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Introdução à Kabbalah

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do Curso por Correspondências da Golden Dawn.

Terceira Lição.

A Kabbalah é uma forma esotérica de ensino e filosofia, que até certo ponto possui formato esquelético, mas quando aplicado a um glifo de 10 estágios, a chamada Árvore da Vida, quebra, por virtude ou associação, quase qualquer situação. Uma pessoa pode, através do estudo da kabbalah, descobrir “onde” e “quando” alguém está em algum ponto, em qualquer circunstância, e a natureza dos obstáculos que este alguém necessita superar para chegar a conclusão de um projeto. Ela nos dá um plano ou caminho de forma clara para estudos esotéricos.

No livro do século 19, intitulado “The Cannon” (O Canhão), seu autor nos dá a seguinte análise da Kabbalah:

“A teologia cabalista, representa o pensamento sem fim, de incontáveis gerações de homens engenhosos, é a epítome dos primeiros esforços do homem para compreender os problemas relacionados à causa e continuidade da vida, o mistério inescrutável que surpreende pelo entendimento de perguntas similares já feitas. Eles fundamentaram toda a ideia relacionada ao fenômeno da existência, usando de sua analogia para a criação humana, supunha-se que a criação do universo ocorreu após a criação do ser humano, e os atributos de criação (gerar vida) de um homem e uma mulher eram aqueles de Deus e do universo, e finalmente todas as funções corporais de um ser humano e sua contraparte no macrocosmo de um mundo maior.”

“O sistema teórico baseado nessas ideias constitui, uma doutrina secreta,  ensinada oralmente, nunca escrita. Todos os antigos escritos canônicos são uma exposição de seus ensinamentos, mas estes artigos são compostos, de forma que apenas pessoas instruídas, nas regras da sabedoria oculta, possam revelar seu significado.”

As declarações acima resumem a essência dos pensamentos cabalísticos. Pode haver alguma confusão sobre a real grafia da palavra Kabbalah, pois a mesma vem sendo gravada de diversas formas ao longo dos séculos. Um método popular é buscar a raiz hebraica, QBL, que significa “receber” e sua grafia é Qabalah, que foi razoavelmente adotada como a forma comumente escrita. Outras variações são: Cabala, Kabbala, kabala e Gabbalah (citando aqui apenas alguns). Ainda que a referência pessoal possua bastante peso, durante este curso, a forma de escrita usada será Kabbalah, pois a mesma possui uma base etimológica mais confiável do que as anteriormente citadas.

“Comumente a derivação da palavra Kabbalah é atribuída a palavra hebraica Qebil, que significa receber, coletar e essa é a tradução tradicional. Que de alguma forma nos parece forçado e inexato. Acreditamos que a palavra Kabbale seja de origem Caldo-Egípcia, e significa “ciência oculta” ou “doutrina oculta”.

A raiz egípcia Khepp, Khop ou Khep, Khob; em hebraico, Gab, Kheb ou Khebet, significa ocultar, e Al em egipcio significa “tomar”: Portanto a palavra significaria, a ciência tomada de princípios ocultos.”

Um ponto importante para nos atentarmos é o fato de que a palavra Kabbalah existiu em termos orais por mais de mil anos e que sua ortografia foi de fato um pensamento posterior a existência da mesma (seja qual for o método utilizado) para descrever um grande método de aprendizado espiritual.

Deve estar claro a essa altura que a Kabbalah, é portanto uma ferramenta para desvendar os segredos das escrituras do Antigo Testamento, nos apresentando o mesmo numa ótica completamente diversa. Avançando para os grandes livros cabalísticos, como o Zohar, percebemos que é uma forma de ensino progressivo, que cada geração soma a mesma. Na sua forma original, a Kabbalah foi um registro fragmentado de diversos ensinamentos passados por Rabinos através dos anos, que sobreviveu num formato de perguntas e respostas criptografadas. Anos após as primeiras doutrinas cabalísticas serem escritas, incontáveis estudiosos começaram a formular uma nova opinião a respeito dos antigos manuscritos, e os ensinamentos da Kabbalah começaram a se estabelecer em glifos de dez estágios, chamada A Árvore da Vida. Cada um desses estágios, ou Sephiroth (como vieram a ser conhecidas), mostrou o crescimento de uma única célula em todo um conjunto de dez. Interligando cada uma dessas Sephiroth temos vinte e dois caminhos (comumente associados às vinte e duas letras hebraicas) que é de fato uma reflexão ativa sobre cada um dos dez estágios.

