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por Rosemary Ellen Guiley
excerto de The Encyclopedia of Demons and Demonology
Beelzebub (Baal-zebul, Beelzeboul, Belzebub) é o Príncipe dos Demônios. Beelzebub, originalmente um ídolo dos cananeus, significa “Senhor das Moscas”. O nome é uma distorção de Baal-zebul, o principal deus cananeu ou fenício, cujo significado é “Senhor da Morada Divina” ou “Senhor dos Céus”. Beelzebub manifesta-se ora como uma mosca gigantesca e disforme, ora como uma criatura monstruosa de grande estatura sentada em um trono colossal. Nessa última forma, apresenta rosto e peito inchados, narinas enormes, chifres, asas de morcego, pés de pato, cauda de leão e o corpo coberto por grossos pelos negros.
Desde os relatos mais antigos, Beelzebub é descrito como um demônio temido e poderoso. Durante o tempo de Jesus, ele era considerado o Príncipe dos Demônios na crença hebraica. Os fariseus acusaram Jesus de expulsar demônios em nome de Beelzebub, pois, segundo se acreditava, o poder de exorcizar espíritos impuros era obtido por meio de pactos com demônios. O episódio é narrado em Mateus (12:24–29), Marcos (3:22–27) e Lucas (11:14–22):
“E os escribas que desceram de Jerusalém diziam: Ele tem Beelzebub, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios. Então, chamando-os a si, disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás? E se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir. E se Satanás se levantar contra si mesmo e estiver dividido, não poderá subsistir, mas terá fim. Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, se primeiro não o amarrar; e então saqueará a sua casa.” (Marcos 3:22–27)
No texto pseudepigráfico Testamento de Salomão, Beelzebub, ou Beelzeboul, é o Príncipe dos Demônios e é subjugado pelo rei Salomão com a ajuda de seu anel mágico. Salomão ordena ao demônio Ornias que traga Beelzebub até ele; este resiste, mas acaba cedendo ao poder do anel.
Beelzebub se identifica como “o governante de todos os demônios”. Salomão ordena que ele explique as manifestações demoníacas, e Beelzebub promete entregar ao rei todos os espíritos impuros aprisionados. Ele revela que habita na Estrela Vespertina (Vênus) e afirma ser o único Príncipe dos Demônios por ter sido o anjo de mais alta hierarquia no céu, o único remanescente dos anjos celestes que caíram. Conta ainda que foi acompanhado por outro anjo decaído, Abezethibou, que fora lançado no Mar Vermelho. Segundo Beelzebub, Abezethibou retornará triunfante quando chegar o momento. Salomão ordena que ele convoque Abezethibou, mas Beelzebub se recusa a apresentar qualquer demônio. No entanto, anuncia que um demônio chamado Ephippas surgirá e erguerá Abezethibou do mar.
Beelzebub declara que destrói tiranos, induz os homens a adorarem demônios e desperta o desejo sexual em homens santos e “sacerdotes escolhidos”. Também afirma ser responsável por guerras, assassinatos e ciúmes. Seu poder, porém, é frustrado por “Deus Todo-Poderoso”, Emmanuel (Jesus), e ele desaparece quando alguém invoca o juramento Elo-i (“meu Deus”, palavra dita por Jesus na cruz).
Salomão então ordena que Beelzebub corte blocos de mármore tebano para a construção do templo. Os outros demônios protestam, considerando tal tarefa indigna de um demônio tão poderoso. O rei responde que, se Beelzebub deseja sua liberdade, deverá revelar ao monarca outros “mistérios celestiais”. Beelzebub, então, ensina que Salomão pode fortalecer sua casa queimando óleo de mirra, incenso, bulbos marinhos, nardo e açafrão, e acendendo sete lâmpadas durante um terremoto. Diz que acender essas lâmpadas ao amanhecer revelará os dragões celestiais que puxam o carro do Sol. Salomão, descrente, ordena que o demônio continue cortando o mármore e trazendo outros espíritos para interrogatório.
