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Ritual Black Metal: Música Popular como Mediação e Prática Ocultista

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por Kennet Granholm
E-mail: kennet.granholm@gmail.com
Web: http://www.kennetgranholm.com

Traduzido por Caio Ferreira Peres.

Desde a fantasia criativa dos músicos até a imaginação temerosa de pais preocupados e cruzados fundamentalistas, a música metal tem sido frequentemente associada ao ocultismo. No entanto, foi apenas recentemente que o meio ocultista representado pelas ordens iniciáticas e os segmentos da cena mais ampla do metal extremo se aproximaram o suficiente para gerar uma cena identificável de “Ritual Black Metal”, caracterizada por compromissos explícitos, sistemáticos e sustentados com o ocultismo. Os membros dessa cena, especialmente os músicos envolvidos nela, não só demonstram um interesse em assuntos ocultos que ultrapassa a maioria dos que vieram antes, mas também afirmam explicitamente que sua arte é uma expressão do ocultismo em si mesma – como adoração ou comunhão divina, uma expressão e uma ferramenta para processos iniciáticos e/ou uma explicação de crenças seriamente mantidas. Neste artigo, examino a cena sueca do Ritual Black Metal, com alguns desvios para a cena finlandesa quando intimamente ligada à sueca, analisando tanto as instituições cênicas quanto os principais artistas.

Introdução

A música metal e o ocultismo não são estranhos um ao outro.[1] As bandas de metal têm sido frequentemente acusadas de envolvimento com o ocultismo por comentaristas conservadores preocupados, e muitos artistas do gênero têm sido fascinados por temas e símbolos ocultos desde o início. Alguns artistas se envolveram mais profundamente com o ocultismo, usando explicitamente sua música para mediar filosofias ocultistas ou até mesmo usando-a como uma ferramenta para a prática mágica. No entanto, esses artistas permaneceram como exceções isoladas em um gênero em que a maioria dos artistas alegou nada mais do que estar fascinada pelo simbolismo ocultista. Isto é, até os últimos tempos. O número de bandas de metal extremo, principalmente de Black Metal, que enquadram suas atividades artísticas como prática ocultista aumentou desde a década de 1990 e, nos anos 2000, formou lentamente sua própria cena pequena voltada para o ocultismo dentro do cenário mais amplo do metal extremo. Como muitas das bandas envolvidas nessa cena se identificam como Black Metal e descrevem suas apresentações como adoração divina, comunhão ou rituais mágicos ou, de outras formas, conectam suas atividades artísticas a práticas mágicas rituais, é adequado falar de uma cena de “Ritual Black Metal”.[2] Este artigo explora essa cena em um contexto sueco específico, observando as principais instituições e artistas do cenário e suas conexões com ambientes ocultistas mais convencionais. Este artigo representa um trabalho em andamento e, portanto, apresenta reflexões iniciais em vez de uma análise conclusiva.

Preliminares Teóricos e Metodológicos

Antes de abordar o tópico principal deste artigo, é necessário tratar de várias questões teóricas e metodológicas. Em primeiro lugar, pode parecer fora de lugar usar o termo “cultura popular” em referência a um fenômeno tão radical e aparentemente marginal como o Black Metal. No entendimento comum de cultura popular, o foco está na palavra “popular”, enquadrando-a como “atividades culturais ou produtos comerciais que refletem, são adequados ou direcionados aos gostos das massas populares em geral”.[3] O metal extremo é, no entanto, um fenômeno global[4] e é um dos poucos gêneros musicais que conseguiu manter uma cena global em vez de ser dividido em cenas nacionais que não têm contato entre si. Assim, pode-se argumentar que, embora o metal extremo possa não ser “popular” no sentido de ser culturalmente dominante em qualquer contexto nacional específico (embora se possa argumentar que quase seja assim na Finlândia), ele é popular em relação ao seu impacto global. Muitos artistas e fãs do metal extremo também se oporiam fortemente ao fato de a música ser rotulada como “popular”. Isso é resultado de estratégias discursivas inerentes ao Rock, uma categoria analítica em vez do gênero musicalmente definido Rock, que gira em torno da busca pela autenticidade e seriedade artística, em oposição à percepção da busca de lucros comerciais em massa e da falta de aspirações artísticas significativas no Pop, novamente uma categoria analítica distinta do gênero musical Pop.[5] O Rock baseia-se na “rejeição dos aspectos da música distribuída em massa que se acredita serem suaves, seguros ou triviais”.[6] O metal extremo, que pode ser incorporado à categoria Rock, depende dessas formações discursivas, e isso explica tanto a aversão ao termo popular quanto o surgimento de novos gêneros quando os antigos são considerados comprometidos por terem um apelo muito amplo.

Além do entendimento comum, o discurso acadêmico e de especialistas em cultura convencionou definir a cultura popular em contraste com outras formas culturais, como a “cultura alta/de elite”, a cultura “alta” e a “popular tradicional”[a], ou como um recurso de oposição à cultura de massa ou dominante.[7] Esses tipos de definição são problemáticos e, na pesquisa atual sobre religião e cultura popular, o termo passou a significar cada vez mais “o ambiente, as práticas e os recursos compartilhados da vida cotidiana em uma determinada sociedade”.[8] O foco está, então, em novas arenas e funções da religião, em vez de em tipos de cultura essencialmente distintos e dissociados. Nessa perspectiva, um artefato convencionalmente definido como de “alta cultura” pode fazer parte da cultura popular se for usado como tal pelas pessoas em sua vida cotidiana. Um exemplo seria o uso e a interpretação da Mona Lisa além das instituições de “belas artes”, como em cartões postais, em comerciais, no romance O Código DaVinci (2003), de Dan Brown, e assim por diante. No estudo da religião e da cultura popular, o foco na religiosidade cotidiana marca um distanciamento das interpretações teológicas e das instituições convencionais, dando atenção aos usos e interpretações da religião por “não especialistas”.

Segundo, as definições e perspectivas existentes sobre o esotérico não são particularmente adequadas para o estudo da cultura popular. Isso se refere particularmente à abordagem de Antoine Faivre,[9] que foi o paradigma dominante por um longo tempo e ainda exerce influência entre os acadêmicos fora do estudo do esoterismo ocidental. A abordagem faivreana se presta facilmente a fazer distinções entre o esoterismo “verdadeiro” e o “simulacro”, algo que o próprio Faivre faz em um artigo que trata de esoterismo e ficção.[10] Faivre analisa as intenções dos autores e as recepções dos leitores e conclui que, se uma peça de ficção inclui elementos de “esoterismo adequado”, mas não de “sabedoria esotérica”, ela representa “empréstimos” do reino do esoterismo, e quando a ficção em questão não inclui “esoterismo adequado”, mas o leitor parece encontrar “sabedoria esotérica” nela, trata-se de um caso de “interpretação errônea”. Da mesma forma, Henrik Bogdan discute a “[m]igração de ideias esotéricas para materiais não esotéricos”,[11] implicando uma divisão entre esoterismo “real” e “simulacro” na linha de Faivre. Outras abordagens, como a discursiva de Kocku von Stuckrad,[12] embora não sejam tão problemáticas quanto a de Faivre, tendem a esperar algum nível de “intenção séria” entre os sujeitos da pesquisa. Ao estudar a cultura popular, é melhor renunciar a essas expectativas, que, de qualquer forma, são difíceis de avaliar, e observar todo o “campo do discurso sobre o esotérico”, que inclui usos e representações positivas, neutras e negativas de símbolos esotéricos “tradicionais”, temas, tropos de comunicação etc., bem como o discurso centrado no conhecimento superior e na dialética do oculto e do revelado. O que não se deve fazer, entretanto, é tentar determinar se o assunto examinado é “propriamente” esotérico ou não. Essa é uma área em que este artigo pode ter problemas, em uma possível distinção entre o Metal “propriamente ocultista” e o Metal que simplesmente usa o ocultismo de forma superficial. Com inspiração na teoria da performatividade de gênero de Judith Butler, embora não de forma profundamente relacionada teoricamente, isso pode ser evitado com o foco em diferentes performances do ocultismo, de acordo com a perspectiva de todo o “campo de discurso sobre o esotérico” mencionado acima. As bandas de Ritual Black Metal descritas aqui não são, portanto, mais ocultistas do que outras bandas; sua performance do ocultismo é simplesmente diferente, envolvendo uma retórica em que as expressões musicais e líricas são enquadradas como primordialmente ocultistas em vez de artísticas.

Em terceiro lugar, o conceito de “cena” é fundamental para este artigo. Esse termo, que é usado com frequência por membros de várias culturas musicais populares, recebeu uma dimensão teórica desenvolvida nos estudos da cultura musical popular e da juventude a fim de oferecer uma alternativa aos problemas com o termo “subcultura”.[13] “Cena” tem várias vantagens em relação a esse último. Primeiro, ela reconhece a natureza fluida e os vários graus de envolvimento nas culturas musicais populares, ao passo que o foco nas subculturas tende a operar de forma “tudo ou nada”, em que a participação de uma pessoa em uma subcultura a exclui da participação na “cultura dominante” ou em outras subculturas. No segundo caso, o foco está nos participantes mais imersos, enquanto o primeiro inclui todo envolvimento cênico de qualquer tipo, desde artistas até pessoas que só ocasionalmente vão a shows, bem como a produção, mediação, consumo e assim por diante, da música popular em questão.[14] Em segundo lugar, o termo leva em conta a localização espacial e temporal da interação social, destacando a interconexão de diferentes dimensões de ambientes musicais populares específicos, e funciona como uma ferramenta de mapeamento orientada para a prática.[15] Como vai além dos termos musicológicos tradicionais, como “gênero [que] significa um modo de produzir música (e.g., ‘baladas’)… [e] ‘estilo’ [que] significa um modo específico de produzir esses gêneros (e.g., ‘baladas de heavy metal’)”,[16] é mais útil ao discutir os entendimentos e a delimitação cultural[b] de artistas e fãs que vão além de meros qualificadores musicais e líricos.

