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Clarissa De Franco[1]
Rafael Siqueira Beraldo Baldassaris[2]
Elisabete Loureiro[3]
Originalmente publicado na Revista Hermes, no. 30, 2025
Introdução
Conforme apontam algumas pesquisadoras e pesquisadores (Von Franz, 2022; Jung, 2008; 2011a; 2011b; Tamosauskas, 2024; Cavalli, 2005) a Alquimia presente no laboratório oferece analogias para os processos que ocorrem no interior dos indivíduos. Carl Gustav Jung (2008; 2011a; 2011b) propunha a alquimia como uma analogia para o processo de individuação, ou seja, o processo de integração dos aspectos conscientes e inconscientes da psique, que nos leva a nos diferenciar dos demais seres e a buscar aquilo que corresponde a nosso “ouro”, ou nossa verdadeira essência. O processo de individuação é composto por várias fases ou etapas, que podem corresponder de forma metafórica às fases alquímicas.
Em relação a estas fases, temos quatro grandes processos (Nigredo, Albedo, Citrinitas e Rubedo) operacionalizados por meio de algumas fases alquímicas, dentre as quais a Psicologia Analítica elencou sete principais, estudando imagens e símbolos típicos que aparecem nos sonhos em cada fase. A Psicologia Junguiana até então, em especial como apresentado nos estudos do junguiano Edinger (2006), considera estas sete operações, no entanto, existem estudos alquímicos que apontam dez ou mesmo doze etapas (Tamosauskas, 2024).
Observa-se que a prima materia, caótica e indiferenciada, é estruturada em torno dos quatro elementos (fogo, terra, ar e água). Os processos alquímicos vão promovendo a diferenciação destes elementos até que seja possível uma integração novamente em um estado já transformado. De forma análoga, na consciência, o processo conhecido como prima matéria dá origem ao ego estruturado em quatro funções: intuição, sensação, pensamento e sentimento. O processo de individuação nos leva a nos diferenciar dos outros seres e a encontrar a integração entre consciente e inconsciente.
Os quatro grandes processos alquímicos são divididos, resumidamente em:
Nigredo: Matéria escura. Fase em que o indivíduo confronta sua sombra e sente-se perdido e desorientado. É um momento de crise e caos, mas também de intenso potencial transformação. Etapa de mortes simbólicas, acesso à sombra, contato com dores e desafios. Corresponde ao universo desconhecido da sombra.
Albedo: Matéria branca, “embranquecimento”, quando a pessoa começa a integrar sua sombra e a ganhar clareza mental e emocional, sendo um momento de purificação, transformação e renovação. A passagem de Nigredo para Albedo requer treino mental, desapego egóico e aceitação do fluxo que não depende do controle da pessoa. É possível associar Albedo com o ego e seu trabalho consciente.
Citrinitas: Matéria amarela ou “amarelecimento”, significa “despertar”, em que o indivíduo começa a desenvolver seus aspectos criativos e intuitivos, sendo um momento de expansão e descoberta, uma etapa mais leve, criadora e realizadora que a anterior. Analogamente, podemos associar Citrinitas ao contato com o inconsciente coletivo, seus símbolos e arquétipos.
Rubedo: Matéria vermelha ou “vermelhidão”, em que o indivíduo alcança a realização do self, a “iluminação” dos budistas, e se torna plenamente integrado, um momento de transcendência e união com o divino. Rubedo pode ser associada ao contato com os aspectos numinosos da psique via self.
Edinger (2006) analisa sete operações alquímicas, as operatio que conduzem as transformações de consciência: 1. Calcinatio, 2. Solutio, 3. Coagulatio, 4. Sublimatio, 5. Mortificatio, 6. Separatio e 7. Coniunctio, trazendo articulações com o estudo dos sonhos. Destaca que essas fases não são lineares e podem se sobrepor ou ocorrer simultaneamente, sendo experiências únicas e intransferíveis.
Já Thiago Tamosauskas, estudioso de alquimia e alquimista praticante, em sua proposta relativa às fases alquímicas, considera a seguinte estrutura: Nigredo: 1. Decantação, 2. Putrefação, 3. Calcinação. Albedo: 4. Dissolução, 5. Coagulação, 6. Destilação. Citrinitas: 7. Sublimação, 8. Exaltação, 9. Multiplicação. Rubedo: 10. Tintura, 11. Conjunção, 12. Projeção.
Em seu livro Principia Alchimica (2024), estas doze fases são descritas associando práticas alquímicas de laboratório a significados simbólicos e espirituais, traçando um caminho que leva o/a alquimista à colheita do orvalho, metáfora para o início e a conclusão do trabalho alquímico. O autor qualifica a fase alquímica da Projeção – parte de Rubedo – como uma analogia à “volta para casa com o elixir” (2024, p. 209), trazendo um vislumbre associativo sobre a jornada do herói de Joseph Campbell (2009), que exploraremos adiante em nossa proposta da Jornada Psicológica da/o Alquimista.
Considerando os fundamentos das duas propostas brevemente apresentadas, nossa contribuição prevê um rearranjo com doze operações alquímicas, mas com alterações que combinam os modelos de Edinger e Tamosauskas. Nossos apontamentos preveem quatro contribuições: a) articulações entre os dois modelos; b) fundamentação da Psicologia Analítica para algumas operações alquímicas não analisadas por Edinger; c) substituição de Destilação por Separatio/Collectatio, e d) proposição de um caminho psicológico que chamamos de Jornada Psicológica da/o Alquimista, baseada no caminho do herói e da heroína, proposto por Joseph Campbell (2009) e por Maureen Murdock (2022).
A jornada psicológica da pessoa alquimista foi desenvolvida com muito carinho e estudo pelos terapeutas Clarissa De Franco, Rafael Baldassaris e Elisabete Loureiro e trata-se de um caminho que se inicia com o enfrentamento de uma questão sombria em Nigredo e suas etapas, passando por fases de purificação e tomada de consciência em Albedo, pelo despertar criativo em momentos de Citrinitas, até a chegada a um estado interior de integração e partilha do aprendizado nas etapas de Rubedo. A jornada é apoiada por imagens e perspectivas ligadas à Jornada do Heroi (Joseph Campbell, 2009) e da Heroína (Maureen Murdock, 2022). Para fins de esclarecimento, nossa proposta foi inspirada pela perspectiva destes autores, mas não as segue de forma estrita ou precisa. Ao final do texto, trazemos uma tabela ilustrativa da jornada.
A proposta da Jornada Psicológica da/o Alquimista
- Calcinatio (Nigredo): O chamado à sombra e a separação do feminino
- Decantatio (Nigredo): A recusa ao chamado e a identificação com o masculino.
- Solutio (Albedo): A ajuda espiritual para dissolver mágoas, abrir mão do controle e aceitar o fluxo.
- Coagulatio (Albedo): A travessia do primeiro limiar e o benefício do êxito: o nascimento da/o alquimista iniciante
- Mortificatio (Nigredo) A provação psicológica da/o alquimista: de volta a Nigredo para finalizar os processos.
- Separatio/Collectatio (Albedo): O caminho de provas: Arrumar a casa e fazer escolhas e cortes.
- Sublimatio (Citrinitas): Apoteose alquimista: perspectivas ampliadas e iniciação à deusa.
- Exaltatio (Citrinitas): O contato e a cura do masculino arquetípico: ritualização e sacralização do trabalho alquímico.
- Multiplicatio (Citrinitas): O contato e a cura do feminino arquetípico: a experimentação do amor e da caridade.
- Tinctura (Rubedo): A dádiva suprema da integração e os votos da pequena e do pequeno alquimista.
- Coniunctio (Rubedo): A senhora ou o senhor dos dois mundos: o ouro do casamento alquímico.
- Projectura (Rubedo): Liberdade para viver: a volta para casa com a criança alquímica.
Primeira operação: Calcinatio (Nigredo): O chamado à sombra e a separação do feminino
Sentimos um chamado ao processo de cura em geral quando nos encontramos em sofrimento. É justamente em Calcinatio que nosso ego, raivoso e inflamado com as frustrações dos desejos sombrios não satisfeitos e dos sonhos não realizados, precisa ter suas emoções intensas “secadas” pelo fogo, em um processo difícil e dolorido de transmutação e purificação. Documentos alquímicos como a Atalanta Fugiens de Maier (1617/2023) e Splendor Solis (1582/2019) retratam esta vivência nas figuras simbólicas do réptil/dragão submetido ao fogo (representado na paisagem e no vaso hermético da Figura 1), e do rei submetido à sauna. Nestes termos, rei e dragão representam uma forma obsoleta do ego. Na Calcinatio, pensamentos vitimistas precisam ser modificados e este ego que deixou de estar a serviço do self – a porção mais sábia e espiritualizada da psique – precisa retomar seu caminho de mediação, organização e consciência.
Figura 1 – A Calcinação Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
O chamado inicial da pessoa alquimista é um chamado ao encontro com a sombra. Em Maureen Murdock (2022), o chamado inicial vem pela separação com o feminino, em que as mulheres são ensinadas pelos valores patriarcais a se distanciarem de suas emoções e de tudo que as conecta a características identificadas socialmente com o feminino vulnerável: vínculos, afetos, intuição, demonstração do que sente. O feminino, então, torna-se sombrio.
