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“Eis que já te purifiquei, porém não como a prata;
escolhi-te na fornalha da aflição”
– Isaías 48:10
Este híbrido alquímico-cabalístico que tornou-se muito influente no esoterismo ocidental ao ser estudado por ordens como a Golden Dawn e praticantes de alquimia espiritual. Segundo Raphael Patai e Gershom Scholem, o Aesch-Mezareph data do século XVI ou início do século XVII sendo portanto já profundamente influenciado pela alquimia ocidental. A obra foi publicada pela primeira vez em latim na Kabbala denudata, de Knorr von Rosenroth, em Sulzbach no ano de em 1714. Esta datação tão recente faz com que a obra tenha sua origem judaica questionada, em particular porque o texto original em hebraico, se é que existiu, nunca foi encontrado. É possível portanto que seja uma criação cristã pós-medieval, inspirada na Cabala.
O título “Aesch-Mezareph” (ou Aish Metzareph) pode ser traduzido como “Fogo Purificador” e se coloca como integrante da tradição alquímica ao mostrar que o verdadeiro ouro está acima da riqueza material e que a pessoa realmente rica é aquela que trilham um caminho moral e espiritual exigente. Essa sabedoria está codificada na natureza e nos textos sagrados, e só pode ser compreendida por aqueles que possuem tanto a chave espiritual quanto a intelectual.
O coração da obra está na correspondência simbólica entre as Sephirot e os metais usados na alquimia em particular as várias gradações de pureza do ouro e sustenta a ideia de que a transmutação dos metais é tanto uma metáfora (como um processo real) da própria transformação espiritual do alquimista.
| Sefirá | Metal Correspondente |
|---|---|
| Keter | Chethem (ouro puro) |
| Chokmah | Chumbo e Batzar (ouro em fortalezas) |
| Binah | Estanho e Charutz (ouro escavado) |
| Chesed | Prata (Cheseph) e Zahav Shachut (ouro estirado) |
| Geburah | Zahav (ouro simples) |
| Tiferet | Ferro e Zahav Paz (ouro da coroa/glorificado) |
| Netzach | Estanho e Zahav Sagur (ouro fechado-encerado) |
| Hod | Cobre e Zahav Parvajim (ouro vermelho) |
| Yesod | Mercúrio e Zahav Tov (ouro bom) |
| Malkuth | Zahav Ofir (Ouro de Ofir) |
Curiosamente o trabalho alquímico segundo o Aesch-Mezareph vai na seguinte ordem: Zahav → Zahav Shachut → Zahav Ofir → Zahav Tov → Zahav Sagur → Zahav Parvajim → Zahav Paz. O que na Àrvore da vida se leria assim:

Embora o destino final seja Tiferet, representando o equilíbrio e a perfeição do ouro de Salomão, é estranho que o texto não siga a sequência das Sephirot segundo sua hierarquia estática conhecida. A isso o próprio texto responde:
“Assim te entreguei a chave para destrancar muitos portões secretos, e abri a porta dos mais íntimos adyta da Natureza. Mas se alguém dispôs essas coisas em outra ordem, não contenderei com ele, pois todos os sistemas tendem à única verdade.”
O texto pressupõe conhecimento tanto das cifras da cabala como das cifras da alquimia com que se misturam. Fala-se do Lua, da Prata, do Enxofre, do Mercúrio Vivo e do Leão, mas também dos quatro mundos (Atzilut, Beriah, Yetzirah e Assiah). Se esses quatro mundos existem dentro de cada sefira, em Malkuth essas formas espirituais existem também como substâncias físicas.
A gematria cumpre um papel importante, pois cada um dos tipos de ouro descritos possui um quadrado mágico derivados de seus nomes bíblicos ou relações numéricas em uma tentativa de expressar seu poder espiritual oculto e revelar seus mistérios e segredos.
Assim, apenas os iniciados, que passaram por uma preparação espiritual e intelectual, seriam capazes de decifrar essas camadas ocultas e aplicar corretamente os ensinamentos seja para a transmutação seja para a cura de doenças, já que a medicina, era nesse contexto, é inseparável da alquimia.
Os que conhecem essa sabedoria natural e praticam o desapego material são comparado ao profeta Eliseu, interiormente desapegado e externamente simples. Já os que ignoram isso são associados a figura de Geazi (o servo de Eliseu), são sopradores que buscam a alquimia por ganância ou vaidade e que por não possuírem a pureza necessária são incapazes de alcançar a verdadeira a sabedoria. Esses colhem doença, fracasso e vergonha.
Em essência o texto fala que a busca pela transmutação alquímica se dá de dentro para fora e exige renúncia, humildade e reverência à ordem divina da natureza. Uma tradução para o inglês foi publicada na série “Collectanea Hermetica”, de W. Wynn Wescott, no final do século XIX. Esta edição foi usada para a tradução em português abaixo.
~Tamosauskas
Aesch-Mezareph
CAPÍTULO I
Eliseu foi um profeta notável, exemplo de sabedoria natural, desprezador das riquezas (como mostra a história da cura de Naamã, 2 Reis, cap. 5, v.16) e, portanto, verdadeiramente rico. Conforme está escrito em Pirkei Avot: “Quem é rico? Aquele que se alegra com a sua porção”, cap. 4. Pois assim também o verdadeiro médico dos metais impuros não ostenta riqueza exterior, mas se assemelha ao Tohu da primeira Natureza, vazio e desprovido de forma. Essa palavra tem o mesmo valor numérico que a palavra Eliseu, ou seja, 411. Pois é muito verdadeiro o que se diz em Baba Kama, fólio 71, col. 2: Aquilo que causa a riqueza (como a sabedoria natural) é tido em lugar da própria riqueza.
Aprende, pois, a purificar Naamã, vindo do norte, da Síria, e reconhece o poder do Jordão: que é como Jar-din, isto é, o Rio do Julgamento que flui do norte.
