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O Morcego no Folclore da China e Japão

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por Shirlei Massapust

No Brasil, “tirar leite de pedra” é uma expressão figurativa para designar o resultado positivo improvável, em uma situação extremamente desfavorável. O bordão veio do oriente, onde chineses aproximaram a ideia icônica das tetas múltiplas das vacas, éguas, javalis e outros mamíferos quadrupedes, com o formato das estalactites penduradas no teto das cavernas. Na China acredita-se que, em raras ocasiões, as micropartículas desprendidas de área erodida, na pedra calcária, dão cor e consistência de leite em pó à água gotejada das rochas. Por isso, o nome atual da estalactite, em mandarim, é zhōng rǔ shí (钟乳石), cognato aos termos para leite, rǔ zhī (乳沟), e teta/mamilo, rǔ (乳).

No tempo da Dinastia Ming, quando a ponta de travertino gotejava, esta variedade de água mineral alcalina, recolhida pingo a pingo, era nominada “leite de pedra”, rǔ shí jīng zhī (乳石精汁). A informação consta no manual de fitoterapia Běncǎo Gāngmù (本草綱目), redigido em 1578 pelo médico Lǐ Shízhēn (李時珍, 1518-1593).[1]

A dificuldade de coleta seria compensada pela aquisição de saúde, vida longa, alívio do mal-estar gástrico, redução nas dores das articulações não provocadas por fibromialgia, etc.[2] O líquido especialíssimo era um remédio que raramente funcionava por efeito de princípios ativos, mas servia como placebo para tratar um pouco de tudo.[3] Na época da hibernação o morcego, biānfú (蝙蝠), hidrata-se lambendo gotículas de água nas estalactites, como se estivesse a mamar, a sorver leite de pedra. Ele ordenha o travertino.

O quiróptero em jejum ingere anualmente a receita típica da medicina chinesa. Portanto, não pode morrer de morte natural. Fartamente medicado com o composto que “só pode fazer bem”, o animal nunca adoece. Contudo, há um efeito colateral. Somos o que comemos. De tanto ingerir minerais, o morcego se transforma em pedra leitosa.

Morcego esculpido em calcita, certificado por joalheiro. Fotos do anúncio no Ebay.

            Cem anos, bǎi suì (百歲), é o tempo que o organismo leva para embranquecer, tingido pela ingestão de minérios de cor branca, diluídos em doses homeopáticas. O negro bicho embranqueceria, tal como ocorre aos cabelos dos idosos, até ficar da cor da neve. Tem uma sobrevida de mil anos, qiānsuì (千歲)[4], ou fica imortal, xiān (仙), a menos que seja caçado. Foi Gōng (恭), personalidade descrita por Li Shizhen, com quem outros dialogam, quem descreveu o processo de transformação do quiróptero:

伏翼即仙鼠也,在山孔中食諸乳石精汁,皆千歲,純白如雪,頭上有冠,大如鳩、鵲。陰乾服之,令人肥健長生,壽千歲;其大如鶉,未白者已百歲,而並倒懸,其腦重也。其屎皆白色,入藥當用此屎。[5]

 

Organismo imortal, mamífero, da mesma classe do rato (shŭ 鼠), dotado de asas, que pousa dependurado de ponta cabeça ( 伏) na caverna calcária, dentro da montanha, para lamber a água mineral que goteja da estalactite de cor leitosa. São todos milenares. Brancos como neve pura. A espécie tem conjunto de elmo e máscara, assim como o grande corvídeo Pica pica cobre a cabeça com elmo [por pareidolia]. Se pendura como roupa secando no varal, pois seu peso aumenta com a idade avançada. É robusta, saudável e longeva; carnuda como a codorna. O indivíduo ainda não é branco antes dos cem anos de idade. Também tem de ficar pendurado de cabeça para baixo por causa do peso do cérebro. A cor das fezes é branca. O guano tem uso medicinal.

Jean Chevalier e Alain Gheerbrant opinam que os antigos chineses atribuíram longevidade ao referido animal “uma vez que vive nas cavernas, que são uma passagem para o domínio dos Imortais, e ali se alimenta de concreções vivificantes[6]”. Interpretando o texto supracitado, Jean Chevalier e Alain Gheerbrant concluem:

A fortificação do cérebro, praticada pelos taoístas, representada pela hipertrofia craniana, é uma imitação do morcego: acredita-se que ele a pratique, razão pela qual o peso de seu cérebro o obriga a ficar pendurado com a cabeça para baixo.[7]

No texto de Li Shizhen, a partir deste ponto a narrativa passa a opor contradições à fala relatada, prosseguindo com o debate entre Gōng (恭), Sòng (頌), Zōng (頌) e Shí Zhēn (時珍). Charles Alfred Speed Williams traduziu o que tanto pode ser a paráfrase do fragmento de um capítulo, original ou apócrifo, do tratado Xianjing (仙經), quanto o comentário de Shí Zhēn (時珍) sobre a referida pesquisa de campo, versando sobre observação da vida animal, cujos fragmentos são citados antes e depois desta fala:

伏翼形似鼠,灰黑色。有薄肉翅,連合四足及尾如一。夏出冬蟄,日伏夜飛,食蚊蚋。自能生育,或雲鼉虱化蝠,鼠亦化蝠,蝠又化魁蛤,恐不盡然。生乳穴~者甚大。[8]

 

