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Set/Hórus

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por Benjamin Rowe (Todos os direitos reservados)

Tradução: G.T.O.: Grupo de Traduções Ocultas
Tradutor: 2ª edição, Frater Virgulino Lampião vel Luzeiros, 1ª edição LVX NOX (ex- membro).

Meu artigo intitulado ‘Templos Enochianos’ (Enochian Temples) contém diversas “canalizações” que revelam as relações fundamentais existentes entre as Tábuas Enochianas, o caminho da iniciação, e a versão da Árvore da Vida de Frater Achad. Meus próprios comentários em outras partes mostram em detalhes o considerável trabalho de Crowley e Achad e que a relação entre eles é de fato uma representação do mito de Hórus e Set. Meu objetivo neste trabalho é fazer uma breve observação na manifestação destes mesmos fatores em outras partes do trabalho da Tábua da Terra, o trabalho mágico do qual o ‘Templos Enochianos’ é uma parte, e em outros sistemas mitológicos, particularmente a do Romance Arturiano.

Os Gêmeos Extremos (ou Os Gêmeos Terríveis)

Hórus e Set eram originalmente expressões da dualidade primal, os dois aspectos do Céu, o céu diurno e o céu noturno. Como a mitologia egípcia foi elaborada em direção ao seu estado final caótico, seu simbolismo se afastou desses pólos absolutos na terra do meio, tornando-se primeiro solar e, finalmente, tomando uma variante de características solar/marcial e zodiacal. No entanto, sua forma final ainda pode ser expressa em uma simbologia concisa, a dos signos de Áries e Escorpião.

Tomados em totalidade, seu simbolismo é o da dualidade primal manifestando-se em seus aspectos masculinos.

Um resumo de suas características associadas com os deuses mostra suas posições como pólos opostos de uma dualidade. Estas características são extraídas de mitos citados em Deuses dos Egípcios (Gods of the Egyptians) de Budge.

Hórus / Set
Dia / Noite
Vida / Morte
Fogo  / Água
Assassino / Assassinado
Irrompendo da vida / Retirado da vida e seu reaparecimento posterior Abertamente ativo /Reservado
Conquistador & Rei / Vítima & Rebelde
Falcão, Leão, & Carneiro / Serpente, Antílope, Hipopótamo
Ascende para o Céu / Desce para a Terra
Rouba a virilidade de Set / Joga sujeira no rosto de Hórus

Áries é um signo do fogo, representando frescor, energia fluente e a primeira explosão de vida na primavera. Marte rege o signo e o Sol é exaltado nele. Vênus está em detrimento aqui, e Saturno cai. Os planetas detalham o caráter do signo: Marte torna Áries energético, impulsivo, e combativo. Sol abastece o signo com a habilidade de liderança e uma forte tendência para dominar os outros, para exaltar o eu, a personalidade (self). A relação prejudicial de Vênus indica que ele carece de paixão, e a queda de Saturno fornece uma falta decisiva de prudência ou restrição. Basta comparar estas características com as de Hórus listadas acima, e os inscritos no Liber AL para confirmar a identidade do deus e o signo.

Na sua forma mais geral, Áries é representado pelo o mito-padrão, o qual eu chamo de ‘o Homem que Vive’, que aparece em muitos sistemas de mitos, de forma praticamente inalterada. Ele é o guerreiro que por direito de conquista torna-se Rei, e governa até que ele seja superado pela Morte. Cabalisticamente falando, ele representa a transformação do poder sexual marcial em uma criança solar, ou a transformação do fogo pelo atrito em fogo solar.

Escorpião é um signo da água, representando a saída da vida, desde o reino vegetal até o final da estação de crescimento, e sua concentração na semente, que está enterrada na Terra, aguardando uma nova vida. A extensão deste princípio no reino animal considera sua ligação com o ato sexual. Marte também governa este signo, demonstrando sua conexão básica com Áries. Porém, no lugar do Sol, temos Urano exaltado. Vênus permanece aqui em seu detrimento, mas a Lua cai em vez de Saturno. Escorpião compartilha a energia e combatividade de Áries, e a falta de amabilidade, mas a natureza aquosa do signo torna essas características refletidas em si mesmo. Onde o objetivo de Áries é a exaltação do eu, a influência uraniana de Escorpião direciona-o para a desmontagem e destruição do eu, particularmente seu aspecto de Tiphereth.

Hórus não pode manter um estado de ascendência sem um auto-interesse e uma população emocionalmente passiva para governar. Ele exige que a mentalidade rústica de Touro (Vênus governando e a Lua exaltada), que se contenta em ser governado por um longo tempo, esteja confortável e não perturbe em suas próprias buscas. Seu oponente Set/Escorpião busca sair da passividade emocional, criando distúrbios e quebrando os padrões da vida normal, para que as novas condições possam ser criadas.

O mito padrão de Set é o do ‘Homem que Morre’. Em um aspecto, ele é a vítima de Hórus, aquele que é morto para que a reputação de Hórus seja realçada. Exceto pelo assassinato de Osíris, há muito poucos exemplos na mitologia egípcia onde Set se envolva ativamente em violência. Em contraste, os mitos de Hórus são preenchidos com relatos detalhados de massacre. Set tradicionalmente atua como parte da vítima perpétua. Hórus o mata mais e mais, e sempre ele reaparece em outra forma, para ser morto novamente. [1]

Em outro aspecto ele é o rebelde, o homem que não se submete à conquista e vai para o “subterrâneo”, opondo-se secretamente ao conquistador, porque ele não tem o poder de ser opor a ele abertamente. Ele também é o padrão de mártir, que se submete à morte ao invés de abandonar seus princípios. Ou falando em termos mais gerais, o aspecto Águia de Escorpião representa a adesão ao ideal, em sacrifício do mundano. Isto se torna mais importante na análise dos mitos do Graal, como veremos mais tarde. [2]

Há também pelo o menos uma correspondência parcial entre Escorpião e a auto- imolação da Fênix, que destrói a si mesma, a fim de se reproduzir.

Cabalisticamente falando, Set representa a transmutação do fogo pelo atrito (Marte regendo Escorpião) através de uma fase solar escura em fogo elétrico, o fogo da vontade divina (Urano, exaltado em Escorpião). Ele é o Filho Errante, o homem comum que rompe com a vida no seu lar e comunidade, passa por ordálios desconhecidos e provações, e retorna para casa como um semideus para salvar a comunidade da destruição e da opressão pelo conquistador.

Ambos são heróis; ambos necessários para o cumprimento da tarefa do herói. As naturezas fundamentais deles incorporam as mesmas energias, porém com uma ênfase diferente. Embora relacionados com Áries e Escorpião em suas manifestações individuais, juntos eles são os gêmeos representados no signo de Gêmeos. Assim, às vezes eles parecem estar em conflito, como nos mitos de Hórus/Set, Cain/Abel, e Rômulo/Remo, e em outros momentos eles colaboram, como no Romance Arturiano e o mito de Castor e Pólux. [3]

Tal mitologia dos dois heróis surgiu em quase todas as culturas da humanidade. O mito é tão difundido que seria impossível analisar uma parte de suas manifestações neste breve estudo. Os exemplos acima são apenas algumas das expressões mais familiares do passado.

