Este texto já foi lambido por 88 almas.
Shalron, o Poeta
Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei
Crowley define a magia da seguinte forma: “a arte e a ciência de moldar a realidade através da Vontade”. Uma definição exemplar, contudo, fez essa explicação pensando em um grupo de pessoas que tinham conhecimentos “elementares” sobre magia. De modo que, se alguém não tem essas informações, interpreta a frase com erros fundamentais. Sendo um desses principais deslizes na caminhada mística, o “culto” a psicurgia.
Não há dúvidas que no zeitgaist do nosso tempo a palavra psicologia te um peso enorme, principalmente dentro do seu caráter positivista. E dentro do que vemos hoje na magia moderna não é diferente, mas tenho minhas sinceras dúvidas se realmente o Crowley iria “aprovar” essa conceituação tão disseminada. Voltando um pouco, podemos definir exatamente psicurgia como a definição de Crowley, tudo que você gigante mago de internet precisa é usar o poder da mente! Isso mesmo, tudo que você precisa é de ter força pessoal e saber hackear a sua mente impondo códigos secretos (ler-se sigilos) e todos seus problemas serão resolvidos.
Bem… Na verdade não!!! E digo isso por experiência própria, já pratiquei e estudei bastante psicurgia e os efeitos não eram grande coisa, embora visíveis… Talvez tão e só a minha consciência. Mas então que diabos é magia então? Acredito que os conceitos elementares para se entender magia está intimamente relacionado com a nossa visão cósmica, dividida em microcósmica e macrocósmica. Quando estamos operando magia, utilizamos além da nossa psicurgia, também as forças e seres dos planos ocultos, dos planos macrocósmicos.
Ou seja, poderíamos dizer que a definição para fácil compreensão da magia enquanto tal e bem fundamentada na tradição seria algo próximo a “A arte e a ciência de moldar a realidade através da vontade intercambiado pelo mistério”. Mistério? Exatamente! O sagrado e o plano macrocósmico é o mistério do mistério, não temos controle e muito menos consciência para compreender sua totalidade. Tudo que fazemos é construir símbolos para manipularmos esse gigantesco experiencial, mas os símbolos são tão pequeninos perto da verdadeira totalidade do que é o macrocosmos.
Bem como, os cultos de segredo, ordens iniciáticas e tradições seguem aquilo que deu certo no passado para outra pessoa ou grupos de pessoas, mas ninguém tem a régua para ficar medindo o quão verdadeiro a magia dessa linha de trabalho é. Máximo respeito a esses vertentes, mas há algo que me encuca nelas tanto quanto na psicurgia, claro respeito muito mais a primeira do que a segunda, afinal de contas, não sou muito fã desse mundo materialista e cinza; nas tradições a realidade é colorido com suas mitos, no seu sentido positivo, o de encantar ou mesmo explicar nas vertentes mais “cerimoniais” por assim dizer.
Tá bom, já definimos o que é psicurgia e magia, e agora? Agora entra o ponto chave, aquilo que eu realmente estou trazendo enquanto a minha verdade. E para isso preciso fazer o bom uso do exemplo. Digamos que sua vida está um caos no seu pior sentido entrópico, e você quer muito dar um jeito nisso e resolver fazer uma magia com Maat a deusa da justiça no kemetismo.
Caso você for fazer psicurgia vai lidar tão e somente com a ordem microcósmica e vai buscar fazer um psicodrama arquetípico de Maat, um sigilo com hieroglifos egípcios misturado com seu desejo deixando ele mergulhar no seu inconsciente, ou mesmo, fazer outra Maat através do seu entendimento d’Ela em conjunto com sua necessidade momentânea e acender uma vela para essa sua criação todo dia antes de ir organizar as coisas.
Caso for fazer magia, irá estudar o máximo da deidade, buscar conjurações antigas, entender as correspondências, buscar suas oferendas, construir uma liturgia e colocar dentro do seu sistema de magia preferido. Digamos que seja padrão Golden Dawn, você vai fazer o ritual da rosa cruz, analise da palavra-chave, ritual do pentagrama e hexagrama que correspondam a uma tabela com o Liber 777, abrir as torres de vigia, e fazer sua conjuração. Se tiver as capacidades psíquicas desenvolvidas, vai trocar uma ideia com a Deusa e finalizar o ritual.