Calcinatio é uma operação alquímica do elemento fogo. Tal elemento remete a um nível energético de inflamação e intensidade, com desejos, paixões, raivas e toda uma potência criativa a ser resgatada, já que se apresenta em desequilíbrio. Edinger (2006, p. 45), afirma a respeito das qualidades do fogo da Calcinatio: “é um fogo purgador, embranquecedor. Atua sobre a matéria negra, a nigredo, tornando-a branca”.
Em nível psicológico, a Calcinatio retrata um embate entre ego, sombra e self. Jung (2008, p. 247) lembra: “não desprezes as cinzas, porque elas são o diadema do teu coração, e as cinzas das coisas que duram” Ou ainda: “o xisto branco é a coroa da vitória, cinza extraída da cinza” (Jung, 2008b, p. 318). Analogamente, no processo alquímico, a transformação das cinzas do fracasso na coroa da vitória equivale a equiparar as cinzas com o sal, que simboliza tanto amargor, quanto sabedoria. “Lágrimas, sofrimento e decepção são amargos, mas a sabedoria é o consolo de qualquer dor psíquica” (Jung, 2008, p. 234).
As paixões desenfreadas representadas pelas chamas ou pelo fogo do ciúme são uma forma de provação ao ego, que pode ser purificado após a experiência da Calcinatio. “O afeto liberado torna-se o fogo capaz de secar o complexo e purificá-lo de sua contaminação inconsciente. A necessária frustração do desejo é a principal característica do estágio de Calcinatio”. (Santana, 2005, p. 31).
Assim, o domínio sobre a operação da Calcinatio pode oferecer a secagem de disposições complexas, traumas e afetos que estancam a fluidez da libido. Após a correta secagem da expressão disfuncional destes humores, a Calcinatio garante ao sujeito um maior domínio sobre tais disposições psíquicas. Em termos psíquicos, representa a energia canalizada de maneira fluida. Em sentido prático, se expressa em maior gerência sobre os próprios afetos.
Em sentido mítico, Edinger (2006) evoca assertivamente o simbolismo das antigas tradições xamânicas. Em muitas culturas, o rito de iniciação exige um teste do neófito. A passagem pelo fogo é representativa da etapa da Calcinatio, e da energia psíquica que o indivíduo deve aprender a canalizar de forma construtiva, para o bem do grupo. Por este motivo, xamãs são, reconhecidamente, pessoas imunes ao fogo – isto é, aos efeitos nocivos do direcionamento não funcional da libido.
O réptil submetido à combustão (símbolo da Calcinatio) guarda em potência o próprio tesouro e meta dos/as Filósofos/as. É o que informa Maier (2023, p. 137) na Atalanta Fugiens: “Assim como a Salamander vive no fogo, também é a Pedra”. Esse réptil também pode ser a Kundalini-Shakti. A salamandra flamígera personifica o paradoxo Matéria Prima – Pedra Filosofal, em seu estágio de combustão na nigredo. Ademais, esta operação, enquanto início da Jornada, já contém em si a potencialidade latente do arquétipo da totalidade, simbolizado pela referida Pedra.
Nos sonhos, Calcinatio se manifesta em imagens ligadas ao fogo, como alimentos sendo cozidos, locais queimando, cozimento, calor, queimadas, fogueiras, velas acesas, chamas, rituais e brincadeiras de fogo…
Segunda operação: Decantatio (Nigredo): A recusa ao chamado e a identificação com o masculino
Ainda em Nigredo e em contato com a sombra, a/o alquimista sai de Calcinatio em estado de exaustão e de certa forma rejeita permanecer em mergulho profundo nos aspectos sombrios, seja porque doi, ou porque demanda um esforço e disponibilidade psíquicas intensas. Aqui a recusa ao chamado se configura como uma retirada momentânea da “luta” ou do enfrentamento daquilo que está disfuncional, adoecido em termos energéticos. A pessoa entra em estado de afastamento, isolamento e desmotivação. Joseph Campbell (2009) prevê esta etapa em que o heroi inicialmente resiste e recusa o chamado para o mundo mágico, apegando-se à sua realidade conhecida até então.
A Figura 2 apresenta uma pessoa isolada da cidade e desnuda, prestes a entrar em um lago. A condição simbólica da nudez evoca a ideia de uma autopercepção mais transparente, sem a máscara (persona) social. É exatamente a situação de alguém que se afastou brevemente de certas relações sociais, e agora busca algum repouso na vida privada. Neste breve recolhimento, as “impurezas” psíquicas se tornam mais evidentes para o próprio indivíduo, revelando que há material psíquico a ser elaborado. A Figura 2 ainda apresenta no Vaso Hermético o Leão Verde (a matéria embrutecida) mergulhado na Lua (que rege as marés e, portanto, simboliza a água, o inconsciente e as emoções). Esta imagem representa, portanto, as impurezas psíquicas depositadas no fundo da água em um vaso da Arte.
Figura 2 – A Decantação Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Em relação ao caminho da jornada da heroína (Murdock, 2022), esta etapa pode ser associada a um período em que a mulher rejeita o chamado inicial de olhar para sua sombra e passa a se identificar com o masculino, em busca de consolidar seu caminho de sucesso, em uma linguagem aceita pelo patriarcado, de forma inconsciente ao seu chamado interior e distante de seu caminho de integração.
Decantatio é uma operação alquímica de separação e diferenciação de elementos que envolve deixar a mistura de elementos do tipo sólido-líquido ou líquido-líquido em repouso por algum tempo, até que as impurezas sejam depositadas no fundo do recipiente. Na prática, trata-se de um processo que aborda substâncias com incapacidade de se misturar, em função de suas propriedades.
Do ponto de vista psicológico, esta incapacidade pode indicar energias que estão fora de seu habitat natural, em geral derivada de tentativas de relacionamentos ou conexões infrutíferas ou incompatíveis, que precisam de tempo para retomarem seu lugar de pertença. Simbolicamente, esta etapa requer inação, quietude, paciência e humildade para que os processos ocorram sem a nossa interferência e para que cada parte de uma situação tome seu devido lugar.
No setting, a Decantatio pode ocorrer em momentos de recesso terapêutico. Certos pacientes podem apresentar uma certeza inabalável de que o processo psicoterápico se encaminha para o final, e “tudo já está resolvido”. Entretanto, um momento de pausa nos trabalhos clínicos, e posterior retorno, revelam à/ao analisanda/o que a situação que seu ego consciente jurava ter se livrado, ainda persiste latente. Complexos, afetos mal elaborados e emoções aguardavam o momento de quietude e afastamento terapêutico para ser revelados por meio da decantação. O breve recesso pode ser, em alguns casos, a pausa necessária que revela este material “impuro”, isto é, ainda inconsciente e em vias de elaboração.
Nos sonhos, a Decantação ou Decantatio aparece por meio de imagens de grãos flutuando na água (em vias de decantação), ou diferentes materiais dispostos em que figuram diferentes níveis de densidade ou substâncias, como vasos com camadas de argila, areia e terra. Também podem aparecer como as impurezas, cascalhos ou objetos que se encontram no fundo de um rio ou vaso hermético, ou mesmo uma pessoa que afunda lentamente até o solo marinho ou de um lago. São os sonhos que apresentam fatores psíquicos incapazes de ser misturados, mas decantados.
Terceira operação: Solutio (Albedo): A ajuda espiritual para dissolver mágoas, abrir mão do controle e aceitar o fluxo.
Da insolubilidade de Decantatio, seguida do retorno de cada substância ao seu lugar, surge um novo momento do caminho, que é o da fusão e da mistura entre elementos compatíveis em Solutio. Tal característica denota uma busca por pertença, podendo indicar também um momento de aceitar perder seus contornos e limites individuais, permitindo um transbordar de emoções que se misturam às de outros seres. Agora, o que estava endurecido, solitário e bruto começa a encontrar caminhos de solvência e de fluidez. Esse processo nem sempre é leve, pois nos leva a acessar a nossa vulnerabilidade e a abrir mão do controle e das certezas sobre quem se é.
Figura 3 – A Dissolução Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Em Solutio, operação alquímica ligada ao elemento água, um dos desafios envolve a perspectiva de misturar as dores particulares nas do coletivo, os valores pessoais aos do grupo e do meio, permitindo que o sofrimento, a rigidez e as mágoas que até aquele momento eram constitutivos da subjetividade se diluam no grande oceano da vida. Aceitar que o ego, até então acostumado a se defender com suas velhas estruturas conhecidas, “amoleça”, pode ser interpretado como perigoso, pois abre caminho para que as vulnerabilidades sejam acessadas. As águas representam as emoções que precisam ser experimentadas e integradas à consciência.
A Figura 3 representa o Velho Rei que se banha em um lago, isto é, o Alkahest (Solvente Universal), de modo a dissolver as impurezas do Ego. No Vaso Hermético, a Alma Cândida (a Pomba) adentra nas águas do Vaso, de modo a participar da dissolução de um dado corpo, que ressurgirá de modo purificado posteriormente, coagulado pela participação da Alma.
O movimento alquímico envolve os processos de diferenciação e indiferenciação da matéria até que a Opus chegue à Pedra Filosofal. Solutio faz parte da indiferenciação, fase em que o ego deve permitir se dissolver e se misturar no todo. Mágoas, apegos e certezas devem ser devolvidas ao grande rio da vida e permitir a fluência sem controle. A fase da Solutio nos convida a dissolver o ego. É hora de chorar as dores, deixar as águas lavarem e dissolverem mágoas, equívocos, estabilidades ou ilusões. Algumas vezes, este chamado é tão profundo, que nos perdemos no grande oceano emocional. É preciso permitir essa entrega, mesmo com medo.
