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O Vaiśeṣika, um dos seis sistemas filosóficos clássicos da Índia antiga, surgiu entre os séculos VI e II antes da era comum, sob a formulação do sábio Kaṇāda. O que ele propõe, em essência, é que a libertação espiritual não tem nada de mística ou emocional; ela é o resultado de um exercício analítico rigoroso, quase clínico, sobre a estrutura da realidade. Funciona mais o menos assim:
Há o ātman, o ser consciente, eterno, imutável, que não nasce nem morre. Ele é o verdadeiro sujeito, mas se liga à mente (manas) por causas invisíveis (adṛṣṭa), acumuladas por ações passadas (karma).
A mente se liga aos sentidos, que se voltam para os objetos do mundo. Dessa interação surgem prazer e dor, desejo e aversão, que alimentam novas ações e geram mais karma.
O karma não existe no ātman nem na matéria em si, mas é o resultado da reação impensada da mente à experiencia material, transformando prazer e dor em apego e aversão.
Porem o exame analítico da realidade demonstra que tudo é o que é percebido é composto por átomos, e portanto é temporário, em constante transformação e sem uma essência fixa à qual se agarrar.
Quando alguém compreende isso de forma exaustiva, essa compreensão não é apenas um acúmulo de saberes, mas uma aceitação plena da realidade. E isso tem um efeito espiritual direto. Tudo passa a ser visto como temporário e contextual e sem uma essência fixa. A dor e o prazer dos sentidos permanece, mas o apego e a aversão desaparecem e com eles o karma e o sofrimento. Se for suficientemente longe em sua analise de como os padārthas operam verá que ele mesmo é temporário e composto e tudo o que existe são os átomos e o observador consciente. E essa libertação, no fundo, não depende de rituais ou crenças. É uma consequência inevitável do conhecimento correto.
O Vaiśeṣika Sūtra também chamado de Kaṇāda Sūtra, que você poderá ler a seguir é a tradução integral do texto de fundação da escola Vaisesika. Esse texto foi comentádo ao longo dos séculos por diversos outros sábios com destaque para Praśastapāda, Candramati e Vyomaśiva. Aos desejosos de ir mais a fundo no estudo desta escola recomendo o primeiro link da bibliografia onde a tradução de Mokshadharma pode ser encontrada em versão bilingue, transliterada e comentada.
~ Tamosauskas
Vaiśeṣika Sūtra
Tradução Mokshadharma
Livro I: Dos Predicáveis
PARTE I: Da Substância, Atributo e Ação.
1. Agora, portanto, explicaremos o Dharma.
2- Pois pelo dharma há o despertar do conhecimento que traz bem aventurança e realização.
3- Essas palavras são reveladas pela tradição sagrada.
4- Nascidos das especifidades do dharma: dravya (substância), guṇa (qualidades), karma (ação), sāmānya (universalidade), viśeṣa (particularidade), samavāya (inerência); por meio das semelhanças e diferenças dos padārthas (categorias) vem o verdadeiro conhecimento que leva à bem aventurança.
5- Pṛthivī (terra), āpas (água), tejas (fogo), vāyu (ar), ākāśa (espaço), kāla (tempo), dik (direções), ātman (Self) e manas (mente) são os dravyas.
6- Forma, sabor, odor, tato, número, medidas, separação, conjunção e disjunção, prioridade e anterioridade, compreensão, prazer e dor, desejo e aversão e volição, são os guṇas (qualidades).
7- Movimento ascendente, movimento descendente, contração, expansão e movimentação são os diferentes tipos de karmas (ações). 1.1.7.
8- A permanência, a transitoriedade, as causas e os efeitos das substâncias são gerais e particulares. Enquanto, substância, qualidade e atividade são universais.
9- Quando um dravya ou guṇa causa outro dravya ou guṇa de sua própria classe, isso é chamado de sādharmya (semelhança ou identidade de natureza).
10- Dravyas podem causar um dravya diferente, Guṇas também podem causar Guṇa diferente.
11- Karma (movimento) não pode ser produzido por karma (movimento)
12- Nenhum Dravya destrói sua causa ou seu efeito
13- gunas destroem ambos (efeito e causa).
14- O efeito (kārya) se opõe ao karma (ação).
15- Movimento/ação, gunas e inerencia causal são as características do dravya.
16- Ser inerente ao dravya que é desprovido de guna, não ser uma causa independente de união e divisão (em coisas) são as características do guna.
