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por Patricia Crowther
(excerto de “Lid off the Couldron”, 1981)
PARA SE TORNAR UMA BRUXA, você deve ter uma inclinação natural a cultuar os Deuses Antigos. Tem de ser um sentimento que brota do coração e o conduz em direção ao seu objetivo, exatamente da mesma forma que aconteceu com as primeiras bruxas, milhares de anos atrás.
A abordagem precisa ser dessa maneira. Qualquer outra atitude, como curiosidade vulgar, desejo de ter poder sobre os outros, ou a intenção egoísta de usar magia para obter fins materiais, só terminará em fracasso e desilusão.
Os Deuses Antigos são imagens arquetípicas ancestrais dos poderes divinos por trás de toda a Natureza. São os deuses mais antigos conhecidos pelo homem. Retratos deles foram pintados nas profundezas escuras de cavernas por toda a Europa e mostram a grande influência que tiveram, ainda na Aurora dos Tempos.
Só porque são tão antigos, não há motivo para acreditar que estejam de algum modo “ultrapassados”. Nossos ancestrais não eram tolos: seu modo de vida e sua cultura vêm ganhando cada vez mais respeito com o passar dos anos. Descobertas contínuas sobre suas habilidades e crenças trazem uma admiração e um assombro crescentes.
Suas divindades eram uma Deusa Mãe e um Deus Cornífero, representando as forças gêmeas da vida: masculino e feminino, claro e escuro, positivo e negativo, Sol e Lua, etc. Esses aspectos complementares da natureza são fatos e não podem ser contestados. E, porque os Deuses são representações verdadeiras dos poderes divinos por trás de toda manifestação, eles perduraram por milênios, e sempre perdurarão.
Ao contrário de muitas outras religiões, em que o contato com a divindade é buscado por meio de oração e meditação, a bruxaria ensina Tradição. O Ocidente e o Oriente são dois lugares muito diferentes. As religiões orientais ensinam seus seguidores a olhar para dentro em busca de iluminação e, embora o Ocidente use esse método na meditação, ele é apenas um dos Oito Caminhos. A mente ocidental olha para fora e busca graça espiritual ajudando os outros. Assim, as bruxas usam seus poderes para ajudar aqueles em doença ou dificuldade.
O Despertar pode começar como um impulso que se ergue das profundezas da alma. Um estado de tédio ou desespero, ao qual todo ser humano chega em algum ponto de uma encarnação, pode se tornar como um farol para o espírito.
Ele nasce tanto para a alma que luta quanto para a alma acomodada. Muitas vidas podem ser suportadas antes que se perceba que o verdadeiro eu deve tomar a iniciativa e começar a lutar para sair, por si mesmo, dos Ciclos de Encarnação que, sem o controle do Eu Superior, podem continuar indefinidamente. Uma vez que a percepção nasce, e a busca se inicia, a alma está a caminho da humanidade para a divindade.
Quanto à Arte, é sensato buscar a iniciação em um coven genuíno. Isso não é tão fácil quanto parece, pois adeptos autênticos não procuram convertidos e, portanto, não anunciam a busca por membros. Eles acreditam que, se uma pessoa for sincera e determinada o bastante em seu desejo de pertencer à Arte, ela, mais cedo ou mais tarde, fará contato.
Há, no entanto, várias maneiras de acelerar um pouco as coisas, como contribuir para uma das revistas ocultistas impressas de forma privada, que geralmente são conduzidas por pessoas “por dentro do assunto”. Ou mesmo colocar um pequeno anúncio em um desses periódicos. Você também pode escrever ao autor de um livro sobre o tema e enviar a carta por meio da editora. Ela talvez seja encaminhada a um coven da sua região, embora eu deva acrescentar aqui que, mesmo que isso aconteça e você seja convidado a encontrar alguém de um coven, isso não indicaria entrada.
Existem certas condições que precisam ser cumpridas, como harmonizar-se com as personalidades dos membros, ter lido amplamente sobre o assunto, disposição para se submeter a um período de espera, geralmente de um ano e um dia, entre outras. Ainda assim, essas condições são válidas; você não pode esperar ser aceito rapidamente, mas saberá que as bruxas que encontrar passaram por obstáculos semelhantes.
