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Magia do Caos Pop Magic

Simplesmente. Pura magia. Porra.

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Autoria: Arjil (Ryan James Loyd),
Tradução: Nebula Magi

Notas do tradutor: Este texto, assim como seu autor, Arjil, na minha opinião, representa um dos pilares do movimento contemporâneo da pós-magia do caos. Ele se alinha a algumas figuras centrais como Alan Chapman (autor de Magia Avançada para Iniciantes, publicado no Brasil pela Editora Palimpsestus) e Jan Fries (autor de Magicka Visual, lançado no Brasil pela Penumbra Livros).

Arjil também teve um impacto profundo nesta vertente como um dos fundadores da DKMU (Domus Kaotica Marauders Underground) e pela criação do LS (Linking Sigil ou Sigilo de Ligação), uma das ferramentas mais influentes da magia contemporânea.

A versão original deste ensaio em inglês e de outros trabalhos de sua autoria podem ser encontrados em seu blog oficial: https://storytellerway.com.

Em conversa direta com o autor sobre esta tradução, optamos por uma abordagem de equivalência cultural. O texto original de Arjil é intencionalmente cru, recheado de termos espontâneos e gírias/expressões que refletem o estilo educativo bem-humorado e o desabafo espontâneo e carregado desse texto.

Então, em vez de manter estrangeirismos misturados no português ou realizar uma tradução literal e fria, decidimos utilizar uma linguagem que tente ressoar com o “sentido” do texto original. O objetivo desta tradução é preservar a imediatez e a versatilidade do original, tentando trazer o mesmo “impacto visceral” que vem do original por o autor escrever de forma tão espontânea, pura, e sincera sobre a magia.


Simplesmente. Pura magia. Porra.

Esta é uma carta que escrevi sobre o que penso a respeito da prática da magia – eu costumo guardar tudo isso para mim por medo de me tornar um pária, mas, refletindo bem, eu não estou nem aí. Estas são coisas que eu sei, são a minha experiência, então vou compartilhá-las:

Tem uma corrente dentro do ocultismo que é, em grande maioria, ignorada, abusada e odiada, e francamente, eu nem tenho certeza que eu consigo falar sobre, sem parecer um lunático, então, sabe todos aqueles dos piores trolls de internet: Os Altos Arquimagos mandachuvas da feitiçaria, os furries raposa draconatos élficos, as deusas astrais portadoras da excalibur, as pessoas que pensam que são rainhas das fadas, os grandes lordes demônios, aquelas pessoas que levaram D&D e contos de fada a sério até demais?

Pois é, muita vergonha alheia rolando ali

Mas, se você conseguir passar por toda a porcaria, todas essas pessoas compartilham do mesmo Ímpeto, todas elas estão procurando a mesma coisa, essas vozes mais altas, normalmente sendo instáveis e completamente desprovidas de habilidades sociais e completamente perdidas nas suas próprias mitologias pessoais, acabaram colocando uma mancha inegável em qualquer coisa que se quer se assemelha com oque eles estavam procurando..

Eu sei disso porque compartilho aquele mesmo Ímpeto
Eu entendo.
Eu simplesmente me dei ao trabalho de não ser um idiota sobre isso na maior parte do tempo.

Eu acho que muitas pessoas, se não a maioria de nós começou com aquele Impeto, mas encontrando a comunidade de ocultismo os “bem ajustados” entre nós decidem: “bom, obviamente já que todo mundo pensa que isso é só besteira de criança, então deve ser mesmo” e abandonam a ideia.

Ou se eles ainda nutrem esse ímpeto, mas tem senso o suficiente para ficarem de bico calado sobre isso.

Ou eles escolhem um dos sistemas, como a brigada pagã fofinha, que fingem saber tudo sobre o assunto e que tornam tudo seguro e feliz.

Ou dão eles as costas com um sentimento de traição e decidem que não existe ‘Magia’ nesse sentido – que é tudo truque psicológico – e passam a desprezar qualquer um que ouse acreditar em algo que não possa ser medido com uma régua.

