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por Shirlei Massapust
Em minha infância eu residia em uma casa de dois andares na Rua Gomes Lopes, situada na parte menos abastarda de Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ. Em algum momento eu era uma criança com discernimento suficiente para escovar os dentes sozinha e alta o bastante para cuspir na pia do banheiro, mas ainda precisava olhar para o alto e erguer os braços afim de pegar minha escova de dentes e o tubo de pasta que ficavam guardados em uma espelheira. Eu entrei no banheiro, como sempre fazia, olhei para cima e vi uma coruja de asas abertas, descendo na minha direção, como se quisesse agarrar uma presa. Estava à frente dos ladrilhos acima do espelho e voou até mim em linha reta.
Levei um baita susto, mas não gritei. Dobrei os joelhos e quase cai no bidê. Embora breve, aquela imagem perfeitamente nítida, bem no centro do meu campo de visão, foi suficientemente durável para que eu pudesse distinguir exatamente com o que se parecia. A coruja tinha peito branco e o resto do corpo coberto por penas em coloração marrom-claro. O mais estranho é que ela parecia levemente artificial. Pensei que a ave de rapina iria desfigurar minha face com arranhões e bicadas, mas, ao invés disso, a coruja desapareceu no ar a cerca de dez centímetros dos meus olhos. Então julguei que aquilo era um fantasma de coruja. Acreditei ter feito uma grande descoberta científica. Claro que seria muito mais sensato supor que eu havia tido uma alucinação, contudo descartei essa hipótese porque até então nunca me havia ocorrido outro sintoma de esquizofrenia.
Contei para minha família e ninguém deu a menor importância, pois eu não pude lhes mostrar uma ave desorientada, perdida dentro de nossa casa. “Onde está? Para onde foi?” “Sumiu”. “Isso não é possível”. Naquela época meus pais criavam galinhas, patos, sabiás e quaisquer filhotes de aves caídos de ninhos, que eram soltos na natureza depois de crescidos. As aves, tanto domésticas quanto selvagens, eram meus animais favoritos entre os seres vivos. Eu gostava especialmente de ver fotos do pássaro-lira (Menura novaehollandiae), uma ave do paraíso com um rabo bastante longo.
Os bichos se tornavam mais interessantes à media em que se distinguiam por características singulares, tais como a habilidade vocal do papagaio, a arte da olaria do João-de-barro, a beleza do rabo de um pavão e a visão noturna de um Estrigiforme. Em nosso lar todos os animais carnívoros eram valorados de modo diferente dos herbívoros e onívoros, no que diz respeito à periculosidade. As galinhas demonstravam preocupação com a presença do gavião-carijó (R. magnirostris) nas proximidades. Os gaviões nunca forragearam no nosso quintal, porém o medo dos galináceos era contagiante.
Não pensávamos nas aves de rapina como criaturas malevolentes ou antiéticas. Os bichos precisam comer. Mesmo caçando outros animais, eles mereciam respeito e não deixavam de ser belos. Eu só conhecia Estrigiformes por meio de documentários de vida selvagem e representações de contextos artísticos obscuros, dentre as quais se destacavam as gravuras de Goya; especialmente o quadro El sueño de la razón produce monstruos.
Após o incidente no banheiro decidi pesquisar por conta própria. No dia seguinte identifiquei a classificação taxonômica remexendo na coleção de cartões zoológicos da minha irmã. Também olhei nos livros e revistas da minha mãe. Vasculhando tudo reconheci imagens da espécie Tyto alba[1] cujo macho tem peito branco. Quando adulto, ele chega a possuir 38 cm de comprimento, até 90 cm de envergadura e meio quilo de peso. Não produz som de farfalhar de asas ao voar.[2] Decididamente, era minha coruja.
Em todos os impressos haviam dados folclóricos dispersos entre a coleta de dados biológicos. O que todos os impressos contemporâneos tinham em comum era a alegação de que o temor à Tyto alba estaria generalizado na cultura ocidental. Acaso haveria mais alguém no mundo vendo fantasmas de Tytonidae que desaparecem no ar? Minha primeira impressão foi a de que adultos misturavam assuntos sérios com bobagens.
O material paradidático não explicava a aparente artificialidade da minha coruja fantasma. Onde vi algo semelhante? Nos anos 80 a animação em computação gráfica era um recurso raro e carente de realismo. Comparando as representações em CGI da coruja Tyto alba na abertura do filme infanto-juvenil Labirinto: A Magia do Tempo (Labirinth, 1986) e no filme posterior A Lenda dos Guardiões (Legend of the Guardians: The Owls of Ga’Hoole’, 2010) percebemos a notória evolução na tecnologia após vinte e quatro anos.
Eu não assisti Labirinto: A Magia do Tempo no cinema. Tomei conhecimento por meio de uma fita VHS da versão dublada, em idioma português, locada pelo meu primo Sidney. Isso muito provavelmente aconteceu em agosto de 1987.[3] Durante a exibição dos créditos iniciais a ave falsa sobrevoa um lago de águas escuras que lhe serve de espelho. Depois, quando o filme realmente começa, aparece uma coruja verdadeira, um macho da espécie Tyto alba, que representa o personagem Jareth (David Bowie)[4], rei dos goblins, em sua forma animal. Ele é o vilão estranho que faz maldades, canta o melhor da música pop e mora em um lugar tremendamente interessante, imenso e maluco.