17- Dependente de um único dravya (objeto), não possuir guṇa (qualidade) e não ser causa de conjunções e disjunções, são as características do karma (movimento/ação)
18- Dravya é a causa material inerente de dravya, guṇa e karma.
19- “Bem como”, guṇa não é uma causa inerente para dravya, guṇa e karma.
20- Karma é causa não inerente (simples/indireta) para conjunção, disjunção e ímpeto nos dravyas.
21- Karma não pode ser causa direta ou inerente dos dravyas.
22- Karma não é necessário na produção de um dravya por causa de sua cessação.
23- Um único Dravya é um efeito comum de vários Dravyas.
24- Devido às diferenças dos gunas, karma não é um efeito de karmas.
25- Os números, do dois em diante, são o resultado da singularidade, conjunção e disjunção de dravyas.
26- Por falta de inerência, o karma (ação/movimento) não é efeito comum (de vários dravyas).
27- Um dravya é (o efeito) de combinações.
28- Por muitas formas uma forma.
29- (O guṇa) movimento ascendente (é o efeito) de peso, esforço e contato.
30- Conjunção e disjunção são efeitox do karma (movimento/ação).
31- Na parte que trata de causa em geral, karma (movimento/ação) não é considerado uma causa de dravya e karma (movimento/ação).
PARTE II: Do Gênero e Espécie
1- Na ausência de causa, ausência de efeito.
2- Mas na ausência de efeito, pode existir causa.
3- As noções, sãmãnya (universal/geral) e viśeṣa (singular/específico) dependem do intelecto.
4- Ser/Realidade sendo a base da continuidade é universal (sãmãnya).
5- Dravya, guna e karma são sāmānya (universais) e viśeṣa (individuais).
6- Viśeṣa, sendo o constituinte de diferenças últimas, existe independente de outros.
7- Sattã é aquilo pelo qual dravya, guṇa e karma tornam-se existentes (reais).
8- Sattã tem significado diferente de dravya, guṇa e karma.
9- Existe em guṇa e karma, então não é nem guṇa nem karma.
10- E, pela ausência de sāmānya e viśeṣā (também sattã é diferente dos outros).
11- Afirma-se que dravyatva (substancialidade) reside em muitos dravyas.
12- E, pela ausência de sāmānya e viśeṣā.
13- Assim diz-se que guṇatva está em guṇas.
14- E, pela ausência de sāmānya e viśeṣā.
15- Diz-se que Karmatva está em karma.
16- E, pela ausência de sāmānya e viśeṣā.
17- Sattã tem existência una devido à não particularidade e também pela falta de qualidades específicas.
Livro II: Das Substâncias
PARTE I: Terra, Águas, Fogo, Ar e Espaço
1- Pṛthivī (terra) possui forma (rūpa), sabor (rasa), odor (gandha) e tato (sparśa).
2- Āpas (água) possui forma (rūpa), sabor (rasa) e tato (sparśa), e é fluida ou viscosa.
3- Tejas (fogo) tem forma (rūpa) e toque (sparśa).
4- Vāyu (ar) é perceptível pelo tato.
5- Estes (guṇas: forma, sabor, odor e tato) não estão presentes em ãkãsa (espaço).
6- Ghee, laca e cera de abelha, em contato com o fogo, tornam-se fluído, como āpas (água).
7- Estanho, vidro, ferro, prata e ouro, devido ao contato com o fogo, tornam-se fluído como āpas (água).
8- Chifres, corcunda, pêlos na ponta da cauda e barbela são os sinais visíveis de uma vaca.
9- Toque também é o identificador (liṅga) de vāyu.
10- E esse toque não é de objetos visíveis, por isso vãyu tem identificador invisível.
11- (Vãyu é) um dravya por não ser inerente a outros dravyas.
12- Vãyu é um dravya também por possuir ação e gunas.
13- Por não depender de outros dravyas, (vãyu) é considerado eterno (nitya).
14- A fusão de vãyu com vãyu também é identificador de sua multiplicidade.
15- (Desde que) o contato com vãyu não é perceptível não há identificador visível.
16- Da inferência pela percepção geral (sāmānyata) também (vãyu) é considerado não particular.
17- Assim (a propriedade sensorial de vāyu) é descrita pela tradição (āgama).
18- (Assim como) nome e karma (funções) são identificadores das coisas distintas particulares, da mesma forma, vãyu é conhecido.
19- Nome e funções (karma) procedem da percepção direta.
20- Saída e entrada são os identificadores de ãkãsa.
21- Estes (saída e entrada) não podem ser indicadores (porque) karma é inerente a apenas um dravya.
