhas, curtindo-a e pregando-a no telhado da cabana.

[19] Handbuch des deutschen Aberglaubens, Volume 1, Berlim, 1927, p. 318.

[20] Em 1952, o romance Alraune, de Hanns Heinz Ewers, foi adaptado para o cinema, com Hildegard Knef no papel-título. No filme, ela cantou Lied vom Einsamen Mädchen [Canção da Garota Solitária], música regravada em 1985 por Nico, famosa por sua ligação com o Velvet Underground, e em 2003 por Martin Gore, do Depeche Mode.

[21] Wilfried Kugel: Der Unverbesserliche, Düsseldorf, 1992, p. 165.

[22] Kugel, Der Unverbesserliche, p. 227.

[23] Diário de Aleister Crowley de 31–10–1930: “Ideia: conseguir que Ewers traduza a Missa Gnóstica.”

[24] Fac-símile em The Milieu of the Templar’s Reich.

[25] “Você é meu Criador, mas eu sou seu Mestre — Obedeça!”, Mary W. Shelley: Frankenstein or The Modern Prometheus, 1818. Parte desta seção, centrada na Ordo Saturni, foi apresentada pelo autor como uma palestra da C.E.S.N.U.R. na London School of Economics, em 1993.

[26] Existem numerosas obras acadêmicas publicadas por volta de 1900, por exemplo: Konrad Schottmüller: Templer–Orden (2 volumes), Berlim, 1887; Wilhelm Havemann: Geschichte des Ausgangs des Tempelherrenordens, Stuttgart, 1846; Hans Prutz: Die geistlichen Ritterorden, Berlim, 1908; e muitas outras.

[27] Hans Prutz: Geheimlehre und Geheimstatuten des Tempelherren–Ordens, Berlim, 1879, reimpresso em Munique, 1979.

[28] Provavelmente escrito por volta de 180 d.C.; classificado como pertencente aos Apócrifos.

[29] O Chefe Interno da Ordem talvez seja Baphomet. Alguns também veem o espírito tutelar de Crowley, Aiwaz, como I.H.O.: “sua função é a destruição”, ou até mesmo a Estela da Revelação / da Atrocidade. O Chefe Externo da Ordem é o “órgão da fala”, ou porta-voz, e significa o líder mundial da O.T.O. Na O.T.O., Baphomet não existe sob a forma de busto.

[30] Na Ariosophische ATB–Tempel–Hof–Gesellschaft de Viena, Baphomet aparece como um busto de duas cabeças, homem e mulher, supostamente destinado a garantir a harmonia entre Deus e a humanidade por meio da “força baphomética” em um “casamento cósmico”. Einblick in die Magische Weltsicht und die Magischen Prozesse, Viena, 1988.

[31] Isso lembra o conto Rautavaara’s Case, de Philip K. Dick, incluído em We Can Remember It For You Wholesale, Londres, 1991. A biografia e as obras de Dick revelam que ele foi um gnóstico moderno. Por exemplo, sua irmã, morta na vida real, surge em seus romances como uma divindade criadora feminina e maligna. Lawrence Sutin: Divine Invasions: A Life of Philip K. Dick, Nova York, 1989. Sutin também é autor de uma biografia de Crowley: Do What Thou Wilt, Nova York, 2000.

[32] Esse “segredo”, isto é, que o grau mais elevado está em união pessoal com a egrégora, que depois deverá encarnar na carne, foi durante muito tempo conhecido apenas pelo 33° da Ordo Saturni. Johannes Maikowski, líder de outra Loja Saturniana, por exemplo, nada sabia disso. A publicação desse segredo no início da década de 1990 provocou caos em muitas lojas de Saturno e perda de membros, entre eles Barbara Weisz e Ottmar Domainko, aos quais se devem muitos agradecimentos por terem sido os primeiros a revelar esses detalhes. Havia um orifício no busto da egrégora do líder da Ordo Saturni, Dieter Heikaus (1942–2007), usado para receber os ingredientes especiais: sangue e esperma. Esse busto precisava ser periodicamente “revivido” por meio de rituais de grupo. Carta de Dieter Heikaus a Walter Jantschik, antigo Grão-Mestre da Fraternitas Saturni, 30–7–1984.

