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por Papus
Trecho da palestra “O Homem e o Universo”
Todos têm uma tendência egoísta a ocupar-se apenas de si mesmos. Até agora, também procedemos dessa maneira, delineando as características gerais da constituição humana e desvendando o enigma do plano astral humano, com suas diversas manifestações.
Desta vez, concentraremos nossa atenção na terceira parte de nossa investigação e falaremos sobre a natureza.
Para começar, tomemos consciência de nossa verdadeira posição em relação ao universo. A partir dos dados da ciência oficial, sabemos que o homem vive em um planeta chamado Terra, que tem a forma de uma esfera; essa esfera encontra-se suspensa no espaço e gira em torno de seu próprio eixo. Uma imensa variedade de seres vivos, organizados de maneira mais ou menos complexa, vive ao nosso lado, formando os degraus da escada que nos separa do reino mineral.
Mas isso não é tudo. As “estrelas escuras” giram em torno de nossa morada planetária. Elas não brilham com luz própria, mas a energia luminosa do Sol exerce sobre elas uma ação efetiva. Esses numerosos planetas, juntamente com seus satélites e o Sol, formam, em seu conjunto, um dos órgãos do mundo físico, o qual, segundo a ciência, contém inumeráveis sistemas solares semelhantes àquele que acabo de mencionar.
Esse universo tão povoado e repleto de vida apresenta outras características que despertam grande interesse em todo pesquisador sério.
A primeira delas é a tendência da força que constitui a própria essência da Terra não apenas de se opor à realização da atividade humana, mas também, sempre que possível, de destruir tudo aquilo que criamos com enorme dificuldade. Como resultado, o homem só consegue assegurar maior ou menor durabilidade às suas criações ao preço de uma luta incansável contra essa força fatal, chamada destino.
Observem o que acontece em nosso planeta.
O homem produz, por exemplo, tecidos luxuosos, confecciona roupas de extraordinário esplendor, constrói habitações confortáveis, ergue monumentos, edifica cidades imensas; mas, se de repente sua atividade cessa, ainda que apenas em certa medida, imediatamente alguma força aparentemente invisível se apodera de tudo aquilo que o homem criou para si e, impiedosamente, destrói ou, melhor dizendo, transforma os frutos do trabalho humano, convertendo-os em algo completamente diferente. Assim, a traça penetra em seus pertences, corrói-os e assimila sua substância; a ferrugem consome o ferro; as ervas daninhas sufocam toda espécie de planta, venenosa ou medicinal; densos matagais e florestas tomam o lugar dos campos cultivados, das cidades florescentes e dos povoados. Agindo dessa maneira, a natureza é a grande destruidora de tudo aquilo que criamos, mas representa também uma força conservadora e criadora. E então a natureza é adorada pelos poetas, e a natureza lhes retribui esse amor.
Independentemente do espaço ou do tempo, a natureza despreza profundamente tanto a vida humana quanto tudo aquilo a que atribuímos especial valor. É sob esse aspecto que a poderosa força da natureza se apresenta diante de nós na forma de um destino formidável, seguindo seu próprio caminho sem demonstrar o menor pesar diante de nossos protestos, de nossa dor e de nosso horror.
O estudo dessa força que, à primeira vista, parece poderosa e reina de maneira imperiosa constitui o objeto de toda uma corrente filosófica chamada panteísmo — uma corrente que reconhece somente a natureza e nela vê a própria divindade! Quanto a nós, ocultistas cristãos, embora admiremos a beleza e a grandeza da natureza, ao mesmo tempo acreditamos e afirmamos com firmeza e convicção que ela é apenas um reflexo do Supremo Princípio Divino.
Mas, deixando essa questão de lado por hoje, contentemo-nos em procurar compreender a natureza e entendê-la, por nós mesmos, da melhor maneira possível. Para isso, avançaremos gradualmente daquilo que é visível para aquilo que já não pode ser percebido pela visão física.
Comecemos perguntando a nós mesmos: quais são as forças e os seres que se manifestam e vivem perto de nós? Para responder, observemos a Terra e constatemos a existência de milhares de criaturas, subdivididas pela ciência em três divisões ou, como dizemos, planos: o plano mineral, o vegetal e o animal.
O conjunto das forças e dos seres terrestres constitui o mundo elementar dos antigos.
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