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por Jonny Thomson
Você está deitado na cama, encarando o teto, ouvindo os carros passarem. Você não tem ideia de quanto tempo está assim, mas deve fazer algumas horas, no mínimo. Vá dormir, você diz a si mesmo. Apenas feche os olhos e: vá. dormir. Você fecha os olhos com força, força o corpo a relaxar e espera que o sono prazeroso chegue. Mas nada acontece. Mais alguns minutos se passam e… nada acontece. São 3 da manhã, e você ainda está encarando o teto.
Todos nós já passamos por essa situação. Por mais que tentemos, é quase impossível nos obrigarmos conscientemente a dormir. O sono vem para aqueles que deixam a mente vagar e se concentram em qualquer coisa que não seja o próprio ato de dormir. Contar carneirinhos, controlar a respiração, ouvir um audiolivro, ou qualquer coisa, desde que isso afaste sua mente do desejo de dormir.
Este é um exemplo comum e familiar da “lei do esforço invertido”.
A lei do esforço invertido
A Lei do Esforço Invertido foi formulada pela primeira vez pelo autor Aldous Huxley, que escreveu:
“Quanto maisamos tent, com a vontade consciente, fazer algo, menos teremos sucesso.
“A proficiência e os resultados da proficiência só vêm para aqueles que aprenderam a arte paradoxal de fazer e não fazer, ou de combinar relaxamento com atividade, de deixar ir como pessoa para que a quantidade desconhecida imanente e transcendente possa assumir o controle.”
É a ideia de que, quanto mais tentamos fazer algo, pior ficamos nisso. Suponha, por exemplo, que você esteja aprendendo a andar de bicicleta pela primeira vez. Dizem a você para segurar o guidão de uma determinada maneira, impulsionar-se com um pé específico, pedalar naquela velocidade, sentar-se em uma posição exata, manter o equilíbrio aqui, e assim por diante. Há o equivalente a um pequeno livro de microinstruções ao aprender a andar de bicicleta. Quando andamos de bicicleta, sabemos todas essas coisas, mas não tentamos fazê-las conscientemente. Elas simplesmente acontecem. Nas palavras de Huxley, é “combinar relaxamento com atividade”.
Mas há também uma maneira espiritual ou holística de ver a “lei do esforço invertido”. É algo que tem uma história muito mais longa do que Aldous Huxley, trata-se da ideia daoista de “Wu Wei”.
Wu Wei
A palavra “rendição” vem carregada de uma conotação negativa. Render-se é covarde ou fraco. Heróis são aqueles que nunca recuam, e nenhuma grande história começa com os mocinhos simplesmente desistindo. E, ainda assim, há muita arrogância nisso.
Render-se a um poder maior, ou a um poder mais nobre e justo, não é um ato de covardia. É um ato de profunda sabedoria. Não há nada de louvável em nadar em meio a uma tempestade ou dar um soco no rosto de um urso. Há sabedoria em conhecer nossos limites, em abraçar a humildade e até mesmo em ser empurrado de um lado para o outro.
Esse é o significado de Wu Wei. Não se trata de uma apatia preguiçosa, nem de uma desculpa para passar o dia inteiro debaixo do edredom vendo Netflix. Na verdade, muitas vezes é exatamente o oposto disso. Wu Wei é apreciar, reconhecer e aceitar a força de influências muito maiores do que nós. É caminhar pelo caminho que se abre e empurrar a porta que cede. Chame isso de intuição, pressentimento, destino, chamado divino ou o que quiser, mas Wu Wei é parar de fazer o que você acha que é certo e permitir-se ser puxado por algum outro poder.
Wu Wei é o junco que se curva ao vento. É o graveto levado pela correnteza. É rendição e humildade. É, em suma, a lei do esforço invertido, reconhecer que algumas coisas precisam de paciência e espaço.
Aplicações práticas
Tudo isso é muito bonito, você pode pensar, mas como isso se traduz de fato para a vida real? O problema de grande parte desse tipo de filosofia é que ela acaba não nos deixando muito melhores do que antes. Como a lei do esforço invertido de Huxley pode ser vista não como uma ideologia, mas como um guia prático? O fato é que o “não fazer” é fundamental para a natureza de muitas tarefas. Aqui estão apenas alguns exemplos.
Escrita: Para um autor, não há nada tão aterrorizante quanto a página em branco. Se você foi informado de que precisa escrever algo, especialmente com um prazo apertado, a mente muitas vezes entra em colapso, agarrando-se a qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, para escrever. É muito melhor deixar as ideias surgirem e anotá-las em um caderno para que não se percam.
Habilidades técnicas: Quando você está aprendendo um novo esporte ou habilidade, precisa aprender a técnica. Você executa os movimentos, confere mentalmente cada etapa e, eventualmente, acaba tendo sucesso. Mas chega um ponto em que pensar demais se torna prejudicial. Provavelmente é por isso que seu time favorito é péssimo em disputas de pênaltis.
Estresse e ansiedade: Todos nós ficamos estressados com coisas. Todos os trabalhos envolvem gargalos e momentos de pressão. A vida tem dias bons e dias ruins. Mas quando ficamos ruminando obsessivamente as coisas na cabeça, na verdade pioramos a ansiedade. Há uma razão para a “atenção plena” ser um fenômeno tão popular e para o Headspace ser um negócio de 250 milhões de dólares. Afastar-se, respirar fundo e não fazer nada faz bem para você.
Conversas: Quando se trata da forma como falamos com as pessoas, menos realmente é mais. Uma conversa ruim envolve você falar demais e sua “escuta” consistir apenas em esperar a vez de falar novamente. No entanto, pesquisas mostram que a escuta ativa gera mais “satisfação conversacional” e faz com que o interlocutor se sinta mais compreendido.
Você não pode forçar
Há muitos momentos na vida em que se esforçar mais só piora as coisas. Quando você tem uma picada de mosquito, um osso quebrado ou um sangramento no nariz, você deixa isso quieto. Cutucar, mexer e fuçar só agrava o problema. O mesmo acontece com muitos dos grandes momentos da vida.
Talvez seja hora de se afastar do que você está fazendo e desfrutar do Wu Wei ou da inação. Afinal, se eu disser para você não pensar em elefantes cor-de-rosa, só existe uma maneira de fazer isso.
Jonny Thomson mantém uma popular conta no Instagram chamada Mini Philosophy (@philosophyminis). Seu primeiro livro é Mini Philosophy: A Small Book of Big Ideas.
Fonte: The law of reversed effort: Harder you try, harder you fall – Big Think

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