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Conheça o Filósofo Desconhecido

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Santiago Bovisio.

Chamado “O Filósofo Desconhecido”, pseudônimo que adotou em seus escritos, nasceu em Amboise (França), em 18 de janeiro de 1743, no seio de uma família da nobreza. Foi educado por seu pai com a gravidade de costumes da época, e por sua madrasta – pois sua mãe havia falecido pouco depois de dar-lhe à luz – com tamanha ternura que essa impressão seria decisiva no futuro, em todos os seus afetos.

Essas experiências o fariam amar a Deus e aos homens com grande pureza, e sua lembrança seria sempre gratíssima ao filósofo, em todas as fases de sua vida.

Haveria sempre uma mulher, santamente amada, em cada uma das etapas a percorrer.

Seu coração, assim disposto pelo amor, recebeu desde as primeiras leituras feitas na idade em que despontava sua inteligência uma impressão e tendências ainda mais decisivas, mais internas e mais místicas. O livro de Abbadie, A Arte de Conhecer-se a Si Mesmo, iniciou-o nesse conjunto de estudos de si mesmo e de meditações sobre o tipo divino de todas as perfeições, que seriam a grande obra de toda a sua vida.

Fisicamente preparado para os grandes voos espirituais, tinha um organismo muito delicado, mas indubitavelmente predisposto à vida do espírito. A esse respeito, ele diz em seu Meu Retrato Histórico e Filosófico: “Mudei de pele sete vezes durante minha infância, e não sei se, por causa desses acidentes, devo o ter tão pouco de astral”.
Pouco se sabe de seus primeiros anos escolares. Para agradar a seu pai e ao protetor de sua família, o Duque de Choiseul, seguiu a carreira de Direito, “mas preferia dedicar-se às bases naturais da justiça do que às regras da jurisprudência, cujo estudo lhe repugnava”, afirma seu biógrafo M. Gense.

Isso se explica porque, aos dezoito anos, já conhecia os filósofos da moda: Montesquieu, Voltaire e Rousseau, e, ao haver adquirido o hábito de aprender sobre leis e costumes com tais mestres, é lógico supor que Saint-Martin ouvisse com frieza as palavras de simples professores de jurisprudência. Quanto à repugnância que sentia pelos códigos e tradições do costume aplicados à justiça, também se explica por seu caráter eminentemente espiritualista.

Não obstante, continua seus estudos, diploma-se como advogado e, sempre para agradar a seu pai, ingressa na Magistratura, carreira que abandona seis meses depois, a despeito das perspectivas que ela lhe deparava, já que, com a proteção do Duque de Choiseul, teria sido muito fácil suceder a um de seus tios, que desempenhava, então, um posto de Conselheiro de Estado.

Ingressa na carreira das armas, apesar de detestar a guerra, não para alcançar uma posição ou distinguir-se de forma chamativa, mas para poder ocupar-se de seus estudos favoritos: a religião e a filosofia, evadindo-se, assim, das doutrinas materialistas de sua época, que enchiam de alarme sua alma terna e piedosa.

Graças à proteção do Duque de Choiseul, ingressa como subtenente no regimento de Foix, cuja guarnição se encontrava em Bordéus, ainda que não tivesse instrução militar alguma.

Naquela cidade, encontrou o alimento que sua alma pedia: o conhecimento.

Com efeito, encontra ali um desses homens extraordinários, grande Hierofante de iniciações secretas: Martinez de Pasqually, português, de origem israelita, que desde o ano de 1754 iniciava adeptos em várias cidades da França, sobretudo em Paris, Bordéus e Lyon.
Ao que parece, nenhum de seus alunos alcançou o conhecimento total de seus segredos, pois o próprio Saint-Martin, que deve ter sido um de seus mais ilustres discípulos, manifestava que o Mestre não os considerou suficientemente adiantados para lhes dar a conhecer o supremo segredo.

Nessa escola, Martinez de Pasqually oferecia um conjunto de ensinamentos e simbolismos que, unidos a certos atos de teurgia, obras e preces, formavam uma espécie de culto que permitia o contato com as Entidades Superiores.

A esse respeito, Saint-Martin diria, 25 anos depois, que a Sabedoria Divina se serve de Agentes e Virtudes para fazer conhecer o Verbo em nosso interior, entendendo por essas palavras, potências intermediárias entre Deus e o homem, para o que era condição indispensável uma grande pureza de corpo e de imaginação.
Esses intermediários seriam necessários até que o homem completasse o ciclo de evolução, ao término do qual seria igual a Deus e se uniria a Ele.

Saint-Martin prossegue esses estudos esotéricos em Bordéus desde 1766 e bem cedo desperta nele o desejo de falar ao grande público e de atuar fortemente sobre as massas.