22- E (ākāśa) também difere das características de outras causas.
23- Do contato com obstáculo há ausência de karma (movimento).
24- A manifestação dos guṇas do efeito é precedida pelos guṇas da causa.
25- E devido ao não aparecimento de outros efeitos, śabda não é o guṇa das coisas que possuem tato (sparśa).
26- Śabda, sendo inerente e percebido em outro lugar (em outros dravyas) não é nem guṇa de ãtman, nem de manas.
27- Portanto, o som (śabda) é o identificador de ãkãsa.
28- A Substâncialidade (dravyatva) e a eternidade (nityatva) de ākāśa são explicadas por similaridade com vãyu.
29- A existência (de ākāśa) é explicada como um tattva (ser).
30- Apesar da não distinção do identificador śabda e da ausência de qualquer outro identificador particular (ãkãsa é considerado sattā).
31- Assim por esta conformidade, ākāśa é único e distinto.
PARTE II: Dos Cinco Bhūtas, Tempo e direções.
1- Quando flor e tecido são aproximados juntos, o não aparecimento de outro guṇa no tecido é o indicador da não presença do odor (no tecido).
2- O odor (gandha) está estabelecido na Terra (pṛthivi).
3- Assim também o calor é explicado.
4- O calor é o indicador de tejas (fogo).
5- Frieza é o indicador de apas (água).
6- Agora, depois, simultâneo, demorado e imediato, são indicadores de tempo.
7- A substancialidade (dravyatva) e a eternidade (nityatva) do tempo são explicadas como as de vāyu.
8- Existe como um tattva (ser, real).
9- Por não estar no eterno (nitya) e estar no transitório (anitya), o tempo (kãla) é considerado causa.
10- As percepções: isso (está distante) disso, para este lado, etc. – são indicadores de diśya (dimenções espaciais).
11- A substancialidade (dravyatva) e a eternidade (nityatva) do espaço são explicadas como as de vāyu.
12- Existe como um tattva (ser, real).
13- Por seus efeitos particulares, diśya (dimensões do espaço) é múltiplo (várias dimensões).
14- As conjunções do Sol caracterizam o passado, o futuro, e o presente com relação ao leste.
15- Assim também, o sul, o oeste e o norte.
16- Por isso as direções intermediárias são explicadas.
17- Percepção de propriedades similares (sãmãnya), não percepção de propriedades especiais (viśeṣā) e memória de propriedades distintivas (viśeṣā) geram dúvidas.
18- Quando o que é visto se assemelha ao visto antes (também geram dúvida).
19- Do que é percebido e do que foi percebido de outra forma (também surge a dúvida).
20- Do conhecimento e da falta de conhecimento também surge a dúvida.
21- Aquilo que é percebido pelo ouvido é som (śabda).
22- A dúvida surge devido à difença observada entre os membros de classes homogêneas e também entre os membros de uma classe heterogênea de objetos.
23- Śabda não é um dravya (pois é inerente) a um dravya.
24- Śabda nem mesmo é movimento (karma), pois é invisível.
25- Śabda como guṇa tem existência e desaparecimento semelhante ao karma.
26- A eternidade de śabda é negada pela ausência de identificador.
27- Por diferir do eterno.
28- E, é não eterno (anitya), pois tem uma causa.
29- E não refutadas pelas modificações (em śabda).
30- Na manifestação aparece a falha.
31- O som (śabda) é produzido por conjunção, disjunção e pelo próprio som.
32- Por seus indicadores śabda não é eterno.
33- Se śabda for transitório, ambas atividades não existiriam.
34- A palavra prathamã (primeiro) indica a eternidade de śabda.
35- E, pela existência de reconhecimento.
36- A multiplicidade de argumentos cria dúvida.
37- Não existe enumeração no universal.
Livro III: Do Self e da Mente
PARTE I: Das Marcas de Inferência
1- Os objetos dos sentidos são bem conhecidos.
2- Os objetos dos sentidos indicam a existência de algo diferente além dos sentidos e seus objetos.
3- Esta (identificação do conhecedor com o corpo) é uma concepção falsa.
4- A causa é o falso conhecimento (da percepção sensorial).
5- (Existiria) conhecimento nos efeitos.
6- E não-conhecimento.
7- A causa é outra, portanto esse argumento é inválido.
8- Um objeto diferente (conhecido por) diferentes meios também é inválido.
9- A conjunção, a inerência, a inerência singular, e a contradição são as formas de inferência.
10- Um efeito pode identificar outro efeito.