E lembra-te do que está escrito em Baba Batra, fólio 25, col. 2: Quem quiser tornar-se sábio, que viva no sul; e quem quiser enriquecer, que se volte para o norte, etc. Ainda que, no mesmo lugar, o rabino Joshua Ben Levi diga: que se viva sempre no sul, pois ao se tornar sábio, ao mesmo tempo se enriquece. “Longura de dias está na sua mão direita, e na esquerda, riquezas e honra.” Provérbios, cap. 3, v.16. Assim não desejarás outras riquezas.
Mas sabe que os mistérios dessa sabedoria não diferem dos mistérios superiores da Cabala. Pois assim como se consideram os predicamentos na santidade, da mesma forma o são na impureza; e as mesmas Sefirot que existem em Atzilut, existem em Assiah, e até mesmo naquele reino que comumente se chama de reino mineral; embora sua excelência seja sempre maior no plano espiritual. Portanto, a raiz metálica aqui ocupa o lugar de Keter, que tem uma natureza oculta, envolta em grande obscuridade, e da qual se originam todos os metais; assim como a natureza de Keter é oculta, e as outras Sefirot dela fluem.
O chumbo ocupa o lugar de Chokmah, pois Chokmah procede imediatamente de Keter, assim como o chumbo vem imediatamente da raiz metálica, e, em símiles enigmáticos, é chamado de “pai” das naturezas seguintes.
O estanho ocupa o lugar de Binah, mostrando idade por sua cor acinzentada, e representando severidade e rigor judicial por seu estalido.
A prata está classificada sob Chesed, por todos os mestres da Cabala, principalmente por sua cor e utilidade.
Até aqui, as naturezas brancas. Agora seguem-se as vermelhas.
O ouro está sob Geburah, segundo a opinião mais comum dos cabalistas; Jó, no cap. 37, v.22, também nos diz que o ouro vem do norte, não só por sua cor, mas por seu calor e enxofre.
O ferro é atribuído a Tiferet, pois ele é como um homem de guerra, conforme Êxodo, cap. 15, v.2, e tem o nome de “Zeir Anpin”, por sua ira veloz, conforme Salmos 2, v. final: “beijai o filho, para que se não ire”.
Netzach e Hod são os dois lugares medianos do corpo, e os receptáculos seminais, e referem-se ao bronze hermafrodita. Assim também as duas colunas do Templo de Salomão (referindo-se a essas duas Sefirot) eram feitas de bronze, 1 Reis, cap. 7, v.15.
Yesod é o mercúrio. Pois a este, o nome de “vivo” é caracteristicamente dado; e essa água viva é, em todos os casos, o fundamento de toda a Natureza e da arte metálica.
Mas o verdadeiro remédio dos metais é atribuído a Malkuth, por muitas razões: porque representa o descanso das naturezas sob as metamorfoses do Ouro e da Prata, direita e esquerda, julgamento e misericórdia, sobre os quais falaremos mais adiante.
Assim te entreguei a chave para destrancar muitos portões secretos, e abri a porta dos mais íntimos adyta da Natureza. Mas se alguém dispôs essas coisas em outra ordem, não contenderei com ele, pois todos os sistemas tendem à única verdade.
Pois pode-se dizer que os três superiores são as três fontes das coisas metálicas. A água espessa é Keter, o sal é Chokmah, e o enxofre é Binah; por razões conhecidas. E assim os sete inferiores representarão os sete metais, a saber: Gedulah e Geburah, Prata e Ouro; Tiferet, Ferro; Netzach e Hod, Estanho e Cobre; Yesod, Chumbo; e Malkuth será a mulher metálica, e a Lua dos sábios; e o campo no qual devem ser lançadas as sementes dos minerais secretos, isto é, a água do Ouro, como ocorre esse nome (Mezahab), Gênesis, cap. 36, v.39.
Mas sabe, meu filho, que tais mistérios estão ocultos nessas coisas de forma que língua alguma pode ser autorizada a revelar. Mas não mais ofenderei com minha língua, antes porei um freio em minha boca, Salmos 39, v.2.
Geazi, o servo de Eliseu, é o tipo dos estudantes vulgares da Natureza, que contemplam o vale e os abismos da Natureza, mas não penetram em seus segredos.
Por isso trabalham em vão, e permanecem servos para sempre. Aconselham sobre como obter o filho dos sábios, cuja geração ultrapassa o poder da Natureza, mas nada podem acrescentar para ajudar em sua geração, 2 Reis, cap. 4, v.14 (para tal fim é necessário um homem como Eliseu). Pois a Natureza não lhes abre seus segredos, v.26, mas os despreza, v.30, e a ressurreição dos mortos lhes é impossível, v.31. São gananciosos, cap. 5, v.20; mentirosos, v.22; enganadores, v.25; tagarelas dos feitos alheios, 2 Reis, cap. 8, vv.4-5, e, em vez de riquezas, contraem a lepra, isto é, doença, desprezo e pobreza, v.27. Pois a palavra Geazi e a palavra Chol, profano ou comum, têm o mesmo valor numérico.
CAPÍTULO III
Cheseph, a Prata, é atribuída a Gedulah por causa de sua brancura, que denota Misericórdia e Piedade. No Raja Mehemna, diz-se que pelos 50 siclos de prata, Deuteronômio, cap. 22, v.29, entende-se Binah, o Entendimento, mas quando, a partir dos 50 portais, ela se inclina para o lado de Gedulah — ver o livro Pardes Rimmonim, tratado 23, cap. 11.