Em quarto lugar, estudar cenas de música popular abordando seus artistas apresenta uma série de dificuldades. Os artistas tendem a passar muito tempo dando entrevistas para fanzines e revistas consagradas, e o tempo e o esforço necessários para uma entrevista acadêmica podem não parecer valer a pena, principalmente porque os benefícios para a carreira do artista são quase inexistentes. Como em qualquer pesquisa baseada em trabalho de campo, é preciso garantir um ponto de acesso ao campo e encontrar uma “rede” por meio da qual a pesquisa possa ser conduzida.[17] Quanto à minha pesquisa, tive a sorte de ter “um pé dentro”[c], por assim dizer. Por meio da minha pesquisa anterior e do meu envolvimento contínuo com o meio ocultista sueco, eu estava familiarizado com vários artistas da cena e era conhecido como alguém que tinha um profundo conhecimento do ocultismo. Meus interesses e compromissos musicais me estabeleceram como alguém que também podia entender a música, o estilo e a retórica. Juntos, meus contatos e minha “dupla competência” garantiram meu acesso à cena. Pode-se dizer que meu status como alguém familiarizado com a cena me deu acesso de maneiras que não são possíveis para outros acadêmicos, enquanto meu status como acadêmico me deu acesso de maneiras que não são possíveis para os fãs comuns. Como consequência de minha rede ser baseada em meus contatos dentro e por meio da ordem mágica Dragon Rouge[18] , tive de confiar no material de entrevistas existente em fanzines e revistas quando se tratava de bandas cujos membros não estavam alinhados com a ordem. Isso é algo que espero remediar em um futuro próximo.

Ao mesmo tempo em que concede acesso, essa dupla competência também introduz um possível viés. Apesar de estar relativamente inativo, permaneci como membro da Dragon Rouge desde o início de meu trabalho de campo inicial em 2000. Sou fã de metal extremo e gêneros relacionados durante a maior parte da minha vida e estou envolvido como músico desde a adolescência. Em uma combinação desses fatores, acabei me envolvendo como guitarrista em uma das bandas discutidas neste artigo, Forgotten Horror. Como resposta a possíveis problemas de preconceitos, esclareço que meu interesse está nas relações sociais e em questões de retórica e discurso e que não estou lidando com questões de doutrina nem de metafísica. Como deve ficar claro ao ler este artigo, meu objetivo não é apresentar o Ritual Black Metal sob uma luz positiva (ou negativa), mas descrever e analisar as funções e formas de construção e manutenção do cenário. Um acadêmico treinado deve ser capaz de escrever sobre assuntos próximos a ele sem preconceitos indevidos, e cabe ao leitor determinar se fui bem-sucedido ou não.

Outro problema ao estudar artistas é que a maioria deles cultiva uma imagem pública, que pode ser comprometida por estudos acadêmicos e certos tipos de jornalismo, e a participação em pesquisas pode ser vista como potencialmente prejudicial à carreira do artista. Isso pode dificultar o convencimento dos artistas a concordar com entrevistas, mas também pode resultar em deturpações nos casos em que o pesquisador leva em conta as declarações em entrevistas para revistas. Por exemplo, muitos textos sobre Black Metal ignoram ou são alheios às complexidades e às estratégias discursivas do gênero e, consequentemente, não reconhecem a agressividade inerente ao gênero como um dispositivo retórico.[19] Os artistas podem, portanto, estar preocupados em proteger sua personalidade pública e, ao mesmo tempo, temer que os acadêmicos os representem erroneamente por não conseguirem compreender o gênero, seu estilo e seus discursos. A questão da personalidade pública versus sentimentos privados é particularmente pertinente em relação às entrevistas publicadas usadas como material secundário neste artigo, mas também está relacionada ao material da entrevista primária. Por exemplo, antes da entrevista oficial, um dos meus entrevistados esclareceu que ele está “respondendo como um artista de Black Metal” e que suas respostas poderiam ser diferentes se estivéssemos discutindo em particular. Entretanto, como meu foco está na retórica empregada na cena do Ritual Black Metal e não em “convicções verdadeiras”, isso não é um problema.

Uma Breve História da Música Metal

Embora este não seja um artigo sobre a música metal em um sentido geral, sobre a música metal em geral, é necessária uma breve visão geral de sua história, de seus antecedentes filosóficos e discursivos e de suas várias conexões esotéricas para contextualizar as formas e expressões específicas do metal de que trata este artigo. Isso é particularmente necessário em relação ao chamado metal extremo, não apenas devido ao fato de que relativamente pouca pesquisa foi feita (até agora) sobre ele, mas também devido ao fato de que seus desenvolvimentos são particularmente pertinentes à “virada ocultista” na cena contemporânea.

O início do Heavy Metal como gênero musical é geralmente datado do final da década de 1960, com o lançamento dos álbuns de estreia do Deep Purple (1968), Led Zeppelin (1969) e Black Sabbath (1970).[20] Essas bandas foram influenciadas pelo Hard Rock baseado no Blues e pelo Rock Psicodélico, bem como pela contracultura da década de 1960, com sua propensão à rebeldia, mas a música era mais extrema e as mensagens de paz e amor deram lugar a retratos de um mundo mais sombrio.[21] Sonoramente, a música Metal é caracterizada por “bateria e baixo pesados, guitarra distorcida virtuosa e um estilo vocal poderoso que usa gritos e rosnados como sinais de transgressão e transcendência”.[22] A “Nova Onda do Heavy Metal Britânico”, de meados da década de 1970, introduziu formas mais rápidas, pesadas, melódicas e complexas de metal, inspirando o desenvolvimento do Heavy Metal americano e os gêneros de metal extremo que surgiram na década de 1980.[23] Os principais gêneros de metal extremo são o Thrash, o Death e o Black Metal.[24] O primeiro deles foi criado por bandas como Metallica e Slayer, que lançaram seus álbuns de estreia em 1983, e geralmente gira em torno de formas melódicas complexas e letras socialmente críticas. O Death Metal, e muitas vezes o Grindcore mais rápido e “punk”, geralmente tem vocais rosnados e uma estrutura menos melódica, e é centrado em retratos mórbidos da morte e da decadência.

O gênero mais extremo do metal extremo, o Black Metal, surgiu no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. O rótulo do gênero foi tirado do título do segundo álbum da banda Venom, de 1982, e foi, principalmente em retrospectiva, aplicado a bandas que incorporaram temas abertamente anticristãos e “satânicos” em suas letras e imagem geral do início a meados da década de 1980. Além do Venom, o sueco Bathory (álbum de estreia em 1984) e o dinamarquês Mercyful Fate (álbum de estreia em 1983) são considerados representantes da “primeira onda do Black Metal”. No entanto, é na “segunda onda” norueguesa do início da década de 1990 que se pensa com mais frequência quando o termo Black Metal é mencionado, e foi nessa cena que ocorreu a primeira identificação com o termo. Em contraste com o Death Metal, os vocais na “segunda onda” inicial do Black Metal eram geralmente gritados em vez de rosnados, as guitarras eram estridentes, com ênfase nas faixas de frequência alta e média superior, e o valor da produção era intencionalmente baixo. A cena norueguesa inicial era representada por bandas como Mayhem (primeiro álbum em 1987), Darkthrone (primeiro álbum em 1991[25]), a banda de um homem só Burzum (primeiro álbum em 1992), Immortal (primeiro álbum em 1992), Satyricon (primeiro álbum em 1993), Emperor (primeiro álbum em 1994) e Gorgoroth (primeiro álbum em 1994).

Metal Extremo e a Conexão Ocultista

Desde o início, o metal abraçou noções e temas ocultos, além de ter sido acusado de estar diretamente ligado ao ocultismo e ao satanismo por seus detratores. O Blues, que o precedeu, já era cercado de histórias de acordos entre músicos e o Diabo.[26] O Black Sabbath tinha um certo flerte com temas ocultos mais obscuros, aparentes no próprio nome da banda, bem como na imagem e nas letras. O Led Zeppelin fez referência ao ocultista e mago Aleister Crowley em várias de suas músicas, em grande parte devido ao fascínio duradouro do guitarrista Jimmy Page pelo infame mago.[27] Na década de 1980, Ozzy Osbourne, ex-vocalista do Black Sabbath, continuou sua exploração do ocultismo com a música “Mr. Crowley” em seu primeiro álbum solo, Blizzard of Ozz (1980). A banda de Thrash Metal Slayer incluiu músicas intituladas “The Antichrist” e “Black Magic” no álbum de estreia Show no Mercy (1983) e o Metallica incluiu a música instrumental “The Call of Ktulu”[28] no álbum Ride the Lightning, de 1984. A banda suíça Celtic Frost – dois membros da qual começaram na “primeira onda” da banda de Black Metal Hellhammer – incluiu referências ao suposto satanista Gilles de Rais (1404-1440) em seu primeiro álbum Morbid Tales (1984) e a seres Lovecraftianos no EP Emperor’s Return, de 1985. O ocultismo também era um tema comum no início do Death Metal, e o Morbid Angel incluiu músicas como “Immortal Rites”, “Visions from the Dark Side” e “Bleed for the Devil” em seu primeiro álbum, Altars of Madness (1989). O ocultismo foi praticamente o tema dominante no gênero lento e sombrio conhecido como Doom Metal, exemplificado por bandas como Saint Vitus,[29] Pentagram[30] e Candlemass.[31] Até mesmo a banda de Glam Metal Mötley Crüe supostamente planejou dar o nome de Shout with the Devil ao seu álbum de 1983, mas decidiu por Shout at the Devil depois das experiências ocultistas negativas do baixista e letrista Nikki Sixx.[32]