Não tenho absoluta certeza se vi Labirinto: A Magia do Tempo antes ou depois de encontrar a coruja fantasma voando na frente da espelheira do meu banheiro. Eu era capaz de distinguir entre ficção e não-ficção, fantasia e realidade. Eu sei que não lembrei do filme no momento em que vi a coruja fantasma e apenas percebi a semelhança quando a produção foi reprisada na programação da TV. Se a coruja foi vista antes, o filme coincidentemente parece um bocadinho com a minha vida. Mas se a coruja fantasma foi vista depois, então a alucinação poderia ter sido uma projeção – talvez uma imagem hipnagógica excepcionalmente grande, nítida e bastante fora de lugar – de uma imagem adquirida a partir do animal cinematográfico, armazenada em minha memória?
Nesta hipótese, seria tal projeção aleatória e desprovida de significado? Ou seria de algum modo seleta por uma racionalidade intangível, na intenção de expressar-se analogicamente conforme seu significado? O que vi foi um bicho que amo querendo me predar. A coruja fantasma era menos branca e mais marrom que a coruja do filme. Tinha penas escuras nas asas e também no rabo. Só o peito era mais claro, mais branco. Enfim, a coruja fantasma era mais como as aves da vida real do que como o Jareth em CGI.
Olhudos na muralha de contenção
A primeira aparição de uma espécie de criptídeos, que eu chamei de olhudos, ocorreu um dia antes da festa de aniversário da minha irmã. Ela comemorava no sábado anterior ou posterior, o que data a aparição em 8 ou 15 de julho de 1988. Como já havia escurecido, embora fosse dia, o fato ocorreu entre 18h e 19h. Era sexta-feira.
Eu estava entediada, esperando terminarem uma arrumação no meu quarto. Deitei em uma cama proibida no quarto dos fundos. As paredes do cômodo eram cobertas por pôsteres porque ali funcionava a sede de um pequeno fã clube brasileiro dedicado à banda Menudo.[5] Não havia nenhum motivo razoável para minha irmã nunca dormir no quarto dela, que era o fã clube, preferindo passar as noites comigo, mas era isso que sempre acontecia e aquela mobília particular não tinha nenhuma serventia na casa. A cama estava disposta de frente à janela gradeada, que dava vista para uma parede no quintal coberta por uma trepadeira ornamental da espécie Uncaria tomentosa que nunca floriu. Havia também dois xaxins de samambaia chorona (Polypodium persicifolium) pendurados ali.
Em um determinado momento olhei para a janela e me deparei com uma cena que não deveria estar lá. Eu olhava diretamente para algo que também estava olhando para mim. Era o rosto de um bicho peludo com grandes olhos, pertencente a uma escala de tamanho intermediária entre o pequeno e o médio porte; tipo um muriqui, mas não era um muriqui. Julgando sua mera aparência em comparação aos animais terrenos, penso que dentro da hierarquia da classificação científica dos seres vivos aquilo deveria estar no reino Animalia, filo Chordata, subfilo Vertebrata, subclasse Mammalia, ordem Primatas, provavelmente subordem Strepsirrhini, sem família, gênero e espécie conhecidas.
O animal possuía uma mancha em forma de triângulo invertido na pelagem da testa, em uma coloração mais clara que a do restante da cabeça. Ele aparentava estar alojado dentro de uma toca recém escavada no muro verde do quintal. Ao mesmo tempo percebi que, mesmo focando a atenção sobre um indivíduo específico, minha visão periférica captava a imagem de mais uns poucos buracos dispersos, não lineares. Com uma excessão, cada abertura circular abrigava a cabeça de outro indivíduo da mesma espécie. Então deduzi que até as partes do muro que eu não era capaz de enxergar pela janela deveriam estar repletas daqueles animais coloniais que vivem em grupos familiares.
Todos os animais que eu pude ver nesta ocasião diferenciavam-se minimamente nas cores da pelagem, variando em tonalidades de marrom. Foquei então minha atenção no buraco diferente, no canto esquerdo do espaço enquadrado pela vista da janela. Lá não havia somente uma cabeça, mas sim um animal adulto com toda a parte superior do corpo exposta, segurando um outro, pequenino, do qual só me foi possível ver a cabeça. Tive a impressão de tratar-se de uma fêmea acalentando seu filhote tal como uma mãe humana.
Todos aqueles bichos pareciam estar me observando atentamente. Lembro que tive tempo para realizar todo tipo de teste que me foi possível improvisar para verificar se aquilo desapareceria ou se a imagem permaneceria estável em decorrência de minhas ações ou pensamentos. Mudei de posição, virei minha cabeça, pensei em outra coisa, fechei os olhos longamente e voltei a olhar. Os animais permaneceram visíveis, ainda no mesmo lugar, indiferentes a tudo que fiz para dispersar a alucinação, se fosse uma alucinação. Eles só não eram visíveis quando eu fechava os olhos, assim como todos os sólidos do entorno. (É importante registrar este detalhe banal, pois a literatura médica fala em alucinações visíveis por pessoas de olhos fechados e que se intensificam com a perda da visão).
