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por Jason Louv
Magia é um hobby bem estranho. Se você é como eu, provavelmente se sentiu atraído por ela por motivos elevados: você quer entender o universo e seu lugar nele. Quer respostas para as grandes questões da vida, do universo e de tudo mais — e não apenas uma fé de segunda mão nas proclamações de outra pessoa. Você quer uma sensação elevada de dignidade pessoal, integridade e poder para alcançar os objetivos que mais importam pra você. E — mais do que tudo — você quer encantamento. Quer viver uma vida encantada — uma em que possa se imergir em maravilhas e mistérios, e experimentar uma intensidade que quem está desligado em frente ao celular ou à TV jamais vai conhecer. Você quer uma realidade ampliada — ou talvez esteja em busca da realidade absoluta.
Por qualquer um desses motivos — ou por todos eles — você decide entrar no Circo da Magia. Talvez passe algum tempo navegando em sites ocultistas, ou visite uma livraria esotérica. Talvez compre um ou dois livros de exercícios e tente praticar. Talvez se junte a uma sociedade como a Maçonaria, um coven wiccano, ou até um grupo do Meetup, e comece a conhecer outras pessoas da sua comunidade que têm perguntas parecidas com as suas.
Ao fazer isso, você começa, aos poucos, a sair da “transe do consenso” — aquela criada pelo ritual diário do Comutar-Trabalho/Escola-Consumir-Televisão. E vai se encontrar em uma nova “transe”, definida por ideias de magia, possibilidade pessoal, despertar, novas dinâmicas sociais, caminhos alternativos de vida. Provavelmente vai se deparar com muitas ideias incrivelmente inspiradoras — e, infelizmente, com muitas ideias e crenças debilitantes também.
Aqui vai uma forma útil de pensar sobre isso: a sociedade dominante é um sistema projetado para funcionar da melhor forma possível para o maior número de pessoas. De modo geral, isso significa pessoas boas, decentes, felizes em levar uma vida tranquila, e que se satisfazem com as conquistas da carreira, família, saúde, felicidade — e sobreviver a mais um dia. E isso é algo bonito.
Fora da sociedade dominante, no entanto, você encontra uma realidade muito diferente — as “terras selvagens” da civilização moderna. Seus habitantes, por algum motivo, não se sentem satisfeitos com a realidade consensual. Pode ser porque estejam à frente do seu tempo — ou muito atrás dele. Isso torna as “terras selvagens” um lugar empolgante, e perigoso. É lá que a sociedade coloca as ideias que perturbam demais seu funcionamento diário — para o bem ou para o mal. As ideias estranhas, desacreditadas, não testadas, ou potencialmente libertadoras.
Magia é uma dessas ideias — ou melhor, um gigantesco aglomerado de ideias (um memeplex). Muitas dessas ideias são realmente incríveis. Outras deveriam continuar no lixo.
Mas sejamos claros: envolver-se com magia é começar a vasculhar o lixo da sociedade, procurando algo de valor. Glamoroso, né? Lembre-se: alquimia é a arte de transformar merda em ouro. “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular…”
Se você vai sair por aí procurando ouro, permita-me guiá-lo por esse território, para que encontre o que vale a pena — e evite os sete maiores erros que as pessoas cometem ao aprender magia.
1. Objetivos Mal Definidos
O que você quer?
É uma pergunta simples, mas a maioria das pessoas que entra no mundo da magia e da espiritualidade alternativa nunca se faz essa pergunta — ou nunca define a resposta com clareza. Como resultado, ficam presas nas “luzes piscantes” da Máquina de Pinball da Nova Era, sendo arremessadas de uma experiência, grupo ou mestre a outro, sem nunca se encontrarem de verdade ou chegarem ao cerne das suas questões e motivações.