[33] Marcelo Ramos Motta: Letter to a Brazilian Mason, Nashville, 1980, p. 12, carta datada de 9–12–1963, disponível on-line.

[34] Barbara Weisz, Ottmar Domainko, P.R. Koenig: Saturn–Gnosis, em Abraxas, Texas, março de 1993.

[35] Michael Staley em LAM: The Gateway, em Starfire 1:5, Londres, janeiro de 1996, p. 93.

[36] Crowley na revista Aequinox, de H. J. Metzger, nº IX 49.10.

[37] Outra fotografia mostra o lamen do rito Memphis–Mizraim: uma esfinge diante de uma pirâmide, com um sol brilhante acima.

[38] No início do Volume 3 de Ordo Templi Orientis RELOAD, Munique, 2011, citado como Asana ist stetig [Asana é estável].

[39] O fato de Crowley alimentar um esqueleto provavelmente não conta como reviver uma egrégora.

[40] Jack Parsons e Marjorie Cameron Parsons Kimmel, nascida em 23–4–1922, pretendiam dar à luz a divindade thelêmica Babalon. Marjorie Parsons permaneceu amiga íntima do Califa até sua morte, em 24–7–1995.

[41] Virar de cabeça para baixo este desenho, feito em 1919, revela a imagem de uma mulher dando à luz pelo ânus. Ver também: The Secrets of the Rosycrucians.

[42] Mais uma vez, a união pessoal da egrégora com o líder mais elevado. Provavelmente essa é a razão pela qual Eugen Grosche recusou-se a aceitar Aleister Crowley como líder da Fraternitas Saturni.

[43] Em Liber OZ, sua própria declaração thelêmica de direitos humanos, o “Santo Padre” Crowley afirma que “o Homem tem o direito de matar aqueles que impedirem esses direitos” e que “os escravos servirão”.

[44] G. Herman, também conhecido como Max Ferdinand Sebaldt: permanece “antes de todas as coisas a máquina de costura como a grande sedutora da sensualidade solitária”, citação de Herman de L’onanisme chez la femme, de Pouillet, Paris, 1880, e leitura obrigatória na O.T.O. de Reuss, como segue, numa cena ambientada numa fábrica de uniformes militares:

“Em meio ao zumbido regular de cerca de 30 máquinas de costura, de repente ouvi uma máquina funcionando num ritmo muito mais acelerado. Voltei-me para a costureira em questão, uma morena de 18 a 20 anos. Enquanto cuidava automaticamente da peça que costurava, seu rosto se iluminou, sua boca se abriu ligeiramente, suas narinas estremeceram, seus pés moviam os pedais em velocidade cada vez maior. Pouco depois notei um olhar fixo, suas pálpebras baixaram, seu rosto empalideceu e ela inclinou a cabeça para trás. Mãos e pés de repente pararam e se esticaram: um grito abafado, seguido de um suspiro profundo, perdeu-se no ruído ao redor.” Theodor Reuss: Aufbau–programm und Leitsätze der Gnostischen Neo–Christen OTO, Bad Schmiedeberg, 1920; em P.R. Koenig: Der Kleine Theodor Reuss Reader, Munique, 1993, p. 77.

[45] Mais sobre essa necessidade mágica do conceito de egrégora em: Marlene Leander, pseudônimo de Weisz, Domainko e König: Von Kopf bis Fuss auf Liebe eingestellt, em AHA 2/93. Fac-símile em P.R. Koenig: In Nomine Demiurgi Nosferati, Munique, 1999.