Só deixei de vê-los quando saí do quarto para tentar coletar um espécime. Mas eu não os vi sumir, pois não havia janelas no corredor. Julguei que algum animal talvez fosse manso o suficiente para não reagir à tentativa de domesticação, embora eu não descartasse a hipótese de que repentinamente eles poderiam me atacar em defesa própria ou em ato natural de forrageio. Quando cheguei ao quintal encontrei o muro intocado, como sempre foi, sem bichos ou quaisquer vestígios de escavação. Anos depois as plantas caíram, deixando o concreto à mostra, sem tocas de animais naquelas medidas. Será que criptídeos multidimensionais ou interdimensionais abriram em nosso lar novos espaços topológicos, os famosos “wormholes” da física teórica, em proporções não quânticas? O mais provável era que eu houvesse mesmo experimentado uma alucinação visual não induzida.
Dessa vez não fui capaz de encontrar a classificação taxonômica de algum animal real, catalogado pela Zoologia. Apenas descobri que olhos grandes, semelhantes aos do Tarsius spectrum, quando ocorrem na natureza, são produto da evolução que favorecem a visão noturna. As condições de iluminação não eram tão precárias a fim de permitir que eu verificasse se os olhudos possuíam a membrana chamada tapetum lucidum. É certo que tinham visão estereoscópica típica de animais carnívoros e onívoros. Pareciam onívoros.
Em 17/03/2007 sonhei que finalmente consegui encontrar uma revista de zoologia que denominou aquela espécie de Anzû, em homenagem à proposta do assiriologista Benno Landsberger (1890-1968) para a leitura do cuneiforme 𒀭𒉎𒈪𒄷, no sentido de animal preternatural. O único defeito na teoria onírica é que, no contexto, o ideograma mušen (𒄷) significaria “passeriforme” e o nosso criptídeo não é uma ave.
Em 2023 percebi que alguns desenhistas de quadrinhos de horror brasileiros criaram perfis na rede social Facebook. Perguntei se eles aceitariam produzir retratos falados de bichos estranhos. Neste caso quem aceitou foi Eduardo Ebenezer Ofeliano de Almeida, que, embora não creia no sobrenatural como algo existente para além da ficção, achou curioso o fato de uma outra pessoa além de mim recentemente também haver lhe solicitado o desenho de algo bastante parecido, por motivo incerto e não sabido!

Olhudo no quarto do meu pai
A segunda vez que vi um exemplar de olhudo foi entre 10h e 12h da manhã, por volta de 1989, em período de férias escolares[6], sábado, domingo, dia de feriado ou ponto facultativo (porque eu estava em casa). Nesse dia, quando andei pelo corredor olhando para a porta aberta do quarto do meu pai, havia um olhudo atrás da cama, deixando a cabeça à mostra. Pensei: “Caramba, o bicho conseguiu entrar em casa!” Embora fosse a mesma espécie vista anteriormente, tinha olhos azuis e pelagem branca. Parecia um animal albino. Apenas a mancha triangular na sua testa era marrom-claro.
Julguei-o belo. Em pouco tempo, infelizmente, aquilo desapareceu. Imaginei que teve receio de ser capturado por mim. Teria se escondido debaixo da cama? Fui correndo chamar minha mãe para ver, procurei debaixo da mobília e não havia nada. Ainda com dificuldade de aceitar que imagens tão nítidas fossem alucinações, parecia-me crível que aquilo fosse um ser vivo da quarta dimensão com habilidade de olhar para fora e, então, novamente imergir nos largos espaços invisíveis que nos rodeiam e permeiam.
Certo dia, talvez mais de um ano depois, vi pela janela do quarto dos fundos algo que poderia ser uma orelha em cor marrom de algum animal caminhando no quintal, andando junto à parede. Corri para tentar vê-lo completo. Quando cheguei não havia mais nada. E não tinha para onde fugir. Para que as orelhas pudessem ser vistas daquela janela o cão ou qualquer outro animal deveria ter aproximadamente 1m de altura. Em 18/02/2021 as 18h20, embora estivéssemos residindo em outro lar, eu e minha mãe vimos ao mesmo tempo a imagem de uma coisa mais ou menos da cor, tamanho e grossura de um pregador de madeira passando do lado de fora da janela da cozinha. Embora aquilo estivesse se movendo em direção à porta ao lado, nada passou em frente à porta aberta. (Isso aconteceu após a visita estressante de duas funcionárias de uma empresa em processo de falência, que nos haviam processado e posteriormente perderam a causa na justiça).