11- Uma contradição inexistente indica um existente.
12- O existente é indicador do inexistente.
13- O existente é o indicador do que existe.
14- A validação da inferência é precedida por uma causa bem conhecida.
15- O inconsistente (aprasiddha) é considerado inválido; também, o irreal (asat) e o duvidoso (sandigdha) são argumentos falaciosos.
16. Se tem chifres, então é cavalo.
17- Se tem chifres, é uma vaca, também é um exemplo de identificador múltiplo.
18- Aquilo que é produzido pela conjunção do ãtmã e os objetos dos sentidos é diferente (do falacioso).
19- Atividade e inatividade são vistas no próprio ãtmã e indício de outros.
PARTE II: Da Inferência do Self e da Mente
1- Na conjunção do ātman com os objetos dos sentidos, a existência e inexistência de conhecimento é indicador de manas.
2- Sua substancialidade (dravyatva) e eternidade (nityatva) são explicadas por analogia com vãyu.
3- Pela não simultaneidade do empenho e pela não simultaneidade das cognições a mente é única.
4- Respiração, piscar dos olhos, princípio vital, movimento da mente, alteração dos sentidos, felicidade, tristeza, desejo, aversão e tenacidade são os identificadores do ātman,
5- Sua substancialidade (dravyatva) e eternidade (nityatva) são explicadas por analogia com vãyu.
6. Não existem indicadores visíveis (da existência do ātman) em Yajñadatta, mesmo com o contato (dos sentidos), não surge a percepção do ātman.
7- Visto como sãmãnya (universal), o ātman, não pode ser inferido como viśeṣa (particular).
8- Portanto, a revelação do ãtman encontra-se nos ãgamas.
9- Com o uso da palavra ‘aham’ há contradição, então os ãgamas não são o único indicador.
10- Se a percepção ‘Eu sou Devadatta, Eu sou Yajñadatta’ é vista (qual é a necessidade de inferência?).
11- Se o identificador do ātman fosse perceptível, a evidência do conhecimento da unicidade (do ātman) se tornaria firme.
12- “Devadatta vai, Yajñadatta vai” isso significa referência ao corpo.
13- Esta declaração é duvidosa.
14- O ‘Eu’ é percebido diretamente em cada ãtmã e não em nenhum outro (corpo).
15- A declaração ‘Davadatta vai’ como a concepção ‘aham’ referem-se ao corpo.
16- Esta declaração é duvidosa.
17- Pois o conhecimento de Yajñadatta e Viṣṇumitra devido às diferenças de seus corpos não é determinado.
18- A percepção do ‘Eu’, com seus principais atributos, devido à ausência de certas qualidades não depende apenas da comprovação dos ãgamas mas é provado como sabda.
19- Devido à origem comum de felicidade (sukha), tristeza (duhkha) e conhecimento (jñāna), o ātman é um.
20- A concepção comum é de que existam muitos.
21- E, justificado pelos śāstras
Livro IV: Da Origem dos Corpos
PARTE I: Dos Átomos
1- O Existente (sat) é nitya, eterno e não tem causa.
2- Seu efeito é seu identificador (liṅga).
3- Um efeito existe se existir causa.
4- Anitya é a negação da existência de entidades específicas (viśeṣa).
5- (Anitya das entidades particulares) é engano.
6- São perceptíveis objetos com forma de dimensões adequadas e constituídos por mais de um dravya.
7- Apesar de ser formado por muitos dravyas e tendo magnitude apreciável, vãyu não é perceptível devido à sua falta de forma.
8- A forma é percebida quando há uma forma particular ou quando há combinação de mais de um dravya.
9- Por isso, o conhecimento do paladar, olfato e tato, é explicado.
10- Devido à sua ausência não há violação.
11- Os gunas: número, medida, separação, conjunção, disjunção, alteridade, não alteridade e movimento (karma) sendo inerentes aos objetos que têm forma são perceptíveis ao olho.
12- Os dravyas sem forma não são objetos de percepção visual.
13- Com isso a existência dos gunas e a cognição de todos os sentidos é explicada.
PARTE II: Dos Produtos Atômicos Tangíveis
1- Os dravyas como pṛthivī, etc. e seus efeitos, são classificados em três categorias: corpo, sentidos e objetos sensoriais.
2- Como a conjunção de perceptível e imperceptível (dravyas) é imperceptível, então o corpo não é composto de cinco dravyas.
3- E pelo não aparecimento de outro guna, o corpo não é composto de três elementos.
4- Também uma conjunção de átomos não é negada.