A Epopéia de Gilgamesh, uma das primeiras obras humanas registradas, contem todos os aspectos essenciais do mito. Gilgamesh é o próprio ‘Homem que Vive’ ariano (no aspecto de Áries), crescendo para a humanidade em uma corte estrangeira, retornando como um herói e tomando o lugar de seu pai como rei, morrendo após uma longa vida de governo. Seu amigo Enkidu é sua contraparte escorpiana, nascido e criado nas terras improdutivas, atraído na sociedade humana pelo o prazer do sexo, morrendo após tentar visitar o submundo, enquanto em carne (ou enquanto vivo).

Em cada período ou era astrológica estes dois invertem seus papéis. Na era de Gêmeos, o ariano Gilgamesh vive e o escorpiano Enkidu morre. Em Touro, os cultos primários e antigos de Set aparecem no Egito, e a deusa Canceriana/Taurina e o Deus Chifrudo Capricorniano/Escorpiano da Antiga Religião experimentam um ressurgimento na Europa. Locais invertem novamente na próxima era, com deuses arianos, como Perseu, Teseu e Mitra matando vários animais taurinos (os touros) e monstros escorpianos. Em Peixes, o ariano Jesus morre em um ritual de bode expiatório, traído pelo escorpiano Judas. [4]

Mais tarde, Paulo de Tarso realiza a si mesmo uma traição similar dos ensinamentos, distorcendo-os pela ênfase da morte e aspectos da repreensão orientada em detrimento do aspecto triunfal.

Todas essas inversões tenderiam a indicar que no atual período astrológico Aquariano, Hórus ou qualquer outro deus ariano poderia novamente voltar a dominar. Porém o planeta Urano rege Aquário, e Urano é exaltado no signo de Set. Mercúrio, Thoth, é exaltado em Aquário, e um dos papéis de Thoth na mitologia egípcia era garantir que nem Hórus ou Set jamais pudesse completar a vitória sobre o outro. Portanto, este pode ser um momento em que os deuses se manifestam de forma mais ou menos igual, unindo-se em benevolência como eles estavam em um signo aéreo anterior.

Logo após os primeiros influxos da energia de Aquário, um exemplo de tal cooperação mitológica surgiu na forma de duas figuras históricas, John Dee e Edward Kelly, encarnações anteriores de Jones e Crowley. O nome do lugar de nascimento de Dee e sua casa, Morlake, sugerem a morte na água de Escorpião, assim como sua preocupação obsessiva com a magia (governada por Marte em Escorpião) e astrologia e com as “verdades radicais” (regido por Urano e Plutão). A nobreza de Kelly fez dele, pelo o menos nominalmente, um guerreiro ariano. Sua morte em uma queda de uma torre está

claramente relacionada com a carta do Tarot para Marte, e sua própria obsessão ao logo da vida com a Pedra Filosofal é Solar, confirmando assim o seu lugar como membro ariano do par. A cooperação entre estes dois provocou a primeira manifestação puramente mágica das energias de Aquário, o sistema da magia enochiana.

A evidência parece indicar que uma cooperação similar foi tencionada para as encarnações destes dois, assim como para Jones e Crowley. Considerações astrológicas confirmam a natureza cooperativa-antagônica de sua interação: seus sóis, indicando suas características individuais, estão em oposição. Suas luas estão em conjunção, indicando passados semelhantes. Seus ascendentes estão no meio-céu, indicando que os meios e objetivos atuais, possuem seus aspectos benéficos e antagônicos. Liber AL profetiza tal condição. Mas a parceria foi rompida antes que pudesse se tornar produtiva, e sua interação entrou em um modo competitivo.

Mitos Românticos e As Duas Árvores

A primeira influência da energia de Aquário ocorreu nos séculos quatorze e quinze, o que provocou a Renascença. Assim, não é de se surpreender que os sistemas mitológicos alcançassem a sua perfeição em uma época em que havia ambos os elementos do modo de iniciação Ariano (de Áries) e Escorpiano (de Escorpião). Examinando estes mitos, descobrimos que alguns têm uma correlação quase perfeita com a versão tradicional da Árvore da Vida, enquanto outros correspondem estritamente ao caminho da versão de Jones da Árvore, que incorpora o modo Escorpiano.

Na Árvore tradicional (daqui por diante chamada de “Velha Árvore”) a fórmula de Hórus tem o guerreiro (Marte, o caminho horizontal inferior) que produz uma criança solar (Leão, o caminho do meio) através do Amor divino (Vênus, o caminho superior). Subindo o pilar central da Árvore, ele passa pelas fases de adestramento da reclusão (Saturno), viagem e alargamento da experiência (Sagitário) sob a instrução dos guerreiros mais velhos (caminho de Marte atravessando Sagitário), apresentando ao Rei (Tiphereth), a confirmação de seu senhorio (Leão), e dedicação ao serviço de sua Senhora (Lua) como a encarnação do Amor (Vênus).

Este é a típica concepção da Nobreza nos mitos românticos da época. Tristão, Lancelot, e Arthur são todos modelos desta fórmula. [5]

A obra de Malory Le Morte D’Arthur destila todos estes mitos e os combina em seus contos dos Cavaleiros da Távola Redonda. É fácil para qualquer pessoa determinar as correspondências entre essas partes do livro e os caminhos da Velha Árvore. Mas os contos de Malory dos Cavaleiros do Graal têm uma correspondência mais detalhada com a versão de Jones da Árvore (daqui em diante chamada de Árvore de Achad), assim como com outras lendas como Parsifal.

Na Árvore de Achad, temos o homem da Terra, o homem comum (Touro, o caminho horizontal inferior) que passa por provações e ordálios (Escorpião, o caminho do meio) para emergir como um homem-deus (Aquário, o caminho superior). Seu caminho até a Árvore começa com o vaguear incerto (Ar), durante o qual ele é tentado por duas fêmeas qlifóticas, a ‘Mulher que concede o Prazer’ e a ‘Mulher que concede a Morte’ (Yesod-Lua). [6] Ele sucumbe e é prejudicado por isso, ou escapa por pouco. Ele encontra um sacerdote (Touro, O Hierofante) que ordena a ele sacrificar o uso normal

de uma parte de si mesmo que o fez ser tentado, e voluntariamente dedicar-se ao Verdadeiro Graal do qual as sedutoras eram apenas reflexos pálidos (Água, O Enforcado). Ele faz isso, e os deuses o recompensam com a união plena com sua alma (Tiphereth). Ele então passa por mais provações e ordálios (Escorpião) nas quais ele supera através de sua ‘vontade para o bem’ (Shin, Fogo). Após passar por todos os ordálios, ele entra na companhia das estrelas (Aquário) onde ele alcança tanto o Graal (Binah) e a Lança (Chokmah) que brilham com a luz de Deus (Kether).

O caminho de Achad também é o caminho de Spartacus, o trabalhador-escravo (Touro) que matou seu mestre e se rebelou (Escorpião) para pôr fim ao cativeiro (Saturno, antigo regente de Aquário) e fazer dos escravos homens livres (Urano, novo regente de Aquário). A história de Moisés e o Cativeiro Hebreu possivelmente possuem uma intenção similar.

A história dos Cavaleiros do Graal inicia em Tiphereth, assim como a canalização nos ‘Templos Enochianos’ mencionados acima. A canalização apresentou o caminho como ele é experienciado através do uso de uma técnica especial, que liga o microcosmo e o macrocosmo por experiência direta das energias dos planetas. A história do Graal concede uma visão mais geral do processo. As notas de rodapé mostrarão as correspondências com os caminhos da Árvore de Achad.