O caso das bolas de papel voadoras
Antigamente a diversão favorita de vários alunos do Colégio Sagres era jogar papel uns nos outros. Os moleques eram geniosos neste quesito. Tubos de canetas serviam de zarabatana para atirar bolinhas de papel higiênico molhado. Folhas de caderno eram toscamente amassadas e arremessadas, mas as vezes viravam aviões de vários modelos; inventaram até um bombardeiro que espalhava carga de pó de giz pelo ar.
Essas coisas quase nunca me atingiam pois eu sentava no canto, porém a agitação incomodava por dificultar a vida de quem desejava prestar atenção nas aulas. Sem sombra de dúvida, jogar bola de papel era coisa de zombeteiros.
Certa vez, em uma noite de 1989, pouco depois das 20h, eu estava jantando, sentada no sofá, junto aos meus pais e minha irmã. Todos assistiam Tieta[7] na TV, menos eu, que preferi olhar para a janela da sala. De onde eu estava só se via a copa de uma árvore e o céu. Em dado momento uma bola de papel branco amassado, com cinco ou seis centímetros de diâmetro, atravessou o meu campo de visão, voando em rota semicircular do lado de fora da casa. Isto voou da direita para a esquerda. Logo a seguir essa ou outra bola de papel amassado voou da esquerda para a direita.
Deduzi que meus primos Sidney e Francisco estavam brincando no quintal do primeiro andar, arremessando algumas bolas de papel para assustar quem estivesse no segundo andar. Fui à janela na intenção de gritar que aquilo não assustava ninguém, olhei para baixo e o quintal estava vazio. Não havia pessoa nem bolas de papel no chão. As luzes estavam apagadas. Observei atentamente a vegetação de um pequeno canteiro ao lado direito do quintal, procurando papel, e tive sensação de movimento. Poderiam ser folhas balançando ao vento ou, no máximo, um gambá, mas suspeitei de animais fantásticos dotados de competência cognitiva suficiente para produzir e manejar bolas de papel.
Imaginei que se havia algo escondido na moita jogando aquilo para a esquerda, também deveria haver algo no lado oposto do quintal, escondido na área da lavanderia, esperando para recolher a bola de papel e jogá-la novamente para a direita. Isso pareceu-me óbvio, desde que os jogadores necessitassem obedecer às leis da física.
Então passei a questionar mentalmente sobre por que inumanos simulariam um comportamento humano, uma brincadeira infantil tão boba e irritante? Imaginei que o estúpido esquema das bolas de papel poderia ser uma armadilha para distrair crianças. Então tive medo. Repentinamente percebi algo no lado esquerdo da jardineira da janela da sala. Não era uma planta. Tratava-se de um vulto de postura ereta com cerca de 45 cm de altura. Se aquilo não fosse bípede ao menos mostrar-se-ia capaz de ficar de pé, como um suricato; mas não era um suricato pois tinha cabeça maior que a de um Herpestidae. Eu intuí a sua presença por uma fração de segundos enquanto recuava, com o susto.
Como era noite não distingui detalhes do vulto escuro, contudo imaginei que só poderia ser um minúsculo olhudo de tocaia. Ao sair da janela fiz um estardalhaço chamando gente para ver e ninguém viu nada. Eu mesma não avistei coisa alguma quando voltei a olhar para a jardineira. Não tinha animal nem pegada, arranhão, sujeira, nada.
Passei a formular hipóteses sobre o comportamento de uma espécie inteligente e potencialmente hostil: Dois fingiriam ser humanos jogando a bola de papel para desviar minha atenção enquanto um desceria do teto, ao meu lado, talvez querendo me arranhar, e fracassou na tentativa? Aquilo não tinha asas, não entrou pela janela e não se espatifou no chão. Então de onde veio e para onde foi? Pulou na árvore feito macaco? Teceu uma corda ou cortou um cipó para descer do teto e tornar a subir? Simplesmente sumiu? O bicho desapareceu porque nunca esteve lá. Eu caí em delírio persecutório confabulando sobre hipóteses cumulativas. Mas a primeira bola de papel foi uma surpresa. Não foi fruto da minha imaginação consciente. Deveria ser alguma coisa real. Morcegos, talvez.[8]
Pode não ser inútil acrescentar que não tive dor de cabeça após ver o objeto branco e que nunca tive dor de cabeça logo após ver qualquer impossibilidade, pois na literatura médica existe uma variação da enxaqueca com aura caracterizada pela percepção visual de pontos brancos. Todavia Oliver Sacks registrou que a dor de cabeça é acidental e que o único sintoma pode ser ver pontos brancos. No meu caso, falta frequência. Nunca mais vi nada como aquilo até 05/10/2024. Nesta ocasião eu estava sentada na varanda em pleno dia. Vi uma massa branca aparentemente leve vagando pelo ar até se ocultar por traz de minha casa. O aspecto poderia corresponder tão bem a um borrão de enxaqueca quanto ao ectoplasma descrito pelos espíritas europeus de séculos passados, mas eu imaginei que fosse uma sacola plástica vazia, contorcida e conduzida à deriva pelo vento. Fui ao quintal verificar se o lixo havia caído lá ou se estava preso em alguma árvore. Não encontrei nada. Fui ao terraço e lá também não havia caído. Então lembrei das bolas de papel voadoras.
