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Nathalie Mendes: a Engenheira do Tarô

Este texto já foi lambido por 24 almas.

Nascida em 1972, na região da Alsácia, França, desenvolveu uma trajetória profissional que combina formação em engenharia com os estudos das tradições esotéricas. Sua visão diferenciada aliou o rigor de das exatas com a riqueza do simbolismo das ciências humanas. Logo se destacou com o escritora, taróloga, palestrante e especialista em simbolismo esotérico.

Em 2018 levou suas ideias a diante ao consolidar a Tarot Académie by Sheluna, uma escola  voltada ao ensino do tarô esotérico estudando as relações com diferentes tradições simbólicas. Sua proposta pedagógica foi resumida em 2024 na obra “Décodez les mystères et les clés du tarot: manuel pratique”. Publicado no Brasil pelo Grupo Pensamento sob o título “Decodificando a linguagem oculta do tarô”.

Publicado no Brasil em 2026 pela Editora Pensamento-Cultrix

Na entrevista a seguir autora comenta um pouco de seus estudos e produção da obra, a entrevista foi publicada no canal francês “Les rendez-vous de l’invisible” por ocasião do lançamento da edição francesa.

Espiritualidade Concreta

Nathalie Mandez, você poderia nos contar quem é, qual foi sua trajetória no universo esotérico e como acabou se aproximando do tarô?

Minha vida sempre foi muito marcada pela espiritualidade e pelo esoterismo. É algo que faz parte de mim desde que consigo me lembrar. Aos poucos, fui explorando diferentes áreas, como fitoterapia, litoterapia, xamanismo e runas. Era como se estivesse procurando alguma coisa que realmente falasse comigo. Percorri diferentes ciências e artes, movida pela curiosidade e pela vontade de descobrir coisas novas. E, a cada vez, o tarô reaparecia, como se dissesse: “Ei, estou aqui!”. Mas eu continuava meu caminho.

Acredito que o tarô apareceu na minha vida umas dez vezes, sem que eu estabelecesse uma conexão verdadeira com ele. Até que, um dia, aconteceu uma espécie de estalo, uma iluminação. Eu disse: “Uau, o tarô é maravilhoso! Agora ele fala comigo, agora faz sentido!”. Hoje, olhando para trás, penso que talvez ainda não estivesse preparada nas primeiras vezes em que ele surgiu. Eu não tinha aquela conexão com o simbolismo que cada arcano poderia representar.

Preciso me apoiar em algo concreto, porque, embora fale de espiritualidade, sou uma pessoa bastante racional. Minha formação original é em engenharia e trabalho com gestão em grandes grupos internacionais. Portanto, existe em mim essa combinação entre uma perspectiva muito espiritual e outra extremamente racional.

Foi justamente quando descobri toda a riqueza do tarô, seu simbolismo e a quantidade de mensagens que ele contém, que me apaixonei por ele e comecei a praticá-lo.

Minha carreira profissional começou na informática. E, embora esse universo seja muito racional, lógico e estruturado, minha intuição sempre esteve presente. O fato de trabalhar nessa área nunca significou fechar as portas para esse sexto sentido ou para tudo aquilo que fazia parte da minha vida espiritual. Sempre consegui conciliar essas duas dimensões. Elas foram se construindo como os dois lados de uma mesma moeda, formando a Nathalie que está aqui hoje.

O tarô como linguagem simbólica

Imagino que, quando começou a praticar cartomancia, você tenha utilizado outros baralhos além do tarô, como os oráculos. O que fez você se aproximar mais do tarô?

Acho que gosto de complicar minha própria vida!

Nos oráculos, muitas vezes existe uma pequena mensagem na parte inferior da carta explicando seu significado. Eu achava isso fácil demais. Mesmo quando dizia a mim mesma: “Não olhe a mensagem”, a primeira coisa que fazia era justamente ler o texto.

Então pensei: “Vou trabalhar com as lâminas do tarô”, porque nelas, além do nome da carta, é preciso realmente mergulhar na imagem e tentar compreendê-la. E é justamente aí que está a magia.

É como quando vamos a um museu e ficamos diante de uma pintura. Não se trata de tirar um guia do bolso ou ouvir um áudio explicando o significado da obra. Trata-se simplesmente de ficar diante dela e tentar compreender o que o artista quis transmitir.

