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Satanismo e Luciferianismo

O Espelho da Verdade

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Por Lilith Ashtart

TRECHO DOS COMENTÁRIOS SOBRE O
“VERITAS LUX MEA”

(Veritas Lvx Mea é um capítulo que traz reflexões sobre o caminho Luciferiano e faz parte do meu livro Lvx Aeterna, lançado pela Editora Via Sestra.)

  1. “Sejas amante da Verdade. Ela lhe brindará com o que tu necessitas, não com o que tu desejas. Não a amaldiçoes por isto, ao contrário, apaixone-se cada dia mais por seus encantos! Ela te obrigará a olhar para cima e para dentro, e não para fora e para baixo (…)”

O versículo nos alerta sobre a importância de amar a Verdade. Mas, o que seria a Verdade? Ela depende de nós ou existe por si mesma?

Uma indicação é fornecida a seguir: “Ela lhe brindará com o que tu necessitas, não com o que tu desejas”. Assim, fica claro que a Verdade não pode ser moldada por nós. Se assim o fosse, ela simplesmente refletiria toda a fantasia que ambicionássemos ser a realidade pois poderíamos moldá-la segundo os nossos desejos triviais, sem ter que enfrentar situações que nos colocariam ante o espelho revelando quem de fato somos.

E é neste véu de ilusões que a maioria se perde. Poucos realmente se julgam fortes o suficiente para ousar levantá-lo. Enxergar através dele lhes exigiria a responsabilidade de reconhecer, enfrentar e sair vitorioso perante os ordálios encontrados neste jardim através do qual caminhamos. É tentador imaginar-se na posição de dono da verdade, escolhido e abençoado pelos deuses, de forma a não aceitar ser questionado e contrariado em seu posicionamento. Mas a Vida não é assim. E esta é sua maior dádiva para nós, pois só começamos a nos reconhecer verdadeiramente quando nossas “verdades” são colocadas à prova pelo confronto com situações, pessoas e resultados que testam sua veracidade. Há muito é reconhecida a máxima de que não há provas maiores do que os resultados alcançados. E é por isso que a nossa Vida se torna o reflexo de como lidamos com estas interações, seja de forma positiva ao aprender com ela e lapidar o nosso ser até encontrarmos a nossa real essência, ou de forma negativa, ao rejeitar a necessidade de mudança e cristalizar a imagem fantasiosa de si, mas que não lhe corresponde e traz estagnação e futuro sofrimento.

O medo do julgamento, da derrota, da destruição de uma visão idealizada do mundo e de si mesmo é o que provoca tal postura. São pessoas que, afastadas de si mesmas, lutam por manter vivo um Ego fragilizado, dependente da aprovação e admiração alheia, ao invés de mergulhar em seu verdadeiro Self. Estas pessoas podem iludir-se a ponto de enganarem a si mesmas e aos outros por um certo período de tempo, mas se há alguma coisa que não pode ser ludibriada e adiada eternamente é a colheita. O que é plantado necessariamente em algum momento será colhido, sem exceções. Nem todos possuem a chama de nosso Pai Lúcifer ardendo em si, o que justificaria tal ato de servidão voluntária, mas aquele que a possui e a corrompe, este não será digno de perdão e as repercussões serão ainda mais severas.

A imprescindibilidade de renunciar a prazeres momentâneos e conquistas imediatas e fúteis também não é aceito de bom grado por aqueles que não possuem ou não desejam o conhecimento e consequente controle sobre si mesmos e o que os cerca. Se compreendessem que este sacrifício inicial é necessário justamente para que não precisem sacrificar mais nada ulteriormente! Que a partir do momento que aprenderem a desfrutar de tudo por livre vontade e não por necessidade se tornarão senhores que desfrutarão de toda a existência em seu mais profundo êxtase!

É por isso que a Verdade nos brinda com as nossas necessidades. Ela não se preocupa com nossos desejos infantis e condição humana. Ela está em nosso caminho para evidenciar a nossa condição divina e despertá-la. Para revelar quem realmente somos, senhores ou escravos. Lobos ou ovelhas. Sem disfarces e máscaras. E há como não se apaixonar pela amante que, ao ver que o Amor não está sendo suficiente, nos aflige dor para nosso despertar? De forma que a aflição, a incompreensão e o sofrimento nos obriguem a nos movimentar e redescobrir, aprimorar e exercitar os nossos potenciais para conquistar a posição de soberano de nosso próprio reino? É verdade que esta posição deveria antes ser obtida por meio do Amor e da Vontade, mas infelizmente a humanidade sempre escolhe a dor para criar a compreensão necessária.

Seja de que forma for, a Verdade nos será revelada durante nossa jornada, mesmo que seja em seus últimos momentos. O melhor jeito de apreendê-la é sendo um observador atento. É ousando e atestando a veracidade por si mesmo de cada momento que a Vida nos proporciona. É criar a nossa própria realidade por meio de escolhas guiadas pelo autoconhecimento e desenvolvimento da onisciência, ao invés de seguir com o fluxo e entregar nosso destino ao “acaso” por aceitar cegamente o que nos é dito não só pelos outros, mas com especial atenção por nós mesmos em nossa autoilusão. Somos seres livres para escolher e por consequência ser responsável pelo resultado desta escolha. Mesmo não escolher é uma escolha. Sucesso ou fracasso, ambos são seus rebentos. De mais ninguém.

É desta forma que a Verdade lhe obriga a olhar para dentro de si, a se encontrar com sua Essência e com isto se elevar, seja mediante o desconforto ou pelo prazer. Ela te despertará para quem você é e não para quem você estava acreditando ser. Uma essência verdadeiramente desperta deixa de se preocupar em agradar o externo e servir ao inferior, como vícios e dependências emocionais e físicas, para se ocupar do que é superior e real, com a concretização da Grande Obra. Aquele que compreende isto, compreende tudo. Deixará de ser comandado pelo corpo e pelo mundo e passará a usufruí-los em toda a sua intensidade como senhor de si mesmo e de sua esfera.

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