Ao cavaleiro foi concedida a união com sua alma, e o Anjo de Deus falou a ele através do caminho de Shin, o pilar da luz no centro do Templo. Ele deixa de lado suas armas elementais menores, sua espada e escudo, em consagração a si mesmo para a busca do Graal. Em sua ânsia, ele vai adiante e se aventura sem armas ou armaduras, e é capturado por outro cavaleiro. [7]

Ele é levado a um castelo, [8] onde ele explica sua busca pelo Graal e implora para ser provido com armas. Sinais e prodígios revelam que ele é o legítimo portador de uma espada mágica sendo mantida no castelo. Um escudo mágico também está presente, e ele é informado de que pode possuí-lo se ele matar um monstro (ou um cavaleiro maligno) que está incomodando os moradores. [9]

Ele destrói o monstro, e vagueia em uma terra deserta [10], vazia de vida humana, onde ele é então confrontado por outros monstros, às vezes mascarados como pessoas e circunstâncias fora de seu passado. As conseqüências das ações tomadas antes que a busca iniciasse não são anuladas por sua dedicação ao Graal, e ele deve lidar com elas merecidamente, pagando eventuais penas devidas por ele, e colher os frutos da ação correta. Mas tudo de uma forma que não dificulte a busca. [11]

Estas aventuras e ordálios trazem-no ao pleno domínio de suas armas. Ele chega a uma capela ou igreja, [12] onde ele conta suas aventuras ao sacerdote. O sacerdote explica o significado de sua experiência em relação ao cosmos [13] e entrega a ele a hóstia consagrada, confirmando seu direito ao escudo. A ele é informado sobre um castelo de pedra negra onde o Graal é guardado. [14]

Ele viaja para este castelo, associando-se com dois de seus companheiros, Cavaleiros do Graal.

Eles entram, e são convidados ou solicitados a tentar a restauração de uma espada mágica que feriu o Rei do castelo. O melhor dos três Cavaleiros segue, sinalizando o cumprimento da busca. [15]

O Graal é obtido. [16] Os três cavaleiros são apresentados a três grupos de outros três cavaleiros que vieram do sul (Gália), leste (Dinamarca), e oeste (Irlanda). Juntos eles completam o círculo do zodíaco, formando a Companhia das Estrelas. [17] Os cavaleiros festejam sobre os frutos da Terra e bebem do Graal. A Lança Sagrada é levada adiante, e o melhor dos cavaleiros usa-a para curar as feridas do velho rei. [18]

Os cavaleiros se aventuram após a festa e são capturados e presos. [19] O Graal trata de suas células e eles são sustentados por ele. O rei do castelo morre, e as pessoas libertam os cavaleiros. O povo declara o melhor dos cavaleiros para ser seu novo Rei. [20] Os cavaleiros criam um baú de ouro e jóias para o Graal, declaram a santidade do baú, e rezam diante dele diariamente. [21]

O Anjo da Presença aparece para eles na forma de um santo eremita. [22] O Anjo os abençoa e decide a direção de sua missão. O melhor dos três cavaleiros é levado para o céu imediatamente, levando o Graal e a Lança com ele. [23] O Segundo melhor torna-se um sacerdote, e se retira do mundo. [24]

O último dos três retorna para o mundo. [25]

A História Termina

Os parágrafos acima são um resumo das aventuras dos três Cavaleiros Escorpianos do Graal, Galahad, Percival, e Bors, assim como eles são retratados na obra de Malory. Os eventos são listados na ordem em que eles ocorrem na história. Somente alguns pontos foram tomados de outras versões das lendas do Graal. Malory escreveu a mais de quatrocentos anos antes de Jones revelar a Árvore de Achad, contudo, o simbolismo da história da árvore corresponde exatamente. A lenda de Spartacus é mais antiga que o cristianismo, mas os detalhes de seu simbolismo podem ser ligados a Árvore de Achad diretamente.

O Abismo e os dois sistemas

A Terra Desconhecida (ou Desértica, infértil) das histórias do Graal, corresponde à área da Árvore delimitada por Geburah, Chesed, Binah, e Chokmah. Esta é a área da ‘falsa esfera’, Da’ath, e do assim chamado Abismo, ambos muito falados entre os magos nos últimos anos. Nos sistemas iniciáticos baseados na Antiga Árvore, ela é percebida como um reino de horrores e de uma dilaceração do eu (self).

No entanto, as formulações das histórias do Graal e das canalizações nos ‘Templos Enochianos’, reduzem o Abismo quase a uma ninharia, e nega a existência de algo semelhante à Da’ath. Em vez disso, são mostrados indiferença e falta de sustento, falta de significado, ilusão e decepção como as experiências primárias nesta área da Árvore. A razão para esta principal diferença entre as duas formulações do caminho está na maneira em que a mente é percebida e tratada.

O sistema ariano-solar da Antiga Árvore percebe a mente como um aspecto de Deus. Na verdade, o nome de deus de Tiphereth é exatamente isso: IHVH ALVH VDOTH, “Deus se manifesta na Esfera da Mente”. Todas as técnicas mágicas deste sistema são destinadas para tornar a mente (ou seja, Ruach) formular-se de tal forma, que é a melhor aproximação possível do que está sendo invocado. Quando uma quantidade suficiente do material mental é levada para a formulação, há um fluxo automático da força de níveis mais altos seguindo a Lei de Similaridade ou Congruência. É a exaltação através da força da união.

Os sistemas uraniano-escorpianos, por outro lado, percebem a mente como um aspecto da matéria. Suas técnicas são todas concebidas sob o pressuposto de que o espírito que os tipos Solar invoca é algo que já está no indivíduo em proporção plena. De sua perspectiva, o problema não é o de unir os separados, mas de descobrir o espírito de compreensão e eliminação daquilo que ele concede. Sabendo que o espírito imortal já faz parte de si mesmo, eles estão dispostos a testar cada aspecto de seu próprio ser ao ponto da destruição, sob o pressuposto de que a parte que eles não são capazes de destruir deve ser a manifestação de Deus. Deles é o caminho da exaltação através da força de separação.

Nos sistemas escorpianos, Da’ath é uma reminiscência de uma ilusão ótica familiar em que quadros pretos que estão rigorosamente arranjados em linhas e colunas em um fundo branco. O olho produz manchas pretas onde quatro quadrados se encontram, ainda que não exista nada lá, além do papel branco. É preciso um ato consciente de vontade para não ver os pontos negros. Da’ath é uma ilusão similar com o vigor de Ruach por trás. Ruach vê este espaço vazio no meio da Árvore superior, e sua tendência natural é a causa para produzir a ilusão da sephira ou da esfera. O que está exatamente acontecendo é que as seis esferas (sephiroth) ao redor deste espaço vazio exercem uma atração uniforme para fora. A mente, com seu hábito solar de criar entidades centralizadas, interpreta de forma incorreta a atração para fora como um empurrão para fora vindo do meio do vazio. Ela (a mente) inventa uma entidade para fazer o empurrão, o Morador do Umbral, e um lugar para essa entidade residir, Da’ath. As características positivas de Da’ath descrita por alguns magos estão em uma examanição próxima daquela que parece ser forçada, uma mistura insegura e instável das características de Chesed e Binah, ou dos caminhos de Escorpião e Aquário que fazem fronteira com a terra infértil nos lados inferior e superior.

