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por Patricia Crowther
(excerto de “Lid off the Couldron”, 1981)
Primeiramente, é necessário consagrar todos os seus apetrechos mágicos, começando pela consagração do Círculo e do altar. Parte-se do princípio de que, uma vez purificados e dedicados, seus instrumentos mágicos devem ser mantidos separados de objetos comuns do cotidiano. Devem ser embrulhados em seda ou veludo preto e guardados em um local especial.
No que diz respeito ao seu athame, ele deve ser mantido junto ao corpo por um tempo, para assegurar que se torne uma extensão de você mesmo e carregue suas vibrações particulares.
Um item importante é o seu livro de palavras. Você reunirá, com o tempo, cada vez mais rituais, feitiços, poesias e invocações. Comece com um caderno grande para incorporar seus escritos. Esse é o chamado Livro das Sombras, pois representa apenas uma pálida sombra das realidades espirituais interiores. Ele pode ser encapado com feltro e decorado com bordados de seda ou pedras coloridas, da forma que lhe agradar. Às vezes, figuras do Deus e da Deusa são coladas na capa. Também é possível fabricar um pequeno suporte para ele, deixando suas mãos livres quando estiver dentro do Círculo.
Esta cerimônia inicial deve ser realizada nu, pois trata-se de uma forma de iniciação. Se você for mulher, o uso de um colar é essencial, sendo esse um símbolo ancestral da Deusa. As mais antigas estátuas a retratam usando um colar e, na verdade, muito pouco além disso. Em Éfeso, ela aparece com um colar de bolotas, símbolo de fertilidade. Eu possuo uma estátua muito antiga da Deusa, adornada com um cocar e um colar de grandes pedras. Sobre seus joelhos repousa a criança divina, Hórus, como se ela estivesse apresentando-o ao povo.
O colar deve ser feito de contas razoavelmente grandes e deve repousar ao redor da base do pescoço, formando um círculo. Um colar ideal pode ser feito com pedras de bruxa, que são, na verdade, esponjas fossilizadas com milhões de anos de idade. Elas são perfeitamente arredondadas, pequenas, com uma perfuração natural. Frequentemente brancas e levemente cintilantes, como a Lua, sua senhora. Podem ser encontradas em algumas partes do litoral ou em pedreiras. O museu em Whitby possui um colar feito com essas pedras, chamado de “o colar mais antigo do mundo” provavelmente uma afirmação verdadeira. Eu coletei várias delas na praia de Brighton e tive a sorte de encontrar uma pequena pedra em forma de coração para usar como fecho. Essas porosphaera globularis (o nome correto) sempre foram consideradas objetos de sorte, principalmente por sua forma feminina e idade imensurável.
Reúna todos os itens dentro do Círculo; acenda as velas do altar, o incenso e as velas nos quatro quadrantes. Estas últimas podem ser dedicadas por fim, quando você as trouxer para dentro do Círculo; redesenhe-o, consagre-as, recoloque-as e redesenhe o Círculo mais uma vez.
Agora diga uma prece aos Antigos com relação à sua intenção e, independentemente de ser homem ou mulher, lembre-se de que carrega em si aspectos tanto do Deus quanto da Deusa.
Levante-se e, com o athame em mãos, dirija-se ao Leste para realizar a purificação do Círculo. Isso deve ser feito sempre que realizar um ritual. Use o pentagrama banidor (ver ilustração ao lado) e diga:
“Eu purifico e limpo este lugar consagrado; que todas as influências indesejadas partam, partam, partam!”
Com as últimas palavras, golpeie o centro da estrela com o athame, com intenção firme. Movendo-se deosil (no sentido horário ou solar), repita o procedimento ao Sul, Oeste e Norte, retornando ao Leste.
O Círculo é traçado elevando o athame, baixando-o e desenhando um duplo do círculo físico com a ponta da lâmina. Novamente, mova-se deosil. Quando o Círculo estiver completo, levante o athame e traga o braço de volta ao corpo. Execute essas ações como se estivesse de fato desenhando um círculo, visualizando uma linha de chama azul seguindo o movimento do athame. Este é o Círculo Astral, o mais importante, sendo o traçado no chão apenas um guia no Plano Físico.