O quiróptero parece um rato, cujo corpo apresenta coloração preta-acinzentada, e tem todos os quatro membros, mais o rabo, unidos pelo patágio. Ele sai no verão, porém hiberna no inverno; neste período não come nada e, devido ao habitual exercício respiratório, atinge idade avançada. Tem hábitos noturnos, não por lapso da habilidade de voar durante o dia, mas por receio de ser predado por aves de rapina. Ele come mosquitos e insetos em geral. Voa de cabeça baixa por causa do peso da cabeça.[9]

O que garante a longevidade do morcego em relação aos demais animais de mesmo porte? O consumo de água mineral ou a capacidade de redução do metabolismo durante a hibernação? Os três últimos personagens demonstram que contra fatos não há argumentos. Já estava escrito que os Mineradores de Carne, ròu zhī zhě (肉芝者), profissionais chineses especializados na coleta de guano de morcego, nas cavernas, jamais viram espécimes brancos. Somente o guano expelido embranquece. Nenhum morcego roe pedras. Foram observados exemplares caçando enxames de insetos, em busca de proteínas.[10] Três espécies compunham uma colônia. Revoando juntos, eles formariam algo como uma “nuvem de grandes crânios”, guǎngzhì (廣志).[11]

O consumo de carne seca de morcego bastaria para curar indisposição ou matar a fome, mantendo o vigor durante um sofrido inverno. Quanto à longevidade conquistada pelo consumidor do elixir, xiāndān (仙丹), produzido com pó do quiróptero diluído em água, isto ainda era “muito confuso”. Haveriam relatos de celebridades que localizaram animais albinos na fauna endêmica de cavernas, coletaram e testaram a fórmula da imortalidade, ingerindo doses de carne seca até a extinção das respectivas espécies, seguida do óbito dos idosos destituídos de poder mágico. Todavia, foi encontrada uma caverna tão branca[12] que embranqueceria a vida dentro dela.

Os personagens de Li Shizhen buscam conhecimento sobre a matéria específica em livros de não-ficção circulantes à época. Foram parafraseados três manuscritos: um índice sistemático de museologia ou biblioteconomia (續博物誌), a coleção de ensaios Bàopǔzi (抱朴子)[13] e o referido capítulo do Xianjing (仙經).[14] Presumivelmente, o catálogo remetia às outras duas obras. O texto de sabedoria imbricante forneceu o argumento de autoridade que validou o uso medicinal do quiróptero a despeito do malogro da receita. Quanto ao estudo anatômico, este encolheu ante à enormidade da fé até perder-se para a História. Seguiram-se cinco referências a morcegos, distribuídas em uma lista de receitas para manipulação de remédios de eficácia duvidosa, os quais usam guano ou animais desidratados misturados a outros ingredientes. Há receitas contra tosse persistente, tremor[15] e malária, que funcionariam numa faixa etária, mas não noutra.[16]

Ideogramas da longevidade (shòu 壽) acompanhados de morcegos na cerâmica chinesa: azulejo[17] e prato.[18]

O orientalista C. A. S. Williams e a historiadora Hope B Werness, professora na California State University, transmitiram ao ocidente a ideia de que o Běncǎo Gāngmù recomenda a captura e consumo de um morcego branco-platinado, com mil anos, a quem queira adquirir longevidade e “boa visão[19]”, senão uma “vista excepcional[20]”.

Que tipo de efeito placebo é produzido no corpo e na mente de pessoas que creem estar consumindo animais sobrenaturais? Jean Chevalier e Alain Gheerbrant opinam que “não há nada de surpreendente” na indicação do morcego como “alimento propiciador da imortalidade”, pois o pó seria usado no preparo de drogas afrodisíacas.[21] Mas que parte do pentavô sobrevive no pentaneto? 5% de uma cadeia de DNA? A obsolescência da ética de séculos passados? A herança da massa falida? Não há ideologia ou organismo eterno.

Que confusão é o ser morcego!

Cerca de oitenta e cinco espécies de quirópteros integram a atual biota da China. Nenhuma delas é hematófaga. Assim como também não o seria um certo morcego do tamanho de gansos, caçado como iguaria na China e na Caxemira, conforme narrativas orais transmitidas pelos nativos aos missionários jesuítas no século XVII.[22]  Mesmo assim os bichos dão o que falar. A pesquisa bibliográfica em moda à época da Dinastia Ming não integrou o saber do ofício às concepções da poesia anterior, sobretudo porque a medicina apregoava ideais mais fantasiosos que a observação do poeta naturalista.

Embora o morcego tenha figurações na arte chinesa datadas desde a Dinastia Han (206 a.C. até 220 d.C.), sua atribuição não foi mantida inalterada desde aquela época. Cao Zhi (曹植), poeta chinês da época dos três reinos (220-280), escreveu uma Ode aos Morcegos (蝙蝠赋), onde segue os passos das fábulas de Esopo:

吁何奸气,生兹蝙蝠。形殊性诡,每变常式。行不由足,飞不假翼。明伏暗动,尽似鼠形,谓鸟不似,二足为毛,飞而含齿。巢不哺鷇,空不乳子。不容毛群,斥逐羽族。下不蹈陆,上不冯木。

 