No entanto, foi principalmente com o Black Metal que o envolvimento com o ocultismo começou a ser mais estruturado e sustentado, com tons que podem ser categorizados mais claramente como religiosos. O Black Metal, pelo menos em sua “segunda onda” norueguesa, é comumente descrito como satânico.[33] É verdade que os temas abertamente satânicos, bem como as autodescrições e autoidentificações satânicas, surgiram relativamente cedo, mas tem-se argumentado, com bons fundamentos, que isso se deveu em grande parte à influência da mídia de massa que retratava o gênero como satânico. Em resumo, em janeiro de 1992, Varg Vikernes (1973-), do Burzum, deu uma entrevista na qual reivindicou a responsabilidade por vários incêndios em igrejas,[34] o que levou a um pânico moral[35] e a um frenesi da mídia focado em histórias sobre “Satanismo na Noruega”.[36] Isso se agravou um ano depois com o assassinato de Euronymous (Øystein Aarseth, 1968-1993), guitarrista do Mayhem, por Vikernes, e com as condenações de vários indivíduos envolvidos com Black Metal por vários incêndios em igrejas que ocorreram na Noruega no início da década de 1990. O documentário norueguês Satan rir media[37] (Satan Rides the Media) mostra claramente como o rótulo de satanismo foi aplicado pela mídia, como “especialistas em cultos” duvidosos validaram isso e como o número de incêndios aumentou drasticamente no processo – de aproximadamente um por ano no início da década de 1990 para cinquenta incêndios no total entre 1992 e 1996.[38] O satanismo tornou-se um marcador de identidade no Black Metal, em grande parte devido ao fato do satanismo criado pela mídia fornecer um “roteiro” que os músicos e fãs noruegueses da “segunda onda” do Black Metal poderiam usar para fins antinomianos.[39]

De fato, a “primeira onda do Black Metal” era muito mais explicitamente satânica no que diz respeito ao conteúdo lírico. Para dar alguns exemplos: O álbum de estreia do Venom, Welcome to Hell (1981), inclui músicas como “Sons of Satan” e “In League with Satan” e a maioria das músicas inclui referências a coisas como Satã, demônios e inferno. Todos os álbuns da banda suíça Hellhammer, incluindo a primeira demo Satanic Rites (1983), incluem referências a Satã. O mesmo acontece com a banda sueca Bathory, desde seu primeiro álbum Bathory (1984) até o final da década de 1980,[40] bem como com a maioria das outras bandas importantes da “primeira onda”, como Destruction, Sodom, Sarcófago, Tormentor, Death SS e Blasphemy. As referências a Satã no Black Metal norueguês da “segunda onda” são muito menos frequentes. Mayhem e Gorgoroth são as duas bandas que promovem com mais frequência uma perspectiva satanista, e a última somente a partir de seu álbum Antichrist, de 1996. Os primeiros álbuns da maioria das outras bandas contêm referências a Satã, mas o personagem geralmente é usado como uma representação do pré-cristão, em uma estrutura pagã de “saudade de um passado pré-cristão há muito perdido”, “romantismo da natureza” e a “importância de um ‘folk’”.

É por essa razão, e como considero o termo satanismo de pouco valor analítico,[41] que argumentei que o Black Metal norueguês antigo deveria ser caracterizado como pagão em vez de satânico.[42] Além dessa estrutura discursiva pagã geral, as referências ao nórdico antigo, ao mito, à religião e à cultura pré-cristã são pelo menos tão abundantes quanto as referências a Satã no Black Metal norueguês antigo. O álbum de estreia autointitulado do Burzum, de 1992, contém uma ode ao deus babilônico Ea e, aparentemente, um grito de tristeza por um passado pagão perdido imaginado (na música “A Lost Forgotten Soul”). Esse tema de tristeza pela “tradição perdida” se repete em músicas como “Det som en gang var (Was Einst War)” [O Que Uma vez Foi], do álbum Hvis lyset tar oss [Se a luz nos levar], de 1994. O álbum A Blaze in the Northern Sky (1992), do Darkthrone, contém várias referências explícitas a mitologias pré-cristãs e está impregnado de um anseio semelhante por um passado pré-cristão, como aparece em “Det som en gang var”, do Burzum. O álbum de 1994 do Emperor, In the Nightside Eclipse, exibe o mesmo anseio romântico, pois contém a música “Cosmic Keys to my Creations and Times” com a seguinte linha de texto esotérico mais geral: “Elas são as chaves planetárias da sabedoria e do poder ilimitados que o Imperador deve obter”. Até mesmo o Live in Leipzig (1992) do Mayhem contém a música “Pagan Fears” e o álbum de estreia do Gorgoroth, Pentagram (1994), a música “(Under) The Pagan Megalith”. O Black Metal norueguês do início da década de 1990 era certamente anticristão, mas uma postura adversa em relação ao cristianismo não equivale automaticamente a satanismo ou adoração ao diabo.

A Cena Ritual Black Metal Contemporânea na Suécia

Os elementos ocultistas estavam claramente presentes no início do cenário do Black Metal norueguês, mas levaria algum tempo até que qualquer envolvimento com o ocultismo fosse mais organizado e sistemático. A partir de meados da década de 1990, houve tentativas mais sustentadas de criar uma forma de Ritual Black Metal, mas foi somente nos últimos anos da primeira década do século XXI que a massa crítica foi atingida e surgiu uma cena de relativa proeminência, com várias bandas, gravadoras, fanzines, locais e fãs interconectados. O Ritual Black Metal representa um desenvolvimento dentro de uma cena musical existente, resultando no surgimento de uma nova “subcena” que, embora conectada à cena mais ampla do metal extremo, tem sua própria identidade e instituições, bem como conexões e compromissos mais pronunciados e focados com o meio ocultista representado por ordens esotéricas. Os representantes dessa cena não apenas reivindicam uma atitude religiosa e filosófica séria, mas também enquadram suas atividades artísticas como prática religiosa e ocultista. Nas entrevistas, os aspectos ocultistas também são comumente colocados em primeiro plano.[43] A maioria das bandas da cena se identifica como “Black Metal”, mas musicalmente há uma diversidade considerável. Por exemplo, internacionalmente, enquanto bandas como Watain e Ofermod podem ser facilmente reconhecidas como sendo estilisticamente Black Metal, outras, como a neerlandesa The Devil’s Blood e a finlandesa Jess and the Ancient Ones, são estilisticamente mais próximas do Hard Rock dos anos 1970, e a Saturnalia Temple poderia ser chamada de Doom e/ou Stoner Metal.

De acordo com minhas observações e conversas com os membros da cena, confirmadas por Tuomas Karhunen,[44] a cena do metal passou a ter uma inclinação mais ocultista e mágica nos últimos anos. De acordo com Karhunen, isso pode ser devido ao fato de vários artistas estarem se envolvendo mais profundamente com o ocultismo e a prática da magia, o que, por sua vez, faz com que outros artistas também se interessem. Karhunen explica que essa é uma corrente mágica crescente que evoca uma energia coletiva, o que leva a novas expressões musicais. Entretanto, ao mesmo tempo em que o interesse pelo ocultismo e pela magia praticados cresceu, a oposição também aumentou, com acusações de que algumas bandas reivindicam uma linhagem mágica[e] simplesmente para aumentar sua base de fãs.[45]

Embora exista uma cena transnacional de Ritual Black Metal e várias cenas locais em toda a Europa e nas Américas, acho que é seguro dizer que a cena é mais proeminente na Suécia. Na Suécia, o Ritual Black Metal também criou instituições cênicas, como redes e locais especiais. Por um lado, alguns fãs podem preferir o Ritual Black Metal, mas é improvável que limitem seu envolvimento com o metal apenas a essa cena. Por outro lado, alguns participantes da cena podem estar menos interessados no metal em geral e preferir outras formas de expressão musical, mas participam devido a seus interesses ocultistas. Quanto às instituições cênicas, a maioria das bandas da cena lança seus discos em pequenas gravadoras independentes – embora haja exceções a isso, o álbum Thaumiel de 2012 do Ofermod foi lançado pela Spinefarm Records, que é uma unidade de negócios independente da Universal Music Group. Até onde sei, no entanto, não há gravadoras que se concentrem exclusivamente no Ritual Black Metal na Suécia.[46] Ainda assim, pode haver gravadoras que se interessem exclusivamente por bandas com compromissos ocultistas e que depois lancem discos de artistas de vários gêneros diferentes, incluindo o Ritual Black Metal. Esses aspectos da cena certamente merecem ser investigados, mas estão fora do escopo do presente artigo.

