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por Arthur Moros
A escolha de adentrar a corrente da divindade Saturnina deve ser considerada com muito cuidado. Todo texto da Antiguidade e da Idade Média, independentemente da cultura, traz advertências sobre lidar com o Senhor do Cubo Negro. Isso não é um acidente, tampouco coincidência. A divindade Saturnina é perigosa e caprichosa. Se formos seguir a tradição, atrair deliberadamente Sua atenção sem realizar as oferendas apropriadas e demonstrar o devido respeito é um convite aberto a ferimentos, doenças e morte. Se não fosse o caso, é improvável que houvesse tantos autores e histórias inteiras servindo como alertas contra o culto do deus negro.
Ainda assim, existe, sem dúvida, uma corrente Saturnina, um sistema de práxis que conduz a uma gnose mais sombria e a percepções que fluem dessa divindade. Os mesmos textos que advertem contra Saturno também fornecem instruções sobre como contatá-lo. Nenhum deles oferece orientações explícitas sobre como ingressar na corrente, além de sugerir diversas operações para invocar (ou evocar) Saturno. Mesmo a história hindu do rei Safnadula é curiosamente desprovida de sacerdotes ou brâmanes — o “homem escuro” (claramente Saturno) simplesmente instrui o rei sobre os detalhes do puja, que o rei realiza por conta própria.
Atenção: o deus do Cubo Negro é uma divindade potencialmente perigosa com quem se envolver, mas escolher deliberadamente defender Sua causa equivale a declarar guerra contra os poderes espirituais que o aprisionaram ou exilaram. Saturno também não deve ser visto como uma divindade protetora, pois Ele próprio já é um poder marginalizado. Em outras palavras, o caminho Saturnino — se é que podemos chamá-lo assim — não pode ser um caminho de facilidades, pois trata-se da rejeição deliberada da ordem cósmica dominante. Ainda assim, a causa Saturnina não é desesperançosa, longe disso. Os astecas tinham Saturno em alta estima a ponto de entronizá-lo como chefe dos deuses, e tanto a tradição indiana quanto o Vodou continuam a venerar Śani e Samedi; romanos e gregos realizavam festivais anuais para aplacar Saturno e Cronos. Ibn Wahshiyya adverte seu leitor de que todos sofrem quando a estrela de Zuhal cruza seu caminho. Poucas tradições sequer imaginam que Ele possa ser morto, pois quem poderia matar o Tempo ou o Caos? Não — a divindade Saturnina era temida, e por ser temida, era apaziguada. Isso provavelmente se deve ao fato de que as culturas que O conheciam previam a possibilidade de Sua ascensão ao domínio. Se os próprios deuses podem ser derrubados, então é possível que Júpiter ou Surya fossem substituídos pelo deus mutilado — e isso seria um dia muito sombrio para aqueles que não Lhe mostraram o devido respeito. A causa Saturnina pode ser vista como um azarão, mas é certo que esse azarão está na corrida.
Saturno, de fato, parece ter não apenas um culto moderno estabelecido na Índia e também no Haiti, mas muitos teóricos sugerem que o culto romano de Saturno sobrevive até hoje, escondido por operar abertamente. Uma busca contemporânea no Google (em 2016) por termos como “culto + Saturno” revela uma grande quantidade de sites, vídeos e até livros sobre a “Conspiração de Saturno”, “Culto da Morte de Saturno” ou outros movimentos relacionados. Tais ligações associam Saturno a assassinatos ritualísticos ocultistas, conspirações governamentais e até abduções alienígenas. Embora a internet deva ser usada com discernimento, torna-se claro que muitas pessoas estão convencidas de que existe um culto Saturnino real que detém considerável influência nos assuntos internacionais, e que sua orientação geral é profundamente sinistra. Pode-se facilmente ser tentado a descartar tudo isso como teoria da conspiração descabida — o que talvez seja mesmo. Dito isso, após revisar as tradições acadêmicas sobre Saturno, é difícil imaginar que tal movimento contrarie o caráter da divindade como retratada pelas culturas antigas. Dado o culto internacional amplamente difundido de Saturno, Ele se torna um tema muito conveniente para a figura de uma divindade sombria pronta para um retorno ao poder político e cultural. As associações com a Kaaba, especialmente, tornam até o Islã uma possível extensão da corrente Saturnina.