Que confusão é o ser morcego! Sua fisiologia é um paradoxo em cada detalhe. Não usa pés para caminhar. Voa com asas falsas. Tem hábitos noturnos, como se a noite fosse seu dia. Tem pêlos (毛), como os ratos (鼠), diferentemente das aves (鸟). Tem dois patágios (足) peludos. Possui dentes, embora voe. Não constrói ninho para o filhote e não alimenta a cria ao modo das aves. A fêmea amamenta até secar o leite. Não tem segmentos (raque, barbas e bárbulas) nos pêlos que funcionam como penas. Foi desclassificado do clado Ornithurae e tende a divergir dos Mammaliaformes terrestres.[23]

A frase xū hé jiān qì (吁何奸气), que eu traduzi como a exclamação “Que confusão é o ser morcego!”, vem sendo interpretada como a afirmação fantasiosa de que o morcego “nasceu de um espírito maligno[24]”, pois nela o autor aparenta dizer que o princípio motor ou a energia vital, Qi (气), do quiróptero tem qualquer malignidade, jiān (奸). A mim parece que foi um suplício, jiān (奸), para o poeta fazer o papel de biólogo e entender como um mamífero pode voar. Tomado pela angústia e perplexidade, Cao Zhi busca compreender o fenômeno da convergência, lastimando, como Thomas Nagel, sua incapacidade de pensar sob a perspectiva do morcego, em seu subjetivismo.[25]

Na obra posterior, o médico Lǐ Shízhēn raramente é tão metódico, como no parágrafo onde ele descreve corretamente a dieta do ofídio (蛇所) que se alimenta de pequenos anfíbios e roedores, caçados no chão, mas, embora rastejante, também consegue armar emboscadas aéreas para abocanhar um Passeriforme (雀), a exemplo da andorinha Cecropis daurica (燕), ou ainda qualquer quiróptero voador.[26]

O morcego, biānfú (蝙蝠), começou a ganhar apelidos nalgum momento posterior ao fim da época dos três reinos e anterior ao ano 1578, até que ele se tornou “andorinha noturna”, yèyàn (夜燕), “rato voador”, fèishû (飛鼠), “rato celeste”, tiānshû (天鼠), “rato imortal”, xiānshû (仙鼠), etc.[27] Parece com tudo, menos com ele mesmo. Atualmente o termo técnico da ordem Chiroptera, biologicamente preciso e menos poético, é a tradução literal yì shǒu mù (翼手目) em mandarim ou yokushumoku (翼手目) em nihongo.

As cinco fortunas

Desde o livro acadêmico até a reportagem jornalística, todas as publicações com pertinência temática publicadas no ocidente durante o século XX endossam uma hipótese, de autoria anônima, onde a meia palavra fu (蝠) se aproxima, na qualidade de cacófato, do ideograma fu (福), um indicador genérico da fortuna no taoísmo.[28]

Na China, em muitas casas antigas, se vê amuletos contendo um determinado padrão iconográfico chamado wu fu (五蝠), onde uma roda de cinco morcegos empresta forma física, notoriamente ficta, à invisível abstração da cadeia das “cinco fortunas”, wu fu (五福), descritas no Shangshu (書經) – uma antiquíssima e mal datada antologia de escritos de sabedoria chinesa, de difusão perene, –  onde a quincunce é composta pela 1) longevidade (长寿), 2) riqueza meritória com elevação de status social (富贵), 3) saúde com sanidade (康宁), 4) capacitação com ética (好德) e 5) boa morte (善终).[29]

No modelo iconográfico mais simples, um grande vazio antiestético ocupa a área central. Porém, isto foi elegantemente preenchido com uma abstração em ideograma em um modelo derivado onde as “cinco fortunas cercam a longevidade” (五 福捧寿). Veja abaixo um amuleto de bronze de 71 mm, não datado.[30]

O círculo em quincunce pode ser quebrado. Dois morcegos indicam sorte em dobro, shuang fu (双福).[31] Noutros amuletos repetitivos certas fortunas dispensam a companhia da boa morte. Lemos atribuições dos poderes mais impossíveis ao portador, tais como “seja um controlador de raios” (雷霆號令), “seja invulnerável às armas” (辟兵莫當), “tenha um mar de dinheiro” (福如東海), “vida longa sem velhice” (長生不老), “vida eterna” (長生無極), “que o malefício se transforme em benefício” (逢凶化吉), “entregue o primeiro ramo a um cavalheiro imortal” (付與仙朗第 一枝). A posse e o porte da “moeda da longevidade do antigo dragão” (老龍壽錢) hipoteticamente lhe faz um pouco menos humano e mais divino.[32]

Hoje em dia a fortuna também é topicamente representada como um velho sábio, que pode ter um morcego figurado na vestimenta[33]. No que o taoísta tanto pensa? O Tao Te Ching (道德經) passa longe de ser tão divertido quanto seus tresloucados subprodutos. “Imortal” é o “homem nobre” cujo pensamento transcendente está em sintonia com os valores universais e atemporais do “infinito”. Ou seja, é imortal somente na acepção metafórica da academia de letras; trata-se de um pensador político dominante da arte da oratória, apto a “restituir a vida ao que tão morto nos parece[34]”.