O bicho pau de olhos vermelhos
Meu pai fazia compras do mês após voltar do trabalho. Íamos todos e voltávamos muito tarde, depois das 20h. Minha mãe reclamava porque passava da hora do jantar. Certa vez, por volta de 1990, eu, minha irmã e nossos pais havíamos acabado de retornar das compras em um supermercado. Subi as escadas correndo para chegar em casa mais rápido do que todos. Parei na mureta à frente da terceira escada e olhei para baixo na intenção de ver se os outros já estavam subindo. Encontrei uma emissão de luz dentro do espectro de cor vermelha semioculta por traz das árvores em um canteiro elevado ao lado da primeira escada. Lá tinha uma goiabeira (Psidium guajava) que dava frutas de polpa rosada por dentro e, por traz dela, vegetação comum que não frutificava.
A luz que se destacava em meio à toda a vegetação formava pareidolia de um rosto monstruoso que me impressionou ao ponto de tudo aquilo terminar por ensejar visão de movimentos alucinatórios, provável reflexo duma expectativa de ataque ofensivo.
Da parte opaca da cabeça do criptídeo quase nada se percebia em meio às sombras da noite, exceto que, como nós, ele notavelmente possuía simetria bilateral. Assim sendo, na qualidade de animal bilatério, aquilo certamente não deveria ser uma planta. Quando a quimiluminescência ocorre em organismos vivos da fauna terrena nós chamamos de bioluminescência. Dentro de cada “olho” do criptídeo existia um círculo totalmente preto que, à época, interpretei como sendo a íris, mas que talvez devesse ser mais sensatamente considerado como sendo os seus globos oculares inteiros. Ao redor disso estava a parte bioluminescente, um par simétrico de fotóforos (órgãos glandulares epidérmicos) capazes de fosforescer emitindo uma tênue luz de cor vermelho-vivo.
À época eu acreditei que esse par de fotóforos vermelhos simétricos – onde os olhos negros estavam sobrepostos – faziam parte dos próprios olhos e seriam as escleras.[9] Deste modo, sob uma perspectiva leiga, o criptídeo que me observava parecia ter um par de olhos enormes cujas longas extremidades pontudas se projetavam tão obliquamente que – eu deduzi – deveriam ultrapassar os limites da caixa craniana. Aqueles fotóforos simétricos eram tão compridos quanto uma máscara carnavalesca tipo veneziana, mais do que os músculos do supercílio do batráquio Pelobatrachus nasutus.[10]
No centro da testa do criptídeo, sobreposto e acima da área da glabela, havia um losango de tamanho pequeno em comparação com o tamanho do conjunto ocular. Ou seja, no centro da testa havia um paralelogramo de ângulos não retos cujos pares opostos possuem medidas iguais; sendo a diagonal vertical sua diagonal mais longa. Isto não era um terceiro olho porque não tinha íris. Minha primeira impressão foi que o losango tratar-se-ia de uma gema rubra translúcida – como granada ou cornalina – trabalhada com técnica de lapidação tipo navete. Contudo, o losango era exatamente da mesma cor dos olhos e apresentava a mesma intensidade luminosa. Não passou pela minha cabeça que um monstro irritadiço não teria competência cognitiva para criar ou portar artigos de joalheria; nem que o mais sensato seria interpretar o losango como um terceiro fotóforo.
Naqueles primeiros anos eu não imaginei que um wormhole invisível pudesse abrir em lugar alto, em pleno ar, e servir de janela para um ser que poria apenas a cabeça para fora. Aliás, algo dirigir um wormhole em minha direção seria bastante inusitado. Fiquei procurando o resto do criptídeo. Cabeças voadoras – tais como a górgona (Γοργών) decapitada, a hitodama (人魂), etc. – não faziam parte do folclore da região onde moro.
O monstro avançou na minha direção e desapareceu no ar. Eu não sabia se aquilo havia pulado, voado ou levantado. Imaginei que só poderia ter levantado se fosse um gigante agachado. Contudo, as arvores nem sequer balançaram com o movimento brusco. Seria impossível para um corpo sólido fazer o que aquilo fez sem se chocar contra vários galhos à sua frente. Sendo assim o monstro demonstrava a habilidade de atravessar árvores tal como um clássico fantasma atravessador de paredes.
Isso durou segundos, porém bastou para que eu levasse um susto. Meus pais e minha irmã não viram nada de estranho no mato. Ignoro se eles estavam olhando. Como eu não vi o corpo do criptídeo, e não há cabeça sem corpo na natureza, deduzi que algo no cenário necessariamente constituiria o restante dele. Seria algo preto como vantablack, invisível à noite? Ou seria um corpo seco, com pele lembrando casca de árvore, seguindo o mesmo princípio de camuflagem dos insetos da ordem Phasmatodea, que mimetizam madeira ou gravetos, vulgarmente chamados de “bichos-pau”?