Sephiroth Letras Significado
  1. Kether
K-Th-R Coroa
  1. Chokmah
Ch-K-M-H Sabedoria
  1. Binah
B-I-N-H Entendimento
  1. Chesed
Ch-S-D Misericórdia
  1. Geburah
G-B-U-R-H Severidade
  1. Tiphareth
Th-Ph-A-R-Th Beleza
  1. Netzach
N-Ts-Ch Triunfo
  1. Hod
H-O-D Glória
  1. Yesod
Y-S-O-D Fundamento
  1. Malkuth
M-L-K-U-Th Reino

 

Todo o conceito sobre esses dez estágios de aprendizado está no uso da polaridade no ensino. Cada Sephiroth, quando posicionada na Árvore da Vida, está em justaposição, de modo que cada uma tenha sua contraparte em equilíbrio exato. A Kabbalah tem sido descrita como uma escada de luz, pois não mostra apenas a “formação” (a descida até a matéria) mas também mostra como alguém pode usar a mesma para ascender também (através de rituais, orações e meditação) que, teoricamente, nos leva de volta a um estado puro de corpo e alma que é sintetizado por Kether, a primeira Sephira, às vezes chamada de “divindade” ou de “o verdadeiro eu”.

Enquanto em seu estágio inicial, a Kabbalah era considerada um aspecto obscuro e secreto da religião hebraica, através do tempo a mesma se divergiu indo em direção a uma forma de misticismo que apresentava um distanciamento do pensamento comum ocidental.

O conceito moderno de visualização da Árvore da Vida (que hoje é considerado indistinto da própria Kabbalah) assume que a mesma possui três pilares. Ao lado esquerdo temos o Pilar da Severidade, no meio o Pilar Neutro ou Pilar do Meio, e do lado direito o Pilar da Misericórdia. Usando este método podemos entender o uso da polaridade aplicada à Árvore da Vida.

Afirmar abertamente que dentro de cada indivíduo há inerentemente uma Árvore da Vida Cabalística (nas linhas da dupla-hélice do DNA) é um equívoco grosseiro. O que acontece, é que, através de estudo e meditação podemos aplicar certas forças advindas das Sephiroth e gradualmente a psique é orientada a um sistema de crescimento através das diretrizes cabalísticas. Carl Jung disse que, durante seu período de estudo sobre a antiga ciência da alquimia, quando sua forma prática e teórica foram aplicadas a psique, provocaram mudanças para que fosse alinhada com os experimentos sendo performados. Os mesmos aspectos psicológicos decorrentes também podem ser aplicados ao estudo da Kabbalah. A medida que o estudante passa a meditar e experimentar as energias das Sephiroth (seja no cotidiano ou através da meditação), ele descobre que as mesmas se tornam potentes forças reais, que começam a agir quando a psique começa a reagrupar as partes que o compõem, e se encontram espalhadas através subconsciente em células que passam a se assemelhar às Sephiroth. A maior parte das experiências com essas energias cabalísticas serão ambas de ascensão e queda, recebendo as energias fluindo de forma descendente partindo de Kether e retornando através de esforço e trabalhos ritualísticos.

Outra forma simplificada de explicar a meditação cabalística, é que o glifo da Árvore da Vida se torna tão presente na mente do devoto, que se torna para todas intenções e propósitos, uma coleção de arquétipos artificiais que arranjam os aspectos relacionados ao subconsciente para uma forma mais facilmente acessada, que o indivíduo pode identificar dentro dos limites de si mesmo.

A classificação da Kabbalah pode ser dividida em quatro principais áreas:

  • Kabbalah Prática: Magia prática e cerimonial, divinação e alquimia.
  • Kabbalah Literal: Gematria: Valor numérico de palavras e letras.
    • Notarikon: Anagramas.
    • Temurah: Permutação de letras.
    • Tarot: Estudo de arquétipos universais.
  • Kabbalah Não Escrita: Ensinamentos passados de forma oral.
  • Kabbalah Dogmática: O estudo das doutrinas e textos cabalisticos.

A essência dos ensinamentos cabalísticos tradicionais era essencialmente oral e por isso é difícil apontar com exatidão a origem da mesma, um dos primeiros textos cabalísticos escritos é o livro Sepher Yetzirah. Seus manuscritos datam do século X, mas suas raízes na forma oral são de possivelmente 100 d.C., ainda que alguns estudiosos esotéricos tenham  firmemente arraigado o estudo da Kabbalah ao Velho Testamento, mais precisamente na época de Moisés, pois pensavam ser parte das leis originais entregues a ele. Outro ramo de estudiosos da Kabbalah acreditava que sua origem vinha de Abraão, o Patriarca. Ao estudarmos as primeiras literaturas rabínicas, restam poucas dúvidas de que a Kabbalah (na forma do Sepher Yetzirah) é um livro de teologia bem distinto da Mishná e da Gemara, que são a base do Talmud.