Você precisa se fazer essa pergunta desde o início: o que você quer? Quer mais poder e habilidade criativa? Quer curar um trauma ou resolver um desafio pessoal? Está disposto a abrir mão de tudo para buscar o esclarecimento? Seja o que for, defina agora. E depois se pergunte: meios mágicos são mesmo a resposta? Ou talvez meios mais mundanos seriam bem mais simples? Tenha clareza sobre isso, ou corre o risco de se perder no glamour da magia e esquecer que ela é apenas uma ferramenta — e uma entre muitas disponíveis neste exato momento.
[Nota do Editor: Morte Súbita inc pode te ajudar com isso. Confira nosso Guia Morte Súbita inc para a Verdadeira Vontade ]
2. Permanecer na Superfície
Magia é um banquete gigantesco. Graças à comunicação global, temos hoje acesso a materiais de praticamente todas as religiões e caminhos esotéricos do mundo. Hermetismo/Golden Dawn/Thelema; Yoga; Vedanta; Budismo Vajrayana; Sufismo; PNL… a lista só é limitada pela demanda do mercado da Nova Era pelo próximo grande “barato”. Cem anos atrás — em alguns casos, poucas décadas atrás — todas essas informações seriam extremamente difíceis de encontrar. Você não poderia simplesmente entrar na Amazon e comprar tudo com um clique. E, em todos os casos, ao entrar em um caminho, você se depararia com um mestre que explicaria que esse caminho é trabalho para uma vida inteira.
Isso coloca os buscadores modernos numa posição única. Não nos falta acesso — o que geralmente nos falta é compromisso com um caminho. A maioria das pessoas acaba explorando aqui e ali, lendo sobre vários caminhos, entrando em vários grupos em sequência. Isso é ótimo para aprender rápido; mas se esse “banquete” substitui o aprendizado profundo e comprometido com uma tradição, você acaba estagnando. Fica ali, só até o limite da sua zona de conforto, e pula para o próximo caminho — nunca dá o salto crucial para o desconhecido. Ironia: isso provavelmente toma mais tempo do que simplesmente seguir um caminho até seus estágios mais avançados.
Ao tornar nosso material majoritariamente não atrelado a uma tradição específica, você foca nas habilidades essenciais que todo praticante precisa desenvolver, independente do caminho escolhido. Mas, se você for para o extremo oposto e virar um “Fanático de Caminho”, acaba caindo no próximo erro:
3. Achar que Existe “Um Caminho Verdadeiro”
Depois que você tem uma experiência transformadora ou atinge um estado elevado dentro de um sistema, é fácil generalizar: “Isso é absolutamente incrível… todo mundo deveria passar por isso!”
Se você não tomar cuidado, vira missionário — fala sem parar sobre sua experiência, tenta convencer amigos e familiares a seguir a mesma prática que te trouxe aquele estado mágico — ou pior: entra no nível “tomou o Ki-Suco”, achando que encontrou O Caminho Verdadeiro, e que todos os outros caminhos são inferiores ou equivocados.
Muita gente fica presa nisso por dias, semanas, meses — até a vida inteira. É um bloqueio clássico. É um comportamento típico de quem tem um ego frágil: lá no fundo, sente-se inferior aos outros, então foca toda sua energia em uma ideologia totalizante ou num líder carismático de quem extrai autoestima e sentido. Se isso parece uma armadilha óbvia e da qual você nunca cairia, pense de novo: a crença em um “Caminho Verdadeiro” está por trás de muitas das maiores tragédias da história — do Terceiro Reich aos genocídios causados por missionários religiosos que “converteram pela espada”.
Se você acredita que seu caminho é o único verdadeiro, está na hora de sair do seu quarto fechado ou da sua comunidade isolada e conhecer a vida de pessoas com outras crenças e histórias. Faça novas amizades.
4. Mentalidade de “Nós contra Eles”
Como pessoas interessadas em magia e espiritualidade alternativa costumam estar à margem da sociedade, é fácil cair em sistemas de crença que reforçam uma identidade de oprimido — uma narrativa de “nós contra eles”. Isso se torna um problema especialmente agudo quando a magia que a pessoa pratica não está funcionando ou não está gerando uma vida de qualidade. Em vez de mudar os comportamentos ou crenças que não estão funcionando, a pessoa cria uma narrativa em que algum “outro” — um grupo, entidade ou sistema — está sabotando seu progresso.