O excesso de luz cega a vista. O excesso de som ensurdece o ouvido. Condimentos em demasia estragam o gosto. O ímpeto das paixões perturba o coração. A cobiça do impossível destrói a ética.[35]

 

Não há mal maior do que querer sempre mais. Não há maior calamidade do que a mania de sucesso. Quem se contenta com o necessário vive numa paz imperturbável.[36]

 

Alegres e sorridentes andam os outros! Deprimido e acabrunhado ando eu. Circunspectos são eles, cheios de iniciativa! Em mim, tudo jaz morto. Inquieto, como as ondas do mar, assim ando eu pelo mundo. A vida me lança de cá para lá, como se eu fosse uma folha seca. A vida dos outros tem um sentido. Eu não tenho uma razão de ser.[37]

A mensagem primária é a de que toda religião e ideologia política é simples aos seus ouvintes. “Renunciai à vossa pretensa cultura, e todos os problemas se resolvem[38]”. Não há nada como pensamentos limpos fluindo em um cérebro bem lavado. A versão oriental do Rei Filósofo não derrama uma lágrima ante a calamidade, em tempos de guerra, nem se alegra da vitória. “Mesmo na luta forçada, a paz e o sossego lhe são supremos[39]”. A função do pensador taoísta é determinar “a medida para cada coisa[40]”, pois a consciência do belo e do bom começa com o conhecimento do feio e do mau, “porquanto o Ser e o Existir se engendram mutuamente[41]”. O que fazer com o mau?

Volta o quiróptero cacófato à sua sina de dar boa aparência ao mundo visível. A forma completa do vernáculo biānfú (蝙蝠), o primeiro definidor da ordem Chiroptera, é homófona a bianfu (弁服), um termo originalmente empregado à vestimenta cerimonial militar da mais alta classe social (imperador, nobilitários, oficiais, etc.), atualmente definidor de uma combinação de camisa e túnica tradicional (vestes formais). Por isso, o morcego chinês é também fùyì (附翼), o animal “embrulhado em asas[42]”, como se vestido para a prática de atos solenes. Enfim, sendo menos informalmente um “zé morcego”, um fu (蝠), e mais biānfú (蝙蝠), vê-se logo que o quiróptero trajado a rigor parece pronto para participar de um ato solene ou ter um importante trabalho a realizar.

1) Escultura de morcego em um prédio situado em Guangzhou, China. 2) Morcego Vampiro: origami de Dao Cuong Quyet. (Foto © 24/09/2009, Carlos飛竜 e Flickr)

Morcego empresário

Como o quiróptero se transformou na felicidade e prosperidade financeira de uma nação? Pode ser homofonia, cacofonia, coincidência. Ou talvez o costume derive de implicações políticas e econômicas. Todo morcego tem, no intestino, três bactérias que auxiliam na digestão de alimentos e induzem a fermentação de resíduos orgânicos, de modo que as fezes se transformam em um adubo muito bom em apenas sete dias, sem exalar gás metano. Logo, grandes colônias de quirópteros favorecem a agricultura.

O nitrato de potássio, fruto da decomposição do guano de milhares de morcegos, aglomerados nas cavernas do Laos e da China, era a matéria prima empregada em maior quantidade (entre 72% e 78% da mistura) na produção da pólvora usada por soldados chineses e samurais japoneses para carregar armas de fogo, produzir fogos de artifício, etc. Quanto mais nitrato de potássio, mais potente é a explosão. Misturada com enxofre e carbono, a pasta de guano seca e solidifica, passando à forma de pó[43].

O químico taoísta Wei Boyang (魏伯陽) menciona as substâncias necessárias para a fabricação da pólvora no obscuro livro Zhōuyì cāntóng qì (參同契), datado de 142 d.C., o qual mascara este segredo industrial em belas alegorias. Era na caverna de duas entradas, onde o rio subterrâneo entra e sai, que se coletava minérios úteis à forja e a matéria prima ambicionada por quem vence batalhas sem lutas corporais.

O mais poderoso é a inação,

pois então nada é buscado.

O menos poderoso é a ação,

pois seu uso é indeterminável.

 

O mais obstrutivo é chamado “ser”,

O menos obstrutivo é denominado “nada”,

pois o nada eleva o indivíduo às alturas.

Às alturas onde habitam os valores espirituais.

 

É esta a lei da “caverna de duas entradas”,

onde o ouro e as energias interiores ajudam-se mutuamente.[44]

O texto igualmente descreve o uso medicinal do elixir da longa vida, relacionado ao preparo de compostos químicos com elementos da filosofia chinesa e ao I Ching.

Para os chineses ter morcegos era como ter galinhas que botam ovos de ouro. Embora as religiões de matizes chinesas cultivassem rixas contra religiões de matizes nipônicas, no Japão feudal o rendimento agrário e a eficácia das armas de fogo estavam diretamente atrelados à política de relações públicas. O Japão dependia da importação do nitrato de potássio devido à falta de recursos naturais para a produção nacional.

Sem morcegos, os japoneses estavam fadados a manter a paz com chineses ou fazerem má colheita usando adubo à base de excremento de equinos. Sem morcegos, os japoneses estavam militarmente desprotegidos. O xogunato abraçava o sincretismo no tempo em que samurais precisavam posar de raça de toda fé.

Enquanto os quirópteros chineses geravam lucro para exportadores de guano, fornecedor e consumidor reavaliavam e atualizavam seu simbolismo, colocando-o no papel de totem da guerra e dos seus subprodutos (criminalidade inclusa). Ninguém gosta de pagar impostos ou de ver verba pública gasta em suprimentos militares. Logo, o morcego estaria fadado a posar de vilão na arte nipônica. Monstro lascivo.