Um dos aspectos mais interessantes do Sepher Yetzirah e da teologia cabalista, é o uso gramatical do idioma hebraico, que ancora, de forma clara, associações planetárias e astrológicas. As mesmas se destacam quando associadas, observando: As três letras mães, Aleph, Mem e Shin aos três elementos, das sete letras duplas aos planetas, e das doze letras simples aos signos do zodíaco. Estudiosos do hebreu do século passado, como Wyn Wescott, confirmou que o Sepher Yetzirah, apesar de não tão conhecido, é mencionado no Talmud de Jerusalém e da Babilônia.

Outro livro rabínico, chamado Bahir também entrou em evidência por volta do século XII, embora, ainda que expoentes modernos dessa memorável obra literária coloque sua data, como um manuscrito, por volta do século VI d.C. Ainda que não seja considerado por alguns estudiosos como um texto estritamente cabalistico, não há dúvida que há partes dele que são cabalistas em conceito, já que as Sephiroth são claramente mencionadas e comentadas, além de também incluídas na categoria de literatura cabalística.

Sem dúvida, a principal obra de literatura cabalística é o Zohar, ou “O Livro do Esplendor”. Que primeiro veio a público por volta de 1290, quando foi publicado por Moses de Leon. Desde então, uma feroz controvérsia sobre sua autoria foi levantada, Leon arguiu ter copiado de textos antigos, cuja autoria é atribuída a Simeon Be Jacobi que viveu no segundo século d.C., sob o reinado do Rei romano Marcus Aurelius Antonius. É duvidoso que todo o Zohar seja atribuído inteiramente a sua autoria , quando claramente outros livros foram adicionados ao corpo do texto original, textos relacionados a um período posterior de pensamento filosófico.

O Zohar é composto pelos seguintes livros:

  1. Tosephta & Mathanithan – Pequenas peças adicionais.
  2. Hecaloth – A Mansão ou Palácios de Luz.
  3. Sithre Torá – Os Mistérios da Torá.
  4. Midrash Ha Neelan – Os Mistérios do Midrash.
  5. Raja Mehemna – O Pastor Fiel.
  6. Raze Derazin – O Segredo dos Segredos.
  7. Saba Demishpatim – O Discurso da era de Mishpatim.
  8. Siphra Detzniutha – O Livro dos Segredos ou Mistérios.
  9. Idra Rabba – A Assembleia Maior.
  10. Yenuka – O Discurso do Jovem.
  11. Idra Sutra – A Assembléia Menor.
  12. Idra Di Be Mashkana – Assembléia antes de uma palestra sobre Torá.
  13. Rev Methivtha – O Diretor da Academia.
  14. Kav Ha Middah – O Padrão de Medida.
  15. Sithre Othioth – O Segredo das Cartas.
  16. Midrash Ha Neelam Midrash Ruth – Sobre o Livro de Ruth.
  17. Tikkune Zohar – Novos Complementos do Zohar.
  18. Sifra Di Tseniutha – O Livro da Ocultação.
  19. Comentário intitulado sobre os Cânticos de Salomão.

Outros textos cabalísticos dignos de nota incluem “The Commentary on the Ten Sephiroth” pelo Rabino Azariel ben Menachem (no ano de 1200) um notável ex aluno do cabalista Isaac, o Cego (1190 – 1210), pai da Escola Cabalistica de Gerona. “The Treatise on the Emanation” por Isaac Nasir, “The Gate of Heaven” por Jacob ben Sheshet, “The Alphabet” escrito pelo Rabino Akiba, “The Garden of Pomegranates” por Moses Cordova (1591). Estes são alguns dos notáveis textos cabalísticos de interesse, mas nesse estágio do curso, a maioria destas e outras obras publicadas anteriormente sobre, não farão tanto sentido para o leitor, dado que o conhecimento sobre a Kabbalah e sobre sua retórica são vastos e muito bem documentados.

Por hoje ficamos por aqui!

Façam parte do problema.

Rafaella Fernandez
@ella.rafafernandez

Oráculos e Ocultismo.
Colaboradora nos projetos: Morte Súbita, Secretum Secretorum e enochiano.com.br

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