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Cultos Afro-americanos

O uso do fumo nos cultos de Exu

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por Quimbanda Brasileira

O uso das folhas de fumo como charutos e cigarros está datado por volta do século 18 na Europa. Essa planta repleta de poderes terapêuticos era usada para a cura de diversas enfermidades pelos nativos americanos desde o século XIV ( a planta é nativa da América). Como a Quimbanda é uma fusão de culturas, o uso do tabaco foi agregado ao culto como forma de proporcionar aos espíritos um elo de ligação com o plano mental dos adeptos. A fumaça do tabaco é um forte conector com o mundo ancestral.

Os africanos tiveram contato com o fumo através do povo português que introduziu o cultivo em seus territórios. Por sua vez, enquanto os europeus usavam o fumo como forma prazerosa, os africanos adequaram-no aos seus ritos religiosos e os cachimbos representavam o receptáculo sagrado e comunitário. O “pito” (cachimbo) tinha como principal função expelir as energias nocivas e descarregar o corpo físico e espiritual dos seres humanos e, numa relação diplomática, a fumaça dava boas vindas aos visitantes. Outro ponto interessantíssimo é que o fumo de pior qualidade (refugo) ou o de “Terceira Categoria” era o único que Portugal permitia que fosse negociado entre a Bahia (Brasil) e os países africanos. Alguns historiadores afirmavam que o povo negro preferia o tabaco ao próprio ouro tamanho era a importância nos ritos religiosos.

A folha do tabaco representa o poder do mundo vegetal composta de água, luz e terra. Quando seca está apta para a combustão e, ao ser consumida como fumo, proporciona uma fumaça sagrada. A água, terra, fogo e ar estão contidos nesse material, ou seja, os quatro elementos que se conectam ao quinto (espírito/quintessência) para proporcionar a plenitude nas ritualísticas.

Quando o tabaco é usado pelo adepto e sua fumaça soprada de forma sagrada em pontos riscados ou nos assentamentos faz com que nenhuma energia possa se voltar contra o mesmo, além disso, como a brasa proporciona uma fumaça de temperatura mais elevada, quando o adepto a sopra, o hálito (sangue branco) é aquecido e capacita a relação de respeito e serenidade entre vivos e mortos.

Quando o Exu está incorporado, o tabaco torna-se uma arma mágica e um instrumento regulador. Como arma mágica, purifica o campo energético do adepto, ora consulente, destruindo todas as “cascas” que impedem o fluxo de seus sete pontos de energia, também conhecidos como chacras. É um utensílio purificador e reequilibrador. Como instrumento regulador , feito através da mais sagrada erva, potencializa os aconselhamentos, cura “relacionamentos”, cicatriza feridas emocionais e ajuda nos processos de união.

Exu também trabalha com cachimbo (do Quimbundo “kixima”-coisa oca) que, além de todo exposto acerca dos efeitos espirituais do tabaco, possui uma conotação sexual de absorção/expulsão e ingestão/restituição. Essa concepção está descrita em antigas lendas Yorubá sobre a relação de Exu com o dedo, a flauta e o cachimbo.

O uso do fumo não se trata de caracterização, afinal, cada espírito possui suas particularidades em relação à forma de usar o mesmo. Espíritos com a última reencarnação mais distante preferem fazer uso de formas mais primitivas, como o cachimbo ou o ato de mascar o fumo. Existem espíritos que preferem charutos e outros, mais recentes, utilizam dos charutos mais finos e cigarros . As Pombas Giras fazem uso de cigarrilhas com piteiras, porém, existem as que preferem outras qualidades.

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