Então qual é o ponto de tudo isso?

Eu aprendi a usar a linguagem dos sistemas ocultistas modernos e dos seus paradigmas, energias, elementos, programas, nexions, funções de onda, etc. etc., mas não é realmente isso o que eu faço.

Eu simplesmente uso magia-

Como aquilo em que as pessoas acreditam quando são crianças.

A história toda não importa muito, mas em algum momento do caminho eu decidi:

A) Tudo o que descobri sobre o ocultismo é chato, água com açúcar e sem imaginação; não ressoa com o que sinto no coração ser verdade e, honestamente, nem parece tão ‘mágico’ assim.

B) Alguém teve que ser o primeiro a levantar os dedos peludos de primata do chão e decidir que podia usar magia.

E C) Crianças no mundo todo brincam com jogos de imaginação muito estranhos e usam naturalmente suas bizarras ‘magias de criança’ o tempo todo – até que isso seja Espremido delas por volta do ensino fundamental.

Tenho certeza de que isso é tecnicamente uma lógica falha, mas me acompanhe-
Qualquer outro animal jovem no mundo (bem, mamíferos e alguns pássaros, pelo menos) brinca instintivamente com as habilidades de que precisará mais tarde na vida. Vou te poupar da lista, mas pense nisso por um segundo, e eles fazem.

Então, por que a prevalência de crianças humanas andando por aí em realidades imaginárias, fazendo aquelas magias bizarras de criança (vacinas contra toque do bicho, cânticos, rituais bizarros para manter o monstro do armário longe, quebra de maldição, segurar a respiração para o trovão não te pegar, etc.? Sem mencionar que um graveto pode ser, conforme a vontade dele, uma espada, uma arma, uma varinha, um graveto nojento da perdição eterna, o que for) – todas essas coisas que, no mundo adulto normal, realmente parecem não ter função prática de sobrevivência nenhuma?

Certo ou errado, falácia lógica ou não, eu me perguntei oque ia acontecer se você pegasse a mesma força espiritual, energia, gnose, qualquer caralho de coisa que as pessoas usam nos seus trabalhos mágicos, e aplica se com o mesmo nível de dedicação àquelas crenças e habilidades aparentemente inúteis praticadas pelas crianças – com um olhar crítico para as teorias ocultistas mais difundidas – e as escalonasse para uma experiência adulta funcional.

Além de ‘isso funcionou’, não sei o que mais dizer sobre isso.
Eu acho que encontrei o Ímpeto que mantém os trolls à espreita…, e que mantém aquela suspeita no fundo da mente das pessoas de que o mundo do ocultismo – a magia em si – deveria ser mais parecida com o que pensávamos que seria quando éramos crianças.

Teve mais falhas e bobices do que eu gostaria de contemplar, e passamos um tempo aparentemente interminável correndo pela floresta fazendo de conta(nós sabíamos que estávamos fingindo, mas tínhamos que dar uns passos para trás antes de podermos ir para frente). O que eu pareço ter descoberto é tipo uma… realidade multifacetada na qual todos existimos, que possui alguma medida de ‘Real’ para um valor subjetivo de ‘Realidade’; um meio de influenciar e mudar essa realidade aparentemente em um nível quântico; e uma Força semi-senciente, talvez, que não é um deus (embora possa ser uma função de DEUS, ou do É, se você me entende), que traz a sensação de como a ideia de magia parecia há tanto tempo atrás.

Tem a mesma sensação que todo conto de fadas, livro de fantasia, filme ou música que inspira as pessoas em direção à magia; aqueles que você experiencia e que fazem você dizer ‘Sim!’ e desejar que o mundo não fosse tão fudidamente mundano.

Magia.

Não trabalho energético, não entropia sistêmica, não elementos, não deidade interseccional, ou psicologia, nem truques, nem filosofia inflada, e nem religião

Simplesmente. Pura magia. Porra.