Seguindo os deveres de sua profissão, abandona Bordéus em 1768 para estar na guarnição de Lorient e Longwy, ano no qual também seu Mestre se translada para Lyon e Paris, onde funda novas lojas.
Essa separação, possivelmente, fosse a causa pela qual Saint-Martin abandonasse a carreira das armas em 1771, determinação grave em seu caso, pois implicava bastar-se a si mesmo, carecendo de fortuna, correndo o risco de desgostar seu pai, o que, felizmente, ao que parece, não aconteceu.

Sua vocação já estava perfeitamente estabelecida. Ele seria um diretor de almas. Do alto vem o mandato e ele dedicará sua vida inteiramente a isso e a seu próprio aperfeiçoamento.

Translada-se a Paris, onde bem depressa se põe em contato com os alunos de Martinez de Pasqually: o Conde D’Hauterive, a Marquesa de La Croix, Cazotte e o Abade Fournié.

Com os dois primeiros persistiria a amizade durante toda a vida pela grande afinidade em suas aspirações, especialmente com o Conde D’Hauterive, com quem se encontra em Lyon no ano de 1774, cidade para a qual se translada nosso biografado e onde Martinez de Pasqually havia fundado a loja da Beneficência. Nela seguiu um curso de estudos e, em companhia de D’Hauterive, durante três anos se dedicou a experiências tendentes a entrar em contato com os Seres Superiores e conseguir o conhecimento físico da “Causa Ativa e Inteligente”, nome com o qual se conhecia, nessa escola teúrgica, o Verbo, a Palavra ou o Filho de Deus.

Por essa época, ou seja, próximo já dos trinta anos de idade, Saint-Martin já era muito bem recebido no grande mundo. É descrito como dono de uma figura expressiva e de um nobre gesto, cheio de distinção e reserva. Seu porte anunciava, ao mesmo tempo, o desejo de agradar e o de dar algo. Bem cedo, foi muito conhecido e procurado em toda parte, com grande interesse.

Cabia-lhe atuar no seio de uma sociedade muito diversificada, pouco séria e mundana, na qual o papel a desempenhar foi considerável desde o princípio.

Nascido no mundo e amando-o, sempre alegre e espirituoso quando lhe convinha sê-lo e, habitualmente, teósofo grave e humilde, com aparência de inspirado, gozava ele de toda a deferência que tal atitude outorga na sociedade feminina.

Sua doutrina, completamente oposta à filosofia superficial que reinava naqueles dias, era justamente a chamada para golpear os espíritos preparados para ouvir a grande verdade.

Enquanto ia cumprindo sua missão de diretor de almas, em tão matizada sociedade, frutificavam os velhos estudos em longas meditações que culminariam em 1775 com a publicação de sua obra Dos Erros e da Verdade, publicada em Lyon com o pseudônimo de “O Filósofo Desconhecido”.

Este livro, refutação das teorias materialistas em voga nessa época, mostra que a grande força que se manifesta no Universo e que o guia, sua causa ativa, é a Palavra Divina, o Logos ou Verbo. É pelo Verbo, pelo Filho de Deus, que o mundo material foi criado, assim como também o mundo espiritual. O Verbo é a unidade de todos os poderes morais e físicos. É por ele, ou talvez emanado dele, que se tem tudo quanto existe.

Este último conceito, a teoria da Emanação, provocou a ira de seus adversários. Mas seus amigos, vendo nele um audaz e poderoso campeão do espiritualismo, que o século queria ou parecia considerar como definitivamente perdido, agruparam-se ao seu redor com grande deferência.

Esse début parecia revelador de um escritor profundo e, ainda que então Martinez de Pasqually vivesse entre eles, nada publicava e, pelo contrário, passava inteiramente despercebido. Esse fato trouxe, possivelmente, a confusão de atribuir a Saint-Martin a fundação da Escola dos Martinistas na Alemanha e em outros países do Norte; o que, ao que parece, não foi assim, pois se tratava de um conglomerado de lojas e santuários que adotaram as teorias secretas de Martinez de Pasqually mais do que as de seu discípulo.
Saint-Martin fracassou, ao que parece, como fundador, e, na realidade, a escola dos Martinistas deveria ter-se chamado Martinezistas, para diferenciá-la da dos discípulos de Saint-Martin.
Não foi uma obra externa sua verdadeira missão, mas a já mencionada, de diretor de almas, a tal ponto que, de seus escritos e correspondência íntima, deduz-se claramente que, além de seu trabalho de aperfeiçoamento próprio, era seu trabalho de missionário a grande obra que lhe estava encomendada; e a ela se dedicou, cheio de ardor, rico em fortes convicções, gozando com prudência de uma juventude bem governada e impulsionado pelo êxito. Foi muito bem recebido, ainda onde não conseguia seu objetivo, ou seja, a direção da alma, sendo sua propaganda ativíssima no grande mundo.
Tinha contato com inúmeras pessoas em muitas localidades da França e, em todas elas, existiam grupos que realizavam experiências psíquicas e de mediunidade. Este não era o forte de Saint-Martin e, ainda que reconhecesse a realidade de certos resultados, preferia seu papel de ensinante, que lhe dava muitas satisfações e, em alguns casos, admiráveis resultados.