Minhas tentativas de desenhá-lo, à época, saíram particularmente ruins. Cheguei a fazer breves vigílias em noites posteriores na intenção de averiguar se a passagem na rua de veículos automotivos geraria luzes vermelhas semelhantes naquele mesmo lugar, pois eu sabia que lanternas traseiras tem retrorrefletores vermelhos e que, no Brasil, as luzes de freio são vermelhas. Entretanto, constatei que o fenômeno não se repetia.
O caso do ladrão de lixo
Quando eu era criança obtive um cabo de vassoura pintado com tinta dourada e intentava transformá-lo em um cetro de princesa fixando uma bonita manopla de câmbio de vidro esférico, com imagem de São Jorge, que ganhei do meu pai. O problema é que a ponta do cabo precisava ser reduzida para encaixar a manopla e eu não tinha estilete. Portanto, sob a perspectiva das outras pessoas, aquele objeto era um pedaço de lixo.
Durante um certo período tive a ideia estapafúrdia de procurar tocas de olhudos no quintal. Numa noite, enquanto olhava pela janela, vi por uma fração de segundo algo parecido com a mão de um bicho preguiça do gênero Bradypus sair por um minúsculo buraco no cimento da escada, onde não caberia um formigueiro. Eu julguei o fenômeno insignificante, mesmo durante a ocorrência, e levantei a hipótese de ilusão de ótica.
Também anotei casos do tipo “acho que um olhudo passou por aqui”, após observar objetos movidos de lugar. Um deles foi meu cetro dourado, que sumiu sem deixar vestígios, certamente abduzido por um adulto direto para uma caçamba de lixo.
Isso aconteceu em um dia em que Sara veio à minha casa para ter aula particular com minha mãe. Antes e depois conversamos sobre os olhudos. Nós procuramos pistas nos canteiros arborizados levando binóculos, lanterna para iluminar tocas no mato e o cetro dourado, potencialmente útil para desfazer teias de aranha e bater em animais hostis.
Não encontramos nada anormal. Porém encostei o cetro dourado na parede do andar de baixo, fomos para a aula e, quando voltamos, não estava mais lá. Quem morava no primeiro andar disse que ninguém pegou; do contrário teriam a trabalheira de cortar e pintar outro cabo de vassoura para substituir o precioso artesanato descartado.
Pois bem, se supostamente nenhum humano mexeu naquilo, como o objeto foi levado? Animais fantásticos estariam coletando madeira? Procurando bem, encontrei três vassouras velhas debaixo da escada e outro cabo de vassoura, sujo de lodo verde, jogado sobre o canteiro arborizado justamente abaixo de onde, anteriormente, apareceu o bicho-pau de olhos vermelhos. Se não era costume dos meus parentes jogar lixo no mato, o que frequentava aquele canteiro e tinha interesse em arrastar tantos cabos de vassouras?
Sara disse ter visto uma mão com luva preta saindo de um ralo e depois falou que viu olhudos crescendo e diminuindo de tamanho na minúscula entrada do porão. Eu não vi nada. Logo, deduzi que ela estava fazendo mofa de minha situação patética.
Nos dias seguintes passei a observar atentamente aquela área do canteiro. Bem ali apareceu um galão de detergente líquido vazio, com rótulo de Limpol. Isto intrigou-me pois o canteiro estava localizado na área do imóvel. Não há circulação de estranhos. Para terceiros jogarem algo intencionalmente, seria necessário que arremessassem por cima de uma muralha. Enfim, nossos vizinhos eram ruins, mas nem tanto. Minha hipótese era que um animal atraído por cores vibrantes retirou a embalagem da lixeira e arrastou até onde eu a vi. Ou então na minha casa haveria um acumulador ocultando recicláveis.
Em verdade eu estava aborrecida porque demorava demais para algo acontecer e, quando acontecia, era algo irrelevante como uma bola de papel voadora ou uma pareidolia de olhos vermelhos. Extrapolações criariam uma realidade aumentada. (É assim que um alucinado enlouquece). Nesta “segunda fase” eu percebia uma brusca diminuição qualitativa do fenômeno que, quando inesperado e espontâneo, tinha maior duração e nitidez. Além do mais, as novas aparições não eram bonitas. Como não me habituei à falta de qualidade, criei expectativas sobre novas ocorrências e sofri decepções. Eu não estava mentindo, porém me sentia como se falasse besteira devido a tudo que precisava deduzir para narrar um relato fiável. A capacidade investigativa de uma adolescente pouco instruída é precária e falível. Eu sabia disso e estava cansada de correr riscos de errar.
Humanoides de má aparência[11]
Eu desisti dos monstros, porém os monstros não desistiram de mim. Certa noite, no ano 1995, acordei de madrugada e vi dois humanoides acocorados na ponta inferior da cama de casal onde eu dormia ao lado de minha irmã mais velha. Sob minha perspectiva um deles estava certamente sobre os pés de minha irmã, mas ela não acordou e nem mesmo se mexeu. Eram dois indivíduos de aspecto magro e raquítico, ao ponto de a saliência dos ossos aparecer sob a pele. A cútis flácida era branca e sem cabelos, como a pele de um axolote. Eram muito brancos, mas não tanto quanto uma folha de papel.