Instituições Cênicas

As instituições cênicas que analisarei são dois locais exclusivos para bandas envolvidas com o ocultismo; os festivais Arosian Black Mass em Västerås (100 km a oeste de Estocolmo) e Forlorn Fest em Umeå (no norte da Suécia). O Forlorn Fest foi organizado pela primeira vez em novembro de 2010,[47] com o segundo festival em 30 de novembro e 1º de dezembro de 2012. O primeiro Arosian Black Mass foi organizado em 11 e 12 de novembro de 2011,[48] e o segundo festival em 23 e 24 de novembro de 2012. Nenhum dos dois festivais é apresentado como um lugar para “diversão e festa”, como é o caso da maioria dos outros festivais de metal na Suécia e em outros lugares. Em vez disso, predomina uma atitude sombria. Como escrevem os organizadores do Forlorn Fest:

O Forlorn Fest é um festival anual de Deathworshiping Black Metal… com o objetivo de ser uma vitrine para a música, arte e outros meios criativos ocultistas, apenas as bandas que realmente abraçam a Morte e tudo o que vem com o espírito do Black Metal são bem-vindas [sic] através dos portões.

Esse festival não é um lugar para diversão e alegria, é o oposto de festivais como o Sweden Rock, House of Metal, Wacken Air ou Sonisphere. Em vez de tentar obter o maior número possível de visitantes, nosso objetivo é obter o público mais dedicado que contribuirá para o sentimento geral do festival.[49]

Os organizadores do Forlorn Fest iniciam a apresentação em sua página do Facebook com “Damos as boas-vindas à Igreja da Morte” e prosseguem afirmando que a missão do festival é “proporcionar aos errantes do Caminho da Mão Esquerda uma experiência verdadeiramente única do que é a essência do Black Metal”.[50]

Os organizadores do Arosian Black Mass apresentam seu festival de maneira semelhante:

O Arosian Black Mass não é um “festival de Black Metal”, mas está centrado no esoterismo oculto na arte, na música e na prática espiritual sombria. Todo o evento terá seu foco em um processo esotérico no qual todos os artistas participantes desempenharão papéis fundamentais. Os visitantes poderão esperar uma impressão arcana completa por meio de visões, áudio e atmosfera. A intenção é que seja uma experiência extraordinária que eles jamais esquecerão![51]

“Não é um festival de Black Metal”, como está entre aspas, provavelmente deve ser entendido aqui como o local não sendo comparável aos festivais “regulares” de Black Metal e, possivelmente, até mesmo sendo um “festival do verdadeiro Black Metal” em contraste com aqueles que não operam com uma base ocultista. Assim, ambos os festivais usam uma retórica elitista na qual a autenticidade e um público exclusivo são mais valorizados do que a atração de um grande número de participantes.

Visitei os dois festivais em novembro/dezembro de 2012. Embora houvesse semelhanças, como, por exemplo, o fato de os artistas de ambos os festivais terem sido escolhidos com base no fato de que sua música estava próxima e autenticamente relacionada ao ocultismo, também havia diferenças. O Arosian Black Mass contou com uma ampla gama de artistas diferentes, desde o Arktau Eos, um ritual ambiental experimental, até o Black Metal do Ofermod. O festival também incluiu exibições de vídeos ocultistas, mostras de obras de arte ocultistas e vendedores de livros ocultistas e suprimentos para rituais. Em contraste, as bandas que tocaram no Forlorn eram de uma variedade mais convencional de Black Metal e, embora todas elas enquadrassem sua música como ocultista em termos de filosofia e/ou prática, as apresentações no festival não incluíram elementos mágicos rituais tradicionais da mesma forma que no Arosian Black Mass. A banda Ofermod foi uma exceção e incluiu um ritual mágico em sua apresentação. Ao contrário do Arosian Black Mass, não havia vendedores de livros e suprimentos ocultos ou expositores de arte ocultista. O Arosian Black Mass também pareceu atrair um público mais internacional, com pessoas que viajaram de toda a Europa, mas também da América do Sul, por exemplo, para participar. O público do Forlorn Fest era em sua maioria sueco, além de ser um público de metal mais tradicional.

Há também instituições cênicas que fazem a fronteira entre as fraternidades ocultistas e as atividades das bandas. Um exemplo é a Luciferian Flame Brotherhood (também conhecida como Serpent Flame Brotherhood), composta por membros de várias bandas de Black Metal que operam em uma base ocultista. Mika Hakola, da banda sueca Ofermod, e um dos instigadores da Brotherhood, diz:

Eu trabalho para reunir adeptos de diferentes tradições do Caminho da Mão Esquerda para cooperação em um plano mais mundano… para ajudar a disseminar a herança espiritual sombria e, dessa forma, ajudar outros adeptos das trevas a preparar o caminho para uma era draconiana/luciferiana em que cada tradição aliada aos poderes das trevas tenha um lugar e uma função.[52]

O objetivo da Brotherhood não é, portanto, tornar-se uma ordem iniciática em si, mas direcionar as expressões musicais do ocultismo para alinhá-las com a prática mágica ritual.

Um Olhar mais atento às Bandas de Ritual Black Metal

Em uma análise mais detalhada do cenário do Ritual Black Metal, vou me concentrar em várias bandas suecas que têm uma conexão expressa e/ou conhecida com grupos esotéricos, especificamente a Dragon Rouge e a Misanthropic Lucifer Order (MLO). A Dragon Rouge é uma ordem iniciática de magia negra autodenominada fundada em 1990 e que hoje tem membros em todo o mundo ocidental.[53] Os primórdios da Misanthropic Lucifer Order são menos claros, mas, segundo seu próprio relato, a MLO foi formada em 1995.[54] No início, a MLO era um pequeno grupo intimamente ligado ao cenário do Black Metal e, em especial, à banda Dissection,[55] mas, por volta de 2006/2007, após o suicídio do líder do Dissection, Jon Nödtveidt (1975-2006), o grupo foi reorganizado como The Temple of the Black Light e, desde então, se distanciou fortemente do cenário do Metal extremo.

O segundo álbum do Dissection, Storm of the Light’s Bane, de 1995, não é, em termos de letras e arte, significativamente diferente de outros álbuns de Black Metal da época, e há muito pouco tratamento esotérico focado. Em 1997, Nödtveidt foi preso por ser cúmplice de assassinato, e o Dissection ficou inativo até sua libertação em 2004. Durante o período em que esteve na prisão e após sua libertação, Nödtveidt se envolveu mais explicitamente com a filosofia da MLO, focando sua banda como “a voz da MLO”. Em uma entrevista concedida na prisão em 2002, Nödtveidt garante que ainda está compondo músicas e diz: “Eu trato minha música e minhas letras como instrumentos poderosos para canalizar e expressar as energias sinistras e caóticas do impulso anticósmico.”[56] O lançamento original de Storm of the Light’s Bane contém o texto “We hail you by the metal of death!” (Nós o saudamos pelo metal da morte!). Na “reedição definitiva” de 2006 do álbum, esse texto foi alterado para “We hail you by the anti-cosmic metal of death!”, com “caos-gnosticismo anticósmico” sendo a autodescrição escolhida do MLO,[57] e o texto “Dissection is the sonic propaganda unit of MLO” foi adicionado. O último álbum do Dissection, Reinkaos, de 2006, está repleto de referências esotéricas e simbolismo relacionado aos ensinamentos caos-gnósticos da MLO, em que a existência física é apresentada como uma prisão criada pelo demiurgo e com Lúcifer/Satã como o libertador.[58] Tudo indica que o suicídio de Nödtveidt em 2006 estava diretamente ligado à sua interpretação da filosofia da MLO, em vez de ser um ato desesperado cometido em um estado mental deprimido. Ele lançou o Reinkaos na Noite de Walpurgis de 2006, anunciou a separação da banda duas semanas depois, organizou um último e elaborado show com mercadorias exclusivas no dia de solstício de verão e, no show, cumprimentou meticulosamente todos os fãs que quiseram encontrá-lo.[59] Nödtveidt encerrou metodicamente seus assuntos musicais e publicamente religiosos. Uma semana depois, ele deu sua última entrevista, ao final da qual anunciou seus planos de “viajar para a Transilvânia” – o que na cultura Black Metal é um eufemismo para suicídio devido ao fato do vocalista do Mayhem, Pelle “Dead” Ohlin, usar uma camiseta com a estampa “I [Love] Transylvania” no momento de seu suicídio.[60] Em 16 de agosto de 2006, Nödtveidt foi encontrado morto em seu apartamento com um tiro na cabeça, cercado por velas e com um “Grimório satânico” aberto à sua frente. [61] O livro era provavelmente o Liber Azerate[62] – o texto-chave da MLO,[63] e Nödtveidt parece ter cometido suicídio ritual, de acordo com a visão da MLO sobre a existência física como algo do qual se deve buscar escapar.