Buscava seus discípulos entre as personalidades mais destacadas da época, já fossem homens de ciência – como o astrônomo Lalande, que não o compreendeu – ou o Cardeal Richelieu, com quem manteve várias entrevistas, mas que por fim teve que abandonar devido à idade e à surdez.

Afastou também o Duque de Orléans – que se faria célebre poucos anos mais tarde pela Revolução –, apesar de que já nessa ocasião era o expoente mais elevado das novas ideias que iriam mudar a face da França.

Não se apegava aos homens; só buscava as almas que necessitavam de sua direção.

Em 1778, aos trinta e cinco anos, muda-se para Toulouse, onde por duas vezes seu coração parece querer traí-lo e apegar-se afetivamente a ponto de pensar em matrimônio. Mas, pouco tempo depois, considerava ambas as experiências como verdadeiras provas, das quais havia tirado como conclusão que não havia nada na Terra que pudesse apegá-lo e afastá-lo de sua missão.

Permaneceu poucos meses nessa localidade, retornando a Paris, cidade que ele chamava de seu purgatório.

Saint-Martin é o elo entre as lojas místicas da pré-Revolução Francesa e as lojas sociais da época liberal.

No final do século XVIII, a França estava repleta de lojas maçônicas fundadas por Cagliostro e, próximo a Paris, em Versalhes, Martinez de Pasqually havia fundado aquelas que posteriormente seriam denominadas dos Filaleteus e Grandes Profetas. Saint-Martin, que espiritualmente se sentia afastado da maçonaria, também não pôde se conectar com essas últimas, pois, ao que parece, dedicavam-se a experiências de alquimia, o que chocava seu espírito, amigo de um misticismo puro.

É nessa época que corresponde também ao afastamento de seu Mestre, em viagem a Santo Domingo, onde morreria, e na qual Saint-Martin é, senão o sucessor reconhecido, pelo menos o principal iniciador da doutrina da escola, quando se diferencia a nova era na qual entra. Com efeito, deixando de lado todo o cerimonial e experiências teúrgicas, Saint-Martin busca resultados superiores mediante o recolhimento, a meditação, a oração, que levam à união com Deus.

A esse apostolado ele dedicou toda a sua existência e, com esse fim, buscava as almas no grande mundo, entre os grandes escritores e os homens de ciência, convencido de que sua palavra direta ganharia as almas com mais facilidade do que qualquer método, já que tinha Deus em seu auxílio.

Não era vaidoso ao pensar assim; pelo contrário, era tão humilde que chegava à timidez. Compreendia e sabia que precisava de alguém que o estimulasse a dar de si tudo o que podia. Esse foi o grande mérito da Marquesa de Chabanais, uma mulher eminente à qual ele sempre esteve muito agradecido por ter o raro privilégio de ajudar seu espírito, dando-lhe o impulso necessário para elevá-lo a maiores alturas.

É também nessa época que ele toma a direção espiritual da Duquesa de Bourbon, irmã do Duque de Orléans e mãe do Duque de Enghien, de quem foi amigo, protegido e hóspede habitual quando vivia em Paris.

Suas relações incluíam os nomes mais famosos da época. Ele passou 15 dias no castelo do Duque de Bouillon, onde teve a oportunidade de conhecer Madame Dubarry, ainda tratada como princesa favorita, apesar de seu reinado já ter terminado. O Duque de Bouillon foi, ao que parece, um discípulo disposto a receber as ensinanças de Saint-Martin, o que é notável, já que era um dos poucos amigos bem recebidos pelo rei Luís XV.

Diz Matter: “Esta talvez tenha sido a melhor época de sua vida. É maravilhoso ver um gentil-homem de pequena nobreza e de fortuna medíocre, um simples oficial, sem dúvida muito estudioso, mas escritor ainda pouco conhecido, desempenhar um papel tão considerável em tantas famílias proeminentes, levado tão somente por suas aspirações e por sua piedade ainda pouco amadurecida”.
“Em geral, era ouvido com singularidade, mas ninguém o seguia. Parecia que, em meio dessa sociedade tão sensual, cética e materialista, todos desejavam luz, mas uma luz doce e agradável; e, ao depararem-se com uma forma um tanto austera, tal como ele apresentava em seu primeiro livro, rejeitavam-na”.

Pressionado por seus discípulos a expor sua doutrina de forma mais clara, ele publica em 1782 o Quadro Natural das Relações que Existem Entre Deus, o Homem e o Universo, manifestando que as coisas devem ser explicadas mediante a constituição do homem, e não o homem pelas coisas.