Essas histórias que tentam justificar o fracasso florescem e se multiplicam rapidamente, dando origem a teorias da conspiração que, em larga escala, podem contaminar culturas inteiras — deixando para trás desamparo, miséria e até genocídios (mais uma vez: vide Terceiro Reich). Alguns exemplos:
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“Os Illuminati estão atrás de mim porque eu tenho um conhecimento secreto.”
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“Reptilianos metamorfos/Arcontes/espíritos malignos/Satã/etc. estão controlando a realidade e me perseguindo.”
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“Sou iluminado demais/intenso demais/autêntico demais para que a sociedade convencional consiga lidar comigo.”
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“Sou um trabalhador da luz encarregado de combater as forças das trevas, e as forças das trevas estão no controle.”
Você acredita em alguma dessas ideias — ou em algo parecido? Vamos analisá-las: qual é a mensagem por trás de todas elas? Importância pessoal. Eu, eu, eu. Todas essas histórias oferecem um senso de importância pessoal através do fracasso. Todas permitem que a pessoa seja um desastre completo e, ao mesmo tempo, mantenha a ilusão de estar “vencendo”.
Todas são veneno. Descarte imediatamente — e, no lugar delas, foque no seu crescimento pessoal, na sua felicidade e em como você pode servir melhor as pessoas ao seu redor.
5. Abuso de Substâncias
Drogas e magia estão ligadas desde que o primeiro xamã pré-histórico mastigou uma casca ou cogumelo esquisito que permitiu conversar com os espíritos da floresta — e esses espíritos, a propósito, tinham conselhos bem úteis.
Nos tempos modernos, magos como Aleister Crowley, William S. Burroughs, Terence McKenna, Carlos Castaneda e outros promoveram o potencial espiritual dos psicodélicos — e até de drogas bem mais pesadas. Alguns deles também caíram na armadilha do vício e nos comportamentos destrutivos que acompanham essa doença. Isso é um dos principais motivos pelos quais a magia foi tão desacreditada: permite que as pessoas digam “ah, você só estava chapado” — ou atribuam comportamentos causados por vício às práticas mágicas, em vez de às drogas em si.
Drogas podem ser uma rota rápida para estados alterados, mas não são sustentáveis. No momento atual — de crise econômica mundial, instabilidade e incerteza — sugiro que magos não têm tempo nem luxo para o uso de substâncias. Precisamos estar afiados, centrados — como SEALs da Marinha, e não como hippies dos anos 70. Lembre-se: a geração Baby Boomer pôde se dar ao luxo de experimentar com drogas por décadas porque era a geração mais rica e segura financeiramente da história. Não é o caso dos millennials ou das gerações mais novas. O mundo atual é uma zona de combate — e você não deve embotar seus sentidos nem se desorientar numa zona de guerra.
[Nota do Tradutor: “Deadheads” são fãs da banda americana Grateful Dead, associados a uma cultura de uso de drogas e vida alternativa.]
(E não é uma guerra de “nós contra eles”, a propósito. É um salve-se quem puder, enquanto todo mundo tenta sobreviver aos desafios da tecnologia acelerada e do crescimento populacional.)
6. Tentar Ser o “Melhor Mago” em Vez de Ser o “Melhor Você”
Quando pessoas com perfil de superdotados entram no mundo da magia, muitas tentam dominar absolutamente todos os aspectos dela e se tornar um Mestre Total e Formidável. Mas a verdade é: não existe esse tipo de domínio absoluto — esqueça esse arquétipo tirado de desenho animado de sábado de manhã. Lembre-se: magia é apenas uma ferramenta. Conheça seu objetivo e use a ferramenta para alcançá-lo.