Cheseph, a Prata, nas coisas metálicas, é assim descrita por Rabi Mordechai:
Tome-se o minério vermelho de prata, que deve ser moído bem fino; adicione-se uma onça e meia da calx de Luna a seis onças do mesmo. Coloque-se num banho de areia, em um frasco selado. Aplique-se um fogo brando durante os primeiros oito dias, para que sua umidade radical não se queime. Na segunda semana, o fogo deve ser um grau mais forte; na terceira, mais forte ainda; e na quarta, que a areia não esteja incandescente, mas que, ao derramar água sobre ela, esta sibile. Então, no topo do vidro, surgirá uma matéria branca, que é a Materia Prima ou arsênico tintório, sendo a água viva dos metais, que todos os filósofos chamam de água seca ou seu vinagre. Purifique-se da seguinte forma: tome-se a matéria cristalina sublimada; que seja moída sobre um mármore com igual parte da calx de Luna, e posta novamente em frasco selado, em banho de areia: nas duas primeiras horas, com fogo brando; na segunda, mais forte; e na terceira, mais intenso ainda, até que a areia sibile, e nosso arsênico seja novamente sublimado, emitindo raios estrelados. E como se requer quantidade desta substância, aumente-se assim:
Tome-se seis onças disso, e uma onça e meia das limalhas mais puras de Luna, e faça-se uma amálgama. Que sejam digeridas em frasco, em cinzas quentes, até que toda a Luna se dissolva e se converta em água arsênica.
Tome-se uma onça e meia deste espírito, e coloque-se em frasco fechado: que este seja posto em cinzas quentes, e ele ascenderá e descerá; mantenha-se esse calor até que cesse o suor, e a substância permaneça no fundo com cor de cinzas. Assim a matéria estará dissolvida e putrefata.
Tome-se uma parte desta matéria cinzenta e meia parte da água supracitada; misturem-se e deixem-se suar em frasco, como antes, o que ocorrerá em cerca de oito dias. Quando a terra cinzenta começar a esbranquiçar, retire-se, e imbiba-se com cinco lavagens de sua água lunar, e digira-se como antes. Na terceira imbibição, use-se cinco onças da mesma água, e coagule-se como antes, por oito dias. A quarta imbibição requer sete onças da água lunar. E, terminado o suor, essa preparação estará concluída.
Agora para a Obra Branca. Tome-se 21 dracmas desta terra branca, 14 dracmas da água lunar, 10 dracmas da calx da mais pura Luna; misturem-se sobre uma laje de mármore e submetam-se à coagulação, até endurecerem. Imbiba-se com três partes de sua própria água, até absorver essa porção; e repita-se isso tantas vezes, até que escorra sobre uma placa de cobre em brasa, sem exalar fumaça; e então terá a Tintura para o Branco, que pode ser aumentada pelos meios mencionados.
Para o Vermelho, deve-se usar calx de Sol e fogo mais forte; e é uma obra de cerca de quatro meses. Assim diz o autor.
Compare-se isso com os escritos do filósofo árabe (Geber), onde ele escreve de forma completa sobre a matéria arsênica.
Chesed, no Reino Metálico, é Luna, nemine contradicente (sem contradição). E assim, o número menor de Gedulah é como o de Sama, ou Sima. A prata é referida em Provérbios, cap. 16, v.16, e cap. 17, v.3; também no Salmo 12, v.7, e em Jó, cap. 28, v.1. A prata também é atribuída a cada uma das décadas sefiróticas, como se vê em Êxodo, cap. 38, vv.17 e 19, onde a prata forma os capitéis das colunas representando Keter ou o cume. Enquanto a prata é comparada com Chokmah em Provérbios, cap. 2, v.4, e com Binah, em Provérbios, cap. 16, v.16.
Gedulah é manifesta na história de Abraão, onde a prata é sempre preferida, Gênesis, cap. 13, v.2, e cap. 23, vv.15–16, e cap. 24, vv.35 e 53.
Geburah é revelada quando a prata é posta no fogo, Provérbios, cap. 17, v.3; Números, cap. 31, v.21; Salmo 66, v.10; Provérbios, cap. 27, v.21; Isaías, cap. 48, v.10; Ezequiel, cap. 22, v.22; Zacarias, cap. 13, v.9; Malaquias, cap. 3, v.3.
Tiferet é o peito da estátua, em Daniel, cap. 2, v.32.
Netzach é uma veia de prata, em Jó, cap. 28, v.1.
Hod são as trombetas de prata, Números, cap. 10, v.2.
Yesod encontra-se em Provérbios, cap. 10, v.20, e Malkuth, no Salmo 12, v.6.
O Camea deste metal representa nove por nove quadrados, mostrando a mesma soma vinte vezes, a saber, 369, e em seu número menor 9, que todas as variações apresentam, mesmo que sejam mil vezes mil; porque esta Chesed (que é Misericórdia) dura para sempre. Salmo 136, v.1.

Barzel, o Ferro; na ciência natural, este metal é a Linha Média, que vai de um extremo ao outro. Este é o Macho e Noivo, sem o qual a Virgem não é fecundada. Este é o Sol, o Sol ou Ouro dos Sábios, sem o qual a Lua permanecerá sempre em trevas. Quem conhece seus raios, trabalha durante o dia; os demais tateiam na noite.
Parzala, cujo número menor é 12, tem o mesmo valor que o nome daquele animal sangrento Dob, o Urso, cujo número também é 12.
E este é aquele Mistério escrito em Daniel, cap. 7, v.5: “E eis aqui outro animal, semelhante a um urso, que se levantou sobre um dos seus lados, e tinha três costelas na boca, entre os dentes; e assim lhe disseram: Levanta-te, devora muita carne.” O sentido é que, para constituir o Reino Metálico, em segundo lugar, deve-se tomar o Ferro; em cuja boca ou abertura (que se dá num vaso de barro) se lança uma escória tripla, oriunda de sua natureza esbranquiçada.
Que ele coma Batsar, isto é, carne, cujo número menor é 7, isto é, Puk, isto é, Estíbio (Stibium), cujo número menor também é 7.
E de fato muita carne, porque sua proporção é maior que aquela; e de fato, tal proporção como Puk (que é 106) tem com Barzel (239); tal será a proporção entre Ferro e Antimônio.