Pegue a tigela de água e diga:
“Ó tu, criatura da água, que cumpres minha intenção (adicione um pouco de sal à água), por este sal da terra, sê verdadeiramente purificada. Assim Seja!”
Pegue o aspersório e asperja o Círculo. Sempre comece e termine pelo Leste. Em seguida, pegue o incenso e dê uma volta, dizendo:
“Eu te purifico, ó Círculo, para que sejas um local digno para a entrada dos Deuses, e para conter o poder que será elevado dentro de ti.”
Para invocar os Reis dos Elementos, toque um sino ou um chifre e diga:
“Eu convoco, desperto e chamo os Poderosos do Leste, para me auxiliarem e guardarem o Círculo.”
Desenhe o Pentagrama Invocador com o athame e repita o processo ao Sul, Oeste e Norte, mudando, claro, a direção mencionada. Ao tocar o instrumento, tente imaginar a nota reverberando no Plano Astral antes de falar.
Aproxime-se do altar e borrife e defume-o com as palavras:
“Eu consagro este altar, para que seja um espaço sagrado e agradável aos Deuses. Abençoa esta superfície e esta base sólida; o foco do meu culto e trabalho.”
Toque sua testa, seios e genitais com uma gota de óleo perfumado e diga:
“Eu consagro este corpo para ser um veículo para minha alma; para estar, em todos os momentos, a serviço do meu espírito. Com isso, dedico-me à Grande Deusa e ao Deus Cornífero. E faço o solene juramento de que eu (nome), seguirei o Caminho Verde como um verdadeiro Pagão.”
Aqui, deve-se apresentar algum tipo de símbolo e colocá-lo sobre o altar; depois, será guardado em uma pequena caixa e mantido dentro ou próximo ao Círculo. Pode ser uma mecha de cabelo, uma conta de âmbar ou uma representação escrita de suas aspirações, talvez até os três!
Após alguns minutos de meditação, pegue a Vara, segure-a erguida e recite o seguinte:
Entro eu, no Círculo antigo,
Com o coração cheio de amor e coragem.
Deus e Deusa, ouçam meu chamado,
Guardas de todos os bruxos.
Recebam meu símbolo; recebam meu amor,
Ofereço a vocês tudo que tenho para provar.
Como o Moinho, eu caminho em volta,
Guiai-me pelo meu caminho adiante.
Forjai meu espírito, vivo e brilhante,
Conduzindo-me para a luz.
Feitiços e símbolos, pensamento e ação,
Guiados pelo Ensinamento Wicca.
Verde é a Deusa; Verde é o Deus;
Eu vos louvo com este Bastão flamejante.
Circule o Círculo ao som do seguinte cântico:
I-o-eaoe-ee; Ahn e Al, a vós eu clamo;
I-o-eaoe-ee; enviai vossas bênçãos sobre mim.
Repita quantas vezes desejar. Verá que se torna hipnótico e proporciona uma sensação de exaltação. Comece com uma caminhada lenta e vá acelerando até um pequeno trote.
Quando estiver pronto, pare de repente em frente ao altar, erguendo a Vara. Curve-se diante do altar e descanse.
O próximo passo é a consagração de tudo o que estiver sobre o altar. Cada item deve ser purificado separadamente. As palavras a seguir são apenas um exemplo, mas você pode usar as suas. Os Deuses possuem muitos nomes, variando de acordo com o país ou a localidade. Aqui são usados dois dos nomes mais antigos da Bretanha, mas você pode escolher os que lhe agradarem.
“Ó Antigos; Al e An; em vossos nomes eu consagro e purifico este (nome do instrumento), para que seja usado com Sabedoria e Amor.”
(Asperja e defume o objeto.)
Quando tudo estiver completo, sente-se como uma bruxa ou seja, com as pernas cruzadas no chão e aprecie o ambiente ao seu redor. O Círculo logo adquirirá uma atmosfera acolhedora e fora do tempo, diferente de qualquer outra. Especialmente se você o utilizar com frequência.
Você pode desejar tomar um pequeno gole de vinho para brindar aos Deuses, e embora essa cerimônia normalmente ocorra no encerramento de um ritual, nada impede que se reanime entre as etapas de um rito. O vinho aquecerá seu corpo e ajudará a aliviar qualquer sonolência, pois no início das práticas da Arte, você estará utilizando partes da mente e despertando centros do corpo aos quais ainda não está habituado. Com o tempo, isso se tornará natural mas não exagere no começo.