[46] Michael Staley, da Typhonian Order, por outro lado, pode ser encontrado facilmente no MySpace e em lashtal.com.

[47] O fato de não existir uma linha ininterrupta de sucessão de Crowley a Breeze torna o “Califado” comparável a uma fotocópia de uma fotocópia.

[48] Como Crowley morreu há muito tempo, sempre surgem novas pessoas que se autoproclamam reencarnações dele. Os líderes já são adorados quase com a mesma devoção dedicada a uma figura paterna. No museu da Ordem suíça de Metzger ainda se podem admirar os sapatinhos de bebê preservados de seus filhos, expostos numa caixa de vidro.

[49] Crowley recusava a ideia de que sua O.T.O. fosse uma ordem religiosa. O status religioso, porém, oferece muitas vantagens jurídicas e fiscais nos Estados Unidos: o Califado pode recorrer às leis contra discriminação religiosa quando se sente ameaçado, pode anunciar abertamente produtos a seus seguidores e pode até determinar salários mínimos estatutários para seus membros. Assim, novos membros do Califado devem cumprir 12 horas de trabalho gratuito para a ordem — e quem se recusa precisa pagar 12 dólares adicionais. Magical Link III:12, Berkeley, dezembro de 1983.

[50] Liber XXII é um exemplo particularmente notório disso e, de fato, constitui um subcapítulo de Liber CCXXXI.

[51] Por exemplo, já mencionados: a Missa da Fênix, Liber Nu, Liber Had, Liber Astarte, Liber Thisharb, Liber VII, X, LVX, XC e CCXXXI.

[52] Isso também é demonstrado pela litigiosidade extrema do Califado em relação a supostos direitos autorais.

[53] Especialmente nesse ponto, eles reagem com extrema sensibilidade a qualquer crítica.

[54] Membros desobedientes são submetidos a uma chamada Inquisição, prática introduzida por Crowley e de fato bastante semelhante a uma inquisição espanhola: sem defesa, sem testemunhas e sem depoimentos anônimos. O “Grande Inquisidor” é investigador, promotor e juiz ao mesmo tempo. Para evitar expulsão sumária pelo comitê de inquisição, que é anônimo, sem consulta nem oportunidade de defesa, os condenados precisam pedir desculpas publicamente e implorar perdão. No caso do Califado, vários membros acusados acabaram rompendo com o grupo para fundar novas O.T.O.s: por exemplo, depois que o “Grande Inquisidor” Ben Fernee interrogou os membros britânicos Irene e Frank Rietti em 1996, eles criaram sua Foundation O.T.O. Três anos depois, Fernee sofreu o mesmo destino, prova de que até inquisidores podem ser sumariamente dispensados. Os pedidos públicos de desculpas servem menos como punição do que como desestímulo a novas dissidências e comportamentos inadequados. O controle do Califado sobre o comportamento público e suas ameaças de inquisição e expulsão são mais importantes do que qualquer ideia de reforma do pensamento. Embora também existam ataques externos — úteis porque um inimigo comum tende a unir o grupo —, a dominação dentro do grupo é a mais implacável: o líder governa os membros de cima para baixo, enquanto os mais dedicados perseguem os menos comprometidos; é um espetáculo contínuo dentro do Califado. Exemplos em Fetish, Self–induction, Stigma, and Role Play.

[55] Rainer Maria Rilke: Das Buch der Bilder, Menschen bei Nacht.