A prática dos sistemas solares-arianos de iniciação tende a incentivar a produção dessa falsa percepção. Sua prática é toda baseada na tomada das tendências naturais de Ruach, o ser Solar, e expandi-las ao máximo. Assim, quando eles alcançar um ponto em que o modo solar não é mais válido, o habitual uso deles muda a transição no próximo modo em um último desastre para a identidade pessoal.

Os sistemas escorpianos de iniciação evitam estas armadilhas em particular. Uma vez que eles são orientados desde o início até desmontagem intencional do eu pessoal, a inércia de seus trabalhos se mistura suavemente na última desfragmentação que precede a entrada nas esferas mais altas. O verdadeiro cruzamento do “Abismo” simplesmente torna-se, para eles, a cessação da necessidade de iniciar o desmontar do eu individual.

Porém, esta transição só é alcançada com um custo: o principiante escorpiano troca uma grande morte para uma série de mortes menores quase contínuas, voluntariamente empreendidas ao longo da vida encarnada. [26] Como uma conseqüência, sua experiência de todo o caminho é mais distribuída, retraindo a dor espiritual e o desconforto que a do iniciante ariano. Mas sua habituação à experiência da dor faz com que sua transição para as esferas superiores (supernais) torna-se uma experiência de enorme alívio, ao invés de uma experiência aterrorizante. Acostumado ao atrito com o seu ambiente, ele de repente se torna sem atrito e de fluxo livre. A experiência também pode ser bastante parecida com a de um homem afogando-se, que finalmente consegue quebrar o piso para obter o ar limpo.

Mas mesmo para um adepto ariano, conscientemente condicionado em mente para a perspectiva correspondente sobre o Abismo, elimina muito dos horrores anteriormente ligados com a passagem para as esferas superiores. Pode-se treinar o Ruach para não ver a Da’ath ilusória sem alterar a sua natureza essencial. A tentativa também dá ao mago uma lição de perspectiva incrível com a qual Ruach faz projeções de si mesmo.

Se alguém avaliar os dois sistemas em termos de intensidade total das dificuldades experimentada, parece que no fim eles são quase iguais. Não há nenhuma razão particular para escolher um ao invés do outro, exceto a preferência pessoal e a tendência. Eles são verdadeiramente um sistema, pois os mesmos estágios (sephiroth) devem ser observados em ambos os casos. Somente o grau de ênfase muda de um para o outro. No processo de multi-encarnação da evolução, é provável que o indivíduo trabalhará com ambas as abordagens muitas vezes.

O leitor pode perceber uma conexão entre a perspectiva Escorpiana como descrita aqui, e os princípios desenvolvidos pelo Buda (Buddha). Isto não é um acidente: Buda foi a expressão da perspectiva Escorpiana dentro de sua própria época e cultura. Seu nascimento, iluminação, e morte, ocorreram quando o Sol estava em Touro, e a Lua cheia no signo de Escorpião, significando-o como um exemplo do eixo do zodíaco.

Mas a perspectiva cultural produz diferenças entre o budismo e o Ocidente, expressão mágica do eixo Escorpião-Touro. Buda reconheceu a tristeza como o resultado inevitável da interação entre o espírito e a matéria, mas seu único objetivo era eliminar a possibilidade da tristeza pela eliminação de sua conexão com a matéria. O adepto Escorpiano percebe a tristeza como um estágio intermediário em seu esforço para trazer um fluxo livre entre a matéria e o divino, vontade criativa. Em todos os planos, a natureza da matéria está inerte. Ele tende a manter o seu rumo definido até que a vontade seja forte o suficiente para mudar esse curso. Até que a força seja alcançada, resulta atrito: dor é o resultado do atrito. Quando a vontade supera a inércia da material, fazendo com que se ajuste totalmente para o impulso da vontade, em seguida, de um ponto de vista a vontade do atrito cessa, e a dor cessa.

Buda afirmava que o universo perceptível é Maya, ilusão. O adepto Escorpiano reafirma esta idéia com termos um pouco diferente, dizendo que todas as percepções são limitadas ou parciais por parte da própria natureza do mecanismo de percepção. Mas ele reconhece ainda que as ilusões possuem uma espécie de ordem, e que essa ordem é determinada em todos os aspectos da interação da vontade e da matéria. Vontade e material são ambas totalmente misteriosas em si mesmas. É somente através da compreensão dos padrões tomados pela ilusão que da interação deles gera, que chamamos por nomes como Mente, Ruach, Alma, e consciência, que podemos chegar a alguma consciência de natureza intrínseca.

A fórmula expandida — INRI/IRNI

O mito dos dois heróis, ou os dois deuses, formam o núcleo da fórmula INRI, uma das mais sutis e misteriosas de todas as fórmulas mágicas. No sistema da Golden Dawn, esta formula é equiparada e interpretada nos termos da fórmula de IAO. Mas há só uma correspondência parcial entre estas duas formulas; IAO é uma fórmula especialmente solar, uma única expressão no tempo e espaço de uma concepção geral de INRI. Em uma interpretação, INRI reflete exatamente a fundação astrológica dos mitos de Set/Hórus. Isto é, um mito de Gêmeos, forças gêmeas representada por duas letras I ou pilares, cuja interação é definida pelos modos de Escorpião e do Sol em sua exaltação. O que foi dito até agora neste trabalho é de fato um exame desta interpretação de INRI.

Na interpretação mais abrangente, o ultimo I de INRI não é redundante, mas exprime uma perfeição de que é apenas oculto no primeiro I. O simbolismo da alquimia mostra isso melhor. A seguinte tabela mostra as correspondências básicas.

Todos os processos alquímicos envolvem a mudança da material em essência ou elixir pelas várias seqüências de Solver (Solve) e Coagular (Coagula), de dissolução e concentração. Em uma descrição do trabalho, o calor (Marte) é aplicado a material prima, resultando na separação de seus componentes (Urano), e a redução da “cabeça de morto” (Escorpião) para uma cinza, o sal alquímico. Mais calor sendo aplicado aos componentes separados causa uma primeira coagulação (Sol), em seguida, uma separação dos ativos de enxofre (Áries) de Mercúrio.

(Basil Valentine observa que estes processos raramente ocorrem sem o aparecimento simultâneo dos complementos Taurino e Libriano. Suas descrições são demasiadamente prolixas para citar, mas a leitura cuidadosa indica que estes complementos que operam sob a fórmula AGLA, podem ser considerados o complemento de INRI. O Aleph do Ar ou espírito substitui os Yod’s terrestres, o Gimel da Lua substitui o Resh do Sol, e Lamed/Líbra substitui Nun/Escorpião.)

Vimos anteriormente que os dois heróis são até certo ponto, intercambiáveis. Dependendo da circunstância, um ou outro domina a relação. Um princípio similar vale para INRI. As duas letras centrais podem ser intercambiáveis, sem destruir a validade da fórmula. IRNI trabalha tão bem quanto INRI. Com relação aos ‘Templos Enochiano’ e o sistema de Achad, INRI representa a formula de iniciação em que se aplica à humanidade como um todo, enquanto IRNI aplica-se ao caminho iniciático dos individuais.