Acrescenta que nossas faculdades internas e escondidas são as verdadeiras causas das obras externas e que, no Universo, as potências internas são as causas verdadeiras de tudo o que se manifesta no exterior. Longe de querer ocultar de nossos olhos as verdades fecundas e luminosas, que são o alimento da inteligência humana, Deus as escreveu em tudo o que nos rodeia. Escreveu-as na força viva dos elementos, na ordem e harmonia de todos os fenômenos do mundo; mas, ainda mais claramente, naquilo que constitui a característica distintiva do homem.

Portanto, o grande objetivo do filósofo deve ser estudar a verdadeira natureza do homem e deduzir os resultados que surjam desse estudo da ciência do conjunto das coisas, apreciando-as sob os raios da luz mais pura.

Assim como o livro anterior, este também é pouco claro em muitas de suas expressões, possivelmente devido às exigências do segredo, comprometido na escola de Martinez de Pasqually.

Ainda que a crítica pouco tenha se ocupado dessa nova obra, ela lhe valeu ser considerado pelos Martinezistas como o sucessor natural de seu fundador, convidando-o a reunir-se com eles para concluir conjuntamente a obra. Os trabalhos dessa sociedade buscavam, aparentemente, conciliar as ideias de Swedenborg com as de Martinez de Pasqually; mas, ao que parece, secretamente perseguiam fins políticos e a descoberta de alguns dos grandes mistérios, entre eles, a pedra filosofal. Saint-Martin, que pugnava por um espiritualismo puro e que olhava com certo receio as operações teúrgicas, recusou o convite e dedicou-se com mais afinco a buscar seus discípulos no grande mundo que frequentava e entre os sábios da época.

Ele sabia que não se domina senão desde cima, e por isso apontava sua mira para o alto. Não pretendia marchar à frente dos sábios, mas, sabendo que não se pode influenciar a opinião pública sem eles e compreendendo que essa é governada por meio deles, desejava alcançar o grande público por intermédio dos sábios.

Havia entre todos, um corpo ilustre, que parecia liderar o movimento filosófico da época: a Academia de Berlim, onde Mendelsohn, Bailly e Kant animavam os concursos por meio de seus escritos.
A pedido de Frederico, o Grande, em 1776, a Academia havia proposto uma pergunta grave: “É útil enganar o povo?” e dividiu o prêmio entre dois concorrentes que haviam apresentado conclusões inteiramente opostas, uma das quais sustentava audazmente que há ocasiões em que convém deixar o povo no erro. As repercussões desse debate foram imensas e, possivelmente, Saint-Martin sonhasse com uma publicidade semelhante.

Portanto, quando a Academia de Berlim propôs um concurso sobre o tema “Qual é a melhor maneira de chamar à razão as nações selvagens ou civilizadas que se encontram submetidas a erros e superstições de toda espécie”, Saint-Martin viu a oportunidade de abordar um dos erros que, a seu ver, era o mais grave da época: a substituição da razão divina pela humana.

Ele tratou a questão com toda a profundidade e importância que seu ponto de vista iluminado lhe permitia. Desejava introduzir no mundo, sob uma ilustre bandeira, a grande doutrina que o preocupava: a da profunda ruptura que mantinha a humanidade afastada de suas relações primitivas com o Criador.

Seu escrito tratava, inicialmente, de dar uma definição clara da razão e de demonstrar que, para submeter-se a ela, o homem deve ser levado à condição e ciência primitivas da espécie humana. Essa ciência foi, durante muito tempo, transmitida secretamente de santuário em santuário, de escola em escola, e estabelecia fortemente essa espiritualidade que diferencia o homem da besta.

Acrescentava que o que falta ao homem, quando ele chega à Terra para cumprir a lei comum de sua espécie, é o conhecimento de um laço tranquilizador que o una à fonte de onde emanou, mediante relações evidentes e positivas; e concluía afirmando que os únicos conhecimentos que teriam seus direitos assegurados sobre nós são as luzes que conseguirmos sobre nossas relações primitivas. E que é em nós mesmos que devemos encontrar a chave dessa ciência, que são os raios de luz divina que iluminam nosso interior.

Fazer o homem reconhecer essa irradiação divina, essa relação primitiva entre o homem e Deus, resolveria o problema, varrendo do seio da humanidade os erros que encobrem a verdade e trazendo de volta à razão os povos submetidos à superstição. Mas, para isso, é preciso que aqueles que devem guiá-los sejam os primeiros a se iluminar. Enquanto a natureza e o homem forem vistos como seres isolados, fazendo abstração do único princípio que vivifica a ambos, nada se conseguirá além de desfigurá-los cada vez mais, enganando aqueles a quem se deseja ensinar.

Mas, ainda que se adotasse esse ponto de vista, não se deveria imaginar que um homem tenha o poder de fazer muito em favor de outro: “Pois, assim como uma árvore não precisa de outra para crescer e dar seus frutos, visto que leva em si mesma tudo o que necessita, da mesma forma, cada homem traz em si a capacidade de cumprir sua parte sem precisar ‘emprestá-la de outro’”.