Quiróptero gigante ou mulher diminuta? Exemplo de shunga (春画) ou arte erótica, do ilustrador Kobayashi Eitaku (小林 永濯, 1843-1890) especializado em ukiyo-e (浮世絵) e nihonga (日本).

Profissionais habituados ao desenho de animais comumente se valiam de partes do conhecido para montagem de criaturas fantásticas. A divergência nas perspectivas é notável no tratamento de um mesmo modelo. Enquanto a elite chinesa se esforçava por dar boa aparência ao mamífero voador, os comediantes nipônicos queriam-no horrendo, hediondo, relacionado à morte, medo e fantasmagorias.

O desenho abaixo é uma caricatura de autoria do artista japonês Kawanabe Kyōsai (河鍋 暁斎, 1831-1889), onde uma horda de fantasmas, yōkai (妖怪), corre para a esquerda, exceto o morcego e um pobre mostrengo que foge dele, tentando se ocultar sob um escudo.[45] Ambos ignoram a turba, seguindo na direção contrária. Quase todos olham para cima, reprovando o comportamento do balofo quiróptero.[46]

Em meados do século XX, no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, alguns médiuns usavam pólvora quando incorporados, para produzir fumaça em rituais e festas de Exu. Por que isso? Provavelmente eles aprenderam o truque cenográfico no cinema ou na TV, onde vampiros se transformam em ectoplasma e ninjas desaparecem em nuvem de fumaça depois de jogar cápsulas no chão. Fora de contexto o efeito é igual: alguém sumindo de vista ao ser encoberto pela fumaça. Porém, a pólvora do ninja falso é verdadeira. O ectoplasma do vampiro é névoa de gelo seco imerso em água quente.

 Dois voadores: O Sol e a Lua

Conforme exposto, no Japão os homens de armas e negócios consideravam os morcegos tão benfazejos ou malfazejos quanto suas relações com os fornecedores de pólvora e fertilizantes. O maedate (前立), que é a crista de metal do kabuto (兜, 冑) – o elmo ou capacete de samurai –, poderia apresentar formatos integrando elementos da natureza tais como galhadas de chifres, centopeia, libélula, etc. Isto muitas vezes era um oni (鬼) e o kabuto mais belo que tive a oportunidade de ver em minha vida trazia um maedate tipo oni com nariz de morcego. Havia também ornamentos de espada, etc.

Um menuki (目貫)[47] japonês desmontado, em formato de morcego.[48]

            Itens de muito boa aparência geralmente não eram aqueles usados em batalhas, ou eram usados escassamente. A função das coisas belas era principalmente votiva. Para elas se ofereciam oferendas e orações como se a centopeia, a libélula, o morcego e até mesmo o oni fossem kami (神) com poder de curar, de atrair boa sorte, etc. (Leia mais informações sobre armas e armaduras em meu artigo A lenda de yōtō, as lâminas vampiras).

C. A. S. Williams observa que o “morcego convencional” é usualmente pintado de vermelho, “a cor da alegria”, sendo as vezes tão ornamentado, para fim decorativo, que “tem forte semelhança com a borboleta[49]”. Como o escuro quiróptero embranquecido avermelhou? Na forma como o taoísmo se atualizou, conforme a tradição oral, os imortais Zhong Gui (鍾馗) e Zhang Guolao (張果老) criaram a luz e a escuridão como um par de morcegos[50]. Por isso, na decoração dos festivais do barco do dragão e do ano novo chinês, as representações de Zhong Gui figuram o personagem guiado pelo quiróptero.

Lanternas vermelhas estampadas com o ideograma da fortuna são usadas nestes festivais. A lanterna de papel é raramente feita à imagem do morcego. Em mandarim, hóng (紅) é a cor vermelha, hóng (大) é a grandeza e hóng (紅) a boa fama. Para auferir proteção espiritual e todos os tipos de auspícios você pode fazer uma doação a um templo que pendure uma lanterna vermelha com o seu nome gravado nela.

1) Lanterna bianfu (蝙蝠), com morcego emplumado, assimilando características de coruja ou mocho, confeccionada em 2006 para um festival em Hǎinán (海南). 2) Acessório para quimono tipo netsuquê (根付) produzido no Japão. Tem forma de coruja predando um quiróptero. Primeira metade do séc. XIX. Peça pertencente ao acervo do templo budista Hōraku-ji (法楽寺).[51]

No Japão, a coletânea de arte Toyokuni kigō kijutsu kurabe (豊国揮毫奇術競) compilou o retrato de Akatsuki Hoshigoro, filho de Nitta Yoshisada, interpretado pelo modelo Arashi Kichisaburō III, o qual posou para uma cena mágica pintada pelo artista Utagawa Kunisada (1786-1865) em maio de 1863.[52] Akatsuki é um ronin[53] feiticeiro, portador de uma lanterna apagada[54]. É claramente perceptível que o tamanho da teia de aranha e das flores ao fundo é desproporcional em relação ao homem e proporcional em relação ao morcego. Logo, esta ilustração exibe um quiróptero em tamanho normal montado pelo homem diminuto. Seja por artifício mágico ou licença poética, o homem que perdeu sua honra e dignidade reduziu a si mesmo e apagou sua luz para não ser descoberto ao realizar atividades escusas.

Samurais: 1) Ilustração de Yoshitoshi. 2) Personagem Akatsuki Hoshigoro, no Concurso de Cenas Mágicas de Toyokuni (豊国揮毫奇術競, 1863).