Claro, não precisa ser tudo tão linear. Você pode estar simplesmente buscando crescimento espiritual regular e sustentável por meio de práticas como meditação, trabalho com sonhos, diário, yoga, rituais — e o que mais você escolher usar. Maravilha.
A chave aqui é: isso não é uma competição. Não existe troféu, exceto tornar-se mais você mesmo.
7. Entregar Seu Poder
Especialmente como um mago jovem e inexperiente, é provável que você se depare com situações ou pessoas que tentem seduzi-lo a entregar seu poder. Pode ser um guru autoritário ou abusivo, uma ordem mágica rígida e controladora, ou até uma ideologia sufocante — talvez você se sinta tentado, ou até coagido, a entregar o controle da sua vida em troca de alguma recompensa, tangível ou não.
Se fizer isso, prepare-se para uma lição dolorosa.
Apesar de, às vezes, ser fácil esquecer, você é o verdadeiro mago — o verdadeiro mestre da sua realidade. Para ilustrar isso, quero compartilhar uma história do autor John Fowles, que despertou meu interesse adolescente em testar os limites da realidade. É do romance O Mago, de 1965:
Era uma vez um jovem príncipe que acreditava em tudo, menos em três coisas. Ele não acreditava em princesas, não acreditava em ilhas e não acreditava em Deus. Seu pai, o rei, dizia que tais coisas não existiam. Como não havia princesas ou ilhas nos domínios do rei, nem sinal de Deus, o príncipe acreditava em seu pai.
Um dia, porém, o príncipe fugiu do palácio e chegou a uma terra vizinha. Lá, para seu espanto, viu ilhas de todas as costas — e, nessas ilhas, criaturas estranhas e inquietantes que ele não ousava nomear. Enquanto procurava um barco, um homem em traje de gala aproximou-se dele na praia.
— Aquelas são ilhas reais? — perguntou o príncipe.
— Claro que são — respondeu o homem.
— E aquelas criaturas estranhas?
— Todas são princesas genuínas e autênticas.
— Então Deus também deve existir! — exclamou o príncipe.
— Eu sou Deus — respondeu o homem com uma reverência.
O príncipe voltou correndo para casa.
— Então você voltou — disse o rei.
— Vi ilhas, vi princesas, vi Deus — disse o príncipe, ressentido.
O rei permaneceu impassível.
— Nem ilhas reais, nem princesas reais, nem um Deus real existem.
— Mas eu os vi!
— Como estava vestido Deus?
— Com um traje de gala.
— As mangas estavam arregaçadas?
O príncipe lembrou-se de que estavam. O rei sorriu.
— Esse é o uniforme de um mago. Você foi enganado.
O príncipe voltou à terra vizinha e encontrou novamente o homem na praia.
— Meu pai disse quem você é — declarou o príncipe. — Você me enganou da última vez, mas não de novo. Agora sei que aquelas não são ilhas reais, nem princesas reais, porque você é um mago.
O homem sorriu.
— É você quem está enganado, meu rapaz. No reino do seu pai, há muitas ilhas e muitas princesas. Mas você está sob o feitiço do seu pai — por isso não consegue vê-las.
O príncipe voltou para casa pensativo. Ao ver o pai, olhou em seus olhos:
— Pai, é verdade que você não é um rei de verdade, mas apenas um mago?
O rei sorriu e arregaçou as mangas.
— Sim, meu filho, sou apenas um mago.
— Então o homem da outra praia era Deus.
— O homem da outra praia era outro mago.
— Eu preciso conhecer a verdade — a verdade além da magia.
— Não existe verdade além da magia — disse o rei.
O príncipe se entristeceu.
— Então vou me matar — disse ele.
O rei, com magia, fez a Morte aparecer. Ela ficou na porta e acenou para o príncipe. Ele estremeceu. Lembrou-se das belas, mas irreais, ilhas — e das irreais, mas belas, princesas.
— Tudo bem — disse. — Posso suportar.
— Veja, meu filho — disse o rei —, você também começa a ser um mago.
Alimente sua alma com mais:

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