Os caminhos das bruxas são os da cautela, especialmente quando se trata de estranhos. Afinal, quem admitiria um desconhecido em sua casa sem uma apresentação, quanto mais em um templo dos Mistérios.
Também é preciso cuidado ao encontrar um coven que esteja em estreita sintonia com seu próprio estilo de vida, cultura e caráter. Mas, uma vez feito o contato, há esperança de encontrar um grupo em que as condições, de ambos os lados, possam ser cumpridas.
Embora alguns covens usem vestes, a forma tradicional de trabalhar no Círculo é estar sky-clad, isto é, nu. Quando você é trazido para a Arte, você entra como nasceu, sem roupas nem laços de qualquer tipo. A primeira iniciação é, virtualmente, uma apresentação a um novo modo de vida. Você se torna um “Filho da Deusa”; são mostradas as ferramentas da Arte; você é instruído sobre as formas de trabalhar a magia e é levado a jurar um juramento de manter os segredos da Arte. Isso é chamado de Primeiro Grau.
O Segundo Grau é a iniciação propriamente dita. Envolve o conceito de morte simbólica e ressurreição simbólica, quando você renasce com novo conhecimento e uma nova personalidade mágica. Um novo nome (de sua própria escolha) é dado a você, representando a transformação, e pelo qual, daí em diante, você será conhecido quando estiver no Círculo.
O drama dessa peça de mistério implanta suas ideias firmemente no subconsciente do adepto, e o mistério, encenado no plano material, sela o futuro.
Não se deve supor que, pela iniciação e pelo ensinamento, você automaticamente “renascerá”. Um caminho será mostrado e conhecimento será transmitido, mas a jornada é sempre solitária e a verdadeira vontade é testada até o limite do ponto de ruptura.
Em certo sentido, quando a iniciação acontece, é muito como desafiar o Destino a fazer o pior. Alguém tomou posição: “Eu anuncio a toda a criação que eu resistirei para progredir.”
Na bruxaria, a alma desenvolve uma compreensão mais profunda do ser. Isso implica prática, razão pela qual a Arte tem graus de avanço. O grau mais alto é a consumação dos mistérios, em que o ritual cede lugar ao que é chamado de “O Segredo da Roda de Prata”.
Há também a transmissão de certas palavras “secretas” que, em si mesmas, comunicam muito pouco, mas cuja intenção secreta é importante e, com suavidade, “empurra” o aspirante adiante.
O símbolo da Arte é o pentagrama, ou estrela de cinco pontas. De origem muito antiga e usado na maioria das sociedades esotéricas, é uma forma geométrica perfeita e contém muitos significados. Principalmente, as cinco pontas representam os Quatro Elementos (Terra, Água, Ar e Fogo), mais o Espírito (a Mente governando a Matéria), e os cinco principais planetas: Saturno, Júpiter, Marte, Vênus e Mercúrio. Um triângulo apontando para cima acima do pentagrama é peculiar à Arte. Simboliza o Sol e a Lua (masculino e feminino), as forças gêmeas da vida, tendo a Divindade como o ponto mais alto, de quem tudo emana.
Este é o objetivo do iniciado: ser um ser plenamente individualizado que dominou os elementos na Natureza e dentro de si, e tornou-se uma Estrela do Microcosmo em contato com o Macrocosmo.
Agora será entendido que o veículo físico é a casa da alma, e é nessa estrutura única que a verdadeira iniciação é encenada. A alma entra no corpo para passar pela experiência da vida terrena e, quando o Portal dos Mistérios se abre de volta, a alma desperta e a consciência é inundada por memórias do passado e conhecimento de seu verdadeiro destino.
Nem todos os ensinamentos da Arte podem ser revelados aqui. A verdadeira razão do segredo está no conceito da palavra mistério. Pois essa palavra sugere à mente algo “fora do comum”; algo desconhecido e, portanto, fascinante. Isso, por sua vez, desperta a mente para a ideia de experiências estranhas e a prepara para uma nova compreensão.
O objetivo do ritual é induzir o estado de arrebatamento ou êxtase. A mudança do centro de consciência é o alvo. Esse êxtase não é o mesmo que a realização sexual. É algo do espírito e não é facilmente explicado em palavras. Há muitas maneiras de capturar essa condição, como o uso de música, dança e a entoação de chamadas ou cânticos. Isso será examinado em capítulos posteriores.