Também é importante observar que, em termos de tradições esotéricas, Saturno continuou a exercer um apelo particular entre magos não apenas na Índia e no Caribe, mas também na Europa continental. Por exemplo, o início do século XX viu o surgimento de uma sociedade thelêmica alemã chamada Fraternitas Saturni (a Irmandade de Saturno). Esta loja em particular continua ativa até hoje e recebeu certa atenção acadêmica. Acredita-se que a natureza “Saturnina” da loja seja mais uma questão de essência do que de vínculo direto com a divindade.
Símbolo da Fraternitas Saturni
A Ordem dos Nove Ângulos (ONA), uma tradição hermética profundamente antinômica surgida no final do século XX na Inglaterra, também utilizou Saturno como símbolo “acausal”. Eles associaram o planeta a forças obscuras e sugeriram que um “portal estelar” poderia ser encontrado nas proximidades de Saturno. A ordem também conecta algumas de suas entidades espirituais mais importantes ao planeta. A ONA e a Fraternitas Saturni são apenas dois exemplos de correntes esotéricas recentes que reconhecem Saturno, ao menos tacitamente, como símbolo de uma energia espiritual sombria (ou gnose) que suas tradições buscam incorporar. Ambas servem como exemplos de como a corrente Saturnina se diversificou e adaptou para sobreviver nos tempos recentes.
Quais são, então, as características distintivas do verdadeiro caminho Saturnino?
O caminho Saturnino contemporâneo, conforme definido por esta obra, baseia-se largamente nas tradições Saturninas da Antiguidade. Reconhece que Saturno (sob qualquer nome) é uma inteligência planetária, uma divindade ligada ao cosmos, mas originária do Caos primordial negro que antecede a criação. O caminho aceita que, sendo hostil aos demais poderes do cosmos, esta divindade se opõe à vontade deles, razão pela qual foi mutilada e exilada, acorrentada para reinar sobre alguma dimensão negra simbolizada por seu planeta, pelo Tártaro, e também pelo Cubo Negro. Como evidenciam as muitas mitologias em que a divindade Saturnina aparece, Saturno busca e aceita o serviço daqueles que estejam dispostos a se comprometer com Sua causa. Embora a divindade esteja aprisionada, por meio da agência humana e das operações corretas, Sua energia e essência (gnose) podem fluir de volta a este mundo, criando condições que facilitam Sua manifestação mais constante. O Regna Saturnia, o regime Saturnino, não é um modelo político teórico — é um estado real de harmonia política e social alcançado quando a humanidade renuncia às próprias ambições e desejos egoístas, abandonando o antropocentrismo e o egoísmo, e abraçando a soberania do Caos. Isso já foi visto antes durante o império asteca, e também nos primeiros dias da Roma pré-República. Estes foram verdadeiros reinos Saturninos na Terra e pareciam ter prosperado por séculos, antes que outros poderes espirituais os suplantassem.
Já lemos bastante sobre as virtudes e os poderes do deus negro. A divindade Saturnina não é uma divindade de força bruta, mas de sutileza e astúcia. Sua revolução não será realizada por meio das armas, mas sim através dos planos espirituais, bem como pelos corredores silenciosos do poder. Saturno é o deus do mistério, da intriga, da furtividade, dos segredos e da malícia. Um reino Saturnino atual poderia, por exemplo, se manifestar como um Estado poderoso onde há câmeras em todos os cômodos, vigias em todas as ruas, e onde as pessoas abriram mão alegremente de suas liberdades civis e dignidade em troca de segurança. Colocado assim, não parece tão improvável. Da mesma forma, poderia se manifestar como anarquia total, com a dissolução dos poderes civis e um retorno ao modo de vida tribal ou feudal. Isso também pode ser visto hoje no Oriente Próximo. Um reino Saturnino não precisa necessariamente ter templos abertos dedicados a Saturno — é mais provável que estejam escondidos, mantidos em segredo e abertos apenas aos iniciados da fraternidade Saturnina. Pessoas que trabalham rumo a qualquer um desses extremos são exemplos igualmente válidos de acólitos Saturninos.