[56] Segundo os relatos de várias testemunhas oculares, o Grão-Mestre da Ordo Saturni Dieter Heikaus afirmou diversas vezes que a Sra. Zellhuber e ele próprio eram os únicos representantes da loja. Vi pessoalmente que Zellhuber, durante reuniões da loja, possivelmente apoiadas por magia sexual e “drogas raras, das quais falarei ao meu profeta”?, era tomada por espasmos e precisava recolher-se à cama. A Sra. Zellhuber ainda possui um dos cinco bustos de egrégora produzidos pela Ordo Saturni. Durante uma visita à minha casa, ela certa vez me contou que havia feito uma dança ritual sobre uma bandeira com uma suástica no porão da casa de Heikaus. Seus colapsos nervosos eram vistos por ela como ataques mágicos e respondidos com contra-ataques mágicos, por exemplo contra Walter Jantschik e ex-membros da O.S., ou contra o Temple of Set. Ver também: Barbara Weisz e Ottmar Domainko, também conhecidos como Marlene Leander, Der OZ in der Krise — Requiem auf einen esoterischen Studierverein, em AHA, 1993; fac-símile em Koenig, Nosferati, p. 337.

[57] “Chamamos o GOTOS de ‘venerável’ na Ordo Saturni […] Trazemos a Você, GOTOS UTUIT, o sacrifício perfeito e imaculado. Sor. Lara [Sra. Zellhuber], filha da noite, realize a Obra Sagrada […] GOTOS UTUIT, com esperma eu unto sua cabeça […] Sanctus Saturnus, você não tolera traição, não tolera infidelidade, pune todos os que desejam prejudicar a Ordo Saturni e Sor. Lara […] Agiel, Sanctus Saturnus, Zazel, Adonai, Braphiel, Barzabel […] Execute minha vontade divina […].” Supostamente redigido por Guido Wolther, também conhecido como “Daniel” e também antigo Grão-Mestre da Fraternitas Saturni, temperado com esperma, Crowley e ideias thelêmicas por Dieter Heikaus. Conversa com a Sra. Zellhuber/Lara em 14–10–1992.

[58] Por exemplo, 22–10–1920: “Eu sou a Besta […] Eu sou Thelema”; e 27–5–1917: “Eu mesmo, AIWAZ, tenho pensado o tempo todo em como agir em relação ao corpo e à mente de Crowley.” 14–6–1917: “Estou chegando bem perto do reconhecimento habitual de mim mesmo como AIWAZ.” Em ambos os casos, AIWAZ é grafado com letras hebraicas.

[59] Existem várias tentativas de definir o que se pode entender pela chamada “fase edipiana”. No contexto do fenômeno O.T.O., existe uma ligação entre figuras paternas e papéis maternos; ou, em outras palavras, com Crowley, a ordem e os rituais. Sobre rituais, ver Fetish, Self–induction, Stigma, and Role Play.

[60] Existem várias tentativas de definir o que se pode entender por “neurose”. Em resumo, as neuroses se relacionam à necessidade de esquecer aspectos da realidade ao custo parcial de sua percepção.

[61] Assim como ocorre com o termo “neurose”, existem várias tentativas de definir o que se pode entender por “psicose”. Aqui uso “psicose” para designar a necessidade de adquirir realidades parciais fora da percepção predominante.

[62] Sigmund Freud: Die Zukunft einer Illusion, Viena, 1927; volume 2, Frankfurt am Main, 1978, p. 357. A proibição de matar o pai está ligada ao tabu do incesto e ao complexo de Édipo. Se um menino, durante sua fase edipiana de desenvolvimento, deseja a mãe ou a irmã, o tabu proíbe a pacificação desejada.

Créditos & traduções

Texto, fontes, traduções
© Peter-R. Koenig, 2011/2017. Diversas partes foram adaptadas de www.parareligion.ch/fs2.htm e www.parareligion.ch/fs3.htm.

Tradução de Mark Perry–Maddocks.

O Poder Criativo. Golems e Homúnculos.

Tradução francesa: Le pouvoir créateur
Tradução romena: Puterea Creatoare
Tradução russa: Творческая сила

Este é um subcapítulo abreviado de Der O.T.O.–Phänomen RELOAD.

Os direitos das imagens e do texto permanecem com seus respectivos proprietários. Consultas sobre reutilização/licenciamento: koenig@parareligion.ch.

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Fonte: The Creative Power — Peter-R. Koenig




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