5- Por isso, há dois tipos de corpos: nascidos do útero (yonijam) e não nascidos do útero (ayonijam).
6- Os ayonijam têm antecedentes em tempo e espaço indeterminados.
7- E por um específico dharma.
8- E, pela existência de denominações inerentes.
9- Devido à anterioridade das denominações.
10- Portanto os corpos ayonija existem.
11- Também há indicadores nos Vedas.
Livro V: Da Investigação da Ação
PARTE I: Da Ação Voluntária
1- A união do ātman e da volição produz a movimentação das mãos.
2- Da mesma forma, a combinação da mão (com o macete) movimenta o macete.
3- No movimento gerado pelo impacto entre o macete e o almofariz, a junção da mão não é uma causa devido à ausência (de volição).
4- Da mesma forma, a conjunção do ãtman (não é a causa) da movimentação das mãos.
5- A movimentação da mão é causada pela reação da conjunção com o macete.
6- Karma no ātman também é devido à conjunção com a mão.
7- Na ausência de contato (o macete) cai devido ao seu peso.
8- Na ausência de uma força específica não é possível movimento ascendente, nem descendente.
9- Uma força específica resulta de um impulso específico.
10- De um impulso específico resulta um movimento com aceleração específica.
11- Junto com o movimento das mãos, o movimento de frenagem é explicado.
12- Da mesma forma explosão (movimento explosivo) de objeto bem aquecido.
13- Sonambulismo na ausência de vontade.
14- O movimento das folhas de grama surge do contato com vāyu (vento).
15- O movimento do imã e a deflexão da agulha (da bússola) tem causas invisíveis.
16- Em uma flecha, sucessivas conjunções específicas explicam os diversos movimentos.
17- O movimento inicial da flecha é devido à força (que atua sobre a flecha). Esse movimento realizado, devido ao saṃskāra do movimento (inércia), resulta em mais e mais movimentos.
18- O peso causa a queda independentemente de saṃskāra.
PARTE II: Da Ação Não Volitiva.
1- O movimento de sólidos (pṛthivi) ocorre pela ação de uma força e por combinação ou conexão com outro objeto.
2- Diversos movimentos são causados por forças invisíveis.
3- A água cai, na ausência de contato, devido ao seu peso (gurutva).
4- O movimento dos líquidos depende da fluidez.
5- Evaporação (ocorre) pela radiação solar na presença do vento.
6- A água é movida para cima por pressão aplicada, e por contato ou conexão (com outro objeto).
7- A circulação da seiva nas árvores tem causa invisível (adṛṣṭa).
8- O congelamento ou a fusão dos líquidos (apa) depende da energia térmica (tejas).
9- O indicador (da presença de tejas) é o raio e o trovão.
10- Também há referências nos Vedas.
11- Da conjunção ou disjunção da água (das nuvens de cargas opostas), ocorre a descarga elétrica (raios e trovões).
12- O movimento de pṛthivī é explicado pelo movimento de tejas e pelo movimento de vãyu.
13- O flamejar ascendente do fogo (agni), o movimento descendente de Vāyu; e o movimento inicial do átomo e da mente têm causas invisíveis (adṛṣṭa).
14- O movimento da mão é explicado pelo movimento da mente (manas).
15- Prazer e dor resultam do contato do ātman, dos sentidos, da mente com os objetos sensoriais.
16- Quando a mente se situa no ātman prazer e dor não surgem, então há inexistência de sofrimento (duḥkha) no corpo, isso é yoga.
17- O afastamento e a aproximação (ao ātman), a absorção de coisas comidas e bebidas e dependências de outros efeitos, são determinadas por adṛṣṭa (causas invisíveis).
18- Quando há inexistência disso (causas invisíveis), inexistência de conjunção e ausência de renascimento, há mokṣa (liberação).
19- Tamas (escuridão) é uma ausência, sendo diferente de dravya, guṇa e karma.
20- E, por causa do obscurecimento da luz (tejas) por outra substância (dravya).
21- Direções do espaço (dik), tempo (kāla) e espaço (ākāśa) se opõem à mobilidade (por falta de forma e pela onipresença), portanto, não podem ter movimento.
22- Por isso são explicados (como imóveis) karma e guṇa.
23- A inerência (samavāya) de objetos não móveis é excluída do karma.
24- Também, os guṇas não são causas inerentes.
25- As direções espaço (dik) são explicadas pelos guṇas.
26- O tempo é a base da causalidade.
