Categorias
Satanismo e Luciferianismo

Vitimismo: A Igreja de La Llororna

Este texto já foi lambido por 1593 almas.

Epístola Décima aos Satanistas

por Rev. Obito

O espírito ovino das religiões do passado não está morto. Pelo contrário está mais agitado do que nunca como um moribundo que se recusa a morrer. Os cultos estão lotadas mas seu fedor já se espalhou há muito tempo para além dos muros das igrejas. Mesmo aqueles que se dizem adversários de dogmas antigos ainda cheiram tão mal como as ovelhinhas aqueles que vieram antes. Estamos falando do fedor do vitimismo.

Quando LaVey escreveu seus “Nove Pecados Satanicos” listou neles Estupidez, Pretensão, Solipsismo, Auto-Ilusão, Conformismo, Negligência ao passado, orgulho contra produtivo e falta de estética. Todos estes ainda estão por ai, mas o Vitimismo, que talvez seja uma combinação de Estupides, Auto-Ilusão, Conformismo, ganhou tanta força ultimamente que talvez devesse ser incluído nessa lista. Universalmente espalhado entre todos os guetos culturais, o vitimismo é o canto de sereia dos fracos que se recusam a devorar seus próprios demônios. Lavey também falou deles na Bíblia Satânica chamando-os de vampíricos psíquicos, mas o que era a exceção usada em manipulações interpessoais tornou-se hoje um estilo de vida socialmente aceitável.

No lugar de vampiros talvez devêssemos usar a imagem de La Llororna (A Chorona), uma das figuras do folclore mexicano. A lenda conta que uma dada mulher se apaixonou por um homem que acabou a abandonando, e ficou tão amargurada que afagou seus próprios filhos e depois de matou nas mesmas águas. Desde então seu espírito vaga pelas noites chorando e se lamentando por sua situação. Quando alguém comete o erro de atender ao seu choro seja por compaixão ou curiosidade essa pessoa é afogada também.

A Chorona está por ai, não apenas na beira de rios e lagoas, mas na televisão e nas redes sociais onde a autocomiseração é ferramenta de popularidade em um desfile de Chorões e Choronas que preferem se lamentar do de fato fazerem alguma coisa. Pense comigo: La Llorona afogou seus filhos na mesma água turva onde afogou sua própria dignidade enquanto o pai que abandonou as crianças não foi afetado de forma nenhuma. Seu choro é um anzol molhado de culpa e remorso que arrasta para o fundo quem se dispor a ouvir seu lamento.

O Vitimismo é Auto-Ilusão pois se baseia na recusa-se em admitir que o mundo é um campo de batalha. Uma arena na qual, se você não lutar, será devorado. No vitimismo o perdedor distribui crachás para fracassados como ele e como um grupo mendiga a simpatia dos vencedores e da opinião pública como um cachorro sarnento ao invés de de fato lutar pelo que é seu.  O vitimismo mascara sua covardia como se fosse uma virtude. Como se o mundo fosse se curvar ao seu choro.

Essa postura se aninha nas entranhas da psique humana desde o berço. Desde cedo, como a criaturinha indefesa descobre a fórmula mágica: choro, febre, manha e os deuses parentais descem do céu para oferecer calor, leite e beijos envergonhados de culpa. Assim planta-se, ali na infância, a crença de que sofrer é um espetáculo premiado com aplausos de afeto. Mas o espetáculo miserável do vitimismo mão acaba com a infância, ele se adapta na vida adulta para se tornar uma forma de vida. A Igreja percebeu isso bem cedo e muito de seus cultos consiste em chorar pelo que quer e chacoalhar o chocalho com as promessas de que “na volta a a gente compra”.

No fundo esses miseráveis não querem o sucesso e a cura pois isso significaria o fim do espetáculo. A cada fracasso, a cada doença, a cada lágrima bem ensaiada, consolidam o ciclo de mendicância emocional que aprenderam quando eram apenas bebês. Por isso o vitimismo é também uma forma de Conformismo, pois crer que o sofrimento é passaporte para o amor não é apenas infantil, é suicida.

E o mais sádico nesse teatro? É que ele tem plateia. Pais distraídos, Governantes populistas, cônjuges carentes, amigos culpados: todos se tornam doadores voluntários de energia e atenção para os coitadinhos profissionais. O Diabo aqui retorna, não como um símbolo de poder, mas como na velha receita medieval de um Grande Inimigo responsável por todas as mazelas, doenças, desastres e tragédias imaginárias, tudo para reforçar a sagrada associação entre dor e importância. Como hienas aleijadas, até suas risadas são um tipo de lamento e pedido silencioso de validação. Qualquer religião ou ideologia que defenda que ele é impotente será abraçada pela racionalização: o vitimista se convence de que o mundo deveria ser mais justo com ele, que as pessoas deveram ser menos cruéis. Ele receberá todos os likes, atenção e talvez até dinheiro, mas isso não mudará sua situação e ele jamais admitira o conforto que isso lhe trás e sua parcela de responsabilidade em manter a própria gaiola fechada.

O afeto conquistado assim será seu prêmio de consolação, mas durará pouco e sempre que a maré parecer melhorar, se arranjará uma nova doença, um novo infortúnio, uma nova crise. Ele poderia alcançar mais do que isso? Com certeza, mas todo vitimista comete também o pecado satânico da Estupidez.  Incapaz de transformar dor em força, faz dela muleta transita pela vida colocando seu fracassos, queixas e tudo o que fizeram com ele em sua triste sala de troféus.

Ah, as consequências que ele não enxerga por ser estúpido é que nesse altar do sofrimento ele sacrifica tudo o que poderia dar sentido à própria vida. Ele prefere continuar no clube dos derrotados do que ter uma vida própria como indivíduo. Suas relações apodrecem, as oportunidades são desperdiçadas e como a Chorora arrastará para as águas qualquer pessoa que chegar perto demais, apenas para garantir que a platéia nunca se disperse.

O Satanismo oferece alternativa, tanto para lidar com os Vitimistas como para não se tornar um deles. Para o primeiro: Indulgência, não Compulsão. “Satã representa responsabilidade para o responsável ao invés de tempo gasto com vampiros psíquicos!” diz a sexta Declaração Satânica. Não devemos nada a esses chorões. Aquele que se faz vítima precisa ser exposto, arrancado de sua toca de autocomiseração, forçado a olhar para o abismo de sua própria covardia. E se recusar? Continuará sendo vítima. Quem não tem coragem de morrer tentando arrancar as próprias correntes, as merece.  Isso está bem claro na oitava Regra Satânica da Terra: “Não reclame de coisa alguma à qual você não tenha que se sujeitar.”

Quer um caminho que não apodreça? Cultive palavras que constroem, atos que elevam, posturas que inspiram. Quer carinho? Mereça-o. Quer atenção? Seja interessante, não miserável.  Mate o mártir dentro de você.

Alimente sua alma com mais:


Conheça as vantagens de assinar a Morte Súbita inc.

Deixe um comentário