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A Conexão entre Druidas e Allan Kardec

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Marcelo Del Debbio

Excerto de O Grande Computador Celeste (edição Rafael Arrais)

Druidas (e druidesas) eram pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento, ensino, jurídicas e filosóficas dentro da sociedade celta. A palavra Druida significa “aquele que tem conhecimento do carvalho”.

O carvalho, nesta acepção, por ser uma das mais antigas e destacadas árvores de uma floresta, representa simbolicamente todas as demais. Ou seja, quem tem o conhecimento do carvalho possui o saber de todas as árvores. Está intimamente ligado ao título de “aquele que trabalha com a madeira”, vindo dos tempos do Rei Salomão e da Arca e, para quem não caiu a ficha ainda, o mesmo título de “Mestre Carpinteiro” dos antigos Essênios. A ritualística druida é muito parecida com o cristianismo primitivo da doutrina Cátara.

É importante dissociar as palavras “Druida” de “Celta”, porque muita gente faz confusão. Celta é o nome do povo, enquanto Druida é o nome dado a uma casta de sacerdotes especiais que viviam entre os celtas e agiam como conselheiros destes. É a mesma relação entre “judeus” e “rabinos”.

 Druidas e Mediunidade

A conexão entre Druidas e Mediunidade vem do Xamanismo (que é uma das origens de toda a magia celta) e das incorporações dos xamãs com os Espíritos dos Antigos (ou Espíritos Ancestrais). Da mesma maneira que os xamãs incorporam os espíritos ancestrais, os grandes sacerdotes druidas não apenas incorporavam os Deuses em seus rituais, mas também estudavam estas interações entre o Plano Material e o Plano Espiritual.

Com o advento da Igreja Católica, estas práticas ficaram cada vez mais secretas e mais restritas, sob pena de fogueira; e muitos dos conhecimentos ocultistas da antiguidade tiveram de se refugiar nas Ordens Secretas, especialmente sob a proteção Templária e Rosacruz.

O Sagrado feminino, a intuição e a mediunidade foram esmagados e permaneceram em dormência até o Renascimento. Neste período, qualquer manifestação de mediunidade era vista como “coisa do demônio” e passível de fogueiras e exorcismos. Existem diversos casos na literatura medieval que retratam casos de mediunidade como sendo tratados como “possessão demoníaca” e afins. O mundo permanecia (ainda permanece?) em uma Idade das Trevas.

 Dos druidas aos maçons

Nascia em Lyon a 3 de Outubro de 1804 Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec), um professor, pedagogo e escritor francês que se notabilizou como o codificador do chamado Espiritismo, denominado “Doutrina Espírita”.

Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.

Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdun, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados.

Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração.

Era membro de diversas ordens, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema: “Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?”.

Existe uma grande suspeita que Leon Denizard tenha feito parte da Maçonaria, pertencente à Grande Loja da França. Se não foi iniciado, passou sua vida inteira cercado por amigos membros desta sublime ordem. Deve ter conhecido as teorias básicas de Astrologia (pelo contato e estudo com Camille Flammarion, um dos maiores astrônomos franceses de todos os tempos, fundador em 1887 da Sociedade Astronômica da França).

Camille Flamarion era tão seu amigo que fez o discurso para o enterro de Kardec. Para os espíritas que acompanham a coluna terem uma idéia da importância de Flamarion para o espiritismo, procurem nos textos da Gênese, uma das obras básicas da doutrina espírita, o texto Uranografia Geral – Estudo do Espaço e Tempo, pelo médium CF. CF são as iniciais de Camille Flamarion.

Cético e estudioso, Léon teve contato com os estudos a respeito das “mesas girantes” em 1855, paralelamente a cientistas e ocultistas como Sir William Crookes (membro do Royal College of Chemistry, pai da espectrologia), Alfred Russel Wallace (coautor da teoria da evolução das espécies, juntamente com Darwin), John Willian Strutt (prêmio Nobel da física de 1904), Michael Faraday (físico, que apesar de não ser ocultista também estudou estes fenômenos relacionados ao eletromagnetismo – sua especialidade), Oliver Lodge (membro da Royal Society, inventor do telégrafo sem fio), entre muitos outros. Interessante notar que as pessoas que estudavam seriamente estes fenômenos eram cientistas importantíssimos, ganhadores do Nobel de Física e outros pesquisadores voltados para áreas da física e da química.