A consagração a seguir me foi dada por Gerald Gardner, e como já foi publicada diversas vezes, não vejo motivo para omiti-la aqui.
Fique de pé diante do altar e erga seu athame sobre a taça de vinho, dizendo:
“Assim como o athame é o masculino, a Taça é o feminino, e unidos, eles trazem bênçãos.”
Abaixe lentamente a ponta da lâmina até mergulhá-la no vinho, depois levante a faca e recoloque-a sobre o altar.
Se você tiver um parceiro, a mulher senta-se sobre o altar segurando seu athame. O homem se ajoelha diante dela e a adora. Em seguida, ele pega a Taça, e ela realiza a bênção.
Levante a Taça e diga:
“Aos Antigos! Feliz Encontro, Feliz Partida, Feliz Encontro novamente!”
Beba um gole do vinho e diga:
“Flags! Flate! Foddn and Frig!”
Essa é uma antiga bênção que significa: Abrigo, Roupas, Comida e Amor os Quatro Fs!
E se você seguir o Deus e a Deusa, descobrirá que sempre terá o suficiente para seguir seu caminho na vida. Como diz o velho ditado: “Os Antigos nunca deixam você passar fome.”
E eu descobri que isso é verdade.
Entende-se que não se deve quebrar o Círculo saindo dele depois de traçado. Assim, no final do ritual, levante seu athame, vá até o Leste e desenhe o Pentagrama Banidor com as palavras:
“Guardas do Leste, agradeço por sua presença. Salve e Adeus!”
Continue ao redor do Círculo.
Jamais omita o Despedir, pois o chamado inicial é sempre ouvido. Na verdade, somos nós que comparecemos e partimos, pois os Deuses e Guardiões estão sempre presentes.
Estamos do lado de fora do lado de dentro, ou do outro lado do espelho a ideia retratada de forma tão vívida nas obras de Lewis Carroll.
Se alguém quiser cultuar no Círculo com você, entende-se que essa pessoa também pode se iniciar seguindo a dedicação acima.
Sobre Feitiços
A magia é criada na mente, mas precisa ser trazida ao plano material. É por isso que a bruxa utiliza cordões, velas, talismãs e também feitiços. Isso significa, literalmente, “soletrar o desejo” em forma de palavras.
Transforme-o em um simples pareado rimado para recitar enquanto se concentra, como por exemplo:
“Tudo estará bem em breve, Deus e Deusa me concedam esse presente.”
Como são fáceis de memorizar, as palavras acabam sendo recitadas automaticamente, e você consegue manter sua mente focada no objetivo.
Mas lembre-se do Ensinamento Wiccan, ou o Credo das Bruxas. Existem poucas leis na Arte, mas as que existem são totalmente válidas. Uma delas é:
“Oito palavras cumprem o Ensinamento Wiccan:
Sem prejudicar ninguém, faça o que quiser!”
Portanto, tenha absoluta certeza de que a magia que você realiza não causará mal a ninguém, nem mesmo de forma indireta. A abordagem deve ser sempre positiva. Qualquer comando negativo se autossabota. Também é perigoso e muito tolo, pois você estará provocando a ira dos Deuses ao quebrar seu juramento.
A Lua Minguante pode ser utilizada para se livrar de vibrações nocivas ou imperfeições internas.
Pessoalmente, acho a Lua Negra um excelente momento para adivinhação e clarividência, talvez por esse aspecto se conectar com a Velha Sábia, ou a Anciã Misteriosa.
Ao começar no caminho da bruxaria, sempre haverá pessoas que vão lhe perguntar do que se trata. Apesar das perguntas, não diga nada.
Caso contrário, seu trabalho não se concretizará. Isso faz parte dos ensinamentos esotéricos descritos nos Quatro Poderes do Mago, um antigo aforismo que abrange toda a ideia da magia nas palavras:
“Saber, ousar, querer e calar.”
A última instrução é uma das mais difíceis de cumprir, especialmente quando você começa a obter resultados. A vontade de contar a alguém é muito forte. No entanto, esforce-se ao máximo para guardar para si mesmo.
Acredito que será mais fácil para bruxos nascidos sob Capricórnio, Touro ou Escorpião, pois esses signos geralmente são reservados e cautelosos por natureza.