Livro VI: Da Investigação do Dharma e A-Dharma
PARTE I: Dos Deveres Védicos
1- As declarações dos Vedas são precedidas pela compreensão.
2- A atribuição de nomes nos brāhmaṇas indica perfeição.
3- A concessão (do conhecimento védico) precede a compreensão.
4- Da mesma forma, a acessão.
5- Pois, o guṇa de um ãtman não é uma causa relacionada a outro ãtman.
6- Isso não existe em nutrição (duṣṭa) impura.
7- Na impureza (duṣṭa) existe injúria (hiṃsa).
8- De sua conexão vem o mal (doṣa).
9- Isso não existe em alguém que é virtuoso.
10- Repetidamente, aproxime-se dos superiores.
11- Também, aproxime-se dos semelhantes ou dos inferiores (em mérito).
12- Por isso é explicada a recepção de bens dos virtuosos inferiores, semelhantes e superiores.
13- Da mesma forma, afaste-se do oposto (em mérito).
14- Fique bem longe do inferior.
15- Entre os semelhantes abandone a si mesmo ou abandone os outros.
16- Entre superiores abandone a si mesmo.
PARTE II: Da Produção do Dharma e do A-Dharma.
1- Ações de motivos visíveis ou invisíveis, quando o motivo visível não existe, resultam em bem aventurança.
2- Iniciação, jejum, continência, residir em gurukula, retiro na floresta, oblação, doação, purificação, identificar direções e estrelas, recitar mantras e seguir nas estações as observâncias; Essas ações têm motivos invisíveis.
3-As quatro fases da vida (ãsramas) podem ter boas (anupadhã) ou más (upadhã) ações.
4- Upadhā revela o mal; Anupadhā, o bem.
5- Aquilo que é dotado de forma, sabor, odor, tato, e aspergido com água é puro.
6- A impureza é a negação da pureza.
7- E tem significado oposto (também é impuro).
8- Para o desenfreado, a bem aventurança não vem de comer o que é puro, pois a ausência de disciplina leva a algo diferente do autocontrole.
9- Há inexistência (de bem aventurança) onde não há (consumo de alimento puro).
10- Do prazer surge o desejo.
11. E, pela conexão da mente com objetos sensoriais (os apegos surgem).
12- Desejo e aversão também surgem de adṛṣṭa (invisível).
13- E, pelas particularidades de classe.
14- Desejo e a aversão precedem a inclinação ao dharma e ao adharma.
15- Isso explica conjunção e disjunção.
16- Pelas atividades do ātman mokṣa é alcançado.
Livro VII: Do Exame dos Atributos e da Combinação
PARTE I: Da forma, sabor, cheiro e toque e magnitude.
1- Os guṇas (atributos) já foram definidos.
2- A forma (rūpa), sabor (rasa), odor (gandha) e toque (sparśā) da Terra, etc. (pṛthivi ādi) também são não eternos (anitya), pois seus dravyās não são eternos (anitya).
3- Por isso é afirmada a eternidade (nityatva) nos dravyas eternos (nitya).
4- Os gunas são eternos (nitya) em āpas, tejas e vāyu, pela eternidade (nityatva) de seus dravyas.
5- Em coisas não eternas (anitya) os gunas são não eternos (anitya) pela não eternidade (anityatva) seus dravyas.
6- A causa da resolução dos guṇas em pṛthivī é o calor.
7- Por ser um dravya.
8- O reconhecimento e não reconhecimento de anu e mahat explica-se por nitya (eterno).
9- Também, pela profusão de causas.
10- O contrário disso é o átomo (aṇu).
11- Ser minúsculo ou grande se relaciona à inexistência de viśeṣa (particularidade) ou existência de viśeṣa (particularidade).
12- Pela simultaneidade, (são percebidos) o grande e o minúsculo.
13- E, visto.
14- A inexistência de pequenez e magnitude, em pequenez e magnitude, é explicada pela inexistência delas em karma e guṇas.
15- Karma foi explicado pelos karmas, e guṇa pelos guṇas.
16- Por aṇutva e mahattva (pequenez e magnitude) explica-se karma e guṇa.
17- Com isso, são explicadas as noções de comprido e curto.
18- No dravya não eterno (anitya), essas categorias são não eternas (anitya).
19- No eterno (dravya nitya), essas noções são eternas (nitya).
20- O átomo é eterno e esférico (parimaṇḍala).
21- A ignorância induz a produção do conhecimento.
22. O espaço é extenso e onipresente. Assim também é o ātman.
23- Da ausência da onipresença (vibhava), a mente é considerada atômica (aṇu).
