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3I/ATLAS: clickbait extraterrestre

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por Shirlei Massapust

Depois que o telescópio de pesquisa ATLAS, situado em Rio Hurtado, Chile, captou imagens de um objeto interestelar atravessando o sistema solar, em 01/07/2025, a NASA criou um site para divulgar a passagem. Este objeto foi chamado de 3I/ATLAS. Era o mais rápido cometa já registrado até o presente momento histórico, viajando a cerca de 221.000 quilômetros por hora, ou 61 quilômetros por segundo. Observações a partir do Telescópio Espacial Hubble, em 20/08/2025, permitiram o cálculo do diâmetro do seu núcleo como não senso inferior a 440 metros nem superior a 5,6 quilômetros.[1]

Cometa 3I/ATLAS fotografado pelo Telescópio Espacial Hubble.

Um estudo dos astrofísicos Richard Cloete, Abraham Loeb e Peter Vereš usou dados compilados pelo Minor Planet Center, de 15 de maio a 23 de setembro de 2025, para estimar mais precisamente a massa mínima do 3I/ATLAS em 33 bilhões de toneladas, com diâmetro do núcleo superior a 5 quilômetros. Neste mesmo estudo foi detectada pouquíssima aceleração não gravitacional do objeto (menor do que ∼ 3 × 1010 au d2), o que indica que mesmo expelindo materiais como gases e poeira em nenhum momento o 3I/ATLAS sofreu o chamado impulso de foguete (que é o efeito em que o jato de gás liberado pelo aquecimento pelo sol atua como se fosse um pequeno motor alterando livremente a trajetória de um cometa).[2] Por que isso não aconteceu?

A comunidade científica previu que a velocidade do 3I/ATLAS aumentaria à medida em que o objeto se aproximasse do periélio. Todavia ocorreu o contrário: fatores de natureza especulativa estabilizaram a velocidade do cometa mantendo sua constância. A causa, seja qual for, era bem visível. Todo cometa possui um núcleo gelado e uma coma, isto é, uma grande atmosfera de gás e poeira que envolve o núcleo. Segundo Eric Keto e Abraham Loeb, observações do 3I/ATLAS a 3,8 unidades astronômicas mostraram uma coma alongada apontando na direção do Sol. A imagem do Hubble Space Telescope (HST), tirada em 21/07/2025 mostrou um jato frontal de luz solar dispersa dez vezes mais longo do que largo. Este tipo de anticauda pode não ter sido observado anteriormente.[3]

Em 27/09/2025 um grupo aleatório de professores e estudantes de astrofísica se pôs a fotografar o 3I/ATLAS em condições ideais, durante um eclipse lunar, usando o Espectrógrafo Multiobjeto Gemini (GMOS) no Gemini Sul, em Cerro Pachón, no Chile. Eles obtiveram imagens que revelaram o crescimento de uma pequenina cauda traseira formada no final de agosto durante a aproximação do cometa do Sol. Isso deixou o 3I/ATLAS com aspecto um pouco mais familiar e menos estranho aos nossos olhos.[4]

Abraham Loeb endossou uma hipótese preliminar onde foi sugerido composição química anômala: “a pluma de gás ao redor do 3I/ATLAS apresentou muito mais níquel do que ferro, como em ligas industriais de níquel”.[5] Lendo isso, Schwarza rebateu questionando se o 3I/ATLAS liberava níquel em níveis que nenhum cometa deveria apresentar, desafiando as leis conhecidas da física?[6] A fonte de ambos era a mesma.

Vinte e sete astrofísicos assinaram um rascunho de artigo especulando a respeito da composição do 3I/ATLAS dedutível a partir de resultados de espectroscopia VLT obtidas no Very Large Telescope (VLT) do European Southern Observatory (ESO) em Cerro Paranal, no Chile. Entre outros resultados, foi relatada emissão de níquel (Ni) em fase gasosa. Mais especificamente, foi detectado vasta abundância de linhas do metal de transição níquel no estado de oxidação +1 (Ni I).[7] A detecção de emissão de Ni I em coma frio e a ausência de linhas do metal de transição ferro no estado de oxidação +1 (Fe I) causaram perplexidade aos pesquisadores porque, na natureza, o níquel e o ferro ocorrem sempre juntos. Os sensatos sugeriram que o ferro certamente estava lá, mas que ainda não haveria condições ideais para sublimação naquela distância heliocêntrica.

