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por Arthur Moros
Existem muitos ritos pelos quais se pode conectar à corrente saturnina; nenhum deles deve ser realizado levianamente, embora alguns sejam mais pesados que outros. Após praticar os rituais anteriores por no mínimo um ano, e somente se o mago sentir uma afinidade muito forte com a divindade, ele ou ela pode desejar tomar medidas para se vincular permanentemente ao deus. Tal escolha deve ser profundamente ponderada, pois para tornar-se um verdadeiro sacerdote ou sacerdotisa da divindade saturnina, é preciso entregar voluntariamente a própria essência ao senhor das correntes.
Em outras palavras, o mago deve deliberadamente oferecer ao deus sua própria alma, bem como suas esperanças e ambições pessoais, como um ato de sacrifício. A divindade saturnina não aceitará presente menor como preço de entrada em Seu santuário interior.
Não é necessário realizar este ritual para praticar o culto ou a magia saturnina. Este caminho deve ser seguido exclusivamente por aqueles que, tendo provado da amarga e doce gnose do deus, desejam se unir ao Cubo Negro e à sua corrente eterna.
Para os que creem no ciclo de renascimento, este ritual cria correntes cármicas (ou psíquicas) que não podem ser quebradas, comprometendo os futuros “eus” do mago ao serviço do deus. Uma coisa é provar do cálice negro da gnose de Saturno – outra é esvaziá-lo até a última gota. Se houver qualquer dúvida sobre realizar este rito, então não prossiga. Caveat cultor [Nota do Tradutor: expressão em latim que significa “que o praticante seja cauteloso”].
Instruções Pré-Ritual
● O ritual deve idealmente ser realizado no inverno, numa noite de Saturno, durante a lua minguante. O mago deve observar alguma forma de rigorosa abstenção (como silêncio ou jejum) por 24 horas antes do rito.
● O rito deve ser realizado numa câmara de pedra (não de madeira), abaixo do solo, como uma adega ou porão. A ventilação é importante, pois o ritual envolve fogo.
● O mago deve vestir roupas pretas, portar tesouras, uma corrente de aço ou ferro no pescoço ou pulso, e três pedaços de couro preto. Os pedaços de couro devem estar manchados com sangue, urina e fluidos sexuais do mago – isso deve ser feito no dia anterior, para que o couro e os fluidos estejam secos no momento do ritual. O nome do mago deve estar escrito ou gravado nos três pedaços.
● Devem também ser preparados três papéis: o primeiro com o nome e a árvore genealógica do mago; o segundo com o relato de suas memórias mais vívidas; o terceiro com uma descrição de seus desejos para o futuro.
● Uma taça preta com vinho tinto deve estar presente, e deve ser amargo (não doce), se possível.
● Para este ritual, não é necessário um altar. Em vez disso, acende-se um pequeno fogo num braseiro voltado para o oeste.
● O ambiente deve ser defumado com incenso de aroma pungente antes do ritual.
O Rito
O mago deve iniciar o rito curvando-se para o oeste, depois ajoelhando-se ou sentando-se diante do fogo sagrado.
Invocação
Senhor do Oeste, que habitas além das trevas, ouve meu chamado.
Tu que estavas lá antes dos outros deuses, tu que reinas sobre vivos e mortos, que acorrentas todos os seres e és senhor do destino e do tempo.
Tu que alguns chamam de Saturno, outros de Shani, e Zuhal, tu que também és chamado Ialdabaoth, e Cronos!
Agora eu te chamo por um nome secreto, SONERO, que deuses e demônios temem pronunciar.
Quando tua morada está no mundo inferior, és senhor dos mortos.
Quando tua morada está no céu noturno, és senhor das estrelas.
És o mestre do destino, e até os deuses te temem.
Sol, lua e estrelas se curvam à tua vontade – e agora eu também me curvo.
Vem, SONERO, do teu trono gelado. Vem, senhor do cubo negro, e aceita este sacrifício de tua verdadeira filha/teu verdadeiro filho.
A Ti, senhor, eu ofereço tudo.
O mago pega o primeiro pedaço de couro e papel e os oferece ao fogo. Ele imagina sua alma/nome/essência sendo consumida.
Senhor, eu, [nome do mago], te ofereço livremente meu nome, meu ser, minha essência.
O mago pega o segundo pedaço de couro e papel e os oferece ao fogo. Ele imagina sua vida passada, memórias e relacionamentos sendo consumidos.
Pai, eu te ofereço meu passado, minhas memórias, minhas vitórias e fracassos.
O mago pega o terceiro pedaço de couro e papel e os oferece ao fogo. Ele imagina suas escolhas e possibilidades futuras sendo consumidas.
Mestre, eu te ofereço meu futuro, meus sonhos e esperanças.
O mago pega as tesouras e corta um pequeno pedaço de seu cabelo. Isso deve ser oferecido ao fogo.
Minha carne e meu sangue estão ao teu comando. Enquanto estiveres atado ao teu trono, serei teus ouvidos e teus olhos.
Quando ordenares, serei tua mão neste mundo, conforme tua vontade.
O mago pega a taça de vinho amargo com ambas as mãos.
Tua verdade é a única verdade que busco. Com teus olhos verei, e com teus ouvidos ouvirei.
O passado e o presente me serão revelados, pois sou sacerdote/sacerdotisa da divindade saturnina.
Fala comigo, revela-me teus segredos.
O mago esvazia a taça até a última gota. Em seguida, deve meditar sobre a divindade saturnina na forma que lhe parecer mais adequada. Se o ritual for realizado corretamente, ele receberá a gnose diretamente do deus. Isso será pessoal e não deve ser compartilhado.
Após o período de meditação e recepção da gnose, o novo sacerdote/sacerdotisa pega a corrente e a prende ao pescoço ou pulso, dizendo:
Tuas correntes me libertaram do karma.
À noite, torno-me o portador do caos sobre o mundo.
Durante o dia, sou o mensageiro da tua nova ordem.
Tomei tuas correntes sobre mim, e partirei como agente do Trono Negro.
Sê propício, Senhor e Pai, e agrada-te de mim, agora e sempre.
O mago deve curvar-se profundamente para o oeste e apagar a chama. Deve então deixar a câmara, banhar-se e recolher-se para a noite.
Quaisquer sonhos devem ser anotados, se possível, pois podem conter significados importantes.
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