24- Através dos guṇas, descreve-se ‘direções do espaço’ (dik).
25- O tempo (kāla) é considerado causa.
PARTE II: Do Número, Separação, Conjunção, etc.
1- Pela distinção de forma, sabor, odor e tato, ekatva (unicidade) é uma entidade diferente.
2- Da mesma forma, descontinuidade (pṛthakatva) é uma entidade diferente.
3- A inexistência de unicidade (ekatva) e descontinuidade (pṛthaktva) na unidade (ekatva) e descontinuidade (pṛthaktva) é explicada por pequenez (aṇutva) e magnitude (mahattva).
4- A unicidade (ekatva) não existe em todos os objetos em que karma e guṇa não são numeráveis.
5- Essa (unicidade) está errada.
6- Na inexistência de ekatva, a partibilidade (bhakti) não existe.
7- De causa e efeito não há unicidade (ekatva) e descontinuidade (pṛthaktva) pela inexistência de unicidade (ekatva) e descontinuidade (pṛthaktva).
8- Essa explicação de unicidade e descontinuidade (ekatva pṛthaktva) se relaciona aos não eternos (anitya).
9- A conjunção é produzida pelo karma de um dos dois (dravyas), produzida pelo karma de ambos ou por conjunção.
10. Por este, a disjunção é explicada.
11- A inexistência de conjunção e disjunção em conjunção e disjunção, explica-se pela pequenez (aṇutva) e magnitude (mahattva).
12- A inexistência de karmas em karma e guṇas em guṇa é explicada pela pequenez e magnitude (aṇutva e mahattva).
13- Não existe conjunção ou disjunção em causa e efeito, porque não existem separadamente.
14- Pois conjunção é guṇa.
15- Guṇa também deve ser reportado.
16- Como não há ação (não pode haver conexão).
17- Também se usa a expressão ‘não existe’ (nāsti) (no caso do) inexistente (asati).
18- A palavra e o significado não estão relacionados.
19- Contato da mão com um bastão e inerência do particular.
20- O significado da palavra (sabda) é estabelecido por convenção (obedece a padrões aceitos).
21- As palavras anterior (para) e posterior (apara) denotam proximidade e distância de objetos que residem no mesmo lugar, ao mesmo tempo.
22- O fundamento da prioridade da causa e da posterioridade da causa é o tempo.
23- A inexistência de prioridade e posteridade em prioridade e posteridade é explicada por pequenez (anutva) e magnitude (mahattva).
24- Do karma apenas karma é produzido.
25- Dos guṇas, gunas são produzidos.
26- “Isto está naquilo” caracteriza a relação de Inerência (samavãya) onde causa e efeito são inseparáveis.
27- A afirmação de que samavãya não é dravya ou guṇa é explicada por sua existência.
28- Sua realidade é explicada por sua existência.
Livro VIII: Da Cognição Ordinária por meio de Conjunção ou Combinação
PARTE I: Da Cognição Apresentativa.
1- O conhecimento (jñāna) foi explicado em dravyas (livro III).
2- Entre os dravyas, o ātman e manas não são perceptíveis.
3- O processo de produção do conhecimento foi afirmado na enunciação do conhecimento.
4- Dravya é a causa da produção do conhecimento onde gunas e karmas estão em contato direto com os órgãos dos sentidos.
5- Como universais e particulares (sāmānya e viśeṣa) não existem em universais e particulares assim o conhecimento surge por si mesmo.
6- Universais e particulares (sāmānya e viśeṣeṣa) são causas do conhecimento de dravya, guṇa e karma.
7- O conhecimento de dravya depende de dravya, guṇa ou karma.
8- Como guṇa e karma não existem em guṇa e karma, não são causas do conhecimento de guṇa e karma.
9- O reconhecimento de um objeto branco é devido à inerência (samavāya) da brancura e da cognição da brancura. Eles se relacionam como causa e efeito.
10- No caso de dravyas, as cognições não são causas umas das outras.
11. A sequência das cognições do pote de água, do pano, etc. depende da sequência de suas causas, devido à não simultaneidade das causas, e não depende da relação de causa e efeito.
PARTE II: Da Cognição Duplamente Apresentativa
1- Isto; aquilo; você fez; alimente-o, tais cognições são dependentes do intelecto.
2- Cognições existem em relação a objetos vistos e não a objetos não vistos.
3- O significado das palavras está em dravya, guṇa e karma.
4- Entre os dravyas, a composição dos cinco elementos foi negada.