Tem sido minha experiência que todos os resultados reais e registráveis, independentemente do paradigma, e as pessoas que são validamente bem-sucedidas, conectam-se a essa ‘corrente na realidade’ através de quaisquer meios que elas acontecem por usar.

Como funciona? É Magia.

Como você faz isso?- use a sua imaginação, é Magia;

Você não pode fazer isso- por que não?, é magia porra…

Eu postulo, senhoras e senhores, que essa é de fato a raiz do ocultismo, É o’que todos os sistemas, e dogmas, e até aqueles que idiotas que “piraram de vez” tentaram explicar, e na tentativa, assim como as palavras de todo profeta que já existiu – eles pegaram algo realmente simples e o tornaram tão complexo que você mal consegue encontrar o sentido mais.

Todo sistema, todo paradigma, toda filosofia oculta que já estudei ou tentei – cada um deles, no fim, provou ser pesado e sem sentido.

Sim todos funcionam, todos eles, qualquer um deles, inventa qualquer m*rda, e isso funciona-

Porque é magia.

É fácil descobrir como usar ela?
Não.

É fácil se desviar ou cair na pilha de bobagens?
Sim.

Ferramentas, truques e auxílios mentais podem ser uteis, certamente, mas no fim, na minha opinião. É apenas pura magia no coração da questão.

Apenas
Faça
Magia.

******

Após a postagem inicial do ensaio acima, alguém me pediu para esclarecer o que exatamente eu quis dizer com ‘magia de criancinha’, então aqui está:

Ok, então um monte das coisas que as crianças fazem de conta, de que brincam, são jogos de imaginação estranhos.

Como você sabe (ou descobrirá rapidamente conforme estuda), a ‘visualização’ é a ferramenta de uso de magia mais comum em todos os âmbitos.

As crianças nascem fazendo isso, e elas fazem melhor que todos os adultos que tem todo tipo de técnica difíceis para aprender e fazer isso efetivamente. Crianças podem mudar o todo da realidade pessoal delas em um piscar de olhos- isso não faz(acontecer) nada na maioria das vezes, porque elas são crianças.

Lembra de quando você estava brincando, você podia SER o Super-homem, e não importava sequer que você estivesse correndo em um parquinho – você ERA o Super-homem?
Ou o sofá podia SER uma nave espacial?
Ou uma pilha de arbustos velhos podia SER um dragão?
E era fácil.

Então, aqui está a versão resumida de como aplicar isso à magia:

Lembra de como você podia SER o Super-homem?

Agora, SEJA um Mago. Faça de conta.
Na superfície, isso parece bobo, mas me acompanhe – você tem que deixar de lado esse ‘sentimento de ser bobo’. Crianças não se sentem bobas quando são o Super-homem; elas estão ocupadas demais SENDO o Super-homem, voando por aí e disparando raios laser pelos olhos.

Sabe como você consegue lembrar o sentimento de uma sensação física ou de uma emoção? Como o toque do vento, ou beber algo gelado, ou bater o dedão, ou a empolgação – e você consegue, caso se concentre, SENTIR isso?

Então, o que você faz, fazendo de conta que é um Mago, é apenas imaginar qual é a sensação da SUA magia, como ela se pareceria detonando como um feitiço. Crianças não se preocupam com Como vai funcionar, elas simplesmente fazem. E geralmente com algum efeito sonoro impressionante de “whoosh”.

Ou talvez sua magia seja silenciosa e rasteje como tentaculos de fumaça, ou flua como água.

Invoque a visão e, mais importante, invoque o Sentimento, e faça de conta como uma criança que você está conjurando um feitiço e, como uma criança, acredite nisso.
Levei um tempo, alguns anos, para me tornar verdadeiramente eficaz nisso. Assim como leva um tempo para se tornar eficaz em qualquer paradigma da magia. Além de um certo (e consideravelmente grande) nível de versatilidade criativa, imediatismo e liberdade, isso não é mais forte, melhor, nem mais eficaz que qualquer outro paradigma.

No entanto, este estilo permite muito mais prática.