É muito necessário cultivar, ou reavivar, o espírito da juventude, ter uma abordagem infantil, não infantilóide, desses métodos, porque sem isso qualquer progresso (que não seja intelectual) será quase impossível de alcançar.
A Igreja Cristã sempre desaprovou e deliberadamente reprimiu essas expressões fundamentais de alegria; elas são consideradas indignas e inconvenientes, etc. Houve uma restrição do espírito humano pelos piores motivos possíveis. A única existência da qual ele agora tem consciência é a do viver ordinário, mundano. É algo muito necessário que as pessoas se libertem do jugo do hábito. Por isso uma mudança de cenário e de ocupação é vital.
O desespero deu à moderna febre das drogas um reconhecimento que ela não merece. Pode-se argumentar que algumas drogas elevam a consciência a um nível mais espiritual. Ainda assim, trata-se de uma estimulação artificial que exige indução repetida. Isso, por sua vez, leva naturalmente a um estágio em que a pessoa fica, de fato, “viciada”. É verdade que, em tempos antigos, certas drogas eram usadas para fins transcendentais, mas elas eram mantidas em segredo e seus usos eram concedidos apenas aos mais sábios entre o sacerdócio.
A maioria dos medicamentos são venenos e precisa ser administrada na quantidade correta e apenas por um período específico. Quanto mais perigoso é o uso de drogas que afetam as células cerebrais! Ainda sabemos tão pouco sobre o cérebro e suas capacidades, que só agora, nos dias atuais, estão sendo exploradas.
Os métodos ensinados na Velha Religião são completamente naturais e a extensão resultante da consciência, embora alcançada mais lentamente, é uma que permite continuidade de crescimento e iluminação.
Não existe mais nenhuma lei que proíba você de se tornar pagão, se esse for seu desejo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, à qual a Grã-Bretanha acrescentou sua assinatura, lhe dá essa liberdade de escolha. Conforme publicada pelas Nações Unidas, o Artigo nº 18 declara: “Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade, sozinho ou em comunidade com outros, em público ou em particular, de manifestar sua religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância.”
Embora pertencer a um grupo genuíno seja obviamente vantajoso, nada impede que você pratique sozinho, ou com seu parceiro. Bruxas que são membros de um coven sempre têm um lugar de culto em suas próprias casas. Isso é essencial, pois você não desliga sua lealdade ao fim de uma reunião. É parte da sua vida, seja o que você estiver fazendo e onde quer que esteja. Também é útil durante o período de busca por um coven adequado. Você pode lançar o pensamento e rezar para ser guiado na direção certa.
Pode ser que você não seja livre para entrar em um coven, por quaisquer motivos. Se for assim, você precisará conhecer o básico, as necessidades essenciais. Portanto, vou explicar como formar um Círculo Mágico, quais ferramentas você precisará e os atributos dos Quatro Elementos.
TRAÇANDO O CÍRCULO
O círculo pode ser feito de várias maneiras, contanto que tenha nove pés de diâmetro. Nove é o número da Lua e o círculo é um símbolo do Útero da Deusa. Ele pode ser desenhado com giz sobre um tapete especial, usado apenas para os rituais; ou marcado com um cordão branco, talvez um método mais conveniente. Uma vez que você tenha o comprimento correto, ele pode ser colocado em qualquer lugar. Isso é obtido tendo um pedaço de corda com pouco mais de quatro pés e meio de comprimento, em que se faz uma alça em uma das pontas.
Antigamente, a bruxa colocava a alça em torno de seu athame (faca mágica) e o fincava no chão. Então, prendendo um pedaço de giz na outra ponta, ela traçava o círculo no chão, começando no Leste e trabalhando “deosil”, ou no sentido horário, ao redor do cômodo até alcançar novamente o Leste, o que dá um círculo com as dimensões apropriadas.
É necessário ter uma bússola para determinar os alinhamentos corretamente, pois o altar deve sempre ficar voltado para o Norte. Considera-se que esse é o lugar certo porque as correntes magnéticas fluem do Norte para o Sul. As bruxas antigas diziam que o Norte era o Lar dos Deuses; provavelmente sentiam essas correntes, mas tinham uma maneira diferente de expressar a mesma coisa.