Por que escolher determinada cor? Por que utilizar aquelas formas? Por que colocar uma árvore ali e um pássaro acolá? É preciso tentar decifrar tudo isso e recorrer às próprias sensações para compreender o que a obra representa.

Aliás, o tarô é uma obra, até mesmo uma Grande Obra alquímica. Encontramos essa noção de percurso iniciático dentro das 22 lâminas maiores.

Costumo ouvir muitas pessoas dizendo que o tarô é difícil. O que você responderia a elas?

Acredito que as coisas se tornam mais fáceis quando estamos verdadeiramente motivados e temos vontade de aprender. Precisamos fazer as coisas com paixão, não simplesmente porque estão na moda ou porque todo mundo está fazendo. É necessário que exista uma conexão verdadeira conosco.

Para mim, o tarô não é difícil quando nos dispomos a aprendê-lo. É verdade que ele pode parecer intimidador à primeira vista, principalmente quando observamos os baralhos antigos. Mas foi justamente pela curiosidade e pela vontade de compreender o simbolismo que consegui me aproximar dele.

Não procuro simplesmente entender o significado convencional de um arcano. Não penso: “O Mago significa um novo começo, o início de alguma coisa”, e assim por diante. Quero descobrir qual é a mensagem iniciática presente na carta e construir uma história a partir dela.

É por isso que, nas minhas formações, ensino às minhas alunas essa famosa fábula, esse percurso iniciático do peregrino que atravessa os arcanos maiores e amadurece depois de cada etapa, depois de cada marco de sua vida.

Foi justamente ao me reconectar com essa história que consegui compreender o tarô. É como assistir a um filme. Todos nos lembramos de Branca de Neve, de Cinderela e dos contos e lendas da infância, porque são histórias. Quando aprendemos por meio de uma narrativa, em vez de tentar memorizar mecanicamente palavras-chave e significados das cartas, tudo se torna muito mais fácil.

Sou uma pessoa muito conectada ao coração e à maneira como sinto as cartas. Preciso dessa conexão, desse pequeno espaço para o sonho e para a imaginação.

A estrutura do tarô e a escolha dos baralhos

Outra coisa importante é compreender a estrutura do tarô. Quando alguém abre uma caixa e encontra 78 cartas, pode ficar assustado, principalmente diante de um Tarô de Marselha. Como você recomenda começar?

O tarô possui 78 cartas, mas podemos perfeitamente começar pela primeira grande família, que são as 22 lâminas maiores. Aliás, foi exatamente isso que fiz no livro. Depois, quando dominamos essas cartas, passamos para as 56 menores.

Como sempre digo, um elefante é comido uma mordida de cada vez. Com o tarô acontece a mesma coisa: começamos aos poucos.

Acredito que os arcanos maiores sejam um excelente ponto de partida, porque apresentam muitos personagens e muito simbolismo. Eles também nos familiarizam com os elementos e naipes que encontramos no tarô, já que esses elementos aparecem nas próprias lâminas maiores.

Qualquer pessoa é capaz de trabalhar inicialmente com 22 cartas. E, embora possam parecer poucas, é possível fazer coisas extraordinárias com elas. Durante anos, pratiquei tarô utilizando apenas os 22 arcanos maiores. Portanto, não é necessário usar o baralho inteiro.

Além disso, vejo o tarô como um verdadeiro companheiro do cotidiano. É uma ferramenta que está sempre presente e que utilizo regularmente como guia. Quando preciso de uma confirmação ou compreender determinadas situações, recorro a ele como se fosse um companheiro com quem converso e troco ideias.

Quando utilizamos os 22 arcanos maiores dentro de uma perspectiva de desenvolvimento pessoal e psicológico, encontramos a noção de que esses arcanos representam arquétipos, imagens muito próximas da psicologia junguiana. Entramos, portanto, no campo da psicologia humana, porque esses arquétipos descrevem as grandes facetas do ser humano.

Com essa perspectiva, já conseguimos realizar tiragens bastante completas. Dependendo do método escolhido, da posição das lâminas e da quantidade de cartas utilizadas, podemos descobrir diferentes aspectos sobre o consulente ou sobre nós mesmos, caso estejamos fazendo uma leitura pessoal.

Existem inúmeros baralhos de tarô. Que conselho você daria a alguém que deseja escolher seu primeiro jogo?