Concluía com esta apóstrofe: “Se o homem não chega por si mesmo a essa chave universal, ninguém sobre a Terra virá depositá-la em suas mãos e, acreditarei ter respondido da melhor forma possível, se tiver conseguido convencê-los de que o homem não pode lhes responder”.

Seus contemporâneos julgaram que não era uma resposta adequada à pergunta formulada, ao que Saint-Martin retrucou que não fora sua intenção dar uma resposta no sentido do racionalismo dominante e que o que oferecia era um manifesto.

Na mesma época, a questão do magnetismo de Mesmer se apresentava à Academia de Ciências de Paris e, tendo sido Bailly designado entre os membros da comissão encarregada da investigação, Saint-Martin o abordou com o objetivo de combater os preconceitos que supunha que ele tivesse; pois, ainda que não fosse entusiasta das descobertas de Mesmer, que via como um conjunto de fenômenos magnéticos e sonambúlicos pertencentes a uma ordem de coisas inferiores, considerava-os dignos de estudo.
Não conseguiu vencer os preconceitos de Bailly e, ao julgar, em uma de suas cartas, a memória apresentada por este, seu julgamento foi completamente depreciativo, já que demonstravam ver, no homem de ciência, pouco espírito investigativo e verdadeiramente científico.
Esses dois fracassos não o abalaram, e, transferindo-se para Lyon, ele continuou, em 1785, sua obra externa de direção de almas e a interna, de seu próprio aperfeiçoamento.

De Lyon, dirigiu-se à Inglaterra, onde teve a oportunidade de conhecer William Law, ministro anglicano de intenso misticismo, com quem desenvolveu uma grande amizade. Com o Conde de Divonne, formaram um terceto de fraternidade mística. Em pouco tempo, Saint-Martin se pôs em contato com a melhor sociedade. Conheceu a Marquesa de Coislin, esposa do embaixador francês, que, possivelmente, o tenha introduzido no grande mundo, onde teve a oportunidade de se dedicar à sua tarefa predileta de propagandista místico, tarefa na qual não fazia distinções, pois, durante sua estadia na Inglaterra, encontrou um maior número de adeptos entre os russos do que entre os ingleses, citando como bons teósofos o Príncipe Alexis Galitzin e M. Thieman.

Poucos meses depois, partiu rumo à Itália, país que visitava pela segunda vez, encontrando-se em Roma no outono de 1787.
Frequentou também ali o grande mundo, entre o qual havia vários cardeais, duques e príncipes, sendo de se supor (apesar de nada se saber a respeito), que todas essas relações serviram apenas para a busca contínua de adeptos.

Em junho de 1788, encontra-se em Estrasburgo, cidade na qual permaneceu por três anos e para onde se transferiu, possivelmente, pelo desejo de estudar a fundo as doutrinas de Boehme, que tanta influência teriam sobre ele posteriormente.

Essa cidade era o berço das experiências de Mesmer e acabara de ser o teatro das famosas iniciações e curas milagrosas do Conde Cagliostro. Era uma cidade livre e imperial, que se caracterizava por uma ampla e cordial hospitalidade, onde a juventude aristocrática da Rússia, Alemanha e Escandinávia ombreava com a da França, e um Metternich com Galitzin e Narbonne.

Lá, reencontrou uma de suas dileta discípulas, a Princesa de Bourbon, por quem sacrificava, com prazer, as horas de recolhimento que tanto amava. Porém, o mais importante foi o encontro com uma nova fonte de espiritualidade no filósofo Rodolfo Salzmann e numa dama, Madame Boeckling, que o iniciou no estudo do iluminado Jacob Boehme, aconselhando-o a aprender alemão, já que as traduções inglesas e francesas não poderiam lhe dar ideia completa de tudo o que encerravam os originais.

Com Madame de Boeckling, Salzmann, o Major Meyer, o Barão de Razenried, Madame Westermann e outra pessoa cujo nome não menciona, formaram um grupo muito unido, ao qual seguramente se juntaram muitíssimos outros. Mas, de todos eles, é Madame de Boeckling a quem Saint-Martin gostava de atribuir o mais fecundo sucesso em sua vida de estudos: o conhecimento da doutrina do teósofo Jacob Boehme. E, assim como pôs esse filósofo acima de todos os seus mestres, também colocou Madame de Boeckling acima de todas as suas amigas.

Por tudo isso, Estrasburgo se transformou em seu paraíso, e, pela tragédia que a França atravessaria, Paris seria seu purgatório.
Madame de Boeckling teve o privilégio de exaltar a espiritualidade de Saint-Martin como ninguém o havia feito até então. Os três anos que Saint-Martin passou em Estrasburgo foram decisivos em sua vida, pois desenvolveram consideravelmente sua capacidade em matéria científica, histórica, filosófica e crítica.