Pela manhã anotei que eles “pareciam saídos de algum filme de horror pois o aspecto era mesmo muito feio, lembrando algumas descrições de extraterrestres”. Não vi detalhes da fisionomia porque o quarto estava escuro. Eles estavam olhando para mim. Os olhos eram pretos no escuro. Pareciam ter uma deformação nas mãos alongadas. Eu não anotei, mas ainda lembro que pareciam membros superiores posicionados como os de um inseto louva-a-deus (Mantis religiosa), inclusive possuindo mãos em forma de foice.
Aquele que ficou do meu lado da cama não estava sobre mim. Ocupava o pouco espaço abaixo de meus pés recolhidos. Sua presença não causava diferença de temperatura na área, seja esquentando ou esfriando meus pés. Era tão leve que não afundava o colchão. Aquilo estava quieto, imóvel, sem emitir sons. Imaginei que poderia estar entretido com as numerosas estampas de flores de Lenkoran acácia em minha antiga colcha fabricada pela Indústria Matarazzo.[12] Os humanoides não demonstraram agressividade.
Imaginei que se eu fizesse movimentos bruscos aquilo poderia se assustar e atacar a mim e à minha família. Por isso eu estava com medo. Minha mãe dormia em um colchonete ao lado da cama. Discretamente verifiquei que ela estava bem e dormia tranquilamente. Eu até lembrei de haver visto um programa de não-ficção, na TV, sobre avistamentos de alienígenas com aspecto de louva-deus. Imaginei que desta vez eu poderia estar tendo uma alucinação, mesmo se noutras vezes os olhudos fossem reais.
Por baixo das cobertas apertei um travesseiro com o qual eu dormia abraçada e esperei aquilo ir embora. Dormi. Pela manhã os alienígenas não estavam mais onde os vi. Não estavam em lugar nenhum. Não deixaram marcas nem cheiro diferenciado no local da colcha onde pisaram. Eu não vi um disco voador vindo buscá-lo.[13]
Olhudos trinta anos depois?
Faz tempo que mudei de residência. Meu novo lar fica apenas a alguns metros da casa antiga. A área arborizada é quase contígua. Desde 1986 vi vultos humanos sumirem no ar. Escutei vozes. Conversei com pessoas durante sonhos e escutei narrativas dos nossos sonhos, proferidas pelas mesmas pessoas durante a vigília. Eu vi um OVNI. Coisas estranhas aconteceram. Porém, nunca mais vi olhudos. Não por mais do que uma fração de segundo. Não algum que não fosse provavelmente uma imagem mental mal formada.
Em 08/07/2021 percebi que a sujeira no chão estava diferente do habitual. Lembrei dos olhudos porque naquela semana um bípede deixou pegadas semelhantes às humanas, com calcanhares estreitos, de 15cm de comprimento e 5cm na parte mais larga do seu pé. Aqui não tem crianças pequenas. Duas portas trancadas impedem a entrada de intrusos nesta área do quintal. Os maiores mamíferos que frequentam o entorno de minha casa são sagui, gambá, porco espinho, esquilo, gatos e os cães dos vizinhos quando fogem. Nenhum desses bichos tem patinhas nesse formato. O animal pisou em sujeira (lama ou titica de galinha) e deixou um rastro no quintal. Essa é a pegada mais completa.

Em 05/07/2022 descobri uma marca parecida com impressão de pata de criptídeo no espelho do banheiro. A marca tinha 10,5cm de comprimento, 6 cm de largura na parte mais larga e 1cm na mais estreita. Reparei que essa marca no espelho era muito parecida com a pegada de 15cm x 5cm que encontrei no chão do quintal em 08/07/2021. Acaso isto retorna à região onde moro anualmente, na primeira semana do mês de julho?[14]
Neste dia achamos uma boneca de borracha da indústria de brinquedos Diver Toys caída no quintal. Julgamos que uma criança residente na casa vizinha deixou cair, então jogamos de volta para lá. Cinco dias depois o brinquedo estava caído na escada e jogamos novamente para a casa vizinha. Parece que não a queriam. Ou não era deles e devolveram, como nós devolvemos putativamente. Aquele brinquedo tinha marcas de arranhões e outros danos possivelmente produzidos pelo cão da família vizinha.

Em 05/07/2022, por volta das 13h, um bicho correu atrás das nossas galinhas, que fizeram estardalhaço no quintal. Minha mãe pensou que fosse um dos cães dos vizinhos. Chamamos os vizinhos e estes verificaram que os dois cães estavam presos. Nenhum havia fugido. Muitas coisas podem ter assustado minhas galinhas, mas suponhamos que foi a espécie que deixou pegadas tangíveis em 08/07/2021 e 05/07/2022. Por que aquilo – seja o que for – voltaria ao meu quintal? Minha amiga Nice Ramos sugeriu que a atividade na primeira semana do mês de julho pode indicar um período de acasalamento ou de defeso da espécie. Eu só sei de uma coisa: Alucinação não deixa marcas de pés e mãos.