Depois que dezessete astrofísicos foram desligados daquela equipe e dois novos entraram nela, um grupo de doze profissionais analisou espectros obtidos em seis épocas, a distâncias heliocêntricas variando de 3,14 a 2,14 unidades astronômicas. Conforme exposto, Ni I foi detectado em todas as épocas. Fe I passou a ser detectado apenas a partir do dia 28/08/2025, em distâncias heliocêntricas menores que 2,64 unidades astronômicas. Desde então as linhas de Fe I se intensificaram exponencialmente, e novas surgiram até a conclusão da pesquisa, sugerindo que em duas semanas seu valor se tornaria compatível com o de outros cometas do sistema solar. “Interpretamos essas observações assumindo que os átomos de Ni I e Fe I foram liberados pela sublimação das carbonilas de Ni(CO)4 e Fe(CO)5, o que corrobora a presença dessas espécies no material cometário”.[8]

Treze outros astrofísicos relataram a espectroscopia de unidade de campo integral sensível ao azul do 3I/ATLAS a partir do Imageador Keck Cosmic Web montado no Keck-II em 24/08/2025. Eles apresentaram os perfis radiais da emissão de Ni e CN encontrando um raio de dobramento característico de 593,7 ± 14,8 km para Ni e 841,0 ± 15,4 km para CN. Ou seja, Ni tem um raio de dobramento característico ∼200 km mais curto do que CN. “Isso sugere que a emissão de Ni está mais centralmente concentrada no núcleo do cometa e favorece hipóteses envolvendo espécies facilmente dissociadas, como carbonilas metálicas ou moléculas de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos metálicos”. Também foram encontradas evidências de perfis assimétricos para as imagens de banda larga e de banda estreita de CN e Ni, com fluxos integrados mais brilhantes alinhados com a direção solar e antissolar. “Isso pode ser evidência de plumas de poeira relatadas anteriormente em 3I/ATLAS”.[9]

Quanto ao ferro, estes últimos também relataram que pouco viram, mas tinham a esperança de que a emissão de Fe fosse desencadeada em distâncias heliocêntricas mais próximas… Deduzimos que ninguém parecia confortável ao admitir a sublimação de um metal em regiões frias onde a luz solar quase se ausenta. Entretanto a explicação difícil de engolir era menos indigesta do que a hipótese de tecnologia extraterrena cruzando nosso espaço aéreo sem sequer nos cumprimentar. Aliás, sobre reações do 3I/ATLAS ao calor, o portal SpaceWeather previu que no dia 25/09/2025 o cometa viria a ser atingido por uma ejeção de massa coronal (CME), recebendo uma poderosa explosão de plasma e campos magnéticos do Sol. Isto de fato ocorreu, sem consequências significativas.[10]

Os cometas em geral costumam ser misturas de gelo e poeira refratária, com gelos de água (H2O), dióxido de carbono (CO2) e monóxido de carbono (CO) dominando o componente gelado. Entretanto, uma equipe de treze astrofísicos analisou algumas fotos do 3I/ATLAS tiradas em 06/08/2025 com uso do espectrógrafo do infravermelho próximo (NIRSpec) do James Webb Space Telescope (JWST), concluindo que a baixa abundância de H2O na coma do cometa é “possivelmente resultante da redução da penetração de calor através de uma crosta ou manto isolante anormalmente espesso”.[11]

Outros treze astrofísicos escreveram sobre o 3I/ATLAS, que “a ausência de uma coma de gás de água brilhante é intrigante”.[12] Os espavoridos fizeram muito barulho por isso, enquanto os comedidos se regozijaram ao ver uma ampla coma e uma pequena cauda em uma foto tirada com auxílio do telescópio Gemini South em 27/08/2025. Os novos registros foram capturados no Chile, onde fica a parte sul do Observatório Internacional Gemini, durante uma sessão remota com estudantes.[13] Conforme esperado, isso fechou os olhos de quem não quer ver sem solucionar o problema da composição do objeto.