 Os tipos de mediunidade

Léon começou seus estudos observando a Manifestação dos Espíritos sobre a Matéria, que através da vontade (Thelema) dos seres espirituais, combinados com a energia plasmada do médium, rompem a barreira entre os campos vibracionais e permitem manifestações no Plano Material. A partir disto, surgem as famosas “mesas girantes” que são uma manifestação grosseira desta força, suficiente apenas para erguer as mesas no ar e fazê-las girar.

A partir das manifestações grosseiras (que também são a origem de barulhos em casas ditas “mal assombradas” e outros fenômenos), surgiram os estudos a respeito de Manifestações Inteligentes (ou seja, pancadas rítmicas, respondendo a perguntas como “sim” ou “não”, barulhos indicando princípios rudimentares de comunicação entre Planos e assim por diante). Neste sentido, Léon também estudou a criação de ruídos, movimentos e suspensões e aumento e diminuição do peso dos corpos.

Na segunda etapa, estudou as manifestações físicas espontâneas, ou seja, a criação de ruídos mais específicos, arremessos de objetos e fenômenos de transporte, bem como as manifestações visuais, aparições e aparições dos espíritos de pessoas vivas. Estudou também os lugares assombrados, linguagem dos sinais, tiptologia alfabética, escrita direta e pneumatofonia.

Na área da psicografia, estudou a psicografia indireta, através de cestas e pranchetas, e a psicografia direta, através dos médiuns.

O capítulo XIV do seu Livro dos Médiuns trata especificamente sobre as mediunidades, listando as 72 mediunidades diferentes, entre elas os médiuns de efeitos físicos, elétricos, sensitivos, audientes, falantes, videntes, sonambúlicos, curadores, pneumatógrafos, etc. Entre os médiuns escreventes temos os médiuns mecânicos, intuitivos, semimecânicos, inspirados e de pressentimento e assim por diante. Recomendo que vocês leiam os dois livros básicos (Livro dos Espíritos e Livro dos Médiuns).

Léon adotou o pseudônimo de Allan Kardec, uma de suas encarnações passadas como druida, e é considerado o fundador do Espiritismo, uma das filosofias espiritualistas que eu considero mais sérias.

Conscienciologia

Termino o artigo citando o professor Waldo Vieira e um livro fantástico chamado 700 Experimentos de Conscienciologia (1994) onde, com o auxílio de laboratórios, foram feitas diversas experiências dentro do método científico para comprovar e estudar os fenômenos parapsicológicos. Hoje o IIPC é um dos institutos mais sérios no estudo destes fenômenos de forma científica e laica.

No Brasil, o espiritismo acabou adotando um pouco do viés religioso e cristão ao invés de sua proposição original científica. Infelizmente o sincretismo religioso, os misticóides da dita “Nova Era”, os charlatões e as chamas violetas da vida transformaram a palavra “espiritismo” em uma mixórdia tão grande que os espíritas originais precisam se denominar “Kardecistas” para evitar confusões, tamanha a quantidade de loucuras que inventaram por ai [Del Debbio costuma usar mais o termo “Kardecismo” do que “espiritismo”; na edição desta obra, no entanto, optei por converter a maior parte para “espiritismo”, que era, afinal, a intenção original de Kardec – ele não criou a doutrina espírita, apenas a codificou].

Enquanto isso, neste curral chamado Brasil, os coletores de dízimos fazem a festa com suas charlatanices de desencapetamento, exorcismos da madrugada, óleos de Jerusalém, água do Rio Jordão e afins, deixando a ciência e o ocultismo sério como pequenos oásis neste imenso mar de créu.

Perdidos no meio de assuntos religiosos e esotéricos que não têm nenhuma idéia a respeito, as Igrejas caça-níqueis seguem por ai Vandalizando Templos de Umbanda e de outras religiões “Em nome de Jesus”.

MacBeth!


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