IRNI — a fórmula individual

A fórmula IRNI divide o caminho de iniciação em quatro estágios:

Terreno/Lunar: abarcando todos os aspectos da personalidade, representado na Árvore da Vida pelo triângulo formado por Netzach, Hod, e Malkuth, com Yesod como um ponto de foco principal. Elemento da Terra.

Solar: relacionado com os poderes da alma desperta. Este estágio é mostrado na Árvore pelo retângulo de ouro que está ao redor e focado em Tiphereth. Elemento do Fogo.

Transicional: relacionado com a passagem da consciência da alma a consciência divina. Representado na Árvore pelo retângulo aurífero sem centro formado por Chokmah, Binah, Chesed e Geburah. Elemento da água.

Divino: relacionado com as atividades da consciência transcendental ou divina, e é representando na Árvore pelo triângulo de Kether, Chokmah, e Binah. Elemento do Ar. Estes quatro estágios foram examinados nos ‘Templos Enochianos’ e os dois documentos até agora lançados na série sobre Cabala de Achad. Minha intenção aqui é delinear a expressão destes quatro estágios em Le Morte D’Arthur.

O trabalho de Malory divide-se claramente em duas partes, aquela relacionada com Arthur e os Reis da Távola Redonda, e aquela relacionada com os Reis do Graal. As histórias da Távola Redonda relatam principalmente às duas primeiras etapas, mostrando a transição da consciência humana normal para a consciência solar, finalizando com o início do terceiro estágio. O simbolismo da Torre Destruída permeia as partes do livro relacionado com Arthur e os Reis da Távola Redonda. O próprio título mostra isso como um tema central. Todo o heroísmo, triunfo, e glória retratada é negada pelo “Morte Saunz Guerdon”, o desastre absoluto com o qual ele termina. A ascensão gloriosa é seguida pelo desastre que é característica das energias marciais, e do signo de Áries.

A Torre em si nunca é mencionada explicitamente no livro, mas é o tema central dos eventos que precederam a abertura do livro. Antes do início do livro, a Grã-Bretanha é composta por inúmeros reinos menores, constantemente em guerra uns com os outros, e reinado apenas vagamente por um rei falso, Vortigern, o usurpador. Este estágio corresponde ao estágio lunar, e Vortigern à personalidade desintegrada e ao tipo inferior de Áries, que é capaz de guerrear e assassinar, mas não tem capacidade de unificar, a habilidade fornecida pela influência do Sol. Vortigern, por medo [27] dos verdadeiros príncipes Pendragon e Uther, tenta construir uma forte torre como um local de defesa contra eles. Mas a cada vez que ele constrói, a torre cai sem nenhuma razão.

Consultando seus astrólogos, a ele foi dito que para a torre permanecesse em pé, a pedra angular ou o alicerce deve ser banhado no sangue de uma criança que não tivesse pai mortal. [28] Este, acabou por ser o filho de Merlin. Porém o confrontou com o verdadeiro motivo para derrubar a torre: a torre foi construída sobre a caverna de dois dragões, cujo conflito o faz ir para baixo (da terra). Indo abaixo da torre, Vortigern descobriu os dois dragões, um vermelho e um branco. Os dragões lutaram, e o dragão branco matou o vermelho.

O dragão vermelho era naturalmente o Vortigern simbólico, sendo o vermelho de Marte. O dragão branco representava os verdadeiros príncipes, sua cor representa o brilho do sol. Logo após este incidente, Pendragon e Uther invadiram a Grã-Bretanha, Vortigern foi morto, e Pendragon assumiu o trono como rei legítimo. Mas Pendragon e

Uther são em si ainda essencialmente do tipo marcial, em vez de solar. O nome Pendragon significa de fato “senhor da guerra” ou “líder da guerra”. A obsessão sexual de Uther com Igraine é obviamente marcial. O verdadeiro tipo ariano, marcial e solar, não aparece até Arthur surgir. Mas, sendo os verdadeiros e vitoriosos governantes, eles representam a personalidade integrada, que é a precursora da fusão com a alma.

Quase todos os Cavaleiros da Távola Redonda seguem esse mesmo padrão de triunfo seguido por infortúnio. Nenhum deles poderia lidar com o lado negro escorpiano da força marcial, e sofrer como um resultado. Aqueles cujo sucesso pessoal não foi marcado pelo infortúnio, foram apanhados no infortúnio geral da morte de Arthur.

Como mencionei anteriormente, ambos os caminhos, ariano e escorpiano, diferem principalmente na ênfase. Cada um contém o outro até certo ponto. Dentro do simbolismo ariano de Arthur e da Távola Redonda, Merlin representa a presença sombria do aspecto escorpiano. Ele é o filho de uma donzela e um íncubo (incubbus), representando o eixo Touro/Escorpião (e possivelmente a Antiga Religião, ainda influente na Grã-Bretanha naquela época). Ele é um mestre da magia. Dependendo da versão, ele termina sua vida, ou Escondido em um arbusto de espinho (atribuído a Escorpião) ou enterrado em uma caverna (novamente Escorpião, o submundo).

Sua morte ou desaparecimento ocorre apenas quando a Busca pelo Graal começa, como se sua presença não fosse mais necessária com a vinda dos Cavaleiros Escorpianos do Graal entrando em primeiro plano. Seu lugar é tomado por Lancelot, que representa a presença solar dentro do simbolismo predominantemente escorpiano dos Cavaleiros do Graal.

Merlin é um arquétipo escorpiano, a extremidade de Arthur em uma morte sem recompensa, é inerente aos eventos pelos quais ele foi levado a nascer. Pois foi Merlin que planejou para Uther ser espirituoso em Tintagel, e deitar-se com Igraine no semblante de seu marido para que Arthur fosse concebido. E foi ele em cujas mãos o recém-nascido foi entregue.

Os meios de ascensão de Arthur ao trono estabelecem que ele encarnava os mistérios menores do punhal e do pantáculo, de Tiphereth e Malkuth/Yesod. A espada na pedra é a correspondência direta a estes instrumentos mágicos, e ao fato de que eles são dispostos juntos indicando a fusão do ser terreno com a alma. A espada em acréscimo confirma o caráter marcial/solar de sua expressão, pois é o instrumento de Marte, bem como o punhal do Ar, e as letras são escritas sobre ele em ouro, o metal do Sol.

Então, onde Uther e Pendragon são a personalidade integrada, o aspecto Netzach, Arthur é a própria alma vindo à plena consciência. Ele não só une os diversos reinos da Grã-Bretanha sob a mesma bandeira, mas serve bem como o ideal para que todos os reis e cavaleiros menores, e as próprias pessoas, aspirem. Sua presença causa o alinhamento de todas as castas da sociedade britânica para uma única finalidade, assim como a alma trás os veículos inferiores ao alinhamento com os seus próprios propósitos. Sua conquista sobre os saxões invasores pode então ser equiparada à eliminação pela alma de toda a personalidade que é imprópria.

Na canalização em ‘Templos Enochianos’, a conquista da personalidade pela alma é seguida por um período de paz e prazer. Nos mitos arturianos, este é o período após a

conquista dos invasores, e antes do início da busca pelo Graal. Mas este período chega ao fim quando distúrbios de outro tipo surgem. Estes novos problemas não provêm a partir das causas naturais. Em vez disso, eles vêm do espírito. A flexibilidade dos desafios da existência encarnada trás um relaxamento para a alma que permite que influências anteriormente despercebidas afetem os acontecimentos. As canalizações indicam que as influências vêm principalmente dos planetas, representando o macrocosmo. Este estágio é representado no mito arturiano por uma perturbação nos cavaleiros. A união adquirida na batalha começa a se dissolver, e eles lutam entre si e com outros cavaleiros britânicos. Alguma distração é necessária, caso contrário o reino cairá na desordem anterior.