NOTAS
[1] Este material caiu em obsolescência. Desde 2014 a Tyto alba foi distinguida da Tyto furcata, habitante do continente americano, que costumava ser confundida com a variedade europeia. Ou seja, o que os índios chamam de “suindara” e que os brasileiros nordestinos apelidaram de “rasga mortalha” é Tyto furcata.
[2] AVES DA NOITE. Em: Novo Conhecer, nº 25. São Paulo, Abril Cultural, 1977, p 390; SOLITÁRIAS CAÇADORAS DA NOITE. Em: Revista Geográfica Universal, nº 63. SP, Bloch, fevereiro de 1980, p 49; CORUJA-DE-IGREJA (Tyto alba). Em: MIL BICHOS. São Paulo, Abril S/A Cultural e Industrial, 1978, cartão nº 49.
[3] Creio que Labirinto teve lançamento mundial em novembro de 1986 porque a revista Cinemin nº 30, da Ebal, publicada em dezembro, deu um pôster colorido do filme, mas não indicou o nome na parte de lançamentos recentes. À época os filmes eram lançados nos cinemas e demoravam seis meses para chegarem às locadoras e mais alguns meses para chegarem até a TV.
[4] Este personagem não faz parte da mitologia universal. Os nomes de Jareth (David Bowie) e Sarah (Jennifer Connelly) foram inspirados na vida de Edward Jarrett, empresário da atriz Sarah Bernhardt (1844-1923).
[5] Tal fã clube seria extinto e, no mesmo quarto, em 1991, passaria a funcionar a sede de um grande fã clube da banda Guns n’ Roses, o Guns n’ Revolution.
[6] Nesta ocasião saí do Jardim da Infância no Colégio Santa Dorotéia e passei para o CA no Colégio Sagres. Estive de férias de dezembro de 1988 até a segunda semana de março de 1989, depois em julho de 1989.
[7] A telenovela Tieta foi exibida pela Rede Globo, às 20h, de 14/08/1989 a 31/03/1990. (FERNANDES, Ismael. Memória da Telenovela Brasileira. São Paulo, Editora Brasiliense, 1994, p 350).
[8] Havia muitos morcegos vivendo dentro do porão ao lado do canteiro no primeiro andar da casa.
[9] Não há nada parecido com escleróticas bioluminescentes na natureza terrena. Alguns peixes da zona abissal têm olhos justapostos, mas não sobrepostos a pares de fotóforos semelhantes ao logotipo Swoosh dos tênis da Nike. Apenas três espécies conhecidas possuem fotóforos suborbitários produtores de bioluminescência vermelha. São eles: Malacosteus niger, Aristostomias e Pachystomias. Esta forma rara de bioluminescência pode atingir até 710 nm em águas profundas. O fotóforo é composto de um grande saco pigmentado contendo uma massa de células glandulares escarlates. Uma camada espessa e reflexiva reveste o saco pigmentar, com fios ocasionais de tecido reflexivo passando pelo núcleo glandular do fotóforo. A camada externa é composta de grandes células epiteliais que se fundem em uma camada interna mais escura. A função presumida desta camada é fornecer a camada através da qual a fluorescência é filtrada. As células do núcleo glandular são caracterizadas por um retículo endoplasmático rugoso denso.
[10] O formato era igual aos olhos da máscara do herói Ray Randall no seriado Homem Pássaro (Birdman and the Galaxy Trio, 1967-1969), que eu assistia no Xou da Xuxa. Esse personagem, criado por Alex Toth, também tinha um emblema vermelho de sol alado no centro da testa; porém não associei uma coisa com a outra, mesmo porque o herói não era um monstro e os olhos da máscara do homem pássaro são pretos.
[11] Se você chegou a baixar a versão deste documento produzida antes da atualização em 14/04/2025, então você leu sobre aquilo que eu me lembrava em agosto de 2024, cerca de dezenove anos depois do ocorrido. Infelizmente eu havia perdido a folha de caderno onde anotei este caso imediatamente após o fenômeno alucinatório. Porém depois encontrei a folha contendo o ano exato e detalhes esquecidos, que eram muitos. Eu esqueci da data e até do segundo humanoide. Portanto, peço desculpas ao leitor.
[12] O lado da colcha que geralmente deixávamos virado para cima tinha estampas de flores na cor azul, diferente das cores encontradas na natureza, embora fossem as mesmas flores. Já o lado que ficava virado para baixo tinha estampas de flores na cor vermelha.
[13] Em 12/09/2024, 12h, comecei a digitar a primeira linha desse registro, ouvi um barulho de curto-circuito e a lâmpada sobre minha cabeça queimou. Era uma lâmpada fluorescente compacta da indústria FLC. Foi fabricada entre janeiro de 2018 e dezembro de 2021.
[14] Ainda em 05/07/2022, por volta das 17h, houve a explosão de um recipiente de 200g de ervilhas Olé, na pia da cozinha. Era um vidro antigo reutilizado com função de copo d’água e a quebra espontânea provavelmente resultou de causas naturais. Contudo, considerando que outro vidro foi tocado pelo inexplicado algumas horas antes, talvez não seja inútil mencionar a ocorrência.
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