O retorno ao útero – uma forma de compreender a Solutio (Edinger, 2006) – configura um mergulho no inconsciente, para fins de purificação e renascimento. Aspectos endurecidos na nossa personalidade, que rejeitam as mudanças, quando submetidos à fase da Solutio, desmancham e suavizam. Mas em alguns momentos, o ego imaturo pode ficar preso nessa experiência, que dissolve partes de nós, por conta de um desejo de aniquilamento do próprio ser. É preciso, portanto, encaminhar esse processo para um novo nascimento.
Cavalli (2005) associa o elemento águas às emoções e ao sentimento, o que figura este profundo trabalho individual com a “umidade” dos afetos – expressos, sobremaneira, pelo choro que lava a pessoa, mas também oferece consolação. Ser conduzido até a fonte das disposições emocionais leva o sujeito a uma regressão psíquica que finda na experiência do retorno ao útero. Trata-se de um caminho natural, que requer algum reconhecimento da estância do Self, em relação ao ego. Conforme Jung (1976/2014) atesta: “há problemas simplesmente insolúveis por nossos próprios meios” (p. 29, para. 44). Esta “insolubilidade” dos problemas, na abordagem egóica, precisa tomar uma via aprofundada para sua “solução”, amparada pela personalidade total. Neste ponto, também pode existir uma ajuda espiritual.
Campbell (2009) define a ajuda espiritual como um apoio ou algo que guia a jornada do herói ou da heroína durante seu caminho. Murdock (2022) também prevê a etapa de quando a heroína se une às figuras aliadas. Pode se manifestar como uma figura ou objeto. Jung (2014) informa o seguinte, acerca dos efeitos do reconhecimento da incapacidade do ego na resolução de certas problemáticas:
[…] tem a vantagem de tornar-nos verdadeiramente honestos e autênticos. Assim, se coloca a base para uma reação compensatória do inconsciente coletivo; em outras palavras, tendemos a dar ouvidos a uma ideia auxiliadora, ou a perceber pensamentos cuja manifestação não permitiríamos antes. […]. Se tivermos tal atitude, forças auxiliadoras adormecidas na nossa natureza mais profunda poderão despertar e vir em nosso auxílio, […] (p. 29, para. 44, grifo nosso).
Em Solutio, podemos compreender tal guia como o inconsciente, nosso grande aliado na Jornada Psicológica Alquímica, que nos leva à sabedoria e ao poder de cura e purificação das águas. Seu maior ensinamento é permitir-se acessar a própria vulnerabilidade emocional. Reconhecer a própria humanidade é a grande força da jornada. A pessoa que acessa a sabedoria do próprio inconsciente é a verdadeira alquimista.
Por isso, embora as “forças auxiliadoras” possam ser projetadas na figura de um guia externo, frequentemente, elas irrompem do próprio inconsciente como um/a “Mestre/a Interior”, protótipo da própria Pedra Filosofal. Aqui, tem-se mui resumidamente o famoso paralelo do Cristo-Lápis, abordado por Jung (2011a). A Pedra só pode surgir após sofrer diversos golpes, como Cristo sofreu para oferecer a Salvação Universal, no mitologema cristão. Dentro da Solutio, esse Cristo-Lapis (ou o/a Mestre/a Interior) surge como protótipo através das ondas revoltas das emoções, como que “caminhando sobre as águas” em meio à terrível tempestade – tal qual expressa na narrativa neotestamentária da Bíblia (2008). Essa ideia ecoa, segundo Edinger (2006), as palavras do poeta norteamericano Theodore Roethke: “o salvador vem por um caminho sombrio”. Assim, o contato com as forças auxiliadoras do Inconsciente só pode surgir após exaustivo trabalho psicológico.
Nos sonhos, Solutio é identificada pelo elemento água: rios, lagos, mares, oceanos, cachoeiras, torneiras abertas, piscinas, vazamentos, enchentes, inundações, entre outras imagens. É uma operação ligada a Albedo, de limpeza, solvência e purificação.
Quarta operação: Coagulatio (Albedo): A travessia do primeiro limiar e o benefício do êxito: o nascimento da/o alquimista iniciante.
Agora a jornada psicológica alquímica se encaminha para um processo menos preso aos estados em desequilíbrio e com mais perspectivas de criar novos padrões (Tamosauskas, 2024, p. 140), sejam eles emocionais ou mentais. Assim como o herói ou a heroína em seu caminho, a partir desse momento para adiante, o/a alquimista acessa a vontade consciente de estar na jornada. É um importante limiar, depois do qual não se tem retorno. A travessia do primeiro limiar e o ventre da baleia são etapas da jornada heroica características de uma transição entre o mundo comum e o mundo heroico, mágico e sagrado. Em Coagulatio nasce a/o alquimista iniciante.
Figura 4 – A Coagulação Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Em relação à jornada da heroína, Murdock (2022) prevê a etapa da mulher encontrando o benefício do êxito nas escolhas que fez até aquele momento. O sucesso nessa etapa ainda vai ser revisado em fases posteriores, já que aqui a consciência da heroína ainda está em estágios embrionários e associado a valores patriarcais que a própria heroína revisará em sua jornada.
Coagulatio é uma operação alquímica do elemento terra ligada à função sensação. Envolve o processo de estruturar e dar forma ao que estava latente, embrionário ou inconsciente dentro de nós. A imagem de uma/um artesã moldando vasos em cerâmica (Figura 4) antes de ir ao forno caracteriza bem essa fase, que precisa da entrega e presença de nossos cinco sentidos para que o sonho ou projeto se realize e tome a forma que nossas mãos forem construindo e consolidando. Trata-se de uma fase de criação, que exige que desenvolvamos clareza sobre o que queremos para nossas vidas dali adiante. Diversos mitos de criação trazem o barro como a origem. O vaso hermético da Figura 4 também representa a descida da Alma Cândida para participar da geração e coagulação de um novo ente.
Ligada psicologicamente à função sensação, esta fase alquímica envolve dar forma ao que se quer, por meio dos cinco sentidos, de maneira prática, concreta, com o chamado “pé no chão”. É preciso se responsabilizar por cada etapa do processo e assumir concretamente o que se quer. Uma ideia presente no processo de Coagulatio, segundo Edinger (2006) é a personalização. Ele indica que “a experiência e a percepção consciente das imagens arquetípicas inatas só têm sequência se as encontrarmos em formas encarnadas, personalizadas” (Edinger, 2006, p.115), ao que Neumman complementa: “a personalização acha-se diretamente vinculada com o crescimento do ego, da consciência e da individualidade”. (Neumann, 1954, p. 336). Uma individualidade só pode nascer a partir de uma consciência transformada.
Para Edinger (2008), Coagulatio está ligada a qualidades femininas e lunares que, alquimicamente, precisam fixar ou coagular o “espírito ilusório do Mercúrio” (p. 367). O sentido mítico desta ideia encontra paralelos na antiga doutrina hermética que fundamentou a Alquimia: a Heimarmene (“compulsão das estrelas”). Parte dos helênicos (como os hermetistas, neoplatônicos e gnósticos) acreditava que a Alma, em seu processo de descida (katábasis) do Mundo Celestial à Terra, atravessava um conjunto de estâncias dimensionais em esferas concêntricas. Tais esferas eram representadas pelos 7 planetas da astronomia ptolomaica. Em cada qual, a Alma agregava uma característica, atravessando, respetivamente: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua. (Ferreira, 2019a, 2019b; Lira, 2023; Greene, 2023a).
A última esfera a ser enfrentada durante a katábasis era a Lua, o astro que rege as marés, assim como influencia os partos. Simbolicamente, o satélite terrestre seria aquele que oferece um “parto da alma” para sua coagulação em um corpo terrestre. Neste sentido, a Lua seria uma das representações da “Grande Mãe”, e um símbolo conectado à feminilidade, capaz de pôr em dinamismo as águas do sentimento, e coagular uma nova Consciência na Terra (Cavalli, 2005; Lira, 2023; Greene, 2023a; Martinelli; Del Debbio, 2016, 2024).
Sendo uma etapa crucial da Alquimia, a Coagulatio, como etapa de fixação e criação é associada ao feminino arquetípico. É desta forma que a Alquimia requer a coagulação do espírito mercurial. Na jornada heroica, quais aspectos “fugidios” da personalidade total precisam ser coagulados, isto é, integrados à Consciência? Para empreender este trabalho, será necessário ter entrado em profundo contato com as expressões do sentimento, operadas no útero da “grande mãe” na Solutio, com vistas à sua expressão e corporificação, de modo a perfazer o antigo ditado alquímico: “solve et coagula” – dissolver e coagular (Edinger, 2008; Tamosauskas, 2024).
Nos sonhos, Coagulatio aparece com imagens de lama, barro, pedras, construção, tijolos, que materializam as primeiras expressões de uma consciência reformada, que passa a fechar feridas e olhar para novos desejos. Para que uma nova forma se estruture, é preciso compreender o que quer e afirmar a própria vontade, sem medo dos julgamentos externos, e com muita firmeza consciente para construir uma nova realidade.