3I/ATLAS, fotografado pelo instrumento NIRSpec do Telescópio Espacial James Webb em 6 de agosto de 2025, mostra uma coma estendida.

De fato, não faz muita diferença o tamanho do show de luzes bonitas. Importa a observação profissional, em ambiente menos tumultuoso, que constatou que o 3I/ATLAS tem uma razão CO2/H2O de 7,6±0,3, que é 18 vezes maior do que a média para outros cometas previamente observados à distâncias heliocêntricas semelhantes. Uma relação CO2/H2O tão alta nunca havia sido observada em qualquer outro cometa transitando entre rH = 3–4 UA. Embora todos concordassem que a grande predominância na liberação de gás CO2 “parece incomum”, foi sugerida a hipótese de que uma coma com tal composição química pode ser explicada pela origem do cometa: a modelagem dinâmica de uma população de objetos interestelares galácticos (ISOs) mostra que a alta velocidade do 3I/ATLAS é consistente com uma idade dinâmica relativamente grande, de 3 a 11 bilhões de anos. Essa idade, juntamente com sua trajetória, implica que o 3I/ATLAS pode ter se originado de um sistema estelar relativamente antigo e de baixa metalicidade, plausivelmente da população de “disco espesso” cinematicamente quente da Via Láctea.[14]

Martin Cordiner, astroquímico da Catholic University of America, concorda que o 3I/ATLAS pode ser um dos objetos mais antigos da galáxia, vindo de um aglomerado de estrelas com 8.000 milhões de anos, no centro galáctico.[15]

Em 13 e 14 de agosto de 2025 uma equipe de sete astrofísicos analisou imagens do HST (P.I.: D. Jewitt) e de dois telescópios de 2 metros, estando um no LCOGT em Siding Spring (coj, Austrália) e o outro no Observatório Haleakala (ogg, Havaí). Entre outras características, foi observado um leque de poeira com partículas de até 100 µm localizada a cerca de 18.500 km do fotocentro do cometa 3I/ATLAS. “Isso parece estar relacionado a uma ejeção anisotrópica de poeira em direção ao Sol, modulada pela insolação direta e pela pressão de radiação”.[16]

Em 26/08/2025 outra equipe de dez astrofísicos fotografou o 3I/ATLAS com o telescópio Lesedi de 1,0 m localizado em SAAO (África do Sul). Foi então constatado que 18 dias depois a nuvem de poeira não havia desaparecido, o que sugere que continha partículas maiores (dezenas de micrômetros de tamanho) formando “uma estrutura ativa significativa na direção do Sol, que se parece mais com atividade contínua do que apenas uma explosão em declínio”.[17] Imagens semelhantes relatadas no dia seguinte deixaram de exibir tal característica. Todavia fora do círculo científico esse invulgar evento de ejeção fez a alegria dos ufólitos internautas. Repentinamente um grande monte de gente noticiou a descoberta de um “objeto misterioso” saído do núcleo do 3I/ATLAS, que passou a voar à sua frente.[18] “Um módulo de exploração deixou a nave mãe”, diziam os alvoroçados. “Bolas de gelo seco podem desmanchar ao se aproximar do sol”, retrucavam os sensatos. Pessoas engajadas na difusão de desinformação e Fake News começaram a dizer que o 3I/ATLAS estava a ser seguido por um número variável de nove a setecentos e cinquenta e cinco objetos menores, e também que estava a pulsar uma vez a cada dezessete minutos ou que pulsou várias vezes comunicando os números de uma frequência Fibonacci.

