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por Rabi Moshé Cordovero
excerto de “A Palmeira de Devorá”
A principal qualidade que ele deve fazer sua é a humildade, pois ela é a chave de todas as outras, sendo a mais elevada de todas, o primeiro aspecto da Coroa, sob o qual todas as demais estão contidas.
Eis que a humildade significa, acima de tudo, que o homem não encontra valor em si mesmo, mas se considera como nada. Como disse o humilde: “Quem somos nós, para que vos queixeis de nós?” — até que, aos seus próprios olhos, ele seja o mais inferior das criaturas, extremamente desprezível e repugnante. Então, quando ele se esforça continuamente para adquirir essa qualidade, todas as outras boas qualidades virão em sua esteira. Pois a primeira qualidade da Coroa é considerar-se como nada diante Daquele de quem ela emana. Assim também o homem deve se considerar como realmente nada, e que sua não-existência seria muito melhor do que sua existência. Como resultado disso, ele se comportará diante daqueles que o ofendem como se eles estivessem certos e ele, o culpado. E isso será a causa da aquisição das boas qualidades.
Agora encontrei uma cura pela qual o homem pode se acostumar com essas coisas pouco a pouco, para que possa ser curado da doença do orgulho e entrar pelos portões da humildade. Essa pomada é composta de três bálsamos. O primeiro é que ele se acostume a fugir da honra tanto quanto possível, pois, se permitir que lhe prestem homenagens, ele se afeiçoará a tais questões de orgulho, sua natureza encontrará satisfação nisso, e será difícil ser curado. O segundo é que ele treine seus pensamentos para avaliar sua própria indignidade, dizendo: “De que importa se as pessoas não sabem o quão desprezível eu sou, acaso eu mesmo não sei que sou desprezível nisto e naquilo?” — seja por falta de conhecimento, ou de força, pela vergonha de comer e excretar, e assim por diante, até que se torne desprezível aos seus próprios olhos. O terceiro é que ele pense constantemente em seus pecados, desejando a pureza, a repreensão e o sofrimento. E ele deve dizer: “Quais são os melhores sofrimentos do mundo, que não me afastarão do serviço de Deus?” Não há melhores do que ser insultado, desprezado e vilipendiado. Pois isso não lhe tirará a força nem o deixará doente. Nem lhe faltarão comida e vestes, nem sua vida ou a vida de seus filhos. Se é assim, ele deve na verdade desejar essas coisas, dizendo: “Por que deveria eu jejuar e me afligir com cilício e flagelações que enfraquecem minha força para servir a Deus, se posso atrair isso sobre mim? É muito melhor sofrer o desprezo e o insulto dos homens, pois assim minha força não me abandona nem é enfraquecida.” Dessa forma, quando for insultado, ele se alegrará com isso e, ao contrário, desejará tais situações. Com esses três ingredientes, ele deve preparar um bálsamo para o coração e habituar-se a isso todos os seus dias.
Encontrei ainda um bom remédio, embora não tão eficaz quanto o anterior. Trata-se de o homem se habituar a fazer duas coisas: primeiro, honrar todas as criaturas, nas quais ele reconhece a natureza exaltada do Criador, que criou o homem com sabedoria. E assim também foi com todas as criaturas — a sabedoria do Criador está nelas. Ele deve ver por si mesmo que, por isso, são extremamente dignas de honra, pois o Criador de tudo, o mais exaltado Sábio, Se ocupou com elas e, se, Deus nos livre, o homem as desprezar, ele atenta contra a honra do Criador delas. Isso pode ser comparado a um artesão sábio que molda um vaso com grande habilidade e o mostra às pessoas, e um deles zomba e fala com desprezo da obra. Quão irado ficará esse sábio, pois, ao desprezar a obra de suas mãos, sua sabedoria é desprezada. Isso também é mau aos olhos do Santo, Bendito seja Ele, se qualquer de Suas criaturas for desprezada. Por isso está escrito: “Quão numerosas são Tuas obras”, e não “quão grandes”, mas rabbu, da expressão rabh betho [Nota do Tradutor: expressão aramaica que significa “um homem importante em sua casa”], ou seja, muito importantes. Fizeste todas com sabedoria e, porque Tua sabedoria está ligada a elas, importantes e grandiosas são Tuas obras. É apropriado que o homem veja nelas sabedoria, e não motivo para desprezo.
A segunda é trazer o amor ao próximo para dentro do coração, amando mesmo os perversos como se fossem seus irmãos — e ainda mais — até que o amor ao próximo esteja firmemente enraizado em seu coração. Ele deve amar até os perversos em seu coração, dizendo: “Quem dera fossem justos, retornando em arrependimento, para que todos fossem grandes homens, aceitáveis ao Onipresente”; como disse o fiel amante de todo o Israel: “Quem dera todo o povo do Senhor fosse profeta.”
Como pode ele amá-los? Recordando em seus pensamentos as boas qualidades que possuem, encobrindo suas falhas e recusando-se a olhar para os defeitos, apenas para as qualidades. Deve dizer a si mesmo: “Se esse mendigo repugnante fosse muito rico, quanto eu me alegraria em sua companhia, como me alegro com a de outro qualquer. Mas se ele vestisse os trajes esplêndidos de outro, não haveria diferença entre ele e alguém de posição; por que, então, seu valor deveria ser menor aos meus olhos? Eis que, aos olhos de Deus, ele é superior a mim, pois está afligido pelo sofrimento e pela pobreza e está sendo purificado do pecado — e por que eu odiaria a quem o Santo, Bendito seja Ele, ama?”
Dessa maneira, o coração do homem se voltará para o bem, e ele se acostumará a meditar sobre todas as boas qualidades que mencionamos.
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