Durante este tempo Merlin havia sido superado por seu oposto taurino, Viviane, e retirou-se ao segredo de seu próprio signo de Escorpião. Mas brevemente ele reaparece no momento de anunciar a Busca pelo Graal, e profetizar sobre aqueles que terão sucesso na busca, principalmente sobre Galahad.

Galahad, a cavaleiro perfeito do Graal, é a criança de Lancelot, o cavaleiro mais perfeito do mundo após Arthur. O nome Galahad também é o nome de batismo de Lancelot, indicando que seu filho representa uma extensão de seu ser mundano em um contexto espiritual. Há um eco disso nos tempos modernos, na forma que Crowley como Hórus gerou a “criança mágica”, Jones/Set.

Galahad é o próximo passo além da pura consciência solar, em que a alma a perceber-se não como o Senhor da Criação, o pólo positivo da polaridade Malkuth-Tiphereth, mas como um aspecto intermediário entre o espírito e a matéria. Como um aspecto intermediário, suas características e sua própria existência são determinadas pela interação desses dois grandes pólos. A fim de unir-se ao divino, ele deve passar pelo processo de destruição ou vertimento desses aspectos de si mesmo que são causados pelo pólo material.

Esse processo destrutivo é interpretado como purificação nas histórias do Graal, e pureza sexual ou abstinência é considerada ser uma necessidade básica. Atividade sexual normal tende a reter a consciência no corpo e, portanto, a polaridade Tiphereth- Malkuth.

Praticantes dos sistemas tântricos são capazes de superar esta tendência, mas a magia tântrica é relacionada ao caminho de Hórus, o caminho de exaltação através da união. As histórias do Graal como Malory narra estão em si relacionadas com o caminho de Set, de exaltação através da separação.

Contudo, as histórias do Graal mostram claramente que a superação dos impulsos sexuais normais destina-se a ser uma parte do caminho que eles expressam. Há o Siege Perilous, o qual mata qualquer cavaleiro mundano que sente nele. Há a “Espada que foi quebrada”, e o rei que foi ferido na coxa pela Lança Sagrada por ter pensamentos lascivos sobre uma serva do Graal. Estes símbolos são todas as correspondências para a Torre Arruinada, que figuram tão fortemente nos contos da Távola Redonda. Somente Galahad, o cavaleiro virgem, pode sentar no Siege, e somente ele pode reparar a espada que foi quebrada, e manejar a Lança para curar o rei.

Há também um número de episódios nas histórias que tratam explicitamente com os testes de pureza sexual dos Cavaleiros do Graal, e os três cavaleiros que alcançam o Graal são classificados de acordo com a maneira pela qual eles passam por estes testes. Galahad, que nunca respondeu à tentação, foi classificado em primeiro lugar. Percival, que respondeu, mas superou a tentação é classificado em Segundo lugar. Bors, o último classificado, é aparentemente mais do tipo ariano do que do tipo escorpiano. Sua tentação não foi evidentemente sexual. Contudo, ele interpreta o típico ritual de dois heróis, no qual o ariano ‘herói-que-vive’ deve assassinar o ‘herói-que-morre’. O teste é ver se ele pode se livrar do papel ariano pela negação de matar. (Observe que não é a repressão da força marcial que é mostrada nessas histórias, mas o redirecionamento consciente da força para um objeto espiritual.)

Após passar os testes, os três cavaleiros estão prontos para alcançar o Graal. Sua realização é fácil, em comparação com a experiência do Abismo comum para o caminho de Hórus. Horrores faziam parte de seus testes e não precisavam ser experimentados novamente. Duas versões diferentes de expressar essa conquista, ambas expressam a mesma essência em símbolos diferentes.

Na primeira versão, os três cavaleiros simplesmente chegam à beira do mar, e descobrem um barco ricamente decorado. Dentro do barco eles descobrem o Graal. O mar neste caso é o aspecto aquoso de “N” de IRNI. O barco flutua sobre o mar como o iniciante que alcança Binah flutua livremente sobre a área transitória da Árvore superior. O Graal em si é Binah, a Mãe Superior.

A segunda versão é a única usada por Malory, e foi descrita na parte anterior deste documento lidando com a história relacionada à Árvore de Achad. Carbonek, o castelo transformado em carvão, é claramente Binah. Os três cavaleiros simplesmente chegam ao castelo e são recebidos por aqueles que cuidam do Graal. Após uma demonstração da aptidão dos Cavaleiros (por ter remendado a espada que foi quebrada) eles festejam e são alimentados pelo Graal.

Ambas as histórias demonstram que a passagem para a Supernas não é uma provação no caminho escorpiano, mas um alívio da provação. Tudo da provação tem sido feito ao longo de todo o caminho, e a provação final é simples e livre de dor ou terror.

INRI — a fórmula grupal ou comunal

A aplicação de INRI para a humanidade é apresentado no O Livro dos Seniores, outra parte do trabalho da Tábua da Terra. Aqui vimos a fórmula básica de Set/Horus modificada pela adição de Ísis (Terra/Lua, primeiro I) e Thoth (Mercúrio, último I). Osíris, humanidade, não é mostrado nesta fórmula porque ele é o sujeito a quem os outros deuses estão agindo.

A história dos Seniores segue uma das muitas versões do mito de Osíris. Nesta versão particular, Ísis abandona Osíris nas mãos de Set, que lacera ele em pedaços e enterra estes pedaços sobre a Terra. Hórus domina Set e recupera os pedaços, os quais são então reunidos e reanimados por Thoth.

No estágio de Ísis, a humanidade é mostrada na condição de inocência, vivendo no plano astral do planeta Terra, mas ainda não encarnada. Neste ponto a humanidade não

desenvolveu o senso de individualidade ou a consciência de mortalidade, e não é mais que um tipo de deva ou espírito natural especializado em uma função específica. Ísis/Terra decide que a humanidade pode ser usada como a ferramenta pela qual ela pode se libertar das forças involucionárias, as quais ela havia absorvido na mesma em que elas não se manifestavam em outras partes do sistema solar.

Para realizar esta tarefa, ela precisa que a humanidade seja levada de seu estágio de inocência pela introdução da individualidade e mortalidade. Ela recorre a Set, a serpente, que governa a ação do próximo estágio, com Hórus tomando um papel menor.

Set primeiro cria corpos nos quais a raça-alma humana possa encarnar, através de um processo de evolução forçada trabalhada no material da Terra. Ele e Hórus, ambos tentaram criar diferentes tipos de corpos através de métodos diferentes de evolução. Os do tipo de Hórus são considerados inadequados para a tarefa, e os do tipo de Set são autorizados a prosperar e se desenvolver. (Na versão cristã distorcida do conto, a Serpente corrompe Eva para seus próprios fins, um pouco diferente da outra forma.)