Uma pessoa pode ser atraída ao culto Saturnino por:
● Sentir uma conexão inata com o Cubo Negro.
● Buscar uma tradição espiritual que seja, em grande parte, auto-iniciática, mas com raízes históricas.
● Sofrer de depressão ou doença e desejar trabalhar com isso, em vez de contra isso.
● Ter curiosidade sobre o mundo oculto ao redor e desejar trabalhar com uma divindade que concede o dom da revelação.
● Ter sido injustiçado, ferido, mutilado, e desejar trabalhar com uma divindade que ressoe com essas características.
● Sentir-se marginalizado e em posição liminar.
● Ser um criminoso ou desejar se envolver com atividades ilegais, sentindo a necessidade de um patrono espiritual.
Quais bênçãos a divindade Saturnina concede aos seus acólitos?
Primeiramente, a iniciação na corrente do Cubo Negro traz a gnose — o conhecimento místico que flui da divindade. Em segundo lugar, os iniciados da corrente são capazes de canalizar o poder do Cubo Negro e suas emanações para realizar magia Saturnina.
Gnose Saturnina
Logo após vivenciar a iniciação, o iniciado Saturnino começa a experimentar o fluxo sutil e silencioso de percepções e sussurros que gotejam a partir do Cubo Negro. A gnose negra dessa divindade é uma bênção ambígua. De fato, como patrono dos segredos, da intriga e das coisas ocultas, Saturno permite que se percebam verdades sobre si mesmo, sobre os outros e sobre situações complexas. Saturno concede sabedoria e discernimento, e o acólito que carrega a gnose negra torna-se consciente de influências sociais e místicas em sua comunidade e arredores que antes não eram evidentes. Tensões no ambiente de trabalho tornam-se subitamente mais claras, e suas causas, transparentes. A gnose negra também torna visíveis energias e entidades espirituais que antes passavam despercebidas. O devoto percebe que seus instintos se aguçam e, embora não se torne exatamente mais carismático, passa a lidar melhor com colegas e superiores ao entender com mais clareza os interesses e objetivos ocultos dessas pessoas. Conversas não ditas tornam-se audíveis, facilitando o avanço na carreira. O acólito torna-se especialmente sensível a energias nocivas, sejam mundanas ou sobrenaturais, e por estar atento, é mais capaz de se proteger contra elas. O iniciado Saturnino também nota melhoria em suas habilidades esotéricas: adivinhações e malefícios tornam-se mais fáceis, assim como magia relacionada aos mortos. Por fim, a gnose negra de Saturno é dita trazer certa dose de boa sorte, mas mais importante ainda, ajuda a mitigar qualquer tipo de má sorte.
Existe, contudo, um lado negativo em carregar a gnose Saturnina, e o leitor provavelmente já o antevia desde o primeiro capítulo. A gnose negra é incrivelmente pesada (tamásica) em termos de ressonância, e carrega consigo a essência da divindade fria e sombria. Saturno é um planeta maléfico, e sua gnose, segundo os antigos, traz tristeza, depressão, ressentimento e desconfiança. O acólito Saturnino pode ter sucesso no trabalho, mas os amigos começam a parecer suspeitos. As falhas no parceiro amoroso tornam-se mais nítidas, como se o devoto as visse pela primeira vez. Saturno é uma divindade mutilada, e sua gnose pode se provar difícil para a constituição do portador — feridas antigas podem se reabrir, ou a fadiga e o mal-estar podem tornar-se problemas crônicos. Através da gnose negra, alguém pode avançar rapidamente no trabalho, mas destruir amizades no processo. Iniciados podem descobrir que a riqueza chega com facilidade, mas tornam-se mesquinhos, ferindo amigos e entes queridos por um novo egoísmo. Por fim, o acólito pode oscilar entre o desprezo carnavalesco pelas regras ou, se estiver em posição de poder, tornar-se uma espécie de ditador cruel. Deve-se tomar cuidado para que, ao cultivar uma ressonância Saturnina, não se destrua tudo de bom que se atraiu.
Dito isso, a tradição mostra que os aspectos negativos da gnose negra podem ser mitigados por meio da devoção. A Seção Três desta obra abordará algumas práticas simples e sustentáveis que o acólito pode adotar para evitar os piores efeitos da ressonância Saturnina.