Ichiyusai Kuniyoshi (1797-1861) produziu uma coleção de xilogravuras em dois blocos de tamanho chūban com um título que parece ser Yatsuatari doke komori (やつあたりどけこもり), isto é, “morcegos culpando uns aos outros”.  Trata-se de um conjunto de oito imagens publicado por Joshuya Kinzo por volta de 1846. Nele vemos morcegos com trajes típicos japoneses portando armas brancas privativas da classe dos samurais. Eles demonstram atitudes de hierarquia e servidão, tem emoções humanas e um é claramente um animal dotado de cabeça de homem (ou seja, um bakemono assumindo forma humana). Em certo quadro um morcego usa seu guarda-chuva como escudo para impedir que ele seja esfaqueado por outro. Em outro quadro os personagens exibem uma versão em fábula de uma cena de Chūshingura (忠臣蔵), a peça teatral mais famosa da história japonesa.[55]

Duas xilogravuras de Ichiyusai Kuniyoshi em Yatsuatari doke komori (やつあたりどけこもり).

A figura do morcego e a habilidade do samurai se confundiram novamente em uma ilustração cômica de Yoshitoshi (1839-1892) onde um quiróptero esgrimista é derrotado por outro da mesma espécie, portador de guarda-chuva com ponta fina de metal parcamente útil para confrontar um agressor. O historiador Danjyo Tatsuo explica por que piadas com morcegos deste período geralmente envolvem guarda-chuvas e como isto estava relacionado ao estranhamento do povo japonês diante de produtos importados:

Os guarda-chuvas yogasa (洋傘) de estilo ocidental só chegaram ao Japão em 1853 ou mais tarde, após o Japão encerrar sua política de isolamento e sua importação ter começado. O nome deles na época era “umbrella”, em inglês, ou komori-gasa (こうもり傘), em nihongo, literalmente “guarda-chuva de morcego”, porque o tecido preto e as hastes do guarda-chuva lembravam as asas de um morcego.[56]

Resumindo, antes os japoneses usavam wagasa (和傘) feito de bambu e washi, e não o yogasa (洋傘) feito de tecido. Na época em que Ichiyusai Kuniyoshi e Yoshitoshi desenharam seus quirópteros portadores de guarda-chuva talvez o item ainda fosse objeto de descaminho importado por gente que flertava com o inimigo. Depois a moda pegou. Ainda vemos o morcego Yasu, o divertido personagem narrador da animação televisiva Don Drácula (1982), portando um guarda-chuva na segunda metade do século XX.

Conclusão: verificamos um processo de inversão valorativa do folclore chinês, no Japão, com ares de estratégia da oposição política contra o caos instalado nas facções militares beligerantes, em território nipônico. Isto ocorreu décadas antes da aculturação por assimilação do vampiro europeu mediada pela arte estadunidense. Entretanto, existem no Japão várias ilustrações centenárias exibindo morcegos tal como eles são na natureza, bem como existem ilustrações de quirópteros realizando ações humanas lúdicas.

Morcegos imitando pessoas em atividades lúdicas: 1) Arte de Hasegawa Settan (長谷川雪たん) do final do Período Edo. Aqui vemos quirópteros jogando jan-ken-po (じゃんけんぽん), um jogo de mãos recreativo de origem chinesa que se tornou popular no Japão. O perdedor deve beber saquê.[57] 2) Arte de Yoshiiku (芳幾), o morcego dançarino, odoru kōmori (踊るコウモリ).[58]

Arte de Toyohara Chikanobu (豊原周延; 1838–1912) intitulada Henfuku – Meninos pequenos perseguindo morcegos à noite (1889). Henfuku (偏復) era o nome antigo de um morcego no Japão, contendo a palavra “fuku” (福), que significa felicidade.

 

NOTAS

[1] Adquiri o Běncǎo Gāngmù digitalizado no formato e-book, pelo Google Livros <https://books.google.com.br/>, que habilita tradução mecânica (insuficiente), consulta e busca por palavras-chave.

[2] Não é impossível auferir benefícios da ingestão de água mineral do tipo alcalina terrosa cálcica, contendo partículas de reservas de Cálcio (20Ca) e bicarbonato de sódio (NaHCO3) puro ou na forma natural de trona (Na3CO3HCO3•2H2O).

[3] Um mitema correspondente, no folclore japonês, menciona as virtudes mágicas rejuvenescedoras de uma água mineral, chamada oshimizu (押水), que escoa aos borbotões de uma montanha específica e que hoje e é vendida em latinhas de bebida energética com efeito placebo. Uma variedade fictícia de oshimizu cria rasetsu (羅刹) – vampiros de cabelo embranquecido e olhos avermelhados – no mitologema dos produtos da franquia Hakuōki (薄桜鬼). Um rasetsu almeja controlar sua fúria e se tornar um verdadeiro oni (鬼).

[4] A expressão wansui (萬歲), traduzida literalmente por “dez mil anos”, era uma hipérbole para votos de longevidade. Uma frase recorrente em amuletos versa: “que o imperador viva dez mil anos” (皇帝萬歲). Às imperatrizes e princesas desejava-se vida de mil anos, qiānsuì (千歲). Na natureza, morcegos que chegam à fase adulta vivem de 15 a 30 anos.

[5] LI SHIZHEN. 本草綱目新編第六部: 李時珍本草綱目: 五千年中醫藥第一書. China, Editora 谷月社, 2015, p 131-132.