Uma vez que os corpos foram desenvolvidos, Set criou uma abertura na barreira entre o domínio astral e físico. Ele então tenta aspectos suscetíveis da raça-alma na encarnação. As qualidades e percepções que eles assimilam ou adquirem através da encarnação influenciam a raça-alma, causando um rompimento de sua unidade natural, e sua quebra em almas individuais do tipo atualmente possuído pela raça. Assim, ele “dilacerou Osíris em pedaços”.

Set usa as forças involucionárias para arrastar todas as almas no ciclo de encarnação. Tendo focado sua consciência no plano físico, ele fecha a passagem entre os planos, trancando-os. Ele espalhou os pedaços de Osíris e os enterrou na Terra. (Na versão cristã, Eva tenta Adão a comer a maçã, a fruta da experiência encarnada, levando-os a serem expulsos do Jardim do Éden e lançados no deserto da existência terrena.)

Tendo fechado a passagem, Set distribuiu a força involutiva na aura dos seres humanos, cada um à sua capacidade, e libertando o restante de volta ao ambiente. (Criando assim o “pecado original”, não mencionado na versão egípcia.) A intenção de Ísis era de que ela se livrasse das forças involutivas através dos esforços da humanidade para sobreviver e para melhorar a condição da humanidade na Terra. Tendo memórias inconscientes de sua existência anterior em um plano superior, as almas humanas estariam perpetuamente criando formas-pensamentos do desejo de retornar a este plano. Estas formas-pensamentos diretamente contrariavam a tendência da matéria-orientada da força involutiva. Suas tentativas de ganhar controle sobre seu ambiente físico também gerou pensamentos contrários, já que o controle implica em ordem imposta, e o aspecto involutivo se relaciona fortemente à aleatoriedade.

Como a história é contada no O Livro dos Seniores, essa eliminação das forças involuntivas foi completamente realizada antes do início da história registrada. Tudo o que se passou desde então tem sido destinada para a reunificação da raça-alma. Assim, a era de Set terminou, e a era de Hórus, representando o aspecto solar ou coagulação, começou. Hórus recolheu os pedaços de Osíris e os reuniu em sua forma anterior, mas ainda ausente de sua vitalidade original.

Hórus é um deus da conquista, e conquista tem sido o principal meio pelo qual a humanidade tem sido reunida. De grupos dispersos vivendo em quase isolamento, a tendência desde a última era do gelo tem sido a de constantemente trazer os grupos cada vez maiores de pessoas para a atividade coordenada. A figura marcial/solar, o chefe de guerra ou rei, foi dominante durante a maior parte deste período, tanto como líder e chefe de guerra, quanto como um ponto de foco para a consciência dos indivíduos que compõe a sociedade. Neste ultimo papel ele age como o ego, a motivação do auto- interesse que determina as ações da comunidade. Ele é o equivalente social das idéias e objetivos individuais.

Após o grupo atingir certo tamanho, a importância do indivíduo diminui e o poder começa a ser distribuído dentro de um grupo maior. Outros indivíduos parecem que expressam as intenções de grupos especiais dentro da estrutura social. Eventualmente, um ponto é alcançado quando o rei solar atua apenas como um entre muitos com um poder mais ou menos igual na sociedade. Esta é a correspondência social do estágio de evolução individual onde o poder do sol em seu signo astrológico e os outros planetas do padrão de cada um se tornam foco da parte da atenção do indivíduo, interagindo uns com os outros e com o signo do sol em uma constante dança de atividade.

Mas ao contrário do original, a humanidade naturalmente unificada, esta nova organização está sendo construída no lado material da existência e não estritamente no lado espiritual. É uma tentativa de recriar a unidade original na matéria. Embora a tentativa tenha tido seus avanços cíclicos e retiradas, cada ciclo criou grandes grupos em cada civilização sucedida.

Hoje, um ponto foi atingido quando toda a humanidade é efetivamente um organismo econômico, cada parte dependente e afetada por todas as outras partes.

Nenhum país ou cultura é independente dos outros. Apesar desta união de fato, as percepções mentais da raça ainda não se ajustaram, de modo que ainda há um sentimento de nacionalismo ou chauvinismo, do “nós contra eles”, em uma grande parcela da população. A circunstância gradualmente eliminará essa percepção como vários desastres econômicos e políticos dos pontos de vista nacionalista, forçando as pessoas a reconhecerem a interdependência como um fato. A necessidade de prevenir a recorrência de tais desastres forçará uma adaptação a esse fato com base em considerações de ordem prática, mais do que em qualquer outra base particular idealística ou política. Ajustes que crescem a partir das necessidades da vida, como estes, tendem a ser absorvidos e retidos em uma cultura onde as resoluções adotadas de início (ou forçadamente impostas por uma classe dominante) eventualmente morrem.

Thoth governa este estágio final, pois é a comunicação que está criando as circunstâncias onde esses ajustes podem ocorrer. A velocidade de comunicação e transporte sempre foi o principal determinante do nível de interdependência. Onde as comunicações são lentas, as mudanças se espalham vagarosamente e as pessoas em uma parte do mundo são capazes de pensar em si mesmos como separados do resto. Onde as comunicações são aceleradas, as expansões das mudanças também aceleram, e eventos ocorrem em uma distância assumem uma maior importância.

Hoje temos uma situação em que os eventos em qualquer parte do mundo pode ser conhecidos em qualquer outra parte quase que instantaneamente. Nossa percepção de

distância tem sido oprimida e negada. Uma rebelião ocorre no Tibet, e podemos ver aqui como ela aconteceu, onde, no mínimo em cinqüenta anos atrás, o caso teria sido resolvido muito antes de que nós pudéssemos saber dele. Paralelo a isso, agora podemos exercer influência sobre os eventos em qualquer lugar no mundo, como eles acontecem, quase tão facilmente como nós podemos influenciar os acontecimentos em nossa própria vizinhança. A “aldeia global” de McCluhan tornou-se um fato da vida.

É essa comunicação instantânea que quebrará as barreiras do nacionalismo e cultura chauvinista, criando uma percepção global da humanidade como uma civilização interdependente. Isso não quer dizer que as diferenças culturais deixarão de existir. Na verdade, o atrito entre culturas é suscetível de aumentar antes que a adaptação ocorra. O atrito entre as perspectivas culturais forçará a adaptação, tanto quanto as considerações de ordem econômica. Mas o resultado final será um grande enfraquecimento do sentido de “diversidade” que as pessoas possuem para com as culturas diferentes.

Quando a percepção cultural de interdependência é alcançada com a interdependência econômica, a raça humana como um todo vai estar em um estado que corresponde ao da personalidade do indivíduo integrado quando ele está pronto para a fusão com a sua alma. Aos poucos, o véu entre o aspecto raça da personalidade e a raça-alma cairão, e as energias e uma maior sensibilidade que tem sido obtida através dos aeons de trabalho no ciclo de encarnação será unido de volta para a raça-alma, tornando-a consciente de si pela primeira vez como uma entidade com uma existência além dos indivíduos cuja existência contribui para eles.

Osíris, descoberto por Ísis, dividido por Set, e unido novamente por Hórus, desperta novamente a vida pelo poder das palavras de Thoth. Com o despertar dessa grande consciência, as pessoas que estão prontas para a fusão com sua própria alma, descobrirão que a fusão também lhes trás para a esfera de atividade da raça-alma. Elas serão capazes de participar conscientemente nas deliberações e ações do ser como ele busca se manifestar na matéria através da humanidade, mantendo ainda a sua distinção como seres individuais com a capacidade de evoluir ainda mais, além dos níveis onde a raça-alma vive.