Para mim, a escolha acontece em duas etapas. A primeira é selecionar um baralho voltado ao aprendizado. Quando queremos aprender tarô, considero complicado começar com um baralho temático, porque ele pode não apresentar aquele simbolismo tradicional que considero tão importante.

Encontramos essa riqueza nos baralhos do tipo Marselha, como o Camoin-Jodorowsky, o Grimaud e também em versões mais antigas, como as de Dodal e Payen. O Rider-Waite também pode funcionar muito bem no início do aprendizado, porque encontramos nele determinados símbolos, embora nem todos sejam exatamente iguais.

Considero importante trabalhar com diferentes baralhos. Aliás, é isso que faço na academia com minhas alunas, porque não podemos nos limitar a uma única visão do tarô.

O tarô possui muitas facetas. Por exemplo, quando quero estudar o Diabo, posso pegar três baralhos diferentes: o Camoin-Jodorowsky, o Tarô de Oswald Wirth e o Rider-Waite. Percebemos que os desenhos não são exatamente iguais. São bastante próximos, mas um símbolo presente em determinado baralho pode não aparecer em outro. Ao mesmo tempo, esses símbolos se complementam.

É justamente buscando informações complementares em diferentes versões que conseguimos construir uma visão mais ampla e completa de cada lâmina.

Portanto, para começar, recomendo os baralhos tradicionais, principalmente os do tipo Marselha. Depois, quando a pessoa já estiver confortável com os 22 arcanos maiores, compreender seus significados e sentir que realmente aprendeu, poderá experimentar outros baralhos. A partir daí, acredito que devemos deixar o coração falar.

As origens históricas e esotéricas do tarô

Existem inúmeros livros dedicados ao tarô, e ainda assim continuam surgindo novas interpretações. O que explica essa riqueza de conhecimentos?

Precisamos enxergar o tarô como um livro imenso, que contém um conhecimento muito antigo. Na verdade, existem duas maneiras de compreender sua origem.

Existe a visão dos historiadores, que situam o surgimento do tarô entre o final da Idade Média e o início do Renascimento. É a perspectiva histórica ligada ao Tarô de Marselha tradicional, aos mestres fabricantes de cartas que trabalharam em Marselha e às origens italianas, incluindo o Tarô Visconti e outros baralhos antigos.

Mas existe também uma perspectiva mais esotérica. Partimos do princípio de que todos somos seres sagrados, seres divinos, e que, em determinado momento, nossa consciência superior decide encarnar na matéria.

Então surge a pergunta: como fazemos para retornar à nossa origem?

É justamente esse o aprendizado da vida. É esse percurso iniciático que precisamos percorrer para conseguir voltar para casa. Porque, se não aprendermos corretamente nossas lições, permaneceremos presos ao ciclo do samsara. Se não assimilarmos essas etapas, continuaremos em um ciclo de reencarnações sucessivas, porque ainda não nos tornamos sábios iluminados, ainda não alcançamos o estado de Buda que nos permitiria retornar à nossa verdadeira origem.

Por isso, precisamos recomeçar o ciclo de reencarnação, aprender novamente e tentar outra vez. É como nos videogames, quando aparece a mensagem “Try again”, ou seja, “Tente novamente”. Você precisa recomeçar porque ainda não conseguiu concluir o aprendizado naquela existência.

Essa mensagem iniciática, que para mim vem das escolas de mistérios, foi transmitida ao longo do tempo. Evidentemente, não existiam cartas de tarô no Egito Antigo, mas já havia ensinamentos transmitidos por meio de textos antigos, especialmente através do hermetismo e do ocultismo.

Aos poucos, acredito que esses ensinamentos foram incorporados às lâminas do tarô, às suas representações, aos seus símbolos e aos gestos dos personagens. A escolha das cores talvez seja algo mais moderno, porque antigamente os recursos de impressão eram diferentes dos atuais.

Mas a posição dos personagens, os objetos e as posturas já possuíam importância. Acredito realmente que exista um sentido oculto nesses arcanos. Aliás, a palavra “arcano” significa segredo, algo que contém uma mensagem escondida.

Portanto, não é por acaso que recebem esse nome. São como pinturas secretas que precisamos decifrar para acessar o conhecimento capaz de nos conduzir de volta à nossa origem, ao nosso Eu Superior.