[6] CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Trad. Vera da Costa e Silva, e outros. Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p 620.

[7] CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Obra citada, p 620.

[8] LI SHIZHEN 李時珍. Obra citada, p 131-132.

[9] WILLIAMS, Charles Alfred Speed. Chinese Symbolism and Art Motifs. Fourth Revised Edition: A Comprehensive Handbook on Symbolism in Chinese Art Through the Ages. Vermont, Tuttle Publishing, 2012, p 60.

[10] Gōng concorda que, na época quente do ano, o quiróptero carnívoro consome proteínas, voando tanto à noite como de dia. No Inverno, ordenha a rocha. (LI SHIZHEN 李時珍. Obra citada, p 129, 131-133).

[11] A enciclopédia Man, Myth & Magic informa que os chineses mantêm tal posicionamento em relação à figura do morcego, afirmando que o animal pensador voa com a cabeça baixa por causa do cérebro volumoso. (OS PODERES DO MORCEGO. Em: Homem Mito e Magia. SP, Três, 1973, fascículo 6, p 125).

[12] A gruta calcária Lúdí Yán (芦笛岩), com inscrições e antigos vestígios de ocupação humana, é um exemplo de cenário compatível com a descrição.

[13] Não está claro se é o Bàopǔzi (抱朴子) de Gě Hóng (葛洪), erudito chinês que escreveu sobre uso medicinal de recursos minerais, etc. Na versão conhecida do livro de Gě Hóng não há uma única menção ao morcego biānfú (蝙蝠).

[14] LI SHIZHEN 李時珍. Obra citada, p 131-132.

[15] A receita trata crianças da tremedeira causada pelo medo ou pelo frio, pois não poderia curar epilepsia.

[16] LI SHIZHEN 李時珍. Obra citada, p 133-134.

[17] BIĀNFÚ = MOTIF FOR LUCK. Em: GLEN MEIKLE ART. Acessado em 09/04/2023. URL: <https://www.glenmeikle.com/good-fortune-tablets/binf-motif-for-luck>.

[18] WELCH, Patricia Bjaaland. Flying red bats surround four shòu characters. Em: WIKIPEDIA. URL: <https://en.wikipedia.org/wiki/Shou_(character)#/media/File:Shou+redbats.JPG>. Posto online em 15/01/2006.

[19] WILLIAMS, Charles Alfred Speed. Chinese Symbolism and Art Motifs. Fourth Revised Edition: A Comprehensive Handbook on Symbolism in Chinese Art Through the Ages. Vermont, Tuttle Publishing, 2012, p 60.

[20] WERNESS, Hope B. Continuum Encyclopedia of Animal Symbolism in World Art. California, Continuum, 2006, p 29, verbete bat.

[21] CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Obra citada, p 620.

[22] KIRCHER, Athanasius. China Illustrata. Trad. Charlers D. Van Tuyl. Oklahoma, Indian University Press, 1986, p 76-77. URL: <https://htext.stanford.edu/content/kircher/china/kircher.pdf>.

[23] CAO ZHI. Bianfufu (蝙蝠赋). Em: Baike.com. Acessado em 19/07/2017. URL: http://www.baike.com/wiki/《蝙蝠赋》

[24] CHIROPTOPHOBIA: THE FEAR OF BATS. Publicado em: BAT REMOVAL PRO: Bat species in the US, Canada and the world. Acessado em 17/07/2017, as 19:46. URL: <http://www.batremovalpro.com/bat-species/>.

[25] Nunca tive aulas de mandarim e não sou estudante autodidata. Para traduzir os textos mencionados neste capítulo converti uma frase de cada vez usando o Google Tradutor <https://translate.google.com.br/?hl=pt-BR> e, depois, o Bing Tradutor <https://www.bing.com/translator/?cc=pt>. Comparei as conversões necessariamente imperfeitas, posto que mecânicas, e busquei as palavras menos inteligíveis em alguns dicionários. Para a paráfrase do Xianjing (仙經) no Běncǎo Gāngmù (本草綱目), utilizei também a tradução de Charles Alfred Speed Williams em Chinese Symbolism and Art Motifs (2012), p 60.

[26] LI SHIZHEN. 【本草綱目新編第六部: 李時珍本草綱目: 五千年中醫藥第一書】 China, Editora 谷月社, 2015, p 23.

[27] WILLIAMS, Charles Alfred Speed. Obra citada, p 60.

[28] CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Trad. Vera da Costa e Silva, e outros. Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p 620; WERNESS, Hope B. Continuum Encyclopedia of Animal Symbolism in World Art. California, Continuum, 2006, p 29; LURKER, Manfred. Dicionário de Simbologia. Trad. Mario Krauss e Vera Barkow. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p 455; WILLIAMS, Charles Alfred Speed. Chinese Symbolism and Art Motifs. Fourth Revised Edition. Vermont, Tuttle Publishing, 2012, p 60-61.

[29] SYMBOL OF BATS IN CHINESE CULTURE, p 2. Em: LEARN CHINESE HELP: Free Mandarin lessons & songs. Postado em 02/16/2012. URL: <http://www.chinesetolearn.com/symbol-bats-chinese-culture-china-bats-regarded-auspicious-creatures-however-cultures-view-bats-evil-mandarin/>.