Mas entende-se a carne do Leão, que é o primeiro animal; cujas asas de águia, e tudo o que nele é volátil, deve ser extraído, e elevado, e purificado de sua Terra ou Escória: E ficará em pé, isto é, terá consistência, em forma de cone; como um homem ereto e com semblante brilhante, como Moisés. Pois Enosh e Moisés, escritos por extenso, pela guematria, ambos somam 351. E o coração de ferro (pois coração, Lev, e ferro, Barzel, em seus números menores, ambos somam 5), isto é, o Tiferet do Homem Mineral, lhe será dado.
Pois até mesmo o nome da estrela pertencente a isso é Edom, que carrega a conotação de Homem Vermelho.
Feito isso, deve-se tomar o terceiro animal, que é como um leopardo, isto é, Água que não molha; o Jardim dos Sábios; pois Nimra (leopardo) e Jardin, em seus números menores, têm a mesma soma, isto é, 12. Tal é também a rapidez desta água, que não é diferente de um leopardo por isso.
E terá quatro asas de ave nas costas: as quatro asas são dois pássaros, que irritam esse animal com suas penas, para que ele entre e lute com o urso e o leão; embora por si só já seja suficientemente volátil, mordaz e venenoso como uma serpente alada e um basilisco.
E o animal tinha quatro cabeças; nestas palavras se compreendem quatro naturezas ocultas em sua composição: branca, vermelha, verde e aquosa.
E foi-lhe dado poder sobre os outros animais, isto é, o Leão e o Urso, para que extraia deles o gluten ou sangue.
De tudo isso é feito um Quarto Animal, no versículo 7, que é espantoso, terrível e muito forte: pois exala fumaças tão intensas, que às vezes há perigo de morte, se for manipulado em tempo e lugar inadequados.
E tem grandes dentes de ferro, pois este é um dos elementos e materiais que o compõem; devora e despedaça a si mesmo e aos outros, e pisa os resíduos com os pés. Ou seja, de natureza tão violenta que, por muitos esmagamentos e pisoteios, é como que domesticado por fim.
E tinha dez chifres, pois contém a natureza de todos os Números Metálicos.
Um pequeno chifre, etc., pois dele é extraído o jovem Rei, que tem a natureza de Tiferet (isto é, de um Homem), mas com a natureza ou parte de Geburah: Pois é aquele Ouro que predomina na Obra dos Sábios. Até aqui os Preparativos.
E agora o Animal deve ser morto, e seu corpo destruído e entregue ao fogo para ser queimado, etc. Pois agora segue-se o Regime do Fogo. Sobre o qual se falará em outra parte.
A espada do ilustre Naamã também está relacionada à palavra Barzel.
Lancea: no estudo das naturezas metálicas, a história de Finéias, Números, cap. 25, v.7, pertence a este ponto. Pelos fornicadores se entendem o enxofre arsenical (masculino) e a água seca (feminina) indevidamente misturados no mineral.
Pela lança de Finéias se entende a força do ferro agindo sobre a matéria para purificá-la das impurezas: por esse ferro, não apenas o enxofre arsenical é morto, mas também a Mulher (isto é, a matéria feminina) é enfim mortificada; de modo que o milagre de Finéias pode aqui ser aplicado adequadamente. Veja também o Targum sobre esse trecho, Números, cap. 25, v.7. Pois a natureza do ferro é maravilhosa, como mostra seu Camea (cujo total por linha é 65).
Aqui é apresentado: o número 5, e seu quadrado (isto é, 25) denotam a natureza feminina, que é corrigida por este metal.

CAPÍTULO IV
Bedil, Estanho; na Ciência Natural, este metal não é muito utilizado; pois, como é derivado por separação, sua Matéria permanece separada da Medicina Universal.
Entre os planetas, Zedek é atribuído a ele; um planeta branco errante, ao qual os gentios aplicaram um nome idólatra, cuja menção é proibida, ver Êxodo, cap. 22, v.12, e uma grande extirpação é prometida, Oséias, cap. 2, v.17, e Zacarias, cap. 13, v.2.
Entre os animais, nenhuma alegoria se aplica melhor a este metal do que aquela que, por causa de seu estalido, o chama Chazir Mijaar, um javali do bosque, Salmo 80, v.14, cujo número é 545; que não apenas é feito cinco vezes a partir de 109, mas em seu número menor mostra um Quinário, como o nome Zedek (194); cujos números, sendo somados, resultam em 14; e formam o número 5, que tomado duas vezes é 10, o número menor da palavra Bedil, pela soma das duas cifras de 46. Mas cinco vezes dez remete aos Cinquenta Portais de Binah, e à primeira letra da Sefirá Netzach, que é a classe sefirotica à qual este metal é atribuído.
Nas transmutações particulares, sua natureza sulfurosa sozinha não é proveitosa, mas com outros enxofres, especialmente os dos metais vermelhos, ele reduz as águas espessas, devidamente terrificadas, em ouro; e também em prata, se sua natureza for sutilizada numa água fina por mercúrio, o qual (na amálgama), entre outros, é bem realizado com o estanho.
Mas sua natureza viscosa e aquosa pode ser melhorada em ouro, se for devidamente pulverizada com calx de ouro por todos os Graus do Fogo, por dez dias, e por etapas lançada sobre ouro fundido, na forma de pequenas massas; o que também me foi ensinado que deve ser feito com a prata. Mas ninguém é sábio a menos que seu Mestre seja a Experiência.
Nada mais acrescento; aquele que é sábio pode corrigir as Naturezas e auxiliar com Experimentos onde estas são imperfeitas.
Kassitera, Estanho; veja o Camea de Bedil, onde o número resultante de cada lado é Dal; representando a Tenuidade e Baixeza deste metal, em todas as Operações Metálicas.