Os três setenários: matéria, personalidade e espírito

No seu livro, “Decodificando a linguagem oculta do tarô”, os arcanos maiores são organizados em três setenários. O que são esses setenários e o que representam?

Os setenários estão relacionados à estrutura do tarô. Existe a estrutura geral, chamada exotérica, ou seja, acessível a todos, composta pelos 22 arcanos maiores e pelos 56 arcanos menores.

Mas existe também uma estrutura mais esotérica, baseada na divisão dos arcanos maiores em três setenários. A palavra “setenário” vem do número sete. Portanto, dividimos as cartas em três grupos de sete.

Três vezes sete são 21. Mas onde está a vigésima segunda carta? É justamente aquela lâmina que mostrei anteriormente: O Louco, que não possui número. Ele representa o peregrino, o iniciado que aprende e viaja através dos três setenários.

Pegamos as sete primeiras cartas, da número um à número sete, ou seja, do Mago ao Carro, e as colocamos lado a lado. Elas formam o primeiro setenário. Depois pegamos as sete cartas seguintes e as colocamos acima, formando o segundo setenário. Por fim, posicionamos as últimas sete cartas em uma terceira fileira, acima das anteriores. Assim, obtemos uma estrutura de sete colunas por três linhas.

O primeiro setenário trata de tudo aquilo que está relacionado às questões da infância. Eu o chamo de primeiro capítulo, que vai da infância até o início da adolescência. Ele representa nossa entrada no mundo, nosso desenvolvimento e nosso crescimento. Termina com o Carro, que simboliza o adolescente começando a se transformar em jovem adulto e deixando o lar familiar para construir a própria vida. Ele cresceu e agora deseja seguir seu caminho.

O segundo setenário está mais relacionado à formação da personalidade. É o momento em que começamos a construir nosso caráter, desenvolver nossas próprias convicções e formar nossa identidade.

E o último setenário é o do espírito. É realmente o setenário da espiritualidade.

Se vocês observarem as sete últimas lâminas, perceberão que apresentam figuras profundamente relacionadas ao universo espiritual. Temos o Diabo, a Casa de Deus, os grandes astros, a Estrela, a Lua, o Sol e o Mundo, que encerra a sequência.

Portanto, esse terceiro grupo trata do domínio espiritual. Depois de atravessar o primeiro setenário, relacionado à infância, e o segundo, ligado à vida adulta, chegamos ao terceiro, que representa o sábio. É o estágio em que começamos a adquirir conhecimento e compreender o sentido da vida, deixando de estar tão ligados à materialidade do primeiro setenário. No primeiro grupo, estamos profundamente envolvidos com o corpo e com o mundo material, pois ele representa a matéria-prima do trabalho alquímico.

Nessa divisão encontramos também as três noções alquímicas: enxofre, sal e mercúrio. Essa trindade aparece representada de diferentes maneiras, como corpo, coração e alma, entre outras correspondências.

Percorremos os três setenários em uma viagem que tem como objetivo alcançar, no final, a pedra filosofal.

As correspondências entre tarô, alquimia, Cabala e runas

No “Decodificando a linguagem oculta do tarô”, você relaciona os arcanos a diferentes tradições esotéricas. Como essas correspondências ajudam a compreender o simbolismo das cartas?

Quis começar com uma abordagem bastante ampla. Por isso, cada análise se inicia com uma introdução intuitiva, baseada na observação e nas sensações. O leitor é convidado a perguntar: “O que estou vendo? O que essa imagem me faz lembrar?”.

Aos poucos, avançamos para uma interpretação mais esotérica. Existe uma parte dedicada à astrologia e à relação entre o arcano e os elementos astrológicos. Depois, abordamos a numerologia e a Cabala. Na tradição cabalística, existe uma ferramenta muito poderosa chamada Árvore da Vida, ou Árvore das Sefirot.

Podemos posicionar cada lâmina nos caminhos dessa árvore ou relacioná-la aos diferentes mundos cabalísticos. O importante é que os significados extraídos desses ensinamentos esotéricos estabelecem correspondências com os significados das cartas.

Dessa maneira, o leitor não apenas mergulha progressivamente nos mistérios do tarô, mas também amplia seus conhecimentos sobre astrologia, numerologia e alquimia. Incluí ainda relações com as runas.