Porém, se você for questionado, pense imediatamente na Esfinge a guardiã silenciosa do deserto, que retém os segredos do passado.
Gerald Gardner costumava dizer sobre os curiosos:
“Não há mal nenhum em perguntar”,
o que, em outras palavras, significava que ele não tinha nenhuma intenção de revelar coisas que não diziam respeito aos outros.
Os momentos apropriados para os trabalhos mágicos são discutidos no próximo capítulo, mas as bruxas sempre se reúnem na Lua Cheia, momento de poder lunar máximo. Como diz a antiga rima:
Reze à Lua quando ela estiver cheia,
E a sorte com você estará,
O que procura será encontrado,
No mar ou na terra firme.
Feitiço com Vela
Escolha uma vela da cor apropriada ao seu desejo. Uma lista de cores e suas influências está incluída nos Rituais Planetários. Com um pouco de óleo perfumado, magnetize a vela. Isso é feito passando o óleo do centro para o topo, e do centro para a base. Esse gesto também ajuda a impregnar a vela com sua própria aura.
Diga:
“Sobre esta vela vou escrever,
O que desejo de Ti nesta noite.
Que fluam as runas da magia;
Com mente, feitiço e chama em harmonia.
Confio que irás me conceder,
Ó amada Deusa da Lua, este poder.”
Pegue sua faca de cabo branco e grave seu desejo na cera. Comece do topo da vela e vá descendo em espiral até a base. Você pode usar um dos alfabetos mágicos, como o Alfabeto Tebano, bastante popular entre as bruxas. Escrever em uma linguagem estranha ajuda a aprofundar a concentração e torna sua intenção mais eficaz. No entanto, escrita comum serve até que você domine a outra.
Acenda a vela e coloque-a sobre o altar. Ela deve queimar completamente, então, ao sair do Círculo, coloque-a dentro do caldeirão ou em algum recipiente seguro.
Todos os feitiços devem ser precedidos de uma dança circular enquanto se entoa uma rima que resuma seus desejos, conforme descrito anteriormente. Essa ação eleva o poder, que vem do corpo na forma de energia. Quando um coven inteiro realiza o Moinho (Mill), grande poder é gerado. Ele sobe dos dançarinos para um ponto acima do Círculo por isso, é chamado de Cone de Poder.
No entanto, uma quantidade adequada de poder pode ser gerada sozinho, se você seguir os métodos descritos no capítulo sobre a Dança.
Este feitiço em particular me chegou enquanto eu estava em transe, nos anos 60. Descobrimos que funcionava, então meu marido escreveu o verso acima para acompanhá-lo. Posteriormente, li uma versão adulterada dessa rima em um livro americano sobre bruxaria. Foi descrita como um “Antigo Feitiço Rúnico” transmitido oralmente por gerações de famílias de bruxas!
O verso definitivamente não era antigo, e não havia explicação sobre como realizar o feitiço, motivo pelo qual o incluí aqui, junto com sua verdadeira origem.
Feitiço com Cordão
Obtenha vários cordões de cores diferentes, com aproximadamente 30 centímetros de comprimento. As cores são utilizadas da mesma forma que as das velas.
Escolha um cordão e purifique-o passando-o pela fumaça do incenso. Segure-o entre as mãos, apresente-o aos quatro quadrantes, depois volte ao altar e anuncie sua intenção. Quanto mais entusiasmo conseguir reunir, mais provável será o resultado.
Mantenha a concentração e torça lentamente o cordão escolhido ao redor de seu cordão ritual, que presumivelmente passou algum tempo amarrado à sua perna esquerda, logo acima do joelho.
A união dos dois cordões reforça sua vontade.
Erga os cordões torcidos e diga:
“Eu uno os cordões, eu uno o feitiço;
Em números ímpares, o presságio é propício!”
Agora, separe os cordões e reserve o ritual. Então, com lentidão e intenção deliberada, dê três, sete ou nove nós no cordão de trabalho. Esses números estão presentes em muitos rituais da Arte, pois se diz que os números ímpares agradam aos Deuses.
Enquanto dá os nós, recite sua intenção em forma de rima simples, depois apresente o cordão com nós aos Quatro Portais com as palavras:
“O Ar o levará (gire o cordão sobre a cabeça);
O Fogo o unirá;
A Água o carregará;
A Terra o vestirá! Assim Seja!”
