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Pulsa diNura: a maldição mortal secreta dos cabalistas

Este texto já foi lambido por 602 almas.

A Cabala sempre contou com ferramentas práticas e mágicas além de seus objetivos espirituais.

Pulsa deNura, Pulsa diNura ou Pulsa Denoura (em aramaico: פולסי דנורא‎, “Chicotadas de Fogo”) é um ritual supostamente cabalístico no qual anjos destruidores são invocados para bloquear o perdão celestial dos pecados de uma pessoa, fazendo com que todas as maldições mencionadas na Bíblia recaiam sobre ela, resultando em sua morte. No entanto, a Torá proíbe orar para que algo ruim aconteça a outra pessoa. Em vez disso, oferece a alternativa de orar para que o mal dentro da pessoa morra e ela se torne justa.

A origem desse ritual moderno não se encontra na Cabala propriamente dita, mas entre os manuais de magia hebraica da Antiguidade, como o Sefer HaRazim (hebraico: ספר הרזים‎, “Livro dos Segredos”) e A Espada de Moisés. O Sefer HaRazim é um texto mágico judaico que teria sido entregue a Noé pelo anjo Raziel e transmitido ao longo da história bíblica até chegar a Salomão, sendo uma grande fonte de sua sabedoria e supostos poderes mágicos. Vale ressaltar que esse é um livro diferente do Sefer Raziel HaMalach, que teria sido dado a Adão pelo mesmo anjo, embora ambos pertençam à mesma tradição, e grandes partes do Sefer HaRazim foram incorporadas ao Sefer Raziel sob seu título original.

Esse é um texto não ortodoxo; embora as leis tradicionais judaicas de pureza façam parte de sua cosmogonia, há “ações que exigem que comamos bolos feitos de sangue e farinha”. Acredita-se que seja uma obra de referência da magia judaica, invocando anjos em vez de Deus para realizar feitos sobrenaturais. O texto já foi considerado parte do judaísmo “ortodoxo” sob a influência do helenismo, mas hoje ele, junto com outras obras similares, é visto como não ortodoxo ou até herético no judaísmo moderno.

A maldição de morte cabalística

A origem da expressão parece vir do Talmude Babilônico, no tratado Haguigá 15a. Essa passagem contém uma seção agadá (narrativa) que aborda as heresias de Elisha ben Abuyah. É relatado um encontro de Elisha com o anjo Metatron e a subsequente ação errônea deste. O aparente erro de Metatron o tornou passível de receber uma sentença de sessenta pulsa deNura: אפקוהו למיטטרון ומחיוהו שיתין פולסי דנורא — “Expulsaram Metatron e o castigaram com sessenta chicotadas de fogo.”

O termo pulsa denura também aparece uma vez no Zohar (seção 3:263c, “Raya Mehemna”), uma das obras clássicas da Cabala. Lá, é descrito como uma punição celestial contra alguém que não cumpre suas obrigações religiosas. A expressão aparece em alguns outros pontos no Talmude e no Zohar, mas não no contexto de uma maldição mística. Alguns adeptos da Cabala desenvolveram a ideia de invocar uma maldição contra um pecador, a qual chamaram de pulsa deNura.

Políticos israelenses amaldiçoados

Acusações sobre o uso dessa maldição por judeus religiosos contra figuras judaicas que cometeram grandes transgressões têm sido frequentes nos últimos 50 anos, sendo principalmente divulgadas pela mídia israelense. Como se diz em Israel: “você não chegou ao topo da política israelense até ser amaldiçoado com a Pulsa DiNura”. No início do século 20, judeus haredi em Jerusalém foram acusados pela imprensa de terem recitado a maldição contra o linguista Eliezer Ben Yehuda. Houve também relatos não confirmados na mídia de que a maldição teria sido proferida contra arqueólogos e escritores.

Antes do assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin, houve relatos de que a maldição havia sido recitada contra ele. Em 26 de fevereiro de 2012, Tamar Yonah, do site IsraelNationalNews.com, entrevistou Yosef Dayan, que, com orientação rabínica, teria participado do Pulsa DiNura contra Yitzhak Rabin e Ariel Sharon. Avigdor Eskin, membro do Gush Emunim (“Bloco dos Fiéis”), alegou ter recitado as seguintes maldições do Pulsa diNura na noite de 6 de outubro de 1995:

“Anjos da destruição o atingirão. Ele será amaldiçoado onde quer que vá. Sua alma deixará imediatamente seu corpo… e ele não sobreviverá ao mês. Escuro será seu caminho, e o anjo de Deus o perseguirá. Uma desgraça que jamais experimentou cairá sobre ele, e todas as maldições conhecidas da Torá se aplicarão a ele. Entrego a vocês, anjos da ira e da cólera, Yitzhak, filho de Rosa Rabin, para que o sufoquem e sua sombra, e o lancem no inferno, e sequem sua riqueza, e atormentem seus pensamentos, e confundam sua mente, para que ele seja gradualmente diminuído até alcançar sua morte. Matem o amaldiçoado Yitzhak. Que ele seja amaldiçoado, amaldiçoado, amaldiçoado!”

Rabin foi assassinado dentro daquele mesmo mês.

Em julho de 2005, a mídia israelense, sem citar fontes, noticiou que opositores da retirada israelense da Faixa de Gaza haviam recitado a Pulsa deNura no antigo cemitério de Rosh Pina, pedindo ao “Anjo da Morte” que matasse o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon. Seis meses depois, Sharon sofreu dois AVCs e entrou em coma, lutando pela vida até sua morte, em 11 de janeiro de 2014. Naturalmente, a maioria dos analistas atribuiu isso à sua idade (77 anos) e obesidade. Relatos indicam que dez rabinos e cabalistas instigaram a mesma maldição no túmulo próximo a Safed vários meses antes do assassinato do ex-primeiro-ministro Yitzhak Rabin.

Em 7 de novembro de 2006, a Edah HaChareidis declarou que considerava lançar a maldição sobre os organizadores da Parada do Orgulho marcada para ocorrer em Jerusalém no dia 10 de novembro daquele ano. A Rádio do Exército entrevistou o rabino Shmuel Papenheim, que anunciou: “O Tribunal Rabínico realizou uma sessão especial e discutiu a aplicação de uma pulsa denura contra aqueles que estão envolvidos na organização da marcha.” Papenheim, editor da revista semanal da organização religiosa haredi, acrescentou que os rabinos também estavam considerando amaldiçoar “os policiais que agrediram judeus haredi”. Em 2013, Naftali Bennett, político israelense que viria a servir como 13º primeiro-ministro de Israel entre 13 de junho de 2021 e 30 de junho de 2022, também teria recebido a pulsa denura.

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