ALERTA EDITORIAL
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Erik Danielsson, vocalista da banda Watain, tocou baixo na última encarnação do Dissection e era próximo de Nödtveidt. O primeiro álbum do Watain, Rabid Death’s Curse, de 2000, inclui um simbolismo bastante padrão da “terceira onda” do Black Metal, com cruzes invertidas, cabeças de bode em pentagramas invertidos e várias menções a Satã em uma estrutura anticristã geral. A partir daí, o simbolismo e o conteúdo tornam-se gradualmente mais diversificados, ambíguos e classicamente ocultistas. As cruzes invertidas padrão e os pentagramas com cabeça de bode estão ausentes e, em vez disso, vemos uma gama mais ampla de símbolos e imagens, como uma cobra cuspindo em três copos com os rótulos “mens” (mente), “animvs” (alma) e “corpvs” (corpo),[64] o olho que tudo vê, familiar, por exemplo, da arte maçônica,[65] um anjo com cabeça de animal segurando uma espada,[66] caracteres hebraicos,[67] uma cabeça de lobo,[68] um bode com seu traseiro serpentino circundando uma cruz,[69] uma figura semelhante a Baphomet,[70] quatro triângulos, cada um contendo uma ferramenta ritual associada a um dos quatro elementos,[71] e fotos de membros da banda envolvidos em rituais.[72] O terceiro álbum, Sworn to the Dark (2007), é dedicado a Nödtveidt e começa com a música “Legions of the Black Light”, que está firmemente enquadrada em uma visão de mundo anticósmica da MLO[73] e possivelmente reflete o novo nome da MLO. Em uma entrevista de 2007, Danielsson também disse que a MLO “é a única organização satânica que apoio totalmente”.[74] As apresentações ao vivo do Watain foram chamadas de “rituais ao vivo”, e Danielsson descreveu os shows da banda da seguinte forma:

…todo show do WATAIN, não importa se é para 10 punks ou 3.000 chilenos insanos, é sagrado para nós e serve como uma comunhão entre nós e as forças às quais dirigimos nosso louvor.[75]

Quanto ao que a banda significa para ele, ele disse:

Para mim, WATAIN é um símbolo do meu eu desumano, um monumento orgulhoso da escuridão em um mundo de luz ilusória. Como tal, retrata os lados do meu eu que romperam vitoriosamente os grilhões da existência. Então, sim, tudo em minha vida pode ser encontrado em relação ao WATAIN.[76]

Ao discutir o Black Metal como um gênero, Danielsson diz: “Energias desumanas é [sic] o que torna o Black Metal interessante e, mais ainda, divino”,[77] definindo claramente o Black Metal como algo que vai além da expressão musical.

Quanto às bandas inspiradas na Dragon Rouge, a Saturnalia Temple é liderada por Tommie Eriksson, que é membro ativo e de longa data da ordem mencionada anteriormente e que publicou um livro introdutório sobre os ensinamentos e a prática da ordem.[78] Em contraste com muitas outras bandas da cena, o primeiro álbum do Saturnalia Temple, UR, de 2008, contém muito pouco em termos de sigilos mágicos ou simbolismo óbvio, além de um quadrado mágico no próprio CD, uma estátua babilônica na capa e o título “UR” escrito em forma rúnica. As letras, no entanto, tratam de iniciação e são muito semelhantes aos textos mágicos rituais familiares do contexto da Dragon Rouge. O segundo álbum, Aion of Drakon, de 2011, faz referência clara a Dragon Rouge em seu título e tem muitos símbolos/sigilos na capa. Musicalmente, a Saturnalia Temple talvez esteja mais intimamente relacionado ao Doom Metal, Stoner Metal e Metal Clássico na linha do Black Sabbath. Eriksson, no entanto, descreve a música de sua banda como “Black Magic Metal”,[79] que também é o título de uma música do Aion of Drakon.

Vou me concentrar na banda Ofermod com mais detalhes. Mika Hakola/Belfagor, a força motriz da banda, é membro da Dragon Rouge[80] e todas as letras da banda se relacionam e interpretam material familiar do contexto da ordem. O álbum Tiamtü, de 2008, contém muitos “Sigilos de demônios desenhados por frater B.A.B.A, sorore Ararita e sorore A.J para propósitos ritualísticos e invocações qliphóticas…” e as músicas são descritas como cerimônias “cantadas [sic] por frater B. A.B.A (Michayah Belfagor), mestre de cerimônia…”[81] As letras do álbum Thaumiel, de 2012, foram escritas por Hakola e outros membros da Dragon Rouge, e cada música é acompanhada por um sigilo criado pelo autor da letra em questão. Hakola descreve a arte do álbum como “o grimório visual” e o álbum como um todo como “um grimório que lida com Samael”.[82] O próprio título se refere à esfera qliphótica “Thaumiel”, sendo a cabala qliphótica a base da estrutura iniciática do Dragon Rouge.[83] Em meados e no final da década de 1990, Hakola começou a usar o termo “Orthodox Black Metal” para diferenciar sua música do Black Metal “menos sério/verdadeiro” e, desde então, o termo se tornou popular entre muitas outras bandas. Hakola diz:

hoje ele [o Orthodox Black Metal] evoluiu para ser ortodoxo em um sentido mais apropriado, pois muitos músicos que usam esse termo para se referir à sua música aprenderam formas esotéricas de entrar em contato com o lado sombrio da existência e seus habitantes e, dessa forma, podem realmente se considerar ortodoxos em sua espiritualidade sombria.[84]

Ele também acha que o Black Metal precisa ter essa dimensão esotérica para ser um Black Metal adequado, e continua: “Eu também gosto muito de bandas como Saturnalia Temple, JATAO [Jess and the Ancient Ones], Ghost, Therion e assim por diante, mas para mim essas bandas são Black/Death, pois as letras determinam o gênero.”[85]

Thaumiel foi lançado pela gravadora Spinefarm, que é uma unidade de negócios finlandesa independente da multinacional Universal Music Group, algo que Hakola vê como uma “oportunidade de disseminar as correntes qliphóticas… para um público maior”,[86] e “… semeia o caos na mente de nossos ouvintes.”[87] Ele considera sua banda “diferente de 99% das bandas que usam o mesmo denominador [Black Metal], pois para nós é um estilo musical espiritual dedicado às forças mais sombrias que, em última análise, envolve a iluminação luciferiana”.[88] Quanto à música, Hakola diz:

… não se trata apenas de música, mas do mais alto grau possível de magia … cada texto está vinculado a alguma forma de cerimônia individual ou de experimentação cerimonial por vários adeptos durante um longo período … O simbolismo do ocultismo sombrio é o que torna o OFERMOD OFERMOD e não outra banda medíocre do chamado “Black Metal”… Sem a magia negra, onde estaria a fonte da insanidade-sabedoria com a qual preciso entrar em contato para compor uma música? … Preciso me voltar para dentro, para o reservatório ilimitado de escuridão pouco iluminada, onde, nas sombras que são lançadas de longe, encontro um fio vermelho que faz com que meus dedos se movam em um frenesi sobre o braço do violão até que o caos seja transformado em algo que, para os ouvidos humanos, possa ser percebido como música com uma estrutura. OFERMOD É magia, OFERMOD É ocultismo, a música que produzimos é um reflexo de onde estou situado inicialmente quando a crio.[89]

Para Hakola e Ofermod, “a música e a magia são … uma e a mesma essência, a respiração e o ‘batimento cardíaco’ do Grande Dragão como uma espécie de pulso de caos que aquele que ouve com muita atenção no silêncio de si mesmo pode perceber”.[90] Embora as canções estejam estreitamente alinhadas com o processo iniciático pessoal de Hakola, ele diz que a magia de sua música difere de sua prática mágica mais particular. A primeira é mais intuitiva, enquanto a segunda é mais estruturada. Ainda assim, o Ofermod já usou elementos de rituais mais convencionais em shows, mas Hakola quer apresentar sua magia estritamente por meio da música no futuro. Os rituais mágicos mais convencionais serão limitados a preparações pré-show não públicas. Para Hakola, a magia está sempre presente no Ofermod, pois as músicas da banda “podem, no mais alto grau, ser vistas como rituais”.[91] Hakola conclui: “O que mais elas poderiam ser quando esvaziei minha alma nelas por tanto tempo no processo criativo? Não é música comum, isso é certo.”[92]

Embora este artigo se concentre na cena sueca e nas bandas suecas, o fenômeno existe em outros lugares. A banda neerlandesa The Devil’s Blood é um exemplo interessante. A banda foi formada em 2006,[93] lançou sua primeira demo em 2007 e, em seguida, lançou vários EPs e dois álbuns completos[94] antes de encerrar sua carreira em janeiro de 2013.[95] Musicalmente, a banda é mais parecida com o rock dos anos 1970, mas, mesmo assim, é considerada adequada ao contexto do metal extremo e até tocou como aquecimento para o Watain, devido ao foco ocultista em suas letras.

Encerrarei este artigo com uma breve discussão sobre duas bandas que, embora sejam finlandesas e não suecas, estão ligadas ao meio ocultista sueco por meio de um membro em particular. Tuomas Karhunen é letrista, compositor e guitarrista da Jess and the Ancient Ones e da Forgotten Horror.[96] A primeira foi concebida como uma ideia em 2008 e concretizada como banda em 2010,[97] e, embora tenha sido comparada à Devil’s Blood por ambas serem musicalmente inspiradas no rock e na música pop dos anos 1970 e do início dos anos 1980, por terem um enfoque ocultista nas letras e no simbolismo e por terem uma vocalista mulher, há diferenças significativas tanto na música quanto na abordagem. Jess and the Ancient Ones é particularmente interessante por ter conquistado um número impressionante de seguidores em um período muito curto, demonstrando que o ocultismo interessa a um público bastante grande. O primeiro álbum autointitulado da banda alcançou o sétimo lugar na lista oficial de vendas de álbuns da Finlândia[98] e o primeiro lugar na lista da revista musical finlandesa Rumba,[99] que coleta estatísticas de vendas de lojas especializadas em música, e seu mais recente mini-álbum Astral Sabbat alcançou o décimo quinto lugar na lista oficial de vendas da Finlândia.[100]

O vídeo oficial da música “Astral Sabbat” foi visto 16.196 vezes um mês depois de ter sido carregado no YouTube.[101] Da mesma forma que o The Devil’s Blood, o Jess and the Ancient ones foi aceito no cenário do metal extremo e toca com frequência em locais de metal, embora seu estilo musical esteja mais relacionado à Surf Music, ao Occult Rock e ao Folk Rock dos anos 1970 do que a qualquer forma de metal extremo.