Após pouco tempo em Estrasburgo, ele conheceu um sobrinho de Swedenborg, chamado Silferhielm, num momento em que ainda continuava seus estudos sobre o visionário sueco, e, aconselhado por ele, escreve uma nova obra intitulada O Novo Homem.
Pouco depois, desejando desviar sua amiga, a Princesa de Bourbon, de certas práticas que a prejudicavam, escreveu outro livro intitulado Ecce Homo, no qual faz referência às falsas missões e falsas manifestações, chamando-as de clarividência e curas maravilhosas do magnetismo, por um lado, e das aparições dos elementais, que se valiam dessas práticas para desviar as pessoas, por outro.
A estadia de Saint-Martin em Estrasburgo foi de enorme importância, pois, ao aprofundar os estudos sobre Boehme, seu espírito se desenvolveu ainda mais. Nesse ambiente de livre discussão, ele adquiriu novas disciplinas de estudo e maior amplitude de visão, podendo, assim, afastado do drama que se gestava na Europa, comparar suas ideias e as de seus mestres com as dos filósofos contemporâneos, especialmente Kant.

Em 1791, Saint-Martin, chamado por seu pai, que se encontrava gravemente enfermo, teve de abandonar Estrasburgo para se transferir a Amboise – seu inferno –, como ele o chamava. Inferno de gelo, pois a indiferença do ambiente pelo ideal que ele professava provocava-lhe grande sofrimento. Essa foi uma das provas mais terríveis que teve de suportar, pois ao afastamento de seus amigos, sobretudo de Madame de Boeckling, somava-se a solidão espiritual em que se encontrava. Passados alguns meses, já em 1792, compreendeu que era uma nova prova à qual estava sendo submetido e resignou-se.

A publicação das duas obras mencionadas levou-o várias vezes a Paris. Nesse ano, também começou sua correspondência com seu amigo Kirchberger de Liebsdorf, que lhe serviria de grande consolo e, ao mesmo tempo, seria um estímulo para novos estudos místicos e a continuação e intensificação dos estudos sobre os escritos de Boehme.

Esse nobre, membro do Conselho Soberano de Berna e de várias comissões cantonais e municipais, era um homem de muito espírito, muito instruído e de viva curiosidade, sentindo por Saint-Martin uma sincera admiração. Foi seu melhor discípulo, e a correspondência que trocava com ele era um dos assuntos aos quais Saint-Martin atribuía grande importância.

Essa correspondência também serviu como grande distração e ajudou Saint-Martin a esquecer os anos felizes passados em Estrasburgo, que contrastavam ainda mais com os tempos dificílimos que então atravessava. A França vivia o Terror, e, apesar disso, Saint-Martin jamais cogitou abandonar seu país. “Ele é retratado como possuidor de uma impassibilidade estoica, com uma plena confiança na proteção divina, calmo e radiante, vendo a mão da Providência cair pesadamente sobre a dinastia e o país, sobre as instituições envelhecidas, povo e chefes cegos” (Matter).

“Esperando sempre em nome dessas Leis Eternas, cujo estudo havia preferido ao da jurisprudência vulgar, o olhar elevado para um horizonte superior e desde um plano muito diferente do da multidão, ele atravessou os anos da Revolução, profundamente emocionado, mas sem a menor perturbação. Meditava sobre os mesmos problemas, prosseguia com a mesma missão e conservava as mesmas amizades” (Matter).

“Enquanto outros filósofos, escritores, homens de Estado e de guerra se afastavam com espanto dos acontecimentos cheios de terror, ele via apenas princípios que não deviam ser confundidos com os acidentes” (Matter).

Em 1793, dois golpes rudes o esperam: a morte de seu pai, que o afetou, apesar de ser esperada, e a do Rei da França, que o havia feito Cavaleiro de São Luís pelas mãos do Príncipe de Montbarey em 1789.

Para culminar, nesse ano, sua correspondência com Estrasburgo passou a ser vista com suspeita pelas autoridades, e, com grande pesar, e a fim de evitar transtornos para sua amiga, a Condessa de Boeckling, ele teve de suprimir esse contato que lhe era tão caro.
Depois de passar uma temporada no castelo da Princesa de Bourbon, ele regressou a Amboise para tratar de assuntos relacionados à sucessão de seu pai. Esse era um local de calma em comparação com a tormenta que rugia em Paris, cidade à qual não podia regressar em virtude do decreto sobre as castas privilegiadas, que o afetava pessoalmente por ter nascido nobre. Em Amboise, era querido e lhe foi designada a missão de catalogar os livros e manuscritos retirados das casas eclesiásticas suprimidas pela lei. Ele aceitou esse trabalho como se fosse uma missão importante e proveitosa para seu espírito, e não se enganou, pois isso proporcionou-lhe grande satisfação, como quando leu a vida da irmã Margarida do Santíssimo Sacramento, comprovando o magnífico desenvolvimento espiritual por ela alcançado.

