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por Rabi Moshé Cordovero
excerto de “A Palmeira de Debora”
No primeiro capítulo de Gênesis, Rabi Shimon explica um grande e magnífico conselho da Torá sobre como o homem pode ser ligado à Santidade Superior e jamais ser separado das Sefirot Superiores. É necessário que o homem, nesse contexto, conduza-se de acordo com o tempo — ou seja, que saiba qual Sefirá está regendo, e que se vincule a ela e realize o Tikkun associado àquela qualidade dominante.
Ele começa com a noite, o tempo em que o homem dorme em sua cama. A força regente então é a Noite, a qualidade de Soberania, mas se ele continua a dormir, o sono torna-se semelhante à morte, e a árvore da morte passa a dominar. O que ele deve fazer? Deve antecipar-se, preparando-se para se vincular ao segredo da santidade, isto é, ao segredo da qualidade de Soberania em seu aspecto sagrado. Com isso, deve ir para sua cama, aceitando sobre si o completo jugo do Reino dos Céus com a intenção de seu coração. Deve levantar-se à meia-noite, lavar as mãos da Cáscara que tem domínio sobre elas, remover o mal de sua carne e recitar a bênção. Em seguida, deve fazer um Tikkun para a Shekinah estudando a Torá, sobre a qual está escrito: “Quando te deitares, ela te guardará” — dos Externos — “e ao despertares, ela conversará contigo” — e ele estará ligado a Ela e Ela a ele. A forma de sua alma ascenderá ao Jardim do Éden com a Shekinah, que ali entra para se deleitar com os justos e com ele em sua companhia, pois todos escutam sua voz. Assim, ele de fato viaja com Ela da morte e do sono para o segredo da Vida Superior, e ali se liga, segundo o segredo do Jardim do Éden, e a luz da Beleza, que brilha sobre os justos no Jardim do Éden, começa a brilhar sobre ele. Assim está explicado na seção Terumá.
Com o amanhecer, ele também começa a preparar-se para entrar na sinagoga, ligando-se aos três Patriarcas. À entrada da sinagoga, ele diz: “Mas eu, pela grandeza da tua misericórdia, entrarei…” e inclui-se no segredo da Beleza — pois o homem abarca a Bondade, o Poder e a Beleza — e entra na sinagoga, que é a Soberania. Ao recitar esse versículo, deve pensar nos três Patriarcas: “pela grandeza da tua misericórdia” é Abraão; “prostrar-me-ei em direção ao teu santo templo” é Isaque (pois “prostrar-se” vem do lado dele, ou seja, curvar toda sua estatura diante da qualidade do julgamento para que seja afastado por ela, e então a severidade é dissipada de diante dele, para que a corrente da misericórdia divina seja atraída de cima e adoçada); “com temor de ti” é Jacó, sobre quem está escrito: “quão temível é este lugar!” Eis que ele os abraçou por meio do pensamento, da fala e da ação. O pensamento é a intenção mencionada, a fala é o versículo que ele recita, e a ação é o ato de ir à sinagoga e curvar-se diante de Seu templo antes da oração. Ele permanece na sinagoga com a boca aberta, fonte da oração e da união, de modo que a Fundação, a nascente do poço, esteja aberta para o poço, que é a sinagoga. E ele realiza um Tikkun para a Shekinah tanto quanto puder por meio de sua concentração na oração.
Ao sair da sinagoga, ele ascende ao segredo da Torá e se vincula à Torá, segundo o segredo da qualidade do dia, e conduz-se com a Torá durante todo o dia até o momento da oração da tarde, quando se liga ao Poder. Pois pela manhã ele havia se ligado à Bondade em sua oração, durante o dia à Beleza com a Torá, e à tarde ao Poder. E tudo isso dentro da qualidade do dia, ao ir à sinagoga para realizar a união segundo o segredo do Poder, do mesmo modo que fizera em relação ao aspecto da Bondade.