Em 15/09/2025 um artigo jornalístico da fidedigna revista Forbes noticiou algo impressionante que eu não localizei em fontes originais:

O cometa interestelar 3I/ATLAS, um dos visitantes mais intrigantes de nosso sistema solar, continua surpreendendo a comunidade científica. Em sua jornada em direção ao ponto mais próximo do Sol, o objeto recentemente exibiu (…) uma dramática mudança na cor de sua coma, a grande atmosfera de gás e poeira que envolve seu núcleo. (…) Em uma das últimas observações, conduzida pelo astrônomo Michael Jäger durante um eclipse lunar, a coma do cometa, que antes refletia uma luz avermelhada, passou a emitir uma luz esverdeada. A hipótese mais aceita é que essa transição seja causada por um “aumento acentuado na produção de cianeto”, um químico que, junto com o níquel, está sendo liberado do núcleo do cometa à medida que ele se aquece.[19]

Embora não haja sido confirmada nenhuma tecnoassinatura no 3I/ATLAS, pode não ser inútil ponderar que Abraham Loeb calculou uma probabilidade, inferior a 40%, de que o objeto interestelar seja uma astronave disfarçada de cometa. Nesta hipótese poderia haver organismos respirando lá dentro, o que explicaria a emissão de 126 kg de CO2 por segundo (o dióxido de carbono corresponde a 87% da massa do 3I/ATLAS).

Estudos espectroscópicos iniciais classificaram o 3I/ATLAS como sendo um objeto avermelhado; no entanto, imagens capturadas em 07/09/2025 pelos astrônomos amadores Michael Jäger e Gerald Rhemann, notaram um aumento no brilho do cometa, sobretudo na parte verde do espectro visível. Alguns cientistas sugeriram que o efeito se deu por um pico repentino na quantidade de carbono diatômico, molécula que emite luz esverdeada quando recebe energia da radiação ultravioleta do Sol.[20] Outros atribuíram essa mudança ao aumento na produção de cianeto (CN), detectado pelo Very Large Telescope em 25//08/2025, com emissões de cerca de 20 gramas por segundo.[21] Internautas ufólitos sugeriram que a luz verde que acendeu foi uma tecnoassinatura, um sistema energético em funcionamento (como um farol ou um motor).

Foto do telescópio Gemini South.

            Cálculos de astrofísicos realizados com os dados disponíveis sugeriram que no dia 15/08/1977 o 3I/ATLAS estava a uma distância de 600 unidades astronômicas, voando a 19h40 de ascensão reta (que da 295º e declinação de – 19º). Neste dia ocorreu algo extraordinário muito próximo dali, a 19h25 de ascensão reta (que da 291º e declinação de – 27º). A chance de duas direções aleatórias no céu estarem alinhadas a esse nível é de cerca de 0,6%. Isso ensejou dúvida sobre se a passagem do o 3I/ATLAS teria qualquer relação com o evento que disparou o sinal “Wow!”, cujo ponto de emissão estava separado a cerca de 4º em ascensão reta e apenas 8º em declinação das coordenadas do cometa.

Talvez você, leitor, nunca tenha ouvido falar do sinal “Wow!” ou não esteja a par do debate a respeito de sua natureza incerta e não sabida. No dia 15/09/1977 o par de antenas Big Ear, do observatório da Universidade do Estado de Ohio, captou durante 72 segundos um sinal de rádio vindo da direção do céu onde fica a constelação de Sagitário. Foi Jerry Ehman, o astrônomo responsável por revisar os dados obtidos, quem notou algo bastante peculiar em uma das folhas. Uma inédita sequência de letras e números 6EQUJ5, que ele imediatamente destacou e reagiu escrevendo “Wow!” (uau em inglês).

Neste código alfanumérico os números, que variam de 1 a 9, indicam a intensidade do sinal com relação ao ruído de fundo. As letras continuam a escala. “A” corresponde às intensidades entre 10 e 11, “B” entre 11 e 12, enquanto o “U”, a maior intensidade medida pelo sinal, corresponde a valores entre 30 e 31 vezes maiores que o ruído de fundo.

No que diz respeito ao sinal 6EQUJ5, a intensidade máxima ter sido medida em cerca de 31 vezes o ruído de fundo é um forte indício de que ele não foi medido por acaso. E a duração dele de 72 segundos tem mais a ver com o próprio telescópio Big Ear do que com o sinal em si. Como o Big Ear foi construído com dois detectores, ele conseguia varrer duas regiões diferentes do espaço ao mesmo tempo. Só que, diferentemente de outros radiotelescópios, o Big Ear não podia controlar a sua posição totalmente. Ele apenas podia ajustar o seu ângulo de inclinação com relação ao horizonte. Então era literalmente a Terra girando que fazia o telescópio varrer o céu.