Ao contrário do círculo do mago ritualista, que existe para manter elementais e forças hostis à distância, o círculo das bruxas é erguido para conter o poder mágico elevado dentro dele. Um lugar sagrado, que fica “entre os mundos”, tanto o espiritual quanto o material.
O círculo também é um símbolo de infinito, sem começo nem fim.
Seu altar pode ser uma pequena mesa ou um baú; se for um baú, você pode guardar seu equipamento mágico dentro dele. Se usar um baú, lembre-se de tirar tudo o que precisa antes de usá-lo como altar. Caso contrário, isso significa remover tudo de cima para alcançar algo que você esqueceu.
Você precisará de cinco ou seis castiçais. Um ou dois para o altar e quatro para os Portais do Círculo: Leste, Sul, Oeste e Norte. Estes últimos são colocados do lado de fora da circunferência. O que você está fazendo é criar um cosmos em miniatura no qual você é o governante.
Estátuas, ou imagens do Deus e da Deusa, podem ser colocadas sobre o altar ou, alternativamente, símbolos como uma pedra perfurada e outra de forma fálica podem ser usados, desde que sua presença esteja associada à dualidade divina.
Um recipiente cheio de areia ou terra é necessário para queimar incenso na forma de varetas. Ou você pode preferir um turíbulo, ou incensário. Se for o último, você terá de comprar carvão e incenso em forma de resina cristalizada. Depois, basta acender o carvão e polvilhar os cristais sobre ele.
Um incenso de aroma doce purifica o ar e também ajuda a elevar a mente às coisas do espírito. À medida que a fumaça sobe, ela representa seus pensamentos e preces subindo aos Deuses.
Uma tigela de água e um recipiente de sal são necessários para consagrar tanto o círculo quanto você mesmo. Também, um aspergidor, que pode ser um pequeno feixe de ervas amarradas.
Um sino de som doce também deve estar presente, para ser tocado ao invocar os Reis dos Elementos. Às vezes um chifre é usado para esse propósito, mas é inteiramente uma questão de preferência.
AS FERRAMENTAS MÁGICAS
A mais importante das ferramentas mágicas é a faca de cabo preto, ou athame (pronuncia-se ath-ay-me). Ela é praticamente uma extensão da vontade e da determinação do operador: para invocar os Senhores Elementais nos quatro quadrantes, para enviar o poder da bruxa na direção requerida e para banir e purificar a área de trabalho.
Durante as perseguições, o cabo preto ajudava a diferenciá-la da faca de cabo branco, quando todos os instrumentos usados na Arte precisavam ser utensílios domésticos comuns, ou parecer que eram. A faca de cabo branco era usada apenas para entalhar ou cortar qualquer coisa de natureza prática dentro do círculo.
As origens do athame remontam a um tempo muito distante. Uma velha balada irlandesa relata a história de uma jovem que desapareceu e foi presumida morta. Mas, um ano depois, ela foi vista sentada sobre um monte das fadas, embalando seu bebê feérico e cantando uma canção de ninar. Entre as palavras, ela deu instruções ao seu verdadeiro marido sobre como poderia ser resgatada. “Que viesse com uma vela de cera na palma da mão e trouxesse depressa uma faca de cabo preto, e golpeasse o primeiro cavalo que passasse pela abertura para dentro do outeiro. Depois, colhesse a erva na entrada do forte das fadas. Se falhasse, ela teria de ficar e se tornar a rainha das fadas.”
Essa história mostra as qualidades mágicas da faca, que se ligam ao sucesso e à vitória sobre a oposição. Quando fui iniciada, Gerald Gardner me deu uma faca de cabo de prata. Ele me assegurou que ela “faria o trabalho”, mas parecia convencido de que uma destinada a mim, com o tempo, faria sua aparição. E fez. Como mencionado anteriormente, a bruxa escocesa me enviou a faca de sua avó, que tinha o tradicional cabo preto.
Pode haver uma ligação entre o athame e o skean dhu, que é usado na meia de um Highlander escocês. Meu marido, cuja mãe era uma MacFarlane, muitas vezes vestia o kilt quando fazia seu número de palco e cabaré. Ele me disse que skean-dhu significa “faca preta”.