Quinta operação: Mortificatio (Nigredo): A provação psicológica da/o alquimista: de volta a Nigredo para finalizar os processos.
Agora, a jornada psicológica alquímica passa por um momento de grande provação. A pessoa no caminho precisa encarar o que ficou para trás definitivamente e reconhecer o fim daquela consciência pré-alquímica. Após o nascimento da/o alquimista em Coagulatio, depara-se com uma transformação profunda e o processo de luto pela vida que se tinha antes e que se foi é inevitável. Quase sempre, as perdas e os resquícios da vida anterior nos levam de volta e a um estado de sofrimento típico de Nigredo. São os restos que ainda precisam ser olhados e cuidados para que os velhos padrões não retornem, já que a vida nova da/o alquimista e sua consciência reformada estão apenas começando.
Figura 5 – A Mortificação Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Mortificatio é uma operação alquímica que representa o apodrecimento e a decomposição das substâncias, tipicamente ligada a Nigredo. Na natureza, a carne morta e os excrementos geram adubo para a terra, assim como o apodrecimento de um alimento pode criar um fungo que servirá de fermento. A morte, representada pela Mortificatio nos conduz a experiências densas, às vezes pesadas e difíceis, porém necessárias para nosso desenvolvimento. É fundamental reconhecer o que acabou e apodreceu, sem fugir da sujeira. Durante a Mortificatio, sentimos a dor de nos desprender de partes nossas que não mais servem para o caminho de individuação.
É neste sentido que a Figura 5 representa o Velho Rei (aspectos antigos da personalidade, padrões de comportamento disfuncionais para o novo estado) no caixão. Jovens são confrontados com esta figura real obsoleta, que precisa ser enterrada, tal como aspectos de um “antigo eu” que já não servem às perspectivas mais atualizadas de um novo ciclo de vida. No vaso hermético, a Alma Cândida é confrontada com um líquido escurecido e viscoso, símbolo da escuridão, da densidade e dos desafios desta operação. É a matéria putrefacta da personalidade, os padrões antigos.
O simbolismo astrológico associado à Mortificatio é aquele do planeta Saturno. Em termos míticos, Saturno é representado pelo titã Cronos, regente do tempo. Essa associação é especialmente interessante, sobretudo no que tange ao reaparecimento da Nigredo neste ponto da jornada heroica. A Nigredo, como Saturno (tanto na astrologia, quanto em sua figura titânica), surge novamente para “testar” a solidez (Coagulatio) do aprendizado, por intermédio do tempo. É o que a Astrologia denomina “Retorno de Saturno” – após sua presença na encarnação da alma. Como um ceifador, ele retira aquilo que está envelhecido no desenvolvimento da personalidade. Desta forma, Saturno oferece um desafio e uma limitação ao indivíduo. Não é por acaso que este Ente também é conhecido como “Senhor do Karma”. O “peso” que o astro simbólico imprime à Mortificatio não é mero acaso, pois o metal alquímico a ele associado é o Chumbo, de consistência altamente densa (Greene, 2023b; Martinelli; Del Debbio, 2016, 2024).
A Mortificatio marca o “retorno à tumba”. Segundo Campbell (2009), esta tumba também é uma representação do “útero do mundo”, onde heroína/herói sofre um processo de incubação psicológica. Nesse sentido, associamos à fase do “ventre da baleia” na jornada do heroi (Campbell, 2009), um limiar fundamental entre as experiências antigas da pessoa comum e da nova consciência heroica. É um momento de regressão da libido, para encontrar no interior da vida psíquica a energia para uma nova vida latente, tal como as árvores que parecem ressecar no inverno, para ressurgir verdejantes na estação seguinte.
O processo psicológico da Mortificatio nos leva a olhar para a própria sombra. A “descida” às profundezas do inconsciente pode trazer uma série de sentimentos difíceis, já que a sombra contém elementos negados, reprimidos, desconhecidos ou não reconhecidos em nossa psique. Mas enxergar o que apodreceu é fundamental para fechar processos e poder abrir novos caminhos em paz. Por esse motivo, ela se assemelha à vivência da “Noite Escura da Alma”, relatada pelo místico espanhol São João da Cruz (2002). Essa etapa da jornada heroica se apresenta como uma terrível escuridão – relativa à tumba ou útero do mundo de Campbell (2009) – e faz a alma sofrer uma melancolia sem respostas, que deseja intensamente a Deus. Este processo é um símbolo da morte das estruturas ilusórias, que adubam a semente da Criança Filosofal, a identidade essencial (Self). Encontramos correspondências entre o sexto estágio da Jornada da Heroína de Maureen Murdock (2022): despertando para o sentimento de aridez espiritual: morte, em que a mulher se percebe diante de um vazio importante, reconhecendo que o sucesso obtido nos moldes do patriarcado não trouxe a felicidade, completude e paz imaginadas.
Mortificatio contém em si uma potência de trazer algo novo, como os excrementos podem virar adubo para a fertilização da terra. Não pode haver mais espaço para os velhos padrões mentais e emocionais, por isso Mortificatio testa a estabilidade da nova consciência da/o alquimista. Nos sonhos, Mortificatio aparece em imagens como caveira, ossos, túmulos, cemitérios, lápides, velórios, enterros, excrementos, restos, ruínas, natureza morta, apodrecimento, tanto quanto processos consequentes do fim do tempo/prazo, como o ceifar de uma colheita.
Sexta operação: Separatio/Collectatio (Albedo): O caminho de provas: Arrumar a casa e fazer escolhas e cortes.
No caminho de provas (Campbell, 2009; Murdock, 2022), a/o alquimista deve compreender quem são suas alianças e quem são companhias que não correspondem mais à sua jornada. Deve ser capaz de fazer cortes, mesmo que difíceis, e escolher suas novas pertenças após o reconhecimento do fim da vida anterior.
Figura 6 – A Separação/Coleta Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Separatio no sentido de Collectatio refere-se ao processo de catação, em que a/o alquimista precisa coletar para si o que lhe pertence agora a partir de sua nova identidade e deixar para a terra ou o mar, as pedras que não são mais de seu caminho.
A Separatio nos leva à necessidade de realizar um “divórcio simbólico” de algumas situações às quais estamos ligadas/os, identificando e separando as partes que muitas vezes estão conectadas entre si por conta de processos que no momento já não fazem mais sentido para a pessoa alquimista. (Edinger, 2006).
Indica separação, ligada ao princípio do logos, do discernimento, análise e discriminação. Quando nascemos, estamos mergulhadas e mergulhados em grande emaranhado inconsciente, e aos poucos vamos encontrando nosso caminho individual de consciência. É um processo de produção de ordem a partir do caos, um processo de diferenciação da matéria. Nos mitos de criação, a imagem de um ovo cósmico dividido ao meio (Figura 6), ou mesmo a Teoria do Big Bang que permite que o universo e suas partes se formem, são imagens da Separatio. No vaso hermético (Figura 6), pode ser representada pela separação dos elementos.
A ideia de polos complementares da Psicologia Junguiana vem da perspectiva de separação, de possibilitar a tomada de consciência das partes que envolvem uma situação. O ego é o princípio ativo da consciência que promove a diferenciação. O ego se expõe aos perigos da vida, ao sair do colo quente da mãe, enfrenta os monstros, faz escolhas, assume as consequências destas escolhas. Amadurecer envolve lidar com os opostos, e se posicionar diante deles, de forma respeitosa e harmoniosa. Assim, criamos identidade, com a consciência do que é meu e o que é do outro. Assim, a/o alquimista se fortalece em sua jornada psicológica.
Discriminar situações que nos prendem, identificando as partes que muitas vezes estão conectadas entre si de maneira ilusória ou equivocada e cortar o que não pertence à situação faz parte desse processo, que simbolicamente vem após o reconhecimento da fase Mortificatio. Após a passagem simbólica da figura do Ceifador (Saturno), é momento de colher os frutos do aprendizado, tanto quanto integrar a experiência que nos permite separamo-nos de ideias, situações e pessoas em desuso. Aí se encontra a necessária discriminação realizada entre as sementes que não oferecem frutos à personalidade, e aquelas que são capazes de florescer novamente, no ciclo da heroína ou do herói.
Separatio/Collectatio aparece nos sonhos por meio de imagens de espadas, facas, adagas e outros objetos cortantes, também através de caminhos que se separam, e instrumentos de medição, como relógios, ampulhetas, esquadros, já que Separatio exige limites, organização e planejamento. A catação pode aparecer nos sonhos também como figuras (catador/a de lixo, colecionador/a de objetos específicos, cozinheiras/os separando feijões ou outros grãos, mineradores/as de ouros ou pedras preciosas…).
Sétima operação: Sublimatio (Citrinitas): A apoteose alquimista: perspectivas ampliadas e a iniciação à deusa
Na jornada do herói, Campbell (2009) coloca a apoteose como uma espécie de clímax da jornada, em que o herói alcança um novo nível de compreensão, que transcende a si mesmo e ao próprio ego. A Figura 7 apresenta esta transcendência da “solidez do ego” como um indivíduo que se torna rarefeito, especialmente nas partes superiores do corpo, como a cabeça (relacionada à mente e à psique). No vaso, a Alma Cândida avança para o topo do mesmo, de modo a expandir o alcance do sólido abaixo, que irá ser sublimado.