O que faz do sinal 6EQUJ5 tão interessante? Muito antes de tal evento o físico estadunidense Philip Morrison e o físico italiano Giuseppe Cocconi publicaram o artigo “Searching for Interstellar Communications” na revista Nature, edição de setembro de 1959. Este artigo é considerado um marco fundante na ciência da Busca por Inteligência Extraterrestre (SETI) pois especula como hipotéticas civilizações extraterrenas poderiam realizar a comunicação interestelar. Após descartar as opções complicadas os autores chegam à conclusão de que a maneira mais lógica da comunicação acontecer seria através de ondas eletromagnéticas. A frequência conhecida como a linha do hidrogênio, de aproximadamente 1.420,4 MHz, seria ideal para tal propósito pois fica no lugar perfeito do espectro para não interagir muito com a matéria do universo, permitindo que os sinais viagem por milhares de anos-luz. E sua tecnologia não é demasiadamente complexa. (Essa é a frequência produzida pelos átomos de hidrogênio neutros, e o hidrogênio é o elemento mais abundante do universo. Tal frequência é extremamente fácil de observar pelo universo porque não é bloqueada pelas nuvens de poeira entre estrelas).

Isto posto, importa ressaltar que a frequência do sinal “Wow?” foi de 1420,4556 MHz.[22] Conforme exposto, 1420,4556 MHz é tão perto da linha do hidrogênio, que fica por volta dos 1420,4 MHz, que essa pequena diferença nas casas depois da vírgula poderia ser explicada por blueshift ou desvio para o azul (um fenômeno relativístico que faz a luz aumentar de frequência quando a fonte está se movendo na nossa direção). Portanto, segundo Pedro Loss, este que ficou conhecido como sinal “Wow!” poderia ser nosso melhor candidato para a detecção de uma civilização extraterrestre até agora.[23] Mas logo apareceu Sérgio Sacani para jogar água fria.[24]

Ocorre que décadas passaram, o telescópio Big Ear foi desativado e o pessoal que guardou a papelada decidiu reabrir o caso procurando cadências compatíveis. Acharam mais duas, de menor intensidade. Onze astrofísicos disponibilizaram na internet um rascunho alegando que uma nova análise da sequência coerente diferente de ruído mostrou que o último sinal era mais forte do que se pensava. Estimativas anteriores colocavam entre 54 e 212 jansky. Agora sabemos que ele é de no mínimo 250 jansky. O sinal “Wow!” foi gerado por um evento astrofísico extremamente raro e incomum, mas extremamente poderoso. Foi um grande clarão ou um surto de super irradiância vindo de uma pequena nuvem de hidrogênio neutro e fria. Uma grande explosão em algum lugar do universo. Por exemplo: uma magnetar ou uma explosão de raios gama ou coisas do tipo. A onda dessa explosão acabou batendo em uma nuvem de hidrogênio neutro que amplificou o sinal criando um mazer (uma super irradiância) que veio parar aqui na Terra.

Os pesquisadores observaram eventos similares de outras nuvens, embora menos potentes. Portanto explosões que atravessam nuvens geram sinais parecidos. O problema são os 250 jansky. Essa potência do sinal ainda não foi explicada. Nenhuma nuvem gerou outro sinal tão intenso assim, vindo de uma fonte astrofísica muito distante.[25]

Resumindo: ninguém sabe o que aconteceu e falaram até em lentes gravitacionais de hidrogênio, mas eles acreditam que qualquer explicação é melhor do que homenzinhos verdes… Eu tenho outra hipótese: lá na Casa de Sagitário os pégasos tem uma palavra que significa “alerta de colisão”. Existe uma tecnologia planejada para não informar nada mais do que isso, como se fosse uma sirene. A intensidade do sinal de rádio indica a distância do perigo. Muito longe faz um sinal de baixa intensidade. Muito perto executa o mesmo sinal na mais alta intensidade possível, para deixar os receptores bem despertos. Quando a máquina fez 6EQUJ5 estava transitando, próximo aos operadores, o enorme 3I/ATLAS com seus quase 5,6 quilômetros e 33 bilhões de toneladas. Eles estavam berrando para o universo: “Cuidado! Cuidado! Saiam da frente! Lá vem pedrada!” E então aquele robusto corpo celeste seguiu seu caminho vindo de lá diretamente para cá.