CAPÍTULO V
Hod, na Sabedoria da Natureza, pertence à classe do Bronze; pois a cor expressa a natureza de Geburah, que esta Sefirá contém. E o uso do bronze era para instrumentos de louvor e música, 1 Crônicas, cap. 15, v.19. “E os arcos de bronze eram usados na guerra.” 2 Samuel, cap. 22, v.35; Jó, cap. 20, v.24; e também em 1 Samuel, cap. 17, vv.5–6, 38.
Mas assim como Hod está cercada por uma Serpente, também Nechusheth — Bronze — tem a mesma raiz de Nachash, Serpente.
Os “setenta talentos de bronze da oblação” — Êxodo, cap. 38, v.29 — representam os setenta Príncipes; pois neste ponto se encontra a maior força das Cascas ou Cortices. Daí que em Hod há um grau de Representação Profética, pois da raiz Nachash vem Nechashim, Encantamentos, Números, cap. 23, v.23 e cap. 21, v.1. Mas quem quiser ser curioso, encontrará que Hod possui uma Década especial. Assim também, na história do Bronze segundo a Lei, pode-se facilmente recolher uma Década.
Pois acaso aquela oblação, da qual depois foram feitos vasos para o Tabernáculo — Êxodo, cap. 38, v.29 — não pode ser referida a Keter, já que todos os outros graus dela procedem?
O Lavatório de Bronze, Êxodo, cap. 30, v.18, não mostra a natureza de Chokmah, da qual um influxo desce a todos os inferiores? Mas sua base, que também era de bronze, é Binah, pois Chokmah nela reside.
Depois, o Altar de Bronze, Êxodo, cap. 27, v.2, com seus utensílios representa os dois extremos, pois as duas varas do mesmo local estavam cobertas de bronze; e são como os dois braços, Gedulah e Geburah. O corpo do próprio altar é Tiferet. Os quatro anéis de bronze, à direita e à esquerda, são Netzach e Hod.
E a rede de bronze, que servia de fundação, é Yesod.
E se disseres que o altar deve ser referido a Malkuth, conforme a opinião mais comum — e que o altar pode representar a noção de uma mulher — eu respondo: isso é verdade, segundo a distribuição geral do Tabernáculo e do Templo. Mas entre a classe específica do Bronze, onde tudo antes se inclina ao Feminino, e até mesmo Tiferet, a noção do Masculino não estará tão distante.
Pois há ainda os Adne, bases de bronze, Êxodo, cap. 26, v.37, e cap. 27, v.10, que sendo como o fundo do Tabernáculo, possuem de forma bastante congruente a natureza de Malkuth.
Aquele que quiser rastrear mais amplamente esses mistérios pode facilmente prolongar seu discurso. Mas um homem sábio entenderá rapidamente o fundamento.
O maravilhoso Camea pertencente à classe do Bronze contém sete por sete quadrados; e a soma de cada linha, seja horizontal, vertical ou diagonal, é igual entre si, e igual a Tzephah.

Por exemplo, todas as colunas somam o mesmo Tzephah, 175, como pode ser visto acima; pois a primeira coluna à direita (4, 29, etc.) soma 175, e assim por diante até a última à esquerda. Da mesma forma, observe o canto superior 22 (onde está o mistério das 22 letras), 47, etc., terminando no número 4, onde se encontra o mistério do Tetragrama, e assim até a base. Por fim, em diagonal do ângulo entre o Leste e o Sul até o ângulo entre o Oeste e o Norte (4, 11, 18, etc.) dá 175; e do ângulo entre o Leste e o Norte até o ângulo entre o Oeste e o Sul (22, 23, 24, etc.) também dá 175.
Portanto, contempla estas coisas e verás um abismo de profundidade.
A não ser que prefiras fazer alusão àquelas coberturas em que o Bronze foi usado, Êxodo, cap. 27, vv.2, 6, etc.
Assim, se o número 1 for omitido, e começares pela linha 2, encontrarás a soma Botzatz, 1 Samuel, cap. 14, v.4, escrito de forma defectiva. Se começares pela linha 3, terás a soma 189. Se começares pela linha 4, então 196. Pela linha 5, 203. E assim elas ascendem, excedendo-se umas às outras por 7.
Mas se dispuseres os números pulando: 1, 3, 5, 7, 9, etc., então, qualquer que seja o ponto de partida, observarás a mesma proporção. Também com 1, 4, 7, 10, 13, etc. Ou 1, 5, 9, 13. Esta Rede Septenária sempre, de qualquer face, representará a mesma soma, cujo uso posterior eu poderia revelar em outro lugar.
Nechusheth, Bronze, veja Zohar Pekude, 103, 410, etc., e veja Hod como acima. Entre os planetas, Nogah, Vênus, corresponde a ele. Um instrumento necessário para promover o esplendor metálico.
No entanto, possui mais o aspecto do Masculino do que do Feminino. Pois não te deixes enganar, acreditando que um esplendor branco te está prometido, como a palavra Nogah poderia sugerir. Mas Hod deve receber uma influência Gebúrica, e também a transmite. Ó, quão grande é este mistério.
Aprende, pois, a levantar a Serpente em alto, que é chamada Nechushtan, 2 Reis, cap. 18, v.4, se quiseres curar as naturezas enfermas, segundo o exemplo de Moisés.
CAPÍTULO VI
Chokmah, na Doutrina Metálica, é a Sefirá do chumbo, ou do sal primordial, no qual o chumbo dos sábios está oculto. Mas como pode ser atribuído um lugar tão elevado ao chumbo, que é um metal tão ignóbil e do qual raramente se faz menção nas Escrituras?
Mas aqui está a Sabedoria! Seus diversos graus são mantidos em grande segredo; por isso, pouco se fala dele. No entanto, não faltarão aqui exemplos das Sefirot particulares.
Pois, acaso aquilo que, em Zacarias, cap. 5, v.7, é chamado de talento de chumbo erguido e tirado do abismo, não representa o grau de Keter? E aquilo que no mesmo capítulo, v.8, é dito sobre a pedra de chumbo, apresenta diante de si a letra Yod, que pertence a Chokmah.