Se o desejo for para você, mantenha o cordão junto ao corpo por sete dias. Se for para outra pessoa, guarde-o em algum lugar secreto.
Quando a magia tiver surtido efeito, guarde o cordão por nove luas e depois se desfaça dele, queimando-o no fogo do caldeirão.
Ele não deve ser reutilizado.
Feitiço com Água
Este é um feitiço ligado a qualquer questão emocional: amor, amizade, casamento, etc. Você deve obter uma fotografia da pessoa que deseja ajudar, e ela deve ser colocada sobre o pentáculo.
Encha o caldeirão com água e coloque-o sobre o altar. Adicione um pouco de sal à água e abençoe-a dizendo:
“Eu te purifico, pela Lua que te rege, para me auxiliar.”
Apresente a fotografia aos Quatro Portais, declarando o propósito do rito. Em seguida, aproxime-se do altar e segure a foto de modo que ela seja refletida na superfície da água do caldeirão. Diga:
“Ó Luz Astral; pelos raios brilhantes da Lua,
Carrego esta água, pura e clara,
Para mudar o destino de (nome da pessoa),
Cuja imagem aqui se revela.Que a Lua leve embora todo sofrimento,
E inicie uma nova fase.
Uma superfície espelhada, lisa como vidro,
Revelará seus dias vindouros.Com esperança serena em teu peito,
Esqueça toda dor e mágoa;
Renasça dos oceanos do espírito,
E volte a sorrir para a vida.”
Olhe para o rosto na água e visualize essa pessoa nas condições felizes ou amorosas que deseja para ela. Construa mentalmente o cenário adequado, ou imagine as pessoas ao redor dela, e mantenha essa imagem por pelo menos dez minutos. Depois, relaxe sua vontade e descanse.
Invocações, Cânticos e Orações
O Ciclo da Lua
Por Arnold Crowther
A Alta Sacerdotisa fica em frente ao altar, usando um manto preto da invisibilidade. A Donzela (ou assistente) toca o sino e recita ajoelhada. Todos os bruxos se ajoelham.
“Ó linda Deusa da Lua,
Envolta nos braços da Pantera Negra da Noite;
Oramos para que concedas ao mundo uma dádiva,
E tornes visível nossa escuridão com toda a tua luz resplandecente.Lança fora teu manto negro como breu,
E transforma a noite em dia;
Pois estamos perdidos sem ti, para nos guiar no caminho.”
Um raio prateado rompe as nuvens, a Deusa logo aparecerá nas fases da Lua.
A Sacerdotisa abaixa o manto até a altura dos seios. A Donzela toca o sino uma vez:
“A Lua Nova tremeluz no céu;
A noite oculta o restante,
Até que a segunda fase revele
Seu lindo seio bem formado.”
A Sacerdotisa abaixa o manto até a cintura. A Donzela toca o sino duas vezes:
“Então vem a terceira fase da Lua,
Ela solta seu manto da noite;
E fica nua sob as estrelas,
Seu corpo brilhando de luz.”
A Sacerdotisa deixa o manto cair totalmente e permanece na posição de “Deusa”, com as mãos sustentando os seios. A Donzela toca o sino três vezes. Todos se curvam profundamente:
“Ah, se pudesses ficar conosco,
E transformar a noite em dia;
Mas o Deus chama do Submundo,
E a Deusa deve obedecer.”
A Donzela ergue o manto e o entrega à Sacerdotisa, que o segura na altura da cintura. A Donzela toca o sino duas vezes:
“Toma de volta o manto da escuridão,
Esconde mais uma vez tua luz;
A Lua está lentamente minguando,
E maus espíritos assombram a noite.”
A Sacerdotisa segura o manto à altura dos seios. A Donzela toca o sino uma vez:
“A Lua Pálida desaparece devagar,
A luz vai aos poucos sumindo;
A Pantera devorará sua presa,
E a escuridão tomará o céu.”
TODOS:
“Ao atravessares o Submundo,
Nós te honramos sobre esta Terra,
Com preces, cânticos e feitiços mágicos,
E aguardamos teu renascimento.
Bendita Sejas!”
(Este rito pode também ser realizado por duas pessoas ( homem e mulher ) ou por um(a) bruxo(a) sozinho(a), como uma invocação.)