Por exemplo, quando estudamos o arcano do Enforcado, explico no meu livro sua relação com Odin. Nos mitos presentes nas Eddas, Odin permanece suspenso durante nove dias e nove noites na árvore Yggdrasil, a Árvore do Mundo, porque deseja obter o conhecimento sagrado, o grande conhecimento das runas.

Assim, encontramos paralelos entre as lâminas do tarô e outras tradições esotéricas. Acredito que essa abertura nos ajuda a compreender o segredo dos segredos.

As tiragens esotéricas e a aplicação do conhecimento

O livro também apresenta métodos de tiragem pouco convencionais. Como você escolheu esses métodos?

Quis manter a perspectiva esotérica do tarô. Como toda a parte dedicada ao estudo dos 22 arcanos maiores segue essa abordagem, pensei que não faria sentido terminar o livro ensinando apenas os métodos tradicionais, como a tiragem em cruz, de três cartas, quatro cartas ou cinco cartas. Esses métodos são interessantes, mas não manteriam a mesma lógica esotérica.

Por isso, propus tiragens como a do Samsara, a da Árvore da Vida e outros métodos relacionados aos conhecimentos esotéricos apresentados anteriormente. Para mim, era uma continuidade lógica utilizar esses tipos de tiragem depois de estudar os 22 arcanos maiores sob essa perspectiva.

O propósito do livro e a continuidade do percurso

O livro se dirige apenas aos iniciantes ou também àqueles que já possuem experiência com o tarô?

Eu diria que ele se destina a praticamente todo mundo. Não queria escrever um livro excessivamente intelectual ou complicado. Portanto, ele se dirige também aos iniciantes que não sabem absolutamente nada sobre tarô.

É um livro que pode ser utilizado por quem deseja conhecer os 22 arcanos maiores. Trabalhamos com uma abordagem simbólica, explorando as cores, os desenhos e diferentes aspectos de cada lâmina. É como mergulhar dentro da cena representada pela carta.

Sempre digo que precisamos tentar entrar na imagem, vivenciar a cena como se estivéssemos diante dos personagens e observar tudo aquilo que aparece ao redor. Essa abordagem permite que um iniciante estabeleça uma conexão com o tarô e aprenda por meio da observação.

Mas também quis aprofundar o conteúdo para pessoas que já possuem algum conhecimento e desejam ir além, explorando uma perspectiva mais esotérica. Para isso, incluí relações com astrologia, numerologia, runas, alquimia, Cabala e muitos outros assuntos.

Quando permanecemos apenas na superfície, aprendendo que a carta um significa isso e a carta dois significa aquilo, estamos observando somente a ponta do iceberg. Mas, quando adotamos uma abordagem esotérica, mergulhamos muito mais profundamente no universo do tarô para descobrir o que existe abaixo da superfície.

Aprendemos muito mais do que simplesmente dizer que o arcano sem nome, o arcano treze, conhecido popularmente como a Morte, representa apenas o fim de alguma coisa. Existe muito mais por trás dele. Essa é uma abordagem de que gosto muito e espero que agrade a um grande número de pessoas.

Depois deste livro dedicado aos 22 arcanos maiores, você pretende continuar o trabalho com os 56 arcanos menores?

Sim, não termina por aqui. Depois dos 22 arcanos maiores, vamos passar aos 56 menores. Já estou trabalhando nisso.

Naturalmente, passar de 22 para 56 cartas significa um trabalho muito mais longo. Embora talvez exista um pouco menos de conteúdo a explorar individualmente em algumas lâminas, os arcanos menores são igualmente ricos e exigem uma estrutura bastante cuidadosa. Preciso pensar na melhor maneira de apresentar tudo isso.

Quero preservar a conexão com o esoterismo, como fiz no livro sobre os arcanos maiores. Isso também me obriga a sair da minha zona de conforto, porque preciso explorar os arcanos menores mantendo relações com a alquimia, a Cabala, a maçonaria, as runas e outras tradições.

Estou descobrindo muitas coisas novas enquanto escrevo esse segundo livro.

Fontes:
–Decodificando a linguagem oculta do tarô – Grupo Pensamento
– Tarot Académie by Sheluna
– Site oficial de Nathalie Mendes
– Bibliothèque nationale de France — registro bibliográfico
– Inexploré — apresentação da obra e biografia da autora
–  Nathalie Mendes : Décodez les mystères et les clés du Tarot !

 




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