Em muitos sistemas, você tem que ficar esperando pela fase certa da lua, ou alinhamento estelar, ou tem que construir um ritual, estar em um local especial, evocar algum deus ou espírito, criar um servidor, um sigilo, ou o que seja. Muitas pessoas, especialmente entre a comunidade pagã e grupos cerimoniais, lançam talvez um feitiço por semana, caso sejam particularmente ativos – certamente alguns fazem mais, mas estou falando do praticante médio.

Eu lanço uns 20 por dia.

Quem vai ser melhor na magia?

Enquanto você ainda tiver energia (‘suco’) para lançar um feitiço, você pode fazê-lo (você vai descobrir que esse método vai te deixar exausto pra caramba quando funciona). Também descobri que, ao usar sua própria magia, em vez de depender de algum espírito ou ‘energia’ não senciente para fazer por você, você não precisa se preocupar tanto com as consequências indesejadas sobre as quais todos sempre dão avisos severos.

Ela é uma parte de você. Não vai se manifestar de formas com as quais você não esteja de acordo. Isso não quer dizer que você não possa errar o alvo, ou que a causa e efeito não vá te dar uma paulada na cara como pisar em um ancinho escondido na grama, mas não vai ‘apagar’ sua avó só porque você lançou um feitiço de dinheiro pouco específico – que é um dos exemplos favoritos.

Mais uma pequena sacada: sabe como a maioria dos sistemas coloca ênfase em visualizar o resultado final em detalhes exaustivos? Ver a sua vontade após ela já ter se manifestado?
Esqueça disso. tá ao contrário.

Foque, em vez disso, em invocar sua Magia e em vê-la indo lá para fora realizar sua vontade. Certamente – saiba o que você quer, utilize ferramentas rituais como um sigilo ou um feitiço escrito se precisar de algo complexo e específico.

Mas a parte importante – a parte Realmente importante de fazer magia – é o FAZER da Magia

Utilize sua imaginação no front end(na parte da frente) da conjuração, não no back end (os bastidores). Confie na Magia para encontrar o caminho de menor resistência através da realidade a partir de onde você está, em vez de lançá-la em algum futuro possível ainda inexistente, esperando que ela te encontre de novo. Isso, na minha opinião e experiência, é colocar a carroça na frente dos bois. Não que não funcione, especialmente de um ponto de vista particular, mas quando comecei a usar essa mentalidade, minha eficácia aumentou drasticamente.

Todos os paradigmas têm algo a oferecer: ideias, truques do ofício, bons conhecimentos. Ouça a todos – tudo isso constrói sua visão do todo.

Mas essa técnica de abordar a questão a partir da mentalidade de criança torna tudo muito mais fácil – elas não precisam lutar contra si mesmas para fazer magia.

E nem nós precisamos.

Existem pessoas, é claro, cuja paisagem mental é consideravelmente diferente e, por causa disso, este método não funciona para todos. Muitos precisam de um processo distinto, uma prática mais rígida, uma trilha clara para seguir, ou possuem um processo mental principal que não é baseado em imaginação visual.

O que eu penso que as pessoas com esse tipo de mente devem extrair dessa ideia é a licença para encontrar sua própria forma de expressão mágica criativa, para se sentirem livres para explorar a maneira como a mente delas de fato funciona – para usar suas inclinações naturais em sua prática mágica a seu favor.

Porque é Magia; não importa o que você faça, desde que você FAÇA ALGO para fazer a magia funcionar.

Eu lutei por anos para tentar descobrir como transmitir às pessoas como encontrar o Seu Próprio Caminho, assim como eu encontrei o Meu Caminho. Essa é a parte realmente importante, eu acho – ponderar como VOCÊ faria a magia funcionar.

Se fosse o seu mundo ideal – o que VOCÊ faria?

Quando você pensa em magia, como você desejaria que o processo funcionasse?

Faça isso.

Continue tentando até que funcione.

E vai funcionar.

Fonte: https://storytellerway.com/2013/02/06/just-effing-magick/

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