Invocação à Deusa
Cântico em Círculo por Patricia Crowther
Invocamos-te, Rainha das Rainhas,
Aradia! Aradia!
Vem a nós em todos os sonhos,
Aradia! Aradia!Bendita Deusa lá do alto,
Aradia! Aradia!
Concede-nos paz e amor,
Aradia! Aradia!Atende teus filhos aqui embaixo,
Aradia! Aradia!
Permite-nos conhecer teus segredos,
Aradia! Aradia!Amor Perfeito e Confiança Perfeita,
Aradia! Aradia!
Sem isso, tudo vira pó.
Aradia! Aradia!Que o Moinho continue a girar,
Aradia! Aradia!
A Roda da Vida a nos ligar,
Aradia! Aradia!Para cima, para cima, e além,
Aradia! Aradia!
Até que nossas almas sejam uma contigo,
Aradia! Aradia!Mais perto, mais perto, mais perto vem
EH-OH-AH-EE-AH-OH-UM!”
(A dança deve cessar antes de se entoar os sons finais. Alternativamente, o cântico pode ser repetido três ou cinco vezes, parando apenas nos sons vocálicos finais. O nome Aradia se pronuncia: “Ar-á-dia”, com ênfase no “á”.)
O Sabbat das Bruxas
Por Arnold Crowther
“Venham cavalos, venham cães, venham sapos saltitantes,
Descendo das florestas e cruzando as estradas,
Por todos os campos e sobre as valas;
Rumo ao Sabbat para dançar com as bruxas.Castores, texugos e criaturas noturnas;
Gatos, morcegos e corujinhas engraçadas,
Voando, rastejando, andando e correndo,
Dançando e cantando, rindo e falando.Gente das cabanas, nobres e plebeus,
Todos juntos para dançar com as bruxas.
Flores das cercas vivas com musgos e líquens
Trazidas por damas e criadas da cozinha;Senhores das mansões e garotos dos estábulos,
Jovens e velhos, todos os que são capazes,
Viajando ao anoitecer evitando obstáculos;
Fazendo Magia,Todos correndo para dançar com as bruxas.
Ao redor da fogueira vão girando alegres,
Gritando, saltando e rindo em delírio;
Livres como o vento, dançam e gritam,
Corpos brilhando, suando e fervendo.Isso é bem melhor que qualquer riqueza;
Esqueça suas preocupações, venha dançar com as bruxas!À luz da Lua, continuam até o amanhecer,
Quando todos estão exaustos e bocejando.
Gritam alto, nas notas mais agudas:
“Oh, pelas noites em que dançamos com as bruxas!”
Velho Chifrudo (Old Hornie)
Por Arnold Crowther
“Quando os ventos de outono começam a soprar,
Pela floresta todos nós vamos;
Caçando veado, cervo ou corça,
Caçando com o Velho Chifrudo!Sobre a samambaia, através do riacho,
Subindo a encosta e dando a volta;
Esse é o esporte que desejamos,
Caçando com o Velho Chifrudo!Cavalos suados em saltos altos,
Sobre cercas, valas e penhascos íngremes;
Enquanto os aldeões dormem,
Nós caçamos com o Velho Chifrudo!‘Twang!’ disparam as flechas,
Voando velozes pelo ar;
Derrubando um cervo ou uma corça,
Caçando com o Velho Chifrudo!Facas reluzem cortando o couro,
Dividem a carcaça sem demora;
E para um bosque escondido se dirigem,
Caçando com o Velho Chifrudo!Fogueiras acesas para o assado,
Chifres erguidos para brindar;
Todos os caçadores propõem um brinde
Ao nosso Deus da Caça, Velho Cornífero!Ergamos nossas taças ao céu,
Sob um cinzento céu de outubro,
E em voz alta todos clamem:
“Este é por ti, Velho Cornifero!”
Canção das Estações
Letra de Arnold Crowther
Cavamos, aramos, sachamos e semeamos,
O melhor é fazê-lo ao luar, como todos sabemos.
Oramos à Deusa para fazer as sementes crescerem,
Cantando: “tu-ráli, u-ráli, tu-ráli-ô.”Preenchemos os sulcos, as sementes abaixo estão,
Com paciência esperamos, mesmo que germinem devagar.