Entre os dois, ele liga a Shekinah a si por meio de sua refeição, na qual faz bondade com “esta pobre criatura”, como dizia Hilel, o Ancião: “O justo conhece a alma de seu animal.” Essa deve ser sua intenção ao comer — fazer bondade com sua alma animal e ligá-la segundo o segredo do alimento.
Após o tempo da oração da tarde, tendo-se ligado ao Poder, ele aguarda até a noite, quando a Beleza desce para a Soberania. E eis que ele está com Ela no início da noite. Liga-se a Ela e entra na sinagoga com a intenção mencionada. E vincula-se abaixo quando a Beleza chega à sua morada. Ao sair da sinagoga, une-se de fato com a Soberania sozinha, segundo o segredo da aceitação do jugo do Reino dos Céus.
Esse é o ciclo diário do homem, em conformidade com o ciclo das Sefirot, para que ele esteja sempre conectado à luz dominante. Esse conselho está principalmente contido na abertura do livro de Gênesis, e o restante foi compilado de muitos lugares do Zohar. E este é um método abrangente por meio do qual o homem pode manter-se sempre ligado à santidade, de modo que a coroa da Shekinah jamais se afaste de sua cabeça.
FIM DO TEXTO DE CORDOVERO
Resumo Prático
NOITE (início do ciclo espiritual)
(Malchut)
Durante a noite, quando a Sefirá de Soberania (Malchut) reina, o homem deve preparar-se espiritualmente antes de dormir, aceitando com intenção sincera o jugo do Reino dos Céus e entender que o sono sem intenção se assemelha à morte e aproxima da “árvore da morte”. Isso impede que o sono se torne semelhante à morte espiritual e o mantém vinculado ao aspecto sagrado da Soberania.
MEIA-NOITE (Tikkun Chatzot)
(Yesod)
À meia-noite, é o momento de acordar para realizar o Tikkun Chatzot, lavando as mãos para remover a impureza espiritual (Cáscara), recitando a bênção apropriada (por exemplo, Salmos 70, 102, 130, 137) e dedicando-se ao estudo da Torá. Este estudo noturno liga a alma à Shekinah, conduzindo-a ao Jardim do Éden e unindo-a à presença divina, que ali se deleita com os justos.
AMANHECER
(Chesed)
Com o amanhecer, a qualidade dominante passa a ser a Bondade (Chesed). O homem deve preparar-se para entrar na sinagoga, conectando-se aos três Patriarcas por meio do pensamento, da fala e da ação. Ao dizer o versículo “Pela tua misericórdia”, ele invoca Abraão com a misericórdia. Ao dizer “…Prostrar-me-ei” se liga a Isaque com a reverência (prostração) e ao dizer “Com temor de ti” se une Jacó com o temor sagrado. Por meio da oração concentrada, realiza uma união espiritual com a Shekinah.
DURANTE O DIA
(Tiferet)
Durante o dia, dominado pela Beleza (Tiferet), ele permanece vinculado à Torá, por meio dos mandamentos e estudando-a com constância e intenção. Torá e Mitzvot mantém sua conexão com a luz espiritual que rege o tempo e aprofunda sua ligação com a harmonia divina. No momento da refeição, ele come com consciência espiritual, com a intenção de fazer bondade com sua “alma animal”, elevando-a ao sagrado — conforme dizia Hilel, o Ancião, “O justo conhece a alma de seu animal.”
ENTARDECER
(Guevurá)
Na tarde, o foco se volta para a Sefirá do Poder (Guevurá), e a oração vespertina (Minchá) torna-se um novo momento de união. Assim como pela manhã ele se uniu à Bondade, agora ele se liga ao Julgamento, mas com a intenção de adoçar a severidade por meio da devoção e da entrega.
ANOITECER
(Malkuth)
Quando chega a noite novamente, a Sefirá da Beleza desce para a Soberania, e o homem deve estar pronto para encontrar-se com Ela no início da noite. Ele entra mais uma vez na sinagoga, mantendo a mesma intenção de união espiritual, e ao sair, conecta-se diretamente com a Soberania, aceitando novamente o jugo do Reino dos Céus, fechando assim o ciclo diário com santidade.
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