Figura 7 – A Sublimação Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Aqui em nossa Jornada Psicológica da/o Alquimista, a apoteose vem logo após o caminho das provas, no amarelecimento da matéria, entrando em Citrinitas, ou seja, no despertar do caminho alquímico. A pessoa alquimista nessa etapa já é capaz de desafiar mestres e mestras, porque deixou para trás os vícios e padrões sombrios de Nigredo e já assumiu com vontade consciente seu caminho alquímico, podendo agora ter percepções aguçadas, sábias e criativas. Podemos associar ao momento em que a heroína começa a se reconectar com o feminino ou se coloca na iniciação à deusa, tarefa que será melhor consolidada em próximas etapas (Murdock, 2022).
Sublimatio é uma operação alquímica do elemento ar e ligada à função psíquica do pensamento. É um momento de descolar-se dos problemas e ganhar novas perspectivas, já apoiadas pela nova consciência da/o alquimista. Não há mais inimigos, senão os próprios pensamentos disfuncionais. A pessoa alquimista nesse estágio deve trabalhar para que ego e self, ou seja, partes centrais do consciente e do inconsciente, estejam em alinhamento. E a partir deste equilíbrio enxergar o que não via até então, e também alinhar pensamentos, emoções, intenções, desejos, palavras e ações.
Por ser conectado ao elemento Ar, a Sublimatio está intimamente conectada à comunicação (simbolizada no signo aéreo de Gêmeos, na Astrologia), e requer, na Citrinitas, o desenvolvimento da função social do ser humano. A heroína / o herói precisa ter ciência de que sua jornada ultrapassa o âmbito pessoal, e que os tesouros que encontra devem ser trazidos para a comunidade, como um “pagamento” por sua própria jornada de individuação. A capacidade de um ponto de vista ampliado, propiciado pela Sublimatio, deve levar o sujeito à percepção da dimensão transpessoal (Edinger, 2006; Campbell, 2009; Jung 2011a; Martinelli; Del Debbio, 2024). É, claro, o início dessa percepção.
É um momento de estar perto de mestres e mestras, mas não se confundir ainda com um/a deles/as, como se seu processo de transformação estivesse terminado. O despertar do acesso a formas mentais mais elevadas não pode ser confundido com a Opus finalizada.
Tamosauskas (2024, p. 180) afirma que a Sublimatio “trata-se da mudança do estado sólido para o gasoso sem passar pelo estado líquido, ou seja, essa operação fala de um novo salto de consciência”. Nesse processo, nossa consciência encontra-se em um momento de elevação, como se pudéssemos por alguns momentos nos tornar observadores/as de nós mesmos. Uma forma interessante de se imaginar essa operação é a perspectiva de um drone, que vai se afastando do chão e filmando de cima. A consciência pode se deslocar do foco do problema e olhar desde uma perspectiva mais ampla, um olhar de cima, de quem vê sob novas perspectivas, sem ficar preso/a à dor ou à matéria. “O simples fato de encontrar palavras ou conceitos adequados para um estado psíquico pode ser suficiente para que a pessoa se afaste dele o bastante para olhá-lo de cima” (Edinger, 2006, p. 135).
Sublimatio é uma operação que nos convida a utilizar nosso aspecto interior mais sábio, como se estivesse abordando e aconselhando sobre um problema de outra pessoa. Por meio da Sublimatio, processos emocionais densos e pesados podem se tornar mais leves, possíveis de serem compreendidos e digeridos. O movimento da matéria ao espírito, da terra ao céu, é presente em Sublimatio. “O céu é a morada das formas eternas platônicas, os universais, as imagens arquetípicas”. (Edinger, 2006, p. 136). Sublimatio transita de Albedo (clareza mental) para Citrinitas (despertar e criar).
Como desafio, Sublimatio pode trazer um movimento excessivo de descolamento da realidade, fazendo-nos refugiar na fantasia ou nos excessos analíticos da função pensamento, que nos deslocam da concretude e podem gerar certas ilusões interpretativas. Atenção com a combinação do movimento: descolar com sabedoria, voltar para a concretude para realizar.
Sublimatio é uma fase que marca o princípio do acesso consciente ao inconsciente coletivo. Um dos principais símbolos da Sublimatio é a escada, que em geral representa a ascensão gradual, que vai avançando a cada degrau, de forma progressiva, mas que, como todo símbolo, deve ser interpretado dentro do contexto específico em que se insere, já que traz uma polissemia. Nos sonhos, Sublimatio aparece em objetos que voam (avião, helicóptero, balão, drone), em animais alados, em lugares altos (alto da torre, topo da montanha, imagem de subida, mirante…), em objetos como escada e elevador e nos voos e flutuações que as próprias pessoas vivenciam em estado de sonho.
Oitava operação: Exaltatio (Citrinitas): O contato e a cura do masculino arquetípico: ritualização e sacralização do trabalho alquímico.
A Exaltatio é uma operação que aproxima a pessoa alquimista da sacralidade e do reconhecimento do potencial sagrado da alquimia e de cada uma de suas etapas e elementos. Exaltar um metal após a elevação permitida por Sublimatio faz com que a alquimia ganhe um contorno místico e sagrado que modifica e requalifica a experiência da Jornada Psicológica da/o Alquimista. Este é o resultado do contato com a dimensão transpessoal da operação anterior.
Figura 8 – A Exaltação Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Conforme indica Tamosauskas (2024), podemos praticar a exaltação dos diferentes metais, considerando os níveis de consciência em que atuam (Chumbo: sobrevivência, Cobre: emoções e vínculos, Ferro: pensamento, Estanho: criatividade, intuição, Mercúrio: autoconhecimento, Prata: consciência planetária e espiritual, Ouro: consciência cósmica e integração com o todo e morte do ego). Qualquer operação alquímica pode ser desenvolvida considerando os sete níveis de consciência, no entanto, em Exaltatio, a pessoa alquimista está desenvolvendo seus próprios rituais de consagração de sua prática.
A Exaltatio leva em conta o principal objetivo da/o alquimista, que é, segundo Hutin (2010), libertar da matéria a Quintessentia (Quintessência), o Deus Absconditus (Deus Oculto), processo expresso na resultante da Pedra Filosofal. Por isso, os metais e tesouros adquiridos nas operações anteriores necessitam de refinamento, ou seja, terem suas “oitavas” elevadas através da sacralização.
Na Jornada Psicológica da/o Alquimista, o encontro com o masculino arquetípico, chamado por Jung de Animus, promove o desenvolvimento de características como reconhecimento do próprio potencial e de seu caminho único como alquimista, foco e dedicação ao trabalho alquímico e suas regras, ritualização e sacralização do que de fato importa, contato repetido e ritualizado com guias e mestras/es.
A Figura 8 representa simbolicamente o contato com um Ente Divino por meio da oração (Exaltação), enquanto o vaso demonstra um círculo maior e outro menor – o “pequeno alquimista” e o “grande alquimista”, ego e Self da psicologia analítica, conforme referenciado por Tamosauskas (2024) – que flutuam exaltados e elevados na experiência numinosa, isto é, a experiência tremenda e fascinante do contato com o Si-Mesmo.
O contato com o masculino arquetípico é uma etapa prevista tanto na jornada do herói (expiação com o pai, Campbel, 2009), como na da heroína, (curando o masculino ferido, ou curando o conflito entre pai e filha), Murdock, 2022). Nos sonhos, Exaltatio pode ser reconhecida através de imagens de sacralização: meditação, oração, enaltecimento de alguma figura religiosa ou entidade, rituais religiosos, criação de altares. Podem ser também imagens de estrelas ou metais brilhando, já que em Exaltatio, ocorre o processo de exaltar o brilho dos metais. Finalmente, sonhos que evocam o masculino arquetípico podem se relacionar a esta etapa.
Nona operação: Multiplicatio (Citrinitas): O contato e a cura do feminino arquetípico: a experimentação do amor e da caridade.
Em Multiplicatio, a/o alquimista desenvolve o amor alquímico, quando “a prata é levada à efervescência” (Tamosauskas, 2024, p. 188). Este amor é revelado por meio da caridade, que representa o momento da jornada em que a/o alquimista torna-se capaz de compartilhar seus aprendizados, apoiando o caminho de outras pessoas, e também aprende a ceder, doar, sacrificar-se, colocando os interesses coletivos ou de outras pessoas à frente de seus interesses. O verdadeiro despertar de Citrinitas é compreender que a caminhada da pessoa alquimista só tem sentido se puder servir e transformar o mundo à sua volta. A Figura 9 representa este ato como a semeadura, que renderá frutos e hortaliças aproveitados pela comunidade.
Figura 9 – A Multiplicação Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Um símbolo alquímico profundamente conectado a este ideal é aquele do Pelicano alquímico (no vaso hermético da Figura 9) da Tradição RosaCruz, segundo Sablè (2014). É a representação da ave, na figura que bica o próprio peito para alimentar os filhotes com seu sangue vertente. Isso se encontra, novamente, em paralelo com a ideia do Cristo-Lapis, capaz de se doar em prol da Salvação de muitos (Cristo), e de multiplicar os dons alquímicos (Lapis) por meio da virtude cardeal da caridade.