Depois, em Ezequiel, cap. 27, v.12, o chumbo é associado ao “lugar da congregação”, tipo de Binah.
E Amós, cap. 7, v.7, Anak, um prumo de chumbo, denota o fio de Chesed. Pois Anak, com a palavra completa, soma 72, número de Chesed. Já em Números, cap. 31, v.22, o chumbo é contado entre as coisas que suportam o fogo, sendo então atribuído a Geburah.
Em Jó, cap. 19, v.24, gravado com pena de ferro e chumbo são mencionados juntos, o que te leva a Tiferet.
Em Ezequiel, cap. 22, vv.18 e 20, há o forno da prova, ou da graça, ou forno do julgamento, no qual também é colocado o chumbo; daí vêm Netzach e Hod; pois daí deve fluir um rio de prata.
E Jeremias, cap. 6, v.29, o forno de provação, do qual, por meio do chumbo, espera-se a prata boa. Não é o homem justo, e aquele que justifica, Jesod (isto é, o Fundamento)?
Mas se buscares o fundo do mar, observa Êxodo, cap. 15, v.10, onde encontrarás a noção de Malkuth.
Este é o Mar Vermelho, do qual se extrai o Sal da Sabedoria, e através do qual os navios de Salomão traziam ouro.
Ophereth, na Doutrina das coisas naturais, é atribuído à Sabedoria, pois aqui está escondido um grande tesouro de sabedoria. E a ele se refere Provérbios, cap. 3, v.19: “O Senhor, com sabedoria, fundou a terra”; falo da Terra, sobre a qual Jó fala, cap. 28, v.6, “em cujo pó há ouro”. Onde se nota a palavra Ophereth, isto é, chumbo. Esse chumbo, por um nome místico, é chamado Chol, porque nele reside o sistema de todo o universo.
Pois sua figura tem, na base, um círculo, sinal da perfeição universal, e sobre o círculo uma cruz formada por quatro Daleths, cujos ângulos se encontram num único ponto; assim se pode saber que toda Quaternidade está aqui, e as Quaternidades da Quaternidade: quer se refira aos Elementos, às Cascas (Cortices), às Letras ou aos Mundos.
E neste chumbo dos sábios estão ocultos os quatro Elementos: o Fogo, ou o Enxofre dos Filósofos; o Ar, o separador das Águas; a Água seca; e a Terra do Sal Maravilhoso.
Também estão ocultas nele as quatro Cascas, descritas em Ezequiel, cap. 1, v.4, pois, na sua preparação, te ocorrerá o redemoinho, uma grande nuvem, e um fogo que se enrola sobre si mesmo, até que enfim irrompa o esplendor desejado.
Também aqui ocorre a Sefirá natural do Tetragrama, e o Metal que lhe corresponde. E naturalmente viajarás através dos quatro Mundos no próprio Labor; quando, após a feitura e formação, bastante laboriosas, surgirá a maravilhosa criação: depois da qual terás a emanação da Luz Natural desejada.
E nota que a palavra Chol, cujo número é 50, multiplicado por 15, conforme o número do Nome Sagrado característico da Sefirá da Sabedoria, produz o número de Ophereth, isto é, 750.
Também o Camea desse metal é maravilhoso, no qual o número 15, isto é, o nome Jah (uma forma de YHWH), num Quadrado Mágico de nove casas (porque estamos na nona Sefirá), se mostra por todas as colunas desta forma:O planeta Shabthai é assim denominado por “Repouso”, pois neste Princípio é oferecido o repouso mais desejado.
E se computares as palavras Lahab Shabthai, isto é, o gume ou ponta de Saturno, surgirá o número do nome Ophereth, isto é, chumbo.
Arjeh, Leão, na Ciência Natural é aplicado de várias formas.
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Pois há Gur Arjeh, “filhote de leão”, como Jacó fala, Gênesis, cap. 49, v.9. A palavra Gur, “filhote”, tem soma 209, e se adicionares a palavra inteira no lugar de uma unidade, será 210, que é o número de “Naamã, o sírio, general do exército do rei da Síria”, 2 Reis, cap. 5, v.1, por quem é alegoricamente entendida a Matéria da Medicina Metálica, a ser purificada sete vezes no Jordão, a qual muitos estudiosos em assuntos metálicos chamam Gur.
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E para melhor entenderes essa matéria, toma o número menor da palavra Naamã, que é 21, igual ao número do nome de Keter, Ehyeh (21).
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O número de Naamã, com a palavra inteira, é 211; ao qual é igual outro nome de leão, Ari, 211.
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E também Arjeh, Leão, é igual em número à primeira palavra dessa maravilhosa história, 2 Reis, cap. 5, v.1: “E Naamã, etc.” Pois esta constitui 216.
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Ademais, a palavra Kephir, “jovem leão”, e Jerik, também concordam em número; pois ambas somam 310. E agora se sabe, nos mistérios metálicos, que logo à entrada nos deparamos com o enigma do “Leão Verde em crescimento”, que chamamos o Leão Verde; o qual, peço-te, não consideres nomeado por outra razão senão por sua cor. Pois se tua Matéria não estiver verde, não só naquele estado intermediário antes de ser reduzida em Água, mas também depois que se fizer a Água de Ouro a partir dela, lembra-te de que esse Processo Universal Seco deve ser corrigido.
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Outros nomes de Leões são Lebi, que é uma leoa, conforme Jó, cap. 4, v.11: “Os filhos da leoa se separam”; Ezequiel, cap. 19, v.2: “Tua mãe era uma leoa entre os leões”; Naum, cap. 2, v.12: “Lá havia uma leoa”; v.13: “O leão estrangulava por sua leoa.”