O athame costuma ter cerca de nove polegadas de comprimento. Um encontrado no túmulo de uma sacerdotisa na Noruega (uma cópia do qual está em minha posse) tem o mesmo comprimento. Ele traz os mesmos símbolos gravados no cabo que os usados nos dias atuais.
Como você não comanda os Deuses a comparecer ao seu círculo durante invocações e preces, o athame é deixado de lado em favor da Varinha. Ela é um símbolo da energia e da força vital dentro de você e também o Falo universal da Vida. É a Varinha Mágica de fama mundial. Magos medievais sempre usaram essa ferramenta em suas operações mágicas e até ilusionistas de palco mantêm a Varinha Mágica para fazer coisas aparecerem ou desaparecerem.
Algumas varinhas são feitas de marfim ou ébano e são belamente entalhadas; mas uma eficiente pode ser cortada, com sua faca de cabo branco, de uma aveleira, quando a Lua estiver crescente ou cheia. Deve ser cortada numa quarta-feira, tanto a árvore quanto o dia pertencendo a Mercúrio. Você pode então apará-la e entalhá-la de acordo com seu gosto pessoal, talvez dando a ela uma ponta fálica. Outro artefato com as mesmas conotações é o Riding Pole.
O próximo implemento a obter é um caldeirão. Mas, como ele é relativamente grande em comparação com as outras ferramentas, algumas bruxas usam uma tigela preta, ou um cálice com chifres, sobre o altar. O caldeirão, quando cheio de água, é um excelente instrumento para a arte do scrying, ou como recipiente para um pequeno fogo no círculo. A maneira mais segura de conseguir isso é colocar algumas voltas de barbante de amianto em uma lata redonda, sobre as quais você despeja uma pequena quantidade de álcool desnaturado. Coloque a lata no caldeirão e acenda o álcool, o que lhe dá uma chama brilhante com praticamente nenhum cheiro. O fogo é necessário ao celebrar um dos antigos Festivais do Fogo do ano das bruxas. Se você conseguir comprar um gypsy-pot, ele é ideal para o círculo, pois é bem pequeno, embora comparativamente raro hoje em dia.
A Deusa Lunar celta era associada a um caldeirão mágico que a deusa preparava por um ano e um dia. Ao fim desse tempo, voavam para fora três gotas da Graça da Inspiração. A deusa, Cerridwen, concede os dons de poesia, inspiração e sabedoria a seus devotos: a Senhora da Arte dos antigos Druidas. As três pernas do caldeirão se referem às três fases da Lua e aos três aspectos da Deusa: Donzela, Mãe e Anciã. Além disso, por ser um vaso oco, ele é um símbolo feminino.
O Pentáculo é uma peça redonda ou quadrada de metal, ou mesmo uma grande pedra lisa e plana com superfície suave. Se for a pedra, os sinais podem ser pintados nela em vermelho. Um pentáculo de coven traz todo o simbolismo oculto da Arte gravado em sua superfície, mas como alguns desses símbolos se conectam com os Três Graus de Iniciação, é mais sensato omiti-los até que você esteja de fato trabalhando dentro de um coven.
Use, em vez disso, o Pentagrama Coroado, que representa o objetivo, e quaisquer símbolos que sejam significativos para você, como a Lua crescente e a minguante desenhadas de costas uma para a outra, ou talvez seu próprio nome escrito em um dos alfabetos mágicos.
A estrela de cinco pontas se parece com um ser humano em pé com braços e pernas abertos e, cercada por um círculo, representa o homem (ou a mulher) trabalhando magia. Esses símbolos gravados no pentáculo representam o homem, o Mago.
O último artigo essencial de que você precisará é o Cordão. A cor do cordão costuma ser vermelha, mas pode ser uma combinação de três fios, vermelho, branco e azul, trançados juntos. Essas são as cores dos três aspectos da Deusa: Virgem, Mãe e Anciã. Seu lugar nas obras mágicas será explicado no próximo capítulo. Ele pode ser usado ao redor da perna durante um ritual, absorvendo suas próprias vibrações e aura.
Esse cordão é a origem da Liga das bruxas, considerada um sinal de alto posto na Arte. Hoje, uma alta sacerdotisa geralmente usa uma na coxa, feita de veludo ou pele de cobra. Qualquer pessoa que tenha estudado o tema da bruxaria conhecerá a história do King Edward III, que pegou a liga de uma dama quando ela a deixou cair durante um baile. O Rei fez algo muito incomum, colocando-a na própria perna com as palavras “Honi soit qui mal y pense” (Mal a quem mal pensa). Ora, se fosse um enfeite comum e frívolo, parece altamente improvável que o Rei tivesse feito tal gesto.