Seu trabalho foi tão bem apreciado pelas autoridades que foi designado representante do distrito perante a Escola Normal, cargo que também aceitou, já que, como cidadão, estava sempre disposto a apoiar o país “enquanto não se tratasse de julgar ou de matar os seres humanos”.

Tratava-se de que cidadãos eminentes de cada distrito fizessem uma espécie de treinamento na Escola Normal, a fim de que tivessem uma ideia do tipo de instrução que se desejava generalizar entre o povo. Uma vez adquirida essa experiência, essas pessoas seriam as indicadas para formar os futuros instrutores.

Nessa época, Saint-Martin já contava mais de 51 anos e, apesar de a missão que lhe fora confiada lhe causar certo desconforto em alguns aspectos, ele a aceitou, com a convicção de que “tudo está ligado em nossa grande Revolução, onde me é dada a oportunidade de ver a mão da Providência. De tal modo nada é pequeno para mim e, ainda que não fosse mais do que um grão de areia no vasto edifício que Deus prepara para as nações, não devo fazer resistência quando sou chamado”.

“O principal motivo de minha aceitação – prossegue Saint-Martin, em carta a seu amigo Liebsdorf – é pensar que, com a ajuda de Deus, posso esperar que minha presença e minhas preces possam deter alguns dos obstáculos que o inimigo de tudo o que é bom deve semear nesta grande carreira do ensino que se vai abrir e da qual pode depender a felicidade de tantas gerações”.
“Essa ideia me consola, e mesmo que eu não consiga desviar mais do que uma gota do veneno que esse inimigo tentará lançar sobre a raiz dessa árvore que há de cobrir com sua sombra todo o meu país, eu me sentiria culpado se retrocedesse”.

Não há dúvida de que uma de suas esperanças era poder fazer proselitismo em direção ao ideal de sua vida entre os dois ou três mil professores com quem se encontraria na escola; mas o melhor proveito que ele tirou dessa experiência foi a aquisição de uma filosofia metódica, que mais tarde utilizaria contra aqueles que se encarregaram de ensiná-la.

Teve poucas oportunidades, na Escola Normal, de falar diante dos demais membros. Apenas duas ou três vezes, e, quando muito, por cinco ou seis minutos em cada caso. Mas ele deixava tudo nas mãos da Providência e, insensivelmente, foi adquirindo um grande gosto pela discussão metódica.

Pôs essa metodologia em prática no que viria a ser chamado de “Batalha Garat”, uma discussão mantida com o então ministro da Justiça, ministro do Interior e comissário geral da inspeção pública, Garat, que exercia a função de professor de análise do entendimento humano na Escola Normal. Manteve com ele um debate que causou sensação, tentando estabelecer a existência, no homem, de um sentido moral e a distinção entre as sensações e o conhecimento.
Todas as suas ilusões a respeito da Escola Normal fracassaram, e a instituição se dissolveu em 1795, sem ter alcançado os objetivos propostos.

Habituado já a discorrer com método filosófico e, seguindo as inspirações de sua consciência, desejoso de trazer aos debates da época palavras de espiritualidade – dedicadas a demonstrar que a finalidade da vida e a saúde do corpo social estão nas vias espirituais –, publicou, em 1795, sua Carta a um Amigo sobre a Revolução Francesa; em 1797, A Clareza sobre a Associação Humana; e, em 1798, uma terceira obra intitulada Quais São as Instituições Mais Apropriadas para Fundar a Moral de um Povo.

O fundo dessas publicações era o seguinte: ainda que simpatizando com as causas profundas e justificáveis do movimento revolucionário, Saint-Martin propunha princípios que os organismos da Revolução estavam longe de admitir. Ele não se detinha na forma exterior dos governos, fossem republicanos, monárquicos, aristocráticos ou mistos; buscava mais profundamente as condições de uma associação legítima e julgava que essas condições podiam subsistir sob todas as formas políticas. Rejeitava uma ideia muito comum na época, de que a associação humana estava fundamentada na necessidade de garantir mutuamente o gozo da propriedade e demais vantagens materiais que dela dependem. Buscava a origem dessa associação em um pensamento sábio, profundo, justo, fecundo e bondoso; essa origem era, antes de tudo, providencial. Aos olhos de Saint-Martin, o homem havia caído de um estado superior para uma situação em que se encontrava rodeado de trevas e misérias; todos os seus esforços atuais deveriam tender a se levantar dessa queda, e todo o trabalho da Providência não tinha outro objetivo senão facilitar essa tarefa.

Portanto, as diversas associações humanas deveriam ser constituídas com essa mesma finalidade e sustentar-se nesse mesmo espírito, sob pena de serem desaprovadas pela Sabedoria Divina.