A Forgotten Horror foi fundada em 2004 por Karhunen, lançou sua primeira demo em 2007 e seu primeiro álbum, The Serpent Creation, em 2011. Um segundo álbum está programado para ser lançado em 2013. Musicalmente, a banda pode ser caracterizada como Black Metal, mas com fortes influências do Thrash Metal, levando alguns comentaristas a defini-la como “Blackened Thrash”. De acordo com Karhunen, tanto o Forgotten Horror quanto o Jess and the Ancient Ones estão profundamente imersos no ocultismo e na magia, incluindo letras que tratam de temas ocultos, simbolismo ocultista proeminente na arte do álbum e shows ao vivo às vezes descritos como rituais.[102] Entretanto, também há diferenças. Jess and the Ancient Ones lida com o ocultismo de forma relativamente sutil, não escondendo seus interesses, mas também não os anunciando diretamente. Forgotten Horror, no entanto, envolve-se com a magia e o ocultismo de uma forma muito mais direta, representando as explorações pessoais de Karhunen do Caminho da Mão Esquerda, lidando e expressando seu próprio processo iniciático, além de funcionar como uma ferramenta para o trabalho mágico. Embora Karhunen seja membro da Dragon Rouge, ele tem o cuidado de enfatizar que nenhuma de suas bandas é qualquer tipo de “unidade de propaganda” da ordem. No entanto, Forgotten Horror funciona como uma voz para a abordagem pessoal de Karhunen à prática mágica e seu processo de iniciação dentro da Dragon Rouge.

Conclusão

Neste artigo, discuti o surgimento de uma cena de metal extremo com foco no ocultismo que denominei Ritual Black Metal. Apresentei um histórico do ocultismo na música metal e uma visão geral de algumas instituições e artistas cênicos importantes em um contexto sueco. Um fato interessante sobre a cena do Ritual Black Metal é a tendência de se concentrar tanto em um “núcleo ocultista” como característica definidora que os atributos musicais são ofuscados. Consequentemente, a cena envolve bandas como Ofermod e Watain, que, em um sentido musical, podem ser facilmente identificadas como Black Metal, bem como bandas como Saturnalia Temple e The Devil’s Blood, que têm afinidades musicais mais próximas com outros gêneros de Rock e Metal. Outro fator interessante é que muitas das bandas da cena, pelo menos na Suécia, têm vínculos com ordens ocultistas. Portanto, há conexões entre o meio ocultista e o cenário do Black Metal, no qual certas ordens mágicas se tornam instituições cênicas na cena do Ritual Black Metal.

Escrevi anteriormente sobre a convergência das cenas do Black Metal e do Neo-folk, principalmente com os artistas do Black Metal se voltando para expressões musicais derivadas do Neo-folk. [103] Minha argumentação era de que isso pode ser explicado, em parte, como tentativas de re-radicalizar um gênero musical que era visto como muito “seguro” devido ao seu crescente apelo para públicos mais amplos, e a mudança foi para expressões musicais não-metálicas com ênfase religiosa, já que o Black Metal não poderia ser mais radicalizado em termos de música. O Ritual Black Magic representa um desenvolvimento semelhante, uma re-radicalização do Black Metal por meio de sua “religiosização”, no decorrer da qual o estilo musical se torna secundário em relação às expressões líricas e à retórica do envolvimento ocultista e mágico como o núcleo do gênero. O outro lado da moeda é que alguns artistas não têm interesse em se rotular como Black Metal, expressando o sentimento de que a maioria das bandas do gênero tem pouco a ver com o (verdadeiro) ocultismo, o que implica que, embora sua música possa ser chamada de Black Metal por outros, ela se distingue da maioria das bandas rotuladas dessa forma.[104] Para alguns fãs, os artistas que fazem tais afirmações são vistos como mais autênticos do que os outros, sendo a autenticidade a principal moeda para o “capital subcultural”[105] no metal extremo, enquanto outros os acusam de simplesmente “mostrar a carta do ocultismo” para ganhar atenção.[106] Independentemente de como se escolhe rotular bandas específicas, a cena do Ritual Black Metal é caracterizada por envolver artistas com estilos musicais muito diferentes que, no entanto, são vistos como incorporando a mesma essência e, portanto, aceitos como participantes dignos no mesmo campo de jogo. Avaliar a “seriedade” do Ritual Black Metal não é de interesse nem possível na estrutura analítica deste artigo, mas é possível fazer algumas conjecturas sobre as carreiras ocultistas pessoais dos artistas da cena. Está claro que muitos dos artistas envolvidos na cena do Ritual Black Metal se identificaram como satanistas em sua juventude e estavam engajados principalmente em uma rebelião contra as sensibilidades cristãs e seculares dominantes. À medida que envelheceram, a rebelião pela rebelião perdeu seu apelo, e o fascínio juvenil por temas ocultistas se transformou em um envolvimento mais consciente e sustentado com a filosofia oculta e a magia ritual. Isso, por sua vez, proporcionou novos modelos a serem seguidos por artistas e fãs mais jovens.

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  • Candlemass. Epicus Doomicus Metallicus. Black Dragon Records, 1986. Celtic Frost. Emperor’s Return. Noise Records, 1985.
    • ———. Morbid Tales. Noise Records/Metal Blade Records, 1984. Darkthrone. A Blaze in the Northern Sky. Peaceville Records, 1992.
    • ———. Soulside Journey. Peaceville Records, 1990. Deathchain, Ritual Death Metal. Svart Records, 2013. Dissection. Reinkaos. Black Horizon Music, 2006.
    • ———. Storm of the Light’s Bane. Nuclear Blast Records, 1995.
    • ———. Storm of the Light’s Bane. Ultimate Reissue. Icarus, 2006. Emperor. In the Nightside Eclipse. Candlelight Records, 1994.
  • Forgotten Horror. The Serpent Creation. Woodcut Records, 2011. Gorgoroth. Antichrist. Malicious Records, 1996.
    • ———. Pentagram. Embassy Productions, 1994.
  • Hellhammer. Satanic Rites (1983). Fita demo não lançada, incluída no álbum de compilação
  • Demon Entrails. Century Media, 2008.
  • Jess and the Ancient Ones. Astral Sabbat. Svart Records, 2013.
    • ———. Jess and the Ancient Ones. Svart Records, 2012.
  • Mayhem. Live in Leipzig. Obscure Plasma Records/Avantgarde Records, 1992. Metallica. Ride the Lightning. Megaforce Records/Elektra Records, 1984.
  • Morbid Angel. Altars of Madness. Earache Records, 1989. Mötley Crüe. Shout at the Devil. Elektra Records, 1983.
  • Ofermod. Thaumiel. Spinefarm Records, 2012.

    • ———. Tiamtü. NoEvDia/Ajna Offensive, 2008. Ozzy Osbourne. Blizzard of Ozz. Jet Records, 1980.
  • Pentagram. Pentagram. Pentagram Records, 1985 (relançado pela Peaceville Records em 1993 como
  • Relentless).
  • Saint Vitus. Saint Vitus. SST, 1984.
  • Saturnalia Temple. Aion of Drakon. PsycheDOOMelic, 2011.
    • ———. UR. PsycheDOOMelic, 2008.
  • Slayer. Show no Mercy. Metal Blade Records, 1983. Venom. Black Metal. Neat Records, 1982.
    • ———. Welcome to Hell. Neat Records, 1981. Watain. Casus Luciferi. Drakkar Productions, 2003.
    • ———. Lawless Darkness. Season of Mist, 2010.
    • ———. Rabid Death’s Curse. Drakkar Productions, 2000.
    • ———. Sworn to the Dark. Season of Mist, 2007.

Ouça mais

  • Dissection. The Somberlain. No Fashion Records, 1993.
  • Jess and the Ancient Ones. 13th Breath of the Zodiac. Svart Records, 2011 (single).
  • ———. The Time of No Time Evermore. VÁN Records, 2009.
  • The Devil’s Blood. The Thousandfold Epicentre. VÁN Records, 2011.

NOTAS

1 Embora os termos “oculto” e “esotérico” tenham conotações diferentes no estudo do esoterismo ocidental, eu os usarei de forma intercambiável neste artigo.

2 “Occult Black Metal” também poderia ter sido usado para rotular a cena, mas não destaca suficientemente a retórica de enquadrar as atividades artísticas como prática mágica ritual. É interessante notar que, pouco depois de enviar a primeira versão deste artigo, a banda finlandesa Deathchain, que cada vez mais começou a vincular sua música à magia e ao ocultismo e tem membros que atuam em outras bandas discutidas neste artigo, lançou seu sétimo álbum completo com o título Ritual Death Metal.

3 “Popular culture,” Dictionary.com, http://dictionary.reference.com/browse/popular+culture.

4 Keith Kahn-Harris, Extreme Metal: Music and Culture on the Edge (Oxford: Berg, 2007), 86.

5 Simon Frith, “Pop Music,” em The Cambridge Companion to Rock and Pop, ed. Simon Frith, Will Straw e John Street (Cambridge: Cambridge University Press, 2001), 94–96.

6 Keir Keightley, “Reconsidering Rock,” in The Cambridge Companion to Rock and Pop, 109.

7 Gordon Lynch, Understanding Theology and Popular Culture (Oxford: Oxford University Press, 2005), 3.

8 Lynch, Understanding Theology and Popular Culture, 14.

9 Consulte e.g. Antoine Faivre, Access to Western Esotericism (Albany: State University of New York Press, 1994).

10 Antoine Faivre, “Borrowings and Misreadings: Edgar Allen Poes’s ‘Mesmeric’ Tales and the Strange Case of their Reception,” Aries 7, no. 1 (2007).