No texto apócrifo Evangelho de Nicodemos, é descrito como Beelzebub passou a governar o inferno acima de Satanás. Após a crucificação de Jesus, Satanás vangloriou-se diante de Beelzebub, dizendo que levaria Jesus ao inferno em vingança pelas vezes em que Ele o havia derrotado. Beelzebub implorou que não o fizesse, pois Jesus era poderoso demais e causaria caos no inferno. Quando Jesus chegou, Beelzebub empurrou Satanás para fora da boca do inferno e trancou o portão, convocando todos os demônios em seu auxílio. Ainda assim, não puderam impedir a entrada de Cristo. Jesus pisoteou Satanás e, com uma única palavra, quebrou as correntes das almas aprisionadas, libertando todos os santos, que imediatamente ascenderam ao céu. Beelzebub permaneceu impotente diante d’Ele.
Ao partir, Satanás disse a Beelzebub: “Satanás, o Príncipe, estará sujeito ao teu domínio para sempre, no lugar de Adão e de seus filhos justos, que são meus.” Durante a Idade Média, Beelzebub foi visto como um demônio de grande poder e era considerado o soberano dos sabás das bruxas. As feiticeiras renegavam Cristo em seu nome e entoavam cânticos enquanto dançavam: “Beelzebub goity, Beelzebub beyty [Beelzebub acima, Beelzebub abaixo].” Sua eucaristia consistia em pão marcado com o nome de Beelzebub em vez do de Jesus.
Há inúmeros relatos de que ele copulava com as bruxas em orgias selvagens. Diz-se que elas se reuniam ao redor do altar em semicírculo e, em seguida, deitavam-se no chão. Tomavam uma poção repulsiva que as fazia suar e depois as paralisava. Enquanto estavam imóveis, Beelzebub copulava com elas, dando início a uma orgia frenética.
Quando as missas negras se tornaram moda na alta sociedade do século XVII, o nome de Beelzebub era repetido em cânticos durante os rituais.
De acordo com grimórios de magia, um feiticeiro invoca Beelzebub correndo o risco de morrer por epilepsia, apoplexia ou estrangulamento. Uma vez conjurado, o demônio é difícil de banir. Um dos feitiços de invocação para ele é o seguinte:
Beelzebub Lucifer MADILON
SOLYMO SAROY THEU
AMECLO SAGRAEL PRAREDUN
VENITE BEELZEBUTH AMEN.
Beelzebub também foi um dos demônios responsabilizados por casos de possessão demoníaca, como o de Nicole Obry, em Laon, França, em 1566, e os episódios de feitiçaria nas possessões de Loudun e Aix-en-Provence, na França, entre o final do século XVI e o início do XVII, que resultaram na execução de seus supostos tenentes, os padres Louis Gaufridi e Urbain Grandier.
Um dos atos mais notórios atribuídos ao demônio foi a possessão de Earling, ocorrida no início do século XX, em Earling, Iowa. Beelzebub teria possuído a jovem Anna Ecklund a mando de seu pai, Jacob, em retaliação por ela se recusar a manter relações incestuosas com ele. O demônio teria deixado o corpo da moça em 23 de dezembro de 1928, num estrondo aterrador, bradando “Beelzebub, Judas, Jacob, Mina [tia de Anna e amante de Jacob]”, seguido de “Inferno, inferno, inferno” e deixando um odor insuportável no ar.
Beelzebub é o senhor da gula, o quinto dos Sete Pecados Capitais. Na Goetia, Bael (ou Baal) é descrito como o primeiro e um dos mais poderosos reis do Inferno, governando legiões de espíritos e apresentando-se sob formas híbridas, como homem, gato e sapo, ou ainda com três cabeças diferentes. Seu nome remete às antigas divindades cananeias chamadas “Baal”, termo genérico para “senhor” ou “mestre”, que ao longo do tempo foi associado a figuras demoníacas na tradição judaico-cristã. Embora alguns grimórios e autores posteriores façam uma aproximação entre Bael e Belzebu (Beelzebub) — principalmente pela semelhança fonética e pela origem comum no culto a Baal —, na Goetia eles aparecem como entidades distintas: Bael é listado como um espírito independente no início da Ars Goetia, enquanto Belzebu é tratado em outros tratados demonológicos como príncipe dos demônios e senhor das moscas. A associação existe por herança cultural e confusão etimológica, mas tradicionalmente eles não são exatamente o mesmo ser.
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