É preciso que esse despertar da intenção caridosa da/o alquimista seja um exercício genuíno, convocado pelo processo de autoconhecimento que acompanha as operações alquímicas e o Opus. Caso as ações solidárias sejam apenas protocolares, ou cumpridoras de um papel para alívio de culpas ou para produzir formas de autolegitimação por meio da validação do grupo, a pessoa alquimista volta à dinâmica de persona (o que se mostra e se exterioriza em termos de papeis sociais) e sombra (o que se passa no inconsciente, interior ao indivíduo, que está oculto em função de medos, repressões e desconhecimento) e isto a joga de volta a Nigredo. O caminho do despertar, embora se acredite não retornável a partir de um determinado ponto da jornada, sempre pode ser fisgado por profundezas não visitadas. Multiplicatio é o último teste antes de Rubedo, a vermelhidão da matéria. Mas como tudo na alquimia está relacionado a equilíbrio e doses, mesmo a caridade deve ser ponderada.
O contato com o feminino arquetípico permite o desenvolvimento da matriz feminina na/o alquimista: cuidar, nutrir, acolher, amar, conhecer suas próprias emoções, desenvolver empatia e amor, compaixão pelo sofrimento alheio, doar seu tempo e alma para o crescimento de quem está em volta, prezando pelo cuidado das outras pessoas. Por este motivo, a simbolização da Multiplicatio na figura do Pelicano é reforçada, conforme atesta Blavatsky (1892/2020): […] o pelicano, ave aquática, que flutua ou se move sobre as águas, como o Espírito, e logo sai delas para originar outros seres. […] foi poetizada no sentimento maternal de se abrir o peito para alimentar com seu próprio sangue a seus sete filhos” (p. 482). Assim, o Pelicano se apresenta também como um símbolo do feminino arquetípico. Em sentido alquímico, ele é aquele que nutre os 7 metais – representações de humores e disposições psicológicas, que foram trabalhadas e refinadas ao longo das operações alquímicas.
Em Jung (2002), o feminino arquetípico é também chamado de Anima (alma) e está ligado a Eros: relações, vínculos, amor, emoções. Lembramos que lá atrás em Solutio, recebemos o apoio do inconsciente como um guia para o caminho. O inconsciente guia agora para a faceta altruísta e generosa da/o alquimista.
Na Jornada do herói, Campbell (2009) coloca o encontro com a deusa como uma integração da alma com o princípio feminino, desenvolvendo esperança e amor. Maureen Murdock (2022) também aponta o importante estágio de cura do conflito entre mãe e filha.
As imagens de sonhos mais frequentes que Multiplicatio aparece são de ajuda: estender a mão, salvar alguém, doar algo, plantar muitas sementes, tanto quanto deixar um legado ou se sacrificar em prol de um ideal coletivo ou imagens de um feminino arquetípico.
Décima operação: Tinctura (Rubedo): A dádiva suprema da integração e os votos da pequena e do pequeno alquimista.
A dádiva suprema é um ponto alto da jornada do herói em Campbell (2009), em que se atinge a consciência plena de seu propósito e se recebe a recompensa (o elixir) pelos sacrifícios do caminho. Essa recompensa pode ser um conhecimento, um objeto valioso ou a própria transformação interna, que é compartilhada com a comunidade ou o mundo. Nesse sentido, a operação alquímica da Tinctura, a primeira de Rubedo, indica que a pessoa na jornada começa a ensaiar seus passos como verdadeira alquimista. Na jornada da heroína de Maureen Murdock (2022), inicia-se a etapa de integração do masculino com o feminino.
Figura 10 – A Tintura Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Agora o Ouro está próximo e sua tintura amarela começa a superar a prateada, mas segundo Thiago Tamosauskas (2024, p. 194), é preciso “conhecer as causas das diversas naturezas” do ouro (“peso, coesão, maleabilidade, imunidade à ferrugem e tintura amarela”) para que desse modo “a humanidade resolva se é ouro ou não” (p. 194). Na Figura 10, a substância áurea dentro do vaso surge por meio da fixação, que é o ato de tornar o ente mais fixo (menos passível de mudança de estado físico em temperatura ambiente) por meio do aquecimento (as chamas circundantes).
A possibilidade do “ouro de tolo” em alquimia se refere ao ato que Tamosauskas (2024) define como imitação. “Como uma criança que usa a roupa dos pais e imita seus modos, o(a) pequeno alquimista se esforçará para imitar o(a) Grande Alquimista de modo cada vez mais frequente e perfeitamente até que o se tornem indistinguíveis” (Tamosauskas, 2024, p. 194).
Durante esta operação, o reconhecimento e a escolha de mestras e mestres alquimistas de referência são fundamentais para exercitar com humildade caminhos já antes trilhados, mas com a perspectiva de encontrar seu próprio tom. A/o pequena/o alquimista se inspira nas/os grandes mestras/es. A Figura 10 realiza a ilustração disto através do jovem príncipe, que tem sua comunicação com o Rei mediada por Mercúrio alado, símbolo da transmissão de saberes.
De um modo leigo e comercializável, a tintura refere-se a um extrato que contém princípios ativos de uma substância, ligada a um método de extração. Estamos nos encaminhando para a essência do elemento – mais concentrada e pura que a tintura. Portanto, a Tinctura, como operação alquímica, inicia a extração da essência, mas ainda não é a essência em si.
A Fênix, tanto quanto a coloração vermelha (o tecido ao fundo da cena da Figura 10), são representantes simbólicas da Rubedo, e indicam o caminho mítico da tintura, e sua própria essência. Para Blavatsky (2020), a Rubificação (Rubedo) marca a transição da cor alva para o rubro. A Fênix personifica a Rubedo por se tratar de uma ave mística que, ao fim de sua vida, se consome nas rubras chamas e renasce das cinzas. Sua imagem condensa, deste modo, todas as outras operações em um único ato: a morte do velho eu, calcinado nas chamas, condensado novamente em uma consciência mais abrangente.
Chevalier & Gheerbrandt (2018) informam que a Rubedo (a “obra em vermelho”) equivale, metaforicamente, ao acesso aos “Mistérios Maiores” das sociedades iniciáticas e, portanto, convida o indivíduo à transcendência da esfera individual, de modo a acessar a estância cósmica. A simbólica cor vermelha, neste ponto, convida a um tipo especial de renascimento – à semelhança daquele sofrido pelo povo judeu, após atravessar o “Mar Vermelho” na narrativa da Bíblia (2008). Este rito de transição concede o valor de um sacramento, que provoca transformações profundas na Consciência da heroína / herói da Jornada Alquímica.
Nos sonhos, a Tinctura aparece como imagens de tingimento e pintura, seja de roupas, de madeira, de telas, de papeis, entre outros materiais, ou de tinturas como própolis, lavanda, e também com imagens de sacramento de reconhecimento, como a formatura, ou uma consagração iniciática, por exemplo.
Décima primeira operação: Coniunctio (Rubedo): A senhora e o senhor de dois mundos: o ouro do casamento alquímico.
Coniunctio é o ápice da tarefa alquímica na proposta de Edinger (2006) e de Jung (2002). Na Psicologia Analítica, a Coniunctio significa a realização da difícil tarefa de integração entre energias complementares e duais, como claro e escuro, masculino e feminino, velhice e juventude, consciência e inconsciente… Não se deve confundir esse movimento com a perspectiva dicotômica ocidental que separa opostos de forma binária, categorizante e hierarquizante. Em Jung, não há hierarquias entre as energias compensatórias e complementares.
Figura 11 – A Conjunção Alquímica

Fonte: Adam McLean, 2021
Passamos toda uma existência na tentativa de integrar energias. Para a Psicologia Analítica, a sizígia ou os pares complementares têm na sua separação apenas uma finalidade didática para que o ego possa organizar a consciência (Edinger, 2008). A meta da individuação envolve a integração.
Jung (2008b) afirmava que assim como o alvo do processo da individuação é a relação consciente com o self (que representa, entre outros aspectos, a totalidade da psique e ao mesmo tempo, sua parte mais sábia e espiritualizada), podemos dizer que a meta do processo alquímico é a Pedra Filosofal, que, segundo Edinger (2008) revela o fundamento metafísico e transcendente do ego pessoal. Nesse sentido, a Pedra Filosofal se manifesta através da união de energias complementares, e “costuma ser descrita como uma Coniunctio entre o Sol e a Lua” (Edinger, 1997, p. 359), metáforas para os princípios masculinos (Sol) e femininos (Lua) – representados em casamento na Figura 11. Segundo Jung (2002; 2008b) e Edinger (1997), quando uma das partes (Sol e Lua) opera sozinha, tem-se um perigo iminente, já que a energia solar pode ser destrutiva em função do calor e da intensidade, e a lunar por conta de sua frieza, que “imobiliza e congela” (Edinger, 1997, p. 360). Tal ensinamento psicológico se refere a outras dualidades que precisam ser integradas e equilibradas.
Coniunctio é a operação alquímica que pode finalmente produzir a Pedra Filosofal, uma pedra, como diz Marie Louise Von Franz (2022) “mediadora dos elementos”, que “oculta toda a ciência” em si, ou todo o conhecimento. O milagre desta etapa consiste em integrar matéria e espírito, aspectos inferiores e superiores. A chamada “união de opostos” é uma síntese, hora de realizar o casamento alquímico, o ouro que se busca, que sintetiza todo seu trabalho para elaborar seus processos.