Então, de repente, elas começam a brotar,
Cantando: “tu-ráli, u-ráli, tu-ráli-ô.”O Sol brilha sobre elas, estão indo muito bem,
As colheitas do campo crescem em perfeito além.
Elas rasgam a terra e começam a despontar,
Cantando: “tu-ráli, u-ráli, tu-ráli-ô.”Montamos em nossas vassouras e dançamos pelos campos,
Isso faz com que as campinas floresçam com encantos.
Quanto mais alto saltamos, mais alto elas vão brotar,
Cantando: “tu-ráli, u-ráli, tu-ráli-ô.”E então vem a colheita, quando tudo está maduro,
Honramos a Deusa com canção, tambor e sopro puro.
Recolhemos os frutos antes da neve chegar,
Cantando: “tu-ráli, u-ráli, tu-ráli-ô.”Louvamos a Deusa que faz tudo prosperar,
E nos dá o sustento que nos faz caminhar.
Rendemos adoração antes dela se ausentar,
Cantando: “tu-ráli, u-ráli, tu-ráli-ô.”Com o Inverno se aproximando, o Velho Chifrudo volta,
Quando as noites são longas e a escuridão revolta,
E todo o campo se cobre de branco sem par,
Cantando: “tu-ráli, u-ráli, tu-ráli-ô.”Prestemos homenagem a ele com alegria e vigor,
Esperando que o Inverno não traga rigor.
Na primavera, a Deusa sabemos que irá retornar,
Cantando: “tu-ráli, u-ráli, tu-ráli-ô.”
Oração à Deusa
Por Patricia Crowther
Ó Mãe de toda a vida,
Derrama sobre nós teu estoque de maravilhas.
Ajuda teus filhos a te conhecerem em todos os caminhos;
Concede-lhes visão e sabedoria em sua jornada pela vida.
Que eles não vacilem na fé e constância,
Mas saibam que tu és parte deles,
Assim como eles são parte de ti.
Concede-nos tua bênção, ó doce Deusa,
Para que, por meio de nossa devoção,
Tu sejas eternamente reverenciada.
Minha Lei
Tieme Ranapiri
O sol pode estar encoberto, mas sempre o sol
Continuará sua jornada até que o Ciclo se cumpra.
E quando o sistema for lançado ao caos,
O Construtor moldará um novo mundo.Teu caminho pode estar obscurecido, incerto teu destino:
Siga em frente, pois tua órbita está ligada à tua alma.
E mesmo que te leve à escuridão da noite,
A tocha do Construtor te dará nova luz.Tu foste. Tu serás! Saiba disso enquanto és:
Teu espírito viajou por vastidões e eras.
Veio da Fonte, à Fonte retorna
A Centelha que foi acesa arderá eternamente.Ela dormiu em uma joia. Saltou em uma onda.
Vagou pela floresta. Erguer-se-á da cova.
Tomou formas estranhas por longas eras
E agora, na alma que és, ela reaparece.De corpo em corpo teu espírito avança
Busca nova forma quando a antiga se cansa.
E a forma que encontra é a que tu mesmo criaste,
No tear da Mente, do fio do Pensamento teceste.Como o orvalho que sobe para descer como chuva,
Teus pensamentos se dispersam e no Destino se entrelaçam.
Não podes fugir deles, sejam pequenos ou grandiosos,
Ou malignos ou nobres, eles moldam teu Destino.Em algum planeta, em algum tempo e lugar,
Tua vida refletirá os pensamentos do teu Agora.
Minha Lei é infalível, nenhum sangue pode expiar
A estrutura que construíste é onde irás habitar sozinho.De ciclo em ciclo, por tempo e espaço,
Tuas vidas e anseios sempre andarão lado a lado.
E tudo o que pedes, e tudo o que desejas,
Virá a teu chamado, como chama que se acende do fogo.Ao ouvir aquela Voz, todo tumulto cessa
Tua vida é a Vida do Infinito.
Na corrida apressada, sentirás uma pausa
Com amor pelo propósito, e amor pela Causa.Tu és teu próprio Demônio, tu és teu próprio Deus
Forjaste os caminhos que teus pés percorreram.
E ninguém pode te salvar do Erro ou do Pecado
Até que tenhas escutado o Espírito dentro de ti.**Atribuído a um Maori.
Alimente sua alma com mais:

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