5- Pela sua predominância e ter odor, a terra é a causa material do sentido olfativo.
6- Da mesma forma, água (āpas), fogo (tejas) e ar (vāyu) são as causas materiais dos órgãos do paladar (rasa), visão (rūpa) e tato (sparśa).
Livro IX: Da Cognição Ordinária e Transcendental
PARTE I: A: Da Percepção Ordinária da Inexistência e da Percepção Transcendental
1- Na ausência de kriyā e guṇa, diz-se que o efeito, antes de sua produção, é inexistente.
2- O existente torna-se inexistente.
3- O existente é um objeto diferente do inexistente, pois kriyā e guṇa estão ausentes no inexistente.
4- Existente também é inexistente.
5- Mas, aquele inexistente, diferente destes, é (definitivamente) inexistente.
6- A cognição do inexistente deve-se à não existência de uma percepção passada e de uma memória do passado, como a percepção de um objeto oposto.
7- Da mesma forma há cognição da antecedente inexistência pela perceptibilidade do existente.
8- Com isso, as declarações: não-pote, não-vaca, não-dharma são explicadas.
9- Não há diferença de significado entre a não ocorrência e o não existente.
10- Não há pote na sala. É uma negação de conexão entre um pote de água existente e a sala.
11- A percepção direta do ātma deve-se a uma conjunção específica entre o ātma e a mente, em si mesmo.
12- Da mesma forma, a percepção direta ocorre com os outros dravyas.
13- Aqueles cujos órgãos internos estão desconexos, são aqueles que perderam a concentração.
14- A percepção de karma e guṇa vem da inerência dos dravyas.
15- A percepção de guna e ātma vem da inerência do ātma.
PARTE II: A Cognição inferencial
1- A inferência resulta de um indicador característico que é efeito ou causa de conjunção, oposição ou inerência.
2- Isto se torna o instrumento de cognição pela relação de causa e efeito.
3- Com palavra (śābda) a cognição é conquistada.
4- Em, razão (hetu), declaração (apadeśa), indicador (liṅga), prova (pramāṇa) e causa (kāraṇa), não há diferença de significado.
5- Isto ou esta indicam referentes da cognição.
6- Recordação (smṛti) resulta da conjunção particular entre o ātman, manas e as impressões latentes (saṃskāras).
7- Da mesma forma, svapna (os sonhos resultam da conjunção de ãtma, manas e saṃskāras)
8- A cognição na forma de recordação está presente no sonho.
9- E, também, do dharma (ética).
10- O falso conhecimento (avidyā) resulta das imperfeições sensoriais e de falhas das Impressões (saṃskāras).
11- Avidyā é cognição imperfeita.
12- Vidyā é o conhecimento livre de imperfeições.
13- O conhecimento dos sábios (ṛṣis) e a visão dos realizados procedem do dharma.
Livro X: Das Diferenças dos Atributos do Self e das Causas Tríplices
PARTE I: Dos Atributos do Self
1- Devido à diferença entre causas desejáveis e indesejáveis e por oposição mútua, prazer e a dor são de naturezas diferentes.
2- A não inclusão (do prazer e da dor) no predicamento dúvida e certeza indica que são diferentes da cognição.
3- Os dois, dúvida e certeza, procedem da percepção direta e da inferência.
4- Mesmo se tivesse existido (diferencia prazer ou dor de cognição).
5- E, o efeito não é observado.
6- Prazer e dor são observados quando existem outras causas inerentes ao mesmo objeto.
7- Em um único corpo estão a cabeça, as costas, o estômago e outros órgãos vitais, mas suas distinções resultam das particularidades de suas causas.
PARTE II: De outras formas de cognição
1- Esta causa está relacionada ao dravya pela inerência de seu efeito.
2- Ou pela combinação (de causas).
3- A inerência na causalidade resulta em ações (karma) sem conjunção de causas.
4- E, desse modo, em rūpa (forma) há inerência da causa no mesmo objeto.
5- A conjunção de efeito por causa inerente é causa não inerente.
6- E, da inerência causal da causa.
7- Da inerência da conexão surge uma característica especial do fogo (calor).
8- Karmas nítidos cujos propósitos foram percebidos, sem falhas visíveis, são meios de prosperidade.
9- A autenticidade das declarações garante sua evidencia.
Assim o Darśana Vaiśeṣika está completo.
BIBLIOGRAFIA:
MokshaDharma / Filosofia e Ciência da Índia
Vaisheshika / Wikipedia
Vaisheshika | Atomism, Realism, Dualism | Britannica
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