No caso que eu vou propor você vai escolher qualquer uma dessas técnicas, porém, vai ter um entendimento totalmente diferente do plano de fundo, do fundamento. Quando Crowley diz sobre a Vontade na sua definição, não é qualquer Vontade, é Thelema e aqui mora toda a graça. Crowley definiu que temos algumas almas dentro da constituição de nosso ser; assim como outras linhas. Nesse caso, irei utilizar do Judaísmo, a saber: Nefesh, sua alma animal; Ruach, sua alma humana; Nechamah, sua alma humana divina; Chaya, sua alma divina; Yechidah, sua alma Cósmica.
Yechidah não é alma microcósmica e também não é alma macrocósmica; é alma Cósmica! Ela não se limita ao micro e nem ao macro; ela está na junção dessas duas almas. Quando você faz psicurgia você faz de tudo para que suas almas mais humanas cheguem as almas superiores.
Quando você faz magia você faz de tudo para afinar sua alma a uma divindade ou egrégora que “tecnicamente” porta o divino e é um agente do cosmos. Depois de ter de alcançar essa afinidade, basicamente a partir de iniciação ou propensão cármica, você começa a comungar com essa divindade, sendo ela é o intercâmbio entre você e aquilo que você quer, entre você e o cosmos. Não que isso seja errado, muito pelo contrário, se está dando certo continuem e máximo respeito as tradições.
Entretanto, dentro da definição de magia de Crowley, a Vontade é Thelema, e como bem expressado pelo mesmo dentro de seu entendimento de magia, por exemplo em Liber Oz “não existe deus senão o homem” e em Liber AL II:7 “‘Vinde a mim’ é uma palavra tola, pois sou Eu que vou”. Aqui está o X da questão, você não vai fazer magia para que uma deidade ou entidade intercambie a priori para você, você vai ser o Divino, o Cósmico, você vai despertar Yechidah e unir ele com suas outras almas. A sua Vontade será a Vontade de “Deus”, porque você vai ter unido o microcosmos e o macrocosmos.
Aqui Maat se torna você, você que vai encarnar o espirito de Maat dentro da sua carne, do seu nefesh; dentro da sua mente humana e racional, do seu Ruach. Sentir a vibração de YHVH no fundo da sua alma transbordando para fora. Sendo o espaço ritualístico a criação sagrada da sua própria realidade! E isso não quer dizer que não exista Deidades e entidade no mundo de lá. Muito pelo contrário, isso prova de forma mais bela possível a existência do sagrado.
Existe um certo ditado cabalista que mais ou menos diz que quanto mais tentamos explicar Deus, mais longe estamos dele. Ora, quanto mais usamos da antropomorfização no divino, estamos na verdade intercambiando nossa sagrada relação com o Cosmos. Aqueles que conhecem seriamente o hermetismo sabem que uma deidade nunca aparece no plano da geração, há na verdade um daemon intercambiando sua força, presença e poder. Na minha concepção, esse daemon é um ser que alcança a “vibração” que unes suas almas e consecutivamente a “vibração chave” da deidade e cumpre o seu papel na narrativa cósmica; mas não quer dizer que a gente tem como provar que existe um monte olimpo na qual há uma miríade de Deuses tomando vinho, rindo e brigando.
O ponto chave que quero passar nesse pequeno texto é uma provocação aquilo que entendemos como magia. Encarnar uma formula magicka, encarnar um deidade, estar em um estado de êxtase com o sagrado, o Divino, é uma experiência extremamente transformadora! Há muito poder nisso e não são todos que conseguem esse grau, mas há em todos a capacidade para alcançar isso e justamente por isso “Faze o que tu queres”. Uma das mensagens centrais de Thelema é um Ode a você ser o Cosmos, a ser uma estrela com varias orbitas e um brilho enorme dentro do Cosmos.
Por fim, gostaria de compartilhar que meus trabalhos sempre tem psicurgia e magia, mas também sempre tem Magick. E este último componente que torna tudo tão belo e extasiante! Deidades e entidades intercambiam minha Vontade, mas não dentro de uma hierarquia vertical, na qual sou o servo deles e, muito menos, como aplicativos do meu cérebro; mas sim como minha encarnação sendo um portal para a manifestação do Sagrado Cósmico, da Grande Obra. Enquanto eles cumprem seus papel na jornada cósmica, eu também cumpro o meu, é ‘ganha ganha’, é Amor sob Vontade. E qual é o seu papel?
Em Luz, Vida, Amor e Liberdade
In Nomine Babalon Domina Abyssi
Amor é a Lei, Amor sob Vontade!
Alimente sua alma com mais:

Conheça as vantagens de assinar Morte Súbita inc.
Faça parte do problema
Área Restrita + IA+ Áudios +Pdfs
+ Stolas, nosso 'duolingo'