Finalmente, talvez alguém possa questionar: será que o sinal “Wow!” foi emitido pelo próprio 3I/Atlas? Quase certamente não. Radiotelescópios não detectaram nenhum sinal de rádio vindo dele, agora que está muito próximo de nós.[26]

NOTAS

[1] COMET 3I/ATLAS. URL: <https://science.nasa.gov/solar-system/comets/3i-atlas/>.

[2] CLOETE, Richard, LOEB, Abraham e VEREŠ, Peter. Upper Limit on the Non-Gravitational Acceleration and Lower Limits on the Nucleus Mass and Diameter of 3I/ATLAS. Draft version 29/09/2025. URL: <https://arxiv.org/pdf/2509.21408>; SCHWARZA. O 3I/ATLAS pode ter 33 bilhões de toneladas. Publicado pelo autor em seu perfil do Instagram (schwarza79) em 27/09/2025. URL: <https://www.instagram.com/reel/DPCrzDFDRMi/>.

[3] KETO, Eric e LOEB, Abraham. The Physics of Cometary Anti-tails as Observed in 3I/ATLAS. Draft version 10/09/2025. URL: <https://arxiv.org/pdf/2509.07771>.

[4] GEMINI SOUTH CAPTURES GROWING TAIL OF INTERSTELLAR COMET 3I/ATLAS DURING EDUCATIONAL OBSERVING PROGRAM. Em: NOIR Lab. Posto online em 04/09/2025. URL: <https://noirlab.edu/public/news/noirlab2525/>.

[5] LOEB, Abraham. A Recap of the Anomalies of 3I/ATLAS on the Day of Its Closest Approach to Mars. Em: Medium. Posto online em 03/10/2025. URL: <https://avi-loeb.medium.com/a-recap-of-the-anomalies-of-3i-atlas-on-the-day-of-its-closest-approach-to-mars-6c2949fb16ab>.

[6] SCHWARZA. 3I/ATLAS viola leis da física – drones invadem Alemanha – metano em mundo além de plutão. Em: Canal do Schwarza, no YouTube. Posto online em 01/10/2025. URL: <https://www.youtube.com/watch?v=I4XQfka580k>.

[7] RAHATGAONKAR, Rohan e outros. VLT observations of interstellar comet 3I/ATLAS II. From quiescence to glow: Dramatic rise of Ni I emission and incipient CN outgassing at large heliocentric distances. Draft version 27/08/2025. URL: <https://arxiv.org/pdf/2508.18382>.

[8] HUTSEMÉKERS, Damien. Extreme NiI/FeI abundance ratio in the coma of the interstellar comet 3I/ATLAS. Astronomy & Astrophysics manuscript no. feni_3I ©ESO 2025. Concluído em 01/10/2025. URL: <https://arxiv.org/pdf/2509.26053>.

[9] HOOGENDAM, W. B. e outros. Spatial Profiles of 3I/ATLAS CN and Ni Outgassing from Keck/KCWI Integral Field Spectroscopy. Version October 15, 2025. URL: <https://arxiv.org/pdf/2510.11779>.

[10] NOGUEIRA, Pablo. Cometa interestelar sobrevive à explosão do Sol. Em: Giz_BR. Posto online em 01/10/2025. URL: <https://gizmodo.uol.com.br/cometa-interestelar-sobrevive-a-explosao-do-sol/>.

[11] CORDINER, Martin A. e outros. JWST detection of a carbon dioxide dominated gas coma surrounding interstellar object 3I/ATLAS. Draft version September 11, 2025, p 8. URL: <CO2 – 2: https://arxiv.org/pdf/2508.18209>.