Magia Saturnina
É evidente, tanto na tradição viva atual quanto nos registros históricos, que a divindade saturnina é considerada patrona da feitiçaria e de outras artes secretas, como a espionagem e o envenenamento. Todos os registros indicam que Saturno não é uma divindade benevolente, e pouquíssimas pessoas recorrem a Ele em assuntos leves ou triviais. Saturno não é um deus clássico da cura, nem do carisma, ou de outras funções solares. Os feitiços que O invocam, na tradição medieval, são de dois tipos: para ferir alguém ou para contatar os mortos. Ambos são exemplos muito válidos da função mágica saturnina.
No entanto, a tradição clássica mais ampla, assim como as tradições vivas modernas, são um pouco mais ambiciosas em relação a Ele. Embora Saturno não seja um deus da cura em si, pode ser invocado para remover doenças. Ele é um deus da contenção, e por isso Seu poder pode atuar na interrupção (ou no retardamento) de doenças como câncer ou Alzheimer.
Apesar de exilado e evitado pelas outras divindades, uma das virtudes de Saturno é um certo grau de influência e poder sobre os demais deuses. De certa forma, Ele é capaz de usurpar as virtudes alheias em prol de Seus próprios objetivos. Por essa razão, tanto os cultos islâmicos quanto os indianos afirmam que, quando um planeta específico falha em atender a um pedido, é possível levar esse pedido a Saturno. Superficialmente, isso parece maravilhoso, como se Saturno fosse uma divindade curinga. Mas essa seria uma má compreensão da tradição, pois o brilho de Saturno distorce o poder dos outros planetas.
Um exemplo pode ajudar aqui: suponha que um comerciante precise de capital para uma oportunidade urgente de negócios. Ele apela ao Sol ou a Mercúrio, mas essas operações falham. Em desespero e com o tempo se esgotando, o magista apresenta o pedido a Saturno. Um dia depois, o magista descobre que um parente faleceu e lhe deixou uma herança.
Outro exemplo: um acólito está apaixonado por um colega de trabalho. Ele ou ela tenta uma operação venusiana, que não tem sucesso. Então apresenta o pedido a Saturno. A operação funciona, e o colega se apaixona. No entanto, o acólito descobre que o colega tem problemas emocionais que, inexplicavelmente, foram agravados, e logo deseja nunca ter feito o ritual.
O ponto aqui não é desencorajar o uso da magia saturnina, mas ilustrar que é preciso cautela ao usar o poder de Saturno como um “grande porrete”. Se não fosse assim, os avisos nesse sentido não se repetiriam nas diversas tradições.
Segue-se um exemplo final, que é uma história real conhecida do autor. Um jovem magista universitário começou a cultivar devoção a Saturno e decidiu experimentar o desenvolvimento da “segunda visão”. Compreendendo que Saturno é um deus do véu e do desvelar, o magista realizou uma operação saturnina para abrir o terceiro olho e perceber o mundo espiritual com mais clareza. O ritual não teve efeitos imediatos, mas então o magista começou a perceber espíritos próximos à noite, frequentemente na hora de dormir. Infelizmente, o trabalho saturnino contínuo passou a atrair entidades ctônicas e malévolas, que apareciam repentinamente e depois desapareciam após alguns instantes. A condição nunca cessou, deixando o magista com crises exaustivas de insônia.
Sangue para o Ceifador
Um dos aspectos universais do culto histórico e moderno do Cubo Negro é o sacrifício de seres vivos, animais e humanos. Nos tempos antigos, os autores dos textos saturninos escreveram que animais negros deveriam ser oferecidos a Saturno, o que indica Sua natureza ctônica. Animais negros só eram oferecidos a deuses ou espíritos do submundo, como Plutão, Hécate ou Yama, o que já diz muito sobre a divindade saturnina como deus da morte.
Sabemos também que o culto norte-africano, que adorava Saturno como “Baal Haamon”, teria praticado sacrifícios humanos por imolação; os romanos o faziam por meio dos jogos de gladiadores, e Macróbio afirma que também se realizava por meio da execução ritual de criminosos antes do surgimento da República. Culturas antigas como os vikings e os celtas são famosas por suas práticas de sacrifício animal e humano, e até mesmo a comunhão semanal cristã (ou Eucaristia) é muito possivelmente um rito sacrificial romanizado baseado no culto saturnino, em que o vinho substitui o sangue, tal como ocorria em ritos fúnebres durante o período imperial.
