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Bruxaria e Paganismo PSICO

Para pessoas com dificuldade de visualizar

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excerto  de “Changeling”, de Aidan Wachter

Embora fosse bom ter todos os dons exatos com os quais gostaríamos de ter nascido, a bruxa aceita o que lhe foi dado. Ela trabalha para perceber os fluxos de poder em seu mundo da maneira que puder. Embora a linguagem visual seja frequentemente usada para descrever experiências sensoriais, a realidade é que nem todo mundo “vê” com a visão interior. “Ver” ou “visualizar” deve ser entendido como uma abreviação para usar os sentidos que temos à disposição.

UM ESPECTRO DE PHANTASIA

É importante saber que a habilidade de construir imagens voluntariamente na mente ocorre em um espectro. Essa capacidade vai do que se chama hiperfantasia (ter imagens mentais extremamente vívidas) até a afantasia, que é a incapacidade de criar voluntariamente imagens mentais. A maioria das pessoas está em algum ponto entre esses dois extremos, e já vi estatísticas que indicam que entre uma em vinte a uma em cinquenta pessoas são verdadeiramente afantásicas. Muitas pessoas não conseguem ver com facilidade coisas como números, rostos imaginados ou as formas geométricas e linhas de luz comuns na prática mágica. Fora dos sonhos e de estados profundos de transe, sou praticamente afantásico. O que quero dizer com isso é que, quando escrevo “veja a luz azul”, eu não a vejo. Eu consigo senti-la, sei que está ali, mas não a vejo.

Essa questão da afantasia foi uma baita dor de cabeça quando comecei a praticar magia. Durante uns cinco anos me esforcei diligentemente para ver coisas com o olho da mente, até que desisti. Quando parei de tentar, descobri que, no que diz respeito a ser um mago ou bruxa eficaz, isso não fazia diferença. Eu ainda conseguia perceber tudo que precisava, mas não de forma visual. Muitas vezes, essa percepção era extremamente sutil. Então, não entre em pânico se você não consegue ver nada, ou se suas visões não são muito nítidas. Nem toda bruxa é hiperfantásica, e isso não tem absolutamente nada a ver com o nível de habilidade dela. Quem está mais próximo do outro extremo do espectro só precisa trabalhar um pouco mais e adaptar a forma como faz certas coisas.

Quando observamos instruções sobre como perceber energia ou poder mágico, muitas vezes elas recorrem à visualização. No entanto, o mais importante a lembrar é que é o cérebro quem constrói essa imagem interna. Seus olhos não “viram” nada. Em sua maioria, essas imagens são representações, substitutos das energias reais que estamos moldando. Elas nos permitem direcionar as energias dentro e ao nosso redor. A linha em si, o sigilo em si, é o poder, não a nossa capacidade de aluciná-lo diante de nós à vontade. Podemos aprender a experienciar energia e poder por outros sentidos. Isso só exige abertura, interesse e disposição para experimentar e praticar.

Minha principal alternativa à visualização é narrar em voz alta o que eu estaria vendo:

“Traço linhas de luz azul em forma de pentagrama, que permanecem suspensas no Leste até que eu as libere.”

Pode soar meio bobo, mas funciona perfeitamente para quem tem afantasia.

Embora o visual seja tratado como predominante na maioria das descrições de magia, para mim, magia tem mais a ver com sentir e saber. Às vezes percebo mudanças auditivas curiosas, algo como versões mais suaves daquelas alterações de pressão que você sente ao voar de avião. O som, às vezes, passa de abafado e suave para mais rico e ressonante.

Esse “saber” está em algum lugar entre ouvir palavras na mente e simplesmente ter uma sensação clara de certeza sobre algo. Isso costuma acontecer quando peço a opinião dos meus Aliados. Também ocorre quando alguém me faz uma pergunta e os Aliados querem responder. Durante o curto período em que isso acontece, é como se alguém estivesse ditando palavras ou transmitindo informações não-verbais para mim.

Sentir é exatamente o que parece: sensações fortes no corpo indicando sim, não, bom, ruim, fuja ou lute. Essa sensação não é conteúdo emocional. A melhor forma que tenho de descrevê-la é: se você já esteve a poucos passos de entrar numa casa ou prédio e teve uma reação interna super forte de “nem pensar!”, sabe do que estou falando. A sensação também pode ser mais sutil. Às vezes, quando faço oferendas, consigo sentir que os Aliados estão satisfeitos, atentos ou que têm algo a me comunicar. Às vezes isso evolui para saber o que é, e às vezes pego meu pêndulo e começo a fazer perguntas até que fique claro. (Você pode usar qualquer forma de adivinhação que funcione com clareza e facilidade para você, eu uso principalmente o pêndulo.)

A ideia aqui é que, sejam quais forem os sentidos com os quais melhor “vemos”, são com esses que melhor tocamos o Campo. Trabalhamos com o que nos foi dado e aceitamos o que ainda não temos. Entendemos que todos os nossos sentidos são sentidos de bruxa, e todos podem ser desenvolvidos. Tato, audição, paladar, visão, olfato e sensação podem todos ser nossos meios principais de saber, nossa principal forma de ver e tocar.

PRÁTICA

Abaixo está um encantamento que uso para me lembrar de que tenho sim sentidos que me permitem interagir com os Outros, eles só não se manifestam como imagens na minha mente.

Sinto os Outros
Reunidos ao redor
Do meu ser como
Uma nuvem viva
Toco o Campo
Com mente e coração
Me moldo
À minha intenção.

Uso o seguinte encantamento quando estou tendo dificuldade para perceber as energias com as quais estou trabalhando. Ele me lembra que a visão é apenas uma parte da minha capacidade de perceber os fluxos de poder.

Vejo o mundo
Com olhos de bruxa
Conheço a escuridão
Na própria luz
Sinto a chama
Ouço seu chamado
Canção de sereia
Sou mariposa.

Ambos os encantamentos podem ser usados como estão, ou podem ser falados sobre uma vela, um incenso ou um copo com água, depois, é só acender a vela ou o incenso, ou beber a água.

Por favor, não beba coisas que estejam pegando fogo.

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