[30] THE CHINESE HOUSE, GOOD FORTUNE AND HARMONY WITH NATURE. Em: Primal Trek. Acessado em 18/07/2017, 15:32. URL: <http://primaltrek.com/house.html#wu_fu_peng_shou>.

[31] SYMBOL OF BATS IN CHINESE CULTURE, p 2.

[32]CHINESE CHARM INSCRIPTIONS: Listed below are many of the most common Chinese character (symbol) inscriptions (legends) found on Chinese charms. Em: PRIMAL TREK. URL: <http://primaltrek.com/inscriptions.html>. Acessado em 18/07/2017, 16:20.

[33] CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Obra citada, p 620.

[34] LAO-TSÉ. Tao Te Ching. Trad. Huberto Rohden. São Paulo, Martin Claret, 2000, p 54-55.

[35] LAO-TSÉ. Obra citada, p 47.

[36] LAO-TSÉ. Obra citada, p 119.

[37] LAO-TSÉ. Obra citada, p 64.

[38] LAO-TSÉ. Obra citada, p 63.

[39] LAO-TSÉ. Obra citada, p 87.

[40] LAO-TSÉ. Obra citada, p 47.

[41] LAO-TSÉ. Obra citada, p 25.

[42] WILLIAMS, Charles Alfred Speed. Obra citada, p 60.

[43] CONLAN, Thomas D. Armas e Técnicas dos Guerreiros Samurais. Trad. Marcelo Effori de Mello. São Paulo, Escala, março de 2013, p 161-162.

[44] BERTSCHINGER, Richard. O Segredo da Vida Eterna: A versão original do tradicional texto chinês sobre imortalidade. Trad. André Penido. Rio de Janeiro, Record, Nova Era, 1997, p 123-124.

[45] A quantidade de personagens sugere uma representação da folclórica Hyakki Yakō (百鬼夜行), parada yōkai (妖怪) onde uma centena de preternaturais percorre as ruas à noite matando os humanos que encontram pelo caminho e/ou transformando-os em seus iguais. Todavia, o morcego yōkai persegue um antropomorfo yōkai.

[46] WARAI: Humor in Japanese Art from Prehistory to the 19th Century. Em: Japan Foundation, publicado em setembro de 2012. URL: <https://www.jpf.go.jp/e/project/culture/archive/information/1209/09-02.html>.

[47] Menuki (目貫) é um ornamento que fica localizado em ambos os lados da empunhadura da espada (tsuka) parcialmente coberto pela corda (ito). Originalmente o menuki foi adicionado com o propósito de esconder o mekugi (pino de bambu), mas que posteriormente foi mudado de posição para facilitar a montagem de desmontagem da espada.

[48] ALAMEDDINE, Rabih. Japanese Menuki (目貫) (sword mountings) in the shape of bats. Em: Twitter, 13/09/2020. URL: <https://twitter.com/rabihalameddine/status/1305292304551350273?lang=cs>.

[49] WILLIAMS, Charles Alfred Speed. Obra citada, p 61.

[50] PERSONS IN CHINESE MYTHOLOGY – ZHONG KUI 鍾馗. Em: CHINAKNOWLEDGE – a universal guide for China studies. Acessado em 03/06/2013, 13h:38. URL: <http://www.chinaknowledge.de/History/Myth/personszhongkui.html>.

[51] ALAMEDDINE, Rabih. Horaku, Owl and Bat netsuke, early to mid 19th century Japan. Em: Twitter. URL: <https://twitter.com/rabihalameddine/status/1305292304551350273?lang=cs>>. Posto online em 13/09/2020.

[52] HUNTER, Jack. Dream Spectres: Extreme ukiyo-e sex, blood and the supernatural. China, Shimbaku, 2010, p 125.

[53] Ronin é um samurai sem amo, marginalizado.

[54] Mágicos ou não, o medo que os foras da lei tinham da luz foi ilustrado noutra pintura de Shunbaisai Hokuei, datada de 1832, representando uma cena do teatro kabuki onde, após assassinar a noiva do herói Dennai, o vilão Hanbei evita o foco duma lanterna acesa por Lady Osuma usando um disco como escudo. (Gravura Ref. No. E.3873-1916 do acervo do Victoria and Albert Museum). Compare isto com a “lanterna da alma” usada contra o espadachim protagonista do filme Vampire Hunter D (1985) que, por ser vampiro, perdeu a força a ponto de desmaiar.

[55] KUNIYOSHI, Ichiyusai. Bats Blaming Each Other. Em: Richard ukiyo-e. URL: <http://www.japaneseprints-london.com/292/ichiyusai-kuniyoshi-1797-1861-5/>.

[56] TATSUO, Danjyo. History of the Umbrella in Japan and Meaning of Umbrellas in Festivals. Em: HIGHLIGHTING JAPAN (JUNE 2023), p 8. URL: <https://www.gov-online.go.jp/pdf/hlj/20230601/hlj_202306_06-09_history_of_the_umbrella_in_japan.pdf>.

[57] BATS. Em: Kokushu Digital Museum. URL: <https://kokushu-museum.com/en/ukiyoe/ukiyoe-55/>. Acessado em 14/09/2025 – 13h19.

[58] 奇妙な動物/Strange Animals in Ukiyo-e. Em: 太田記念美術館 Ota Memorial Museum of Art. (Conta no Twitter @ukiyoeota). URL: <https://x.com/ukiyoeota/status/580926796192862208>.

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