[12] LISSE, C. M. e outros. SPHEREx Discovery of Strong Water Ice Absorption and an Extended Carbon Dioxide Coma in 3I/ATLAS, p 3. URL: <https://arxiv.org/pdf/2508.15469>.

[13] BRAZ, Gabriella. Telescópio capta novas imagens do 3I/ATLAS, o cometa “mais estranho do universo”. Em: Correio Braziliense. Posto online em 07/09/2025 21:33. URL: <https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2025/09/7243443-telescopio-capta-novas-imagens-do-3i-atlas-o-cometa-mais-estranho-do-universo.html>.

[14] CORDINER, Martin A. e outros. JWST detection of a carbon dioxide dominated gas coma surrounding interstellar object 3I/ATLAS. Draft version September 11, 2025. URL: <CO2 – 2: https://arxiv.org/pdf/2508.18209>.

[15] ANDREWS, Robin George. Este cometa interestelar poderá ser um dos objectos mais antigos de toda a galáxia. Em: National Geographic Portugal. Posto online em 15/09/2025 – 14h35. URL: <https://www.nationalgeographic.pt/ciencia/este-cometa-interestelar-podera-ser-objectos-mais-antigos-toda-galaxia_6373>.

[16] OLDANI, Virginio e outros. Fan-shaped dust emission from the nucleus of comet 3I. Posto online no Telegram em 22/08/2025. URL: <https://www.astronomerstelegram.org/?read=17350>.

[17] IVANOVA, Oleksandra. Follow-up observations of the dust fan ejected from interstellar comet 3I/ATLAS. Publicado no Telegram em 05/09/2025. URL: <https://www.astronomerstelegram.org/?read=17372>.

[18] TELESCÓPIO CAPTURA OBJETO SAINDO DO 3I/ATLAS. Em: Canal Mistérios do Espaço no YouTube. Posto online em 20/09/2025. URL: <https://www.youtube.com/watch?v=jVXQrIgzXxU>.

[19] REDAÇÃO FORBES BRASIL. Objeto Misterioso Que se Dirige Ao Sistema Solar Está Mudando de Cor. Posto online em 15/09/2025. URL: <https://forbes.com.br/forbes-tech/2025/09/objeto-misterioso-que-se-dirige-ao-sistema-solar-esta-mudando-de-cor/>.

[20] NOGUEIRA, Pablo. Cometa interestelar sobrevive à explosão do Sol. Em: Giz_BR. Posto online em 01/10/2025. URL: <https://gizmodo.uol.com.br/cometa-interestelar-sobrevive-a-explosao-do-sol/>.

[21] GUIA ESPACIAL. Comunidade científica em pânico, o 3I/Atlas ficou verde! URL: <https://www.facebook.com/photo/?fbid=714547001637002&set=a.119563527802022>. Publicado no Facebook em 11/09/2025.

[22] Uma carta enviada por John Krauss, diretor do Big Ear, para o Carl Sagan em 1994, indicou 1420,3556 MHz. Mas em 1998, o próprio Jerry Ehman recalculou o valor da frequência levando em conta um erro na construção do telescópio.

[23] LOSS, Pedro. O mistério do sinal Wow. Em: Ciência Todo Dia, canal do YouTube. Posto online em 18/05/2023. URL: <https://www.youtube.com/watch?v=mREqChj1q_A&t=529s>.

[24] SACANI, Sérgio. A verdadeira origem do sinal wow: não eram aliens, mas era algo incrível!!! Em: SpaceToday, canal do YouTube. URL: <https://www.youtube.com/watch?v=GNPI2I2gwKk>. Posto online em 31/09/2025.

[25] MÉNDEZ, Abel e outros. Arecibo Wow! II: Revised Properties of the Wow! Signal from Archival Ohio SETI Data. Draft version August 15, 2025. URL: <https://arxiv.org/pdf/2508.10657>.

[26] LOEB, Avi. Was the “Wow! Signal” Emitted from 3I/ATLAS? Posto online em 28/09/2025. URL: <https://avi-loeb.medium.com/was-the-wow-signal-emitted-from-3i-atlas-d18d4f0d1f1e>.

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