O casamento alquímico ou a Coniunctio é uma “operação em que duas substâncias se tornam uma” (Tamosauskas, 2024, p. 197). É a fusão entre o Ouro material e o Ouro Celestial, retomando a força do princípio hermético da Correspondência: “o que está em cima é como o que está embaixo” (Três Iniciados, 1997, p. 21). Aqui, a/o pequena/o alquimista e a/o Grande Alquimista fundem-se, tendo como efeito o encontro com o propósito real da existência, o sentido maior da vida, a verdadeira essência do ser. Coniunctio é a operação que produz finalmente a Pedra Filosofal e que conecta o Self aos aspectos numinosos do inconsciente coletivo, como se algo se acendesse e se alinhasse por dentro da psique. A Figura 11 representa estes “dois parceiros” fixos no vaso hermético, na ilustração de um círculo menor e outro maior.
Edinger (1997, p. 143) afirma que “ocorre a cura de uma divisão dupla quando a individuação é alcançada: primeiro, a divisão entre consciente e inconsciente, que se iniciou por ocasião do nascimento da consciência”. E depois “a dicotomia entre a realidade externa e a interna é substituída por um sentimento de realidade unitária”. Coniunctio é um típico processo de Rubedo, quando se atinge um estado de “iluminação” espiritual ou integração psíquica. A fase alquímica da Coniunctio envolve integrar os aprendizados realizados, conectar-se à sua história e finalizar o ciclo específico com gratidão, pronta para o próximo capítulo da vida.
Na jornada do herói, Campbell (2009, p. 225) descreve o “Senhor de dois mundos” como a pessoa mestra que atinge um estado de sabedoria, liberdade e relaxamento, típicos de quem compreendeu e realizou a jornada e pode abrir mão do reconhecimento e do status de querer ser alguém especial, para simplesmente ser.
O indivíduo, por meio de prolongadas disciplinas espirituais, renuncia completamente aos vínculos, com suas limitações e idiossincrasias, esperanças e temores pessoais, já não resiste à autoaniquilação, que constitui o pré-requisito do renascimento na percepção da verdade, e assim fica pronto, por fim, para a grande sintonia. Suas ambições pessoais ficam dissolvidas, razão pelo que ele já não tenta viver, mas simplesmente relaxa diante de tudo o que venha a se passar nele; ele se torna, por assim dizer, um anônimo. (Campbell, 2009, p. 231).
Maureen Murdock (2022) reconhece o ponto máximo da jornada da heroína como a integração entre masculino e feminino arquetípicos. O casamento alquímico produzido por esta consciência integrada é como um salto grandioso no processo de individuação.
Em sonhos, a Coniunctio pode ser representada por casamentos, relações sexuais, ritos/celebrações de união, ou combinação entre elementos complementares – símbolos do feminino e masculino, do claro e do escuro, do céu e da terra, da lua e do sol, da prata e do ouro – que se conectam na produção de um novo composto, expressões espirituais que demonstram completude e que são ligadas ao self, como mandalas.
Décima segunda operação: Projectura (Rubedo): Liberdade para viver: a volta para casa com a criança alquímica.
Chegamos ao último estágio da Jornada Psicológica da/o Alquimista, lembrando que não necessariamente as fases alquímicas ocorrem de forma linear e sequencial. A “Liberdade para Viver” é a etapa final do caminho do herói e heroína em Campbell (2009), em que se atinge a liberdade de poder transitar entre o mundo mágico (heroico) e o mundo comum, sem permitir contaminações ou confusões entre essas instâncias e identidades, e ao mesmo tempo em paz com os aprendizados e experiências que ambos os mundos podem complementar entre si. É precioso que após a Coniunctio, entre o material e o imaterial, o mágico e o comum, se possa transitar de maneira leve, livre e consciente.
Figura 12 – A Pedra e a Criança Filosofal

Fonte: Adam McLean, 2021
Vogler (2011), em sua adaptação da Jornada do Heroi para a Jornada do Escritor, chama esta etapa de “O Retorno com o Elixir”, quando a figura heroica volta para casa com a sabedoria ou a conquista do caminho. Nesse sentido, a/o alquimista agora está livre para compartilhar o ensinamento aprendido na jornada psicológica. Nota-se que a Pedra Filosofal (simbolizada pelo triângulo, quadrado e círculo no mundo da Figura 12) em si não pode ser compartilhada, sendo fruto de uma experiência e uma jornada única. A pessoa alquimista, então, pode compartilhar os benefícios que o caminho e o encontro com a Pedra Filosofal lhe trouxeram, conhecidos como “Pó de Projeção” (Tamosauskas, 2024, p. 2010), realizado por meio do amor e da sabedoria que se multiplica A operação alquímica da Projectura é também conhecida como “Rei dos Metais” (Tamosauskas, 2024, p. 209), que se trata justamente da perspectiva do Pó de Projeção que pode ser generosamente compartilhado. Lembramos que a realização do Self em processo de individuação “é um processo e não um alvo alcançado” (Edinger, 1997, p. 143).
Thiago Tamosauskas (2024, p. 209) observa que “o objetivo da Grande Obra é a Criança Alquímica, não o Casamento Alquímico”, sendo que “o objetivo do herói não é apenas conquistar o elixir, mas sim levá-lo para casa”. Ele indica ainda que a Pedra Filosofal deve ser utilizada para o serviço da humanidade, como um princípio generoso. Acerca do simbolismo da criança, Chervalier & Gheerbrant (2018) retomam sua importância para o mitologema judaico-cristão. A condição infantil é uma representação da inocência antes da mítica Queda, que provocou a cisão entre o ser humano e a Divindade. O “retorno à infância” é, neste sentido, a volta a uma condição de união sagrada com Deus, isto é, a Personalidade Total. Em sinergia com a Rubedo, tudo isso tem o condão de representar o evento psíquico em que a consciência egóica é movida para uma região mais próxima da Totalidade (Self), a partir da integração dos paradoxos.
A Criança Alquímica (representada no vaso da Figura 12) se refere a uma imagem metafórica para indicar o que é gerado a partir da consciência integrada em Coniunctio. Essa criança é a que ficará no mundo, espalhando os benefícios do trabalho alquímico. Pensando na jornada heroica em Murdock (2022), esse poderia ser um momento em que a heroína, reconciliada com sua história, oferece às outras mulheres, com sororidade, seu apoio e testemunho. A/o alquimista chega ao final de sua jornada com humildade, generosidade, simplicidade e sabedoria. Nos sonhos, a Projectura pode ser reconhecida por meio de imagens de crianças e bebês.
Tabela ilustrativa da Jornada Psicológica da/o Alquimista
| OPERAÇÃO | ESTÁGIO | CARACTERÍSTICAS | DINÂMICA PSICOLÓGICA | IMAGENS | EXERCÍCIOS | JORNADA DO HEROI E HEROÍNA |
| CALCINATIO | Nigredo
(Fogo) |
– Emoções: Raiva, ira, ódio, frustração, decepção, sofrimento, dor, paixões e desejos frustrados.
– Pensamentos negativos e raivosos. Intensidade, vingança. – Inflamação, vitimismo, buscando alguém para culpar. – Fogo: ao mesmo tempo inflama, mas também pode secar as emoções em excesso. |
– Ego inflado
– Ego identificado com sombra. – Embate entre ego e self. – Complexo atuando com força irracional. – Resgatar ego para voltar a servir ao self. |
– Destruição com queimadas.
– Alquimia: Rei morto com fogo ao fundo. – Alquimia: Resistência da salamandra e da fênix. – Alquimia: Imagens criativas de fogo: cozimento. – Velas acesas. – Fogueiras e rodas de fogueiras. |
– Identificar raiva e atribuição de culpas.
– Identificar vitimismo. – Queimada no caldeirão. – Dança do fogo. |
– O chamado à aventura.
– Separação do feminino. |
| DECANTATIO | Nigredo | – Emoções: negação, afastamento, isolamento, recusa, apatia, desmotivação, quietude, dor.
– Rejeita ajuda, prefere ficar sozinha/o. – Aos poucos, percebe que tentou “casamentos imiscíveis”, ou seja, relações com pessoas incompatíveis com sua essência. |
– Decantar a inflamação do estágio anterior.
– Inicialmente rejeita apoio terapêutico, achando que já entendeu a questão. – Revelação do núcleo do complexo após período de espera. – Identificação das tentativas incompatíveis com sua essência. |
– Água e óleo. Areia e água. Mercúrio e água. Substâncias que não se misturam.
– Partículas na água. – Vaso de plantação com camadas (manta, argila, terra…) – Afundar-se passiva e lentamente na água – Vislumbrar corpos sólidos no fundo de um lago ou vaso. – Meditação (quietude, observação, espera). |
– Meditação. Respiração. Observação.
– Anotar o que observa. – Identificar o que foi forçado e não compatível com a essência. – Começar a construção de um vaso com camadas de argila, areia e terra. |
– Recusa do chamado.
– Identificação com o masculino. |
| SOLUTIO | Albedo
(água) |
– Emoções: choro, tristeza, mágoa, vulnerabilidade.
– Descontrole emocional, medo de perder o controle sobre si. – Fuga, escapismo, abuso de substâncias. – Purificar, lavar as dores e os padrões internos. – Permitir a aceitação do fluxo da vida. Deixar ir. |
– Domínio do complexo sobre o ego. Emoções profundas e vulneráveis invadindo o ego.