11 Henrik Bogdan, Western Esotericism and Rituals of Initiation (Albany: State University of New York Press, 2007), 20.

12 Kocku von Stuckrad, “Western Esotericism: Towards an Integrative Model of Interpretation,” Religion 35, no. 2 (2005); Stuckrad, Locations of Knowledge in Medieval and Early Modern Europe: Esoteric Discourse and Western Identities (Leiden: Brill, 2010).

13 Marcus Moberg, “The Concept of Scene and its Applicability in Empirically Grounded Research on the Intersection of Religion/Spirituality and Popular Music,” Journal of Contemporary Religion 26, no. 3 (2011): 404.

14 Moberg, “The Concept of Scene,” 405.

15 Moberg, “The Concept of Scene,” 406.

16 Kahn-Harris, Extreme Metal, 11–12.

17 Michael A. Agar, The Professional Stranger: An Informal Introduction to Ethnography (Nova York: Academic Press, 1980), 27.

18 Consulte Kennet Granholm, “Dragon Rouge: Left-Hand Path Magic with a Neopagan Flavour,” Aries 12, no. 1 (2012).

19 Para um exemplo de foco exagerado na violência no Black Metal, consulte Michael Moynihan e Didrik Søderlind, Lords of Chaos: The Bloody Rise of the Satanic Metal Underground (Venice: Feral House, 1997). Quando a violência no cenário do Black Metal é discutida, os incêndios de igrejas na Noruega no início da década de 1990 e o assassinato do guitarrista do Mayhem, Øystein Aarseth, por Varg Vikernes, em Oslo, Noruega, em 1993, são mencionados com mais frequência. Os outros exemplos destacados são o assassinato de Jon Nödtveidt e “Vlad” de um homem homossexual em Gotemburgo, Suécia, em 1997, e o suicídio do vocalista do Mayhem, Pelle “Dead” Ohlin, em 1991, e o uso subsequente de uma fotografia do cadáver de Ohlin na capa de um álbum do Mayhem – a fotografia foi tirada por Aarseth e foi de fato usada como capa de um álbum, mas em um lançamento bootleg[d] de um show do Mayhem e não em um álbum oficial (consulte Ika Johannesson e Jon Jefferson Klingberg, Blod, eld, död – en Svensk metalhistoria (Estocolmo: Alfabeta Bokförlag AB, 2011), 74). Esses atos são certamente dignos de nota e, embora esses atos de violência sejam às vezes glorificados (consulte, por exemplo, Jon Kristiansen, “Dissection”, em Metalion: The Slayer Mag Diaries (Slayer 12, maio de 1998), ed. Tara G. Warrior (Brooklyn: Bazillion Point Books, [2011] 2012), 379), eles dificilmente representam a cena como um todo.

20 Kahn-Harris, Extreme Metal, 2; Marcus Moberg, “The Internet and the Construction of a Transnational Christian Metal Music Scene,” Culture & Religion 9, no. 1 (2008): 85. Especialmente o lançamento do álbum de estreia autointitulado do Black Sabbath é comumente considerado como o início do Heavy Metal. Consulte Ian Christe, Sound of the Beast: The Complete Headbanging History of Heavy Metal (New York: HarperCollins, 2004), viii, 5–10; Marcus Moberg, Faster for the Master!: Exploring Issues of Religious Expression and Alternative Christian Identity Within the Finnish Christian Metal Music Scene (Åbo: Åbo Akademi University Press, 2011), 110.

21 Moberg, “The Internet and the Construction,” 85; Moberg, Faster for the Master!, 109.

22 Robert Walser, Running with the Devil: Power, Gender, and Madness in Heavy Metal Music (Hanover: University Press of New England, 1993), 9. Walser está descrevendo as bandas de blues britânicas que ele considera precursoras do metal, mas isso se aplica igualmente bem à maioria das formas de metal.

23 Kahn-Harris, Extreme Metal, 102–103, 109–110; Moberg, Faster for the Master!, 112.

24 Esses três gêneros geralmente são apresentados como se seguissem um ao outro em uma sucessão, mas isso simplifica muito os desenvolvimentos reais. Além disso, os gêneros de metal extremo se misturam uns aos outros e as definições de gênero têm pelo menos tanto a ver com as autoidentificações de artistas e ouvintes quanto com as diferenças musicais, o que complica a demarcação clara de gêneros específicos.

25 O primeiro álbum do Darkthrone, Soulside Journey, comumente não é considerado um álbum de Black Metal. A partir do segundo álbum da banda, A Blaze in the Northern Sky, de 1992, no entanto, esse rótulo é comumente aplicado.

26 Um exemplo famoso diz respeito ao artista de blues Robert Johnson, que se diz ter encontrado Satã em uma encruzilhada e vendido sua alma para se tornar um grande guitarrista. Consulte Jon Michael Spencer, Blues and Evil (Knoxville: University of Tennessee Press, 1993), xiii.

27 Em um determinado momento, Page chegou a ser proprietário da antiga Boleskine House de Crowley, às margens do Lago Ness, na Escócia. O site http://fusionanomaly.net/aleistercrowley.html (acessado em 16 de outubro de 2009) lista várias das influências de Crowley no Led Zeppelin, bem como outros detalhes relacionados ao interesse de Jimmy Page por Crowley.

28 Essa é, obviamente, uma influência da literatura de terror de H. P. Lovecraft, que é, por si só, imensamente popular no meio ocultista contemporâneo.

29 O primeiro álbum autointitulado da banda foi lançado em 1984 e contém a música “White Magic/Black Magic”.

30 Primeiro álbum autointitulado em 1985. O próprio nome da banda é, obviamente, uma referência ocultista.

31 O primeiro álbum do Candlemass, Epicus Doomicus Metallicus, foi lançado em 1986 e inclui músicas com títulos como “Crystal Ball” e “A Sorcerer’s Pledge”.

32 Tommy Lee et al., The Dirt – Mötley Crüe: Confessions of the World’s Most Notorious Rock Band (Nova York: Regan Books, 2002), 88.

33 E.g. Moynihan and Søderlind, Lords of Chaos; Gavin Baddeley, Lucifer Rising: A Book of Sin, Devil Worship and Rock ‘n’ Roll (Londres: Plexus Publishing, 1999). Comentaristas como Moberg (Faster for the Master!, 119, 123-24) reconhecem as influências e os temas pagãos. Thomas Bossius, Med framtiden i backspegeln: Black metal och Trancekulturen – Ungdomar, Musik och Religion i en Senmodern Värld (Gotemburgo: Daidalos, 2003), 75, 103-105, 114, 117-20, também o faz, mas parece considerar as bandas influenciadas pelo paganismo como distintas do Black Metal propriamente dito, que ele considera como sendo satânico em sua essência.

34 A entrevista é reproduzida em inglês em Moynihan & Søderlind, Lords of Chaos, 333-35.

35 Para uma abordagem analítica do discurso para problemas sociais e pânicos morais, consulte Titus Hjelm, “Religion and Social Problems: A New Theoretical Approach,” em The Oxford Handbook of the Sociology of Religion, ed. Peter B. Clarke (Oxford: Oxford University Press, 2008).

36 Para uma discussão sobre as representações e construções do satanismo na mídia norueguesa, consulte Asbjørn Dyrendal e Amina Olander Lap, “Satanism as a News Item in Norway and Denmark: A Brief History”, em Encyclopedic Sourcebook of Satanism, ed. James R. Lewis e Jesper Aagaard Petersen (Amherst: Prometheus Books, 2007). Para um exemplo parecido da Finlândia, consulte Titus Hjelm, “Driven by the Devil: Popular Constructions of Youth Satanist Careers,” em Encyclopedic Sourcebook of Satanism, ed. James R. Lewis e Jesper Aagaard Petersen (Amherst: Prometheus Books, 2007).

37 Torstein Grude, Satan rir media (Torsten Grude/TV2, 1998).

38 Bossius, Med Framtiden i Backspegeln, 99, contradiz isso e afirma que a frequência das “atividades satânicas” diminuiu após a condenação de Vikernes, mas não cita nenhuma fonte para essas afirmações. Bossius também acredita de todo o coração na história de um “círculo negro” e de uma “hierarquia satânica” composta pelos principais membros da cena Black Metal norueguesa (Bossius, Med Framtiden i Backspegeln, 97). Embora a existência de tal círculo tenha sido reivindicada por artistas de Black Metal por volta de 1993/4, não surgiram evidências de nada além de uma reunião informal de amigos. A alegação foi posteriormente contestada por membros do cenário do Black Metal (consulte, por exemplo, Varg Vikernes, “A Personal Review of Gavin Baddeley’s Book ‘Lucifer Rising: Sin, Devil Worship and Rock ‘n’ Roll”, 13 de agosto de 2004, http://www.burzum.org/eng/library/lucifer_rising_review.shtml. É muito provável que o “círculo” fosse simplesmente um grupo desorganizado de participantes da cena que pensavam da mesma forma, e não qualquer tipo de “sociedade secreta satânica”. O “The Black Circle” é muito semelhante ao que foi detalhado nos Pânicos Satânicos em outros lugares (e em outros pânicos morais e teorias da conspiração), e é razoavelmente seguro presumir que o modelo preexistente de conspirações clandestinas e o “caráter satânico” do Black Metal norueguês reivindicado pela mídia de massa foram usados pelos músicos para ganhar legitimidade cênica.

39 Egil Asprem, “Heathens up North: Politics, Polemics, and Contemporary Norse Paganism in Norway”, The Pomegranate 10 (2008): 53-54, mostra que as representações do satanismo na Noruega na mídia são anteriores ao surgimento do Black Metal “satânico”.