De maneira semelhante, quando Tezcatlipoca era a principal divindade do império asteca, corações humanos eram retirados e oferecidos a Ele diariamente.
Tudo isso serve para mostrar que Saturno é o Ceifador, e Seu culto exige a morte — ou, no mínimo, o sangue — de seres vivos. O sacrifício de animais continua até hoje, na Índia e no Caribe, onde Lord Śani e Barão Samedi, respectivamente, recebem o sangue de animais como parte do culto saturnino moderno.
O sangue é poder, e o sangue faz barulho no mundo espiritual. O sacrifício de sangue fez parte da adoração na maioria das antigas tradições religiosas do mundo. De fato, o hinduísmo (em parte) e o islamismo mantêm o sacrifício de sangue como prática obrigatória anual. Todas as religiões tradicionais africanas e afrocentradas, como o Candomblé e o Vodou, praticam o sacrifício animal. Até mesmo no Hajj, a grande peregrinação que sobrevive desde os tempos pré-islâmicos, um animal é sacrificado ao Senhor do Cubo Negro — entendido hoje como Alá, mas conhecido em tempos antigos como Dahr, o deus árabe do tempo. Em outras palavras, o ritual muçulmano moderno do Eid el Kbir é um rito islâmico contemporâneo baseado em um antigo ritual saturnino.
A aversão moderna do ocultista ao sangue é algo estranho, e é difícil rastrear sua origem para antes do início do século XX. A explicação mais provável é que, à medida que o Ocidente cristão abandonou o sacrifício na Idade Média, passou a vê-lo como uma prática “bárbara”, realizada apenas nas terras coloniais do Oriente, como a África e a Índia. O sacrifício não era visto como uma prática “branca” ou “civilizada”. Como o ocultismo, da forma como é praticado hoje, é predominantemente europeu, as tradições antigas foram revividas de maneira incompleta.
O sacrifício, evidente nos textos, teve que ser retirado, e assim muitos ocultistas contemporâneos tentam descartá-lo como algo “simbólico”, embora curiosamente mantenham que os deuses são reais. Isso levou a sistemas ocultistas atuais que reivindicam legitimidade com base em seu conhecimento da tradição, enquanto paradoxalmente se abstêm (ou pior, ridicularizam) da prática do sacrifício de sangue. Essa atitude de ridicularizar o sacrifício vem inteiramente do movimento missionário católico e protestante, e é lamentável que ocultistas modernos tenham mantido essas ideias cristãs coloniais em suas práticas.
Não há espaço para o ocultista “colonial respeitável” no movimento saturnino.
Se alguém deseja se aproximar da divindade saturnina, deve estar ciente de que este não é um culto isento de sangue. Saturno espera e exige sangue — não há relato documentado de qualquer culto saturnino genuíno sem o sacrifício de vida. Saturno é um aspecto do Caos divino, que antecede a vida como a entendemos, e que eventualmente a consumirá por completo. O sacrifício é uma forma de devolver a vida a Saturno e, por meio Dele, ao Caos.
O sacrifício de sangue é simbólico (de devoção e fé), mas também é um ato mágico muito real.
[Imagem: Saturno, gravura de Jacob Matham, baseada em Hendrik Goltzius]
Dito isso, se alguém sente uma forte aversão a oferecer a vida de outro ser, isso não precisa ser uma barreira em si para o culto saturnino. Muitos devotos na Índia hoje não oferecem sangue diretamente (embora os templos possam fazê-lo), e há, portanto, precedentes para se aproximar de Saturno sem derramamento pessoal de sangue.
Nesse caso, recomenda-se ao acólito que siga o costume romano de oferecer uma pequena porção de seu próprio sangue, misturada com uma porção maior de vinho tinto. Contudo, na visão do autor, essa abordagem “higienizada” também reduz o efeito e o poder do ritual e, consequentemente, a resposta e o fluxo reverso de poder ao iniciado.
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