Dr Margaret Murray parecia convencida de que era uma liga ritual, e o Rei era um Plantagenet (o nome é derivado da planta giesta, Planta genista), cuja família é dita ter mantido uma profunda lealdade à Velha Religião. Seja como for, a partir daquele único incidente ele fundou a Most Noble Order of the Garter, com uma membresia de vinte e seis cavaleiros. Dois trezes são vinte e seis. Mas os significados não terminam aí. O Rei construiu o que ficou conhecido como a Devil’s Tower no Windsor Castle e, nas vestes muito antigas de um cavaleiro dessa Ordem, havia cento e sessenta e oito ligas bordadas, mais a que era usada na perna: 169, ou treze vezes treze.
Há várias pinturas medievais de bruxas que as mostram usando a liga, e uma pintura rupestre em Cogul, Spain, retrata um homem cujo único adorno é um par de ligas. Ele está no centro de um círculo de mulheres e é bastante óbvio que as ligas têm significado ritual.
O cordão era usado por bruxas quando vendiam ventos aos marinheiros. Elas venderiam um com vários nós amarrados e, quando o marinheiro desatava um nó, uma brisa fresca se levantava. Quanto mais nós ele desatava, maior o vento se tornava.
A arte dos nós é muito antiga. O torcer e entrelaçar era uma forma de afastar o Mau-Olhado. A ideia era desviar e confundir o olhar de qualquer pessoa mal-intencionada por meio do traçado de nós. Os belos desenhos da arte celta exibem essa forma de magia de modo muito expressivo.
O cordão descreve a conexão entre espírito e matéria, divindade e homem: o elo sempre presente, interpenetrante e eterno. Ele também une os quatro pontos da bússola, os quatro elementos e a amarração dos sigilos e ferramentas da Arte. Além disso, é utilizado durante o juramento de lealdade na iniciação.
OS QUATRO ELEMENTOS
O athame, a vara, o cálice e o pentáculo representam os quatro elementos: Ar, Fogo, Água e Terra. Na Arte, as inteligências por trás dos elementos são chamadas de “Senhores dos Espaços Externos”, ou “Reis dos Elementos”. Todas as religiões os reconhecem sob nomes diferentes, os cristãos os conhecendo como os Arcanjos Raphael, Michael, Gabriel e Auriel.
Avançando no sentido horário ao redor do Círculo, começamos no Leste com o Ar. Muitas bruxas usam o Hermes egípcio, ou o Mercúrio romano, para identificar o Senhor do Ar, o Mensageiro dos Deuses. Com capacete e pés alados, ele vai e vem, comunicando entre níveis Internos e Externos da existência. Seu caduceu, com serpentes entrelaçadas, é o emblema da profissão médica, porque Mercúrio é o curador divino. Ele também pode ser visto retratado no brasão do Royal Corp of Signals, como o meio pelo qual os sinais são comunicados e onde é carinhosamente conhecido como “Jimmy”.
Há uma estátua de Mercúrio no topo do prédio do jornal Sheffield Star, representando o controlador da palavra escrita. A Mente é o território de Mercúrio, o que inclui o dom da fala, que é carregada pelo Ar, o gás em que vivemos.
O athame se liga a esse elemento, pois ele perfura o Ar e transporta nossa intenção mágica de níveis Externos para Internos. O Sol nasce no Leste e tipifica o despontar da nossa Luz Interior.
No próximo Portal do Círculo, o do Sul, encontramos o elemento do Fogo, que se liga à Varinha Mágica. Recebemos essa energia masculina, em forma física, do Sol; e o ser humano, como um cosmos em miniatura, tem seu equivalente no coração, a fonte da vida do corpo.
A Varinha simboliza o Poder do Deus Cornífero, o Poder Fálico da Regeneração. Antigamente, era o significado por trás do pilar de pedra e do mastro de maio, o poder de GreenJack.