Também Lish, que denota um leão feroz, de cabelos longos e retos, como em Provérbios, cap. 30, v.30. Esses dois nomes, em seus números menores, contêm ambos um Setenário: Lebi soma 43, que dá 7; Lish soma 340, também dá 7. A esses é igual o nome Puk, Stibium (antimônio), cuja soma é 106 e cujo número menor também é 7 — o que não poderia ser mais claro. Especialmente se se considerar o epíteto desse mineral, quando é chamado de “servo cabeludo”, ou “aquele de longos cabelos”, ou “ruivo”; com muitos nomes semelhantes que lhe são dados.
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Há ainda outro nome de Leão, segundo os Mestres do Sinédrio, no capítulo 11, fólio 95, coluna 1, isto é, Shachatz; também usado no Targum e no Salmo 17, v.12; seu número é 398, e seu número menor é 2. E a palavra caldaica Tzadida mostra o mesmo número menor, 2, sendo usada no Targum, 2 Reis, cap. 30, v.30, e Jeremias, cap. 4, v.30 (em vez da palavra hebraica Puk, que é antimônio); pois sua soma é 109, e com a palavra completa é 110, e seu número menor 2.
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Por fim, também encontramos o nome do Leão Negro, a saber, Shacal, cujo número é 338 e o número menor é 5.
Agora, tome-se o número menor da palavra Naamã, 210, que é 3, e o número menor da palavra caldaica Parzel (ferro), que é 2, e obterás 5, o Leão Negro.
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Zahav, ouro, é chamado pelo nome de Leão Vermelho; e assim, não só os números menores dos nomes Lebi e Lish formam 14, número que Zahav possui, mas também o número menor da palavra Zahav é 5, como acabei de dizer que é igual a Shacal.
Mas sob essa noção entende-se o Ouro, já mortificado, ou então extraído das Minas dos Sábios — negro na cor, mas vermelho em potência.
CAPÍTULO VII
Jarden denota uma Água Mineral, útil na purificação dos metais e dos minerais leprosos. Mas essa água flui de duas fontes, das quais uma se chama Jeor, isto é, um fluido, tendo a natureza da Mão Direita, e muito generosa. A outra é chamada Dan, rigorosa e de natureza cortante.
Contudo, ela corre através do Mar Salgado, o que deve ser observado, e por fim pensa-se que se mistura com o Mar Vermelho, o qual é uma matéria sulfurosa, masculina e conhecida por todos os verdadeiros Artistas.
Mas saiba que o nome Zachu, isto é, Pureza, multiplicado por 8, o número de Jesod, produz o número Seder, isto é, Ordem, que é 264. Esse número também está contido na palavra Jarden; assim podes lembrar que são necessários ao menos oito graus de purificação antes que a verdadeira pureza se manifeste.
Jesod, nas coisas naturais, contém sob si o Mercúrio Vivo (Argent Vif); pois este metal é o Fundamento de toda a Arte da Transmutação.
E assim como o nome El insinua a natureza da prata, porque ambos pertencem à classe de Chesed (mas aqui àquele Chesed inferior, ou seja, Jesod), assim o nome El Chai equivale a Cheseph Chai, isto é, Mercúrio Vivo.
E assim Kokab, uma Estrela, é o nome do planeta sob cujo governo está essa matéria; com a palavra inteira soma 49, que é o mesmo número de El Chai.
Mas lembra-te que nem todo Mercúrio contribui para esta Obra, porque seus tipos diferem como o linho do cânhamo ou da seda; e seria inútil trabalhar sobre o cânhamo para que receba a fineza e o esplendor do linho refinado.
Há quem diga que é sinal de Água Legítima o fato de, ao ser misturada ao ouro, fermentar imediatamente. Mas o mercúrio líquido comum, precipitado pelo chumbo, também o faz. E o que isso produz?
Em verdade te digo: não há outro sinal de um Mercúrio verdadeiro senão este — que, sob calor adequado, reveste-se de uma cutícula que é o ouro mais puro e refinado; e isso num curto espaço de tempo, sim, numa única noite.
Isto é o que, não sem mistério, é chamado Kokab, Estrela; pois, segundo a cabala natural, Números, cap. 24, v.17, de Jacó (o metal) sai uma Estrela; ou, em linguagem simples, surgem formas de varas e ramos; e dessa Estrela flui a influência de que falamos.
Este Argent Vif, no tratado Gittin da Gemará, cap. 7, fól. 69, é chamado Espherica, isto é, Água Esférica, porque flui da Esfera do Mundo.
E em Gênesis, cap. 36, v.39, é chamado Mehetabel, como se fosse Me’Hathbula, pela troca das letras, isto é, as Águas da Imersão, porque o Rei é nelas mergulhado para ser purificado.
Ou ainda como se fosse El Hatob, por troca semelhante de letras; as Águas do bom El, ou da Prata Viva; pois Vida e Bem têm poder equivalente, assim como Morte e Mal também o têm.
Ela é chamada de Filha de Metred, isto é (como ensina o Targum), a “Fabricante de Ouro”, que labuta com desgaste diário.
Pois essa Água não brota da Terra, nem é escavada da Mina; mas é produzida e aperfeiçoada com grande trabalho e diligência.
Essa Esposa (ou fêmea) é também chamada Me Zahav, as Águas do Ouro, ou água que emite ouro.
Se o Artista estiver desposado com ela, gerará uma Filha, que será a Água do Banho Real. Embora alguns queiram que essa Noiva seja a água feita a partir do ouro — noiva que, todavia, os pobres deixam para ser desposada pelos grandes.
O Esposo de Mehetabel é aquele rei edomita, o Rei da Vermelhidão, chamado Hadar, o Glorioso; isto é, a Beleza do Reino Metálico, que é o Ouro, Daniel, cap. 11, vv.20–29. Mas um ouro que pode ser atribuído a Tiferet. Pois Hadar representa 209, número que o Tetragrama, multiplicado por 8, também produz (sendo este o número da circuncisão e de Jesod), se for adicionada a palavra inteira como uma unidade.