– Dissolução do antigo ego ou da antiga consciência. – Indiferenciação do ser. – Dissolução da identidade. – Reconhecimento das vulnerabilidades. |
– Águas bravas: tempestades, rios e mares bravos. Maremotos. Ondas grandes
– Vazamentos. – Cachoeiras. – Lagos e águas calmas. – Alquimia: lavadeiras. – Alquimia: Rei nadando; Alkahest – Mistura de substâncias que se fundem (sal de frutas). |
– Mexer na água. Desenhar com a água.
– Dissolver algo na água (sal e açúcar) e misturar. – Identificar emoções e quando aparecem. |
– Apoio espiritual.
– Descoberta das pessoas aliadas. |
| Cogulatio | Albedo
(terra) |
– Emoções: esforço, dedicação, vontade consciente, desejo.
– Construção de novas metas. – Dar forma ao desejo. – Nascimento da consciência alquimista iniciante. – Criar, estruturar, construir. |
– Clarear o desejo que vem do self.
– Colocar o ego em sua nova consciência a serviço do desejo do self. – Construir concretamente a nova consciência por meio de ações. |
– Alquimia: rei saindo da água e colocando roupa.
– Lama, terra, barro, limo, petróleo, sangue, líquidos viscosos. – Construção, tijolo, pedra, rocha. – Terremoto. |
– Retomar o vaso de Decantatio e plantar.
– Criar forma em argila ou massinha. |
A travessia dos primeiros limiares.
– Benefício do êxito. |
| Mortificatio | Nigredo | – Emoções: luto, morte, perda, dor, vazio, tristeza, melancolia, medo, insuficiência, pequenez, humilhação, amargura.
– Encarar fim e fechar ciclos. – Restos dos processos. – Reconhecer limites. |
– Volta à Nigredo ou à sombra.
– Reconhecimento do fim. Fechamento de ciclos. Olhar para a dor. – Observar o que está carregando de “restos mortais” do processo: padrões emocionais. |
– Caveira, ossos, restos mortais
– Estrume, esterco, fezes. – Ruínas, sujeira, restos. – Escuridão, caos. – Alquimia: rei e rainha na tumba, enterro, caveiras, ossos e catafalco. |
– Rituais de finalização de ciclos. |
– Ventre da baleia. – Despertando para o sentimento de aridez espiritual: morte. |
| Separatio/
Colectatio |
Albedo | – Emoções: racionalização, praticidade, organização.
– Separação, cortes, limite, divórcio simbólico ou físico pós-mortificatio. – Planejamento, análise, escolhas. |
– Ego: organização da identidade. Organização mental.
– Diferenciação do eu. |
– Logos
– Mineração. – Alquimia: Separação do ovo cósmico; Separação dos elementos. – Moisés: abertura do mar. – Mitos cosmogônicos: Separação do céu e da terra. |
– Criação de mapa mental com o que sou e metas para um futuro próximo.
– Estabelecer o que cortar. Fazer os cortes. |
Caminho de provas |
| Sublimatio | Citrinitas
(ar) |
– Emoções: elevação, leveza, insights ou percepções repentinas, diversão, transcendência e espiritualidade.
– Pensamento elevado. |
– Consciência ampliada.
– Início da integração entre ego e self. – Voz do self. – Princípio do acesso consciente ao inconsciente coletivo. |
– Animais que voam.
– Alto de montanha, de prédio, de torre. – Esportes no ar. – Avião, balão, helicóptero, drone. – Flutuação, elevação. – Alquimia: ente rarefeito (feito gás); subida da pomba a partir de um sólido; escadas. |
Dança de flutuação (lenços, saias rodadas).
– Subir em algum lugar alto e desenhar o ponto de vista de cima. |
– A apoteose.
– Iniciação à deusa. |
| Exaltatio | Citrinitas | – Emoções: espiritualização, elevação, experimentação mais profunda da espiritualidade.
– Reconhecimento do próprio potencial como alquimista. – Foco e dedicação ao trabalho alquímico e suas regras. – Ritualização e sacralização do que de fato importa. – Contato ritualizado com guias e mestras/es. |
– Sacralização da consciência.
– Encontro com imagens do masculino arquetípico ou Animus. – Reconhecimento das regras alquimistas e de seu grau. |
– Metais ou estrelas brilhando.
– Altar. – Figuras de masculino arquetípico. – Mestres. – Alquimia: oração. |
– Construção de um altar.
– Exaltação de alguma figura masculina de referência. |
– Expiação com o pai.
– Curando a ferida do masculino ou o relacionamento entre pai e filha. |
| Multiplicatio | Citrinitas | – Emoções: generosidade, caridade, amor, esperança, cura, compaixão.
– Servir |
– Contato com imagens da Anima ou feminino arquetípico.
– Desenvolvimento da sensibilidade, da compaixão e do amor incondicional. |
– Figuras de feminino arquetípico.
– Estender a mão, salvar alguém, doar algo, se sacrificar em prol de um ideal coletivo, plantar muitas sementes. |
– Exaltação de alguma figura feminina de referência
– Fazer doações. . |
– Encontro com a deusa.
– Curando o conflito entre mãe e filha ou a ferida do feminino. |
| Tinctura | Rubedo | – Emoções: recompensa, orgulho, sacramento, reconhecimento, reverência. | – Desenvolvimento da persona de alquimista. | – Tingimento de telas, roupas
– Tintura de alguma substância (propólis…). – Sacramentos de reconhecimento: formatura, consagração iniciática. |
– Tingimento de uma roupa ou pintura em tela.
– Escolha de um nome alquímico. |
– A dádiva suprema.
– Início da integração do masculino com o feminino. |
| Coniunctio | Rubedo | – Emoções: integração, consciência plena, libertação de papeis mundanos, desapego, gratidão. | – Integração entre consciente e inconsciente, ego e self, matéria e espírito.
– Numinosidade da psique. – Renascimento do ego. |
– Casamento, sexo, abraço, beijo.
– Mandalas. – ritos, celebrações de união, ou combinação entre elementos complementares (feminino e masculino, claro e escuro, céu e terra, lua e sol, prata e ouro. Rodas. |
– Abraçar.
– Integrar materiais opostos. – Duplas para desenvolver exercícios corporais. |
– O senhor de dois mundos.
– Integração do masculino e feminino |
| Projectatio | Rubedo | – Emoções: liberdade, viver de acordo com a essência, simplicidade, humildade, generosidade, sabedoria, irmandade, gratidão. | – Numinosidade da psique.
– Nova coagulação. |
– Crianças e bebês.
– Alquimia: Criança Filosofal. |
– Ofertar o que aprendeu.
– Atuar com generosidade. |
Liberdade para viver |
Considerações Finais
Essa comunicação articulou estudos alquímicos presentes em algumas obras do junguiano Edward Edinger (2006; 2008; 1997) e do escritor alquimista Thiago Tamosauskas (2024), formulando a partir de tais articulações a proposta da Jornada Psicológica da/o Alquimista, com o apoio dos estudos de Joseph Campbell (2009) e Maureen Murdock (2022) em relação ao caminho do herói e da heroína.
Ampliando as sete operações alquímicas para o estudo dos sonhos analisadas no livro: Anatomia da Psique (2006), de Edinger, nossa proposta da Jornada Psicológica da/o Alquimista incorporou outras operações alquímicas, apoiadas no modelo apresentado pelo estudioso alquimista Tamosaukas (2024), que considera doze etapas, mas com reformulações, trazendo a proposta da Jornada Psicológica da/o Alquimista, uma metáfora para o caminho percorrido pela pessoa alquimista desde o início do enfrentamento de uma questão sombria (Nigredo) até a chegada a um estado interior de integração e partilha do aprendizado (Rubedo), passando por Albedo e Citrinitas, considerando aspectos da Jornada do Heroi (Campbell, 2009) e Heroína (Murdock, 2022).
As contribuições centrais que esta investigação aponta envolvem um elemento de originalidade para o campo dos sonhos e alquimia, trazendo novos subsídios para as análises. E esperamos, com este trabalho, inspirar o aprofundamento de novas investigações que articulem os campos de estudos dos sonhos, Alquimia e Psicologia Analítica.
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NOTAS
[1] Professora de Psicologia e Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo. Psicóloga junguiana, analista de sonhos, Doutora em Psicologia, Doutora em Ciências da Religião, com Pós-Doutorado em Estudos de Gênero, Pós-Doutorado em Psicologia Clínica (Núcleo de Estudos Junguianos, PUCSP). Criadora do jogo terapêutico junguiano Símbolos do Inconsciente. Criadora da Katabasis: Escola junguiana feminista de Alquimia e Sonhos. Autora de diversos artigos e livros. E-mail: clarissadefranco@hotmail.com.
[2] Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos Junguianos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (NEJ/PUCSP) e Bacharel em Psicologia pela Universidade do Vale do Sapucaí (UNIVÁS). Psicólogo junguiano, Mitologista, Escritor-Amigo da Academia Itajubense de Letras (AIL). Professor da Katabasis: Escola junguiana feminista de Alquimia e Sonhos. Email: rafaelbaldassaris@gmail.com.
[3] Psicoterapeuta Junguiana. Graduada em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Dom Bosco. Pós-graduada em Psicologia Analítica pela UNIABERTA. Email: lourbettyterap@gmail.com
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