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Postulados sobre o tempo, a consciência, a liberdade e o amor
I. Da natureza do tempo e da consciência
Postulado 1 — Do primado do presente
Toda experiência consciente acontece no presente. O passado existe para a consciência como memória, e o futuro, como possibilidade. O instante vivido constitui a realidade imediata de cada sujeito.
A existência é experimentada sempre a partir de um agora.
Postulado 2 — Da eternidade do instante
Todo instante deve ser tratado como eterno.
A duração cronológica de uma experiência é distinta de seu valor existencial. Cinco minutos e dez horas possuem a mesma dignidade enquanto experiências conscientes.
Cada instante contém a totalidade do presente daquele que o vive. Por isso, cada segundo merece todo o amor, a paciência e a tranquilidade que dedicaríamos à eternidade.
Postulado 3 — Da pluralidade dos eus temporais
Cada versão temporal de uma pessoa constitui uma consciência soberana em seu próprio presente.
O eu passado, o eu presente e o eu futuro estão conectados pela continuidade da existência, pela memória e pelas consequências dos acontecimentos. Cada um, entretanto, experimenta a realidade exclusivamente a partir de seu próprio instante.
A continuidade biográfica estabelece relações entre essas consciências, preservando a individualidade de cada experiência.
Postulado 4 — Da soberania temporal
Cada consciência possui autoridade exclusiva sobre suas próprias escolhas.
A vontade de um eu temporal pertence ao instante em que essa vontade existe. Compromissos, desejos, planos e decisões anteriores constituem informações disponíveis às consciências posteriores, que conservam integralmente sua própria soberania.
O passado pode ensinar. O futuro pode inspirar. A escolha pertence ao presente.
II. Dos fundamentos da ética
Postulado 5 — Da igualdade entre as consciências
Toda consciência merece consideração amorosa, independentemente de sua identidade ou posição no tempo.
O eu presente, as versões futuras de si mesmo e as demais pessoas são igualmente dignos de amor.
A proximidade temporal, a continuidade biográfica e a identidade pessoal representam relações particulares entre consciências, enquanto a dignidade de cada experiência permanece integral.
Postulado 6 — Do amor como fundamento moral
O amor é o desejo genuíno de que outra consciência tenha uma boa experiência de existência.
Amar é querer o bem do outro em seu próprio presente, respeitando a singularidade de sua experiência e a soberania de sua vontade.
O amor constitui o fundamento da ação ética porque orienta livremente o agente em direção ao bem de outra consciência.
Postulado 7 — Da liberdade essencial do amor
O amor nasce exclusivamente da vontade do próprio agente.
Sua autenticidade depende da liberdade de quem ama. A imposição de comportamentos, sentimentos ou atos de ajuda substitui a iniciativa amorosa pela exigência externa e acrescenta complexidade desnecessária à experiência daquele que recebe a imposição.
A capacidade de ajudar cria uma possibilidade de amor. A vontade de ajudar transforma essa possibilidade em ação.
Postulado 8 — Da definição do mal
Maldade é acrescentar complexidade desnecessária à experiência de uma consciência.
Complexidade desnecessária é toda dificuldade, perturbação ou sofrimento cuja existência ou continuidade pode ser evitada por uma alternativa concretamente possível.
A maldade se manifesta pela introdução ou manutenção deliberada de obstáculos dispensáveis à experiência própria ou alheia.
Postulado 9 — Da definição prática do bem
A ação amorosa procura preservar ou melhorar a experiência de uma consciência, evitando acrescentar complexidade desnecessária e buscando, livremente, eliminar aquela que já existe.
O amor encontra sua expressão concreta no cuidado.
Desejar o bem constitui sua origem. Agir para produzi-lo constitui sua realização.
Postulado 10 — Da complexidade necessária
A complexidade necessária compreende as dificuldades inerentes a uma experiência ou indispensáveis à realização de uma ação livremente escolhida.
Um conflito inevitável pode ser necessário. Uma conversa difícil pode ser necessária. O esforço de ajudar alguém pode ser necessário.
A distinção moral fundamental reside na necessidade da complexidade envolvida, considerada à luz da ação e das possibilidades reais do agente.
III. Da liberdade, da responsabilidade e da ação
Postulado 11 — Da responsabilidade como expressão do amor
A responsabilidade moral nasce da vontade presente de querer e realizar o bem.
Sua origem está na liberdade do agente, e sua expressão está nas ações que esse agente escolhe praticar.
As consequências de uma ação podem alcançar outras consciências e outros instantes. Cada consciência conserva sua soberania sobre a experiência dessas consequências.
A responsabilidade amorosa consiste em agir bem a partir do lugar e do momento em que se está.