Mas para que saibas que se entende Tiferet no grau de Geburah, saiba que esse número, quando somado à palavra inteira, também está contido em Isaque, que da mesma forma pertence à classe do Ouro.
A cidade desse rei é chamada Pegno, Brilho, por seu esplendor, segundo Deuteronômio, cap. 33, v.2. Esse nome e o nome José (por meio do qual se entende Jesod) têm o mesmo número, 156. Para que saibas que o Mercúrio Vivo é necessário à Obra; e que a Beleza Real não reside fora dessa Cidade Resplandecente.
A este ponto pertence outro epíteto, Elohim Chajim, como se fosse chamado “Ouro Vivo”; pois Elohim e Ouro denotam a mesma medida. Mas essa água é assim chamada porque é a Mãe e o Princípio do Ouro Vivo: pois todos os outros tipos de ouro são considerados mortos — com exceção deste.
E não errarás se lhe atribuíres outro nome especial: Mekor Majim Chajim, isto é, Fonte de Água Viva. Pois desta Água o Rei é vivificado, para que possa dar vida a todos os metais e seres vivos.
O Camea desta Água é absolutamente maravilhoso, e mostra igualmente o número Chai (isto é, Vida), 18 vezes, a mesma soma em um Quadrado Mágico de 64 quadrados, que é a soma de Mezahab, Águas do Ouro; sendo variável, desta forma, ao infinito.

Aqui tens a soma 260, de baixo para cima, da direita para a esquerda e pelas diagonais; o número menor de 260 é 8, o número de Jesod; assim como a raiz de todo o quadrado é 8.
O símbolo da primeira soma é 260, que forma a palavra Sar, isto é, “ele voltou”, porque, ao avançar, a soma sempre retorna pelas unidades.
Por exemplo: se começares pelo 2, considerando a primeira coluna como 8, a soma será 268, que se reduz a 7.
Se começares pelo 3 (considerando 8 como segunda coluna), a soma será 276, que se reduz a 6.
E assim por diante.
E assim também, à medida que aumentam os números de purificações, o peso da tua Água diminui.
CAPÍTULO VIII
Juneh, a Pomba; entre os Enigmas das coisas Naturais, o nome da Pomba nunca é aplicado aos metais em si, mas às formas Ministradoras e Preparadoras da Natureza.
Aquele que compreende aqui a natureza do Holocausto não tomará rolas, mas dois pombinhos machos jovens, ou Filhos da Pomba, Levítico, cap. 1, v.14; cap. 12, v.8; e cap. 14, v.22.
Mas conta-se a palavra Beni, 62, e 2 por um Par de Pombas, e daí vem o número 64 da palavra Nogah, que é o nome do quinto entre os planetas, e assim seguirás o verdadeiro caminho.
Caso contrário: “Não te fatigues para enriqueceres; dá de mão à tua própria sabedoria.” Farás teus olhos discernirem isso imediatamente? Isso não acontecerá. Mas o discípulo dos Sábios faz para si asas e voa como uma Águia, assim como ele eleva os minerais das estrelas ao céu. Provérbios, cap. 23, vv.4–5.
Jarach, a Lua ou Luna, na História das Coisas Naturais, é chamada de “Medicina para o Branco”, porque recebeu um Esplendor Alvo do Sol, que, por brilho semelhante, ilumina e converte à sua própria natureza toda a Terra, isto é, os metais impuros.
E o trecho de Isaías, cap. 30, v.26, “a lua será como o sol”, pode ser entendido misticamente neste sentido, pois, estando a Obra concluída, ela possui um esplendor solar; mas neste estado, aplica-se o trecho de Cânticos, cap. 6, v.10 — “formosa como a lua.”
Pelo mesmo nome é chamada a Matéria da Obra: e assim, de fato, ela se assemelha à lua crescente, no primeiro estado de consistência; e à lua cheia, no estado final de fluidez e pureza. Pois as palavras Jarach (lua), Razia (segredos) e Rabui (multidão) têm, por guematria, o mesmo valor numérico, porque nesta Matéria se encontram os Segredos da Multiplicação.
Gophrith é Enxofre; na Ciência dos Minerais, este Princípio é atribuído a Binah, à esquerda, por causa de sua cor; e também à esquerda, o ouro costuma ser atribuído; e Charutz, um tipo de ouro, também é atribuído a Binah, e sendo 7 em seu número menor, concorda com o de Gophritha.
Portanto, o ouro da Sabedoria Natural deve ser Charutz, isto é, escavado, ou algo semelhante, não ainda cocto. E este é aquele Enxofre que possui uma cor ardente, penetrante e transformadora de terras impuras; a saber, enxofre com sal, Deuteronômio, cap. 29, v.23; enxofre com fogo, chovido sobre os ímpios — isto é, os metais impuros — Salmo 106, v.6.
É necessário escavar este enxofre; e ele deve ser escavado da água, para que obtenhas fogo tirado da água. “E se teus caminhos forem retos diante do Senhor, teu ferro flutuará sobre a água,” 2 Reis, cap. 6, v.6. “Vai, pois, ao rio Jordão com Eliseu”; ver v.4. “Mas quem anunciará a Geburah do Senhor?” Salmo 106, v.2.
Muitos buscam outros enxofres, e aquele que entrou na “Casa dos Caminhos” os entenderá, Provérbios, cap. 8, v.2. Pois os enxofres do Ouro e do Ferro, cuja extração é ensinada por muitos, e é fácil; também os de Ouro, Ferro e Bronze; também os de Ouro, Ferro, Cobre e Antimônio, que são recolhidos após fulminação por vinagre, a partir do lixívio, e transformados em um Óleo Vermelho, com um Hydrargyrum úmido — tingem a Prata. Pois em Provérbios, cap. 21, v.20, sabemos que “há um Tesouro desejável e um Óleo na morada do Homem Sábio”.
Fim.
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