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Bruxaria e Paganismo

Cultivando a Própria Liberdade

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por André Correia

Foi no folk que a espiritualidade e a cultura pagã se estruturaram. Foi desse contexto que surgiram as práticas que, posteriormente, foram chamadas de bruxaria. Cada grupo desenvolveu sua própria forma de transmissão, seja de maneira sistemática ou orgânica. Gosto de pensar que tanto as crenças quanto as práticas eram ensinadas da mesma forma que uma mãe ensina seus filhos: passando uma receita de família, ensinando a cuidar das plantas ou mostrando como misturar mel, alho, limão e gengibre para combater uma gripe forte.

A sistematização da bruxaria é algo recente, que se mostrou bastante funcional para manter uma ordem que pudesse se posicionar socialmente em determinado período. No entanto, acredito que tenha chegado o momento de tirar as rodinhas dessa bicicleta e permitir que a bruxaria, o curandeirismo e as crenças folclóricas se libertem dos códigos de barras e voltem a ser vivas e livres.

Isso não significa que não existam territórios bem definidos, com começo, meio e fim, que necessitem de rigor, como as religiões pagãs modernas, que possuem tradição, hierarquia e regimento interno. Aliás, vejo uma grande beleza na preservação dessas estruturas, pois elas são parte essencial da bruxaria moderna. No entanto, além dos muros desse castelo, continua existindo uma bruxaria marginal dentro da própria bruxaria, uma prática que não está no centro do mapa do paganismo atual e que não possui um conselho regulamentador, como algumas tradições precisam ter.

A liberdade, por si só, representa um desafio para a bruxaria. Se, por um lado, ela permite criar, crer e praticar, em que momento a bruxaria ultrapassa uma linha invisível e deixa de ser aquilo que se crê ser? Talvez nem mesmo antropólogos e cientistas da religião que estudam o fenômeno da bruxaria consigam responder a essa questão. E penso que esse seja um mistério a ser investigado, mas não olhando para o outro  e sim para dentro de si.

Minha família não tem o menor direito de determinar se a macarronada de domingo da outra família é, de fato, uma macarronada.
Ser livre significa abrir mão do monopólio e da prerrogativa de definir o que é válido para o outro. Ressalto, no entanto, que, apesar de defender a liberdade de crença e de prática, tenho fortes ressalvas quanto a mentiras floreadas com folclores de plástico, usadas para enganar aqueles que buscam um porto seguro.

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