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Baseado e traduzido de GALDARBOK Magia Ritual Islandesa
Traduzido do Islandês por Sorath Helasson
O Galdrabok, ou Livro dos Feitiços, é o documento mais importante conhecido para compreender a prática da magia na Islândia medieval. Sua grande importância se dá porque nos oferece uma visão profunda dos elementos mágico-religiosos da tradição nórdica. Nenhum outro documento é comparável em termos de detalhes sobre magia e práticas. Este oferece uma variedade extensa de símbolos para o mago moderno. Como sabemos, este livro é uma compilação, quase como um registro histórico, assim como as runas que nos guiam na prática da magia cerimonial rúnica.
Este livro é uma preservação das antigas tradições germânicas e das práticas da herança nórdica. Portanto, desempenha um papel importante como grande livro de referência para a prática mágica ou como guia mágico. Por ser uma compilação, apresenta uma combinação entre sigilos e magias rúnicas nórdicas levadas ao limite. Os GALDRAMENN ou magos islandeses, ao escreverem este livro, conheciam profundamente ambos os sistemas e os combinaram. Portanto, para alcançar uma compreensão ampla em seu manuseio e segredos, devemos começar a aprofundar nesses mistérios. Para isso, devemos examinar as bases da magia dos sigilos e como foram empregados pelos magos islandeses. Esta versão do Galdrabok é uma versão moderna e reestruturada para sua aplicação prática.
TALISMÃS OU BINDRUNES
-MAGIA RÚNICA-
Durante o século XVI, o uso das runas passou por um estado avançado de corrupção. No entanto, a história da magia mostra que formas confusas podem, aparentemente, ainda ser utilizadas com significado por magos habilidosos. O que realmente nos interessa aqui é a forma como os métodos essenciais da magia rúnica foram preservados dentro da tradição islandesa. Os traços gráficos mais distintivos são o uso de runas ou sinais semelhantes a runas e o uso dos símbolos mágicos (galdramyndir), que talvez não tenham uma origem estritamente rúnica, mas que possuem grande poder mágico dependendo de como são trabalhados. Contudo, como se reitera, tudo reside na vontade e habilidade do galdrmann ou mago.
As runas continuam sendo conhecidas como uma prática de escrita e as vemos usadas como inscrições para trabalhar sigilos. Mas, em algumas instâncias, as runas eram usadas de forma codificada, chamadas viUuletur ou viUurunir, que tinham um significado oculto ou confuso, encriptado para expressar um sentido diferente. Um dos modos pelos quais a tradição nórdica aparentemente foi utilizada pelos magos foi através da escolha de certos números de runas arranjadas de modo a sugerir um sistema rúnico. Por exemplo, 12-19. Isso mostra uma variedade de formas nas quais o sistema numérico e as formas das próprias runas eram utilizadas em duelas ou estrofes mágicas.
Parece haver um esforço em ter um número significativo de figuras para criar símbolos complexos. Assim, havia fórmulas com 24, 16 ou 8 elementos. Outra característica herdada das práticas mágicas rúnicas é a terminologia descrita nas figuras e os modos de usá-las. A maioria faz referência a estrofes islandesas de técnicas antigas de estrofes rúnicas. Todas eram gravadas para diferentes propósitos. A execução dessas figuras era mística e eram usadas em contextos que demonstravam um uso cotidiano, como para abençoar o recinto, afastar maus espíritos, etc. Mas também em outros contextos mostravam que eram mais que simples escrituras; eram poderosos feitiços com objetivos específicos, realizados apenas pelos galdrmenn.
Provavelmente, a característica mais marcante da magia islandesa é o uso complexo dos símbolos rúnicos. Ao aprofundar o entendimento sobre seus significados, encontramos grandes traços ou relações com as runas e suas funções mágicas. Parece haver três tipos principais de sinais:
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Bandmnir ou runa atada: feita por combinações mais ou menos óbvias de runas.
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Galdrastafir: estrofes mágicas que originalmente eram bindrunes, mas que se estilizaram e ganharam vida ou significado independente.
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Galdramyndir: símbolos mágicos que sempre tendem a conter sinais rúnicos abstratos, como o Martelo de Thor. Muitos desses sinais aparecem em combinações de runas e signos cosmológicos abstratos.
Todos esses sinais foram usados como amuletos de proteção, que poderiam ter sido chamados pelo nome latino INNSIGU (SIGILS) ou Sigilos, ou pelo termo islandês VAMASTAFIR ou estrofes protetoras.
O termo GALDRASTAFIR pode ter indicado uma operação mágica natural com a intenção de causar alterações no ambiente ou proteger contra ele ou contra seus azotes. Mas, muitas vezes, esse uso foi considerado demoníaco. Por serem usados como sinais encriptados ou bindrunes, é impossível atribuir-lhes um valor linguístico direto. Portanto, cada símbolo recebeu seu próprio nome de acordo com a intenção desejada ao realizar sua gravação ou inscrição. Embora muitos desses símbolos possam ser óbvios para o runemal, podem ter usos diferentes ou propósitos opostos ao que se possa imaginar. Os dois nomes mais famosos são AEgishjálmur, o Elmo do Terror, e SVEFNTHORN, o Chifre do Sono.