O Fogo é o mais misterioso dos elementos. Ele consome, mas não pode ser consumido. Permanece puro e inviolado. Podemos trazê-lo para nossas vidas por fricção, que foi como o homem primitivo o descobriu, mas podemos imaginar os acidentes que ocorreram antes de ele aprender a controlá-lo. Por fim, ele o fez usando uma vara, ou varinha, e pôde carregá-lo com segurança de um lugar para outro.
Michael, o Líder das Hostes Celestiais, é o Senhor do Fogo. Ele é retratado subjugando o mal na forma de um monstro: Luz vencendo as Trevas.
É preciso cuidado ao usar nosso próprio poder e energia na magia. Devemos engatar nossas engrenagens e construir nossas “baterias” lentamente, com controle perfeito, porque sem esse controle as coisas podem facilmente dar errado. Michael pode ser invocado para curar doenças, a varinha tornando-se um feixe de laser, em trabalhos desse tipo.
Algumas pessoas tiveram a experiência de Iluminação Divina, que lhes chega num clarão ofuscante. De fato, isso pode acontecer. Nós humanos, em contraste com a Luz Divina, vivemos como toupeiras, na escuridão. E, no entanto, uma pequena centelha desse brilho habita dentro de nós. A realização disso era mostrada em todos os antigos templos do ocultismo nas palavras: “Conhece-te a ti mesmo”.
Prosseguindo ao redor do Círculo, chegamos à Água no Portal do Oeste. Seu equivalente em termos materiais é o Caldeirão, ou Cálice com Chifres. Temos uma relação muito íntima com esse elemento, pois ele estava conosco antes de nascermos, quando nos embalava no útero de nossa mãe. Além disso, grande parte de nossos corpos é composta de água.
É um elemento feminino, com a Lua como sua regente. Embora as bruxas cultuem a Deusa da Lua, elas não cultuam a Lua em si, mas os poderes invisíveis que controlam suas ações e por meio dos quais ela se manifesta.
A flutuação das marés é governada pela Lua. A “Umedecedora” também regula o ciclo menstrual nas mulheres, “mens” significa Lua ou sangue da Lua, e também rege o fluido seminal branco-perolado nos homens.
A esfera é considerada capaz de controlar marés nos níveis Internos do Nascimento e da Morte, como regente do Plano Astral. Na morte física, a alma passa pelo Portal do Oeste para os braços de Gabriel (gav-ree-el), o portador da vida. Foi esse arcanjo que veio a Mary no momento de sua concepção. Gabriel rege as Águas da Vida, fortalecidas por Amor e Compaixão. O cálice da boa alegria é passado ao redor do círculo ao fim de uma reunião, quando brindamos uns aos outros e criamos um vínculo de amor e boa camaradagem.
A própria Deusa diz: “Por nada senão o Amor posso ser conhecida.” Isso não é tanto um amor físico quanto um espiritual: amor, em seu mais alto contexto, algo bem distante da paixão humana. Diz-se que, para uma alma avançada reencarnar, é necessário que seus futuros pais se conheçam e se amem no sentido mais profundo da palavra. A união de duas almas assim pode abrir o Portal, puro o bastante para que uma alma “antiga”, ou um mestre, obtenha renascimento.
A Água é o elemento das emoções, que, se permitidas, dominariam nossas vidas. Animais respondem ao vai e vem do chamado da Lua e têm estações regulares de acasalamento. Experimentos com ostras mostram que elas abrem suas conchas para se alimentar na maré alta. E, quando removidas para uma câmara subterrânea, a quilômetros de distância do mar, elas ajustam seu cronograma de alimentação para coincidir com o momento em que a Lua está sobre suas cabeças. Isso sugere que a Lua rege as mentes dos animais, mas os humanos, em um nível mais alto de desenvolvimento, não estão sujeitos a essa compulsão, porque suas almas são capazes de contatar reinos espirituais além do Astral.
As marés astrais reagem ao puxão da Lua da mesma forma que as marés do mar, trazendo almas ao nascimento numa “maré” de subida e levando-as embora na morte física. A plasticidade desse Plano cria quaisquer cenas que a alma deseje projetar ao seu redor quando deixou o corpo, até que isso se dissipe e a alma deslize para uma dimensão mais elevada do Ser.