Seu grande objetivo, sua grande obra, era, no entanto, sempre a mesma: estudar a vida espiritual do homem tomado em sua perfeição ideal, ou melhor, em sua natureza primitiva; tomar o homem em suas relações puras com a causa primeira do mundo espiritual e ensinar àqueles que têm ouvidos para ouvir, a arte de levar essas almas a essa perfeição.

Esse era, em sua opinião, o único estudo que realmente merecia toda a atenção dos homens. Para ele, Boehme era o melhor mestre dessa ciência, e ele voltava sua atenção continuamente para os escritos do grande místico alemão. Esses estudos o levaram à conclusão de que ambas as escolas, a de Boehme e a de Martinez de Pasqually, se completavam perfeitamente.

Por essa ocasião, ele conseguiu retomar sua correspondência com Madame de Boeckling e continuava sempre sua troca de cartas com seu grande amigo e discípulo, Liebsdorf.

Sua situação econômica era bastante difícil. Não obstante, ele continuava sendo generoso e sempre se mantinha sereno, confiando nos desígnios da Providência.

Em 7 de fevereiro de 1799, ele perdeu seu amigo Liebsdorf, cuja morte deixou um vazio irreparável na alma de Saint-Martin. Seu único consolo era voltar continuamente aos escritos de Boehme. Ele traduziu desse místico três obras: A Aurora Nascente, A Tríplice Vida e Os Três Princípios.

Em 1800, publicou um volume intitulado O Espírito das Coisas, no qual buscava a razão mais profunda das coisas que chamam nossa atenção, tanto na natureza quanto nos costumes. A ideia foi sugerida por uma obra de Boehme intitulada Signatura Rerum.
Em 1802, publicou um livro intitulado O Ministério do Homem-Espírito, no qual exortava o homem a compreender melhor o poder espiritual que lhe fora confiado e a empregá-lo na liberação da humanidade e da natureza.

Já em 1803, ele começou a sentir os mesmos sintomas da enfermidade que levara seu pai ao túmulo. Ele não temia a morte e chamava sua doença de “spleen”, esclarecendo que não era o “spleen” inglês, que faz com que se veja tudo negro e triste, mas que, pelo contrário, o dele, tanto interior quanto exteriormente, tornava tudo cor-de-rosa.

Um ataque de apoplexia pôs doce fim a uma doce existência, deixando-lhe ainda alguns minutos para orar e dirigir emotivas palavras a seus amigos, que acudiram imediatamente.

Exortou-os a viverem em fraternal união e a confiarem em Deus e, pronunciando essas palavras, expirou o místico a quem M. de Maistre chamara “o mais instruído, sábio e elegante dos filósofos”.
Diz seu biógrafo Matter: “Ele podia encerrar sua carreira. Havia visto as maiores coisas que poderiam ser vistas em qualquer tempo, havia passado serenamente por duras provas e havia cumprido grandes trabalhos. Nem a glória do mundo nem a fortuna lhe pertenceram em vida e, a seus olhos, nada teriam significado. Mas ele havia provado os mais profundos e doces gozos: amado de Deus e dos homens, ele também havia amado muito e sempre esperou mais do porvir do que do presente”.

“Amou sua obra e jamais esperou qualquer pagamento na Terra”. Assim dizia com suas próprias palavras: “Não é na audiência que os defensores oficiais recebem o salário correspondente aos pleitos; é fora da audiência e depois que ela termina. Essa é minha história e assim também minha resignação, de não ser pago neste baixo mundo”.

Em seu livro intitulado Retrato, expressava: “Não tive mais do que uma só ideia e proponho-me conservá-la até o túmulo, e é que minha última hora é o mais ardente de meus desejos e a mais doce de minhas esperanças”.

Eis aqui o código moral de Saint-Martin, por meio do qual, através das regras, a alma chega a unir-se com seu Criador:

1ª) Tu és um homem e, portanto, não esqueças jamais que representas a dignidade humana. Respeita e faz respeitar a nobreza; é esta tua missão mais geral e mais alta sobre a Terra.

2ª) É dentro de ti mesmo, na luz que ilumina teu ser, imagem de Deus, onde encontrarás as regras que devem guiar tua vida, e não nos livros, que são apenas imagens do homem.

3ª) Vela sobre essa luz interna e não permitas que se dissipe em vãs palavras. Quem vigia severamente sobre suas palavras, vigia sobre seus pensamentos; quem vigia sobre seus pensamentos, vigia sobre seus afetos, e quem vigia assim, governa bem sua mente.

4ª) Quem se governa bem, deixa-se levar por Aquele que tudo guia, e nossa alma é levada assim até a meta final do aperfeiçoamento, mediante a purificação que a dor dá e a fortaleza que o combate incessante outorga, etapa por etapa.

5ª) Ele nos faz triunfar no próprio seio das tentações e por meio delas. As tentações são o meio mais vivo que Deus tem para nos guiar, pois sucumbimos a elas quando nos guia o espírito mundano e nos afastamos delas quando é o espírito divino que nos guia.

Alimente sua alma com mais:


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