O AEgishjálmur pode parecer uma figura complexa, mas é basicamente feito de uma cruz de quatro ou oito braços com ramificações em suas extremidades. Esses são grandes sobreviventes míticos que nos dão uma ideia dos origens e significados dos sigilos. O AEgishjálmur é mencionado no material relacionado ao poema épico de Sigurðr Fáfnir-bane, no qual Sigurðr mata o grande Etin serpente chamado Fáfnir para ganhar o tesouro secreto dos Nibelungos. Um dos objetos de poder que obteve foi o AEgishjálmur, cujo poder foi dado pela serpente, que paralisava suas vítimas e aterrorizava seus inimigos. Não é um elmo literal, mas ao portá-lo causava terror entre os adversários.
O Svefnthorn ou SVEFNTHOM também é mencionado na antiga literatura mítica nórdica como o objeto mágico com o qual Odin colocou uma das valquírias, Sigrdrífa ou Brynhildr, em um sono profundo, do qual ela só pôde acordar ao ultrapassar uma das barreiras mágicas que Odin colocou ao seu redor.
Além desses dois símbolos bem conhecidos, há muitos outros transmitidos pelos antigos, como: gapaldur, veðurgapi (demônio da água ou causador de tempestades), kaupaloki (selo para bons negócios), Ginnír (um nome de Odin), Angurgapi (Soberano da Ira). Muitas vezes o mesmo nome era atribuído a mais de dois símbolos.
Como podemos ver, todos esses símbolos eram usados em um contexto mais cotidiano, mas que transcenderam até os dias atuais com ainda mais força mística graças aos galdrmenn. Contudo, para a prática do sigilo rúnico ou do entrelaçamento de runas, não devemos nos guiar apenas por esses parâmetros ou modelos. Podemos criar nossas próprias bindrunes ou sigilos a partir da necessidade ou propósito específico. Antigamente, eram gravados em peles de animais ou em madeira, mas hoje em dia, como é muito difícil conseguir pele de animal, podemos trabalhar com pedaços de madeira – de preferência de árvores que conheçamos – ou em papel virgem ou feito pelo próprio galdrmann.
Procedimento para criar os sigilos:
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Preparação ou obtenção da madeira: Nesse processo, devemos escolher uma árvore específica, pedir-lhe permissão e então pegar a peça de madeira de que precisamos. Depois, levamos a madeira ao nosso templo ou VE [Nota do Tradutor: VE, na tradição nórdica, é um espaço sagrado ou templo de culto].
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Banimento ou dissipação: Esse passo serve para afastar todas as energias adversas ou contrárias do local.
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Purificação: Fazemos uma limpeza energética da madeira e das ferramentas que serão usadas para o processo de gravação.
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Consagração: Carregamos a madeira com a energia que vamos trabalhar, tanto da madeira quanto da runa.
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Declaração de intenção: As palavras, escritas ou faladas, são de extrema importância nesse processo e vitais para a ativação dos sinais usados no galdr. É por meio da palavra falada que a vontade do galdrmann se manifesta com mais intensidade. Portanto, deve-se declarar claramente a intenção do que se deseja obter com esse trabalho.
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Bênção ritual: Neste passo, pedimos a um deus Aesir, Vanir ou Thursar que esteja conosco para abençoar nosso trabalho. Pode ser o deus correspondente ao dia ou especificamente aquele relacionado ao objetivo que desejamos alcançar. O mais importante é a vontade do galdrmann, sem ela a bênção não será eficaz.
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Gravação e canto das runas ou sigilos: Neste processo, devemos cantar o galdr da runa ou o nome do sigilo que estamos gravando. Mais uma vez, o poder da vontade e da palavra falada é essencial para carregar a runa. Todas as runas ou galdrs deste livro vêm com seus nomes em norueguês antigo e, para lhes dar vida, devemos entoar seus nomes.
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Agradecimento: Deve-se agradecer às runas, à madeira e ao deus que nos auxiliou nesse processo. Esse passo deve ser feito com grande devoção.
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Banimento ou dissipação final: Este passo só é realizado se estivermos nos protegendo de algo ou se quisermos afastar alguma influência. Se estivermos fazendo um trabalho para atrair algo para nossa vida, não devemos realizar o banimento ao final.
O design de outros Taufr específicos é feito para que o galdrmann os execute diretamente com poucos materiais. Em geral, só se usa o Gandr e a elaboração da bindrune. Por isso, o uso destes Taufr ou bindrunes como talismã ou amuleto é frequente na magia nórdica.
Estes rituais devem seguir os passos descritos anteriormente para a criação dos Taufr ou bindrunes. Basta criar cada feitiço com atenção e entender como seguir cada etapa desse esquema, de acordo com a necessidade do galdrmann. Daqui em diante, o galdrmann deve sempre ter um propósito bem definido para criar um Galdr.
Se o galdr for para ser usado no corpo, é bom fazê-lo em papel virgem ou em uma madeira fina, para poder carregá-lo na carteira. As aplicações são praticamente infinitas, desde o uso mais simples e cotidiano até o trabalho mágico mais elaborado. Tudo depende da vontade do galdrmann.
JADEIOS DA MORTE – NABROKASTAFUR

