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por Tata Caratu
A ideia deste breve texto é trazer uma reflexão e uma provocação profunda sobre até onde você conhece seu ancestral ou mestre e, principalmente, até onde vai o limite da sua régua moral sobre o culto e, mais ainda, sobre você mesmo. Para isso, vamos traçar alguns paralelos com a nossa Quimbanda e com o amor, o carinho, o respeito e a devoção que todos supostamente dizem ter por seus mestres.
No primeiro ponto, é comum que, em algumas Quimbandas, exista o culto ao ancestral direto, ou seja, um parente que pode ser o próprio pai ou mãe, avô ou avó etc. No entanto, esse conceito apresenta uma falha. Considerando que a Quimbanda é um culto pagão e anticristão, qual seria o motivo de cultuar um ancestral direto caso ele(a) tenha sido cristão em vida? Creio que ele sequer desejaria receber oferendas vindas de “macumbeiros”. E se foi alguém que lhe fez mal de alguma forma? E se você não gostava de nenhum dos seus parentes conhecidos? E mesmo que você não o conhecesse, porém soubesse que esse ancestral direto, que agora pede culto, foi alguém que prejudicou a família em outras épocas, ainda assim, você o cultuaria?
Embora os exemplos expostos tenham destacado o culto ao ancestral direto, o mesmo vale para os indiretos, que, nesse caso, representam a maior parcela das entidades que cultuamos. A máscara “Exu” é perfeita para espíritos que não desejam ser reconhecidos. Embora exista o conceito de egrégora e dissolução da própria identidade, não podemos fechar os olhos para o fato de que isso também serve como um esconderijo e, possivelmente, confere uma importância maior a alguém que, muito provavelmente, não teve grande expressão enquanto esteve vivo. Por exemplo: uma mulher que, ao morrer, passa a integrar a falange de Sete Saias, ganha uma relevância, aos olhos dos outros, que possivelmente não tinha em vida. E está tudo bem. Não estou dizendo que isso é errado, visto que, se ela adentrou os Reinos de Maioral, sua essência e espírito eram fortes o suficiente para isso e só isso já seria motivo mais do que suficiente para a louvação. O foco aqui é outro.
Agora, entramos em uma parte delicada do texto. Vamos a alguns questionamentos:
Se o espírito que lhe abriu caminhos e elevou sua vida, por algum motivo, parasse de fazê-lo, você continuaria o culto a ele?
Se o espírito que nunca lhe deu nada, mas exige o culto, fosse apresentado a você, você o cultuaria? Se sim, por quê? Seria por medo de que, caso não o cultuasse, as coisas piorassem?
E se a história desse espírito, em sua família, fosse marcada apenas por destruição, mas ele ainda assim exigisse o culto, você o atenderia?
E a pergunta mais provocativa a se fazer é: será que o sentimento que você sente pelo seu mestre é recíproco?
O foco deste texto não é exatamente fazer com que você identifique qual é o tipo de amor que sente pelo seu mestre, mas sim trazer o questionamento sobre o quanto você realmente o conhece e até onde vai sua capacidade de impor sua vontade diante da espiritualidade. Até onde você é o fantoche ou o titereiro da sua própria jornada?
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