O Plano Astral é aquele sobre o qual a magia é projetada e, como ele é o equivalente Interno da Água, é igualmente maleável e facilmente moldado à vontade do operador. Elementos mais sutis, como Ar e Fogo, também têm seus níveis Internos, espirituais; estes se alinham com o Manásico (Mental) e o Búdico (Mestria), respectivamente.
A “mensagem” do Cálice ou Caldeirão, no qual contemplamos a água cintilante, o elemento da clarividência, nos diz para cultivar compaixão, cuidado e amor uns pelos outros.
O elemento no ponto Norte do Círculo é a Terra e naturalmente se equipara ao Pentáculo ou à Pedra. A Terra é nosso lar enquanto estamos no corpo físico e é nossa Mãe, a dadivosa provedora de vida e sustento. O altar, assim como o elemento, é a base material e o fundamento sobre o qual repousamos nossos implementos mágicos e deve ser reverenciado tanto quanto, senão mais, do que nossas ferramentas de trabalho. Voltado para o Norte magnético, o altar é o ponto focal de todas as nossas preces, invocações e destreza mental.
Embora o mundo moderno esteja ficando cada vez mais consciente da necessidade de preservar e reconhecer a Mãe Terra, os Antigos lhe davam um amor natural que vinha do coração. Eles sabiam, instintivamente, a necessidade de reconhecer os dons da Mãe na forma de libações derramadas de volta no solo. Feixes de trigo também eram devolvidos a ela, e a Corn Dolly era feita com os últimos feixes a serem colhidos. Então ela era pendurada em celeiro ou cabana em honra da Deusa. Esse antigo artesanato ainda é preservado, com todos os tipos de símbolos e figuras sendo feitos da mesma maneira.
Os grandes Festivais de Fertilidade eram realizados em várias épocas do ano para alcançar sintonia com a vida da Mãe Natureza, ecoando e encenando seu drama anual de concepção, nascimento, morte e renascimento. Eles sentiam que era necessário dar seu amor a toda vegetação que surgia com brotos verde-brilhantes da escuridão da terra, e que tudo crescia melhor e mais forte por causa de seu cuidado.
Recentemente, experimentos científicos constataram que isso é verdade. Plantas que vivem perto da casa e recebem cuidados amorosos de fato crescem maiores e melhores do que as que crescem sozinhas. As pessoas frequentemente falam com suas plantas e flores e uma reportagem recente na televisão mostrou uma máquina que consegue sintonizar a linguagem das plantas. Um som peculiar de assobio sai da máquina quando ela é conectada a elas e, segundo o inventor, estava respondendo às perguntas do repórter.
Deve-se perceber que a terra é uma entidade viva por si só e já passou da meia-idade. Ela é tão viva quanto os elétrons em um átomo, ou os corpúsculos no sangue humano.
Auriel é o governante do elemento Terra. Geralmente é retratado de pé entre campos de ouro e verde, com montanhas se erguendo atrás dele e rios correndo sob seus pés. O Sol nasce acima de sua cabeça em um “auriel” de chama.
Nós também devemos ficar firmes sobre a terra, com os pés afastados e os braços erguidos para as estrelas, na posição do Pentagrama. A lição a ser aprendida com a terra é crescer e florescer como seres plenamente individualizados, para que os frutos desta encarnação possam ser colhidos e desfrutados em nosso próximo estágio de existência.
Embora os Arcanjos não sejam estritamente reconhecidos dentro da Arte, eu os incluí porque eles de fato antecedem a era cristã e têm sido conhecidos por praticantes de magia ao longo de todo o tempo registrado.
É igualmente aceitável visualizar os elementos em suas formas físicas. Mas o contato deve ser feito com suas essências no momento de invocá-los nos quatro Portais.
Por exemplo, o Ar pode ser sentido como uma brisa soprando através do seu cabelo; percebido no seu fôlego enquanto você entrega sua invocação; ou visto em nuvens correndo pelo céu. O Fogo, imaginado como uma fogueira ardente, o Sol em seu esplendor, ou mesmo a chama de uma vela. No Oeste, sinta gotas de chuva caindo em seu rosto voltado para cima; veja um riacho claro e borbulhante, ou a majestade do mar, com ondas espumosas se quebrando. E, por fim, a terra pode ser evocada como um bosque de árvores, campos de trigo dourado, ou montanhas azuis erguendo seus picos ao céu.
Alimente sua alma com mais:

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