Este talismã ou Tafur serve para trazer de volta o dinheiro que outros possuem. Originalmente, ele era gravado em carne em decomposição, mas agora deve ser gravado em madeira e colocado junto com uma moeda roubada e cinzas.
Como vemos, os talismãs ou Tafur são runas ligadas ou que se assemelham a bindrunes. Podemos criar ou ligar runas para nossas necessidades. Não existe um processo exato ou uma guia única para fazê-los, apenas se deve ter em mente a intenção do talismã e usá-lo visível no peito ou num lugar bem protegido contra estranhos.
PARA ENCONTRAR UM LADRÃO – hjófastafur

Se desejar saber quem te roubou, deve gravar este Tafur no fundo de uma tigela de madeira, enchê-la com água limpa e espalhar hortelã por cima. Então recite:
“Invoco a natureza da erva e o poder do signo que revela quem me roubou e outros. Em nome de Tyr, o rosto do ladrão aparecerá na tigela.”
Runas da Luta Livre – Gapaldur e Ginfaxi

Estas duas runas eram guardadas nos sapatos:
Gapaldur sob o calcanhar do pé direito e Ginfaxi sob os dedos do pé esquerdo, para assegurar a vitória em disputas.
Nos tempos modernos, basta gravá-las em pedaços de madeira e carregá-las nos bolsos.
Talismã Comercial – Kaupaloki

Para prosperar no comércio e nos negócios, deve-se talhar este signo em madeira e usá-lo sempre como talismã no peito. Também pode ser talhado em uma madeira maior e pendurado na entrada do negócio ou escritório, pintado de verde ou laranja para reforçar sua influência.
Angurgapi
Este símbolo deve ser gravado na tampa ou no fundo de um barril. Embora seu propósito não seja totalmente claro, acredita-se que serve para trazer abundância ou benefício.

Veidistafur

Este símbolo deveria ser desenhado com sangue, usando uma pena de corvo, e então colocado sob a proa do barco para garantir boa pesca. Para uso moderno, basta gravá-lo em madeira e guardá-lo no bolso ou carteira, para que a abundância seja duradoura e o dinheiro renda mais.
Runas dos Sonhos – Vatnahlífir

Uma runa de grande poder para desenvolver habilidades de sonhos lúcidos ou projeção astral. Deve ser talhada em madeira com aroma agradável, como o eucalipto.
A Runa da Proteção de Valdemar – Varnarstafur Valdemars

O símbolo aumenta o favor e a felicidade se tratado corretamente. Se alguém tentar fazer mal a você, esta proteção bloqueia o dano e amaldiçoa o agressor. Esta runa detém e silencia os efeitos de uma maldição lançada por um mago oponente. Deve ser talhada nas cores branco, preto ou vermelho e é usada geralmente quando há grande perigo.
Indutor de Valdemar – Ottastafur
Antigamente, para assustar um inimigo, talhavam este signo em carvalho e o jogavam aos pés da vítima. O método moderno consiste em algo semelhante: a runa é feita em madeira e deve ser entregue à vítima de qualquer forma.
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