Notas de Rodapé

1 — A manifestação humana mais comum no padrão de Set ‘morrendo e reaparecendo’ está nos casos de repreensão sexual, onde a força-vida, privada de sua expressão normal por seu caráter autoconsciente (= Sol), encontra saída em comportamentos bizarros, compulsivos, ou neuróticos.

2 — A última linha na lista das características descreve a forma pela qual cada um dos deuses luta com o outro, nos mitos primários de suas batalhas. Ela mostra as raízes primais dos simbolismos destes dois deuses, uma vez que estas duas ações são métodos de expressar dominância e negar a dominância que os seres humanos compartilham com a maioria dos primatas superiores. Em nossa cultura ocidental estes comportamentos têm sido sublimados, mas ainda aparecem com força total. Em outras culturas, eles aparecem freqüentemente em sua forma original.

Hórus furta a virilidade de Set, o que significa que como conquistador, ele força sua vítima a assumir o papel feminino em um ato homossexual, seja oral ou anal. A maioria das lendas de suas batalhas contém referências a Hórus correndo com sua lança (um símbolo tradicional para o pênis) através do corpo de Set de baixo para cima, ou das partes inferiores à cabeça, ou, alternativamente correndo com sua lança através da cabeça de Set, e exibindo seu corpo para seus seguidores. Ser forçado à submissão pública de um ato homossexual é uma expressão comum de dominação entre primatas. Um padrão similar é mostrado nas culturas hispânicas, onde somente entre o homem que assume o papel feminino é considerado homossexual. Para o homem que assume o papel masculino, o ato é considerado evidência excepcional da virilidade. A cultura Americana geralmente substitui um ato simbólico de submissão por um ato sexual, mas seguindo o mesmo padrão.

Set lançando sujeira no rosto de Hórus mostra o método clássico de humilhação de um macho dominante e rebaixa de sua posição. Em muitas culturas humanas a matéria fecal é utilizada. Americanos geralmente substituem por vegetais podres ou tortas. Pode-se dizer com um pouco mais de verdade que todo o outro simbolismo destes dois deuses é elaboração e intensificação destes atos básicos.

3 — Na prática, estes dois heróis nunca se manifestam sem suas contrapartes venusianas, a ‘Mulher que Mantem a vida’ (Ísis, Touro, com Vênus regendo e a Lua exaltada.) e a ‘Mulher que Julga’ (Ma’at ou Nepthys, Libra, Vênus governando e Saturno exaltado). Assim, a manifestação de Hórus atual em 1904 produziu a manifestação do equilíbrio da corrente de Ma’at. A corrente de Ísis, que balanceia a de Set, nunca deixou a manifestação. É uma expressão das energias fundamentais do planeta Terra.

4 — Transliterando do grego para o hebraico, Judas é soletrado iod, vav, daleth, aleph, samek, resultando em 81, o número místico da Lua, confirmando sua ligação com o eixo Touro-Escorpião do zodíaco, como a prata lunar que ele recebeu dos romanos.

5 — A contraparte escorpiana a Arthur é, obviamente, Merlin. Ele é a criança de um íncubo (incubbus), e um mestre dos encantamentos e feitiçaria. Em versões diferentes da história ele termina seus dias preso em um espinheiro (atribuído a Escorpião) ou,

assemelhado com Enkidu, escondido nas profundezas da Terra. Guinevere e Viviane são seus complementos femininos, relacionada à Libra e Touro respectivamente.

6 — Estes são as contrapartes ‘qlifóticas’ dos arquétipos femininos Taurinos e
Librianos.

7 — Ele é o Cordeiro, um Carneiro sem armas, ou a Criança Hórus, ainda incapaz de vingar seu pai, Osíris.

8 — A Torre de Marte, Geburah.

9 — As armas elementais descartadas são substituídas com as contrapartes consagradas, a Espada de Marte e o Escudo de Júpiter, Chesed. O monstro e o cavaleiro mal são, claro, os remanescentes dos padrões de cavaleiros pré-dedicados, o qual ele tem conscientemente que destruir e substituir com sua contraparte espiritual de Chesed antes que ele ganhe o direito de conduzir o escudo.

10 — Escorpião.

11 — Peixes, signo do Karma, a conseqüência de ações passadas.

12 — Chesed, Júpiter.

13 — Sagitário, ligando o sacerdote de Chesed com Chokmah, esfera das estrelas fixas ou cosmos.

14 — O nome do Castelo do Graal, originalmente Caer Benoic, foi transformado pelos mitólogos da era romana em “Carbonek” significando “carvão”. Carvão, enquanto negro e duro, é um produto da Terra viva. A doutrina implícita é que o planeta Terra, não Saturno, é o verdadeiro regente de Binah.

15 — A espada quebrando e o rei ferido são variações da Torre Arruinada de Marte, com a “quebra” do Abismo cruzando o caminho. O fato de que o Rei do Graal foi capaz de reparar a espada implica que o Abismo, como tal, não existe mais. Essa idéia é enfatizada no final da canalização em ‘Templos Enochianos’.

16 — A Terra revela sua verdadeira natureza como a Grande Mãe, Binah.

17 — Tzaddi, ligando Binah com Chesed.

18 — Chokmah. A doutrina implícita é que Cristo (o velho rei) sucedeu na manifestação da formula de Hórus no corpo, ao assumir o caráter do Filho, mas não se manifesta plenamente nas altas iniciações de Binah e Chokmah, uma vez que seu corpo morreu no processo das provações escorpianas. Os Cavaleiros Escorpianos do Graal sucederam onde o Falcão ou Cordeiro de Áries, Hórus ou Cristo, falhou.

Eles ingressam nas Estrelas, os deuses, enquanto ainda estão no corpo, e curam as feridas deixadas pelo aeon anterior.

19 — Caminhos de Capricórnio e Saturno. A conquista do Graal na primeira vez só serve para fazer o espírito perceber sua prisão na matéria de forma mais intensa. (Capricórnio) Mas quando o Graal continua a sustentar o cavaleiro, apesar de sua prisão, ele se torna capaz de ver que a matéria é tão santa, em essência, quanto o espírito.

20 — O Caminho do Sol, ligando Tiphereth com Chesed.

21 — Chokmah, e o Caminho de Júpiter. A Palavra do Magus e o influxo do poder de
Chokmah superam a inércia e o desespero da prisão na matéria.

22 — O Anjo no topo do caminho de Shin anuncia o Verdadeiro Deus em Kether.

23 — Kether, e os caminhos de Shin e Tzaddi. O Graal e a Lança são levantados para se tornarem os objetos da nova busca no reino além de Kether.

24 — Caminho de Júpiter, retirado da roda para o ponto central.

25 — Caminho de Saturno.

26 — Estas mortes menores não devem ser confundidas com as “pequenas mortes” da magia sexual. Estas últimas são uma forma de ‘exaltação através da união’ solar. Nem devem as mortes e dores deste caminho ser confundidas com qualquer tipo de mortificação física. Tais práticas são uma perversão dos atos corretos, que são de caráter inteiramente espiritual.

27 — Uma característica tipicamente marcial.

28 — Isto é, as energias arianas (a torre) tiveram de ser balanceadas pelas energias de Escorpião (Merlin).

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