40 A “fase satânica” do Bathory começou a chegar ao fim com o álbum Blood Fire Death, de 1988, com temas pagãos dominando a partir do álbum Hammerheart, de 1990.

41 Consulte Kennet Granholm, “Embracing Others Than Satan: The Multiple Princes of Darkness in the Left-Hand Path Milieu,” em Contemporary Religious Satanism: A Critical Anthology, ed. Jesper Aagaard Petersen (Farnham: Ashgate Publishing, 2009); Granholm, “The Left-Hand Path and Post-Satanism: The Temple of Set and the Evolution of Satanism,” em The Devil’s Party: Satanism in Modernity, ed. Per Faxneld e Jesper Aagaard Petersen (Nova York: Oxford University Press, 2012).

42 Kennet Granholm, “’Sons of Northern Darkness’: Heathen Influences in Black Metal and Neofolk Music,” Numen 58, no. 4 (2011). Consulte também Gry Mørk, “Why Didn’t the Churches Begin to Burn a Thousand Years Earlier,” em Religion and Popular Music in Europe: New Expressions of Sacred and Secular Identities, ed. Thomas Bossius, Andreas Häger, and Keith Kahn-Harris (Londres/Nova York: I.B. Tauris, 2011).

43 Consulte e.g. Wolf-Rüdiger Mühlman, “Saturnalia Temple: Im Auftrag des Drachen,” Rock Hard 299 (Abril de 2012); Joel Malmén, “Ofermod” [entrevista], Sweden Rock Magazine 97 (Novembro de 2012).

44 Tuomas Karhunen, entrevista de 3 de março de 2013.

45 Karhunen, entrevista.

46 Nos EUA, entretanto, a gravadora/editora de livros Ajna se concentra exclusivamente em música ocultista (Ajna Offensive, http://www.theajnaoffensive.com) e também publica literatura mágica e ocultista ritualística (Ajnabound, http://www.ajnabound.com).

47 Forlorn Fest, “2010,” acessado em 6 de março de 2013, http://www.forlornfest.com/index.php?p=5.

48 Last.fm, “Arosian Black Mass,” acessado em 6 de março de 2013, http://www.last.fm/festival/ 1967833+Arosian+Black+Mass.

49 Forlorn Fest, “About,” acessado em 12 de novembro de 2013, http://www.forlornfest.com/ind ex.php?p=3.

50 Forlorn Fest, “Facebook; Information,” acessado em 12 de novembro de 2013, https://www. facebook.com/ForlornFest/info.

51 Arosian Black Mass, “Information,” acessado em 13 de novembro de 2013, http://www.arosian- black-mass.se/info.html.

52 Belfagor (Ofermod), entrevista por e-mail concedida pelo autor, 12 de outubro de 2012; Malmén, “Ofermod.”

53 Consulte Granholm, “Dragon Rouge.”

54 Jon Kristiansen, “MLO: Misantropiska Lucifer Orden,” em Metalion: The Slayer Mag Diaries (Slayer 16, outono de 2001), ed. Tara G. Warrior (Brooklyn: Bazillion Point Books, [2011] 2012), 549.

55 Fredrik Gregorius, Satanismen i Sverige (N.p.: Sitra Ahra, 2006), 53.

56 Jon Kristiansen, “Dissection: Fear the Return,” em Metalion: The Slayer Mag Diaries (Slayer 17, maio de 2002) ed. Tara G. Warrior (Brooklyn: Bazillion Point Books, [2011] 2012), 548.

57 Gregorius, Satanismen i Sverige, 55.

58 Devido às leis de direitos autorais, não posso citar as letras das músicas. Entretanto, o acesso às letras está prontamente disponível na Internet. Consulte Darklyrics, “Dissection Lyrics. Álbum: Reinkaos,” http://www.darklyrics.com/lyrics/dissection/reinkaos.html.

59 Johannesson e Jefferson Klingberg, Blod, eld, död, 191–23.

60 Johannesson e Jefferson Klingberg, Blod, eld, död, 191–23.

61 Deathbringer, “Dissection Guitarist: Jon Nödtveidt Didn’t Have Copy of ‘The Satanic Bible’ at Suicide Scene,” 3 de setembro de 2006, http://www.metalunderground.com/ news/details.cfm?newsid=21582.

62 Frater Nemidial, Liber Azerate: Det Vredgade Kaosets Bok (N.p.: MLO Anti-Cosmic Productions, 2002).

63 Gregorius, Satanismen i Sverige, 52.

64 Watain, Casus Luciferi.

65 Watain, Casus Luciferi.

66 Watain, Casus Luciferi.

67 Watain, Casus Luciferi.

68 Watain, Sworn to the Dark.

69 Watain, Sworn to the Dark.

70 Watain, Lawless Darkness.

71 Watain, Lawless Darkness.

72 Watain, Sworn to the Dark.

73 Consulte Darklyrics, “1. Legions of the Black Light,” http://www.darklyrics.com/lyrics/ watain/sworntothedark.html#1.

74 Pete Woods, “Interview with Watain,” acessado em 14 de novembro de 2013, http://www.metal teamuk.net/interview-watain.htm.

75 Jon Kristiansen, “Watain: Black Metal Militia,” em Metalion: The Slayer Mag Diaries (Slayer 20, dezembro de 2010), ed. Tara G. Warrior (Brooklyn: Bazillion Point Books, [2011] 2012), 668.

76 Kristiansen, “Watain,” 669.

77 Kristiansen, “Watain,” 669.

78 Tommie Eriksson, Mörk Magi (Sundbyberg: Ouroboros Produktion, 2001).

79 Comunicação pessoal com Tommie Eriksson.

80 Malmén, “Ofermod.”

81 Ofermod, Tiamtü.

82 Belfagor, entrevista.

83 Granholm, “Dragon Rouge.”

84 Belfagor, entrevista.

85 Belfagor, entrevista.

86 Belfagor, entrevista.

87 Belfagor, entrevista.

88 Belfagor, entrevista.

89 Belfagor, entrevista.

90 Belfagor, entrevista.

91 Belfagor, entrevista.

92 Belfagor, entrevista.

93 Eduardo Rivadavia, “The Devil’s Blood: Biography,” acessado em 4 de março de 2013, http://www.allmusic.com/artist/the-devils-blood-mn0001021127.

94 The Devil’s Blood, “Incantations,” acessado em 4 de março de 2013, http://thedevilsblood. com/incantations.

95 The Devil’s Blood, “Declarations,” acessado em 4 de março de 2013, http://thedevilsblood. com/declarations.

96 Embora eu não escreva letras ou músicas para a banda, toco guitarra nos shows ao vivo.

97 Karhunen, entrevista.

98 Musiikkituottajat, “Suomen virallinen lista – Albumit 22/2012,” http://www.ifpi.fi/ tilastot/virallinen-lista/albumit/2012/22.

99 Rumba, “Todellinen superyllättäjä Rumban listan keulille,” acessado em 4 de março de 2013, http://www.rumba.fi/todellinen-superyllattaja-rumban-listan-keulille-30952.

101 Jess and the Ancient Ones, “Astral Sabbat,” YouTube, acessado em 4 de março de 2013, https://www.youtube.com/watch?v=5hgWxb1bXkE.

102 Karhunen, entrevista.

103 Granholm, “‘Sons of Northern Darkness’.”

104 Karhunen, entrevista.

105 Sara Thornton, Club Cultures: Music, Media, and Subcultural Capital (Cambridge: Polity Press, 1995).

106 Karhunen, entrevista.

NOTAS DO TRADUTOR

a N. T.: No original, “folk”.

b N. T.: No original, “Boundary work”. Conceito desenvolvido pelo sociólogo norte-americano Thomas F. Gieryn nos anos 1980, inicialmente no campo da sociologia da ciência, para descrever os processos pelos quais cientistas estabelecem e mantêm fronteiras simbólicas que distinguem a ciência de outras formas de conhecimento, como a religião ou a pseudociência. O termo foi posteriormente adotado em diversas áreas das ciências sociais para analisar como grupos sociais constroem, negociam e reforçam limites simbólicos que definem identidades, pertencimentos e exclusões. No contexto das culturas musicais, refere-se às maneiras pelas quais artistas e fãs delineiam as fronteiras de uma cena musical, estabelecendo critérios de autenticidade e pertencimento que vão além de aspectos puramente musicais ou líricos, englobando práticas, valores e estéticas compartilhadas.

c N. T.: No original, “A foot in the door”. Expressão idiomática da língua inglesa que significa obter uma oportunidade inicial ou acesso privilegiado a uma situação ou ambiente — como quem consegue manter a porta aberta com o pé antes que ela se feche. No contexto da pesquisa, indica que o autor já tinha alguma inserção ou familiaridade com o grupo ou campo investigado, o que facilitou seu trabalho de campo.

d N. T.: Termo em inglês usado para designar gravações ou produtos distribuídos de forma não oficial, muitas vezes sem autorização dos artistas ou detentores de direitos autorais. Originalmente associado à pirataria de álbuns e shows ao vivo, o termo também pode se aplicar a qualquer tipo de item lançado de maneira informal ou clandestina, como cópias raras, edições alternativas ou materiais de circulação restrita entre fãs.

e N. T.: No original, Pedigree. Termo originalmente usado para designar o registro genealógico que comprova a linhagem de raça pura de um animal, especialmente em criações de cães, gatos ou cavalos. Por extensão, passou a ser utilizado figurativamente para indicar a origem, tradição, formação ou prestígio reconhecido de uma pessoa, grupo ou instituição em determinada área.

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