Postulado 12 — Da capacidade de ajudar
Quem possui a capacidade de eliminar uma complexidade desnecessária possui uma oportunidade concreta de exercer o amor.
Essa capacidade pertence ao domínio das possibilidades. A decisão de utilizá-la pertence exclusivamente ao agente.
O auxílio oferecido livremente constitui uma manifestação prática do amor.
Postulado 13 — Do esforço amoroso
Quando uma consciência escolhe livremente eliminar uma complexidade desnecessária da experiência de outra, as dificuldades indispensáveis à realização dessa escolha tornam-se complexidades necessárias.
O esforço assumido voluntariamente integra a ação amorosa.
Seu valor moral decorre da liberdade, da intenção e da natureza da ação, independentemente da duração cronológica do esforço.
Postulado 14 — Do respeito à soberania alheia
Amar outra consciência inclui respeitar sua liberdade de experimentar, escolher, aprender e conduzir a própria existência.
Oferecer ajuda constitui um ato amoroso quando nasce da liberdade do agente e considera a autonomia daquele que a recebe.
A liberdade de quem ajuda e a liberdade de quem recebe ajuda possuem a mesma dignidade.
Postulado 15 — Da suficiência ética do presente
A melhor contribuição que uma consciência pode oferecer ao futuro é viver amorosamente seu próprio presente.
O girino contribui para o sapo sendo um bom girino.
Cada versão temporal possui suas próprias possibilidades e circunstâncias. A ação ética acontece no instante em que pode ser realizada.
A construção de um futuro melhor começa pela qualidade das ações presentes, respeitando a soberania das consciências que viverão esse futuro.
IV. Da prática da existência
Postulado 16 — Da ausência de pressa
Cada instante possui valor próprio, independentemente de sua contribuição para um resultado futuro.
A evolução acontece no tempo, enquanto a experiência acontece no presente.
A paciência consiste em reconhecer a dignidade do instante atual e permitir que a transformação encontre seu próprio ritmo.
A tranquilidade é uma forma de amor pela experiência presente.
Postulado 17 — Da aceitação da experiência
Toda experiência acrescenta algo à história da consciência que a vive.
A gratidão constitui uma disposição amorosa diante da existência, permitindo acolher os acontecimentos e reconhecer seu lugar na formação da experiência presente.
A reclamação que apenas acrescenta perturbação à própria experiência constitui uma forma de complexidade desnecessária.
A compreensão, a aceitação e a ação concreta oferecem caminhos para transformar essa experiência.
Postulado 18 — Da comunicação entre consciências temporais
A escrita permite estabelecer comunicação entre diferentes versões temporais de uma consciência.
Ao escrever, o eu presente encapsula pensamentos, sentimentos e descobertas que poderão ser encontrados por outros eus em seus respectivos presentes.
A escrita transmite possibilidades de compreensão através do tempo, preservando a liberdade de cada consciência que recebe a mensagem.
Escrever é oferecer algo de si às consciências que virão.
Postulado 19 — Da paz como orientação da conduta
A paz consiste em conduzir a experiência com amor, paciência e tranquilidade, acolhendo a complexidade necessária e evitando acrescentar aquela que pode ser dispensada.
Ela se manifesta tanto no cuidado com a própria consciência quanto na atenção concreta às consciências que compartilham o presente.
A paz é uma qualidade da relação com a experiência.
Postulado 20 — Do amor como princípio unificador
O amor reúne os princípios desta filosofia.
Ele reconhece a dignidade de cada instante, respeita a soberania de cada consciência, nasce da liberdade e se manifesta no cuidado concreto com a experiência.
A vontade amorosa encontra na redução da complexidade desnecessária sua orientação prática.
Cada consciência possui a oportunidade de realizar esse princípio no único lugar em que efetivamente age: seu próprio presente.
V. Síntese fundamental
Toda consciência existe em seu próprio presente.
Todo presente deve ser tratado como eterno.
Toda consciência é soberana sobre sua própria vontade.
Toda consciência merece amor.
O amor nasce livremente do agente.
A maldade consiste em acrescentar complexidade desnecessária à experiência.
A ação amorosa busca reduzir essa complexidade, assumindo livremente as dificuldades necessárias para fazê-lo.
A capacidade de ajudar oferece uma possibilidade; a vontade amorosa realiza essa possibilidade.
Cada consciência responde pela qualidade das escolhas que faz em seu instante, preservando a soberania das consciências que existem em outros instantes.
A melhor contribuição ao futuro consiste em agir bem no presente.
Ame, e faça do amor uma ação concreta.
Princípio supremo
Se cada instante é uma eternidade, cada consciência é soberana e toda consciência merece amor, então viver bem consiste em exercer livremente o amor no presente, reduzindo a complexidade desnecessária da experiência.
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